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História Join the Murder - Capítulo 8


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Notas do Autor


⚠Esse capítulo contém cena +18. Leia por sua conta e risco!⚠

Olá, olá, estou aqui para trazer mais um capítulo para vocês 👌

Boa leitura~

Capítulo 8 - Cicatrizes


Fanfic / Fanfiction Join the Murder - Capítulo 8 - Cicatrizes

“Minha presença tornou-se um fardo para mim mesmo.”

— A.L.

Lucille prestava atenção em tudo que era orientado a si. Hoje seria o seu primeiro dia como babá. A jovem monegasca estava mais do que meses sem um emprego — apesar de formada e com diploma, ninguém parecia interessado em contratá-la, provavelmente devido à sua falta de experiência na aérea em que desejava trabalhar. Foi informada sobre aonde estavam as fraldas, as mamadeiras, shampoos, toalhas e algumas outras coisas que ela já não era mais capaz de recordar, mas que com certeza lembraria quando estivesse em busca de tal. Além das coisas do bebê, também soube aonde cada coisa para suas necessidades encontravam-se.

— Se tiver dúvida em alguma coisa, não se preocupe em me ligar ou mandar mensagem — A mulher que mexia na bolsa sobre a mesa da cozinha disse. Iracema direcionou o olhar rapidamente para sua face. — Vou fazer o máximo para te responder.

A moça loira maneou com a cabeça em positivo.

— Está bem. — Respondeu ela, descansando a caneta sobre o caderninho que segura. — Eu provavelmente vou pegar o jeito rápido, por isso pode ficar tranquila. — Deu um sorriso gentil para a morena, vindo a ser retribuída.

Não considerava-se uma pessoa muito social ou de fazer amizade com grande facilidade, contudo era inteligente e sabida para poder manter uma conversa e causar uma boa impressão. Para sua surpresa, estava sendo capaz de sentir-se confortável dentro daquela casa. Percebendo que o assunto havia sido dado como encerrado, retornou a confirmar suas pequenas anotações, acenando a cabeça ao constatar que estava tudo em ordem. A temperatura exata da água para o banho e da mamadeira, os cuidados que tinha que tomar na hora de banhar o menino e como fazer para dar o remédio do coração a ele.

Enquanto fazia um pequeno rabisco na folha limpa, começou a escutar o início do choro vindo da babá eletrônica. Parece que seu trabalho enfim havia começado. Fechando o caderno e deixando-o sobre a mesa, avisou que iria ver como o bebê estava. Como uma boa pessoa que procura fazer tudo da melhor maneira possível, sentia-se um pouco ansiosa em relação ao restante do dia; cuidar de outro ser vivo era complicado, qualquer descuido poderia dar em um péssimo resultado. A aprovação das pessoas era importante para Lucille.

Conforme aproximava-se do quarto da criança, reparou em como o choro desta diminuiu um pouco. Pronta para poder iniciar o seu primeiro dia de trabalho, a jovem monegasca adentrou rapidamente no quarto, porém recuando para trás quando deparou-se com outra figura no cômodo, assustada.

— Não sou tão feio assim. — Foi o que o superior de seu irmão proferiu ao vê-la se assustar.

Sem graça, a moça loira riu, levando a mão até a nuca e coçando a região suavemente. Lucille era uma pessoa acostumada a ficar sozinha em casa na maior parte do tempo, o que levava-a a considerar — em grande parte das ocasiões do dia — que não viria a dar de cara com outro ser humano na residência. Mesmo a residência não sendo a que ela morava. Uma casa cheia deixou de ser uma realidade há muito tempo. De qualquer forma, sentiu-se envergonhada ao sequer cogitar a presença da pessoa que conseguiu-lhe aquele emprego.

— Desculpe, senhor Lisboa, eu...

— Acalme-se, está tudo bem. — Disse, dando uma pequena fungada no ar. A expressão que o homem veio a fazer deixou um tanto quanto desanimada. Lucille estendeu os braços quando o bebê choroso foi entregue para si. — Um excelente primeiro dia de trabalho. — Desejou Afonso, sorrindo para jovem.

Por um momento, de acordo com que assistia o homem deixá-la sozinha, sentiu um pequeno desespero querendo escapar pelos seus lábios. Nunca havia trocado uma fralda na vida, mesmo que tivesse sido ensinada a fazê-lo — e agora teria que trocar a fralda que foi usada na sua breve aula há alguns minutos. Deixando o bebê deitado sobre o trocador, puxou todo o ar que conseguiu.

Com as bochechas infladas, iniciou o seu trabalho de troca e limpeza. No fim das contas, precisava do dinheiro.

...

Ouvir o bufo dado pelo irmão postiço fez com que o inglês ficasse irritado, batendo a porta do carro com um pouco de força. Ainda era de manhã, pouco antes das onze e meia, e Arthur sabia que teria que suportar Alfred reclamando pelo resto dia sobre o quão cedo ele foi obrigado a acordar e que se ele soubesse que as coisas seriam assim, teria sido melhor ter sido jogado em algum orfanato. De certo, o rapaz somente o dizia da boca para fora, mas não era como se não concordasse com as palavras dele. Gostava do rapaz estadunidense e o tinha como irmão, mas as coisas teriam sido melhores se ele não tivesse se tornando o “mentor” dele e o feito seguir seu caminho.

