História Jogada de Mestre - Capítulo 43


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Colegial, Escolar, Gay, Lemon, Originais, Romance, Yaoi
Visualizações 529
Palavras 5.066
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Relooou, pipooou! Dessa vez, demorei um pouquinho pra aparecer né? Mas, finalmente apareci rsrs. Enfim, espero que gostem do capítulo! :D

Obs: Meus lindos, não deixem de fazer seus comentários e de favoritar a história. Isso é extremamente importante pra mim! Vocês não tem noção do quanto me dá força pra força continuar!

Obs: Quer me conhecer, ser meu amiguinho e ainda ficar por dentro das novidades da história? É bem simples! Basta me mandar uma solicitação de amizade para o meu Facebook (o link estará no início do capítulo) e/ou me mandar por inbox (mensagem privada) seu número para entrar no grupo de leitores do Whatsapp!

Principais personagens:
— Francisco Lachowski como Eric.
— Colton Haynes como Liam.
— Barbara Palvin como Molly.
— Gigi Hadid como Stefany.

Obs: Muitíssimo obrigada favkjd, GabrielArckeman, Betterthecity, Retardada007, MeChamoAutora, Luasol08, heygian, Lipe366, Daichi-Ah, PudimGalatico, JikookOtpIsReal, Shino-chan211 e haynolds por favoritarem a história! Ameeei ver! Também vou adorar ver vocês nos comentários para me dizer o que estão achando da história! Muitíssimo obrigada também MaryCandy15, KisuSauro, pedrocavallaro, IhLinn, AFL, heroideallstar, StarAna, Maria99587452, Pheen, MariBaluta, Retah, Laura_Elizabete, redhaircolors, Lipe366, VaniStyles22, RuDamas, Aninha-Imouto, NickSt e Sccodders que fizeram seus comentários! Estou adorando a interação de vocês! Esses comentários me motivam demaaais!

Capítulo 43 - Eu não sou uma garota


Fanfic / Fanfiction Jogada de Mestre - Capítulo 43 - Eu não sou uma garota

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[Sob o olhar de Eric]

— Querido, está me dizendo que você e o Liam se acertaram? — Tia Sam pergunta com um misto de surpresa e alegria.

— Sim, tia! — Respondo com entusiasmo. — Por isso que tô ligando. Tá sendo... — Suspiro. — Incrível.

Se o paraíso existe, certamente um pedacinho dele está no olhar do Liam e nos últimos dois dias em que esse olhar esteve sobre mim. Tudo tem sido como um despertar. Isso é o máximo que consigo explicar. Sei que posso estar sendo bobo demais por não conseguir parar de sorrir ou estúpido demais por não conseguir parar de pensar nele, mas, quando, em toda a minha existência, eu poderia imaginar que fosse viver o que estou vivendo? Acho que desde criança, mesmo sendo ingênuo demais para entender, ter o Liam pra mim era tudo o que eu queria.

Quando eu era criança, queria jogar bola com ele, queria conversar com ele, queria brincar com ele, queria que ele me aceitasse como amigo, queria que ele fosse menos chato comigo. E agora eu tenho tudo isso e mais um pouco. Agora eu posso abraçá-lo, agora eu posso beijá-lo, agora eu posso colocar minha mão em cada parte do corpo dele. Deus, isso é tão bom, que chega a ser indescritível. Isso é surreal. Imaginar que Liam está permitindo é surreal. Se tudo não passar de um sonho, eu não quero acordar.

— Você não sabe o quanto eu estou feliz por saber disso! — Somente pela voz dela, consigo notar que realmente está feliz. — Como tudo isso aconteceu, meu anjo?

Uma longa história...

— Tia, é uma longa história, mas a principal parte é que Liam pediu pra que eu ficasse com ele. Tem noção de como eu fiquei ao ouvir isso?

— O Liam disse isso, Eric? — Tia Sam pergunta incrédula.

— Sim, tia! — Dou uma pequena risada. — Claro que ele continua com o mesmo jeito arredio de sempre, mas tudo melhorou entre nós. E estamos juntos agora.

— Que ótimo, querido! Que ótimo! Fico bastante feliz! Mas... — Noto a voz a tia Sam ficando mais séria. — E a Molly? Como ficou a situação entre vocês?

Isso é um problema...

— Bom... Entre eu e a Molly... — No momento em que começo a falar, vejo Stefany entrando no meu quarto. — Tia, eu posso ligar daqui a pouco? A Ste entrou aqui no meu quarto e eu preciso falar com ela. Mas, em resumo, como já era de se esperar, a situação entre a gente não tá legal. Depois eu ligo de novo, tá?

