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História Je t'aime - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Fanart de capa do cap [email protected] no twitter.
BEM
Primeiramente, essa two-shot tem vários dos meus headcanons sobre a relação de soukoku e algumas coisas pessoais que usei pra construção do contexto em si. A fic é um presente para @Mareridty e já avisando que não busco romantizar sofrimento de modo algum. Ainda não revisei, perdoem qualquer erro.
É isso! Boa leitura e fiquem com essa two shot soft (ao menos na minha opinião) ~

Capítulo 1 - Dawn addictions


Fanfic / Fanfiction Je t'aime - Capítulo 1 - Dawn addictions

O silêncio presente cozinha até então não era a mais incômoda das situações. As mãos, vasculhavam cuidadosamente, sem tentar ocasionar ruídos em uma caixa sem tampa, os dedos tentavam alternar entre embalagens vazias e alguns frascos em seu final conteúdo e os olhos tentavam encerrar na pouco luminosidade presente o que de fato lhe despertaria o interesse. 

A temperatura lá fora era baixa, em torno de dezoito, dezessete graus celsius, o vento porém, parecia intenso, e em momentos adversos poderia escutar a passagem de ar por debaixo de sua porta trazer-lhe alguns arrepios. A janela, uma que ficava à esquerda de seu corpo de costas para a pia da cozinha, tinha a cortina aberta e o brilho de alguns prédios, principalmente de uma cafeteria que ficava logo abaixo de onde estavam, do outro lado da rua fazia com que uma mistura néon de vermelho e azul refletisse ali e trouxesse uma claridade mínima para aqueles confusos e desesperados dedos. 

Fitou então, a porta entreaberta do quarto; sentia que a qualquer momento poderia ser flagro, em suma, temia que fosse pego em uma complicada situação, por isso seus olhos iam e vinham para aquele grande retângulo, tentando novamente procurar pelos medicamentos sem que os ruídos fossem notados. 

Voltou sua atenção para caixa e espalhou brevemente algumas delas pelo chão. Anestésicos vazios, comprimidos para dores musculares ainda restavam poucos e por fim encontrou uma embalagem fechado de analgésicos. Passara anteriormente por medicamentos prescritos a Nakahara Chuuya, das quais variavam em compridos para insônia e síndrome das pernas inquietas, e outros calmantes com uma faixa preta na embalagem — sendo esses os mais fortes — por isso jamais evitava pegá-los ou sequer bisbilhotar o conteúdo. 

As mãos, ligeiramente trêmulas agarraram a caixa de analgésicos, fôra um sacrifício monumental abrir a fita que protegida a embalagem com as unhas agora roídas, — sim, ele havia criado essa unicofagia sem dar-se conta — estava sentado com os joelhos no chão, pernas brevemente entreabertas e o quadril suavemente torto para um dos lados, amaldiçoando os céus quando tirou a cartela e escutou-a fazer barulho. 

Novamente, seus olhos citaram quase que automaticamente a porta. 

E novamente, não haviam sinais de que seria flagrado até então. Virou sua face para a pequena embalagem, usou as unhas curtas para romper o lacre alumínico de quatro pílulas, despejando-as rapidamente em sua palma da mão curva. Fazia frio e ele estava no chão, a temperatura caíra e mesmo assim não importava-se com àquela súbita mudança, afinal parecia acostumado com o clima frio — necessariamente causando por seus péssimos hábitos. Não precisaria de água, havia habituado-se a engolir a seco, então fôra o quadril fez, ingeriu as quatro pílulas analgésicas, duas após mais duas, dedilhando brevemente as pontas dos dedos sobre seu pomo de adão, sentindo-as movimentar-se ao passar por sua epiglote.

Fechou os olhos, quase que imerso em uma sensação de êxtase e alívio, sentindo o corpo tremer um segundo ao dar-se conta do chão frio onde estava sobre. 

E ao dar-se conta de que haviam olhos azuis mirados em si naquele cômodo parcialmente escuro. 

- O que está fazendo? - Chuuya perguntou a ele, havia um cobertor jogado sobre seus olhos e tinha meias em seus pés. Mesmo que descabelado e ainda sonolento era capaz de estar ciente das ações do acastanhado diante de si. - São duas e meia. - As orbes fitaram o chão e rapidamente encontraram a caixa aberta de pílulas e uma cartela sobre as pernas de Osamu Dazai. 

- Estava com enxaqueca. - Respondeu, brevemente sonolento, piscando devagar ao passo que empurrava lentamente a cartela para longe de si. - Achei que se tomasse algo melhoraria. 

