1. Spirit Fanfics >
  2. Jóia Perdida >
  3. Dificuldades

História Jóia Perdida - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


>>>>>>>>> AVISO!!! <<<<<<<<

Tem cenas de estupro e isso não é apologia, são coisas que precisam acontecer ao decorrer e vão ter outras, porém eu vou sempre avisar, vcs podem pular se não quiserem ler que isso não interfere na leitura.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Boa leitura!

Capítulo 4 - Dificuldades


 

   Depois de devidamente arrumado peguei minha mochila esquecida no chão e voltei pra minha sala, só que no meio do caminho lembrei que não faria aula com a turma, iria repor outra que tinha perdido. Xingando baixo, refiz todo o caminho e silencioso andei até um canto da sala cheia de estranhos, eu adorava entrar em lugares cheios de estranhos me olhando.

 

   Peguei meu caderno tentando ignorar aquele mar de olhos sobre mim e puxei a caneta nova do bolso. DongHae havia me quebrado um puta galho, precisava agradecê-lo de alguma forma depois, quando o professor entrou na sala todos voltaram a ser gente e pararam com aquilo.

 

   Até parece que sou tão interessante assim, adolescentes são uns idiotas mesmo.

 

   Estava satisfeito com a aula, pensava que iria me ferrar muito por não ter assistido antes, mas ela foi perfeita. Se ele passasse uma prova nesse exato momento eu iria gabarita-la inteira e isso não era um exagero. O único problema havia sido duas interrupções por causa de dois palermas que não paravam de falar, engraçado como até em faculdade existe tanta gente desagradável.

 

   - Senhor Hwan, algum problema? – Olhei para o garoto de olhar assustado, enquanto a sala ria e o professor parecia impaciente, eu sentia vontade de taca-lo pela janela.

 

   - N-não senhor! – Abaixou a cabeça e fingiu anotar algo.

 

   Acontece que atrás do tal, tinha um outro cara que ficava importunando ele, chutava seus pés por baixo da cadeira e até mesmo puxava seu cabelo, tal como uma criança de 4 anos. Eu não queria mesmo me envolver, mas estava ficando nervoso já, ouvindo aquela palhaçada toda e ainda tendo meu professor que interromper a explicação mais uma vez.

 

   - Anyaah! – Aquele pedido mais alto foi o basta.

 

   - Senhor Hwan! Vai mesmo agir como um pirralho e me fazer te dar um bilhete de advertência? Se eu parar minha aula mais uma vez, você pode nunca mais passar na minha matéria! – O velho olhava sério para o tal Hwan e eu bufei me levantando.

 

   A sala inteira em um silêncio mortífero, peguei minhas coisas e passei entre as fileiras até chegar nos dois encrencas. Dei uma boa olhada no garoto grandalhão causador da discórdia e ele me olhou de volta com aquela cara de quem se acha o dono do mundo, virei me para o da frente.

 

   - Troca de lugar comigo. – Ele me olhou surpreso e balançou a cabeça em um sim, logo se recolhendo. Sentei-me em seu lugar e olhei para o professor que não entendia nada, pois não tinha visto o que de fato estava acontecendo – Por favor professor, volte a explicação.

 

   - Certo...

 

   Não houve mais nenhuma interrupção e eu pude me concentrar novamente no que era ensinado, pra nossa surpresa o velho tinha mesmo preparado um teste pra hoje e claro que eu fiquei feliz por poder acumular nota na aula dele. Pelo barulho da cadeira atrás de mim, podia saber que o garoto estava incomodado, não era pra menos devia ser um idiota que sentava atrás do mais esperto apenas para poder colar.

 

      Ele até tentou ver minha folha de lado, mas eu notei e arrastei para o lado oposto, o imbecil se virou para o outro lado e ainda tentou puxar meu braço.

 

   - Rela em mim mais uma vez, que eu faço o professor zerar o seu zero pra menos dois. Dever nota é muito pior do que não tê-la! – Resmunguei em bom tom e ele riu voltando ao seu lugar.

 

   Dez minutos depois e eu já me levantava entregando meu teste ao professor.

 

   - Veio repor aula Senhor Lee – Disse vendo meu nome na lista, deu uma rápida olhada no meu teste e já o guardou – Vejo que é inteligente, provavelmente não perde aula sem motivo. Está dispensado.

 

   - Obrigado.