Direcionando o olhar para o carro que estava mais à frente, avistou Alistair e Dylan retirando-se do veículo quando as portas foram abertas. Com um gesto, o homem ruivo chamou por eles, caminhando em direção ao barracão de madeira; levando o dedo indicador à gola alta de sua camisa preta, tentou afrouxá-la um pouco, mesmo que esta não estivesse de fato incomodando-o. O que realmente o incomodava era estar ali. Seu irmão — ou Chefe, para ele tanto fazia do que devia chamá-lo — bateu contra a porta do barracão. Dando alguns passos para trás, os dois lados da entrada foram abertos, e o inglês arqueou a sobrancelhas ao avistar que algumas armas estavam apontadas. Porém não por muito tempo. Logo atrás à pequena fileira de homens armados, um pequeno caminhão.

Ivan Braginsky elevou a mão, fechando a palma. Não precisava olhar para saber que Alfred fazia uma expressão raivosa, sentindo asco em ver o russo ali, com o seu habitual sobretudo e cachecol sobre os ombros. Com as armas abaixadas, os britânicos e o rapaz sueco-americano adentraram no local. Sinceramente, mesmo que já o estivesse fazendo há algum tempo, era estranho sempre ter que ficar de cara com as costas dos irmãos. Antes de ocupar a sua posição como “braço direito”, não imaginava que fosse assim — afinal, por ser o braço direito, deveria ficar ao lado deles, não? De qualquer forma, era perda de tempo dar atenção para isso.

A mão de Alistair envolveu a de Ivan em um cumprimento e com isso ambos iniciaram um diálogo. Foi capaz, também, de reparar que Dylan igualmente falava com alguém, que encontrava-se ao lado do fornecedor russo.

— Kat! — Escutou Alfred exclamar, não tão alto como era de seu costume.

A pequena exclamação do rapaz ao seu lado pareceu chamar a atenção da mulher, que direcionou os globos oculares na direção do mesmo. Direcionando-se ao irmão, Yekaterina pareceu informar-lhe que iria afastar-se por um momento, permitindo assim que o homem continuasse com os negócios em sua ausência, dando um aceno de cabeça e afastando-se dos homens. Gentilmente, a ucraniana o cumprimentou, sorrindo doce. Não pôde deixar de reparar em como as bochechas continham um tom rosado.

O casal afastou-se de si e, olhando minimamente para trás, conseguiu avistar o momento em que seu irmão postiço inclinou-se em direção à mulher. Que inveja, até mesmo Alfred tinha alguém enquanto ele permanecia sozinho.

Sozinho a menos que...

— Eduard — A voz do russo tornou-se audível para todos. — As caixas. — Assim que sua ordem foi dada, foi-se ouvido o compartimento do caminhão sendo aberto.

O tal Eduard, um estoniano que usava óculos e não transmitia qualquer tipo de perigo, apareceu enquanto alguns homens carregavam as ditas caixas. Eram três no total, de madeira e lacradas, o que mostrava que o produto não havia sido adulterado durante o transporte. As tampas foram forçadas por ferro para serem abertas.

— Rifles sniper de longo-alcance — Iniciou o estoniano, ajeitando a ponte dos óculos sobre o nariz, utilizando do dedo médio. — Metralhadoras ponto cinquenta e — A terceira caixa foi aberta. — Lançadores de granada.

Alguém soltou um assobio.

— Isso é que são armas. — Falou o galês, dando a entender que ele fora quem assobiara.

— Eu só vi armas assim nos meus jogos de guerra. — Comentou Alfred, o qual não notara que havia voltado para perto de si. O rapaz estadunidense foi para perto das caixas, inclinando um pouco e analisando a armas. — Jesus...

— Verá mais disso futuramente, Alfred. — Alistair afirmou enquanto dava uma pequena risada. Virando-se para o rapaz a quem direcionou seu comentário, retornou a falar. — Chame os outros e diga para que tragam o pagamento.

Alfred esbarrou levemente em seu ombro ao virar-se; incomodou ao inglês ele não ter pedido por desculpas. Mantendo os braços cruzados, continuou a encarar aqueles que estavam reunidos, vez ou outra direcionando seus olhos para aqueles que lacravam novamente as caixas de madeira.

— Fiquei sabendo que estão enfrentando alguns problemas. — Comentou Ivan, colocando o peso do corpo na perna direita. Não parecia mais machucada, pelo visto. — Nazistas, não é? É para isso que querem as armas?

— Sim, são nazistas. Supremacistas. E não, as armas não são para nós — Alistair informou. — São para os negócios de um amigo da família, assunto pessoal dele.

O russo somente arqueou as sobrancelhas, maneando a cabeça para cima e para baixo.

— Isso não será um problema para nós, não é? — Desta vez quem perguntou foi o estoniano, recebendo a atenção de todos. — Bem, nós somos seus fornecedores, por isso...

— Eles não terão ousadia o suficiente para nos enfrentar. — O homem eslavo esticou o sorriso que poderia ser considerado amigável. Ah, como Arthur odiava aquele misto de cara de retardado e vozinha infantil. — Temos a história como exemplo. No nosso caso, não possuímos o inverno, mas temos mais de onde essas armas saíram. — E soltou uma risada.

De sua parte, somente deu uma revirada de olhos, parando de prestar atenção no que eles falavam. A porta novamente se abriu, e o inglês caminhou um pouco mais para o lado. Eram três malotes pretos, que foram devidamente conferidos, o que veio a deixar Ivan satisfeito com o acordo que mantinham. Com as armas sendo carregadas para fora, avistou um novo aperto de mãos sendo dado.

Quando Alistair e Dylan viraram-se em sua direção, para se retirarem, o inglês tocou o ombro do rapaz estadunidense. Ao toque, Alfred pareceu querer dizer alguma coisa — provavelmente algo sobre querer se despedir de Yekaterina —, mas recuou diante o olhar do padrinho, somente concordando em se retirar junto a ele.

