História Jonas: Uma lição de Coragem e Compaixão - Capítulo 6


Escrita por: e Samyazah

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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Assíria, Bíblia, Coragem, Deus, Israel, Jonas, Mar, Nínive, Peixe, Tempestade
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Palavras 1.999
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - O Sinal


Fanfic / Fanfiction Jonas: Uma lição de Coragem e Compaixão - Capítulo 6 - O Sinal

- Não, nós não podemos abandonar tudo o que fizemos nessa cidade! – Murmurava um assírio ao amigo, enquanto o outro recolhia as estatuetas pagãs da mesa de madeira onde comercializava; estava com medo da pregação de Jonas.

- Escutem! Ele é um profeta do Deus de Israel, Yahweh, a divindade dos hebreus! – Insistiu o comerciante. – Vocês não sabem o que aconteceu no passado? Graças a esse Deus, os hebreus dominaram toda a região de Canaan!

- E não foram os nossos reis quem conquistaram toda a terra de Haran e Hamath!? – Questionou outro, entrando na conversa.

Aos poucos, com tamanha confusão, um círculo começou a se formar, onde muitos homens assírios discutiam sobre o futuro de suas vidas na cidade.

- Vamos fugir logo daqui! – Sentenciou um deles.

- Largar tudo!? – A esposa do comerciante adentrou a roda e segurou o braço do marido, estranhando o anuncio do cônjuge. – Para onde iremos? Nínive é a nossa casa!

- Talvez pudéssemos ir para Assur, talvez assim o nosso deus supremo nos protegesse! – Sugeriu um outro.

- O que está acontecendo? – Questionou a mulher. O marido, contudo, se afastou dela, largando sua mão.

Na sacada de uma casa, uma mulher assíria e uma escrava, que segurava um bebê na mão, provavelmente o filho de sua senhora, assistiam à aglomeração e à discussão pasmas. Rapidamente, as pregações do israelita se espalhavam pela urbe.

- Vamos nos arrepender! – Um marido da mulher retornou e se juntou à roda. Nas suas mãos, o homem segurava um pano de saco. – Façamos roupas para nós e para cada uma de nossas famílias. Com jejum e com oração, peçamos ao Deus de Judah e de Israel que porventura não nos destrua, para que, assim, possamos mudar de atitude.

- E você acha que isso dará certo? – Questionou o amigo.

- Quem sabe o Senhor dos hebreus não tenha piedade de nossas vidas e piedade da cidade de Nínive, e nos perdoe? Talvez assim, ele não destrua a nossa morada, nem as nossas famílias, bem como a nossa descendência sob esta terra. – Ponderou, entregando o pano que comprava nos braços de sua mulher.

***

Conforme os dias se passavam, era comum que as prostitutas notassem o sumiço de seus clientes e, saindo de casa em plena luz do dia, observassem dezenas e até mesmo centenas de pessoas ajoelhadas no chão da cidade, clamando com toda a força vocal que possuíam, pedindo fervorosamente para que o Deus de Israel lhes perdoasse. Em sua maioria, as mulheres choravam, e muitas levavam os filhos para clamarem junto delas.

Jonas se sentou perto de uma escadaria que levava a uma ponte da cidade, e por lá ficou, enquanto o povo jejuava e orava ao Deus dos hebreus. O filho de Amitai estava cansado, este fora apenas o segundo dia de profecia, mas, mesmo assim, tudo indicava que os ninivitas estavam realmente arrependidos de suas más ações.

- Ó, meu Deus, isso só pode ser um milagre! – Jonas riu, olhando para o céu clareada e com poucas nuvens, típico de um dia normal no Oriente. – Quem diria que o povo mais cruel que a Terra já viu cederia à sua palavra em tão poucos dias.

- Falso profeta! – Clamava o sacerdote Nabiurna, acompanhando por Ninki e um seleto grupo de religiosos adoradores de Assur, a divindade patrona da Assíria. – Como ousa decretar a destruição da capital do grande reino assírio!? – Nabiurna pegou Jonas pelas vestes, próximo ao pescoço, e o barrou numa parede. – O seu Deus é um Deus de camponeses. Como pode um Senhor de escravos aniquilar o povo que conquista nações e as escraviza? Por acaso não é a Assíria quem combate o Egito, o mesmo povo a quem seu Deus permitiu que escravizasse seus antepassados?

O grupo de sacerdotes e fanáticos começou a rir, debochando da feição que o israelita emitia ao ser pressionado.