— Isso é realmente uma pena, querido. Estava torcendo para que a Molly fosse um pouco compreensiva. Mas, podemos continuar a conversa aqui em casa. Venha me visitar. Estou morrendo de saudade!

— Tudo bem, tia... Quando eu tiver um tempinho, lhe faço uma visita.

— Um beijo! — Ela se despede.

— Outro. — Respondo e desligo o celular.

Stefany se aproxima de mim e senta-se ao meu lado na cama. Seu sorriso vai de orelha a orelha.

— Era a tia Sam? — Ela pergunta.

— Sim, era ela. — Respondo.

— Liam me contou que ela descobriu por acaso. — Stefany dá uma pequena risada. — Na cozinha.

— Foi meio tenso na hora... — Acabo rindo. — Mas depois ficou tudo bem.

Stefany leva uma das suas mãos ao meu cabelo e faz carinho.

— E entre você e o Liam? — Ela pergunta. — Tá tudo bem?

Inevitavelmente um largo sorriso estampa meu rosto. Impossível não sorrir ao me lembrar da voz do Liam falando “Fica Comigo”. O choro caindo. A coisa mais linda e... Doce... Do mundo. Nunca imaginei que pudesse vê-lo assim. Tão dócil.

— Ste... — Continuo sorrindo feito bobo. — Tá maravilhoso! — Sem conseguir conter a alegria, abraço-a. — Inclusive, tudo aconteceu tão de repente, que não tive como te agradecer de maneira decente. Eu preciso te dizer muito obrigado, Ste. Obrigado por ser uma irmã tão boa para mim e uma amiga tão legal para o Liam. Obrigado pelo que fez por a gente. Você não julgou. Você ajudou.

— Ah, seu lindo! — Stefany me solta do abraço e segura meu rosto com as duas mãos, olhando no fundo dos meus olhos e sorrindo. — Não precisa agradecer. Vocês sempre gostaram um do outro. Só precisavam de um empurrãozinho.

— Felizmente você e a tia Sam existem. — Sorrio.

— Claro! — Stefany diz com um fingido tom de convencida, mas logo ri. — Na verdade, felizmente o destino existe. Como eu disse para o Liam, nas últimas semanas, situações da vida fizeram vocês se aproximarem demais, mesmo que não quisessem. Isso mexeu com todo o sentimento que vocês enterraram um pelo outro.

Meu Deus. A Stefany é muito incrível.

— Tu é a melhor pessoa, sabia? — Levo uma das minhas mãos ao seu rosto e faço carinho. — Merece um cara bem legal.

Stefany automaticamente ergue uma sobrancelha e me dá um sorriso de canto de boca.

— Um cara? — Ela pergunta com um tom de voz suspeito e levanta-se da cama.

Oi? Não tô entendendo.

O que ela tá querendo dizer com isso?

— Não seria um cara? — Pergunto confuso.

Stefany caminha até a porta e, com um sorriso irônico no rosto, vira-se para mim antes de abri-la.

— Talvez não...

Não? Como assim?

— Então... Uma... Garota? — Pergunto meio incerto.

Stefany solta uma pequena risada travessa e abre a porta do meu quarto.

— Talvez sim...

O quê?

Inevitavelmente arregalo os olhos e sorrio com surpresa.

— Como assim, Ste? — Uma pequena risada sai da minha boca. — Tu é uma caixinha de surpresas mesmo!

Stefany apenas solta mais uma risada travessa e sai do quarto, fechando a porta atrás de si.

xxx

— E esse sorriso bobo no rosto? — Adam aparece bem na minha frente, no exato momento em que estou olhando disfarçadamente para o Liam, que está do outro lado do campo de futebol.

Depois da conversa com minha irmã, bem surpreendente, diga-se de passagem, vim para o colégio. Cheguei e vim direto para o campo. Hoje tenho somente treino. Precisamos focar no campeonato. No entanto, antes do técnico chegar, eu estava focando meu olhar em algo bem atrativo do outro lado do campo, não fosse o Adam aparecer exatamente na frente.

— Bobo? — Sorrio, tentando disfarçar. — Do que tá falando? — Me faço de desentendido.

Adam sorri e dá um leve toque no meu ombro.

— Relaxa, tô só tirando onda... — Ele responde. — É que, sei lá, fico feliz de ver que você tá bem, mesmo tendo terminado o namoro.

