História Jeff The Killer - O único papel - Capítulo 1


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Categorias Lendas Urbanas
Personagens Personagens Originais
Tags Jeff The Killer, Jeffrey Woods, O Assassino
Visualizações 62
Palavras 1.736
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Terror e Horror
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas do Autor


Em uma fanfic, não necessariamente os nomes devem ser os mesmos da história original.

Capítulo 1 - Everything left


Fanfic / Fanfiction Jeff The Killer - O único papel - Capítulo 1 - Everything left

O dia, outra vez em um intervalo de apenas duas semanas, estara chuvoso e fresco. O vento era o suficiente para fazer todas as árvores do vasto jardim de minha casa balançarem e deixarem suas folhas esparramadas no gramado verdinho. E, olhando pela terceira vez em quinze minutos a janela de vidro do meu quarto — que se encontrava minimamente embaçada —, pude finalmente concluir a mim mesmo que a mudança de clima havia estragado totalmente meu passeio. Ou melhor, meu encontro. 

Infelizmente, seria mais um dia em que eu ficaria sozinho, no silêncio de minha casa, usufruindo do meu mais novo computador ou simplismente atoa como sempre. Andando baixo pelos cantos.

 Suspirei derrotado e joguei meu corpo sobre a cama que eu mesmo acabara de arrumar perfeitamente, combinando o lençol azul marinho estampando alguns pontos claros que representavam estrelas, com uma colcha branca simples. Afinal, eu ainda não havia conseguido me livrar da mania que me obrigava a deixar as coisas devidamente organizadas em seus lugares, e estava quase me conformando. Desistindo de mudar o jeito horrível que eu era. 

Talvez esse fosse o real motivo que justificasse o ódio que o universo sentia por mim desde o meu nascimento. Ele sempre conseguia arrumar um jeito de excluir toda sorte, mesmo sendo quase inexistente, que eu poderia ter. E então o que tinha tudo para dar certo ou ser bom, acabava indo por água abaixo e me decepcionando cada vez mais.

 Assim como todas as vezes em que eu tirei coragem de algum lugar desconhecido dentro de mim e consegui chamar Lua para sair e, por influência do meu inimigo universo, ela ter recusado todos os sete pedidos que lhe fiz. Na oitava vez, depois de muito insistir, ela finalmente havia aceitado. E, infelizmente não pude me dar por vencido já que o universo tinha resolvido ser bacana comigo pelo menos por alguma vez durante minha vida inteira. Mas era duvidoso toda aquela mudança repentina, eu pelo menos deveria ficar em alerta. Só que eu era muito lerdo e só ignorei. Ou seja, por mais que eu não devesse realmente acreditar que o mundo tinha colaborado comigo, o fiz cegamente, achando que a raiva que ele tinha por mim apenas tivesse sumido. Fui tolo. E o danado conseguiu me enganar certinho: me fez ficar acordado a noite toda, roendo as poucas unhas que tinha, para no final acabar nem dando certo. I

Isso me leva novamente à decepção que senti quando encarei a extensa janela revestida em vidro de cima a baixo do quarto toda molhada pelos pingos de chuva que caiam ali. Via, além do balançar das árvores, o belo desenho que os relâmpagos formavam no céu. A junção deles com os trovões era perfeita para uma bela meditação ou leitura. Mas não me passou isso pela cabeça, afinal estava mais preocupado em esperar que a chuva acabasse logo e eu pudesse ir encontrar a garota de cabelos loiros platinados que havia roubado meu coração. 

Até porque eu jamais sairia de casa com todo aquele temporal, se dependesse de mamãe. Minha mãe nunca autorizaria que seu filho superprotegido saísse de casa com uma tempestade caindo do céu, principalmente se fosse para encontrar uma garota. Mamãe nunca se dava bem com minhas paixonites da escola, fazia de tudo para que eu ficasse bem longe das mesmas. De tudo mesmo. Ela não tinha limites quando se tratava de me proteger dos perigos do mundo. No caso, até uma simples formiguinha seria uma enorme ameaça a mim, de acordo com ela. A mania dela de sempre me mandar sair com um bolsinha de primeiros socorros confirmara perfeitamente sobre sua  paranóia. Onde já se viu ter que levar uma bolsinha vermelha com um " " enorme na frente para todo e qualquer lugar que eu fosse? Me obrigar a usar a bolsinha era a pior maneira de minha mãe expressar que se importava comigo. O que, convenhamos, o mini pacote vermelho fluorescente com branco conseguia ser tão brega quanto as roupas coloridas que mamãe vestia quando empurrou bruscamente a porta do meu quarto, entrando em disparada, naquele dia. Eu tinha um pouco de raiva do jeito xereta dela, mas preferia guardar para mim mesmo do que ficar de castigo. 

 — Não fique com medo, meu bebê, a mamãe está aqui — pulou em cima de mim causando um longo balançar na cama. 

Provavelmente, se eu não estivesse tão decepcionado quanto estara, soltaria uma bela gargalhada pela cena da cara desesperada de mamãe, repetindo em loop na minha cabeça. Fiquei pensando alguns segundos comigo mesmo, tentando entender toda aquela preocupação repentina comigo. Várias teorias passaram sobre meus pensamentos. Uma delas, era que talvez mamãe estivesse se referindo aos trovões, porque sempre insistia em dizer que eu sentia muito medo dos barulhos. 

Talvez, fosse verdade enquanto eu era uma criança, mas, naquela época, adorava ouvir os barulhos que a natureza emitia. Era, de certa forma, reconfortante. Mesmo com toda aquela super proteção de mamãe, a natureza me fazia sentir liberdade. Bem, pelo menos por alguns segundos do meu dia. 

