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História Jimin é um nome feminino também, sabia? - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


bem, eu não podia deixar o pride month passar em branco, então resolvi trazer uma historinha que junta identidade de gênero e sexualidade. lembram das fotos do weverse que o jimin tem (ou pelo menos parece ser) o símbolo bigênero desenhado no braço? pois bem, é isto. enfim, espero que gostem, e boa leitura!

Capítulo 1 - Jimin também é uma garota


Jimin batucava seu lápis na folha em branco de seu caderno. Já estava nessa há meia hora.

Olhou o relógio na parede. 23:45h. Voltou o olhar ao caderno. Nenhuma linha escrita sequer.


Suspirou, apoiando o cotovelo em sua escrivaninha e descansando a cabeça na mão. Já começava a se sentir sonolento.


Lembraria-se de nunca mais dar ouvidos a Jeon. “Vai dar tempo”, ele disse. “É só uma partida, em cinco minutos você termina”, ele disse.


Jimin respirou fundo e se recostou na cadeira, fechando o caderno. A luz baixa do monitor à sua frente era a única fonte de iluminação do quarto.


— Que droga. — murmurou baixinho. Curvou-se e apoiou os cotovelos na escrivaninha, massageando as têmporas.


Olhou novamente para o computador. Segurou o mouse e o guiou até a barra de pesquisa, onde digitou “sexualidade e identidade de gênero”.


Ah, certo. Eu não lhe falei, não é? Sinto muito.


Essa manhã, sua professora de redação havia passado um trabalho para a classe, que deveria ser entregue na primeira aula do dia seguinte.


Todos deveriam escrever um texto sobre alguma orientação sexual e alguma identidade de gênero, pois junho era o mês do orgulho lgbtqiap — e aparentemente ela estava sem temas novos também.


Jimin até gostava e apoiava a comunidade, mas nunca havia se aprofundado no assunto. Tanto que descobrira apenas há alguns dias que havia mais coisa depois do “T”.


— Vamos lá, não pode ser tão difícil. — falou baixo consigo mesmo, franzindo o cenho enquanto descia uma lista gigantesca.


Jimin sinceramente não entendia tudo aquilo. Era muito confuso. Por que dar nome a tudo? Não seria mais fácil as pessoas apenas sentirem?


Enfim, algo chamou sua atenção. A palavra “bigênero”, na parte de identidades.


Arqueou uma sobrancelha. Já ouvira falar em bissexualidade, mas o que era aquilo, exatamente?


Seus olhos percorreram palavra por palavra do tópico. Não sabia explicar por quê, mas seus batimentos cardíacos estavam acelerados.


Enquanto rolava a tela para baixo, lendo mais sobre o assunto, abriu seu caderno e começou a escrever. As palavras fluiam naturalmente em sua mente enquanto as transcrevia nas linhas.


Sentia-se estranho, mas não sabia por quê. Parecia com a primeira vez que comera sorvete de chocolate. Uma verdadeira explosão de sentimentos.


Após chegar a trigésima quarta linha, parou e descansou a mão e o pulso. Estralou os dedos e voltou a olhar para o monitor. Desceu para a parte de sexualidades e começou a ler os nomes, passando os olhos brevemente por suas descrições; pararia na que chamasse sua atenção.


Parou ao ler sobre pansexualidade. Já ouvira falar sobre. Chegou a pensar que era uma espécie de bissexualidade dois ponto zero, mas viu que estava equivocado. Parecia bem mais complexo que isso.


Minuto após minuto, linha após linha, Jimin já estava na segunda página de seu texto. Parou para descansar e, ao olhar o relógio novamente e perceber que já faltavam cinco minutos para uma da manhã, arregalou os olhos.


Respirou fundo, desligando o computador e levantando-se. Deixou seu caderno e lápis no mesmo lugar. Caminhou até sua cama e jogou-se deitado. Cobriu-se e se espreguiçou, caindo no sono sem ao menos perceber. A última coisa que lembra-se de pensar foi “será...?”


A Jimin...

• • •

Jimin acordou num pulo, ouvindo o despertador de seu celular tocar pela terceira vez.


Desligou-o e olhou as horas. 06:45h. Ou seja, muito atrasado.


Arrumou-se em dois minutos. Se tentasse lembrar de tudo que fez, só teria flashs de memória. Nunca fez tanta coisa tão rápido em todos os seus quinze anos de vida.


Enquanto escovava os dentes, arrumou sua mochila, guardando seu caderno na mesma.


Ainda estava com o cabelo molhado quando jogou a mochila nas costas e correu para a escola.


Entrou na sala de aula respirando forte. Apoiou-se em seus joelhos, tentando recuperar o fôlego. Em menos de cinco segundos o sinal tocou e a professora de redação entrou na sala.