...

Qualquer um que olhasse seria capaz de notar que Antonio caminhava com um semblante e uma aura deveras alegre. Aquilo, quem sabe, poderia ter sido causado pela recente reaproximação que teve com o namorado. Suas mãos estavam dentro do bolso da calça, seus passos estavam amplos e em sua face havia um singelo sorriso, como se tivesse acordado em um dia alegre de algum filme de comédia. Mas, na verdade, aquilo não era causado pela possível tranquila manhã que estava tendo ou dos dias agradáveis que estava passando ao lado de Lovino. Aquela aparência de conforto surgiu quando Afonso dissera para que fosse cobrar a parte deles a Roderich.

Apesar de a pornografia ser o negócio legal deles, os assuntos a serem tratados pertenciam 80% a Antonio. Na época, Roderich havia acabado de deixar o estúdio em que trabalhava e decidido iniciar o seu próprio, mas por não ter como iniciar isso gastando do próprio bolso, aceitou ter Iberian como sócio. Devido a isso, ele recebia proteção e dividia os lucros. Quem ofereceu a parceria foi o espanhol e o ex-ator pornô apenas abraçou a ideia. O pornô dava lucro, e era isso que importava no final das coisas.

Abrindo a porta dos fundos do barracão em que o estúdio funcionava, adentrou no local. Se deparou com o silêncio ao entrar no local, coisa que não via como um problema. Conforme ia andando, reparava nos cenários montados. Admitia, o austríaco era demasiado sofisticado; ao contrário dos cenários genéricos que a maioria dos pornôs possuíam, Roderich parecia preferir uma coisa mais confortável e sensual — prestando atenção nisso, não diferia muito da personalidade do moreno. Nunca chegou a assistir algo de sua autoria, mas sabia que o austríaco não costumava filmar a face das pessoas que trabalhavam para ele, e quando o fazia não focava amplamente. Era um jogo de câmeras que Antonio não era capaz de compreender e sequer explicar.

O escritório ficava um pouco distante dos cenários, para que assim ele pudesse trabalhar mais tranquilamente longe dos barulhos das filmagens. Era um ponto estratégico. O sorriso que encontrava-se em seu rosto ficou mais amplo quando deparou-se com a imagem de Roderich através dos vidros das paredes, com as suas roupas engomadas e mexendo em alguma papelada. Aproximando-se, bateu levemente contra um dos vidros, recebendo a atenção do moreno, que ergueu a cabeça para poder mirá-lo.

Os papéis que ele lia foram colocados em uma pasta preta, que foi deixada ao canto da mesa, e as costas foram de encontro com a cadeira.

— Veio pegar o dinheiro, correto? — Questionou ao ajeitar os óculos sobre o nariz, apoiando as mãos no braço da cadeira e levantando-se.

— Sim, mesmo dia e horário. — Falou o espanhol, ainda mantendo o sorriso presente em seu rosto.

Um olhar foi lançado para ele por de cima das lentes dos óculos, logo sendo desviado quando Roderich afastou-se da mesa e caminhou em direção aos armários. Os móveis ficavam em um ponto ocular estratégico; era dentro de um daqueles armários que o pequeno cofre do austríaco ficava, porém pela cadeira do mesmo ficar de frente para o móvel, dificultava a visão dos demais, independente do quanto mudassem de posição. Abaixando-se para ficar na mesma altura que a porta de correr do móvel, empurrou-a para o lado, assim como as pequenas caixas coloridas que usava para ocultar o cofre. A senha foi digitada, permitindo assim que a caixa de metal fosse aberta.

Era um maço grande de dinheiro aquele que foi colocado sobre a planície do armário marrom, para que assim as coisas dentro deste fossem novamente organizadas. A porta correu para o lado, ocultando o conteúdo que havia ali dentro e o austríaco novamente colocou-se de pé. Entretanto, ao invés de entregar o pacote para o espanhol, o moreno o abriu, começando a conferir se a quantidade estava certa. Dobrando novamente a aba do envelope, Roderich virou em direção a Antonio, caminhando até o mesmo.

Estendendo o pagamento, o austríaco ficou próximo — muito próximo — quando o outro homem segurou o envelope de papel.

— Aqui está a sua parte do dinheiro. — Roderich disse e em seguida lambeu o lóbulo da orelha do espanhol com a ponta da língua. Soltando o maço de dinheiro, sua mão esquerda relou na coxa de Antonio, deslizando e apertando a nádega do mesmo.

O toque atrevido o levou a arquear sutilmente as sobrancelhas, um tanto quanto surpreso. Havia um sorriso malandro enfeitando aquela face que sempre estava muito séria, tornando-se charmoso devido à pinta que ele tinha ao canto da boca. A mão do outro afastou-se de sua nádega, indo ao tecido de seu blazer negro e resvalando a mão pelo seu peito. Parando para pensar agora, nas outras vezes que ia receber o dinheiro, as gravações já estavam ocorrendo no estúdio. Antonio deixou um riso escapar sem querer.

— Você disse para que viessem mais tarde, não foi? — Indagou referindo-se aos funcionários do local.

A destra do austríaco tocou seu rosto, apertando sua bochecha com um pouco de força, dando um beliscão.

— Na nossa primeira vez, você pareceu ser mais esperto, senhor Hernández. — Provocou, mordendo-lhe o lábio inferior, para então deslizar a língua sobre ele.

