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História JonJon's Westerosi Adventure - Capítulo 21


Escrita por:


Notas do Autor


Sobre Edric Storm:
Uma grande dúvida minha sobre essa parte é quem seria o Okuyasu. Pensei em vários: Torta Quente, Gendry e até Bran, mas acabei ficando com ele, pelo mesmo motivo que escolhi Suki como protagonista da minha outra fanfic, Suki Who: Ele é uma plotline esquecida da obra, por isso se encaixa perfeitamente em qualquer lugar. Sua personalidade é uma tentativa de meio-termo dos dois personagens: Ele é burro, sim, mas sua burrice vem da ilusão que tem em relação ao pai. Eu ter decidido colocar Stannis num papel ativo mais tarde complementou o personagem.

Capítulo 21 - Parte 4 - DiU (IV): O Bastardo dos Rapazes


Fanfic / Fanfiction JonJon's Westerosi Adventure - Capítulo 21 - Parte 4 - DiU (IV): O Bastardo dos Rapazes

Stand: Rato Cozinheiro
Mestre: Wyman Manderly, Senhor de Porto Branco
Segundo a lenda, Rato Cozinheiro era um cozinheiro comum no Fortenoite que certa vez recebeu um rei ândalo, que supostamente fez um mal a ele no passado. Para se vingar, o cozinheiro matou, cozinhou e serviu ao rei o seu próprio filho, tendo o rei se degustado e elogiado a refeição até o último segundo. Como punição divina pelo cozinheiro ter matado seus convidados, os deuses o transformaram em um rato gigante, que supostamente continua vagando Fortenoite. Com seu stand, Wyman pode identificar algumas fraquezas físicas nas pessoas e preparar refeições de alta qualidade para curá-las. Têm a forma de cinco pequenos ratos.
Origem: Canção de mesmo nome.


 

Jojen e Edric tiveram que passar a noite em uma estalagem que Jon pagou. Não tinha latrina lá perto, então teve que mijar atrás da casa quando estava apertado. Mas já estava escuro e ninguém ia lhe incomodar, ou era o que pensava.

Assustou-se quando viu algo surgir do chão. Pensou que era um monstro noturno do qual ouvia histórias quando criança, mas era um stand já conhecido.

- Sweet Lass!

- Com medo de eu tirar seu membrinho fora, Jojen? – provocou. – Ia por ele na minha parede, junto aos dos merdas dos seus amigos!

- Como você está aqui? Em Porto Branco?

- Não devo satisfações pra quem estou prestes a matar. Só queria te ver pessoalmente antes de me encontrar com seus amigos.

- Você veio me encontrar à sós no meio da noite me espiando quando estava com o membro pra fora? – Jojen estava genuinamente confuso. – Desse jeito parece até que está atraído por mim.

- Vai se foder! – ele se irritou. – Vou te esfolar todinho, Jojen Reed!

Sweet Lass deu uma investida, sacando sua lâmina para dar um golpe no pescoço de Jojen. Foi quando sentiu o impacto do soco do stand e caiu no chão, decompondo um pouco de sua forma humanoide formada por sangue.

- Este é meu stand, Wild Dragonglass, que você parece estar subestimando. Pode não ser tão forte quanto Fantasma, mas consegue te descer a porrada mesmo assim. Então, se você não consegue fazer nada contra ele, é melhor arregar.

Sweet Lass riu.

- Eu é que vou te fazer sair chorando, Jojen! Apenas aguarde.

O stand entrou na terra, de onde havia vindo, e sumiu novamente.

No dia seguinte, foram ao local marcado para a reunião. Jojen, Edric e Rickon ficaram lá, esperando por Jon e conversando sobre o que havia ocorrido.

- Não acredito, ele nos seguiu até aqui?! – perguntou Rickon.

- Sim. Ao que parece, ele vai tentar nos atacar hoje, então tomem cuidado. Você se lembra como é o Sweet Lass, não é?

Edric cerrou o punho só de ouvir aquele nome.

