História Jay Park (irmãos da máfia) primeira temporada - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Espero que gostem !
Boa leituraaaa❤️❤️

Capítulo 2 - Cega???


Fanfic / Fanfiction Jay Park (irmãos da máfia) primeira temporada - Capítulo 2 - Cega???

            

Depois do longo voo, Jay e seu irmão estavam de volta à Coréia,o que lhes trazia grande alívio. As negociações com o fornecedor de armas na América não foi nada fácil e eles estavam exaustos com todo o estresse da transação. 

Em breve as caixas compradas estariam chegando em seu território e era um problema a menos na sua lista de coisas a fazer.

Foram direto para a casa de Jay, era a mais próxima do aeroporto e Gray ficaria por lá para que pudesse descansar. Os dois estavam exaustos da viagem que fizeram, considerando aquela noite mais longa do que imaginaram.

Jay fechou a porta do seu quarto e deixou escapar um suspiro frustrado quando olhou para sua cama. Sabia que ao amanhecer teria um monte de problemas para resolver, no entanto, decidiu não pensar sobre isto naquele momento. Não queria lidar com mais estresse e frustração pelo que restava da noite.

Seguiu para o banheiro em sua suíte e tomou um banho longo, enquanto tentava lembrar qual foi a última vez que teve uma mulher embaixo dele. Sentia falta da suavidade das curvas que um belo corpo feminino ostentava. Poderia ter a mulher que quisesse, o problema todo era que pouco tempo lhe sobrava. 

Lidar com uma organização criminosa e uma construtora ao mesmo tempo ocupava mais tempo do que ele desejava. Frustrado e cansado, se arrastou para sua cama e adormeceu.

Ao amanhecer, acordou no mesmo horário de sempre, sabia que encontraria Gray em sua cozinha atacando sua geladeira. Hábito que ele não escondia e nem se envergonhava, já que nunca abastecia a geladeira de sua própria casa.

Arrumou-se e foi ao encontro do irmão na cozinha.

— Onde Sunhe está? — Jay perguntou assim que se sentou na cabeceira da mesa.

— Bom dia para você também, Jay. — Gray o provocou.

Jay não se importou, serviu um café em sua xícara e abriu o jornal do dia.

— Não respondeu minha pergunta. — Jay murmurou enquanto passava os olhos pelas notícias no papel em suas mãos.

— Disse que ia a feira. — Gray respondeu e deu de ombros.

Jay abaixou o jornal e olhou para o irmão por alguns segundos. Depois sorriu de leve ao perceber o ligeiro mau humor nos olhos de Gray.

— O que ela fez hoje? — Jay zombou e Gray revirou os olhos como um adolescente.

Jay fez uma leve careta com o ato tão infantil do irmão. Se seu pai visse aquilo era provável que Gray apanhasse pelo resto do dia por ser tão rebelde.

— Mulher abusada — resmungou brincando. — Ela não quer ir para minha casa cozinhar para mim.

Jay não respondeu e voltou sua atenção para o jornal depois de tomar um pouco do café puro que se serviu.

— Ela gosta só de você.

— Você é ridículo, Gray

— É verdade.

Jay suspirou sabendo que o irmão não o deixaria ler em paz.

— Que diferença ia fazer ela ir para sua casa? — Jay perguntou.

— Eu a teria sempre cozinhando para mim! — respondeu como se não fosse óbvio.

— Como se você passasse algum tempo na sua casa, vive aqui me importunando e comendo o que acha na geladeira.

— Claro que eu assalto sua geladeira e vivo aqui, lá não tem ninguém para cuidar de mim.

O tom dramático de Gray irritava tanto Jay que ele tinha vontade de socar o irmão.

— Você é ridículo. — Jay afirmou de novo. — Ridículo e interesseiro.

Gray riu alto com seu costumeiro e irritante bom humor.

— Quero saber o que faz aqui ainda, não tem nada para fazer não? Posso arrumar algo em dois minutos.

— Como você é chato, Jay! — disse e sorriu de forma divertida. — Quero estar contigo, ir ver a filha do Yang, e claro, participar da diversão.

