História Jogos Vorazes - Sterek - Capítulo 5


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Categorias Jogos Vorazes (The Hunger Games), Teen Wolf
Personagens Derek Hale, Stiles Stilinski
Tags Derek Hale, Dylan O'brien, Gay, Jogos Vorazes, Sterek, Stiles Stilinski, Teen Wolf, The Hunger Games, Tyler Hoechlin
Visualizações 195
Palavras 5.177
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Romance e Novela, Saga, Slash, Survival, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey pessoas! Finalmente tenho a fic toda escrita e serão 9 capítulos ♡ Espero que estejam gostando e continuem acompanhando. Favoritem e comentem, please ♡
Me desculpem por erros que passaram despercebidos na correção. Aproveitem :D

Capítulo 5 - Preparação


 

            Estamos sentados com Lydia e Parrish no sofá da sala há algum tempo. As preparações para a entrevista de amanhã com Caesar Flickerman não estão tão fáceis para Derek. Ele estava certo quando disse que não conseguia se sentir confortável na frente de tantas pessoas que assistiriam os Jogos para vê-lo matando outros tributos ou sendo morto por algum deles, mas era difícil colocar mais uma vez em sua cabeça que as aparências eram o que nos beneficiariam na Arena.

            - Você precisa ser gentil. Sabemos que não é revoltado o tempo todo – Lydia diz impaciente, me levantando para ver minha postura quando ando. – Pense em algo que lhe acalme.

            - Não consigo.

            Ele fecha a cara no sofá e Lydia reclama baixinho, levantando meu queixo com o indicador.

            - Olhe para Stiles e veja como ele finge estar feliz com tudo isso – Ela volta a dizer. – Sua postura é ótima e jeito como fala também, sabemos que ele tentará ganhar o público com gentileza. Você é um exemplo, querido.

            Ela segura meu rosto com as mãos e pisca seus olhos com grandes cílios prateados.

            - Todos sabem que ele é assim. Mas não me sinto confortável com estranhos. Não são minha família ou pessoas que me deixem à vontade. Até mesmo com vocês não me sinto tão bem.

            - Ora, que absurdo...

            Lydia olha para ele como se tivesse acabado de ouvir um xingamento, então segura uma prancheta com meu nome e escreve coisas que assumo serem positivas.
            Ela tinha razão sobre mim. Tenho noção da situação que me circula, mas quero que aquilo funcione para mim o máximo que eu conseguir administrar. Se a Capital já me ama, farei com que isso seja levado ao extremo.
            O resto das horas passa com conselhos sobre como ser amigável, e a maioria deles vai para Derek. Lydia finge me entrevistar no canto da sala e fica contente com o resultado. Falamos sobre minha família – um grande truque que me deixa um pouco triste, mas que funcionaria para me aproximar do público. – sobre meu distrito, sobre mim mesmo, sobre Derek e outras coisas. O tempo de entrevistas seria muito curto para cada tributo, então não tínhamos certeza sobre o que seria abordado, mas cobrimos uma boa quantidade de assuntos.
            Derek teve até mesmo que praticar “sorrisos sinceros” com Parrish. Isso era fácil para nosso mentor. Ele era um exemplo de gentileza e fingir isso aumentava ainda mais seu ego e o modo como ele se tornava influenciador. Derek se saiu bem em algumas partes, gaguejou em outras e pareceu confortável apenas quando falava de mim, de sua família e de seu distrito.
            Parrish não desistiu de Derek, mas percebi com o passar das horas que ele estava cansado de tentar colocar algumas coisas nos moldes diferentes de meu namorado. No fim do dia acabamos comendo bolo com Deaton na sala e escutando dele a promessa de que estaríamos impecáveis nas entrevistas. Nossa roupa já estava pronta, mas passaríamos por muita coisa antes de sermos exibidos como produtos da Capital. Dormi exausto ao lado de Derek, torcendo para que ele se saísse bem no dia seguinte.

(...)

