História Je T'adore - Capítulo 8


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Lay, Personagens Originais, Sehun, Xiumin
Tags Angst, Baekyeol, Chanbaek, Criogenia, Drama, Sekai, Xiuchen, Yaoi
Visualizações 180
Palavras 4.390
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Sci-Fi, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


EU TÔ MUITO TRISTE QUE O PRÓXIMO CAPÍTULO JÁ É O FINAL
ai contei demais
boa leitura!!!!!!!!

Capítulo 8 - Il est temps de passer à autre chose


Capítulo Oito - VIII

Il est temps de passer à autre chose (hora de seguir em frente)

por indelikaido

 

O Byun custou a acreditar quando ouviu Chanyeol tossir algumas vezes, sem abrir os olhos; pensou que fosse sua imaginação pregando-lhe uma peça, não conseguia acreditar em sua boa sorte. Rapidamente levantou-se e se colocou ao lado dele, ansioso.

Ele demorou algum tempo até que finalmente abrisse os olhos. Era muito claro para ele, muito barulho, estava assustado.

O primeiro rosto que encontrou foi o de Baekhyun. Ele estava com alguns arranhões e hematomas, e constatar isso foi o começo de seu ataque de nervos. Sua primeira reação foi colocar a mão no peito, buscando algo que o remetesse ao acidente, afinal, tinha sido há pouco tempo, certo? Encontrou apenas o relevo quase que imperceptível de uma fina cicatriz. Arfou, desorientado, sua cabeça girava e latejava.

— Chanyeol? — a voz embargada do outro atingiu seus ouvidos e começou a chorar imediatamente. Sentia uma dor fantasma, uma reminiscência do que tinha sentido outrora no acidente. — Yeol, não, não… Não chora, por favor...

Havia um quê de desespero no tom de voz de Baekhyun; observou os batimentos subirem em uma velocidade absurda enquanto ele olhava ao redor, tentando descobrir onde estava.

— Onde… BAEKHYUN. — gritou, tentando se desvencilhar dos cabos do monitor de seus sinais vitais. Um filete de sangue escorreu por seu braço e pingou nos cobertores brancos quando arrancou a agulha, a adrenalina tão forte no sangue que mal sentiu um incômodo com o ato, nem mesmo uma picada. — BAEKHYUN, ME TIRA DAQUI. EU MORRI?

Um dos enfermeiros que estava acompanhando o quadro entrou correndo no quarto junto com mais uma moça que trazia uma seringa com agulha cheia de um líquido transparente. Baekhyun ainda não tinha conseguido se mexer, mesmo que pudesse ser atingido pelo outro, e logo foi jogado para o lado pela enfermeira.

— NÃO! Não injetem isso nele… — pediu, agoniado, quando viu o rapaz segurar Chanyeol,  que se debatia, para que a enfermeira conseguisse aplicar aquilo direto na veia dele. O corpo do maior vacilou e então relaxou nos braços do enfermeiro, que o ajeitou na cama com cuidado.

— Nos perdoe por isso. Foi necessário, ele poderia se machucar mais ou machucar você. — ela disse enquanto fazia um curativo no braço direito do paciente. Baekhyun ainda estava sentado do jeito que caíra na poltrona, com medo e muito triste e inseguro.

— Eu… O que eu vou fazer?

— É natural essa reação, não pense de um jeito tão preto e branco. Era até previsível, e não há nada que possa conter esse tipo de episódio, a não ser que você convença-o a tomar os pacificadores.

Murchou na poltrona, se perguntando quando poderiam viver em paz. Onde estava o maldito felizes para sempre?

— O que são pacificadores?

Ela jogou os utensílios descartáveis no lixo junto com as luvas e lavou as mãos, olhando para Baekhyun enquanto as secava.

— São medicamentos que bloqueiam certos impulsos e restringem algumas atividades cerebrais. Eles poderiam facilmente cortar esse processo de susto e revolta. Eu não iria sugerir isso se não fosse sério, de verdade.

— O quão necessário é?