— Ainda não decidi o que fazer com ela.

Jay se segurou para não suspirar ou demonstrar sua indecisão. Na verdade, ele nem mesmo estava lembrando que tinha uma refém, depois dos dois dias tão tensos que passou sua mente não estava funcionando muito bem. Desejava que afilha de Yang fosse uma boa carta a se ter, já que não teve tempo para ler o relatório que Loco tinha lhe entregado há alguns dias atrás.

— Se ela for gostosa, eu posso decidir — brinca conseguindo sua atenção de volta. — Eu sei que pode, ainda sim esta decisão sou eu quem vai tomar. 

Eu sempre preciso ter uma carta a mais nas mangas. Pensou.

— Você é o mestre — brinca seu irmão o fazendo bufar.

Tomaram café juntos, enquanto conversavam sobre seus negócios e aproveitavam o momento de tranquilidade.

Do lado de fora, seus seguranças os aguardavam para os levarem ao seu primeiro compromisso do dia. Os irmãos combinaram de ir ao encontro da filha de Yang de uma vez, assim estariam livres para resolver outras coisas que não dependiam da atenção dos dois. Já que Gray insistia em estar presente para resolver este problema e juntos se livrariam da dor de cabeça que Yang vem lhes causando.

Ao chegar, desceram rapidamente e seguiram para o escritório improvisado que Jay mandou preparar, não queria que todos assistissem desta vez. O que também deixou todos surpresos com sua atitude. Não era comum Jay privar seus homens das maldades que fazia. Mas desta vez, era diferente e ele não sabia explicar. Mesmo que tivesse uma explicação ele não diria, não era homem de ficar justificando suas atitudes e não seria agora que começaria.

— Simon, traga-a — ordenou ao homem que fazia sua segurança.

Simon somente acenou com a cabeça e foi buscar a mulher. Os irmãos se sentaram e esperaram pelo segurança sabendo que ele não demoraria muito a voltar.

Jay a todo o momento pensava no que fazer com a mulher, mas não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Em toda sua vida isto jamais havia acontecido, ele sempre soube o que fazer mesmo antes das coisas acontecerem.

Estava pronto para qualquer situação, assim como seu pai o treinou, porém, algo o impedia de ter uma decisão em relação à mulher que logo estaria na sua frente.

Nunca imaginou que aos seus trinta e dois anos experimentaria tamanha indecisão. Sentiu-se frustrado e irritado com aqueles sentimentos.

Olhou para seu irmão que estava concentrado em seu tablet, alheio ao conflito em que passava. Ficou aliviado por Gray não perceber a aflição em que estava por não chegar a uma conclusão definitiva como sempre fez.

Não entendia o porquê, e não sabia o que fazer com a filha do homem que o traiu, mas decidiu esperar. Respirou devagar endurecendo suas feições e forçou seu corpo a aparecer relaxado, enquanto esperava pelo retorno de Simon.

No momento saberia o que fazer. Pensou.

Não demorou muito e Simon entrou segurando uma mulher que tinha a cabeça tampada por um saco de tecido preto atraindo a atenção dos irmãos. Seu corpo era pequeno e parecia delicado demais para a brutalidade que iria enfrentar. Seu segurança a jogou sobre os joelhos e ela gemeu com a dor que sentiu ao chocar-se no chão áspero. Observou que usava um vestido preto simples de tecido fino e talvez gasto demais, que ia até os joelhos e que seu corpo tremia levemente. 

Suas mãos estavam fechadas em punhos na tentativa de acalmar o tremor do seu pequeno corpo e esta constatação deixou Jay intrigado.

— (S/n) Yang chefe.

— Tire o saco — ordenou, e assim fez o segurança.

Assim que os olhos de Jay caíram sobre o rosto dela, ele ficou chocado ao ver a beleza daquela pequena mulher à sua frente, endureceu ainda mais suas feições para não deixar que vissem suas reações, trincou os dentes tão forte que sentiu um músculo saltar em sua mandíbula. Seu corpo ficou rígido e tenso por perceber que aquela era a mulher mais linda que já tinha visto. 

