História Jealous Of The Rain - Capítulo 2


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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoi, Aoiha, Depressão, Desabafo, Drama, Jealous Of The Rain, Kai, Matsumoto Takanori, Morte, Rain, Reita, Reituki, Romance, Ruki, Shiroyama Yuu, Suzuki Akira, Takashima Kouyou, The Gazette, Uke Yutaka, Uruha
Visualizações 35
Palavras 1.592
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Lírica, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Cada capítulo terá um ciúme diferente, digamos assim...

Boa Leitura!
Desculpem os erros'

Capítulo 2 - I'm Jealous Of The Wind


Fanfic / Fanfiction Jealous Of The Rain - Capítulo 2 - I'm Jealous Of The Wind

Tenho ciúmes do vento que ondula através de suas roupas.

É mais perto do que sua sombra...

*

Ominosa chuva despediu-se no fim de semana.

Não insisti: Takanori vestiu-se e aceitou passear comigo, tomar sorvete e sentar-se para observar o lago – sem dizer uma palavra ou olhar-me. A verdade é que sequer sabia qual sabor ele desejava, tampouco se ansiava tomar quando sugeri e comprei, arriscando um picolé de chocolate belga com menta, seu favorito.

Takanori, como eu, tinha dentes sensíveis e demorou a tomar, derretendo pouco e melando seus dedos. Ajudei-o a limpar-se, rindo e recordando que sempre pagávamos mico quando chupávamos picolé em público e aquele dia fora igual.

A única diferença é que ri sozinho.

- Poderíamos ir à Starbucks na próxima vez, que tal? Pelo menos o Frappuccino não derrete. – sugeri, sentado e encarando o lago como ele, sentindo o vento introduzir-se nas roupas, meneando-as sutilmente. – Ou café com brigadeiro, não? Se estiver muito frio...

Eu sei: falar sozinho é cansativo e muitos desistem em menos de meia hora, porém, não admitiria meu cansaço. Talvez devesse parar de falar e permitir que o silêncio acompanhasse-nos diariamente até que ele resolvesse articular outra vez, no entanto, no fundo de meu coração sabia que Takanori não falaria nada se eu não forçasse.

E para mim era pior, pois parecia que não gostaria de tentar.

O problema é que tudo enciúma-me, inclusive o vento.

- Pensei em arrumar nossos armários durante a semana. Normalmente reviramos gavetas em busca de roupa nova ou esquecida, aí fica aquela zona. – fitei-o, não reavendo os olhos que também já não sabia que cor era. – Você anda usando sempre as mesmas roupas e arrumando-se menos. Seria bom, sabe? Mudar um pouco nosso quarto, talvez repintá-lo após consertar aquela rachadura na suíte.

Dizem que, quando a tristeza é profunda, evidenciamos nosso estado de espírito externamente: a bagunça no quarto e a falta de vontade em arrumar-se provinda de Takanori evidenciava-me como ele não estava nada bem e, infelizmente, havia momentos que acreditava que não ficaria. Para sairmos e sentarmos frente àquele lago, escolhi as roupas dele, coisa que outrora jamais permitiria.

Takanori gostava demais de arrumar-se e ficar bem consigo e para mim.

Talvez o vento tenha levado embora e a chuva arrastado para longe.

- Taka... – pressionei meus lábios contra o outro. – Faremos mais um ano de namoro. Deseja comemorar em algum lugar? Ir ao cinema ou pedir comida? – nada. – Minha mãe tem receitas caseiras ótimas, lembra? Poderíamos tentar fazer no jantar, aí, se der errado, saímos para vermos as luzes da cidade, as estrelas dos prédios, que tal?

Sabe o que é não ter sequer uma reação?

Um levantar de sobrancelha?