            De manhã preciso ir para meu quarto e Lydia fica comigo e minha equipe de transformações, Dope e Maxon. A mulher estava um pouco diferente desde última vez em que a vi. A única coisa igual era a palidez de sua pele, que continuava ressaltando a maquiagem rosada que ela usava nas bochechas. Seu cabelo, antes verde-musgo era agora azul claro e alto, como se ela houvesse chegado aqui depois de um grande vendaval. Maxon ainda possuía seu cabelo rosa claro e longo, e sobrancelhas brancas, nada havia mudado.
            Até o fim da tarde eles haviam cuidado de meu cabelo, me maquiado e me dado mais de três banhos. Minhas unhas também receberam o mesmo brilho engraçado da primeira vez e os pontinhos brilhantes ali me hipnotizavam. Como não precisavam me preparar rapidamente para um desfile, puderam fazer tudo com a maior calma enquanto conversavam com Lydia sobre coisas da Capital.
            Quando todos saem do quarto e me mandam esperar por Deaton, me olho mais uma vez no espelho, usando apenas meu roupão e vejo mais uma vez um pouco do que eu seria se morasse nesse lugar. Meu cabelo foi penteado com algum produto que o deixa fixo e bonito. A cor é a mesma, mas Maxon queria pintá-lo e a ideia foi cortada por Lydia. O brilho dourado do iluminador que eu já havia usado está sutil em meu rosto e a mesma cor está em meu delineador. Minha pele está lisa, perfeita. Meus lábios possuem a cor ideal e natural, e minha mãe diria que isso se consegue em pessoas saudáveis. Tenho pontinhos dourados em minhas orelhas, como brincos.
            Deaton entra no cômodo dizendo que já havia passado pelo quarto de Derek e lhe entregado sua roupa. Vejo roupas brancas penduradas em cabides em sua mão direita e sapatos também brancos em sua mão esquerda.

            - Você está radiante! E ficará ainda mais com o que criei para você.

            Reparo que Deaton também carrega uma caixa preta entre seu braço e seu corpo e a coloca ao lado das roupas na cama.

            - Branco? – pergunto passando a mão pelo blazer, calça e camisa lisos. Detalhes dourados existiam em algumas partes.

            - Sim. Precisamos mostrar sua pureza e nada melhor do que branco para isso. Lydia me disse que ser simpático e adorado não será um problema, e mostra-lo assim deixará as pessoas curiosas sobre como conseguiu sua nota 10.

            - Faz sentido. E o que tem aqui?

            Aponto para a caixa e ele pede para que eu a abra. Tiro a tampa coberta por seda e vejo folhas verdes. Primeiro acho que o que ele deseja me mostrar está embaixo das folhas, mas quando toco vejo que estão grudadas como as de minha capa para o Desfile dos Tributos.
            Uma capa também existia ali, mas quando a seguro em minhas mãos, vejo que são apenas para um ombro e olho impressionado para Deaton.

            - É incrível. Ela também...

            - Sim. O fogo aparecerá novamente. Minha colega estilista do distrito 12 usará isso também, claro que de modo diferente. E veja só – Ele mostra a gola e as mangas do blazer que se parecem com papel dobrado. – Quis trazer outra coisa de seu distrito. Pode ter certeza de que que você o representará até mesmo na entrevista.

            Passo a hora seguinte vestindo e ajustando minha roupa. Deaton inventa de prender mais alguns detalhes dourados em minhas roupas. Nunca estive tão confortável em minha vida. A seda da camisa toca minha pele de um modo gentil e ao me ver completo no espelho perco o ar. A capa de folhas verdes não chega a tocar o chão e está presa em meu ombro direito. Deaton quis colocar mais dourado em mim e do bolso de sua calça retirou um brinco pequeno. Um mínimo machado ficava pendurado na correntinha de três centímetros e mexi minha cabeça na frente do espelho para vê-lo balançar. Eu estava incrível e gostaria de me observar por mais tempo, mas tinha que partir.