O envelope foi deixando sobre a mesa enquanto os lábios do espanhol iam se abrindo, aceitando receber o beijo que estava por vir. As pontas dos dedos de Roderich tocaram a pele de seu pescoço, apertando seus fios de cabelo quando enfiou uma das pernas em meio às dele. A língua do austríaco enroscou-se à sua, o mesmo o puxando para mais perto e soltava um suspiro abafado. Segurando o tecido do suéter marrom e o erguendo, passou as mãos por debaixo da veste, separando o ósculo que trocavam. A boca de Antonio deslizou por toda a extensão do pescoço do outro homem até a orelha, provocando arrepios na tez pálida.

Roderich arfou, pendendo a cabeça para o lado, indo contra a perna que pressionava sua intimidade. Chupando o lóbulo da orelha de seu amante, lutou contra a vontade que tinha em marcá-lo, vindo a somente mordiscar levemente uma porção de pele. Ele gemeu fraco, arranhando a pele nua da nuca do espanhol. A língua retornou a invadir a cavidade úmida do austríaco, sentindo que o moreno, que entregava-se ao beijo lascivo, desafivelava o cinto e abria o botão da calça social usada por Antonio, descendo o zíper. Mais uma vez atrevidos, os dígitos do homem tocaram o tecido da peça íntima usada pelo espanhol, tocando superficialmente o membro deste.

A mão enfiou-se dentro da veste, gerando assim um gemido. O toque direto levou o mafioso espanhol a relaxar, firmando mais sua perna contra pélvis do produtor pornô. Por dentro da cueca, Roderich masturbou o pênis ainda semidesperto do moreno, acariciando a glande, ao mesmo tempo em que usa língua compactuava com a sede de Antonio, procurando pela dominância do ato como ele fazia. Entretanto, a masturbação não acabou indo muito longe, uma vez que o austríaco afastou a mão do membro do ibérico e tocou os ombros do mesmo, empurrando-o minimamente para longe de si, quebrando o beijo.

Afoito em busca de ar, o austríaco suspirou diante o aperto que recebeu em ambas as nádegas, ainda mantendo suas palmas sobre os ombros de Antonio e empurrando-o em direção à sua cadeira. Quando obrigado a manter-se sentado, manteve as pernas separadas, apreciando a visão de Roderich ajoelhado e tocando suas coxas, subindo o toque até a barra de sua cueca. Descendo a peça, ele enlaçou os dedos ao redor da carne dura e quente do pênis do espanhol, acariciando-a e sorrindo satisfeito diante os suspiros. Os movimentos eram lentos, porém firmes o suficiente para que Antonio separasse mais as pernas, permitindo assim que o austríaco aproximasse-se mais de sua pélvis.

Com o movimento ficando mais acelerado, veio a pronunciar o nome do moreno de maneira baixa e arrastada, com a respiração começando a ficar mais pesada. Ainda a envolver o falo alheio, o austríaco guiou a mão livre às próprias vestes, abrindo-as e tocando o membro por de cima da cueca, assim como fizera com Antonio. Soltando um gemido abafado, aquele que encontrava-se ajoelhado apertou a glande do espanhol, o que igualmente o levou a grunhir satisfeito, puxando o ar por entre os dentes.

Com a saliva acumulada na boca, Roderich segurou seu pênis e afastou a outra mão da própria intimidade, pousando-a em sua coxa enquanto deixava a saliva escorrer pela glande. A baba escorria pela extensão do falo, sendo espalhada pelas mãos que o acariciavam — pôde escutar uma risada quando veio a pender a cabeça para trás, apreciando dos movimentos ao redor de seu membro. Ainda a masturbá-lo, os lábios envolveram a glande, chupando-a com delicadeza e rodeando a ponta da língua; diante os toques, o espanhol abaixou a cabeça, reparando que estava sendo encarado fixamente pelos olhos arroxeados.

Tocando a glande com a ponta da língua, os cantos dos lábios sorriram. Antes que pudesse soltar uma provocação, teve o pênis engolido. A boca foi totalmente preenchida e ele não precisou de muito para acostumar-se com o tamanho. Roderich chupava com gosto, indo e vindo com a cabeça enquanto pegava o ritmo, já sabendo como fazer da maneira que o espanhol gostava. Os olhos ergueram-se, fitando a expressão extasiante de Antonio.

O membro foi molhado com a boca o máximo que o austríaco conseguiu — contudo, aquela não seria a única lubrificação a ser usada. Estavam em um estúdio pornô, então tornava-se óbvio que Roderich possuísse algo mais adequado. Filetes de saliva caiam pelo canto da boca do outro homem, seu pau sendo apertado e massageado pelos lábios quentes, sendo prensado pelo fundo da garganta do moreno. Ao afastar o rosto de sua virilha, e com isso interromper a felação, o homem entre suas pernas arfou, limpando a boca com as costas da mão.

Sem dizer nada, observou-o se erguer e retirar o suéter, para abrir os botões da camiseta, apreciando a visão da pele avermelhada de seu colo. Uma gaveta solitária da mesa foi aberta, após ser destrancada com a chave que encontrava-se ainda na fechadura; de dentro dela, o moreno pegou um preservativo e o pacote de lubrificante. Com certeza ele se divertia sozinho nos momentos solitários, pois aquilo não tinha cara de ser algo criado para emergências. Os produtos foram jogados contra seu colo.

— Não preciso te instruir — Provocou o moreno, apoiando os dedos da mão esquerda na mesa que estava atrás de si. — Ou preciso? — Ele repuxou um pouco os lábios, vindo quase a sorrir.