O desejo de tocá-la foi tão grande que o fez fechar suas mãos em punhos.Sua pele parecia tão pálida... e macia. Pensou quase que hipnotizado por tamanha beleza.

Ela tinha grandes olhos verdes claros como uma grande piscina cristalina e isto o fascinou. Suas bonitas expressões estavam marcadas pelo medo e sofrimento.

Ele aguardou que piscasse reclamando da claridade, mas ela não teve a reação esperada. Seus olhos estavam um pouco vermelhos assim como seu nariz, o que com certeza era de chorar, mas não reagia a claridade. Seus traços eram muito delicados e seu cabelo em um tom de preto natural.

Ficou com raiva por desejar tanto colocar suas mãos sobre ela. Quase que furioso. Aquela não era a reação que esperava. Ele não se envolvia com ninguém que não fosse por uma única noite, poderia passar uma noite com ela e depois descartá-la. Porém, não gostou de onde seus pensamentos estavam o levando.

Jay tremeu de raiva, sentia-se irracional e quase que louco pelo rumo dos acontecimentos.

— Ela ficou vendada? — perguntou severamente ao segurança que tremeu um pouco com seu tom de voz. — Sim, desde que chegou.

O soluço de (S/n) chamou sua atenção novamente, ela parecia amedrontada e isto era o que ele queria. Mas de um jeito estranho não ficou satisfeito em presenciar o medo exalado em cada soluço incontrolado que saía de seus pequenos e bonitos lábios.

— Sabe por que está aqui? — Jay perguntou a pequena mulher à sua frente. 

— Senhor... eu não sei... se foi o meu pai... que mandou me castigar... novamente... por favor, não me bata... ainda não me recuperei da última surra... por favor... eu já aprendi a lição... com o frio e a fome... não me machuque...

Ela falava em sussurros tão baixos que Jay teve que se esforçar para ouvir suas palavras. Parecia tão cansada, tão esgotada, que o deixou sem reação por alguns instantes. Sua voz doce estava falha por causa dos soluços fazendo Jay ter reações estranhas com o medo que presenciava.

Ele precisou de um tempo para raciocinar aquilo que tinha escutado. Era como se a beleza e o medo dela o enfeitiçasse, deixando-o bobo e sem atitudes. 

Ainda encarava seus olhos verdes aterrorizados, enquanto absorvia o que tinha sido sussurrado.

Por suas palavras e súplicas constatou rápido de que aquela não era uma boa carta a se ter, se Yang surrava a própria filha queria dizer que ele não se importava com ela. Em vez de resolver o problema, ele acabou conseguindo mais um para sua lista de coisas a fazer.

Merda! Amaldiçoou-se.

— Eu prometo... tocar mais vezes nos restaurantes para... lhe conseguir dinheiro...

(S/n) disse chamando sua atenção novamente, Jay percebeu que em nenhum momento ela falava olhando em sua direção e ele se sentiu ultrajado por sua recusa em olhá-lo.

— Fale olhando para mim — ordenou e sua voz saiu rude suficiente para fazê-la estremecer duramente.

— Eu não posso. — Ela sussurrou olhando para um ponto longe de onde ele estava.

— Fale olhando para mim! — Ele praticamente bradou a fazendo pular em susto.

— Eu não posso — sussurrou amedrontada.

— Por que não pode? — Seu irmão curioso resolveu perguntar.

— Porque eu não sei onde o senhor está... eu não posso enxergar... sou cega...Mas se o senhor se aproximar um pouco mais eu posso achar sua direção. — Ela disse baixinho, e um pouco envergonhada.

A reação de surpresa e choque foi instantânea em Jay . Estava tão surpresa que não se importou em demonstrar, desviou seu olhar para Gray e também oviu em choque evidente. Trocaram um olhar que dizia tantas coisas que somente os dois sabiam, era como se estivessem se comunicando somente de se encararem nos olhos.

Simon também não conseguiu esconder seu espanto em saber que a prisioneira era deficiente visual. Os três homens naquela pequena sala ficaram em silêncio por um instante, abismados demais para se pronunciarem. Jay foi o primeiro ase recuperar, colocou sua expressão fria de volta no rosto e voltou a olhar para (S/n).