            - Vamos, vamos, vamos! – Diz Lydia entrando no cômodo e ficando boquiaberta. – Oh, querido. Você está esplêndido. Eu mesma cuidei de Derek, você precisa vê-lo!

            E todos saímos juntos do cômodo. Não estava nervoso durante o tempo que me preparava, mas ao me lembrar que estaria na frente de tantas pessoas da Capital, sinto minhas mãos começaram a tremer.
            Chegando na sala encontro Derek perto do sofá e meu coração derrete. Ele não usa branco, usa preto e do melhor modo. Uma capa branca cai por seu ombro esquerdo e o tecido se parece com papel. Quando o toco sinto o tecido que de algum modo possuía dobraduras que o deixavam parecido com um leque.
            Calça, blazer, camisa e sapatos pretos se contrastaram comigo quando o abracei. Assim como eu ele tinha um perfume incrível e adorei reparar nos pequenos detalhes por ele quando nos afastamos.
            Ele tinha um pequeno broche de um machado dourado no lado esquerdo do blazer. Assim como eu ele usava delineador dourado e um pouco de iluminador também. Seu nariz possui uma argola dourada e suas orelhas também têm pontinhos dourados.

            - Você está lindo – ele diz sorridente. – Poderia olhá-lo para sempre.           

            - Digo o mesmo. Infelizmente precisamos partir e não poderá fazer isso, mas obrigado.

            Ele ri e Lydia nos guia até o elevador. Parrish e Deaton nos acompanham. Toda a minha equipe veste roupas que misturam preto e branco. Deaton nos explica que as cores mostram a diferença entre Derek e eu. A cor branca em mim significaria a pureza e fragilidade da imagem que criei, e a cor preta significaria a força e ameaça que Derek demonstrava.
            Quando a porta do elevador se abre encontramos uma multidão de pessoas que se misturavam entre tributos e pessoas da produção do programa a ser exibido. Lydia diz que um palco foi montado na frente do centro de treinamento e por isso o lugar parecia tão diferente para mim.
            Uma mulher começa a juntar os tributos em uma fila para entrarem um por um no palco e me despeço de minha equipe. Derek faz o mesmo e vejo Parrish sussurrar algo sobre Derek dar seu melhor. A fila de tributos fica atrás de palco e perto de nós fica um amplo telão que exibe o gigantesco cômodo que abriga muita gente da Capital. Nos sentamos na ordem dos distritos e Derek seria entrevistado antes de mim.
            Televisores nos bastidores mostravam uma área onde estavam os estilistas e convidados especiais. Uma ampla varanda do lado direito foi feita para os idealizadores e já vejo Seneca Crane com sua famosa barba. Ao meu lado Derek exibia uma parecida, que havia sido refeita e estava como no dia do Desfile. Existiam câmeras por todos os lados e tenho certeza de que nenhum detalhe daquele dia escaparia das lentes. Tenho certeza de que todas as casas da Capital tinham suas TVs ligadas para assistirem e os distritos também acompanhariam tudo nas praças.
            Caesar Flickerman sobe ao palco com seu sorriso assustadoramente branco e grande. Seu cabelo azul contrasta com o terno vermelho e brilhante. Ele apresenta o programa há muitos anos e já deveria estar velho e caído, mas tenho certeza de que já fez muitas cirurgias para que não aparente isso. Me pergunto se Lydia faz a mesma coisa, pois parece ter minha idade, mas já vai a nosso distrito há alguns anos e nunca mudou.
            O apresentador anima o público com piadas sobre o evento, coisas que eu não acho engraçadas por participar do que matará 23 de nós. Ele dá início então às entrevistas com a garota do distrito 1 e ela exibe seu incrível vestido brilhante quando chega ao palco. Seu tom de voz é irritante e conto os minutos para que ela saia de lá.
            Derek segura minha mão e o show continua. Me lembro de que Deaton havia dito que minha capa poderia ser um assunto que Caesar levantaria, e se ele não fizesse isso, eu mesmo deveria fazer, para que pudesse exibi-la e mostrar uma surpresa.
            Jackson do distrito 1 vai ao palco. Mostra seu ego e seu poder. Ele é ameaçador. Theo e Allison do 2 são a mesma coisa. Isaac do 3 é tímido e vejo que Caesar faz de tudo para que a conversa possa fluir. Aiden do 4 é egocêntrico como o resto dos carreiristas. Não entendo como eles conseguem ficar juntos. Bom... talvez não consigam e finjam.
            Depois que a dupla do 6, com Scott mostrando-se nada amigável, Derek é chamado e em poucos segundos o vejo aparecer no palco. O foco em seu rosto me faz pensar que todo mundo via como ele era incrivelmente lindo em toda Panem. Caesar Flickerman aperta sua mão e Derek se senta na cadeira ao seu lado com um grande sorriso no rosto. Até ali tudo bem...