Empurrando a cadeira mais para trás, pegou aquilo que foi jogado sobre si, colocando-se de pé. Reparou em como o brilho no olhar do austríaco mudou, quando passou a encará-lo.

— Se apoie na mesa e se empine para mim. — Ele não foi capaz de ver, mas por debaixo dos tecidos de roupas, a tez de Roderich arrepiou.

Virando-se totalmente para a mesa, as mãos espalmaram sobre a planície de madeira, deslizando para frente para que assim os braços ficassem sobre ela, dando apoio ao tronco. Nisso, curvando as costas, o quadril foi erguido, assim como o ordenado. Era uma boa visão a das nádegas redondas sendo ressaltadas pela calça escura, mas ela poderia se tornar perfeita. Ao se aproximar, enfiou as embalagens de preservativo e lubrificando no bolso da calça, segurando as peças de roupa de Roderich e puxando-as para baixo, em um movimento não muito delicado, até que as mesmas ficassem abaixo dos joelhos do moreno.

O produtor pornô chiou e Antonio passeou a língua pelos lábios, ao abrir ambas as nádegas, admirando a visão. O interior de sua boca inundou-se em saliva, na ânsia de acariciar a entrada rosada de Roderich com os lábios e penetrá-lo com a língua, contudo optou por descartar a ideia e ir direto ao que pretendia. Pegando e rasgando o pacote de lubrificante, despejou quantidades iguais sobre os dedos e a entrada do amante. Vagarosamente, pincelou a região com as pontas dos dígitos, inserindo dois dedos cuidadosamente e com determinada facilidade, devido aos músculos estarem relaxados. Dedilhando o interior, Antonio abria espaçado entre as paredes do ânus do outro, ouvindo os grunhidos abafados deste, o que deixava-o mais excitado.

Ele conseguia imaginar os olhos ametistas revirando em prazer, e um terceiro dedo foi inserido. Os ombros se encolhem e a voz fica muda, até que o austríaco volta a gemer com as investidas certeiras, empinando-se mais e arqueando as costas. Torturá-lo sexualmente era interessante, uma vez que Antonio não conseguia o fazer com Lovino — ele era impaciente e não gostava de joguinhos. Escutar o moreno suspirar e choramingar, pedindo para que desse o fim naquilo, era fantástico. Sorrindo lascivo, puxou os dedos para fora, avistando o quadril do outro rebolar.

A camisinha envolveu seu pênis duro, tendo sua embalagem jogada no chão, e a mão o rodeou, acariciando-o com rapidez. Suspiros do espanhol tornaram-se mais uma vez presentes, vindo a misturar-se com os suspiros ansiosos do outro; Roderich encarou-o por de cima do ombro, gemendo ao avistar miseravelmente a visão de Antonio punhetando o próprio pau. A mão esquerda do moreno agarrou a nádega do austríaco, separando-a, e guiou o falo até a entrada rosada, pressionando a glande contra ela.

— Estou entrando. — Anunciou Antonio, guiando-se por entre as nádegas e cuidadosamente adentrando em no interior do amante. Escutava-o gemer baixo e arrastado, e apreciou deste som enquanto penetrava lentamente até estar totalmente dentro.

A respiração do outro homem soava arfante, a cabeça pendida para baixo. Os ombros subiam e desciam no mesmo ritmo com que os pulmões buscavam por oxigênio. Suas palmas foram mantidas sobre o quadril de Roderich, mas vez ou outra deslizavam para debaixo da camiseta, passando pelas laterais do tronco dele, em uma carícia delicada. Em pouco tempo, pôde ver o rosto avermelhado virar-se, novamente mirando-o por de cima do ombro, mas ele nada disse e voltou a manter-se firme sobre os braços.

Compreendendo o recado, agarrou com força os quadris do moreno, retirando-se quase por inteiro e voltando com o quadril com força, fazendo o amante gemer alto. Mordiscando o lábio, o espanhol cerrou os olhos. Novamente, se retirou e voltou, deslizando uma das mãos pelas costas cobertas pela camiseta aberta, trilhando um caminho aos cabelos marrons e firmando os dedos neles, para finalmente começar a fodê-lo.

...

Francis conferia as mensagens enviadas pela irmã, que respondiam suas inúmeras perguntas sobre como as coisas estavam e se Romeo não estava sendo-lhe um incômodo. Tanta atenção era dada ao que ela dizia, que o francês nem ao menos se incomodara com a música escolhida por Gilbert, durante o trajeto ao estúdio pornográfico. Lucille dizia que estava tudo bem e que ela havia conseguido pegar rapidamente o jeito para as coisas — ela tinha sido bem instruída e encontrado bons vídeos na internet, o que ajudou-a muito no processo. Quanto a Romeo, ela dizia que o rapaz italiano era uma excelente companhia e que gostava de conversar com ele, mas também afirmou que ele parecia meio receoso em alguns momentos. Francis respondeu que aquele era o jeito Vargas — serem boas pessoas, mas ainda assim meio medrosos.

A verdade era que o francês havia ameaçado Romeo, quando ele — na companhia de Gilbert — foi deixá-lo na casa de Iracema. Deixou claro a ele que, se algo acontecesse com sua irmã ou com o bebê — “que parece ser o mais qualificado a cuidar de você, do que você cuidar dele” —, seria o próprio Francis quem faria algo acontecer a Romeo. Tinha sido uma ameaça de categoria leve, contudo o rapaz pareceu levar bem a sério. Do jeito que ele gostava.