— Ele pode se matar, machucar alguém seriamente. Depois de um coma tão duradouro a pessoa demora para se recuperar e o que se perdeu do cérebro dele no acidente e na suspensão criônica é incerto, tudo pode acontecer. Suponho que você esteja percebendo  em você mesmo alguns problemas.

Assentiu, apertando o braço da poltrona até que os nós dos dedos ficassem branco.

— Eu estou diferente, sei disso. — comentou, lembrando-se do ataque de pânico que tivera no metrô. Não era de seu feitio passar por aquilo, e agora que estava mais relaxado, percebia que não se lembrava de muita coisa antes de conhecer Chanyeol. — São como antidepressivos, sim? Então há a possibilidade dele ficar totalmente sem ânimo?

— Não. Os pacificadores agem em áreas do cérebro que produzem sentimentos ruins. Raiva, tristeza, cólera, ódio.

— Aí é que mora o problema: nós precisamos de um equilíbrio. Não podemos ser felizes todos os dias, não é normal. — respondeu com um sorriso triste.

— Então não use. Você tem essa opção, mas será difícil.

— Eu já dormi por um século por esse homem. Mais dois anos cuidando dele são como um segundo.

 

Na segunda vez em que Chanyeol acordou, ele estava mais preparado para qualquer coisa que pudesse acontecer. Ainda não tinha soltado sua mão e estava pensando sobre os tais pacificadores; sua opinião era dura, não queria vê-lo sofrer ou viver uma mentira, com o cérebro adormecido. Entretanto, não queria arriscar perder ele mais uma vez, porque sabia que seria para sempre dessa vez.

Ele abriu os olhos e ficou quieto, fitando o teto branco. Tentava ao máximo não entrar em pânico e estava bem ciente da presença do noivo.

— Baek… — chamou baixinho, apertando a mão dele.

— O-oi. Eu tô aqui.

— Você tem água?

Assentiu e deixou de segurar a mão dele para alcançar a garrafinha que repousava sobre a mesa. Destampou-a e ajudou Chanyeol a sentar na cama, dando para ele a garrafa assim que conseguiu o feito. Ele bebeu em goles generosos, saciando a sede e muito mais. Chegou a espremer a garrafa para sorver até a última gota, e então devolveu a embalagem para o Byun, que lhe observava com ares de preocupação.

— Está satisfeito? — perguntou timidamente, recebendo a atenção dele; ainda podia ver em seus olhos que estava desorientado, mas aquele olhar era muito familiar. Lhe olhava com ternura e com saudades.

— Sim… você não tem noção do quão seca estava a minha garganta. Parece que não bebo nada há anos. — ambos riram de nervoso, cada um por um motivo diferente. — O que aconteceu?

Fitou ele por alguns segundos, se perguntando se contar tudo era a melhor escolha. Havia uma grande chance de deixar tudo ainda pior e assustá-lo mais uma vez.

— Eu não sei se…

— Por favor, me fala, Baek. — pediu, acariciando a bochecha do menor com os dedos trêmulos.

— Do que você se lembra? Vai com calma, por favor. — fechou os olhos, angustiado.

— Eu me lembro de… sair para te buscar no trabalho. Nós íamos escolher os toques finais do nosso casamento naquele dia, mas algo aconteceu. Foi um acidente, né? — arriscou, encarando o rosto de Baekhyun; ele estava triste. — Doía muito, mas você me encontrou e disse algo para mim. Você disse que me amava e então eu apaguei e não lembro de mais nada. Há quanto tempo foi isso?

Meneou a cabeça negativamente, se recusando a contar. Queria mentir e dizer que apenas meses tinham se passado.

— Baek. Por quanto tempo eu dormi? — perguntou outra vez, a voz subindo algumas oitavas. — Por que você está escondendo as coisas de mim?! Eu sou um adulto, posso ouvir.

— Você apagou em 2018…. E estamos em 2118. — murmurou, abaixando os olhos. Chanyeol se afastou e voltou a ficar calado, tentando absorver aquele absurdo que acabara de ouvir.

