História Johnny b. goode - Capítulo 8


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Categorias EXO
Personagens Chanyeol, Sehun
Tags 90s, Anos 90, Broderagem, Brotheragem, Chanhun, Chanhun!flex, Retrô, Slight!baeksoo
Visualizações 2.038
Palavras 7.135
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa tarde! Finalmente atualização, hein? Era para esse capítulo ser completamente diferente, mas como sempre a Jonnie não sabe se controlar e exagerou nas palavras e agora o que era para acontecer no final do capítulo, fica para o próximo. Espero que gostem mesmo assim!

As músicas do capítulo já estão na playlist, link nas notas finais.

Betado por @kmyeonx. ♡

Capítulo 8 - Future boy


 

FUTURE BOY

Oh please say to me

You'll let me be your man

And please say to me

You'll let me hold your hand


Chanyeol pensou duas vezes antes sair de casa naquela noite. Tinha acabado de comer e sentia o estômago doer, mas mesmo que houvesse exagerado na janta, sabia que aquilo era o resultado de um nervosismo que revirava o corpo inteiro.

Não estava acostumado a brigar com o melhor amigo. Era estranho passar mais de dois dias sem trocar uma única palavra com ele, apesar de tal situação estar se tornando cada vez mais corriqueira desde que aquela amizade passara a envolver alguns benefícios. Vez ou outra rolava uma discussão entre os dois e era um mais orgulhoso do que o outro para chegarem em um entendimento.

Se Chanyeol soubesse que seria tão difícil… Bem, teria feito tudo igual. Não se arrependia de nada e sentia que não seria capaz de viver em um mundo onde não pudesse beijar o melhor amigo, ou segurar na mão dele. Porra, não existia sensação melhor do que entrelaçar os dedos aos de Sehun. Nunca pensou que aquele gesto seria tão importante, até descobrir o quão íntimo ele poderia ser.

Nos últimos dias, observou Sehun de longe. Na escola e, principalmente, durante as aulas. Pareciam dois estranhos ignorando a presença um do outro. O que se tornava engraçado de certa forma, pois sentavam lado a lado na sala de aula. A verdade é que pareciam duas crianças birrentas e orgulhosas demais para tomarem vergonha na cara e fazerem as pazes.

Diversas vezes, Chanyeol sentiu-se muito tentado em cutucar o melhor amigo e dizer alguma coisa, puxar assunto sobre algum filme ou até mesmo puxar o caderno do Oh e escrever um “me desculpa, porra” bem nas fuças do Pikachu que enfeitava as folhas. Porque, sim, sabia que grande parte da culpa era sua. Talvez toda parte da culpa fosse sua, na verdade. Não tinha direito nenhum de obrigar que Sehun fosse seu par no baile. Sempre haviam ido juntos porque o amigo nunca teve uma garota para acompanhá-lo, e, agora que tinha, Chanyeol estava sendo egoísta em querer que Sehun o escolhesse.

Mas, porra, como queria que Sehun o escolhesse…Entretanto, não era justo. Mesmo que doesse para caramba.

A decisão não era sua. Se Sehun quisesse ir no baile com aquela garota fã de Rambo, tudo bem. Se ele quisesse aproveitar a chance e beijar uma garota pela segunda vez, só mandar bala. Não existia um motivo para desperdiçar aquela oportunidade que todo adolescente ansiosamente aguardava. Se ele tivesse sorte, até poderia perder a virgindade. Chanyeol não ficava nada feliz com aquela ideia, para ser sincero. O estômago revirava em ciúmes e ele sentia-se traído de um jeito absurdo, como se fosse um direito seu estar presente naquela parte tão importante na vida de um garoto. Na verdade, queria estar presente em todas as partes da vida do amigo, sejam elas importantes ou não.

Inconformado, levou a madrugada inteira pensando em como poderia consertar aquela situação de merda. Sabia que Sehun estava magoado. Justamente por estar no posto de melhor amigo, deveria estar ao lado dele naquelas horas. Precisava colocar na cabeça que, cacete, não eram namorados ou algo do tipo.

Embora aquele fosse seu maior desejo no universo inteirinho. Superava até o sonho de ter a porra de um DeLorean.

Era um pouco difícil organizar os pensamentos, mas Chanyeol conseguiu chegar em uma solução que o deixou bem orgulhoso de si mesmo. Até matou aula para que conseguisse preparar tudo – e ficou bem chateado quando Sehun nem ao menos demonstrou preocupar-se com sua ausência na escola.

Eram exatamente nove horas da noite quando o Park esgueirou-se pelo quintal da casa do melhor amigo. As luzes estavam ligadas, o que significava que todos na casa estavam acordados. Aquilo o deixou um tantinho mais nervoso. Respirando fundo, caminhou até que estivesse bem debaixo da janela do quarto do amigo e jogou a franja cor-de-rosa para trás, para que a bandana em sua testa ficasse visível. Sentia-se um pouco ridículo, mas estava pronto. Mais ou menos.

Tirou o violão das costas e pendurou-o nos ombros pela alça. Olhou para a janela aberta do quarto logo acima e sorriu de um jeito ansioso. O coração já estava acelerado porque sabia que estava perto de cometer uma loucura. De qualquer forma, Chanyeol nunca foi o mais normal dos garotos.

Desafiando o silêncio da noite, tocou as primeiras notas de “I Want To Hold Your Hand”. Havia passado a tarde inteirinha trabalhando naquele arranjo que adaptara de uma música dos Beatles. Chanyeol odiava os caras, mas sabia que era a banda favorita do melhor amigo. Tomou a liberdade de transformar o ritmo da música em algo lento e quase romântico. Pensar que estava fazendo a porra de uma serenata o fazia sorrir como um bobo.