Era vento de fim de tarde que cantava coisas, talvez conversando comigo ou rindo por eu persistir em algo que não mudava. Fechei minhas pálpebras: nada mudaria, talvez fosse verdade, mas não o deixaria. Por mais que meu sofrimento seja parte de meu cansaço, ainda martelo em minha mente que Taka está pior, que precisa de alguém quando parece sozinho.

Não sei você, mas gosto de ter alguém quando sinto-me só. Mesmo sem dizer nada, gosto quando alguém junta sua solidão com a minha e, quiçá, descobre se aumenta ou diminuí o sentimento de vazio. Dói e frustra quando tenta-se de tudo e parece inútil, contudo, mesmo assim tento até o fim. Ainda que Taka não diga, sei que, no fundo, sente-se melhor quando estou ao lado falando sozinho ou comprando sorvetes.

Espero...

Yuu comentou uma vez, pouco antes do ocorrido com o pai de Taka, que empatia não devia ser confundida com sacrifício: uma coisa é colocar-se no lugar do outro para compreendê-lo e, quem sabe, ajudá-lo a enxergar outro meio de resolução, partilhar dor. Outra coisa é viver pelo outro, esquecendo-se de sua própria existência, vontades e sentimentos. Se for verdade, então sou um porco ao abate, o cordeiro ao sacrifício.

Caminho para isto, firme.

Não posso deixá-lo quando meu amor ainda é maior.

- “Ainda”... – iterei em voz alta, pensando sozinho: nem isso fê-lo encarar-me. – Será que a neve chegará mais cedo como ano passado? Parece esfriar antes de o inverno chegar. Tudo bem que o outono é friozinho, mas sei lá. Parece, não?

Takanori abraçou-se mais: reação!

Meus lábios tremularam num sorriso tímido, encarando o lago para tentar ver quanta água sairia deles.

Sei o que pensa: “ele somente abraçou-se um pouco, normal, pessoas fazem isso”. Takanori é diferente: esse ínfimo gesto, irrefletido ou não, soou como se ele ouvisse-me e não ignorasse-me! O tempo todo ouve-me e nunca falei sozinho ou aos ventos... Se for verdade, será que verei brilho nos olhos dele novamente? Ou reconhecerei sua voz?

Uma coisa percebi nesses quase dois meses: pessoas desistem das outras quando vibram diferente. Já esteve muito triste e seus amigos, após tentarem ajudar-te algumas vezes, afastaram-se e deixaram-te à própria sorte? Disseram-te que, qualquer coisa que precisasse, estariam ali e que era só chamá-los, contudo, nunca mais mandaram-te mensagens? Se voltaram para ti, foi quando tornou a sorrir sozinho? Ou pelo menos fingiu?

Vibrações baixas afastam pessoas.

Vibrações altas atraem.

Já aconteceu comigo várias vezes. Ouvi até alguns “amigos” dizendo-me que “sempre estou mal e, não importa o que façam, continuo triste, dizendo que estou sozinho e ninguém importa-se comigo, sendo que eles estão ali”. Detesto isso. Outrora odiava-me por sentir-me assim e falar tais coisas, que eram verdades, sabe? Via e sentia como tentavam alegrar-me, porém, ainda tinha vazio e, quando falava que estava sozinho e ninguém ligava, era desabafo.

Não era minha intenção inclui-los na sentença.

Odiava-me cada vez mais por isso.

Foi então que cheguei à conclusão: afinal, por que dou tanto ouvidos a quem coloca as próprias dores à frente? Não estou dizendo que a frustração e tristeza deles sejam irrelevantes perto das minhas, só que gostaria que entendessem meu lado, quando eu compreendo o deles. Sabe o que houve? Pessoas que diziam que eu era o “melhor amigo” afastaram-se e não tenho mais o número delas.

Ninguém veio buscar-me quando precisei: virei só mais um no contato dos milhares de amigos. É fácil substituir uma pessoa que vibra baixo por outra que vibre alto e tope sair para beber, ir às festas e curtir onerosidades.