- Foi Deus quem os fez quem são, e é Deus quem dá poder aos seus reis. – Proclamou o profeta, desgarrando-se das mãos de Nabiurna, e caminhando para o meio da grande ponte, podendo contemplar, assim, a passagem das águas do rio Tigre pelo meio da urbe. – Assim como Yahweh zela pelo seu povo, a quem escolheu da linhagem de Abraão, aquele que um dia foi parte do mesmo povo que vocês, ele também demonstra seu amor e seu carinho pelos gentios e seus povos. Ora, não é o Deus de Israel criador dos céus e da Terra? Não consta na história antiga dos assírios que havia sob a Terra um Deus supremo? Pois eu afirmo que desde os tempos em que Nimrod, o profano, escondeu a identidade do Criador, transformando-o num tirano, vocês passaram a se afastar do Deus vivo!

Com seu orgulho ferido, Nabiurna ergueu a cabeça, se aproximou de Jonas, e sussurrou em seu ouvido:

- O que um hebreu imundo como você sabe sobre os deuses!? – Nabiurna exclamou forte, em seguida. - Porventura és um sacerdote a serviço dos espíritos imortais? Não! Tu és apenas um descendente de escravos, assim como todos os moradores de Canaan.

- Assim diz Yahweh de Israel: Eu enviarei aos astrólogos e aos sábios que estudam nas bibliotecas do rei um sinal, que mostrará a vocês que Eu sou Deus, o Senhor e Criador dos céus, da Terra e tudo o que neles há. – Após profetizar isso, Jonas, prudentemente, preocupado com sua vida, se afastou do círculo sacerdotal que lhe repudiava, deixando os mesmos inquietos e calados.

***

No alojamento dos soldados, numa parte mais afastada da sala do trono real, num local próximo ao pátio de treinamento, guardas, oficiais e combatentes do exército assírio conversavam entre si. Muitos deles falavam sobre uma das últimas epidemias que haviam atingido as cidades circunvizinhas de Nínive, ceifando a vida de muitos inocentes, em sua maioria, camponeses, artesãos e trabalhadores do campo.

Nahor estava sentado num banquinho de madeira, de frente de uma mesa; ele estava dentro do extenso cômodo, onde os murmúrios e reclamações entre os oficiais do rei jamais cessavam. Nahor, contudo, estava quieto naquele dia, não desejando se enturmar com seus colegas militares. Ele havia depositado a lâmina de sua espada de ferro em cima da mesa, e tomava um copo de cerveja.

Pazuno, um dos capitães renomados, responsável por liderar uma horda de legiões assírias, se sentou do lado do oficial isolado. Os dois cultivavam uma certa amizade, apesar de ambos normalmente não conversarem muito.

- Ficou sabendo? – Sentou-se no banco. – Uma nova doença de chagas está se alastrando pela cidade de Qattara, ao norte da capital. O rei Assur-dan III está completamente desorientado. Seus conselheiros reais não sabem que mais medidas tomar... E se assim continuar, chegará até Nínive essa pestilência maldita, e será o fim de nosso povo para sempre.

- Isso não é verdade, Pazuno. – Constatou, sem vontade de falar, Nahor, que degustou o líquido alcóolico presente no copo de barro. – Nós já passamos por muitas pandemias parecidas, e continuamos aqui, não continuamos? Os deuses nos protegerão!

- Não protegeram um dos irmãos do rei no passado, quando morreu numa caçada aos leões por contrair a tal praga. – Sussurrou, aproximando a sua face da do oficial, Pazuno. Falar sobre fatos ocorridos à família real exigia sigilo, pois qualquer palavra mal flexionada poderia levar à pena capital.

- A família real continua firme e forte. É bem provável que o nosso antigo rei Adad-nirari III estive em débito com o grande Assur, senhor da terra de Assíria. – Articulou o oficial, demonstrando-se um pouco tenso e deprimido.

- Eu te conheço, Nahor. Você não é de falar assim... Você costuma ser mais brincalhão, e não tão frio e direto. Algo o está incomodando?

- Hum... – Nahor suspirou. – Não aconteceu nada, fique tranquilo.

- Não minta para mim, sou o seu superior. – Repreendeu, com um tom rígido de voz, e ao mesmo tempo demonstrando preocupação, o capitão Pazuno. – Diga, Nahor, o que aconteceu?