- Sweet Lass... Eu vou martelar a cabeça dele quando o ver!

Rickon ficou preocupado ao vê-lo assim, mas o deixou com sua ira. Logo chegou o quarto do grupo.

- Jon Snow! – chamou Jojen.

- Bom dia a todos – Jon respondeu. - Tive que marcar nosso encontro bem longe de tudo, como vocês viram, mas é por segurança. Vocês podem ver que só tem neve por todo o lugar e não tem como Sweet Lass chegar aqui.

- Sobre isso, Snow – disse Jojen. – Ele está aqui. Encontrei com ele noite passada.

- Eu estava certo, então. Nossa missão é bem precisa: Vamos encontrar o navio da Fundação Speedhorse no porto, e lá vamos receber o velho. Preciso da vigilância de vocês para ter certeza de que não seremos atacados.

- Espera, como assim? – perguntou Rickon. – Quem é esse velho?

- Ele é um dos homens mais velhos de Westeros. Na verdade, acho que deve estar fazendo hora extra, até. Tem 81 anos.

- Espera, oitenta e um?! – perguntou Edric. – Como alguém chega a essa idade?!

- Ele deve ser um dos homens mais velhos de Westeros – disse Jojen.

- Bem, isso pode ser bizarro, mas quando ele já era idoso, ele conheceu os alquimistas de Porto Real e deram a ele um elixir que o deixou trinta anos mais novo.

- Então ele tem corpo de 51?

- Não. Há pouco mais de um ano, ele esteve em uma luta na qual perdeu muito sangue – Jon explicou. – De certa forma, ele morreu. Mas tínhamos um sacerdote vermelho que conseguiu trazê-lo de volta, e ent-

- Um sacerdote vermelho? – perguntou Jojen. – Tipo a Melisandre?!

- Snow, você está inventando coisas! – acusou Edric.

- Eu não estou! Por que acham que dou algum crédito à sacerdotisa de Stannis? – Jon respondeu. – Eu já vi do que eles são capazes.

- Continua – pediu Rickon.

- Então, depois disso ele foi envelhecendo rapidamente, de volta à idade que deveria ter. Ao que parece, os efeitos da juventude estavam ligados ao sangue dele. Agora sempre temos um profissional cuidando dele em casa, porque tem vários problemas de saúde. Não enxerga bem, não ouve bem, anda de bengala... e parece estar ficando meio caduco.

- Hã? Como assim? – perguntou Jojen. – Não é do tipo que fica acamado à beira da morte alucinado e chamando pelo apelido do irmão morto há décadas não, né? O que uma pessoa como essa pode fazer para ajudar a investigação?

- Bem, se ele é velho, pelo menos deve saber contar boas histórias – lembrou Rickon. – Igual a Velha Ama fazia!

- Enfim, vamos indo – disse Snow. – Ele deve chegar na doca 6 do porto, em um navio da Fundação Speedhorse a qualquer momento.

- Então vai ser lá? – disse uma conhecida voz.

Olharam para trás e viram o homem de sangue tomando as rédeas da carruagem.

- Ei! – gritou Jojen. – Você é...

- Sim, sou eu, Oh Lay My Sweet Lass Down On The Grass – ele se apresentou. – Vocês acharam que aqui ficariam seguros, mas estão muito enganados!

- Mas como ele chegou aqui?! – perguntou Rickon. – Isso não faz sentido!

- Terra – disse Snow.

- Hã?

- Ali – apontou para o trajeto. – O cavalo de vocês deu pegadas profundas, e com isso a terra debaixo da neve ficou exposta. Yara yara...

- Você matou a charada, Jon Snow. Já eu vou matar e esfolar aquele seu velhote todinho!

Dito isso, ele deu partida rapidamente, antes que os outros pudessem reagir.

- Ele está fugindo! – disse Edric.

- Essa não, se ele continuar nessa, vai chegar ao porto e matar o velho Arryn... – Snow pensou alto.

