História Jay - Padackles - Capítulo 4


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Categorias Jared Padalecki, Jensen Ackles, Supernatural
Personagens Jared Padalecki, Jensen Ackles
Tags Adaptação, Anne Marck, Inocencia, Jared Padalecki, Jensen Ackles, Lemon, Linguagem Imprópria
Visualizações 113
Palavras 1.978
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Capítulo 4


Fanfic / Fanfiction Jay - Padackles - Capítulo 4 - Capítulo 4

JARED

— Porra cara! Onde merda está sua cabeça? — Jeff reclama após me lançar a maldita bola diretamente no estômago.

Balanço a cabeça, tentando recuperar minha concentração no jogo de basquete com meus irmãos. O fato, é que meus pensamentos estão fora de ordem desde o momento que tomei ciência da partida do menino pela manhã. Por que diabos ele tinha que sair desse jeito, doente ainda por cima? Guiei minha moto por algumas ruas do bairro com o objetivo de encontrá-lo e foi uma perda de tempo. O garoto está fugindo, dificilmente vou vê-lo novamente. Só não entendo o porquê a ideia está me inquietando tanto.

— Encare como uma vantagem que estou te dando — debocho, arremessando a bola de volta para ele.

Pelo canto do olho, percebo Christian se aproximar, sustentando um sorriso de moleque provocador.

— Se eu não te conhecesse, Jay, diria que esta distração tem nome.

Dou uma cotovelada de leve em sua costela.

— Nem todo mundo tem essa sua mente suja, irmão — jogo meu braço por cima de seu ombro, trazendo-o para mim — Só não quero passar o meu almoço ouvindo os lamentos perdedores de vocês.

Ele ri alto, dizendo qualquer coisa sobre eu estar velho.

Estes caras são tudo o que tenho de família.

Já superamos muitas coisas juntos. A dura infância nas ruas nos obrigou a ser mais fortes, mais unidos. Nossa mãe biológica, dependente química, mal sabia como cuidar de si mesma, quem dirá dos cinco filhos. 

Sua negligência praticamente causou a morte dos caçulas, Vivian e Richard, duas pequenas crianças abandonadas, doentes, desnutridas, tendo somente a mim, como irmão mais velho, para protegê-los e eu falhei. 

Aquilo doeu muito, e ainda dói. 

Foi quando eu me fiz uma promessa: nunca mais perderia um irmão para a fome. Assumi a responsabilidade de olhar por Jeff e Christian, dei tudo de mim para correr atrás de alimento, abrigo e mantê-los longe dos perigos que as ruas poderiam nos meter. 

Quando nossa mãe deu a si mesma uma dose maior do que conseguia suportar nós definitivamente só tínhamos uns aos outros.

E foi assim por alguns anos, até que um dia, por uma conspiração improvável do universo, dois franceses – Pierre e Aimée – que estavam se estabelecendo a trabalho no país, nos conheceram nas ruas e adotaram os três. 

No começo eu desconfiei muito da bondade daqueles estranhos. No mundo em que eu vivia não existiam pessoas como eles, entretanto eles se mostraram pais no sentido real da palavra, deram-nos tudo, e o peso da vida pôde finalmente ser dividido.

Por influência da profissão de nossos pais adotivos, Jeff, Chris e eu também nos tornamos engenheiros. A morte deles, há mais de oito anos, foi um baque, sofremos muito, principalmente Christian por ser o mais novo e mais apegado a eles.

***

Sento-me com os caras na lanchonete onde almoçamos com frequência depois das costumeiras partidas de basquete ombro-a-ombro. Pela expressão de Jeff, e conhecendo-o como conheço, sei que seu assunto ‘sério’ estará de volta à mesa dentro de alguns instantes. 

Meu irmão mal consegue evitar. A obstinação está em seu sangue. Ele quer meu retorno à construtora. Esta não é nossa primeira conversa sobre o assunto e certamente não será a última.

Depois da morte de nossos pais, assumi a direção da empresa e permaneci à frente dela até pouco mais de três anos atrás, quando passei a responsabilidade definitivamente para Jeff, após sentir que ele estava pronto para a tarefa. 