— Eu queria perguntar se é brincadeira, mas você tá muito sério. — comentou com a voz embargada. Em sua mente, aquilo era impossível! Era muito tempo. — Como…?

Baekhyun mordeu o lábio inferior, em um sinal de puro nervosismo.

— O acidente te rendeu uma lesão no coração, e não havia conserto para isso. Eu gastei todo o meu dinheiro para uma pesquisa, para achar algo, e ainda assim eu não conseguiria te ver em vida outra vez.

— Céus. E como estamos aqui?

— Eu… uma empresa colocou eu e você vai em suspensão criônica até que a pesquisa fosse concluída. Você foi considerado legalmente morto para isso e tudo o mais. — explicou, evitando olhar para Chanyeol, que não sabia se ria, chorava ou consolava o menor.

— Como você foi… congelado? Você estava vivo.

— Eu me matei. — falou em um fiapo de voz, lembrando-se da sensação que o tomou em seus últimos momentos. A fala assustou Chanyeol, que alcançou a mão do Byun outra vez.

— Por que você fez isso, Baek? — indagou, o tom de voz docinho apesar de sua tristeza. Aquilo fez com que o menor soluçasse, e acabou sendo puxado para a cama, onde se espremeu ao lado de Chanyeol.

Ele fazia carinho no cabelo dele de maneira lenta, tentando fazer com que parasse de chorar por mais confuso e triste ele próprio estivesse; o outro era a sua prioridade e o motivo de estar vivo.

— Baek, se acalma… O que foi? Foi a minha pergunta?

— Não sei, acho que só não tive a chance de chorar tudo o que eu tinha para chorar… Me perdoe por ter feito isso tudo, eu não conseguia me imaginar seguindo em frente e vivendo sem você. — fungou, apertando entre os dedos a roupa hospitalar do noivo. Ele estava um pouco magro demais, mais do que o normal, mas logo dariam um jeito em tudo.

— Quando você me explicou eu fiquei sem reação por uns milésimos de segundo, mas não posso dizer que não faria o mesmo. — sorriu minimamente, deixando o Byun surpreso. Seus olhos estavam inchados e vermelhos, assim como a pontinha do nariz. — Quem te machucou? Fala pra mim, Baek.

— Não importa mais. O que importa é que estamos juntos, finalmente. — respondeu, olhando para o maior. Seus rostos estavam muito próximos e lhe pareceu o momento certo para selar os lábios dele.

— Como está o mundo lá fora? — questionou Chanyeol, curioso. O Byun fechou os olhos novamente, cansado.

— Eu preferia que você não tivesse que ver o que tem da porta para fora.

 

Sehun só aceitou se afastar de Jongin quando ele pegou no sono. Estava com medo de que acontecesse algo enquanto ficasse fora, e por isso tinha evitado ao máximo. Entretanto, morria de vontade de conhecer Chanyeol, e quando Kyungsoo apareceu no quarto de Jongin pôde ir matar sua curiosidade.

Andou bem devagarinho até chegar no quarto certo e bateu antes de entrar. Os dois estavam deitados juntos na cama de Chanyeol, mesmo que houvesse outra no quarto. O maior fazia carinho nos cabelos do Byun, que parecia estar quase pegando no sono.

— Oi. — disse em um tom muito baixo, chamando a atenção do Park. Ele arregalou os olhos por um momento, assustado porque não o conhecia.

— Não machuca a gente, por favor. — saiu antes que pudesse controlar, mas logo adivinhou que aquele rapaz com cara meio infantil não faria nada; do contrário, não estaria tão assustado quanto ele.

— Não vou… eu sou o Sehun, estava ajudando o Baek. — sentou perto da cama, sorrindo pequeno. — Você é o Chanyeol.

Não era uma pergunta.

— Imagino que você saiba muito mais sobre mim do que o contrário. — Sehun assentiu, rindo um pouco. — O que aconteceu?