- Vai matar quem?! – perguntou Jojen.

- Opa...

- Tio Jon Arryn está aqui?! – perguntou Rickon. – Era dele que você tava falando, Jon?!

- Meu pai vem se encontrar comigo pela primeira vez na vida e é assim que você me conta?! – Jojen gritou.

- Seu pai? – Edric pareceu confuso. – Por que Howland Reed estaria aqui?

Isso está muito confuso... Snow bufou. Por que fui deixar escapar agora? Deu um ultimato:

- Com o cavalo ele deve deve chegar antes de nós indo pela neve, e como ela é espessa lá pra frente, podemos demorar. Vamos pela estrada e talvez cheguemos a tempo!

E assim foram. A estrada em questão dava uma longa volta pelo campo isolado onde estiveram, ia pelo comércio da cidade e chegava no porto, então precisavam ir rápido. No entanto, Jojen notou que tinha alguém faltando.

- Edric! – chamou. – Cadê ele?

- Achei que estivesse atrás de você! – disse Snow. – Rickon, procure.

- Wolf in the Night! – Rickon chamou o stand.

O lobinho dele podia voar, a uma velocidade baixa e num alcance de trinta metros. Voltando com ele até o campo nevado, pode ver Edric Storm perseguindo o inimigo, usando seu stand para apagar o espaço no ar à frente dele e se mover mais rapidamente. Se aproximou a transmitiu sua voz até lá:

- Edric, saia daí!

- Hã, Rickon?

- Edric, você vai ser atacado se ficar aí sozinho! – era a voz de Snow sendo enviada pelo stand de Rickon agora. - Esse stand pode matar você!

Edric sabia disso, mas assumiu os riscos.

- Não posso voltar atrás agora, porque assim como meu pai, eu nunca arrego de uma luta – apertou o punho e chamou por ele. - Oi, Sweet Lass! Você não devia ter matado meu irmão, porque agora vou martelar sua cabeça!

Os três corriam até lá enquanto Edric lutava. Com o stand, destruiu a carroça e conseguiu derrubar Sweet Lass do cavalo. Atacou ele, mas o teve se desviando rapidamente com seu corpo fluido.

- Seu bastardo de merda, seu stand pode até parecer bom, mas o braço do martelo é fodido de lento! - Sweet Lass zombou. - Nunca vai me acertar com essa porra!

O inimigo tinha uma lâmina acoplada ao corpo e a usou para dar um corte na lateral de Edric, o pegando de raspão.

- Edric! - gritou Rickon.

- O cachorro voador é daquele amiguinho seu? - perguntou Sweet Lass. - Não gosto muito de crianças. Seus ossos são fracos e a carne menos dura, muito fácil de cortar, mas sentem dor quando esfolo elas.

- Não vou te deixar matar mais ninguém!

Atacou novamente, sendo acertado por um soco atrás da cabeça por Sweet Lass.

- Você e seus amigos vão ser atravessados por minhas lâminas. Seu sangue de rei, que aquela bruxa vermelha queria, vai escorrer todo pelo meu chão - parecia se deliciar com o pensamento. - Depois vou matar o velho Arryn, é claro. A cabeça dele vai ficar ótima nas muralhas do meu castelo, vai ensinar aos cornos das montanhas do sul a não foderem em assuntos que não são deles. Será que devo manter você vivo para presenciar tudo isso, assim como te fiz ver a morte do seu irmão?

- A única morte que você vai ver é a sua! - foi rápido dessa vez, mas martelou o ar logo ao lado em vez dele.

- Opa, quase, hã?! - Sweet Lass riu, o golpeando outra vez. - Qual o problema, bastardo, está tão nervoso quanto a puta da minha esposa no dia do nosso casamento! Tá sentindo a pressão? Por que não faz alguma merda a respeito? - se pôs à frente dele. - Vamos, pode me matar. Você consegue, a menos que seja um fracote de merda. Tá aí, você pode ser o meu fracote de merda! Desde que você e seus amigos mataram dois dos meus rapazes e tive que matar o menino Frey, ando bem desfalcado. Por que não vira o meu novo Fedor, hã? É um nome que combina com você, tá com tanto medo que deve estar se cagando.