Guardando o celular no bolso, o homem loiro levou a mão aos cabelos, colocando uma das mechas atrás da orelha. Erguendo os olhos, reparou no carro de Antonio estacionado. Ele ainda deve estar falando com Roderich, ou ao menos era o que ele esperava. O volume da música foi abaixado de acordo com que iam se aproximando, até Gilbert parar o carro.

— Quer que eu entre com você? — Indagou o alemão, e pôde perceber as segundas intenções presentes no seu tom de voz.

— Não, você deve ficar aqui, caso ocorra algo e tenhamos que agir rápido. — Falou enquanto envolvia a maçaneta da porta, puxando-a. — Além do mais, a pré-produção não é tão interessante quanto a pós. — Finalizou a frase empurrando a porta para fora, abrindo-a e retirando-se do veículo.

Dando a volta na parte da frente do carro, escutou o alemão dizendo “me conte se ver alguém transando lá dentro” e soltando uma risada arranhada em seguida. Francis somente sorriu e fez um sinal de positivo.

Sua tarefa no local era simples: informar Antonio de que deveriam se encontrar na sede daqui duas horas e que ele e Gilbert estavam indo se encontrar com os britânicos, para pegar as armas que negociaram com o chinês. Isso, sobre encontrarem-se com a família que originou-se em ilhas viciadas em chá, de certo deixava-o animado. Francis não era de manter-se muito focado em uma pessoa, mas para ele aquela atração física e sexual estava forte demais para ser ignorada. E, bem, depois do pequeno flerte que trocaram no último encontro... Estava difícil largar aquele osso.

Decidindo não deixar que seus pensamentos libidinosos continuassem presentes, tentou parar de pensar um pouco, focando-se em apenas conversar com Antonio. Abrindo o suficiente da porta, adentrou no barracão, reparando em como tudo estava vazio. Era de fato estranho, não negaria, pois estava acostumado a, toda vez que encontrava-se necessário ir ao local, deparar-se com sexo. Francis não era uma pessoa chegada ao pornô, claro que vez ou outra ele cometia o deslize, por isso não fazia questão de ficar no estúdio e ficar assistindo as coisas serem gravadas. Por mais que soubesse como as coisas eram feitas por Roderich, ele ainda se mantinha longe.

Sabendo onde se encontrava o escritório do austríaco, caminhou diretamente até lá. Encarando o horário, viu que restava tempo para que os fornecedores estivessem no local marcado, contudo ele queria adiantar as coisas, e isso não era somente por ele, mas também por ter percebido que Afonso estava consumido por impaciência nos últimos dias. Ele estava aéreo e parecia pensar em outras coisas quando falavam com ele. Já chegou a quase perguntar o que se passava, contudo optava sempre por deixar de lado e não se intrometer onde não devia. Apesar de na maior parte do tempo ficar apalpando e soltando comentários de duplo sentido ao português, Francis sabia que existia um limite entre eles e o respeitava.

Novamente deixando seus pensamentos de lado, paralisou os passos ao reparar em um barulho molhado — um som característico que ele não demorou em reconhecer. Parado, notou que bastava andar um pouco mais para poder ter uma visão da sala do austríaco. Dando alguns passos para o lado, escorou-se contra a parede, balançando a cabeça para os lados. Aquilo não podia ser o que ele estava pensando, simplesmente não podia. Arrastando os pés e se movendo, chegou à ponta da parede, e levantando a cabeça, mirou em direção à sala.

A inconformidade e a raiva emergiram em seu âmago, o que levou-o a deixar de encarar a cena por um momento. Francis queria gritar, de ódio, de decepção, de qualquer outro sentimento que estava tomando conta de si no momento. Aquilo não era um deslize — nem mesmo a primeira vez fora a porra de um deslize. Antonio tinha consciência do que fazia, pois não sofria de nenhum tipo de retardo mental e muito menos estava bêbado, para que pudesse colocar a culpa no álcool e pudesse ter a chance de dizer que havia cometido um deslize por não estar 100% são de seus atos.

Poderia ir até lá, acabar com o que estava acontecendo, entretanto ele sabia que essa não era a sua tarefa. Estava tentando aconselhar Antonio — por mais que sua função, no meio da Família, não fosse dar conselhos em relação às vidas pessoais dos outros — e continuaria a fazê-lo até que o primeiro sinal de desconfiança de Lovino surgisse. Tentar aconselhar o espanhol a terminar com o italiano seria o melhor e era o que pensava em fazer, mas sabia que Antonio não o faria, já que estavam juntos justamente por conta dos negócios de suas famílias — algo semelhante a casamento arranjado, mas sem que tivessem sido prometidos um ao outro. Era por isso que Francis tinha que pensar antes de soltar alguma bomba, nada podia acontecer de forma repentina.

Respirando fundo, pegou mais uma vez o celular, abrindo a câmera e posicionou a mão na altura da cabeça. Vendo que a imagem encaixava-se bem na tela, clicou para gravar em vídeo. O som das vozes e do ato eram um pouco altos, certamente seriam capturados pelo aparelho. Por cerca de trinta segundos o francês manteve a filmagem, para então finalizá-la e recuar o braço. Afastando-se do local, passou a refazer o caminho para o lado de fora, ainda com o celular em mãos. Olhando para trás, começou a escrever uma mensagem para Antonio, dizendo através dela o que devia ter feito pessoalmente.

Abrindo a porta, colocou o aparelho no bolso. Saindo do local, mirou em direção a Gilbert, que tocava sua bateria invisível ao som da música que escutava. Os olhos rubros direcionaram-se para sua figura, acompanhando-o mais uma vez passar em frente ao carro e adentrar no mesmo. Por tanto tempo Francis pensou em tentar amenizar as coisas por conta de Lovino, que nem mesmo pensou em Gilbert.