— Acho que aconteceu um monte de coisa. Até mais do que tenho pique para contar, mas o importante é que conseguimos alcançar um objetivo. Você está vivo. E o Baek está bem! Ele vai ser feliz agora.

Chanyeol encarou o menor com ternura, que dormia tranquilamente em seus braços.

— Eu ainda não sei se fico muito feliz por estar com ele ou muito triste por… ter perdido tanta coisa. Provavelmente perdi muito, não? — sussurrou melancólico.

— Não acho que você gostaria de ter vivido tudo o que aconteceu nos últimos anos, acho que estamos diante de boas mudanças.

— De onde você vem, Sehun?

— Oh Sehun, filho adotivo de Zhang Yixing e parte da liderança da aliança. Cresci no meio de uma guerra que dizimou mais da metade da população mundial, que matou o amor e que transformou o povo em robôs. Prazer.

Franziu o cenho, confuso. Era informação demais para sua cabeça.

— Guerra? Aliança? — Sehun notou que os batimentos dele começaram a aumentar repentinamente, e tentou pensar em alguma forma de desviar do assunto.

— Chanyeol, fala pra mim como você conquistou o Baek!

Hesitou um pouco, refletindo sobre o pedido. Estava perdido por ter sido ignorado, mas decidiu respirar fundo e deixar os questionamentos no fundo de sua cabeça e buscou aquela história de tantos anos atrás. Quase não conseguiu pescar ela no meio de tantos pensamentos desconexos, mas quando lembrou desses primeiros momentos todos os outros vieram como uma enxurrada e percebeu que eram as suas memórias mais agradáveis e bonitas.

— Eu ainda não sei, de verdade. Ele é incrível e eu era só um cantor de barzinho. — respondeu com um sorriso. — Acho que não fui eu quem o conquistou, mas o destino que decidiu que era hora de ficarmos juntos.

Meio que, hm, não teve… só aconteceu. Você gosta de alguém, Sehun?

Corou diante de Chanyeol, tinha sido pego no pulo.

— Imagina! É que eu gosto de histórias de amor. — mentira! Até outro dia odiava essa baboseira de beijar e ficar junto.

— Espero que consiga viver uma.

— Eu acho que já estou vivendo uma.

 

Baekhyun conseguiu dormir por duas horas até começar a ter pesadelos, e por pouco não acordou xingando o universo; o fato de ter percebido que estava junto com Chanyeol ajudava um pouco. Assim que abriu os olhos, encontrou os dele, abertos, visíveis por causa da luz do abajur. Estava noite do lado de fora, e chovia um pouco.

O maior sorriu e acariciou sua bochecha,  queria estar dormindo também mas não conseguira. Passara as últimas horas olhando para as paredes e pensando na vida, sobre como sua vida seria dali para frente. Era tudo extremamente incerto, e tinha certo medo disso. Se perguntava se era realmente o melhor para eles.

— Você conseguiu dormir bem? — indagou, preocupado. — Estava um pouco inquieto.

— Eu tive alguns pesadelos… mas está tudo bem. Você deveria estar descansando.

— Não consegui. Estou muito preocupado com tudo, acho. O que vai ser da gente quando sairmos daqui?

Baekhyun suspirou, seus dedos repousando sobre a cintura de Chanyeol.

— Pretendo chegar com você em Taean. É no litoral, depois da fronteira da zona militar… tem natureza e é mais tranquilo.

— Vamos morar longe da civilização?

— Sei que é difícil, mas que opção nos resta? Não consigo viver nessa falsidade toda que permeia esse modelo social ridículo. Imagina! Eles controlam o que comemos, bebemos, quantas horas dormimos e quanto tempo duram os banhos. É absurdo, de verdade, não comi direito desde que acordei da suspensão e… — Chanyeol lhe interrompeu com um selinho.

— Tudo bem. Eu confio em você. Relaxa, Baek. — riu da expressão desconcertada do mais velho. — Um tal de Sehun passou por aqui.

— É? Como ele está?