- Não caia no discurso dele, Edric! - gritou Jojen, ainda correndo de volta.

Edric Storm se posicionou corretamente e encarou o inimigo.

- Não estou me deixando me levar por ele, Jojen. Provocações não tem efeito nenhum em mim, já estava cheio de ódio antes mesmo que ele abrisse a boca!

Deu outra martelada no ar, bem longe do alvo.

- Errou feio agora, seu bastardo cego fodido! - se preparou para atacá-lo com uma rasteira.

- Ah, errei? Porque não era em você em que eu estava mirando!

Com o espaço apagado pela martelada, Edric se deslocou para ficar logo acima dele no ar.

- Meu pai dizia que alguns inimigos são como insetos. Não é preciso o martelo para os esmagar – começou o ataque. - Só preciso do pé mesmo!

Não sabia se seu pai de fato havia dito aquela frase, mas alguém lhe disse que sim. Deu uma sequência de pisadas em Sweet Lass, o acertando em cheio. O stand se levantou para escapar.

- Aonde vai?! - Edric apagou o ar e o trouxe de volta.

Então o acertou no rosto várias vezes, agarrou pelo braço e lançou na parte menos descoberta do campo, bem em cima de um monte de neve.

- Isso, Edric conseguiu! - Jojen comemorou de longe.

- Martela a cabeça dele logo, Edric! - gritou Rickon. - Não tenha misericórdia!

Os dois olharam para ele, um pouco assustados. Principalmente Jon Snow.

- Que foi? - estranhou Rickon. - Ou você mata a presa, ou ela mata e come você!

- Você não está mais numa ilha cheia de canibais, Rickon – disse seu irmão.

O stand estava ferido, mostrando não ser muito resistente. Edric deu mais uma palavra:

- Meu irmão Luton não fez muito bem… Se colocava contra o Grunhido, mas repetia as atitudes dele, andando no mau caminho… - suspirou. - Mas você não tinha direito de matá-lo! Ele passou por muita coisa e cuidou de mim quando precisei, ele merecia viver em paz, sem ser envolvido nos seus esquemas!

- Vocês querem que suas vidinhas sejam boas demais pra uns dos duzentos bastardos fodidos do rei bêbado – zombou, com a voz fraca. - Ele teve sorte ainda de tê-lo aceito como meu empregado. Sabe quantas crias de puta irmãozinhos seus foram mortos sem sequer deixar Porto Real?

Aquilo o enfureceu e ele lançou o martelo, tendo o stand inimigo se desviado antes que o acertasse. Continuou golpeando várias vezes por onde ele ia, até chegar a um ponto que ele não conseguia mais fugir. Estava muito fraco.

- Desse jeito você parece que é feito de sangue ruim, daquele que já jorrou há três dias. Quem é você por trás desse stand?! - indagou. - Não que isso faça diferença, já que quando matar o stand, você morre junto!

- Seu bastardo de merda… Você não vai me matar!

- Edric, cuidado! - gritou Rickon.

Edric escutou o barulho de um líquido escorrendo e viu que era Sweet Lass se movendo lentamente ate atrás dele. Estendendo uma perna, conseguiu alcançar o ponto que queria, um local com terra exposta.

- C-Como?!

- Bastardo burro do sul, você fica falando como o seu martelo é foda e pode apagar qualquer coisa e não percebeu o que fez? Enquanto me perseguia, me movi para um lugar com neve menos espessa e te fiz martelar o chão – ele riu, tendo o sangue que formava seu corpo ficado com uma cor mais clara, se revitalizando. - Agora posso te esfolar todinho!

Rickon tentou ajudar, apenas para ter seu stand empurrado para longe por Sweet Lass, que também se desviou de outro golpe de The Hammer. Deu um corte com sua lâmina, que decepou o braço de Edric fora.

- GAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

- Oh, nossa – Sweet Lass sorriu. - Parece que vou ter menos o que esfolar mais tarde.

- Fantasma: Sa Darilaros! - Jon Snow chamou o stand.

Parou o tempo por apenas dois segundos, não conseguindo chegar a tempo para alcançar Edric. Ele foi puxado para dentro da terra por Sweet Lass.

- Vão para o porto, vocês vão me encontrar lá! - provocou o inimigo. - Com a cabeça podre de velha do Senhor do Vale!

Quando os três chegaram, não havia mais nenhum traço além do braço decepado de Edric.

- Yara yara – Snow bufou. - Que cara falador. Ele disse algo sobre aonde está indo, além do porto?

- Não, acho que ele planeja ir direto pra lá mesmo – disse Jojen. - Quem você acha que ele é?

- Eu tenho uma ideia, se tomarmos conclusões óbvias pelo que ele falou.

- Bem, nesse caso eu acho que…

- Ei, ei, EI! - gritou Rickon. - Por que estão discutindo isso tão calmos?! - apontou para o braço no chão. - Não percebem o que acabou de ocorrer?! Edric morreu! Como podem ser tão insensíveis com isso?!

Jojen e Jon se entreolharam.

- É verdade – disse Jojen. - Tenho que fazer algo sobre Edric.

Chamou seu Wild Dragonglass e o usou no braço decepado.

- Com isso, Edric vai ser trazido de volta para cá.

O braço começou a se mover, acabando por bater na terra onde ele tinha entrado com Sweet Lass. Continuou lá por meio minuto.

- O que tá acontecendo? - perguntou Rickon.

- Era para ele… Hã, bem… - Jojen começou a suar. Será que é alcance? Não sei até onde meu stand pode restaurar coisas, e Sweet Lass pode estar até no outro lado da cidade…

- Hã, eu creio que… - Snow também estava nervoso, já que estivera tão confiante há poucos segundos de que podiam resgatar Edric. - Só uma possibilidade, mas talvez só o contrário funcionaria. Quer dizer, é o Edric que está com um braço decepado, e não o braço que está com um Edric decepado.

Quanto mais tempo aquilo demorava, mas ansiosos os três ficavam. Snow chegou a uma conclusão e pôs a mão no ombro de Reed.

- Jojen, sua habilidade é a mais caridosa que existe. Mas, quando uma vida é tirada, não há como traz-

Edric reapareceu na superfície, assustado, inteiro e com o braço colado de volta ao corpo. Todos ficaram bem mais calmos.

- Edric! - Rickon sorriu. - Que bom que está vivo!

- Eu falei, meu Wild Dragonglass pode restaurar qualquer coisa – disse como se tivesse com total controle da situação.

- Yara yara kjaere – Snow bufou, cruzando os braços. - Eu disse para não fazer drama com isso, Rickon.

- Eu estava perto dele, e poderia martelar sua cabeça... – disse Edric, cerrando os punhos com raiva. - Se ao menos eu pudesse me mover…

Jojen o ajudou a se levantar.

- Sei que você quer se vingar, mas agora não é hora disso. Temos que ficar unidos e garantir a segurança de Jon Arryn, assim poderemos derrotar Sweet Lass.

Agora se dirigiam ao porto, ainda conversando sobre o inimigo.

- Ele disse que matamos dois dos rapazes, excluindo o Pequeno Walder… - Jojen analisou. - Mas eu só me lembro do Ben Ossos.

- Eu não me lembro de mais nenhum… - disse Edric. - Tem certeza de que ele não errou? Quer dizer, se aparecesse mais um desses tentando matar a gente, eu não iria esquecer.

- Acho que posso ter encontrado um deles… - disse Jon Snow.

Se lembrou repentinamente de algo que ocorrera há um tempo, enquanto ainda estava em Invernália. Andava para pegar seu cavalo e ir a Porto Branco quando foi parado no meio do caminho.