– “I will tell you something… ” – Começou a cantar a letra quase que timidamente, aumentando o tom ao passo em que ganhava confiança a cada nota que tocava no violão. – “I think you will understand. When I say that something…” – O coração bateu forte no peito quando viu uma movimentação na janela. Chanyeol quase perdeu o fôlego quando Sehun espiou para a rua, em sua direção. – “I wanna hold your hand!”

Viu o exato momento em que o amigo arregalou os olhos e o rosto tornou-se vermelho quase que instantaneamente. Chanyeol abriu um sorriso enorme no rosto, entoando o refrão em plenos pulmões. Foda-se os pais do amigo e dane-se a vizinhança. Nada mais importava além dos olhos tímidos que fitavam os seus em uma surpresa incrédula. Naquele exato instante, sentiu vontade de largar o violão no chão e escalar até a janela para que pudesse roubar um beijo de Sehun. Ele estava mais bonito do que o normal daquele jeito… Parecia uma bagunça completamente única.

– Que merda você tá fazendo, idiota? – Ele gritou lá de cima e Chanyeol teve que desviar do tênis que foi arremessado em sua direção.

– “And when I touch you, I feel happy inside” – Sem se abalar, continuou a cantar naquele inglês enrolado, mas com todo o coração. Esperava que Sehun ouvisse todas as entrelinhas em seu timbre. Mais do que nunca, doava tudo que havia dentro de si para aquela canção. – “It's such a feeling that, my love…

– Chanyeol, seu puto, eu vou te matar!

– “I can’t hide!” – Desviou do outro tênis, gargalhando da expressão puta e envergonhada do garoto. Cacete, Sehun era mais fofo do que qualquer ser humano tinha o direito de ser.

Em um movimento brusco, o Oh fechou a janela. Chanyeol pensou ter ouvido ele conversar com alguém, talvez a mãe. Continuou tocando a música no violão, mas a voz agora mal podia ser ouvida ao passo que morria na garganta. Não estava nos planos fazer Sehun receber uma bronca dos pais. Parando para pensar, não havia calculado todos os possíveis erros e reviravoltas. Preocupado, parou a música no mesmo instante em que Sehun abriu a janela outra vez, quase iluminando a rua como a porra de um holofote por causa da vermelhidão que tomava as bochechas.

– Vem, entra.

O convite fez Chanyeol sorrir do jeito mais bobo possível. Pendurou o violão nas costas e escalou até a janela do amigo com a habilidade de quem já estava acostumado a fazer aquilo. Sehun deu espaço para que pudesse entrar e, dessa vez, teve todo o cuidado do mundo para não bater o instrumento enquanto pulava para dentro do quarto. O amigo estava parado em pé no meio do cômodo, com os braços cruzados na altura do peito em um claro sinal de que estava na defensiva. Houve um curto silêncio entre os dois e Chanyeol não fazia ideia no que Sehun estava pensando, encarando-o com aquele olhar fodidamente intenso.

– Não acredito que você deixou meus tênis lá embaixo.

Tinha acabado de fazer a merda de uma serenata digna daqueles filmes de adolescente e, de todas as coisas que Sehun poderia dizer, lembrou logo dos tênis? Porra.

– Você que jogou eles em mim! – Rebateu, assumindo a mesma pose defensiva do amigo.

– Quem mandou aparecer gritando na minha janela no meio da noite? Cê tá maluco, cara? – Chanyeol desviou o olhar, sabendo que quem estava ficando vermelho naquele momento era ele. Ok, talvez o plano não tivesse sido tão bom assim. Caralho, na sua cabeça parecia incrível e infalível. Aparentemente, tinha o dom de pisar na bola. – E por que você tá vestido de Rambo?

De fato, Chanyeol parecia um idiota usando aquelas roupas. Além da clássica faixa vermelha na cabeça, estava vestindo a porra de uma regata em pleno início de inverno e até tinha uma metralhadora de brinquedo pendurada na calça. Também tinha feito dois riscos com tinta preta nas bochechas, mas não tinha certeza se o Rambo fazia aquilo no filme. Ao menos havia se esforçado. E Sehun estava tentando com todas as suas forças não olhar para os braços expostos do Park.

– Eu… queria pedir desculpas… Sabe, por ter sido um babaca. – Coçou a nuca, desajeitado e sem coragem de olhar para o melhor amigo. Meio que achava que tudo se resolveria depois da serenata. Achou que Sehun riria da situação e então tudo estaria certo. Nem havia preparado um pedido de desculpas formal.

– E achou que o melhor jeito pra fazer isso, era um showzinho vestido de Rambo?

Chanyeol estava todo sem jeito para que conseguisse olhar para o amigo. Mas se tivesse tomado coragem para dar uma espiada, teria visto que o garoto sorria.

– É sua banda favorita e seu filme favorito. – Respondeu, dando de ombros.

– Achei que você odiasse os Beatles.

– Sacrifícios são necessários em nome do amor. – Brincou, rindo daquele jeitinho zombeteiro. Finalmente olhou para Sehun, deparando-se com a expressão quase chocada do garoto, que parecia mais desconfortável do que nunca. Só então percebeu o peso de suas palavras – Digo, eu só… só achei que cê ia gostar.

Sehun olhou para os próprios pés. Trazia um coração pesado no peito, batendo tão forte que quase o ensurdecia.

– Eu gostei, porra. Bastante. – Sehun tentou sorrir, mas estava nervoso demais. A quem queria enganar? Gostava mais do que deveria de ouvir o melhor amigo cantar. Escutava quase sempre a mixtape que ganhara apenas para que pudesse ouvir aquela voz esquentando seu peito de um jeito gostoso. Às vezes, sentia um frio na barriga sempre que lembrava de Chanyeol cantando "Wonderwall" baixinho, quase sussurrando. Escondeu as mãos dentro do moletom, desejando que pudesse esconder as coisas esquisitas que sentia da mesma forma. – Só não queria que toda a vizinhança ouvisse.