- Quanto foi que você tomou? - Indagou, em um tom misto de preocupação e receio, em um teor de aborrecimento e mágoa também presentes. O moreno chacoalhou os ombros, desviando as orbes avelãs e logo, mordeu os lábios. 

- Quatro. 

- Quatro pílulas pra uma enxaqueca? - Colocou uma das mãos nos quadris e novamente, observou-o chacoalhar seus ombros, brevemente zonzo pelo frio e pela sensação de adrenalina que antes havia acatado a si. - É sério isso, Dazai?

- Tava com dor de cabeça. - Respondeu baixinho, coçando um dos braços em sinal de receio e uma certa vergonha, engolindo a pouca saliva que tinha em seus lábios.

- Tch mas não é assim que funciona. - Estalou a língua, meneando, se abaixando até o moreno e logo, colocando o cobertor sobre seus ombros magros. - 'Cê sabe disso. 

- Ah… - Tombou o rosto em um repentino gesto para baixo, apoiando parte do topo de sua cabeça no ombro do ruivo. - Desculpe. 

Chuuya lhe deu um suspiro, mas não disse coisa alguma, afastando alguns dos fios acobreados daquela face cansada, deixando que refletisse ali sobre suas próprias ações. Não era como se não estivesse bravo ou se aquilo não o afetasse, pelo contrário, estava mais do quarto aborrecido, mesmo assim não viria a descontar seu descaso em um moreno suicida que acordara de madrugada porque se sentia sobrecarregado. Meneou por um segundo, suspirou pela segunda vez e aproximou-se dele, envolvendo-o em seus braços. 

- O que eu tenho que fazer pra você parar com isso, huh? - Perguntou baixinho, os dedos do outro se enroscavam em seus cabelos e com um bocejo, ele se aproximava de um jeito sorrateiro. O viu menear por um instante, agora quase em seu colo e deitou-se ali, em silêncio, pensando em dar-lhe uma decente resposta. 

Ou ao menos, ser honesto sobre o que sentia. 

- Abraço. - Resmungou, sabia que Nakahara havia revirado os olhos porque àquela não era a resposta que desejaria. - Quero um abraço. 

- Idiota. - Rosnou em um tom quase rouco, abraçando-o fortemente enquanto sentia-o pedir implicitamente para ser carregado. Pôde notar o cansaço atingi-lo e provavelmente era um sinal de que as pílulas que antes engolira haviam enfim dissolvido em seu estômago. 

Carregou-o, levando um certo tempo para erguer-se com ele no colo e logo, estava de volta ao quarto e ambos estavam sobre um amontado ainda morno de cobertas e algumas almofadas. 

Dazai sempre dormia de mãos dadas — ao menos, com uma de suas mãos — ao ruivo, porque ambos temiam que, em algum lapso momentâneo ou um acaso quase inimaginável, Chuuya pudesse ativar a Corrupção ou que ela pudesse ser ativada por si, afinal Arahabaki não era uma coisa mísera fácil de ser mantida, por isso, tinham alguns dos dedos juntos e às vezes, até as bandagens do moreno enroladas sobre alguns dos dedos de Nakahara porque acreditava que traria a sensação de maior proximidade a si. 

E, mesmo que entorpecido por pílulas adversas e em uma sensação de tortura similar a uma embriaguez, Osamu deitava-se abraçado ao outro, sentia o aroma de seus cabelos cheirosos próximos às suas narinas e sorria amavelmente, com o rosto sobre o peito alheio e a cabeça repousada em parte de um travesseiro. 

Sabia que não levaria tempo até adormecer por completo, todavia, insistia em acariciar seus cabelos enrolados e murmurar baixo uma melodia suave para que acalmasse de fato a si, afinal, haviam coisas no passado daquele homem que, mesmo que fossem próximos anteriormente, ele desconhecia. 

Murmurava um ritmo calmo, provavelmente uma música que ambos cantavam na infância e pôde senti-lo sorrir, deixando que as pálpebras pesadas enfim se fechassem e que adormecesse após escutar a respiração pesada do outro tornar-se o único som presente. 

E claro, o som presente do vento que passava pelas frestas de ar por debaixo da porta de seu apartamento, que lhe causava um arrepio e uma certa sensação de agonia que era rapidamente substituída pelo calor do corpo agora morno de Osamu junto ao seu. 

E o conforto que dormir próximo de si lhe causava. 



Notas Finais


É isso, o último capítulo sai logo logo, agradeço a quem leu até aqui.


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