Como assim “mesmo tendo terminado o namoro”? Não me lembro de ter falado isso pra ninguém. Somente a minha família e a família da Molly sabem.

— Como você soube? — Pergunto com o cenho franzido.

— Ah, cara, sei lá, o colégio inteiro tá sabendo.

No mesmo instante, sinto meu corpo inteiro gelar.

— O colégio inteiro tá sabendo? — Pergunto, tentando disfarçar o choque, embora saiba que é em vão.

— Sabe que as notícias aqui correm rápido, né? — Adam responde.

Puta que pariu. Não posso acreditar. Será que além do término, as pessoas já sabem do outro detalhe? O detalhe do tipo que eu tô com o Liam. Se souberem, ele vai me assassinar.

— Mas... Do que você sabe exatamente? — Pergunto com cautela.

Adam dá uma pequena risada.

— O que foi? Só tô sabendo disso. Aconteceu mais alguma coisa?

No mesmo instante em que Alex fecha a boca, o som do apito do técnico ecoa pelo campo de futebol. Miro meu olhar exatamente na direção de onde vem o som. Vejo o Sr. Jones se aproximando.

— Nada. — Desconverso. — Bora lá. — Toco no ombro do Adam e começo a caminhar. — O treino vai começar.

Aparentemente as pessoas ainda não sabem sobre eu e o Liam. Não que eu faça extrema questão de esconder isso de todo mundo, mas eu sei que o Liam faz extrema questão. Então, é melhor que continuem assim: sem saber. Do contrário, cabeças vão rolar. No caso, a minha.

Caminho em direção ao centro do campo de futebol, local onde o time e técnico estão reunidos. Olho para o Liam e vejo-o com Robert e William. Queria tanto poder ser próximo a ele em qualquer lugar, assim como Robert e William são.

Liam olha para mim. Trocamos olhares. A saudade dele é algo que nunca passa. Parece que todos os meus sentidos querem compensar todos os anos que não ficamos juntos. Inevitavelmente pisco o olho para ele. Liam rapidamente desvia olhar de mim e balança a cabeça.

Desculpa, bonequinha, foi inevitável. Eu sei que ninguém viu.

— Bom dia a todos! — Sr. Jones se pronuncia. — Podem sentar na grama. Vou dar algumas orientações antes do treino começar.

Assim como Sr. Jones recomenda, todos nós sentamos na grama. O técnico, então, começa a caminhar entre nós.

— Vencemos o último jogo. — Ele diz. — Apesar de termos perdido um jogo, estamos com vantagem no placar, por conta da quantidade de gols. Precisamos nos concentrar para os próximos jogos. É sobre isso que quero falar. Não sei se lembram, mas, no último treino, falei que estou estudando novas táticas para o time. De início, não fui a favor de termos dois co-capitães no time, Eric e Liam. Mas, depois do último jogo, vi que a interação em campo entre eles foi excelente, mesmo que Liam ainda estivesse em fase recuperação.

Automaticamente Liam e eu nos entreolhamos. Seu rosto está impassível. Não consigo identificar o possa estar pensando.

— Hoje... — Sr. Jones continua. — Liam está completamente recuperado da perna e volta ao seu posto de capitão do time. — No mesmo instante, Robert e William chacoalham Liam em comemoração. Liam sorri com eles. — Não podemos ter dois capitães no time por tempo indeterminado, isso vai contra os regulamentos do futebol. No entanto, o tempo em que Eric e Liam passaram sendo co-capitães e o trabalho em conjunto entre os dois no último jogo, me fizeram vislumbrar uma nova tática para o time. No entanto, quero usar essa tática em um momento chave do campeonato: o jogo da final. Não vou entrar em muitos detalhes por enquanto, mas, Eric e Liam... — Sr. Jones olha para nós dois. — Fiquem sabendo que quero ensaiar uma jogada com vocês dois. Por isso... — Agora ele olha para o time como um todo. — Quero que todos vocês se empenhem, porque eu quero o time na final e quero usar essa jogada.

Mas que jogada é essa? Fiquei curioso agora.

Liam e eu nos entreolhamos mais uma vez. Ele está tão confuso quanto eu. Talvez o Sr. Jones nunca tenha proposto nada assim a ele.

— Eric... — Sr. Jones me chama, fazendo-me desviar meu olhar do Liam para ele. — Por favor. Repasse a braçadeira de capitão do time para o Liam. Obrigado pelo tempo como capitão.