            - Derek Hale! É uma honra poder entrevistar o tributo com a maior nota dessa edição! Não temos um 12 desde a 70ª edição, e foi justamente para o último vitorioso de seu distrito, Jordan Parrish, não é mesmo?

            Derek concorda com a cabeça e grito mentalmente para ele que falasse ao invés de acenar. Aparentemente funciona.

            - Tenho um ótimo mentor e seguir seus passos me parece uma boa estratégia.

            O público diz “Ooooh” e aplaude. Sinto meu corpo se arrepiar.

            - Então quer dizer que já tem uma estratégia?

            - Não devemos ter uma assim que entramos nos Jogos? – Derek responde com cara de dúvida e então sorri. Uma piscadela é o que o público recebe e gritam.

            - Concordo com você, meu caro. Mas me diga... você não esperava entrar nessa edição. Fez isso por sua irmã. Como é mesmo seu nome?

            - Cora – O nome sai seco e torço para que o resto não seja assim. Falar sobre aquilo não seria fácil. – Me ofereci em seu lugar. Seria sua última chance de participar dos Jogos e não queria que passasse por isso.

            - Interessante... – Caesar olha profundamente para Derek e então cruza as pernas. – Suponho que esteja seguindo o caminho da vitória por sua irmã, mas todos sabemos que existe alguém especial para você na competição. Nos conte sobre isso.

            Derek deixa um pequeno sorriso escapar e respira fundo.

            - Ele é o amor da minha vida.

            O som que o público e Caesar produzem significa que seus corações derreteram.

            - Confesso que estava pronto para me oferecer também em seu lugar, mas já havia feito isso por minha irmã. Acho que a sorte não estava ao nosso favor. Tudo isso termina em alguns dias e não nos casaremos como um dia planejei, mas serei um homem feliz por tê-lo amado.

            Mais uma vez o público se derrete e eu respiro fundo nos bastidores enquanto minhas mãos estão fechadas com força. Meu coração bate tão rápido que preciso começar a contar de um a dez para me acalmar. Não posso chorar agora e chegar cheio de lágrimas ao palco. Olho para cadeiras ao meu lado direito, cheias com tributos dos outros distritos e vejo Liam tocar seu peito com a mão direita, sério. Ele também sabe que devo ficar inteiro.
            Então, sem derramar nenhuma lágrima, escuto Caesar dizer que sente muito pela situação enquanto deseja boa sorte para Derek. O resto do assunto é sobre o Desfile dos Tributos, sobre como Derek parece um competidor forte e bem pouco sobre nosso distrito.
            Derek sai do palco com muitas palmas e não o encontro pois foi para outro lugar. Em poucos segundos uma mulher segura meu braço, me tira da cadeira e me arrasta para o lado do palco. Vejo Caesar Flickerman falar sobre amor em outras edições dos Jogos e então o escuto me apresentar.

            - Aqui fora o conhecemos como o doce garoto do distrito 7, mas aposto que estão curiosos para conhecer mais sobre o outro lado de nosso drama amoroso. Com vocês... Stiles Stilinski!