“Jon Snow!” era um sujeito estranho, com o corpo bombado, mas não parecia ser agressivo. “Que sorte eu ter encontrado justo o mais procurado sozinho, hã? Prepare-se para morrer!”

“Quem mandou você?” perguntou. “Quem em rosto mandou você?”

“Ah, ele sabia que vocês perguntariam isso, então mandou dizer 'Quem sou eu não é importante, Lorde Snow, mas você deve deixar esse lugar. DEIXE. WINTERNÁLIA.'”

“Eu já estava de saída” respondeu. “Se não vai me dar informações que preciso, vamos logo com isso.”

“Meu nome é Damon Dance-Para-Mim. Com meu stand, A Dance with Dragons, você vai dançar até a morte! Prepare-se para o seu...”

NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN! NUHIN!” Fantasma deu uma sequência de socos que o jogou para longe, no meio da rua.

Damon parecia estar com vários ossos quebrados e tentou se levantar. Mas, nesse momento, algo bizarro aconteceu.

“Ei, parem!” gritou alguém que vinha. “Saia do caminho, os cavalos ficaram loucos!”

“Isso é uma carroça-ambulância?” Snow perguntou.

A carroça não parou, esmagando Damon sob as patas dos cavalos e teve uma roda passando bem em cima da sua cabeça, quebrando seu pescoço.


 

Stand: A Dance with Dragons
Mestre: Damon Dance-Para-Mim
Tem o poder de fazer as pessoas dançaram ininterruptamente até que morram.
Origem: Livro de mesmo nome.

Os quatro chegaram até o porto, onde viram o navio da Fundação parado no mar, esperando por Jon Snow para ir ao píer.

- Tem um barco a remo que iremos usar para ir até o velho – apontou. - Porém só eu e Edric Storm iremos.

- Hã?! - Jojen indagou. - Por que não eu?

- É seu pai que está lá. Não sei como ele vai reagir quando te ver, então é melhor que seja depois – Snow respondeu. - Você e Rickon ficarão aqui esperando.

Zarparam, deixando os dois ali. Rickon parecia um pouco animado. Jojen, nem tanto.

- Por que essa cara, Jojen? Você vai conhecer seu pai!

- Meu pai…?

Jojen nasceu na Atalaia da Água Cinzenta, um garoto loiro de olhos azuis. Podia ter pego o cabelo da família de sua mãe, mas os olhos sempre foram um mistério. Não se parecia em nada com sua irmã mais velha, Meera, nem com Lorde Howland Reed.

A Jojen nunca foi negado nada no castelo. Tanto ele quando Meera tinham aulas com um meistre, amas que cuidavam deles, treinamento em armas e escolta para andar por onde quisessem pelos pântanos. No entanto, Jojen nunca teve Howland como um pai presente. Ele não parecia amar Jyana Yaranis e se isolava em sua sala para estudar. O afeto que tinha com seus filhos se dava principalmente em Meera, e isso foi ficando cada vez mais desequilibrado, conforme Jojen ia crescendo. Aos 11 anos já havia chegado a 152cm de altura, a mesma de Howland, e continuaria crescendo depois disso.

Pouco tempo depois disso, a bastardia de Jojen foi descoberta e ele foi expulso junto à sua mãe. Jyana implorou por perdão e para não ser afastada de sua filha Meera, mas Howland negou o pedido, só deixando Meera ver a mãe de novo no ano seguinte, quando foi a Winterfell.

Tendo estudado muito sobre a nobreza de Westeros, Jojen sabia que seu destino como um bastardo podia ter sido pior, e de certa forma entendeu Howland. Não gostava dele, mas não o odiava também. O fato de ter “perdido” seu pai o impactou pouco na época e já não lhe afetava mais. Já isso, agora, era outro caso.

- Você tem sorte do seu pai vir te visitar. Quer dizer, eu queria poder ver o meu de novo...