— Cega? — Jay disse ainda sem acreditar no que tinha ouvido.

Ela pareceu um pouco confusa por ele não saber e, então, o respondeu.

— Sim... meu pai não lhe contou? ... Ele queria que eu roubasse os clientes dos restaurantes... para lhe conseguir mais dinheiro...mas como vou fazer isto? Além de desonesto, eu não vejo nada além da escuridão. — Ela disse baixo e suspirou sentindo-se derrotada. 

Se Jay não sabia o que fazer antes, agora que ele não sabia mesmo o que fazer.

Pela primeira vez na vida, ele não sabia.

Um novo sentimento apertou seu peito.

Compaixão.

Humanidade.

Pela primeira vez na vida, ele teve um pouco de compaixão e humanidade. 

— Quantos anos tem, (S/n)? — Ele perguntou firme e frio.

Porém, por dentro Jay sentia-se aquecido de um jeito como nunca antes. A compaixão o aqueceu um pouco e ele nem mesmo se deu conta.

— Vinte e três.

Jay queria suspirar, era tão nova para a brutalidade que o destino reservou para ela. O pai daquela garota a maltratava tanto e ela ainda era cega. Jay nunca se imaginou sendo pai, mas se fosse, seria um bom pai e protegeria seus filhos, não iria querer ser como o seu foi para ele. Graças a sua mãe recebeu carinho e amor, mas seu pai lhe transformou no monstro que era hoje. 

Respirou aliviado em lembrar que Ele estava morto e enterrado onde não podia mais fazer de sua vida um inferno.

Sem se dar conta dos seus movimentos, se levantou, pegou a cadeira confortável em que estava sentado e a colocou ao lado de (S/n). 

Não pode deixar de notar que ela ficou assustada quando ele se aproximou e pelo barulho que a cadeira fez ao ser posta no chão.

— Vou te ajudar a se sentar em uma cadeira, estenda as mãos. — Ele disse firme e sua voz saiu um pouco rude. Seu segurança o olhou chocado, mas Jay não se importou.

A pequena e bela mulher à sua frente estendeu as mãos trêmulas e geladas, Jay as pegou e sentiu uma ligeira vontade de esfregá-las para lhe dar um pouco de calor. Ele se sentiu confuso e ignorou todos os alarmes que piscaram em sua mente para que não ficasse tão próximo daquela mulher. Segurou as delicadas mãos dela, esfregou de leve seus pulsos apreciando o leve arrepio se arrastar nos pelos do braços de (S/n). Ficou intrigado novamente com a vontade de arrastar os dedos por sua pele alva, mas ignorou suas vontades, enquanto ajudava ela se manter de pé. Estava muito perto de (S/n) e encarava seu rosto hipnotizado com seus belos traços. Mesmo com toda simplicidade em seu modo de vestir, Jay tinha a sensação que nunca havia visto algo tão encantador. Ele sabia que estava sendo encarado por Gray e Simon, mas não conseguia se mover. (S/n) era mais baixa do que ele, uns vinte centímetros e mantinha seu olhar baixo. Ele se sentia preso a ela, até que aos poucos (S/n) levantou sua cabeça e parecia quase mágico quando o olhar dos dois se encontrou.

Fascinante. Pensou Jay.

Ela tinha olhos deficientes, mas de uma beleza incrível. Parecia que tinham sidos atraídos pelo olhar intenso de Jay. Ele duvidou um pouco de sua cegueira pela forma que ela o encarava, porém, se lembrou de que ela tinha dito antes, que se aproximassem um pouco mais poderia encontrar a direção de Jay.

— Totalmente cega ou vê alguns vultos? — Jay perguntou curioso.

Seu tom de voz foi baixo e amigável desta vez. Eles estavam tão pertos que (S/n) sentia o hálito quente dele, assim como o aroma de seu perfume.

— Totalmente cega. — Ela murmurou se sentindo atraída como um imã por Jay.

Ele acenou mesmo sabendo que ela não veria, seu aceno foi mais para quando percebeu seu olhar vagar um pouco. Algo característico de sua deficiência. 