– Dá próxima vez, eu canto só pra você ouvir.

O pobre garoto Oh queria mentir e dizer que levou aquelas palavras na brincadeira, como deveria ter sido. Todavia, sentiu o estômago revirar em uma ansiedade gostosinha ao pensar nessa “próxima vez”. Caramba, era um idiota. Meio que passara os últimos dias sentindo-se tão confuso que tudo o que queria era hibernar durante um bom tempo e acordar com todos os problemas resolvidos.

Todas as vezes que tentava ocupar-se com outras coisas ou até dormir, simplesmente não conseguia parar de pensar em como Chanyeol evidentemente estava com ciúmes da garota da carta e, porra, aquilo havia o afetado de um jeito que nunca pensou ser possível. Era estranha a sensação de inquietação e insônia, pois tudo o que conseguia lembrar quando fechava os olhos... Era do merda do melhor amigo com aquele maldito sorriso que provocava borboletas no seu estômago. Era ridículo.

– Tá tudo bem entre a gente, então? – Chanyeol perguntou quando Sehun ficou tanto tempo em silêncio, que já estava ficando esquisito.

– É, acho que sim... O que aconteceu foi um pouco idiota. Você foi um puta de um idiota, na verdade.

– Sim… Foi culpa minha. Olha, tá tudo bem se você quiser ir no baile com essa garota. Eu vou entender, não tem porque cê ir com o melhor amigo e parecer um fracassado quando tem uma gata afim de você. Quem sabe você ganha na loteria e até perde o cabaço. – Riu de um jeitinho esquisito. – Fica tudo certo entre a gente e eras isso. Sem pressão.

Sehun olhava para o amigo, achando graça de como ele tropeçava em cada palavra. Sabia que ele estava nervoso e havia certo desespero na maneira em que ele falava, mexendo as mãos de um jeito quase estabanado. Sem perceber, acabou rindo baixinho porque já estava imaginando a reação dele quando ouvisse o que estava prestes a dizer.

– Eu não quero ir com ela. – Deu de ombros e lá estava Chanyeol encarando-o em uma espécie de surpresa bonitinha. – Eu sei que posso tá sendo muito idiota por recusar o convite de uma garota desse jeito, mas… Se você rir, eu te dou um soco. Eu… eu meio que fico aterrorizado só de pensar na possibilidade dela querer um beijo.

Não esperou pela reação do melhor amigo e virou de costas, caminhando até o guarda-roupa. A verdade é que até ele achava estranho sentir-se tão mal quando pensava naquele possível beijo. Sentia-se ansioso, mas não do jeito bom. Era quase desesperador. Porra, era um adolescente que deveria agradecer por existir a possibilidade de beijar uma boca que não fosse a do merda do Park. Embora houvesse a certeza tímida de que nunca encontraria um beijo tão gostoso quanto o de Chanyeol. Não gostava de pensar sobre aquilo.

– Sabe, você pode perder esse medo se praticar mais comigo. – O Park brincou, como sempre fazia quando estava nervoso demais. Mas o que sentia era um alívio enorme porque estava explodindo de ciúmes daquela garota. Só esperava que não fosse tão óbvio. – Então... Você tá sem par pro baile, boneca?

Sehun riu baixinho, tentando evitar parecer esquisito demais quando finalmente achou o que procurava dentro do guarda-roupa.

– Sim. – Virou-se para Chanyeol e pressionou os lábios para conter aquele maldito sorriso ansioso. Coincidentemente, Sehun também planejara tudo na noite passada e até havia matado aula para colocar o plano em prática. Era aquele ditado… Um rabo de saia não é mais importante que um amigo, certo? – Park Chanyeol, você aceita ir ao baile comigo?

Estendeu os braços na direção do outro garoto e segurava nas mãos um par de gravatas azuis com uma estampa ridícula de abacaxi. Chanyeol abriu o sorriso mais lindo na porra do universo, desconcertando-o quando os olhares se encontraram. Sehun não conseguiu definir o que Chanyeol queria dizer com aquela maneira singular de olhar, mas a verdade é que o Park estava se segurando muito para não chorar feito um fracassado, naquele exato momento. Era só um idiota apaixonado, porra.

– Foi a roupa de Rambo, né? Ficou gamadinho em mim, admite.

– Não estraga, cara.

Chanyeol gargalhou. A risada foi tão pura e espontânea que fez o coração do Oh bater mais forte. Teria um enfarte ali mesmo e seria tudo culpa do Park com aquele jeito maldito de rir. Ele aproximou-se e tirou uma das gravatas de sua mão, olhando-a como se fosse a coisa mais inestimável do mundo. Então, passou os braços sobre seus ombros e puxou-o para um abraço.

– Essa merda de baile só tem graça se for com você. – Chanyeol sussurrou e beijou-o no canto da boca, de um jeitinho demorado.

Sehun quis beijar o melhor amigo. Um beijo de verdade. Mas acreditou que haveriam muitos significados se fizesse tal coisa e pareceu muito arriscado, como se estivessem prestes a ter um momento mais intenso do que o permitido, algo que mudaria muitas coisas entre eles. Acabou por apoiar o rosto nos ombros do Park, arrepiando-se quando a mão dele embrenhou-se nos fios de sua nuca. De um jeito estranhamente involuntário, os dedos entrelaçaram-se. Estavam de mãos dadas e aquilo era íntimo de um jeito gostoso, comprovando cada entrelinha da música que Chanyeol cantara para a noite, debaixo de sua janela.

– Espero que cê tenha gostado muito dessa fantasia, cara.

– Por quê?

– Porque é essa que você vai usar na festa.
 