Assim como Sr. Jones pede, levanto-me e sigo em direção ao Liam. Liam também se levanta. Ficamos de frente um para o outro.

Se eu estivesse parado de frente para o Liam de meses atrás, ele estaria me olhando com ar de superioridade, justamente porque estou saindo do posto de capitão e ele está voltando. Mas, o Liam de agora não está me olhando assim. Não consigo identificar que tipo de olhar ele está me dando, talvez expectativa? Sim, talvez expectativa, mas definitivamente não é um olhar de superioridade.

Destaco o velcro da braçadeira, tiro-a do meu braço e coloco-a no braço do Liam. Sem pensar, acabo sorrindo e tocando no rosto com uma das mãos.

— Bem-vindo de volta. — Digo.

Liam se afasta sem jeito, provavelmente com medo do que vão pensar sobre a minha mão estar no rosto dele.

— Valeu. — Ele responde rapidamente.

— Agora sim. — Sr. Jones se pronuncia. — Podemos começar o treino.

xxx

— Ah, hora do banho! — Ouço Adam comentando. — Finalmente!

— Os números pares vão primeiros. Os números ímpares vão depois. — Sr. Jones diz.

Todos estão ansiosos pelo banho, mas eu estou ansiando por somente uma coisa: ter um momento com o Liam. Passei o treino inteiro ansiando por isso. Será que somente eu me sinto assim? Será que ele não sente tanta falta de mim quanto eu sinto dele? Porque, cara, eu sinto muita falta dele.

Esse tempo todo sem ficar com ele foi extremamente prejudicial, porque agora eu quero ficar com ele “somente” o tempo todo. E, pensando nisso, sei que meus pais vão trabalhar até tarde, a Stefany vai passar o dia no colégio e, nem eu, nem ele, vamos ter aula depois daqui. A gente poderia ir lá pra casa.

Sim! É uma excelente ideia! Só nós dois lá. Um momento só nosso. A casa inteirinha pra gente. Caralho. Preciso falar com ele. Ele é camisa 10. Número par. Vai entrar no banho antes de mim. Preciso falar com ele antes que vá para o vestiário. Tô nem aí se ele vai achar ruim que eu puxe conversa na frente do time.

Olho para ele e vejo-o caminhando em direção à saída do campo. Droga. Ele já tá indo. Dirijo-me rapidamente até ele. Vejo-o conversando de maneira despreocupada com Robert e William, até que o puxo levemente pelo braço. No mesmo instante, Liam vira-se e franze o cenho para mim. Robert e William param de caminhar. Noto ambos de cenho franzido para mim também.

Qual é? É tão estranho assim se eu quiser falar com o Liam? Se foder!

— O que tu quer? — Seu tom de voz frio comigo é de cortar o coração.

Sei que ele está fazendo isso só por causa do Robert e do William.

— Posso trocar uma ideia contigo? — Pergunto. — É sobre o treino. — Justifico, de maneira falsa, mais para Robert e William do que para Liam.

Liam me encara e dá um breve suspiro de exasperação.

— Vão na minha frente. — Ele olha para Robert e William. — Chego daqui a pouco.

— Beleza... — Ambos olham para mim como certa desconfiança. — Falou! — E se despedem do Liam.

Vejo não somente Robert e William se distanciando de nós, mas também o time inteiro e o técnico. Somente nós dois estamos no campo.

Ao notar que todos já estão distantes o suficiente de nós, Liam vira seu rosto para mim e...

— Porra, tu tá vacilando! — A primeira coisa que ele diz. — Primeiro pisca o olho, depois toca no meu rosto e agora vem atrás de mim pra conversar. Tá dando muita bandeira, velho! Tá dando muita bandeira!

Que merda.

Suspiro e...

— Foi mal... — Respondo. — Eu sei... É que... É difícil agir de uma maneira que não se quer agir. Queria poder ficar de boa contigo em qualquer lugar.

— Sabe que não dá. — Ele diz. — Ninguém tá acostumado com isso.

— Que se acostumem, então! — Digo meio sem pensar. — Não estamos devendo nada a ninguém!

Liam revira os olhos.

— Porra, tu sabe que não é assim que funciona.

Suspiro novamente. Não quero discutir.

— Tudo bem... Tudo bem... — Digo.

— Mas fala aí... Que ideia quer trocar? — Liam pergunta.

— Quero te pegar. — Respondo no automático.

Liam, no mesmo instante, fica vermelho e baixa o olhar.