Ainda com dificuldade para respirar, Jimin sentou-se, pegou seu caderno e destacou as folhas, entregando-as a professora. Podia ser impressão sua, mas podia jurar que viu um olhar surpreso da mesma ao ver o quanto tinha escrito. Não era de se surpreender; quase todos os alunos haviam escrito pouco mais que o mínimo.


No mais, a aula ocorreu normalmente. Jimin quase cochilando às vezes e sendo acordando por Jeon (que sentava à sua frente), que queria lhe falar algo, pedir ajuda ou apenas lhe encher o saco.


— Você ‘tá com uma cara péssima, cara. — Jeongguk disse enquanto caminhava ao seu lado no corredor.


— Fui dormir tarde. — bocejou e olhou-o com cara feia. — Adivinha por quê. — falou com o máximo de ironia que conseguiu colocar na voz.


Jeon sorriu quadrado, descendo a escada de dois em dois degraus. De qualquer forma, tinha que esperar Jimin, que mal conseguia descer um por um sem tropeçar.


— Anda logo! As coisas boas vão acabar! — falou apressado, puxando Jimin pela manga do moletom.


— Tudo ‘pra você é bom.


Jeon fez um biquinho emburrado. Por fim, chegaram, finalmente, à lanchonete. Jimin pediu apenas um copo de café, enquanto Jeon pediu algo para comer.


— Você não quer comer nada? — perguntou enquanto caminhavam para longe da multidão.


Gostavam de ficar num canto afastado, do outro lado da escola. Era um tipo de morrinho cheio de árvores lindas e cheias de flores, com vários bancos e mesas afixados no chão. Não sabiam por que ninguém ia lá, mas não reclamavam. Gostavam de ter um canto apenas para si.


— Se não tiver dinheiro, eu compro um ‘pra você. — deu uma mordida em seu sanduíche e Jimin negou com a cabeça.


— Não ‘tô com o estômago muito bom. — suspirou, bebendo um pouco do café. Afastou o copo rápido, fazendo uma careta, e Jeon perguntou um “o que foi?” com a boca cheia. — ‘Tá muito quente.


Jimin colocou a ponta da língua para fora, comprimindo os lábios.


Por fim, sentaram-se, não nos bancos, mas na grama. Estava uma brisa fresca e o Sol que batia ali os aquecia.


— Fresco. — Jeon riu e recebeu um revirar de olhos como resposta. — Aliás, e a redação? Conseguiu escrever algo?


— Duas páginas. — falou, orgulhoso de si mesmo, e viu Jeon engasgar com o sanduíche. — Frente e verso.


— ‘Pra quê? — perguntou surpreso, a voz estranha por causa do engasgo. — O mínimo era quinze!


— Me empolguei. — deu de ombros e deixou seu copo de lado, encolhendo as pernas e abraçando seus joelhos. — Jeongguk... — chamou-o e o garoto o olhou, engolindo o último pedaço de seu lanche. — Você é um garoto.


Jeon o olhou com uma cara estranha; uma mistura de dúvida com “você bebeu?”.


— É... — olhou para si mesmo. — Acho que sou.


Passados alguns instantes em silêncio, Jeon ainda o encarando, Jimin respondeu, sem olhá-lo:


— Mas eu não sei se eu sou. — abaixou a cabeça, encarando seus pés. Tinha certeza que podia contar isso a Jeongguk. Afinal, ele era seu melhor amigo.


Suspirou e ergueu a cabeça, olhando para Jeon, que tinha uma expressão confusa em seu rosto.


— Como assim? — perguntou após alguns segundos.


— Já ouviu falar em bigeneridade? — surpreendentemente, Jeon confirmou com a cabeça. — Eu escrevi sobre isso na redação e...


Jimin sentiu um nó em sua garganta e não conseguiu continuar. Não sabia como deveria se sentir. Seu coração estava acelerado novamente. Olhou para suas mãos e percebeu que estava tremendo. Queria chorar.


Quando pensou que Jeon se levantaria e sairia dali, sentiu seu toque.


Foi delicadamente puxado e apoiou sua cabeça no ombro de Jeon, sentindo-o abraçar-lhe. Sentiu Jeon beijar-lhe a cabeça e fazer um carinho delicado em seu braço.


Aos poucos, foi se acalmando. Passou a língua ainda dolorida pelos lábios e inspirou fundo. Conseguiu parar de tremer e voltar a respirar normalmente. Afastou-se poucos centímetros para poder olhar Jeon. Quando este ia soltá-lo, segurou sua mão, pedindo silenciosamente que continuasse o abraço.


— Obrigado. — sussurrou.


Jeon sorriu. Jimin não lembrava de tê-lo visto sorrir assim nunca. Parecia diferente, mas não sabia explicar como.


Se bem que, ultimamente, Jimin percebeu que não sabia de muita coisa.