Por que esse alemão albino e bobo tinha que ser apaixonado logo por aquele se tornou o amante do melhor amigo deles?

“Por que tal coisa tinha que acontecer?” e “como consertar isso pacificamente?”, eram perguntas que Francis não aguentava mais ter em mente.

— Conseguiu falar com o Antonio? Ou ficou ocupado assistindo o que acontecia lá dentro? — Gilbert acabou rindo, mesmo que o francês não o tivesse feito.

— Consegui falar com ele e não prestei atenção no que acontecia lá dentro. — Francis abriu o porta-luvas, pegando um maço de cigarro e um isqueiro. Ele estava nervoso, precisava de algo para acalmar-se. — Estamos trabalhando, não podemos ficar nos distraindo assim.

O albino crispou os lábios, chamando-o de sem graça.

...

Tinha sido complicado convencer Alistair a deixá-lo voltar para casa naquele dia, mas no final acabou conseguindo. De verdade, encontrava-se pouco disposto naquele dia, mentalmente falando. Toda aquela merda de armas e negócios era desgastante para Arthur, tornando-se algo totalmente desprezível para ele. Concordava que aquele era o negócio (ilegal) de sua família, que colocava dinheiro em seus bolsos e pão na mesa, mas não era obrigado a compactuar com aquilo. O lacre da latinha de cerveja foi aberta enquanto o inglês caminhava para a sala silenciosa e pouco iluminada pela luz que vinha do corredor que dava para outra área da casa. Sentando-se no sofá em silêncio, ficou a encarar a tela da televisão desligada, mirando sua sutil imagem refletida nela.

Arthur sabia dos perigos, o que sempre fez com que ele ficasse preocupado com os pais quando estes saiam de casa para cuidar dos negócios. E em uma dessas saídas, seu pai não voltou mais. Desde aquele dia, era como se o luto fizesse parte de cada ação que praticasse; desde aquele dia, querendo parar de ser o único a amparar a mãe que lamentava pelos cantos e não querendo mais suportar os irmãos que davam importâncias aos sentimentos deles próprios, Arthur tentou encontrar uma escapatória. Tentou começar a escrever — mas ele isso o fez perceber que não continha o dom da escrita, vindo assim a desistir dela — e também procurou ocupar-se com música — porém acabou enjoando-se delas.

Quando, durante uma tarde, um dos filhos dos homens que trabalhavam sua família ofereceu-lhe heroína, veio a recusar. Ele podia ser um adolescente, mas não era burro e muito menos ingênuo. Contudo, depois de tanto buscar e nunca encontrar a escapatória para o problema que a família Kirkland não era capaz de superar unida, procurou pelo rapaz — pelo traficante que agia pelas costas do pai — e aceitou a seringa. Arthur não usou a droga ao ponto de se tornar um daqueles viciados que vendem itens próprios para conseguir mais dela, na verdade ele até conseguia disfarçar. Entretanto, isso foi por água baixo quando teve a primeira overdose.

Encarando o mínimo de seu reflexo, soltou uma risada, virando a latinha de cerveja na boca. O processo de desintoxicação no hospital foi difícil, permanecer nele foi ainda pior. Brianna, diferente do que ele achou que aconteceria, não jogou sua ira contra o filho, mas sim tomou a culpa como sua, coisa que Arthur discordava e sempre fazia questão de afirmar. O rapaz que ofereceu-lhe a droga e o pai destes foram "convidados" a sair da cidade, quiçá do país, e nunca mais cruzar o caminho dos britânicos. Ele passou um bom tempo em uma clínica e quando a deixou conheceu Alfred. Deu outro gole na cerveja, este sendo mais longo que o anterior.

O pobre menino ainda estava um pouco machucado, tinha acabado de receber alta do hospital. O canto do olho de Alfred, com seus oitos anos, estava com um hematoma roxo e a testa continha um ferimento fechado pelas ditas “casquinhas”. Além do rosto, os braços e pernas também estavam com marcas. Pelo que sua família sabia, os pais biológicos de Alfred se separaram quando o pai do menino revelou ser gay e a mãe deixou os Estados Unidos sem que o homem soubesse, levando com ela o menino e o irmão gêmeo deste. Arthur nunca conheceu o pequeno Matthew, ao menos não com este vivo. A mulher se casou novamente, e o homem tinha ligação com Britannia — vendia informações e alguns favores para eles.

O padrasto não era uma pessoa boa, e os meninos passaram por todo tipo de violência física, psicológica e sexual. Uma vez, em uma das conversas com Alfred, quando o menino passou a morar consigo, soube que Matthew era considerado o “favorito”, sendo a maior vítima do homem. A mãe, assim como os filhos, também era violentada. Os britânicos não tinham um laço íntimo com a família, por isso só descobriram o que acontecia quando sua mãe recebeu uma ligação em seu celular privado. “Era uma voz baixa e sofrida, ela pedia por ajuda”, relembrar da fala de sua mãe fazia-o arrepiar.

Alfred, para deixar de ser espancado, se fez de morto, e conseguiu pegar um celular que estava caído próximo a ele, escondendo-o debaixo do corpo. Diferente dele, a mãe e o irmão morreram de verdade. O pedido de socorro foi feito quando o padrasto saiu para “sumir” com o corpo de Matthew. Enquanto ele era atendido no hospital, sua mãe era encontrada dentro de uma caçamba de lixo e o seu irmão em uma beira de estrada. Arthur não sabia sobre o fim que o padrasto e antigo informante teve. Uns diziam que ele foi morto e desmembrado, sendo dado para cachorros; outros diziam que ele foi queimado ainda vivo e agonizou até morrer; mas uma outra parte dizia que não sabia ao certo, mas que sabia que independente de como ele tivesse morrido, todos estavam satisfeitos com isso.