— Vai me deixar com vergonha assim na casa do caralho. — Ele resmunga.

Inevitavelmente solto uma risada com a vermelhidão no rosto dele e com o comentário que acabou de fazer.

— Na verdade, eu quero te deixar com vergonha assim lá em casa. — Respondo com um largo sorriso no rosto. — Meus pais vão trabalhar até tarde, Stefany vai passar o dia no colégio e nós não temos aula agora. O que tu acha de um filme lá em casa?

— Filme? — Liam ergue uma sobrancelha e me olha desconfiado. — Conheço esse papo.

— Ora... Filme... Normal... — Respondo, fazendo a maior cara de santo.

— Tua cara de santo nunca me enganou. — Liam resmunga. — Sempre foi um capeta.

Inevitavelmente solto outra risada.

— Que seja... — Sorrio e dou de ombros. — Bora?

Liam balança a cara.

— Sabe que isso não dá certo...

— E porque não? — Pergunto.

— Vão ver nós dois saindo juntos daqui, lesado. — Liam me dá um olhar de tédio, como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Claro que não. — Respondo.

— Claro que sim. — Ele diz.

— Bonequinha, é simples... — Tento falar, mas...

— Quer levar um soco na cara? — Liam pergunta.

Porque esse jeito estressadinho do Liam é tão engraçado? Tão bom tirá-lo do sério.

— Desculpa, bonequi..., digo, Liam. — Sorrio como uma criança travessa. Liam revira os olhos com a brincadeira. — Então, como eu ia dizendo, Liam... — Dou ênfase sarcasticamente no nome “Liam”. — É simples. Tu toma teu banho, sai e me espera dentro do carro no estacionamento. Rapidinho eu tomo meu banho e vou pro meu carro. Eu saio na frente, com o meu carro. E tu sai minutos depois, no teu carro. Ninguém vai parar pra reparar nisso.

— Eric... — Liam tenta argumentar, mas...

— Confia em mim. — Respondo, antes mesmo de ouvi-lo. — Vai dar certo.

Liam me encara, mas logo suspira em derrota.

— Tá. Tudo bem.

xxx

— Vem... — Sorrio e aceno com a cabeça. — Pode entrar.

Liam olha, de maneira apreensiva, para os dois lados da rua, como quem está com medo de que possa ser visto. Eu entendo e sou compreensivo. Sei que é complicado abrir nosso relacionamento para todo mundo, mas, ao mesmo tempo, acho isso foda. É foda porque casais héteros não precisam andar por aí se escondendo.

Eu, pelo menos, nunca precisei me esconder quando saía com alguma garota. Sempre fui reservado, porque ficava com várias garotas de um mesmo local e não queria que elas soubessem entre si. Me envergonho disso. Eu era tão podre. Mas, enfim, eu só era reservado por conta disso, não pelo fato de ter receio do que a sociedade iria falar.

Com o Liam é diferente. A gente se esconde com “medo” do que os outros vão pensar e achar. Sei também que, por mais que ele tenha concordado em ficar comigo, ele tem vergonha disso. Liam ainda está aceitando toda essa ideia de estar com um cara. E logo o cara que sempre foi alvo do seu “ódio”. Logo o cara que ele nunca foi amigo. Eu entendo. Pra ele deve ser difícil assimilar toda essa situação.

Apesar da aceitação dele caminhar a passos lentos, no fundo, bem no fundo, eu estou começando a me sentir inclinado a “assumir” isso pra todo mundo. Sim, está crescendo uma vontade dentro de mim, mesmo que aos poucos. Sei nem se assumir seja a palavra correta. Afinal, não estamos cometendo nenhum crime. Mas, enfim, estou começando a pensar no quão é idiota ficar escondendo isso.

— Vem... — Seguro sua mão e a puxo levemente.

Liam cautelosamente entra na sala da minha casa, como quem está adentrando pela primeira vez no local. E é praticamente uma primeira vez. Pela primeira vez, desde que nos acertamos, estamos completamente sozinhos em um lugar. Mesmo que seja um lugar conhecido, nossa atual condição faz com ele se torne novo.

— Melhor trancar a porta. — Liam diz. — Não quero que ninguém entre de surpresa e nos veja aqui.

Liam está claramente com medo de ser pegue. Inclusive, para sairmos do colégio e virmos juntos para cá foi praticamente uma novela. Tivemos que bolar quase um plano de guerra para não sermos vistos juntos, porque, além de eu estar me relacionando com um cara, eu ainda estou me relacionando com um cara que nunca teve amizade comigo. O colégio não tá acostumado com isso. É FODA.