Saindo do seu estado de encantamento, deu um passo para trás e depois a colocou sobre a cadeira. Endureceu as feições e se repreendeu por estar sendo tão irracional.

— Simon, arrume alguma coisa para limpar os ferimentos do joelho da senhorita Yang, agora! — Ele ordenou duramente.

Seu segurança tentou esconder a surpresa e falhou consideravelmente em mascarar suas reações. Não era algo comum ouvir esse tipo de pedido vindo de Jay , na verdade, ele pensou que nunca o ouviu pedir tal coisa. Simon saiu o mais rápido que conseguiu da sala sem querer desobedecer às ordens de seu chefe, mesmo que elas o deixassem confuso.

Jay começou a pensar nas possibilidades de novo, não poderia deixar (S/n) ali e também não poderia mandá-la para as casas de prostituição ou boates que pertenciam à máfia. Esses não eram lugares para ela, se ao menos enxergasse seria mais fácil sua decisão. Ela não tinha mais utilidade para ele, já que O Yang não amava a filha.

Não mataria uma mulher cega e frágil, a picada de compaixão em seu peito não permitia tal atrocidade. Sentiu cada músculo do seu corpo ficar rígido e tenso ao perceber que ela precisava ser cuidada e protegida, sem contar que a novidade de sentir compaixão o deixou quase que paralisado. Mas Jay forçou seu corpo a obedecer seus comandos e pareceu relaxado a cada movimento que fazia.

Ele não entendia o que estava acontecendo em sua cabeça com tantos conflitos, entretanto, não tomaria uma decisão precipitada.

Não poderia nem se quer a soltar, pois seu pai a maltratava e não desejava que ela sofresse mais ou até mesmo morresse nas mãos de Yang. Aquele pensamento fez Jay ficar entorpecido, era como se não se reconhecesse mais.

Já tinha feito tantas maldades e atrocidades que não conseguia entender o porquê com (S/n) era diferente. Por que ele não mandava matá-la? Ou a levava para uma boate? Aquilo não era novidade para Jay, então, por que ele não conseguia dar tal ordem?

Que merda, Jay! Você nunca se importou com ninguém, caralho. Ele se recriminou em pensamentos.

O que ia fazer? Ela era delicada e frágil demais para defender a si mesmo. Não conseguiria infligir dor a ela, de inferno já bastava à escuridão em que vivia.

Repassando a conversa em sua cabeça, ele sentiu a raiva aumentar com tudo o que ela disse sobre seu pai. Yang era tão covarde que nem mesmo tentava trabalhar para conseguir de volta o dinheiro que tinha roubado, mandava a filha cega trabalhar e ainda a castigava por não aceitar roubar por ele.

Como ela faria algo do tipo? Se não poderia nem mesmo definir onde estava ou com quem. Não podia dar um passo sem correr o risco de tropeçar e cair.

Raiva e um pouco de vergonha passou por ele, com todos os problemas que enfrentou nos últimos dias acabou não lendo o relatório sobre o idiota do pai dela. Deixou uma mulher frágil e cega no frio e sem acesso a comida e água. Ele realmente era um monstro, chegou à conclusão óbvia que já sabia há muito tempo.

Olhou para o seu irmão e fez sinal para que ele o seguisse.

Assim que saíram, fez um movimento com as mãos para que os seguranças se afastarem.

— Que merda, Jay.— Gray exclamou passando as mãos pelo cabelo.

— Uma muito grande, Gray. Não vou mais esperar para me vingar de Yang,seu tempo acabou de terminar para quitar a dívida.

— Concordo. Você ia matá-lo de qualquer forma. — Gray deu de ombros.

Jay sorriu, realmente iria matar Yang de qualquer forma. Nada mudaria o fato de que se vingaria pela ousadia do homem em lhe roubar e trair. Mesmo que Yang devolvesse todo o dinheiro, Jay jamais lhe daria o perdão

— Só queria o dinheiro de volta, apesar de não fazer muita diferença o valor. Ninguém me rouba e sai vivo.

— Bastardo suicida. — Gray resmungou e Jay concordou.