            Ando em sua direção e as palmas chegam até mim no mesmo segundo. Aperto sua mão estendida e olho de seu sorriso extremamente branco até o povo em todas aquelas cadeiras, pessoas com todos os tipos coloridos de roupa. Era como encarar um arco-íris.

            - Já vimos uma capa como essa! – Caesar diz apontando sorridente para o que está preso em meu ombro direito. – E na última vez algo interessante aconteceu. Teríamos o prazer de ver a mesma coisa hoje?

            - Mas é claro que sim!

            O ânimo em minha voz está no máximo e segurando um canto da capa, giro algumas vezes no mesmo lugar, dando ao público a chance de ver a capa se desfazer em chamas, lançando as folhas no ar até que sumam e o que reste seja apenas uma capa preta com a aparência de madeira que meu traje no Desfile teve.
            Até mesmo eu fico boquiaberto, e um pouco tonto, ao lado de Caesar que aplaude com o povo.

            - Devemos agradecer a Deaton por esse grande espetáculo? – Caesar diz e confirmo com a cabeça. Deaton se levanta em seu lugar ao longe e se curva rapidamente como agradecimento pelas palmas. – Chegando aos Jogos de um modo espetacular. Mas sinto muito, Deaton, o assunto de hoje é Stiles.

            Todos dão risada e me sento na cadeira em que Derek esteve há poucos minutos, ainda não acreditando no que havia acontecido.

            - Vejo que seu distrito foi bem representado em suas roupas. Veste isso com orgulho, Stiles.

            - Com toda a certeza, Caesar. Apesar do medo de morrer queimado na primeira vez – E todos riem mais uma vez – fico feliz que pude ser uma boa parte do que o Distrito 7 é.

            - E falando sobre seu distrito, nos conte sobre seu pai. Sabemos que ele é sua única família por lá. – Seu tom fica sério. Eles sabem de tudo, nem mesmo fico surpreso. – Como se sente deixando-o para trás?

            - Realmente não é algo bom deixar alguém que você ama para trás. Claro que ter outra pessoa que você ama ao seu lado nos Jogos é pior ainda, mas falamos sobre isso logo – A multidão murmura e Caesar concorda tristemente com a cabeça. – Meu pai é muito importante para mim e o amo ainda mais depois do acidente que o feriu e levou minha mãe embora. Mas ele não é a única pessoa de minha família. Derek, seu tio e sua irmã também fazem parte disso e os amo muito.

            A multidão gosta disso. O que falei foi verdade e é estranho ver como isso se encaixa no plano de conquistar a todos.

            - O que falou sobre estar com outra pessoa que ama nos Jogos é verdade, Stiles. Isso deve ser muito difícil. Acabamos de conversar com Derek e o amor dele por você é óbvio. Acho que todos aqui apreciam o amor de vocês e espero que as coisas se desenrolem bem durante os Jogos.

            Ah claro, um de nós terá que morrer, Caesar. Isso é como as coisas irão se desenrolar. Um pouco de raiva aparece em mim agora, mas a bloqueio com um sorriso pequeno e um aceno triste como o dele. Essa situação é tão ruim que nem mesmo o apresentador tem como sair do assunto de um jeito bom.

            - Se pudesse descrever Derek com outra palavra além de amor... qual seria?

            - Felicidade. Pois isso é uma coisa que ele sempre me traz. Na verdade, ele chegou como alegria quando eu passava por momentos difíceis e serei eternamente grato por isso. Desejava ter isso para sempre, mas sabemos o que acontecerá.

            Meu sorriso desanimador e carente combina com o som de sofrimento que Capital produz. O assunto muda de uma hora para a outra, assim como nas entrevistas anteriores.

            - Vamos falar agora sobre sua nota! – Ele diz com um grande sorriso e o clima no lugar muda novamente para animação. Coloco o sorriso mais falso que consigo em meu rosto. – Um dez é uma nota ótima e suponho que tenha ficado feliz pela sua e pela de Derek.