 

   Sai faltando pouco para o sino tocar, já que estava adiantado resolvi sentar no banco que era caminho dos estudantes para o portão principal. Senti minha barriga roncar e lembrei que não havia comido nada desde cedo, na minha casa devia ter mais dois pacotes de lamén. Se o Hyung não tivesse muita pressa eu poderia comer um pouco, por mais que estivesse acostumado a não comer sempre, estando tão nervoso com a faculdade, contas e os clientes, comia mais.

 

   Olhava a multidão passando e conversando alto, vendo tanta gente diferente junta, me fazia pensar que entre a escola e a faculdade de fato não existia tanta diferença. No meio de um grupo de alunos surgiu alguém correndo, notei ser DongHae pelo cabelo brilhoso e o sorriso infantil. Eu tinha que perguntar a idade dele.

 

   - Hyuk! – Sorriu acenando e se pôs a correr em minha direção. Reprimi um sorriso, eu só achava fofo o jeito dele.

 

   - DongHae.

 

   - Que incomum te ver sentado aqui – Segurava as duas alças da mochila.

 

   - Quantos anos você tem? – Ele fez uma cara estranha e depois pareceu descrente.

 

   - Eu sempre achei que tivéssemos a mesma idade, mas nunca te perguntei... Eu tenho vinte  e você? – Provavelmente ele se martirizaria por nunca ter usado o termo de respeito com alguém mais velho.

 

   - Vinte e três... E antes de surtar – O parei assim que ele abria a boca - Não tem problema continuar me chamando de Hyuk.

 

   - Você é o melhor! – Sorria mais do que qualquer coisa, acabei sorrindo de lado com ele e antes que DongHae fosse me perguntar algo, uma terceira pessoa apareceu.

 

   HeeChul nos olhou de um para o outro e sorriu de lado parando no mais novo. DongHae parecia uma criança que pedia por ajuda olhando para os pais, quando conhecia gente nova. Achei melhor salva-lo antes que o mais velho pudesse tentar prende-lo na sua lábia.

 

   - Eu preciso ir, só estava esperando o Hyung. – Levantei ficando um pouco entre eles.

 

   - Ah certo, já estou indo embora também. – DongHae tinha aquela mania de ficar lambendo os lábios igual o HeeChul, tenho certeza que não daria certo aquilo.

 

   - Onde você mora? Podemos te acompanhar. – O mais velho se pronunciou com interesse. Maldito!

 

   - Não dá. – Os dois olharam pra mim e eu quase me desesperei – Preciso passar da minha casa antes lembra? – Praticamente gritei com os olhos pra ele apenas aceitar.

 

   - É verdade... Hm. Qual seu nome? – Mal pisquei e o ordinário já estava em cima do menor, tocando a franja dele.

 

   - Meu nome é Lee DongHae – Olhava feito um gatinho assustado.

 

   - Não precisa ter medo de mim, não mato nem uma mosca e você é bonito demais pra alguma maldade – HeeChul tentando ser amigável era um desastre.

 

   - Já chega Hyung, está assustando ele mesmo assim – Puxei o menor pelo pulso e o segurei pelos ombros – Segue seu caminho DongHae, não fale com estranhos e volte bem amanhã.

 

   E aquele sorrisão grande que me deixava todo bobo logo iluminou seu rosto.

 

- Ok Hyung! Até amanhã! – Beijou minha bochecha novamente e saiu correndo como havia feito da outra vez. Acho que já era hora de eu apenas aceitar que ele era assim.

 

   Suspirei aliviado.

 

   - Seu namoradinho é uma graça EunHyuk – Disse ao pé do meu ouvido, mas o que me fez pular foi sentir sua mão na minha bunda tão repentinamente. Estava pronto para negar aquilo quando ele continuou – Se fosse solteiro, amanhã mesmo já iria sair com ele.

 

   - Agora que já sabe. Não mexa com ele! – Ele sorriu perverso – Vamos logo.

 

   - Não sabia que podia ser ciumento assim... Hyukie – Aquele cara não valia se quer 100 Wons – Eu espero que tenha algo pra comer lá.

 

   - Se tiver lamén, já será um luxo – Fomos caminhando enquanto conversávamos, acho que devia ser a primeira vez que ambos falamos tanto um com o outro e tudo por causa daquele garoto.