Ele passou as mãos pelo cabelo em um ato nervoso.

Gray sorriu de leve por estar podendo ler a indecisão do irmão tão facilmente. Não o julgava. Já que se fosse ele a tomar a decisão do que fazer com a filha de Yang também não saberia.

— Não esperava por esta, o bastardo não se importa com a própria filha. —Jay murmurou. — Deveria ter lido a merda o relatório.

— Coitada da moça, cega. Caralho, cega! Eu me sinto um monstro ainda pior por ter a deixado passar fome e frio.

— Também me sinto assim. — disse e viu Loco de longe.

Fez um sinal para o segurança se aproximar.

Loco deu passos longos e parou na frente dos dois homens aguardando suas ordens.

— Traga o Yang para mim, o tempo dele terminou agora. Revire esta cidade atrás dele, deve estar escondido em algum buraco depois de ver que a filha não voltou para casa.

— Farei isto, mais alguma coisa, chefe?

— Não, me mantenha informado.

Ordena e Loco se afasta já com o celular nas mãos para dar ordens aos homens.

Começaria a busca por Park Yang imediatamente. Tinha o perdido de vista no dia anterior, mas sabia que não seria difícil encontrá-lo.

— O que vai fazer com ela? Gray pergunta fazendo com que Jay o olhasse.

— Ainda não decidi — responde em um murmuro, enquanto os dois voltavam para a sala. Simon retornou um minuto depois com a caixa de primeiros socorros nas mãos,assim como tinha sido ordenado.

Jay viu o medo cru no rosto de (S/n) quando se aproximaram e pela primeira vez na vida, seu coração se apertou. Ele queria virar as costas e ir embora sem olhar para trás. Nem mesmo tinha amanhecido e já tinha experimentado sentimentos demais para um só dia, o que estava o deixando furioso demais para suportar. 

— Quem... Quem está aqui? — Ela perguntou assustada.

Jay estava frustrado.

— (S/n), Simon irá limpar os ferimentos em seus joelhos. — Jay informou em um tom duro e a viu franzir a testa.

Simon se abaixou na sua frente e ela pulou em susto ao sentir a aproximação.

— Senhorita, sou o Simon, não precisa ficar com medo. — Simon disse em um tom de voz baixo e calmo.

— Simon... Eu poderia pegar suas mãos? — Ela perguntou meio assustada ainda.

— Por quê? — Ele perguntou indeciso e estreitou os olhos em desconfiança.

— Eu só quero saber... o que tem nas mãos... não me machuque, por favor. —Ela falou baixo que eles quase não escutaram.

— Eu não vou te machucar, aqui estão minhas mãos. — Pietro disse estendendo as mãos, e ela passou as suas pequenas mãos trêmulas sobre as mãos dele.

— Mas você carregava algo? — Ela pergunta sem esconder confusão que estava sentindo.

— Sim, uma caixa de primeiro socorros. — Ele respondeu e colocou a caixa nas mãos dela.

Jay olhava tudo ainda chocado com a surpresa dela ser cega e não sabia o que fazer. Apesar da deficiência, ela parecia ter outros sentidos muito apurados, o que o atraiu ainda mais. Estava curioso sobre ela e queria tanto descobri-la.

Viu-a deixando Simon cuidar de seus joelhos feridos, enquanto ele se perdia em pensamentos novamente, ela gemia com dor, mas se segurava para que isto não acontecesse mostrando o quanto tentava ser forte. Jay retirou o terno e caminhou até ela, colocando em seus ombros. De novo agindo por impulso e sem saber explicar o porquê de tal preocupação.

Era um dia frio e ela só usava aquele vestido que parecia ser mais fino do que imaginava. Não tinha como ela achar algo para se aquecer e ele tentou não pensar no frio que passou durante as duas noites que esteve presa em sua cela fria e suja. Ela não pertencia aquele ambiente. Sentiu que aquela pequena mulher que aparentava ser frágil, era mais forte do que muitos que já conheceu. Ela merecia um lugar quente, uma cama confortável e uma casa segura. Mesmo sabendo que ele foi o único a mandar trazê-la e sabia reconhecer que merecia mais do que a vida tinha lhe oferecido.