Sehun sempre soube que aquela festa não era uma boa ideia. Sentiu um comichão no fundinho do cérebro no momento em que Kyungsoo fez o pedido e sabia que deveria ter negado quando teve a merda da chance. Talvez devesse confiar mais em seus instintos, já que assim teria evitado a sucessão de erros que aconteceriam naquela noite.

O combinado era encontrarem Kyungsoo no fliperama, e de lá iriam para o outro lado da cidade, onde ocorreria a festa. Na verdade, o lugar era muito mais perto da casa deles do que do fliperama, mas nem se esforçaram para fazer o Do mudar de ideia. Sehun sentiu-se uma criança outra vez, andando de bicicleta enquanto estava vestido de Rambo. Era quase engraçado, se não estivesse um frio do caralho e ele só vestisse uma regata. O tempo estava nublado e ventava, para piorar. Mas Chanyeol poderia ter escolhido uma fantasia pior, então Sehun nem reclamou – muito.

Chanyeol pedalava ao seu lado, atrapalhando-se todo com o manto de sua própria fantasia que já havia se enroscado duas vezes nos pés. Ele estava fantasiado do assassino daquele filme de terror que havia sido lançado no início do ano, “Pânico”. Sehun reclamou que a fantasia era bem sem graça e tinha certeza que metade da festa usaria aquela mesma roupa, mas Chanyeol alegou que foi o que o restante da mesada dele permitiu comprar e era perfeito porque poderia esconder o rosto. Como se ele estivesse cometendo um crime por ir em uma festa gótica.

Nenhum dos dois estava empolgado quando chegaram no fliperama. Tiveram que esperar quase uma hora para acabar o turno do Kyungsoo, mas ao menos jogaram Metal Slug de graça durante todo o tempo que tiveram que esperar.

– Que merda de fantasia é essa? – Chanyeol perguntou quando o Do saiu da sala dos funcionários, já vestido para a festa.

– Harry Potter. – Kyungsoo franziu as sobrancelhas, como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo e ele estivesse levemente ofendido pelos garotos não terem o reconhecido. Porra, vestia um cachecol amarelo e vermelho, uma capa preta e óculos redondos. Além da famigerada cicatriz em formato de raio. “Harry Potter e a Pedra Filosofal” era um lançamento muito famoso naquele ano, mas Sehun não costumava ler livros. Muito menos Chanyeol, que se sentia insultado pelas letras embaralhadas.

Os dois garotos deram de ombros e seguiram Kyungsoo até o estacionamento, onde descobriram que ele era dono de um Fusca preto. Chanyeol ficou um tantinho cabisbaixo ao perceber que era o único que não sabia dirigir no trio. Espremeram-se dentro do carro e seguiram estrada para o outro lado da cidadezinha. Durante o caminho, ouviram Tones on Tail, para a infelicidade do Park que insistiu muitas vezes que trocassem para uma rádio punk. No fim, aceitou aquilo quase como uma preparação espiritual para o que teria que enfrentar no restante da noite.

– Afinal… Por que você não foi com o Byun? – Chanyeol perguntou quando já estavam perto de chegar. Ele era do tipo que não conseguia ficar muito tempo quieto, ao contrário de Sehun que estava o caminho todo sem dar um pio.

Kyungsoo ficou alguns segundos em silêncio antes de responder. Chanyeol estava começando a acreditar que o cara curtia fazer um mistério antes de falar.

– Não estamos mais juntos.

– Tá brincando! – O Park exclamou de uma forma exagerada, como se o mundo fosse chegar ao fim com aquela notícia. Sehun olhou-o de um jeito repreensivo, cutucando-o com a metralhadora de plástico. – Digo, ainda bem. Não sei como você aturava um cara tão merda.

– É complicado. – Kyungsoo parecia focado demais na estrada para demonstrar qualquer expressão que fosse. Não parecia ofendido, entretanto. Havia um quê de sarcasmo no jeito que ele falava. – Baekhyun tem os problemas dele, mas não é tão ruim assim.

Chanyeol soltou uma risadinha cheia de duplo sentido, o que arrancou um sorriso quase imperceptível do carinha das fichas. Do banco de trás – e apenas no campo de visão do amigo – Sehun encenou alguém levando um soco e o Park parou de rir no mesmo instante.

Já era noite quando chegaram na festa. Era em uma casa enorme de alguém certamente rico para caramba e tanto Chanyeol quanto Sehun ficaram muito aliviados porque tinham apostado que a festa seria em um cemitério. Os garotos ajeitaram as fantasias e claro que o Park colocou a máscara como se fosse muito importante manter sua identidade. Sehun fez uma careta para a máscara esquisita enquanto arrumava a bandana vermelha na testa.

– Espera! – Chanyeol gritou antes que chegassem até a entrada da casa. Ele voltou para o Fusca e enfiou o braço pela janela aberta, buscando por algo dentro da mochila que trouxera. Tirou de lá uma máquina fotográfica Polaroid e fez um sinal para os outros dois se aproximarem. Apenas Sehun se mexeu, revirando os olhos. – Você também, Soo!

Kyungsoo torceu o nariz com o apelido, mas aproximou-se e ajeitou os óculos redondos no rosto. Chanyeol forçou que o Do e Sehun ficassem lado a lado enquanto esticava o braço, enquadrando-os. Tiraram três fotos, uma polaroid para cada um.

Atravessaram o amontoado de pessoas fantasiadas na rua e no quintal e entraram dentro da casa. “Lucretia My Reflection” tocava a todo volume, para o desgosto de Chanyeol que já saiu em busca de algo alcoólico. 

Sehun ficou sozinho com o carinha das fichas enquanto o amigo desbravava a casa atrás de bebidas. Houve um silêncio desconfortável entre os dois e vez ou outra precisavam desviar de pessoas que dançavam podre de bêbadas. Aquela era a primeira vez em que Sehun ia em uma festa. Nem dez minutos haviam se passado e ele já estava odiando.