— Tudo bem. — Assim como Liam pede, tranco a porta e viro-me de volta pra ele. — Enfim, sós. — Dou o meu mais verdadeiro sorriso e caminho rapidamente até ele, pegando-o nos meus braços e beijando-o.

— Tem certeza que teus pais não vão aparecer? — Liam pergunta apreensivo, entre beijos.

— Absoluta. — Respondo, dando apenas uma pequena folga entre um beijo e outro. — Além do mais, a porta tá trancada.

— Então, vamo assistir logo esse filme, mané. — Liam diz, tentando se desvencilhar dos beijos. — Porque tu me chamou pra assistir filme, né? — E dá um pequeno soquinho no meu ombro.

Eu sei que isso é só charminho. Na verdade, todo esse jeito arredio é só charminho.

— Ah sim, claro... — Sorrio e ergo uma sobrancelha do jeito mais sugestivo possível. — Filme...

— Então, bora. — Liam me empurra e caminha até o sofá.

xxx

Demorei somente o tempo para preparar a pipoca e pegar cervejas. Estou saindo agora da cozinha e indo em direção à sala. Liam está sentado sobre o tapete da sala. A televisão já está ligada. Noto-o entretido, bebendo uma latinha de cerveja e passando os filmes na tela, aparentemente está querendo escolher algum para vermos.

— Tá querendo me embebedar? — Liam pergunta ao me ver carregando mais cervejas.

Dou uma pequena risada e coloco as cervejas no chão.

— É o meu sonho. — Respondo em tom de brincadeira.

— Engraçadinho. — Liam revira os olhos, mas logo muda de assunto. — O que a gente vai assistir?

— Tava pensando em Batman vs Superman... — Respondo e me sento ao lado dele.

Liam revira os olhos mais uma vez.

— Já vi que vou ser eu a escolher o filme. — Ele diz e continua passando os filme na smart tv. — Vamo assistir Deadpool.

— E porque não pode ser Batman vs Superman? — Pergunto.

— Definitivamente eu tenho um gosto melhor pra filmes do que tu. — Liam fala com uma mistura de desdém e orgulho.

— Isso tá parecendo quando a gente era criança e eu queria assistir desenho do Pateta e tu do Patolino. — Dou uma pequena risada.

— Sempre teve péssimo gosto pra tudo. — Ele responde sem tirar os olhos da tv.

— Ah é? — Viro meu rosto para ele e ergo as duas sobrancelhas. — Então, te querer também significa que eu tenho um péssimo gosto, né? — Sorrio de maneira sarcástica.

Liam no mesmo instante vira seu rosto na minha direção e...

— Pelo menos pra isso teve bom gosto. — Noto-o tentando segurar o sorriso.

Então é assim? Porque sempre tenta segurar o sorriso? Porque sempre tenta manter essa pose de durão? Vamos ver se consegue agora, bonitão.

— Convencido! — Sorrio e avanço nele, fazendo cócegas por todo o seu corpo.

Liam imediatamente se desmonta da pose de marrento e ri como uma criança. O sorriso e a risada dele são tão lindos e contagiantes. Porque ele não sorri sempre? Ele fica tão mais bonito sorrindo. Poucas vezes na vida o vi assim: tão feliz.

— Para, idiota! — Ele continua rindo, ao mesmo tempo em que tenta se desvencilhar das cócegas.

— Eu tô adorando isso. — Sorrio e continuo com as cócegas.

— Para, imbecil! — Sem parar de rir, Liam me empurra. No entanto, sou mais rápido e consigo prender suas duas mãos atrás de si.

Assim que ele percebe que está preso, seu riso cessa. Imediatamente mexe suas mãos, tentando se soltar. Seguro-as.

Seu olhar penetra cautelosamente no meu. Sinto-o intimidado por mim. Liam intimidado é coisa mais linda. Isso é novo pra mim. Deus, quantas novas faces do Liam eu ainda vou conhecer?

— Para de me olhar assim, porra. — Liam resmunga e baixa o olhar, como quem está envergonhado.

Ah, meu Deus. Mais uma face linda do Liam: envergonhado. Preciso de muito, mas muito, autocontrole perto desse cara. E controle é algo que definitivamente tá indo embora.

Sem perder mais tempo, ainda segurando suas mãos, movo-me sobre o tapete da sala e sento-me no seu colo, de frente para ele, com uma perna de cada lado. Liam prende a respiração.