Alfred passou por tratamento psicológico e continua passando, mas com menos frequência do que antigamente. Ele se apaixonou pela primeira vez aos dezessete, mas somente teve relações sexuais aos dezoito — antes disso, qualquer coisa relacionada a sexo era capaz de fazer o rapaz vomitar ou desmaiar de nervoso.

Virando mais uma vez uma latinha, deu inúmeros goles, não interrompendo-os para poder respirar. Afastando-a da boca, balançou-a, notando que ainda tinha mais um pouco da bebida no fundo. Escutou o barulho de chave sendo posta na fechadura, rapidamente deduzindo que tratava-se de Alfred. Levantando do sofá, o inglês caminhou em direção à cozinha.

Jogando a latinha de alumínio na lixeira, abriu novamente a geladeira, ao mesmo tempo em que a porta de entrada também era aberta. Ao adentrar, o rapaz chamou por si, mas logo apareceu no cômodo. Pegando cada lata, procurou pela que estivesse mais gelada, escolhendo a que estava ao fundo do eletrodoméstico.

— Como foi seu dia? — Quis saber Arthur, empurrando a porta da geladeira, que foi impedida de fechar devido à mão que pousou nela. Afastando-se, ficou olhando Alfred pegar um dos potinhos de iogurte. — Se divertiu com a irmã do Rasputin? — O lacre foi aberto e o inglês soltou uma risada.

A porta da geladeira foi fechada com força e o rapaz não direcionou o olhar para sua pessoa, provavelmente por estar envergonhado. Escorando-se na mesa, o iogurte foi aberto e o papel que o lacrava foi deixado sobre o móvel.

— Sim. — Respondeu Alfred brevemente, com as bochechas coradas. Com a língua, começou a comer sua sobremesa.

Arthur somente soube rir da reação do rapaz, não demorando em voltar a ficar sério. Ele estava feliz por saber que Alfred havia encontrado alguém bom, que o fazia bem e dava-lhe o amor devido — por mais que ele ficasse com um pouquinho de inveja.

Era pelas coisas que o rapaz passou que sabia que ele não deveria ter tutorado-o dentro de Britannia. Presenciou de perto as crises e os ataques de pânico durante as noites e os dias, então sabia que Alfred merecia coisa melhor que a máfia — por mais que tenha sido graças a esta que ele foi capaz de conhecer Yekaterina. Por conhecer tão a fundo os medos do sueco-americano, Arthur também era capaz de enxergar as cicatrizes que ele carregava.

Alfred merecia coisa melhor, claro que merecia. Mas não conseguiu convencê-lo do contrário, então estava decidido em ao menos mantê-lo longe de perigo, sempre que pudesse.

— Por que está me encarando tanto, Arthie?

A pergunta o chamou de volta para a realidade. Procurando disfarçar, o britânico caminhou em direção à sala novamente, dizendo:

— Nada, só estava pensando em como Yekaterina é uma mulher sortuda. — Brincou, escutando um “ah, não, bro!” — Venha, vamos escolher um filme para assistir.

Alfred fingiu não estar a fim, seguindo-o para o outro cômodo.


Notas Finais


>> Já faz um tempo que eu não escrevo lemon, então pode não ter ficado grande coisa. E o fato de ser "meio-lemon" foi proposital, mas por favor, não me matem por isso;

>> Nessa fanfic, quero vocês façam duas coisas ao lê-la: 1 - Que prestem atenção em como os relacionamentos dos personagens são semelhantes (ex: Arthurzeiro e Afonsinho não querem que seus irmão postiço e filho tenham a mesma vida que eles) e 2 - Que odeiem o Antonio o máximo que puderem, e eu vou me esforçar muito para isso qq;

>> Eu sinto muito por ter dado esse passado ao menino Alfredinho, mas ele era necessário por: 1 - Tem relação com o passado do Arthur, pois o fato deles dois terem se encontrado serviu como uma "segunda chance" para ambos - do Arthur consertar o erro que cometeu (as drogas) e do Alfred de ter uma família (o Arthie é como um pai e irmão para ele) e 2 - Obviamente, por conta das semelhanças entre os personagens - sobre o Arthur querer o Alfred longe de coisas da máfia e blá blá, vocês leram isso no capítulo e no tópico acima;

>> Quero saber das teorias de vocês sobre o que o Francis vai fazer com o vídeo que ele filmou da sacanagem SpAus - mas nada relacionado a punh3t4 hue;

>> Escrevendo esse capítulo, eu percebi que me esqueci completamente de informar as idades dos personagens. Então aqui vai:
Afonso - 34 / Antonio - 33 / Francis - 32 / Gilbert - 31 / Lovino e Feliciano - 30 / Romeo - 25 / Arthur - 30 (os irmãos dele têm de 34 a 40 anos) / Alfred - 21 ou 22 / Roderich - 34 / Iracema - 33 / Yekaterina - 42 (milf bonitona, yehaw 😎) / Lucille 23.
Os demais personagens eu vou informando no decorrer da fanfic, se eu lembrar 😔;

>> Alfred come iogurte sem colher, e Yekaterina é muito agradecida a isso 🌚👌

>> No próximo capítulo, eu prometo fazer o Gilbertinho brilhar 💖

Espero que tenham gostado. Desculpem qualquer erro!

Inté 😔✊✊❤


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