– Então… – Pigarreou. Porra, tinha a liberdade de tentar puxar um assunto com Kyungsoo depois do papo íntimo e horroroso que tiveram na casa dele. Nada podia ser pior depois da conversa sobre a melhor posição para perder a virgindade lá atrás. – Harry Potter é aquele bruxo, né?

– Aham. – Kyungsoo murmurou e ele meio que batia o pé no ritmo da música. De repente, Sehun pensou que seria muito esquisito vê-lo dançar, já que o cara não parecia do tipo que se entregava daquele jeito. – Vão fazer um filme.

– Legal.

E caíram no silêncio outra vez.

– Rambo, hein? – Surpreendentemente, o Do foi quem se pronunciou e sorriu de um jeito torto, olhando para a fantasia do outro garoto de cima a baixo. – “Rambo Coreano”... Baekhyun te chama desse jeito. Tá fazendo jus ao apelido, Oh?

– Foi o merda do Chanyeol que escolheu. – Respondeu um tanto emburrado ao lembrar-se do apelido. Por acaso é crime ir para a escola usando uma faixa vermelha na cabeça quando se tem doze anos? Porra. – Falando do Baekhyun… Cê parece tá bem com o término e tudo mais.

– Foi necessário. – Kyungsoo deu de ombros. Sehun não era um dos melhores observadores do mundo, mas percebeu que, de certa forma, aquele era um tópico sensível. Sentiu-se um idiota por trazer o assunto à tona e coçou a nuca, desajeitado.

– Vou ver onde tá o Chanyeol.

Kyungsoo assentiu e pareceu aliviado por ser deixado sozinho. Sehun pendurou a metralhadora de plástico nas costas e enfiou-se no aglomerado de pessoas dançando no meio da casa. Pela lógica, acreditou que as bebidas estariam sendo servidas na cozinha e precisou perguntar para um Homem-Aranha onde ficava o cômodo naquela casa exageradamente imensa.

Depois de muito esforço, conseguiu chegar na cozinha. Sehun achou que fosse encontrar Chanyeol e estava certo, mas não imaginou que fosse encontrar o amigo aparentemente em uma discussão fervorosa com outra pessoa fantasiada do assassino de Pânico. Só sabia qual deles era o amigo pela diferença de altura. Ou talvez não, porque a quantidade de Ghostfaces naquela festa era absurda. Maldito filme popular.

– Ei, Chanyeol! – Tentou se fazer ouvido assim que entrou na cozinha, quase sendo abafado pela música alta. As duas máscaras assustadoras viraram em sua direção e Sehun fez uma careta. – Que porra é essa, cara?

– Tô dizendo pra esse fodido se mandar daqui. – Apontou um dedo enluvado para o outro carinha com a mesma fantasia e ele não parecia nada feliz. Bem, na verdade a máscara só tinha uma expressão eterna de surpresa incrédula.

– Isso não é da sua conta, Park. – O até então desconhecido rosnou em retorno, empurrando o outro garoto com uma brusquidão deveras característica.

Sehun reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Byun Baekhyun. Sentiu um ímpeto de rir ao realizar que os dois odiavam-se e usavam a porra da mesma fantasia. Mas a vontade de rir passou quando lembrou-se da última vez que eles haviam brigado. Puta merda, era só o que faltava ter que apartar uma briga de dois assassinos.

– Pode não ser da minha conta... – Sehun já estava pronto para se meter no meio, caso necessário. Mas só se fosse muito necessário. – Mas acha mesmo que o Kyungsoo quer te ver? Só vaza, mano.

Chanyeol retribuiu o empurrão, com ainda mais força. O Oh adiantou-se e agarrou-o pelo manto preto de tecido barato, tentando afastar os dois garotos. Infelizmente, não havia previsto que Baekhyun puxasse Chanyeol também e, porra, o cara era forte para caramba. No segundo seguinte, os dois estavam praticamente rolando no chão e, mais uma vez, o pobre garoto Oh estava sem saber o que fazer. Quase como o John Travolta confuso naquela cena de Pulp Fiction, em que ele procura pela Mia na casa do Marcellus.

Não demorou nada para que alguns adolescentes fizessem uma roda em volta dos assassinos do Pânico que brigavam por controle no chão. Sehun tentava arranjar uma brecha para apartar aquela briga, mas já nem sabia qual deles era o amigo. Os gritos de “briga, briga, briga” já estavam quase mais altos que a música quando um dos Ghostface finalmente imobilizou o outro.

Chanyeol sorriu por debaixo da máscara. Ainda guardava rancor de quando havia sido dominado por Baekhyun daquele mesmo jeito e a mão fervia na expectativa de retribuir o hematoma que perdurara em seu rosto durante semanas. Sentia o corpo do Byun quente e tenso contorcer-se sob o seu e os músculos retesando em seus dedos. Com dificuldade, manteve o corpo de Baekhyun pressionado contra o chão enquanto arrancava a máscara dele com a mão livre. E estava pronto para meter um soco nas fuças do maldito, quando foi desarmado por algo que nunca esperava de alguém escroto como Baekhyun.

– Cê tá chorando, cara? – Bem, o Byun não estava realmente chorando. Tinha o rosto vermelho e inchado – de quem provavelmente passara a noite inteira, de fato, chorando – e os olhos brilhavam com lágrimas evidentemente presas. Talvez fosse de raiva, mas Chanyeol até sentiu pena. Ele não estava nem com os olhos pintados de lápis preto como sempre, e, sem aquela pose rebelde, Baekhyun parecia muito indefeso.

Sehun aproveitou aquele momento para tirar o melhor amigo de cima do outro garoto, que levantou-se como se fosse um bichinho selvagem.