            - Com toda a certeza. Não esperava menos que 12 para Derek. Se houvesse uma nota 13 ele a tiraria – Todos comemoram e dou risada. Uma mulher na plateia acena para mim e faço o mesmo para ela antes de encarar Caesar mais uma vez. – E meu dez é foi algo ótimo. Muitas pessoas costumam me subestimar, Caesar. Mas acho que não deveriam fazer isso.

            - Ooooh! Isso foi uma ameaça aos outros tributos? – Recebo uma piscadela e balanço a cabeça negativamente, fingindo estar constrangido com a pergunta.

            - De modo algum. Somos bons em coisas diferentes e se consegui essa nota foi porque mereci. Não tenho permissão para falar sobre isso – Digo olhando para os Idealizadores acima. Seneca sorri. – Mas garanto que dei meu melhor para conseguir o dez.

            - Tenho certeza que sim, meu jovem. Uma nota alta e uma aparência inocente. Adoro isso.  – Caesar segura minha mão e se levanta comigo enquanto observa o público. – Senhoras e senhores, esse foi nosso apaixonante e misterioso Stiles Stilinski do distrito sete!

            Ele ergue minha mão e recebo a comemoração do público. Segundos depois sigo para o outro lado do palco e escuto as palmas por um bom tempo até encontrar minha equipe e Derek. Todos me abraçam e a sensação de que aquela grande mentira foi algo bom para os Jogos chega até mim, mas nem mesmo um beijo de Derek me ajuda a mandar embora o medo que chegou em meu coração mais uma vez e me faz perceber que o evento que mudará nosso destino está mais próximo do que nunca.

(...)

            Jantamos depois de voltarmos para nosso andar. Minha capa e a de Derek foram levadas embora por alguma Avox assim que entramos e Deaton tirou nossos brincos e acessórios. Continuávamos apenas vestidos e maquiados enquanto conversávamos com nossa equipe. Entramos em um pequeno impasse quando Derek mais uma vez disse que não queria que eu fosse para a Cornucópia no início dos Jogos. Eu já havia dito que estava preparado para aquilo e seria melhor ainda se pudesse lutar ao seu lado. Até mesmo Parrish acreditava que isso seria melhor e depois de um tempo Derek decidiu se calar. Eu tentaria conseguir algo por lá. Precisava dar uma chance para minhas habilidades e tenho certeza de que tributos não experientes correriam da Cornucópia.
            Já vimos em edições antigas que algumas pessoas tentam mostrar coragem correndo até a Cornucópia para conseguirem alguma arma, mas o resultado não costumava ser bom. Mas as coisas apontam para um bom começo de Jogos para nós. Bom... um começo “justo”, já que também existem tributos com notas boas. Também temos um aliado, Liam, que poderá se juntar a nós. Nossas vantagens são maiores do que as de muitos.
            Depois do jantar vamos até a sala para assistir a reprise das entrevistas. Vejo Derek mais uma vez sendo gentil e superando nossas expectativas. Me controlo para não chorar mais uma vez com o que ele disse e então me vejo na tela. Todos na sala dizem como fui bem, mas ainda acho que poderia ser ainda mais agradável e falso. A necessidade de ser amado pelo povo la fora é grande. Isso poderia me ajudar demais no Jogo.
            O hino de Panem toca anunciando o fim do programa depois de alguns minutos e a TV é desligada. Lydia diz que seria melhor dormimos, mas Parrish diz que poderíamos ficar acordados por alguns minutos, pois não nos veríamos pela manhã e precisávamos dormir separados hoje. Acordaríamos cedo para ir até a Arena, mas os Jogos só começariam mesmo às dez horas.
            Vou até a varanda com Derek e vejo a cidade comemorando mais uma vez. Vejo os fogos de artifício coloridos explodindo enquanto Derek me abraça. O vento gelado me faz pensar em como seria a Arena. Não desejo que ela seja coberta de gelo como em uma edição em que muitos tributos morreram por causa do frio. Também não quero que ela seja um deserto cheio de cobras e com um calor capaz de fritar um ovo. Espero por um lugar com árvores, parecido com o lugar de onde vim. Me sentiria mais conectado ao que sou.
            Choro um pouco com Derek, mas não como já havíamos feito antes. São lágrimas perdidas que correm por nosso rosto enquanto estamos abraçados. Ele diz que me ama e eu respondo o mesmo. O que poderíamos fazer além disso? Não há nada a se falar. O amanhã chegaria e não teríamos como escapar dele.