 — Do que você está falando? — indaguei curioso, torcendo para que a pesada senhora tirasse logo seu corpo suado de cima da minha cama e voltasse a fazer, o que quer que estava fazendo antes de ter a brilhante ideia de me encher a paciência por causa de uma simples tempestade, e me deixasse quieto no meu canto.

 — Sei que você está com medo dos monstros da chuva, meu bebê — ela respondeu com a voz mais aguda do que o normal, achando que eu realmente gostasse de tal ato. Seus braços me apertavam cada vez mais, e sentia como se estivesse sendo sufocado.

 Mamãe se esquecia de que eu não tinha mais quatro ou cinco anos de idade. Esquecia que o seu "bebê" já havia crescido e entrado para a fase da adolescência. E, principalmente, esquecia que eu já lhe tinha dito mais de mil vezes que odiava todo aquele tratamento exagerado pela parte dela. Mal sabia ela que minha paciência com aquilo já estava se esgotando, na verdade acho que já era inexistente naquele momento.

 — Mãe — resmunguei enquanto tentava me desvencilhar dos gordos braços que me apertavam. Me sentia nojento e, mesmo que há poucos minutos tivesse tomado um bom banho, já queria imensamente arrancar a roupa do corpo e sair correndo para debaixo do chuveiro. — Eu não estou com medo dessa chuvinha, tá bom? 

 — Oh, meu bebê! Não precisa fingir. Tudo vai ficar bem agora, a mamãe está aqui. O monstro da chuva não irá te pegar aqui dentro — minha mãe, Julian, acariciou meus cabelos, insinuando como se realmente conseguisse emitir uma segurança. Infelizmente eu não me sentia da maneira que ela pensava. 

 — Mãe, me solta — praguejei bastante irritado, empurrando o corpo dela para longe do meu. 

 — Nossa, Jeffrey — Julian atuou com uma bela expressão de quem foi ofendida por minhas palavras, o que me fez revirar os olhos querendo soltar umas poucas e boas, mas teria que me segurar. Acima de tudo, ela ainda era minha mãe. — A mamãe só estava querendo lhe ajudar!

 — Eu sei, mãe. Mas eu não estou com medo, só quero ficar sozinho — dei de ombros finalmente conseguindo sair debaixo do corpo que me agarrava há minutos atrás. Em pé, ao lado da cama suspirei antes de continuar: — Viu? Eu estou bem. A senhora já pode sair - sentenciei calmamente, apontando em direção a porta.

 — Certo — sussurrou levantando-se devagar e caminhando entre curtos passos até a porta com um falso olhar triste. – Você ainda vai me procurar quando estiver morrendo de medo dos trovões. Mas eu vou te aceitar e deixar dormir comigo, porque sou sua mãe e te amo muito. 

 — Tá bom, mãe, já entendi — cortei seu discurso iminente, querendo vomitar com todo aquele drama. Nós dois sabíamos muito bem que suas palavras nunca tornariam realidade. — Agora a senhora pode, por favor, ir embora?

 Encharcada pela derrota, mamãe assentiu com a cabeça e atravessou rapidamente o espaço em que a porta ocupava quando fechada, saindo ainda com vagos passos. Era apenas um drama a mais para acrescentar à toda sua encenação e eu não me importava com os sentimentos da mesma. 

Certo, as vezes até me batia uma preocupação. Apenas as vezes. Só que eu nunca admitiria tal fato na frente dela ou de qualquer pessoa em voz alta.  

Nessa época, quando tinha doze anos, a única pessoa em que eu realmente não media esforços para fazer de tudo para agradar era Lua. Mas ela não dava a mínima para mim e, esse simples fato – depois de belos anos sendo decepcionado por ela, de todas as maneiras possíveis – me fez ter a certeza de que não valia a pena dar tanta importância assim para ela, na verdade para qualquer pessoa. 

E, aos poucos, fui me tornando a aberração que todos temiam. Afinal de contas, a culpa não era minha. A sociedade alimentou cega e continuamente o monstro que tomou conta de mim, para, no fim, perceber que criou o mais temível serial killer do mundo. Quando viram, já haviam feito. Tudo que restara a elas, era o medo.

 Ah, o medo era minha melhor refeição! 

E, embora pareça extremamente doentio e desumano ter ideias desse tipo, eu gosto de ser dessa maneira. Me sinto vivo, me sinto liberto. Afinal eu sou um monstro, um verdadeiro assassino. 

Todos me conhecem por Jeff The Killer. E, para calar as dúvidas de outrem, algumas pessoas criam histórias e lendas sobre mim, achando que tem o mínimo direito de o fazer. No entanto, até agora, ninguém sabe da minha verdadeira história. Da verdadeira origem de Jeff The Killer. 

Mas eu sei, afinal eu sou Jeffrey Woods. E é aqui, nessas poucas folhas de um simples caderno velho que encontrei no sótão, que contarei sobre os reais acontecimentos e razões que me tornaram o que eu sou hoje em dia. 

Prometo contar-lhe somente a verdade. 

Prometo lembrar de tudo e detalhar o máximo que eu conseguir. 

Prometo não esconder uma vírgula se quer.

Prometo explicitar meus sentimentos, deixando minha mente o mais transparente possível. 

Ah, e eu prometo também parar de mentir.

 Espero que, você que encontrou esse caderno por aí jogado em um beco aleatório de Arcadia Bay, saiba usufruir e decifrá-lo de maneira correta. 


Assinado,

 JeFFreY WoOdS                   



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