– Vai se foder! – Baekhyun ajeitou a máscara e saiu como um furacão da cozinha. Vestido daquele jeito, até parecia mesmo que ia cometer um assassinato.

– Meu… Cês tem que parar de brigar desse jeito. – Sehun ainda segurava o braço do amigo quando ele se desvencilhou para finalmente descolar algumas bebidas. O fato é que os dois pareciam gato e rato; quando se viam, sempre acabavam no chão de alguma maneira.

– O cara não pode me ver que já diz alguma merda, ele pede pra levar um soco.

– Mas até agora quem levou um soco foi só você.

Chanyeol abriu a garrafa de cerveja e olhou em sua direção com a porra daquela máscara congelada em uma expressão de surpresa – ele até parecia estar mesmo indignado.

– Não posso simplesmente meter um soco nele quando o desgraçado parece um bebê.

Sehun riu, achando graça do pensamento ridículo de alguém como Baekhyun parecer inofensivo como um bebê. Era quase um absurdo. Aceitou a garrafa de cerveja que o amigo estendeu em sua direção e tomou um gole generoso. Ao menos não estava quente como da última vez em que havia tomado cerveja. A lembrança causou um arrepio em seu estômago – foi na mesma noite em que havia recebido a primeira punheta do melhor amigo. Parecia ter acontecido anos atrás.

– Você acha que a gente tem que avisar o Kyungsoo? – Chanyeol interrompeu seus pensamentos e agradecia por isso. Lembrar daquelas coisas deixava-o um tanto esquisito.

– Sei lá cara, acho que não é da nossa conta.

Chanyeol assentiu e enfiou uma das mãos dentro do manto, que era um tantinho curto e deixava o Allstar vermelho à mostra. De lá, tirou um canudo e o colocou na garrafa aberta de cerveja. Quando o amigo levou a outra ponta do canudo até a boca exageradamente aberta da máscara, Sehun percebeu que o infeliz havia feito um furo estratégico ali para beber pelo canudinho sem nem precisar revelar o rosto. Inacreditável.

– Cê tem razão. Vem, vamos sair daqui.

A cozinha estava abarrotada quando finalmente saíram do cômodo. Ainda eram o centro das atenções por conta da quase briga que aconteceu e Sehun já não estava aguentando todos os olhares sobre si. Ao contrário do amigo, não podia simplesmente se esconder em uma máscara. E falando nisso…

– Você não vai tirar essa merda? – Perguntou, apontando para o negócio assustador que cobria o rosto do amigo. Estavam no canto da sala onde Sehun havia deixado Kyungsoo, que parecia não estar em lugar nenhum.

– Depende. – Chanyeol disse, com a voz abafada. Sehun apostava que ele estava sorrindo por debaixo daquela porcaria. – Vou ganhar um beijo?

– Tá maluco? Tem muita gente aqui, mano.

– Então não tiro. – Deu de ombros, voltando a tomar a cerveja pelo canudinho. Aquilo era tão ridículo que Sehun nem conseguiu ficar sério.

Depois de um tempo, resolveram dar uma volta pela casa para procurar o Harry Potter. Todavia, ele parecia ter desaparecido exatamente como um bruxo faria. Fizeram várias paradas pela cozinha para pegar mais cerveja e até tomaram uma bebida de gosto doce e duvidoso. Claro que foi má ideia, garotos que ficam todos os finais de semana em casa jogando vídeo game, ou maratonando filmes de ficção científica, certamente não estão acostumados a beber álcool.

E foi um dos primeiros erros que cometeriam até o final daquela noite.
 


 

Sehun estava irritado. Além de não ter encontrado Kyungsoo, não conseguia achar o melhor amigo em lugar nenhum na merda daquela casa que, aparentemente, abria um buraco negro e fazia pessoas desaparecerem. Claro que a ideia de se separarem havia sido do Chanyeol. Sehun nunca sugeriria algo tão idiota porque já havia assistido Scooby Doo demais para saber o que acontecia quando um grupo se separava para procurar pistas.

Tropeçou nos degraus enquanto subia para o segundo andar e teria rolado pelas escadas se não tivesse sido segurado por um cara fantasiado de Thor. Ironicamente, havia sido salvo pelo Deus do Trovão. De mau humor, murmurou um agradecimento e afastou-se para que pudesse procurar pelo bosta do amigo. Já era a segunda vez que vasculhava o segundo andar, mas aparentemente Chanyeol havia sido sugado para outra dimensão. Porra, Sehun só queria ir logo para casa porque ainda daria tempo para assistir o primeiro episódio de Arquivo X.

E ficou ainda mais puto quando enxergou o filho da puta do Park, sentado em um sofá na outra sala que havia no segundo andar e agindo como se não estivesse sumido por, pelo menos, vinte minutos. Apesar dos vários caras fantasiados de Ghostface, Sehun sabia que era o amigo porque o cara de pau ainda estava tomando uma cerveja com aquele canudinho ridículo.

– Eu tô te procurando pela casa inteira, seu merda. – Sehun bufou assim que chegou em frente ao sofá e, apesar de estar revoltado, sentou-se ao lado do amigo porque, porra, estava cansado de ficar andando que nem barata tonta. – Dá pra gente ir embora?

O outro garoto não disse nada. Apenas soluçou depois de tomar uma quantidade exagerada de cerveja. Sehun revirou os olhos. Lidar com Chanyeol era um porre quando ele estava bêbado. Ele simplesmente não conseguia parar de beber e virava a porra de um moleque manhoso. Tinha que usar todas as artimanhas possíveis para que conseguisse convencer o melhor amigo a fazer suas vontades. Mas agora, tinha um jeitinho muito mais fácil.