            - Promete que lutará por sua vida? – Ele pergunta em um sussurro.

            - Sim, se fizer o mesmo pela sua.

            - Farei pelas nossas. Trabalharei em dobro para garantir que você seja o vitorioso.

            Tenho a impressão de que somos apenas um naquele instante. Nossos corações se juntaram e as batidas são como os fogos que explodem no céu, mas sem cor alguma.

            - Se eu morrer...

            - Não diga isso – Ele fala sério, porém baixo. – Você não irá morrer.

            - Você não sabe o que pode ou não acontecer, Derek. E precisa aceitar isso agora. Se eu morrer, precisa ganhar isso. Precisa voltar para nosso distrito e ajudar sua família. Diga também para meu pai que o amarei para sempre.

            Silenciosamente ele concorda com a cabeça e eu o beijo. Passamos mais alguns minutos juntos, então nos separamos indo para nossos quartos. No caminho falamos com Lydia e Parrish que estavam na sala. Ela nos abraçou com lágrimas nos olhos e disse que fomos os melhores tributos que ela teve nos anos que representou nosso distrito. Parrish também nos abraçou, mas sem nenhuma lágrima. Com um grande sorriso ele nos desejou boa sorte e pude ver que acreditava mesmo nisso.
            Sozinho em minha cama e depois de um banho quente, demorei para dormir. Enquanto o sono não chegava eu pensei em todos os jeitos em que eu poderia matar alguém amanhã, e claro, junto disso vieram todos os jeitos diferentes que eu poderia morrer. Eu acabaria com a vida de alguém usando uma faca ou alguma me faria sangrar e morrer naquela Arena? Eu saberia disso amanhã. Quando o sono chega eu me sinto agradecido por ser envolto por ele, me livrando do que existia em minha cabeça.

(...)

            Como esperado, não encontro Derek de manhã. Sou despertado por Deaton antes mesmo do Sol sair para iluminar meu quarto. Vestindo camiseta, calça e sapatos confortáveis eu o acompanho até o telhado do Centro de Treinamento. O lugar está vazio e não me aproximo e me aproximo da grade que protege tudo para ter outra visão incrível da Capital.
            Um aerodeslizador aparece rapidamente com suas muitas luzes e uma escada desliza de seu interior até nossa direção. Subo nos degraus e sinto que fui congelado por não conseguir me mover enquanto a escada sobe. Alguma corrente elétrica parece me prender aqui. Dentro vejo uma mulher de casaco branco se aproximar de mim, muito séria, e vejo que em sua mão direita existe uma seringa.

            - Aqui está seu rastreador. Fique parado e farei isso muito rápido, nem mesmo irá doer.