— Bem, mas teve que voltar para o quarto do Jongin. Parecia importante, ele não conseguiu ficar tranquilo por um segundo sequer.

— Ele deve estar nervoso e ansioso, deve ser isso. É caidinho pelo filho do Minseok e do Jongdae. — sorriu com o pensamento, queria que eles dessem certo. Um enfermeiro bateu e entrou no quarto, corando um pouco ao ver os dois rapazes tão perto um do outro no leito.

— É… Vim ver como ele está. — pigarreou e escondeu o olhar na prancheta, analisando alguma informação aleatória. Baekhyun saiu da cama e ficou ao lado, igualmente constrangido. — Como está?

— Bem. Eu estava um pouco tonto, mas estou melhor. — sentou-se, incomodado com o acesso no braço que ainda lhe dava soro. — Quando posso sair daqui?

— Vamos refazer alguns exames, mas se está bem eu suponho que a alta seja dada até amanhã de manhã. — disse com um sorriso, conferindo o soro que ia direto para as veias de Chanyeol. Em seguida olhou para o Byun, que aguardava sentado na poltrona. — Nada de pacificadores?

Arregalou os olhos, queria evitar o assunto ao máximo.

— Não.

— Que isso?

— Nada, Yeol. Depois conversamos. — murmurou, hesitante.

— Mas eu quero saber. É sobre mim?

Abriu a boca e a fechou logo em seguida, sem saber ao certo o que falar. O enfermeiro estava no canto dele com uma expressão de culpa.

— São medicamentos que cortam os sentimentos desagradáveis.

Chanyeol ficou em silêncio por algum tempo enquanto o acesso era retirado de seu braço; não precisaria mais do soro e já podia comer.

— Isso é legal. Por que essa cara? — indagou com um tom alerta.

— Chan… é errado. É muito errado. Não posso deixar você fazer essa besteira. — respondeu com pesar. — Deve haver um equilíbrio para tudo, entende? Não vamos nos desesperar.

Assentiu, amuado, e recebeu um pequeno sorriso do enfermeiro.

— Vamos lá? Preciso fazer alguns exames de imagem e um de sangue e então está liberado.

— Eu posso acompanhar? — Baekhyun perguntou, aflito.

— É rápido e seguro, não há necessidade…

Chanyeol suspirou e quando levantou deixou um beijo na testa do menor. Ele estava andando com muita dificuldade.

— Eu já volto, Baekkie.

 

Baekhyun aproveitou a meia hora que passaram fora para conversar com os outros. Tinha chegado no meio de um jogo que não conseguia entender, mas Jongin ria feito louco na cama e isso lhe fez feliz.

— Acho que o Chanyeol vai ser liberado a qualquer momento. — anunciou timidamente, sorrindo.

— Isso é ótimo, Baek! Eu ainda fico aqui mais um dia, tem risco de infecção. — resmungou a última parte, irritado. Sehun revirou os olhos.

— Não reclama, pelo menos você está vivo, podia ser pior.  — disse casualmente, sendo apoiado por Kyungsoo.

— Eu gostaria de esperar para sairmos juntos, mas não sei se é boa ideia. Não gosto desse lugar. — enfiou ambas as mãos nos bolsos da calça. — Queria que vocês pudessem vir junto comigo.

Kyungsoo e Jongin ficaram melancólicos repentinamente, ambos desviando o olhar. Sehun foi quem se levantou e abraçou o menor com força.

— Você não vai dar um adeus para a gente. Vou concluir meu trabalho aqui e nos encontraremos novamente no lugar para onde você vai. Não fique triste! — pediu, quase erguendo o rapaz do chão.

— Tudo bem. Eu vou guardar um lugar para vocês e irei mandar uma carta com o endereço. Mas não demorem, por favor.

— Não demoraremos, prometo.

 

Dito e feito, às duas da manhã Chanyeol já estava segurando um atestado de alta e com roupas novas. O Byun tinha comprado um jeans cinzento e uma blusa azul clara meio sem graça da lojinha clandestina do hospital, e até que as roupas não lhe caíam mal. Tinha devorado três pratos da comida sem sal do refeitório! Nunca tinha visto o noivo comer tanto.