— Porque você não sorri mais vezes? — Pergunto ao mesmo tempo em que aproximo meus lábios dos dele. — Você fica tão lindo sorrindo. — E encosto lentamente minha boca na sua.

Liam fecha os olhos. Eu fecho os meus. Beijo-o bem devagarzinho, ao mesmo tempo em que solto lentamente suas mãos. Sinto cada parte da boca. Gradualmente, sinto o beijo tomando outras proporções. Sinto... Ah, meu Deus. Sinto suas mãos subindo pelas minhas pernas. Esse é o Liam?

A vergonha e intimidação de poucos minutos atrás parece estar se esvaindo. Liam parece estar se entregando cada vez mais ao momento. A intensidade do beijo está aumentando. Nossas respirações estão ficando ofegantes. E tudo o que eu consigo pensar é: caralho, como passei tanto tempo sem fazer isso?

Levo minhas mãos ao seu abdômen, passando-as por debaixo da blusa. Liam leva suas mãos a minha bunda e aperta-a. A pressão das suas mãos no meio traseiro faz com que nossos corpos se aproximem ainda mais. Nosso beijo tem cada vez mais urgência. No entanto...

— Filme... — Liam, ofegante, separa seus lábios dos meus. — Acho melhor...

Sorrio com malícia.

— Isso tá mais interessante. — Respondo e volto a beijá-lo.

— Filme. — Liam separa novamente nossos lábios. Dessa vez, ele fala de maneira mais incisiva.

Saco. Porque ele não só aproveita o momento?

 Suspiro em derrota e saio de cima dele, sentando-me ao seu lado no tapete.

— Tu me convidou pra assistir filme, né? — Liam pega o controle da Smart TV e seleciona Deadpool.

Ah não. Que merda. Eu tô completamente maluco por ele! Não quero saber de filme!

Sem pensar duas vezes, puxo-o em minha direção, com toda força, pela gola da camisa, pegando-o de surpresa. Com a força do ato, Liam consequentemente vem parar em cima de mim. Assim como eu estava antes, agora é ele quem está sentado no meu colo, com uma perna de cada lado.

— Que po... — Ele tenta falar. No entanto, interrompo-o com um beijo.

— Fica comigo? — Peço e beijo-o com urgência. — Sei que você quer. Só aproveita o momento.

Liam me encara. Seu olhar passeia entre meus olhos e minha boca. Seu rosto está impassível. Não consigo imaginar o que possa estar se passando pela cabeça dele. Mas, de repente, como em um piscar de olhos sua boca vem na direção da minha. Um beijo provocativo invade minha boca.

— Só tô achando essa minha posição muito gay. — Ele resmunga entre beijos.

Automaticamente sorrio. Se ele soubesse que eu o imagino em uma infinidade de posições bem gays, provavelmente já teria fugido daqui.

— Relaxa. — Limito-me a dizer apenas isso e volto a beijá-lo.

Meu instinto leva minhas mãos até a sua bunda. Aperto-a sem o menor pudor, assim como ele fez com a minha. Por poucos segundos, Liam encosta sua testa na minha, solta meus lábios e ofega, mas logo torna a me beijar. O beijo tem necessidade. É como se cada beijo fosse uma tentativa de compensação por passarmos tantos anos sem fazer isso.

— Posso avançar pra primeira base? — Acabo perguntando sem pensar. Apenas estou me deixando levar pelo momento.

— Que primei... — Liam tenta perguntar, mas...

Antes mesmo dele concluir a pergunta “que primeira base?”, deito-o sobre o tapete, deixando-o debaixo de mim. Ah, meu Deus, pela primeira vez estou deitado com o Liam! Mesmo que no chão, apenas com o tapete dando certo conforto, isso é indescritivelmente bom.

— Essa. — Respondo-o, mesmo sem a pergunta ter sido concluída.

— Tu disse que ia aos poucos, seu imbecil... — Liam diz ofegante, ao sentir minhas mãos passeando por seu corpo.

— Mas eu tô indo aos poucos... — Respondo como uma criança travessa. — Olha só... — E beijo-o bem devagarzinho.

— Ai, como eu te odeio. — Liam resmunga entre beijos.

Dou uma pequena risada.

— Tu me ama. — Respondo todo convencido.

— Para de ser brega. — Liam resmunga mais uma vez e continua me beijando.

Sorrio mais uma vez, entre beijos. É impossível não gostar ainda mais dele com esse jeitinho marrento. Isso só me dá mais vontade de ficar com ele, porque eu sei que tudo não passa de charminho.