Jeon, então, se aproximou novamente. Chegou seus lábios próximo à orelha de Jimin e murmurou:


— Você é linda.


Jimin sentiu seu coração acelerar novamente, mas dessa vez de uma forma boa. Sorriu inconscientemente, sentindo uma euforia crescente dentro de si, semelhante ao que sentira escrevendo sua texto e à primeira vez que comera sorvete de baunilha.


Enquanto Jeon se afastava minimamente, Jimin sentia seu rosto esquentar e suas mãos suarem. Fechou os olhos quando Jeon juntou suas testas.


— Você escreveu sobre mais o quê? — Jeon perguntou baixinho, fechando os olhos igual Jimin, que ainda sorria bobo.


Não conseguindo sequer lembrar-se de seu nome, Jimin abriu os olhos e sentiu sua respiração falhar. Engoliu em seco e, fazendo um pequeno esforço, consegiu se lembrar.


— Pansexualidade. — lubrificou os lábios, mordendo o inferior nervosamente.


— Interessante. — Jeon sorriu e abriu os olhos novamente. Jimin corou e desviou o olhar, olhando para baixo.


Jeon largou Jimin, acabando com o abraço lateral, e segurou uma de suas mãos. Com a outra, segurou seu rosto virando-o em sua direção novamente.


Jimin nunca havia parado para questionar sua sexualidade. Até porque, ainda não tinha nem beijado ninguém. Mas, ao ler sobre, percebeu que, em toda sua vida amorosa, nunca separou as pessoas por gênero. Eram apenas... pessoas.


E com Jeon não era diferente.


Fechou seus olhos quando sentiu seu rosto ser delicadamente puxado, logo sentindo os lábios de Jeongguk sobre os seus. Suspirou.


Poderia ficar ali para sempre. Queria ficar ali para sempre. Mas, para sua infelicidade, Jeon se afastou em menos de alguns segundos.


Olharam-se e Jimin passou a língua pelos lábios, sentindo falta dos lábios de Jeon sobre eles. Ainda podia sentir uma certa pressãozinha ali.


Abriu os olhos e seu rosto ficou ainda mais vermelho quando percebeu Jeon o encarando com um sorriso bobo. Em alguns segundos percebeu que estava com um sorriso igualmente besta.


Não falou nada. Segurou a gola da camiseta de Jeon e o puxou, juntando seus lábios novamente, dessa vez num beijo de verdade.


Coincidentemente, sentiu um cheirinho bom de baunilha e sorriu, largando da blusa de Jeon para poder segurar seu pescoço, enquanto sentia sua cintura ser delicadamente apertada pelos dedos de Jeongguk.


Sentiu sua língua arder, pois ainda estava machucada pelo café quente, mas não ligou. O incômodo era encoberto pelo sentimento bom que crescia em seu peito e pelo calor que começara a sentir.


Sentiu um fogo interno queimar-lhe aos poucos, descendo de um fiozinho de cabelo em sua cabeça até a pontinha de seu pé. Gostou da sensação, e queria continuar sentindo-a para sempre.


Após um tempo, seus lábios se separaram. Jimin respirava pesado, assim como Jeongguk. Ainda continuavam na mesma posição, apenas juntaram suas testas novamente, como estavam há alguns minutos.


Ainda com os olhos fechados, Jimin conseguia sentir o fogo e o calor irem diminuindo aos poucos, até restar apenas uma pequena chama em seu peito, além do seu rosto que estava pegando fogo.


Engoliu em seco. Ainda consegui sentir os lábios de Jeon sobre os seus, como quando você sai de um gira-gira, mas ainda sente-se tonto. Era assim que Jimin se sentia. Em parte, estava meio tonto também.


Não sabia o que falar. Não sabia se devia falar algo. Então ficou quieto, aproveitando o momento.


Largou o pescoço de Jeon, deixando suas mãos em seu colo. Em poucos instantes, sentiu-as seres seguradas por Jeon, que fez uma leve carícia nas mesmas.


Abriu os olhos e ficou admirando cada pedacinho do rosto de seu amigo, sentindo seu coração voltar a acelerar.


Jeon era todo perfeitinho.


Sem pensar direito, deu um último selar rápido em Jeongguk e abaixou a cabeça, sorrindo. Jeon sorria também.


Por fim, ainda em silêncio, Jeongguk encostou suas costas na árvore mais próxima, e Jimin deitou em seu colo.


A próxima aula estava prestes a começar, mas não ligavam. Errado? Talvez. Mas, para eles, naquele momento, estava completamente certo.


Passaram a tarde toda conversando, enquanto observavam o Sol ir se pondo, até o crepúsculo.


Jimin não sentia mais medo. Sabia que não estava sozinho. Na verdade, nunca esteve. E Jeon estava ali para comprovar isso.


Notas Finais


bem, foi isso! obrigado por lerem até aqui, espero que tenham gostado 💜.


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