 

 

⊱───────⊰✯⊱───────⊰

 

   Nada muito diferente ocorreu no segundo dia de serviço com o Hyung, ele fazia ser gostoso e eu meio que me sentia agradecido por isso. Eu só era passivo pois 80% dos caras que procuravam por garotos de programas eram ativos e apesar de me deixar subjugar, eu apenas sentia maior prazer ao penetrar. Aquilo era apenas meu serviço. Sempre tinha que estimular meu pênis durante o sexo se não, era impossível gozar. Eu tinha sorte por não sentir incomodo, alguns ativos  não conseguiam trocar de posição. Sabendo disso, aqueles dois dias com HeeChul, havia me feito curtir um pouco e eu havia ficado até menos estressado depois de liberar tanto hormônio.

 

   Hoje era o dia com um dos meus clientes fixos e apesar dele pagar bem, era um tanto problemático passar a noite em suas mãos. Ele era um cara de meia idade, porém robusto e forte, tinha uns fetiches um tanto sadomasoquistas e eu definitivamente não curtia aquilo. Mesmo assim lá estava eu batendo em sua porta toda quinta feira anoite, ele sempre abria a porta e me puxava pra dentro, batendo minhas costas contra a madeira ao fechar.

 

   - Está em boas condições gracinha? – Apertou minha coxa erguendo-a em seu quadril, segurei seus braços fortes e o olhei com a minha melhor cara de cachorro sem dono.

 

   - Estou pronto pra você.

 

   Ele era um daqueles tipos que adorava estar no controle e ser servido, eu tinha aprendido bem, a como lidar com eles. Fazer o que eles queriam, dar as respostas certas e sempre o tirar do sério atiçando-o, pois ele gostava. Ergueu meu corpo no colo sem esforço algum e foi me carregando até a cama de casal, jogou meu corpo no meio dela e eu rapidamente me virei de costas levantando o quadril ao dobrar os joelhos. Balancei o corpo me insinuando para aqueles olhos famintos e ele se aproximou, puxando meus tornozelos até a ponta da cama.

 

   - Minha putinha vai gemer bastante hoje – Estapeou minha coxa com força e eu segurei um chiado de dor – Não vai? – Respostas verbais.

 

   - Uhummm – Outro tapa mais forte ainda, deixei a cabeça cair contra os lençóis – Eu vou, vou sim.

 

   Suas mãos grossas tiraram toda minha roupa em segundos e abaixou a bermuda que vestia, já vestia uma camisinha de sabor. Lambeu minha bunda antes de me fazer virar e segurar minha cabeça de lado, enfiando seu pau na minha boca, apertava meu cabelo com força me fazendo o engolir até o fim. Engasguei na segunda tentativa e ele enfiou mais antes de tirar, tossi um pouco e senti meus olhos lacrimejarem, aquela talvez fosse uma das piores partes, já que eu odiava e realmente machucava.

 

   Continuou fazendo aquilo por várias vezes e eu tentando evitar sua invasão às vezes segurava sua coxa, porém ele não gostava daquilo e toda vez eu recebia um tapa no rosto como castigo. Brincou o quanto quis com a minha boca e me mandou voltar a ficar de quatro, ouvia sua voz tomada pelo desejo chover elogios sujos. Ele tinha sérias tendências a pedofilia e eu esperava sinceramente de que só fossem tendências. Sempre dizia o quando minha pele era macia igual a de um bebê, que meu cu era apertadinho e tão liso que parecia infantil.

 

   Minha anatomia era pequena no sentido de ser magro e ter quadril estreito. Era da minha genética e ele gostava dessas características. Virou meu corpo fazendo-me cair de costas no coxão e começou a me morder, pescoço, peito, abdômen, ele adorava aqueles locais, só não mais do que meus mamilos. Os deixava por último pra poder se demorar ali, chupava o bico e mordia a aureola, eu saia dolorido toda vez, suas mãos ásperas percorriam minha cintura e bunda, apertando com força.

 

   Quando achei que já estava ruim, em algum momento apareceu outro homem e esse eu não conhecia. Já devia ser tarde quando ele se juntou a nós, pois eu já me encontrava em uma situação perigosa, estava perdendo a consciência depois de tanto lutar contra os abusos.