É fácil visar coisas grandes com amizades falsas...

E desvalorizar coisas pequenas, desfazendo amizades que deviam ser verdadeiras.

De todos que diziam meus amigos, apenas Yuu, Kouyou e Yutaka provaram que vibrações, altas ou baixas, não importavam: estavam sempre ao meu lado, não importando minha emoção predominante. Titulei de “verdadeira amizade”, sabe? São poucos, mas não julgam-me pela minha depressão, tampouco abandonam-me quando meu vazio supera as tentativas de ver-me melhor.

- Nada é tão frio quando estamos acompanhados de quem amamos, certo? – comentei e talvez não devesse, sendo que Taka estava quieto pela ausência eterna de uma pessoa que amou e ainda amava. Sorri. – Obrigado por aquecer meu coração, Taka...

Porque Takanori foi o único que equilibrou-se na linha de ir e ficar quando minha mente pensava coisas ruins a meu respeito, sobre o mundo e sobre o fim. Podia falar que sentia-me solitário, vazio e que ninguém importava-se comigo, porquanto ele não levava para o lado pessoal, já que sabia que não incluía-se naquele desabafo, normalmente solto sem reflexão sadia.

Mostrou-me o que é amar ao segurar minha mão quando sentei-me no parapeito da janela, prestes a pular. Sentado ao lado, sorriu e encarou o horizonte, segurando-me forte: ou me impediria ou iria junto. Mostrou-me que sempre fomos um e não importava minhas vibrações quando o vento unia-nos nos dias frios.

Ele quis ver e ouvir o que todos ignoraram ou julgaram em mim.

Subitamente, soube que era especial.

- Você é meu melhor amigo... – murmurei, trazendo o corpo dele ao meu. Takanori não aninhou-se, tampouco ajeitou-se para acomodar-se. – E a única pessoa que sempre amarei, Taka, não importa o que aconteça ou o que pense. – apertei-o e, nesse momento, ele piscou, não encarando-me. – Amo-te muito, viu? E jamais sairei de seu lado...

Era minha verdade, mesmo que ele não quisesse ouvir ou acreditar.

Takanori não relutava, mas não permitia que nossos corpos encaixassem-se como antigamente – todavia, consentia que os ventos penetrassem em suas roupas quando abria as janelas ou a porta da sacada. É horrível enciumar-se de algo que não pode sequer observar, apenas sentir, contudo, esse sou eu. Colapsando de ansiedade e crises existenciais, depressivas, prosseguia tentando e faria até morrer.

Há outra teoria que acredito e, uma vez, Taka confessara crer também: quando palavras deslizam fácil pelos lábios ou dedos, não possuem tanto significado. Quanto mais facilidade tiver para proferir ou escrever coisas como “eu te amo”, menos verdadeiro será. Talvez seja por isso que nossa relação, desde o começo, foi julgada negativamente pelos demais, que não entendiam e diziam-nos que não amávamo-nos.

Em pleno século XXI, parece que somos os únicos entendendo o poder das palavras, sobretudo numa sequência como a citada.

Vocábulos têm beleza, força e podem fazer da guerra, a paz. Compreende porque contemplávamos o silêncio e era confortável? Às vezes realmente não havia nada a dizer, só sentir. Quando versos saíam por entre os lábios, atrapalhavam-se, embaralhavam-se.

Fazia-nos rir, encabulados.

Ainda gosto do silêncio, mas tudo exagerado torna-se patológico e estou em abstinência: gostaria de ouvi-lo murmurar qualquer palavra, qualquer expressão, só para lembrar o calor que aquela voz fazia em meu peito. Não precisava ser diariamente, já que nunca fora, mas gostaria de ouvi-lo mais uma vez...

- Amo-te, Taka...

E tenho ciúmes do vento...

Que atrapalhou meu sussurro verdadeiro.


Notas Finais


O que acharam? Comentem!

Kissus! *3*


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