            Não consigo ficar mais parado do que já estou, pois ainda estou congelado e segurando a escada. E ela mentiu. Eu senti dor ao ter o rastreador colocado em meu antebraço direito. Sinto que na mesma hora alguém deve ter confirmado minha localização. Estou mesmo nas mãos da Capital.
            A escada me libera e então desce para buscar Deaton. Somos guiados até uma grande sala com uma gigante mesa cheia de comida. Estou nervoso, mas como o máximo que consigo. Não o suficiente para me deixar enjoado, mas o suficiente para que eu fique mais que satisfeito.
            A viagem dura quase duas horas e só olhei pela janela por poucos minutos no meio da viagem. O resto passei sentado em uma poltrona confortável e encarando o chão. Deaton falou pouco comigo e tirei a dúvida de quem estaria com Derek agora. Ele disse que alguém da Capital o acompanharia, e fez questão de que Deaton viesse comigo, pois não tínhamos dois estilistas como os outros distritos.
            O aerodeslizador aterrissa e Deaton e eu voltamos para a escada. Ela nos leva até um túnel muito inclinado para baixo. Ele com certeza nos levaria para o Curral. Esse é o nome que os distritos deram para as Salas de Lançamento, dizendo que era a mesma coisa que levar um animal para o lugar onde ele seria mantido antes de ser abatido.
            Pacificadores nos levam por corredores brancos e tenho certeza de que já estamos sob a Arena. Quando chego em minha Sala de Lançamento tomo um banho e recebo a roupa que usarei nos Jogos. Deaton me ajuda a me trocar e avalio cada coisa enquanto visto. A calça é marrom e simples, a camiseta é verde-musgo, o cinto é grosso e a jaqueta preta com capuz fica pouco abaixo de minha cintura. As botas de couro preto que visto por cima de meias grossas são ótimas. Deaton diz que são ótimas para correr e sei que precisarei fazer isso

            - Tenho algo para você – Ele diz e tira algo de seu bolso. Quando estende a mão vejo que é um pequeno broche de machado dourado. – Derek pediu que eu lhe entregasse isso para usar na Arena. Foi o que ele usou na entrevista.

            Oh, Derek... Não sei o que acontecerá lá em cima, mas algo dele já tenho para me acompanhar.

            - Obrigado por trazer...

            - Não foi nada, querido. Precisei mostrar para algumas pessoas que não era nada perigoso e sim um símbolo de seu distrito. Sabe como é, não podem entrar armados na Arena.

            Ele prende o broche na parte interior esquerda da jaqueta e arruma a gola de minha jaqueta. Deaton pede para que eu teste o traje, então pulo, corro, ando e movo os braços com ele. É confortável.
            Mais uma vez não converso muito com Deaton enquanto o tempo passa. Me sinto bem tendo ele ao meu lado e isso é o bastante para que eu não surte naquela sala. Bebo água, mas não como nada enquanto espero. Me lembro de algumas prioridades que Parrish me deu quando jantávamos nas noites passadas. Água e comida era mais importante do que caçar tributos. Eles poderiam chegar até mim ou eu poderia chegar até eles, mas a mesma coisa não funcionava para água e comida. Eu tinha que procurar por isso e dar um jeito de conseguir me manter forte durante os dias. Repasso dicas e me lembro de edições passadas mais uma vez. Pisco repetitivamente e nada disso vai embora. Precisa acontecer.
            Uma voz feminina soa na sala, dizendo que o lançamento seria realizado e eu precisava me preparar. Ando até um círculo metálico no chão da sala e abraço Deaton.

            - Vocês são incríveis – ele sussurra segurando minhas mãos que tremem muito quando nos afastamos. – Espero mesmo que a sorte esteja a favor de vocês. Me deixe orgulhoso, certo?

            - Obrigado – Digo concordando com a cabeça. – Não me esquecerei do que fez conosco nos últimos dias.

            Deaton me dá um pequeno sorriso e solta minhas mãos quando um cilindro de vidro começa a descer em minha volta. Fecho as mãos com força e sinto as unhas nas palmas. Agora tenho punhos que tremem, e respirando fundo tento fazer isso se acalmar.
            O cilindro começa a subir e vejo Deaton desaparecer sob mim. Sou tomado por escuridão e continuo respirando. Cerca de quinze segundos depois o círculo de metal sai do cilindro e sei que estou ao ar livre. Não enxergo nada imediatamente e pisco várias vezes para me acostumar com a luz do sol. O vento sopra forte e sinto o cheiro da natureza do distrito 7.
            Quando tudo começa a entrar em foco escuto a voz do famoso locutor, Claudius Templesmith, se espalhar ao meu redor.

            - Senhoras e senhores, está aberta a septuagésima quarta edição dos Jogos Vorazes!


Notas Finais


Gostaram? Me digam ♡
Até o próximo capítulo!
XOXO


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