- O tal profeta andarilho que caminha pelas ruas de Nínive anunciando seu fim em breve. – Murmurou, já bêbado, Nahor. – Esse homem parece um lunático, como os nossos sacerdotes afirmam, mas também parece estar dizendo a verdade... Ele acredita no que diz, e é muito corajoso para vir até aqui. A fama de nossa crueldade se espalhou e amedronta todos os reinos do mundo conhecido.

Pazuno começou a rir sem parar:

- Não está dando crédito para as afirmações daquele louco israelita, está? Eu ouvi rumores de que ele era um assassino foragido. E se for verdade?

- Isso deve ser mentira dos sacerdotes. Você sabe como a casta sacerdotal se sente ameaçada com qualquer coisa. Podem estar caluniando o coitado. – Argumentou. – E o pior de tudo, é que o rei ainda não está ciente de tudo o que está acontecendo. – Com isso, Pazuno ficou pensativo. – É muito estranho... Como um homem qualquer entra na cidade e consegue ganhar tantos seguidores em apenas dois dias!?

- Dizem que ele escapou da barriga de uma baleia. – Relembrou Pazuno. – O sujeito teria ficado preso no interior do grande peixe durante três dias!

- Sem comer nem beber nada!? – Nahor elevou as sobrancelhas, espantado.

- Sim. Se ele viveu se alimentando da saliva do animal, ou se foi um livramento do Deus dele, disso nós não sabemos. Mas se tudo o que ele disse realmente aconteceu, ele pode ser um homem de sorte...

- Sorte? Ele anuncia a destruição da nossa cidade! – Ponderou Nahor.

- Espere... Você disse que o rei ainda não foi comunicado dessa mobilização do povo em jejuar e orar pela repreensão da maldição que o Deus hebreu lançou contra a cidade, certo?

- Sim.

- Então vamos até diante do rei, contemos tudo a ele, e ele decidirá o que fazer com este homem. – Sugeriu o capitão.

- Nós!? Eu e você!? Diante do rei!? – O oficial se espantou, pois, mesmo condecorado pelo monarca absoluto, ele não possuía acesso à sala do trono real.

- Vamos ou não vamos? – Pazuno se levantou.

- Mas é claro que vamos! – Animou-se Nahor, também se levantando.

- Pois bem, prepare-se, pois logo à tarde iremos ao encontro do rei. – O capitão expediu, segurando o ombro do colega. – Como o soberano promoverá um banquete, muitos nobres e embaixadores de reinos vassalos estarão presentes. Será a oportunidade perfeita de falar sobre o tal Jonas.

***

Por onde quer que fosse, Jonas era cercado por todos os lados. O povo estava desesperado e, em meio às suas orações, viam em Jonas uma salvação para a ameaça enviada por Deus à Nínive. Encurralado, ele gritava para o povo:

- Em trinta e o nove dias, Nínive será destruída! – Proclamou, agora mais corajoso do que nunca, diferente de como estava quando chegou à capital.

Mesmo as prostitutas ninivitas tentavam se aproximar de Jonas para clamar por misericórdia. Muitos se ajoelhavam e levantavam as mãos para o céu, exclamando:

- Não, por favor!

- Precisamos da sua ajuda!

- Foi Yahweh quem falou! Nínive será destruída! – Persistia Jonas.

A senhora assíria e sua escrava, carregando no colo o bebê da dona, se juntaram a multidão, porém, caladas, observando a histeria do povo. Elas apenas choravam, demonstrando seu arrependimento sem proferir uma palavra sequer. Ironicamente, o bebê permanecia calado, como se estivesse tomado por uma paz incomensurável.

***

Talvez fosse um prenúncio dado por Jonas aos sacerdotes, mas, de qualquer forma, nos verdejantes pastos onde os camponeses da Baixa Mesopotâmia, região administrada pelo imperialismo assírio, pastoreavam o gado e ovelhas, e cultivavam sementes de todos os tipos, um fenômeno incomum e amedrontador ocorreu. Um corpo escuro, como um orbe, cobriu a coroa solar, transformando o dia em noite nas cidades de Sippar, Nippur, Ur, Uruk, Lagash e Babilônia. Assustados, o povo entrou em pânico, acreditando se tratar da manifestação do descontentamento divino dos deuses sumerianos.

Não demorou muito para que, durante a propagação da escuridão, e com a perplexidade hegemônica, os governadores das cidades do sul enviassem mensageiros para Nínive, com o objetivo de alertar o rei sobre a ação dos deuses.



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