 

 

⊱───────⊰✯⊱───────⊰


   Enfiou de uma vez e eu gritei de dor, aquilo não era brincadeira, ele queria me machucar de verdade. Recuei com o quadril fraco e ele rindo apertou mais minha cintura puxando-me em sua direção, fazendo com que eu chocasse mais contra sua pélvis e eu grunhia sentindo aquela dor queimar. O outro homem apareceu do meu lado e puxou meus cabelos com força se enfiando na minha boca sem cuidado algum, me sufocando enquanto aquele desgraçado me machucava.


   Ele não tinha cuidado algum e aquilo doeu duas vezes mais, aquela posição era sensível, soltei o membro do outro trincando o maxilar. Se eu mordesse ele, seria muito pior. Escondi o rosto no braço e ele montou em cima de mim, literalmente me fodendo e da minha garganta só saiam grunhidos pesados, estava doendo demais.  Puxou meus braços pra trás segurando-os ali fazendo meu rosto roçar contra o tecido grosso daquele sofá velho, começou a impor mais força nos movimentos e antes de gozar, se retirou largando meus braços.


   - Agora esse moleque vai gritar de verdade.


   E eu nem tive tempo de pensar do que ele tinha dito, muito menos me recuperar das investidas incessantes do primeiro. Ele literalmente jogou-se contra meu corpo penetrando, já começando a se mover num ritmo rápido e eu gritei tão forte que senti minha garganta doer, ele era muito mais grosso que o outro apesar de menor. Não estava aguentando tudo aquilo e no meu limite comecei a pedir que parasse, claro que eles apenas riram da minha cara, gritava e gritava, ninguém atendia. Os dois continuaram naquilo, já sentia algo escorrer quente no interior das minhas coxas e sabia muito bem o que era.


   Comecei a chorar de raiva, em todos aqueles anos na prostituição nunca havia me sentido tão humilhado, eu era apenas uma boneca inflável que usavam e jogavam fora. A noite foi tão longa que quando eles finalmente pararam já sentia meu corpo dormente, desde a quinta penetração que não tinha mais forças pra me manter sobre os joelhos e eles seguravam meu quadril, forçando meu corpo a aquilo. Estava largado no sofá de olhos fechados e ofegando, meu rosto banhado em lágrimas e eu ainda fungava em silêncio, depois daquilo eu apaguei.

 

   Quando acordei foi aos chutes, cai de algum lugar que estava deitado e bati a testa no chão, imediatamente senti meu corpo inteiro protestar. Abri os olhos recebendo a claridade do dia e um guarda me ameaçava com o cassetete. Visto que eu não entendia nada do que ele falava, ficou nervoso e acertou uma pancada na minha coxa e eu gritei rouco, já sem voz. Não estava acordado ainda e as pancadas me deixavam em desespero, senti uma mão me apertar e levantar meu corpo encolhido contra o chão, achei que meu braço fosse partir em dois.

 

   Ele me arrastou e quando abri os olhos me jogou contra a calçada, olhei ao redor estava um pouco embaçado, vi a praça central da cidade atrás do guarda bravo. Me ameaçou de morte se eu voltasse a dormir em algum banco e me deu as costas voltando por entre as arvores. Algumas pessoas que observavam a cena, me olharam com desgosto, vagarosamente levantei-me e sentindo a perna atingida doer, caminhei arrastando ela. Fui desse jeito lamentável até a pensão que morava e desabei assim que passei pela porta do meu quarto, deixei-me escorregar pela porta velha e arrebentada.

 

   Estava destruído! Vivo, respirando, mas querendo morrer. Meu corpo inteiro doía, minha bunda principalmente, tirei a calça e os sapatos chorando de dor, levantei com dificuldade e fui até o banheiro. Abri o registro e sentei de lado na banheira, encostando a testa no piso gelado da parede, meus olhos ardiam, minha cabeça explodia, eu preferia não ter acordado.

 

   Olhei a água que descia pelo ralo e vi um rastro de um liquido rosado, tomei coragem e comecei a tentar me lavar, machucava como o inferno e eu dava socos na parede, foi quase duas horas pra que eu conseguisse terminar. Já tinha parado de chorar, mas ainda me sentia miserável, não saberia dizer se estava traumatizado, porém não queria ninguém perto de mim pelo próximo mês.