Simon acabou e se levantou ficando na porta como foi treinado para fazer. 

— (S/n) sabe quem sou eu?

— Não — respondeu trêmula.

— Sou Park Jaebum.

Assim que ele disse seu nome, ela pulou da cadeira em susto e quase caiu. Ele a segurou antes que isto acontecesse e ela gritou assustada, mas ficou na cadeira paralisada em sentir as mãos de Jay em seus braços. Com os olhos arregalados e a respiração ofegante, (S/n) tremia de medo, não se movia com medo do que poderia acontecer.

— Presumo que saiba quem sou eu.

Ele a largou na cadeira e colocou o terno de volta nos ombros dela que tinha caído com o susto que tomou. 

— Sei! Não me mate, por favor. — Ela implorou.

— O que sabe sobre mim? — perguntou curioso e deu alguns passos para trás.

— Meu pai disse seu nome várias vezes e uma vez me disse que o senhor é um mafioso muito mal que matava todos que o afrontavam. Ele me falou que eu tinha que me esforçar para ganhar dinheiro... Para pagar a dívida que nós dois temos com o senhor... Mas eu nunca lhe conheci, como eu poderia te dever algo... eu...

— Não diga mais nada. — Jay rosnou, assustando (S/n).

— Eu posso trabalhar, mas... mas não me mate. — Ela sussurrou apavorada.

E aquele pouco de compaixão que Jay estava sentindo antes aumentou fazendo-o se sentir desconfortável com o novo sentimento o invadindo. Tinha certeza que jamais seria capaz de machucar (S/n). Era impossível. Talvez até matasse alguém que tentasse machucá-la. Não tinha uma explicação plausível para seus pensamentos e atitudes, no entanto, também não se importava, sabia que ninguém teria coragem de confrontá-lo.

— Trabalha com o quê? — Ele perguntou curioso.

Não que subestimasse pessoas que superavam sua deficiência, mas não conseguia imaginar algo que ela conseguiria fazer sendo cega.

— Eu toco piano... no restaurante...

Um sorriso ameaçou sair nos lábio de Jay, tocar piano era algo impressionante e combinava com a delicadeza que ela tinha. Saber que (S/n) era capaz de domar um instrumento musical tão potente e elegante como um piano, o deixou ainda mais curioso sobre ela do que antes.

— Eu não vou te matar e muito menos te machucar, (S/n), mas não posso dizer o mesmo sobre o que vou fazer com seu pai. — Jay disse em um tom de voz baixo e perigoso.

— Eu não me importo. — Ela sussurrou.

— Não se importa com seu pai? — perguntou e ela negou com a cabeça. — Porquê?

Mesmo sabendo que Yang maltratava a filha, Jay duvidada que dentro daquela mulher pudesse existir algum pensamento maldoso. Ela se importaria com o pai? Ou não?

— Ele sempre me causou dor, pensando bem... não me importaria de morrer desde que nunca mais esteja com ele para mim já é bom. Minha alma precisa de um pouco de alívio.

— Não vou lhe matar e muito menos te machucar, você vai para minha casa e nunca mais vai depender do crápula do seu pai. E eu posso te afirmar, (S/n), que ele está com os dias contados. — Jay disse com raiva e depois se sentiu surpreso com suas palavras, mas não voltaria atrás com sua decisão.

Se fosse ontem, jamais seria capaz de fazer algo do tipo. Sua casa era seu santuário e ele nunca levou ninguém lá, além de sua família e os seguranças.

Entretanto, agora tudo tinha mudado. Observaria (S/n) mais de perto para ter certeza de que não estava sendo enganado. E se tudo o que ela disse era mesmo verdade, a protegeria pelo resto de sua vida. Além do quê, sua vontade pelo sangue de Yang aumentou mais do que ele poderia imaginar.

Pela primeira vez na vida, ele teve um pouco de humanidade e prometeu a si mesmo que não deixaria ninguém machucar (S/n), nunca mais.

 

 Continuação.....

 

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado ❤️❤️


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...