Sua última parada no hospital era o quarto de Jongin, onde os três esperavam por notícias. Ou melhor, dormiam. Kyungsoo tinha ficado com o leito extra e Sehun estava encolhido na poltrona entre as duas camas, a mão direita ainda atada à de Jongin. Chanyeol sorriu um pouco e ficou parado na porta, se perguntando se realmente deveriam atrapalhar o momento.

— Não vamos morder. Podem entrar. — a voz baixinha de Jongin se fez ouvir, pegando o casal no flagra. Ele estava de olhos abertos.

— Desculpa, é que nós vamos embora e o Baek queria se despedir. — o mais alto falou, a mão direita repousando sobre os ombros dele.

— Vem cá, hyung. — Jongin se desfez da mão de Sehun e sentou-se, abrindo os braços. Baekhyun foi até ele e lhe abraçou com cuidado, com medo de machucá-lo. — Vou sentir sua falta, se cuida por favor…

— Obrigada por me ajudar, sem você a gente não estava aqui. — respondeu com a voz embargada. A comoção acabou acordando os outros dois e Baekhyun abraçou Sehun logo depois. — Sehun, cuida bem do Jongin. Ele é precioso, ouviu?! Nada de brigar com ele.

Ele riu e apertou Baekhyun em seus braços enquanto o abraço durou. O próximo era Kyungsoo.

— Eu nem fiz muito… — sussurrou, pego de surpresa.

— Fez sim e ainda vai fazer muito mais. Admiro sua coragem, Soo. — o comentário arrancou um sorriso do irmão do Oh. — Vai ser um bom líder.

Chanyeol também se despediu dos três com abraços, onde se rasgou em elogios. Estava extremamente grato a eles por terem ajudado o Byun, e desejava poder tê-los como amigos no futuro. Eles formavam uma boa equipe, disso tinha certeza.

 

O menor lhe esperava no corredor, ansioso para poder se ver livre de toda aquela história. Chanyeol andou em passos lentos, a expressão em sua face era séria até demais. Quando estava perto o suficiente, afastou com dois dedos a franja do cabelo dele, que já estava um pouco grande demais, e os dedos desceram por seu rosto em uma carícia gentil. Ele fechou os olhos, respirando fundo. Ainda parecia mentira.

Baekhyun apertou sua cintura entre os dedos magros, abrindo os olhos. Podia ver diante de seus olhos a tatuagem de estrela em sua clavícula, exposta pela gola em V da camiseta. Deixou um beijo cheio de significados em cima dela, sentindo o cheiro do perfume novo. Teria que se acostumar àquelas mudanças. Moveu uma das mãos até a nuca dele, sentindo a pele se arrepiar debaixo de seu toque. O tsuru estava lá, não podia lhe ver ou sentir mas sabia que estava bem abaixo de seus dígitos. Chanyeol lhe observava com interesse, como se tentasse descobrir o que estava pensando.

— Quando eu pensava que não tinha como te amar mais… — deixou escapar, rindo de nervoso.

— Eu tô tentando lidar com isso desde que acordei. — confessou, se abaixando o suficiente para que as testas de ambos estivessem unidas. Agora podia olhar para ele de igual para igual. — Parece que quanto mais eu te olho mais eu me apaixono.

Os olhos de Baekhyun estavam marejados de novo, estava emocionado pela ducentésima vez só naquela semana.

— Você não tem noção do quanto senti a tua falta. — sussurrou, deixando que fosse atraído aos lábios dele como uma abelha se atrai pela flor. Bebeu do néctar de sua boca como se estivesse fazendo algo realmente importante para a humanidade, como se só Chanyeol pudesse manter a flora em seu coração viva e funcional; não era de todo uma mentira. Sentia seu corpo ir ao paraíso e voltar somente pelo fato de que estava o beijando de novo, de verdade. Não teria que deixar mais por conta da imaginação e do sonho.