— Posso avançar pra segunda base? — Pergunto, enquanto afundo meu rosto no seu pescoço.

— Se eu disser que não, tu vai avançar do mesmo jeito. — Liam murmura. — Idiota.

— Eu não vou fazer nada que você não queira. — Sussurro no seu ouvido.

— Retardado. Eu falava a mesma coisa para as garotas. Conheço esse papo. — Liam suspira e dá um pequeno soquinho no meu braço. — Eu não sou uma garota.

Sorrio e solto pequenos beijinhos pelo seu pescoço.

— Eu sei que não. Você é meu homem. — Sussurro de maneira provocativa no seu ouvido. Isso poderia me causar estranheza alguns meses atrás. Mas, hoje sei que não tenho como fugir dessa realidade. Se me sinto feliz com um homem, que seja. — Meu.

Liam se remexe debaixo de mim, como quem gostou do que acabou de ouvir. Sei que ele deve ter gostado de ser considerado como um macho. Conheço-o muito bem para saber disso. Mas, falei não somente para agradar. Sei que não é pelo fato de estar com um homem que ele vai virar automaticamente uma mulher. Ele continua sendo com um cara.

Sem perder mais tempo, avanço para a segunda base. Sem movimentos bruscos, consigo me encaixar entre suas pernas. Ah, meu Deus. Isso é fodidamente inacreditável para mim. Como Liam está me deixando ficar entre as suas pernas? Esse é o Liam mesmo?

— Eric, que porra de posição é essa?

Mas, nem tudo são flores. Não posso me iludir fácil. Vamos tentar domar a fera.

— Relaxa. — Beijo seu pescoço.

— Eric... — Liam tenta argumentar.

Beijo sua boca, impedindo-o de falar e, sem refletir sobre minhas ações, instintivamente começo a mexer levemente meu quadril entre suas pernas. Mesmo que nós dois estejamos de calças jeans, estou começando a sentir. Cristo. O pênis dele. O meu pênis. Assim como o meu, sinto o volume do pênis dele crescendo dentro da roupa.

Quando penso que não tem como ficar melhor, sinto ambos os volumes se encontrando. Meu pai. Nunca me senti tão excitado. Inevitavelmente, mesmo vestido, começo a friccionar meu pênis duro contra o dele. Liam ofega e me segura pelo quadril, pressionando-me contra ele. Isso me estimula ainda mais. Não sei se vou conseguir parar, se ele continuar assim.

— Posso avançar pra terceira base? — Pergunto com minha voz falhando, tomado pela excitação.

Liam suspira e...

— Caralho, tá me fazendo cair em tentação...

Apenas seguindo meus instintos, tomado completamente pelo calor do momento, beijo de maneira provocativa seu pescoço, ao mesmo tempo em que desço minhas mãos até sua calça jeans e abro o botão. Respirações pesadas. Suspiros. Rostos enrubescidos. E minhas mãos descendo o zíper da sua roupa, até que, de repente...

A campainha da minha casa toca.

MERDA.

— Deixa pra lá. — Sussurro e torno a beijá-lo, mas...

A campainha toca novamente.

CARALHO.

— Melhor ver quem é. — Liam diz.

— Não... — Respondo. — Não quero sair daqui.

Volto minhas mãos para sua calça jeans e, aos poucos, vou tentando abaixá-la, mas...

A campainha toca mais uma vez.

No mesmo instante, Liam revira os olhos e sai de baixo de mim.

— Chega, Eric. Vê logo quem é. Eu saio pelos fundos. Não quero que saibam que eu tô aqui.

 LOGO AGORA ESSE INFERNO DE CAMPAINHA TEM QUE TOCAR?

Balanço a cabeça e bufo em exasperação.

— Espera. — Levanto-me do chão e, mesmo a contragosto, caminho em direção à porta.

Sem abri-la, olho apenas no olho mágico quem é e... Molly?! O que a Molly quer aqui?!


Notas Finais


Geeeente! Porque a Molly tinha que aparecer logo agora, heeeeim?! Rsrsrsrs.

Por favorzinho, comentem sobre o que acharam do capítulo! Você que acompanha, mas nunca comentou, comente e me faça feliz! Você que já comentou, continue comentando porque eu amo! Enfim, comentários me motivam demaaaais! Eu sei que estou devendo nas respostas, mas estou respondendo aos poucos, não se preocupem!

Beijosssss em todosssss!


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