– Cara, se a gente for embora nesse instante… – Colocou a mão na coxa do amigo e inclinou-se para mais perto. Não queria arriscar que alguém os ouvisse, mesmo com a música alta. – Eu chupo seu pau depois que o episódio de Arquivo X acabar.

Arquivo X e um boquete? Era impossível que Chanyeol recusasse uma chantagem forte dessas. Sehun não precisava necessariamente pagar a promessa, tinha certeza que o Park esqueceria.

A máscara bizarra virou em sua direção e o olhou durante um segundo inteirinho. Então, o garoto deu de ombros.

– Tá bom.

Espera aí.

Sehun sentiu um frio na espinha e pulou para fora do sofá. Aquela não era a voz caracteristicamente grave do melhor amigo. Aquela voz… Ah, porra. Sehun adiantou-se e puxou a máscara do outro garoto, apenas para confirmar seu pior pesadelo.

Havia acabado de se oferecer para chupar o pau de Byun Baekhyun.

– Você… o quê… O canudinho… – Então, olhou para os pés que a capa cobria. Se tivesse prestado atenção, saberia que não era Chanyeol por causa da falta do Allstar vermelho.

Baekhyun parecia mais confuso ainda. Na verdade, Sehun percebeu que o cara estava podre de bêbado e o olhava como se não o reconhecesse.

– Ah… Rambo Coreano. – A realização fez o Byun dar uma risadinha engraçada e soluçar logo em seguida. – Não sabia que você era viado.

Caramba. Não gostou nadinha do sorriso que o filho da puta jogou em sua direção. Aquela definitivamente estava sendo a noite mais esquisita de sua vida.

– Não sou viado, porra. Eu… eu achei que fosse o Chanyeol.

Baekhyun arregalou os olhos. Em todos os anos em que conhecia aquele merdinha, era a primeira vez em que o via com uma expressão que não fosse algo parecido com um “vou arrebentar sua cara”.

– Você quer chupar o pau dele? Espera… O Park é gay?

Sehun não teve tempo para dar uma resposta. O Byun levantou-se do sofá tão depressa que quase caiu, como se aquela notícia fosse semelhante a um alerta de incêndio. Ele olhou atônito para o Oh antes de desaparecer da sala tropeçando nos próprios pés. Saiu tão depressa que até se esqueceu da máscara.

Confuso, Sehun sentou no sofá. Que merda tinha sido aquela? Caralho, esperava que Baekhyun tivesse uma amnésia alcoólica e não se lembrasse de nada daquilo. Já imaginava o quanto seria zoado caso ele se lembrasse. Ficou tão preocupado que passou longos minutos pensando na hipótese e terminando a cerveja que o garoto esquecera ali. Quase morreu do coração quando outro Ghostface pulou em sua frente.

– Eu não acredito que a princesa tá aqui sentada enquanto eu morria de preocupação. – Dessa vez, a voz era de Chanyeol e Sehun sentiu um misto de alívio e vergonha. – Ei, que cara é essa? Aconteceu alguma coisa?

– Não quero falar sobre isso.

Foi quase inacreditável que o Park não houvesse insistido no assunto. Ele parecia mais interessado em dizer que havia encontrado o Kyungsoo porque era o cara mais foda naquela festa. Então, precisou procurar pelo amigo e o Do não queria ir junto porque estava ocupado demais procurando por Baekhyun, já que Chanyeol não conseguiu ficar quieto e abriu a matraca informando-o da presença do ex-namorado.

O vento forte zunia lá fora. Os primeiros sinais da tempestade já haviam começado, sem que notassem.
 

 

Voltaram pela milésima vez para a sala imensa e abarrotada de pessoas que conversavam, dançavam e fumavam para cacete. Aquela já era a terceira volta que davam pela casa atrás de Kyungsoo – e agora Baekhyun, para a infelicidade do pobre garoto Oh – e não encontravam nenhum sinal dos dois em lugar nenhum. Porra, Sehun só queria ir embora. Todavia, Chanyeol dizia que não podiam abandonar o carinha das fichas e que isso era coisa de gente sem caráter. Até porque também ficariam sem carona.

– Ei, Rambo. – “Severina”, do The Mission, estava tocando quando Sehun teve sua mão segurada pelo amigo, impedindo-o de caminhar. Por um momento, ficou preocupado porque achou que Chanyeol fosse vomitar. – Dança comigo.

Sehun desejou poder ser capaz de ver o rosto do outro garoto. Havia algo diferente no tom de voz dele. Ou talvez só estivesse meio bêbado. Chanyeol certamente estava, porque começou a se mexer em uma espécie de dancinha esquisita totalmente fora de ritmo.

– Nem fodendo.

– Será que vou ter que usar o meu pedido pra te convencer?

Porra, Sehun havia se esquecido de que ainda devia um pedido ao melhor amigo por causa da merda daquelas apostas.

– Você quer mesmo desperdiçar um pedido com isso? – Talvez tivesse se arrependido de ter dito tal coisa. Afinal, dançar no meio de um monte de desconhecidos poderia ser melhor do que qualquer outra coisa perigosa que a mente criminosa de Chanyeol era capaz pensar. – E a gente ainda não achou o Kyungsoo. Nem o Baekhyun.

Chanyeol parou de dançar daquele jeito esquisito e parecia pensar seriamente sobre o assunto. Quer dizer, era o que Sehun achava. Era impossível deduzir qualquer coisa com aquele negócio idiota cobrindo o rosto do garoto.

Cá entre nós, a verdade é que Sehun estava morrendo de medo daquela máscara.

– Ele deve ter achado o Baekhyun, os dois fizeram as pazes e agora tão fodendo dentro do Fusca. Pronto, caso desvendado. – Agora não havia dúvidas que o Park estava sorrindo inteiramente canalha. Conseguia saber aquilo somente de ouvir o desgraçado falando. – Aliás… – Sehun fez uma careta quando o Ghostface deu mais um passo em sua direção, próximo o suficiente para colocar as mãos enluvadas na sua cintura. – A gente devia tá fazendo o mesmo.