Chanyeol o empurrou delicadamente até que estivessem contra a parede, deixando muitos selares em seus lábios até que finalmente decidissem que era hora de respirar um pouco.

— A gente precisa ir. — arrumou coragem para dizer, deixando um beijo do peitoral do outro. Ele lhe abraçou com força pela última vez, como se relutasse.

— Eu queria te beijar mais.

— Vamos ter muito tempo para beijos, prometo. — riu, se desvencilhando dos braços dele e segurando uma de suas mãos. — Agora temos que roubar um carro.

Chanyeol arregalou os olhos, sendo puxado pelo corredor. Teria ouvido errado ou realmente roubariam alguma coisa? Baekhyun riu da expressão assustada dele.

— Calma, nem temos polícia para nos perseguir. — observou quando chegaram no estacionamento.

— Não…?

— Não!!! Vamos escolher um bem legal.

Passearam entre poucos carros, a maioria empoeirada. As chaves estavam quase sempre no pára-brisas, mas não havia sinal de que estavam em uso.

Os dois pararam ao mesmo tempo em frente a um carro vermelho escuro, o silêncio contagiando o ambiente.

— Vamos… Um de cor diferente… — Baekhyun fez menção de continuar procurando, mas Chanyeol sequer saiu do lugar.

— Vamos com ele. É o mais novo de todos.

— Chan, eu não sei se é uma boa ideia.

Segurou o rosto do noivo entre ambas as mãos, rindo.

— É só uma cor. Não pode nos machucar, está me ouvindo? Não pode. Nada pode machucar a gente a partir de hoje, ok? Te prometo isso. — sussurrou, sentindo o corpo do menor relaxar um pouco. — Você já deu a sua vida por mim, é hora de se acalmar.

Beijou a testa dele e observou-o enquanto entrava no carro, se acomodando no banco com uma careta estranha. Talvez fosse a perda de costume de andar em carros, talvez fosse o fato de que só havia um banco de couro na parte da frente, sem divisões para motorista e passageiro. Chanyeol entrou logo em seguida e se ajeitou no banco, achando engraçado o painel todo eletrônico. Como diabos se pilotava aquilo? Não havia um volante em lugar algum. Quando colocou a chave no contato, o painel se acendeu como uma árvore de Natal e uma voz soou dentro do carro, pedindo um destino.

Eles se entreolharam, impressionados. O carro era automático.

— Leve-nos ao parque nacional de Taeanhaean. — Baekhyun ditou, determinado. O computador de bordo levou milésimos de segundo para processar o pedido, e então uma rota foi traçada no painel, se acendendo em verde. A estimativa de viagem era de três horas.

— Chique. — assobiou Chanyeol, sorrindo cúmplice para ele. O carro saiu sozinho do estacionamento e pegou a avenida principal que conheciam muito bem, deixando para trás a faculdade.

Ele olhou para trás até onde podia, capturando com os olhos a imagem do antigo lugar de trabalho. Tinham tantas memórias ali… Era difícil dizer adeus à elas. Sentiu sua mão ser acolhida pela destra do Park, que lhe segurou com firmeza. Isso e a curva que o carro fez, seguindo a avenida, que fez a universidade desaparecer completamente de seu campo de visão, foram sinais para que parasse de olhar para trás. Respirou fundo e deitou a cabeça no ombro dele, se aconchegando contra seu corpo. Chanyeol admirava a forma como seu cabelo esvoaçava por conta do vento e os olhos amendoados se perdiam no horizonte; queria poder desvendar ele mais uma vez, como fizera há um século. Por fim, também se contentou em deitar a cabeça por cima da dele, fechando os olhos e deixando que a maldita tecnologia fizesse tudo por eles.

Estava na hora de começar a olhar para frente.

 


Notas Finais


https://twitter.com/smilesehunnie ---- reclamem aqui e
Para a felicidade de vocês, a próxima atualização é dupla e já tô engatilhando três projetos para postar assim que entrarmos em setembro <3

Beijos,
indelikaido.


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