Gerenciar o negócio nunca foi meu objetivo, a ocasião é que me colocou nesta posição. Por meu passado, eu senti que precisava dar um destino melhor ao meu diploma do que vestir uma gravata, apertar mãos e encher os bolsos. 

Eu devia isto, era minha obrigação retribuir o que recebi na vida e trabalhar duro para que outras pessoas não passem o que nós passamos vivendo nas ruas.

Meu irmão já não enxerga desta forma. O cara é uma máquina voltada para fazer negócios e dinheiro, e está mais do que disposto a dominar o mundo.

Como eu já esperava, sua abordagem de hoje não é diferente.

— Você entende que precisamos de você, Jay? Eu e Chris estamos no limite, cara.

Enfio um pedaço de filé na boca, mesmo sem fome, e mastigo calmamente. Perdi a conta de quantas vezes tivemos esta mesma conversa. 

O problema é que hoje não estou num bom estado de espírito para discutir isso de novo. A preocupação com o menino ainda está rondando meus pensamentos.

— Jeff, nós já falamos sobre isso. Eu não tenho vocação e tão pouco interesse de voltar.

Ele bufa ruidosamente.

— Você acha que eu, ou Christian, não queríamos estar por aí fazendo o que gostamos? Inferno Jay, nós temos um grande negócio nas mãos, empregamos centenas de pessoas que dependem de nós.

— Eu respeito isso, irmão, respeito mesmo. Mas responda honestamente, Jeff, você já cogitou a ideia de fazer algo voltado para quem realmente precisa? Moradias de baixo-custo, financiar habitações populares?

— Não — ele rosna contrariado, sabendo onde quero chegar.

— Não, exatamente. Ninguém quer fazer projetos assim, cara. E são estas pessoas que mais precisam — deixo meu talher de lado e encaro-o com seriedade — Nós, melhor do que ninguém, sabemos como é não ter um teto sob a cabeça.

Jeff remexe sua comida, sem me olhar, e Chris permanece nos observando calado.

— Você poderia ter um setor, dentro da construtora, voltado para isto se quisesse, e continuaria a frente dos projetos maiores — ele insiste, o timbre mais moderado.

Tomo minha água, não querendo continuar com este papo. Meu dia não começou bem, e, honestamente, estou desejando sair logo deste restaurante e ver se encontro o garoto de cabelos dourados e nenhum juízo.

— Ok — rosno — Eu vou pensar sobre isso, mas não prometo nada. Não se anime.

O cara me olha como se acabasse de receber um sim. E até ganha um novo apetite.

— Vocês, cadelas, são iguaizinhos — Christian bufa, bem humorado como sempre.

***

Já é noite, o Centro Comunitário está a todo vapor, volta e meia me pego olhando pela janelinha lateral, verificando se o garoto voltou para revirar nosso lixo.

Maldição, por que não consigo parar de pensar nele?

— Nada dele, não é? — Missouri para ao meu lado, obviamente percebendo minha estranha agitação.

— Não — digo simplesmente.

— Não se preocupe, menino. Ele deve estar bem.

É isso o que me preocupa. Febre, hematomas, machucados com suturas mal curadas, sozinho, franzino, e com aquele tipo de beleza ingênua. Um alvo fácil nas ruas. Pela primeira vez, trabalhando aqui todas as noites, sinto vontade de terminar logo o trabalho e sair para procurá-lo. Preciso dar mais uma busca por aí.

***

Passa da meia noite quando finalmente volto ao meu apartamento. Vim somente para deixar minha moto e pegar as chaves do carro. A chuva fria lá fora não favorece em nada. Enfio uma jaqueta de couro e me apresso para o veículo.

Tenho uma intuição sobre seu paradeiro. Só espero que eu esteja certo.

Seguindo meus instintos, guio para um dos lugares que imagino poder encontrá-lo. Dou uma busca ao entorno, mas nem sinal do garoto.

Logo tenho meu carro estacionado em frente ao segundo local, outro restaurante da região. Se ele está andando pelas sombras, se escondendo por aí, como eu sei que está, provavelmente não quer ser visto comprando ou pedindo comida. Então um bom lugar para procurar é nos fundos de algum restaurante, este aqui estava aberto até agora a pouco.