– Depende… Só se você tirar a porra dessa máscara e se formos embora.

Sweet Love Hangover”, dos Love and Rockets, estava tocando tão alto que não dava para ouvir a ventania violenta do lado de fora. Se os garotos houvessem parado para ver televisão ou o jornal no dia anterior, saberiam que uma tremenda tempestade estava para vir naquela noite. Ou se conhecessem aquelas pessoas, também saberiam que elas só davam festas em noites de chuvas violentas. Como não sabiam, não estavam preocupados. Nem Kyungsoo sabia do fato, não tinha televisão no quarto em que morava e passava os dias no fliperama. Mas ele já havia ido embora com Baekhyun pelo menos meia hora atrás.

Se os dois garotos soubessem da tempestade de raios, também já teriam ido embora para escaparem ilesos. E não estariam, naquele momento, enfiando-se no quartinho que havia embaixo da escada e quase destruindo uma pilha de caixas de papelão ao usá-la como encosto para darem um amasso. Sehun havia arrancado a máscara do amigo na primeira oportunidade e era mais satisfatório do que deveria finalmente ter aqueles olhos pesados encarando os seus, trocando malícias e segredos. E era mais delicioso ainda finalmente beijar aquela boca cheinha que era macia para caramba. Sehun já havia desistido de mentir para si mesmo que não estava viciado na merda daqueles beijos.

Ao som de “It’s a Sin”, transbordaram adrenalina com os corações acelerados e excitaram-se com os toques íntimos de quem já conhecia cada centímetro da pele alheia. Todas as partes de seus corpos tocavam-se e compartilhavam daquele calor que quase os sufocava em pleno início de inverno.

– Senti sua falta. – Chanyeol sussurrou contra seus lábios entre selares, as mãos aventurando-se por debaixo da regata. – Porra… Cinco dias sem te beijar já pareceram o inferno. O que você tá fazendo comigo, cara?

Sehun respirou de maneira trêmula, sentindo em seu peito aquele segredo que deveria zelar e que finalmente estava admitindo a existência. Era só mais um beijo, como os milhares que já havia trocado com o melhor amigo… E ao mesmo tempo, não era mais apenas um beijo. Era algo mais intenso, profundo e angustiante. Um pecado.

Achou melhor não responder, afinal, sabia que não estava muito sóbrio e certamente seria capaz de dizer o que não devia. Voltou a unir os lábios e arrepiou-se com o grunhido grave que rasgou a garganta do amigo quando as ereções foram pressionadas juntas. Lá fora, o céu transbordava e o vento zunia.

– Eu fico louco de pensar em outra pessoa te beijando... – Chanyeol desceu a boca pelo pescoço de Sehun, sentindo os arrepios da pele nos lábios. Estavam quentes e o quarto parecia menor do que nunca. – Dói tanto que às vezes acho que não vou conseguir respirar. Eu fiquei com ciúmes da garota da carta, consegue acreditar?

– Chanyeol… – A voz soou como uma súplica. Não sabia se era para que o amigo parasse de falar, ou continuasse. Aquilo estava seguindo um caminho fodidamente perigoso e errado. Errado de um jeito terrivelmente gostoso.

– Eu não sei mais o que fazer, cara… Eu sei que prometi, mas… eu… Ah, porra. – Chanyeol apoiou o rosto em seus ombros e o corpo tremia junto ao seu. Ele estava excitado e intenso como Sehun jamais havia visto. – Eu só queria poder te dizer a verdade…

O primeiro relâmpago cruzou os céus. Intenso e devastador.

– Que… que verdade?

Chanyeol olhou em seus olhos. As luzes piscaram e ainda assim foi capaz de mergulhar naquela profundidade tempestuosa – um reflexo do céu selvagem do lado de fora. Sentiu-se sufocar em uma ansiedade repleta de adrenalina, sentimento unicamente característico de um primeiro amor.

– Eu não quero ficar com mais ninguém além de você, sabe? Eu sei que você é meu melhor amigo, mas eu… eu quero mais do que isso, porra. – Chanyeol parecia mais inofensivo do que nunca e tudo aquilo assustava o Oh. Estava com medo e ansioso, porque sabia que os próximos segundos mudariam tudo entre eles. – Eu acho que tô a…

Sehun não chegou a ouvir as últimas palavras. Naquele exato momento, um trovão reverberou e todas as luzes tremeram de um jeito intenso até se apagarem. A música cessou. As pessoas da festa gritaram em comemoração e aquilo não fazia o menor sentido. Ainda conseguia sentir a respiração quente e trêmula do amigo contra seu pescoço e tremeu inteirinho quando ele riu de um jeito arranhado e gostosinho, esfregando o pau duro contra o seu.

– Olha, Rambo… Não sei você, mas acho que essa noite não tem como ficar melhor.

Outro raio rasgou o céu de um jeito assustador e teve a impressão que tudo à sua volta tremeu com o som do trovão. Talvez fosse apenas o seu corpo que ainda estava fervendo em torpor por conta de seu estado alcoolizado, ou o coração que batia de um jeito quase doloroso no peito.

Agradeceu imensamente pelo apagão. Afinal, daquela forma ninguém mais seria testemunha da realização desesperadora que tomou conta de cada pedacinho de seu cerne e praticamente gritava no olhar assustado.

Caramba… Havia uma possibilidade enorme de que estivesse terrivelmente apaixonado pelo melhor amigo.




 


Notas Finais


Sou um pouco cruel por ter terminado o capítulo por aí, né? Não me matem, amo vocês ;;
No próximo capítulo vão acontecer coisas muito interessantes... rsrsrssrsrsrs.

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