 

   Quando sai do banho me arrisquei olhar no espelho, tinha um corte na minha testa, assim como vários vergões na lateral do meu rosto. Meus olhos estavam inchados e marcados com olheiras, meu peito marcado, minhas pernas roxas pelas pancadas do guarda. Não sabia como conseguia andar ainda, fui até o quarto e tomei um remédio pesado pra dor, não tinha nada pra comer e ele me faria mal por ter tomado de barriga vazia. Quando terminei de vestir uma calça moletom cinza velha e uma camisa azul escura, olhei de relance no relógio e marcavam oito da manhã.

 

   Eu tinha prova e seria dali trinta minutos, uma prova importante que eu não podia pensar em perder, calcei o outro par de tênis que tinha e peguei a mochila jogada sobre a cama. Estava um frio de 14 graus e eu não vestia blusa alguma, havia perdido a única que possuía. Sem poder, corri por entre as ruas, o remédio me dando algum falso alivio momentâneo fez com que isso fosse possível. Cheguei na minha sala já atrasado, por um milagre algo deu certo naquele dia e a professora me deixou entrar, me apressei até minha mesa e não olhei pra ninguém. Fiz minha prova no meu tempo, fui o último a sair da sala, a mulher de quase meia idade, me elogiou e disse que iria conversar comigo qualquer dia desses, eu sabia bem sobre o que era.

 

   Ao sair da sala voltei a me dar conta do frio que estava, vários alunos de tocas, luvas e mais de duas blusas de frio. Abracei meu corpo e fui andando até meu esconderijo, aquele banheiro esquecido do terceiro andar, só não notei que era seguido por alguém. Procurei um canto entre a primeira cabine e a parede, tirei minha mochila e coloquei sobre o colo tentando me esquentar um pouco, foi quando ouvi o barulho da porta se abrindo e vi um rosto familiar me buscar.

 

   - Hyuk... Posso? – DongHae era a última pessoa que eu queria ver naquele momento, iria manda-lo embora, se não fossem aqueles olhos gritantes preocupados. Suspirei acenando um sim e ele entrou – Desculpa ter te seguido.

 

   - O que você quer? – Limpei a garganta ao sentir a voz falhar e ele me olhou em alarme.

 

   - Saber o que aconteceu com você – Sustentei seu olhar até lembrar do porque da minha situação e sentir meus olhos encherem, desviei o olhar  - Por favor...

 

   - Você não... – Tentei me acalmar – Não precisa saber.

 

   - Hyuk, você está horrível e isso parece grave demais! – Sua voz continha desespero – Está sem nenhum agasalho ainda por cima! – E eu apenas senti quando uma toca foi colocada na minha cabeça e uma jaqueta grossa peluda, vestida sobre meu corpo encolhido.

 

   Olhei pra ele e o mesmo deixava a mochila em um canto, desenrolou o cachecol do pescoço e sentou sobre as pernas na minha frente, me sorriu terno enquanto enrolava a lã no meu pescoço e tudo o que eu sentia agora, era o cheiro dele. Estava sem reação, muito chocado e tocado ao mesmo tempo, em vinte e três anos da minha vida, era a primeira vez que faziam algo do tipo por mim e ao olha-lo nos olhos não consegui mais segurar as lágrimas.

 

   Ele se adiantou e me abraçou tentando me consolar, o que só piorava a situação, deitou a cabeça sobre a minha e começou a acariciar minha nuca com aquelas mãozinhas quentes e carinhosas. Me sentia a própria podridão sendo tocado pela pureza, a gente fico ali pelo intervalo inteiro, mesmo quando o sinal soou ele não saiu dali, depois que consegui me acalmar, ele me soltou sentando ao meu lado, com os braços ainda ao redor dos meus ombros.

 

   - DongHae, você precisa ir pra aula... – Tentei afasta-lo, mas ele me apertou escondendo o rosto nas minhas costas, resmungando.

 

   - Não vou sair daqui – Seus dedos alisavam meu braço – Me deixa te ajudar, Hyuk?!

 

   - Por que se importa DongHae? Eu sou uma bagunça, não tente se aprofundar. Não vale apena. – Respirei fundo aconchegando-me naquele calor tão gostoso.

 

   - Eu gosto de você! – Disse como se fosse motivo mais que suficiente – Nada que te envolva é perda de tempo pra mim!