Caminho pelo beco escuro e aparentemente nada dele por aqui também. Estou quase voltando ao carro quando um chiado baixo, um tipo de chorinho, me atrai. Volto alguns passos e olho mais atentamente na direção de onde vem o barulho. Lá está ele. No canto, perto das tubulações de gás, encolhido e enrolado no chão, tremendo debaixo da chuva fria, usando a minha camiseta e calça de moletom, descalço e sem blusa.

Merda do caralho!

Corro para o menino visivelmente doente, de olhos fechados, queimando em febre e delirando. Ele está um desastre.

Inferno, isso me arrebenta.

Sem pensar em mais nada, retiro minha jaqueta, envolvo nele e o pego nos braços.

— Teimoso demais para aceitar ajuda — rosno irritado enquanto o coloco deitado nos bancos de trás da minha Picape.

Ajusto a temperatura do ar quente na opção máxima. E agora? O que fazer?

Conecto meu telefone ao painel do carro e disco para Missouri.

— Eu o encontrei e preciso de ajuda — lanço quando a mulher atende — Ele estava deitado em baixo de chuva, sua temperatura está muito alta... — olho para o retrovisor, onde o menino geme algumas palavras incoerentes — E aparentemente delirando.

Missouri respira ruidosamente do outro lado.

— Menino, estou indo para sua casa, mas vou demorar um pouco. Eu preciso que você o coloque num banho morno imediatamente, para tentar equilibrar a temperatura, e depois o mantenha aquecido até eu chegar.

— Ok — rosno e desligo.

Estou irritado como há muito tempo não ficava. Este garoto colocou sua vida em risco porque não quis aceitar a minha ajuda. O que ele tem na cabeça?

Subo com seu corpo leve até meu apartamento. Bato a porta com o pé e o levo direto para o chuveiro. Com um braço em torno de sua cintura, uso a outra mão para abrir o registro e regular a temperatura da água. Puxo sua camiseta úmida para fora do jeito que posso e rapidamente deslizo a calça de moletom. O garoto está usando minha boxer, retiro também.

E então eu o vejo por inteiro.

Mas que porra é essa?

O corpo magro pálido está coberto de tantos machucados que nem tenho certeza de como ele ainda está de pé. Maldição. O que poderia ter provocado tudo isso? Pelos pontos, ele já esteve em um hospital, mas por que não quer ser levado para lá novamente?

Coloco seu corpo amolecido embaixo do chuveiro e

deixo que a água faça seu trabalho. De sua boca não sai coisa com coisa.

— Ele vai tentar me matar de novo — sussurra com língua enrolada — Ele mantou a minha mãe.

O desespero em sua fala me desestabiliza momentaneamente.

— Quem vai fazer isso? — pergunto controlando minha voz para não assustá-lo.

— Ele vai me matar — choraminga de olhos fechados, a cabeça pendendo para o lado, amolecida.

Sou obrigado a entrar com ele embaixo da água para que seu corpo fique firme. Enrolo sua cintura com uma mão e com a outra seguro seu rosto.

— Eu não vou deixar — sussurro.

Nem sei por que eu disse isso. O garoto mal pode me entender.

Aos poucos sinto seu corpo se recuperando dos tremores e a pele ganhando temperatura mais razoável. Desligo o registro, pego a toalha que eu havia jogado por cima do box e o envolvo, descanso outra toalha em sua cabeça e o levo em meus braços para o quarto. Do armário retiro um suéter e um par de calças de moletom.

Logo o tenho vestido, sentado em minha cama, envolvido com um cobertor, enquanto seco seus cabelos com a toalha.

***

Missouri veio e foi embora. Deixou remédios e administrou uma injeção nele, que agora dorme mais tranquilamente. Eu, ao contrário, estou sentado em uma cadeira há mais de cinco horas, assistindo seu sono e não dando nenhum segundo de vacilo para caso ele tente fugir novamente.

Suave, delicado, com os cabelos loiros selvagens, ele parece um tipo de anjo. Quantos anos este menino tem? De onde ele é? Qual o seu nome? Milhares de perguntas estão rondando a minha cabeça.Respiro fundo, esperando pacientemente para descobrir cada uma das respostas. Se ele acha que vai fugir novamente, ele nunca esteve mais enganado.



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