 

   Olhei aqueles olhinhos brilhantes, cheios de inocência, gritavam o quanto queriam cuidar de mim e a sinceridade deles me admirava. Saber que eu despertava um sentimento tão lindo em alguém como DongHae, era inacreditável, qualquer um poderia ter sido alvo de seu coração e logo o mais errado havia sido escolhido. Levantei uma mão e toquei o topo da sua cabeça, deixando um carinho desajeitado ali, não tinha jeito com aquelas coisas, mas eu tentava por ele.

 

   - Você é um anjo.

 

   - Não sou não – Resmungou sobre eu estar mudando de assunto.

 

   - Anjos não sabem que são anjos – Sorri fraco vendo seu rosto corar.

 

   - Então você também é um! – E eu quis debochar, pois se ele me conhece-se nunca diria aquilo, talvez nem estaria do meu lado.

 

   - Não seja bobo.

 

   Sem nenhuma pretensão acabamos ficando ali mesmo, encolhidos e próximos, conversando sobre nossos cursos e coisas sem importância. Meu corpo já havia voltado a se sentir como um inseto esmagado, mas eu não ousaria demonstrar, não queria preocupa-lo, não agora que ele já se dera por vencido ao esquecer o assunto. Estava fascinado por ele, não era nada do tipo amor, era como se pra mim ele fosse intocável, estava desenvolvendo algum tipo de proteção em cima dele. O que me fazia lembrar... Esse banheiro abandonado, era ponto de fumo do HeeChul e ele não havia aparecido.

 

   DongHae tinha seu rosto deitado no meu ombro e seus braços ao redor do meu corpo, estava praticamente quase no meu colo e eu até o colocaria ali se estivesse em melhores condições. Quando ouvimos o sinal de saída nos demos conta de quanto tempo havíamos ficado ali e ao contrário do que imaginei ele estava feliz. Nos levantamos e ele se esticou, mecanicamente me levantei devagar, trincando o maxilar pra não soltar nenhum chiado de dor audível e quando já me preparava para devolver suas roupas ele segurou meus braços.

 

   - Fica com elas, outro dia você me devolve.

 

   - Não, não tem necessidade – Retirei a toca vestindo-a em sua cabeça – Eu não sinto tanto frio, eu só acabei esquecendo minha blusa – Repeti os gestos com o cachecol e a jaqueta felpuda.

 

   - Mas está muito frio Hyuk – Me olhava com aquela doçura do olhar.

 

   - Você leva jeito pra cuidar das pessoas, imagino como seja com crianças – O abracei pelos ombros – Aposto que vai ser o melhor pai do mundo!

 

   - Você acha? – Acenei puxando-o para fora do banheiro – Minha mãe diz o mesmo. Como é seu pai?

 

   - Meu pai... – A última vez que havia visto o desgraçado foi quando quase morri pela talvez décima vez – Não posso chamar aquele homem de pai, mas eu sei que se ele tivesse sido como você, eu teria muito orgulho em ser filho dele.

 

   - Obrigado e eu sinto muito por isso... – Aquele menino precioso.

 

   - Não se preocupe, nem mesmo sinto algo pelo velho – Descemos as escadas e nos juntamos ao movimento do corredor.

 

   - Hyuk? – Virei-me pra ele – Prometeu que almoçaria comigo.

 

   - É verdade... E acabamos nem indo ao refeitório – Quando saímos do meio de tantos alunos ele se colocou ao meu lado novamente.

 

   - Venha até a minha casa – Parei de andar subitamente – O que foi?

 

   - Ir na sua casa? – Afirmou – Mal nos conhecemos. Como pode me convidar assim?

 

   - Eu confio em você – Enlaçou meu braço entre os dele – Por favor?

 

   - Não devia... – Afastei-me dele, me sentia um traidor de alguma forma, como se ele precisasse saber que convidava um prostituto pra sua casa, onde sua família residia.

 

   - Hyuk... – Me olhou triste.

 

   - Eu já disse que você não me conhece e se depender de mim nunca irá – Olhava pra baixo sem coragem de ver seu rosto – Me desculpa DongHae, mas acredite é melhor assim.

 

   - Vou continuar te convidando até que um dia aceite – Sua voz não continha raiva ou choro, parecia ter certeza – Fica bem ta? Nos vemos na segunda – E novamente seus lábios quentes me tocavam a face e a única coisa que eu via era sua silhueta correndo pra longe.

 

 

 

 


Notas Finais


Até a próxima!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...