- É estranho ele vir me encontrar só depois de catorze anos – disse a Rickon. - Eu espero ajudá-lo com o que precisa, mas é só isso. Não espero nada dele, e não é como se eu fosse ganhar, sou um bastardo.

Rickon já conhecia a situação pelo que viu de Jon no passado, e achava bem triste. Ficaram calados quando ouviram um barulho de terra sendo mexida e logo viram o stand inimigo sair de lá.

- Ora ora, não é à toa que esse grupinho seus é tão fodido, outro bastardo!

Dessa vez ele não estava falando pelo stand. Havia vindo ali, um jovem de cabelo preto longo, pele clara e rosto sorridente. Usava uma roupa feita com tecido de qualidade, na qual o brasão de sua casa estava estampado.

- Esse cara… - disse Rickon.

- Não achei que ele teria coragem de vir aqui em pessoa – disse Jojen.

- Deixe eu me apresentar… - ele disse. - Meu nome é…

- Ramsay, filho do Lorde Bolton – disse Jojen. - A gente já sacou há muito tempo.

- Hã? - ele pareceu perplexo. - Vocês já sabiam quem eu era? Como?!

- Bem, além de você despejar informações na nossa cara sobre “seus rapazes” e tudo mais, ligamos os irmãos de Edric mais os outros que enviou e vimos que todos faziam parte do grupo “Rapazes do Bastardo”, do qual você é o líder – Jojen explicou. - Um deles, o que você matou, era até seu escudeiro.

- E você toda hora ficava fazendo ameaça, falando que ia esfolar e xingando – Rickon lembrou. - Então reconhecemos as histórias que ouvimos de você.

Ramsay não se deu por vencido.

- Eu também descobri quem você é hoje! Um bastardo, Jojen Reed, ou deveria dizer Jojen Stone?!

- Stone? - Rickon ficou confuso.

- Mesmo se eu tivesse um nome de bastardo, ele não seria Stone – Jojen fez a correção. - Eu nasci e morei a vida toda no Norte.

- Eu sei disso! A vida toda você viveu como merdinha legítimo naquele castelo, tendo do bom e do melhor mesmo sem ser filho do nobre, e ainda usa o emblema e as cores dele na roupa! - por algum motivo, ele ficou enfurecido com aquilo. - O corno Reed sabe disso, e por isso te expulsou, não é? - sorriu. - Provavelmente te quer morto, ah, e eu vou fazer isso sim! Vou trazer seus homens de lama pro meu lado depois que entregar sua cabeça de bastardo pra ele!

Jojen tomou o insulto ao seu povo, mas tentou se controlar. Não era bom explodir de raiva em uma situação como essa.

- Quer me matar? - cerrou o punho. - Então vamos fazer nossa batalha dos bastardos!

Agora Ramsay tomou o insulto.

- Eu não sou um bastardo… - seus olhos se arregalaram aos poucos e havia parado de falar aos gritos.

- Sim, você é – disse Rickon. - Seu nome é Ramsay Snow.

- Bolton - ele corrigiu. - Eu fui legitimado como herdeiro de meu pai pelo rei criança, tenho uma carta pra provar.

- Pelo Tommen? Ele é assim como eu, só tem nome, não é realmente filho do Rei Robert – fez um sinal de negativo. - Nem ele, nem os dois irmãos. Você foi “legitimado” por um bastardo!

- Espera, o Rei Tommen também é bastardo? - Rickon Stark estava confuso demais. - E o Joffrey e a Myrcella, e o Jon também é, e o Jojen, e o Edric, e o Ramsay… E-Eu me sinto excluído por ser o único que é filho legítimo de alguém aqui!

- Foda-se, quem é você? Seu pai deve ser um camponês fodido – Ramsay revirou os olhos. - Jojen, eu trouxe algo especial para hoje.

Tirou algo debaixo do manto, mas não era uma arma, e sim um instrumento. Começou a dedilhar o alaúde com rapidez, produzindo uma série de sons não-harmônicos. Aqueles ruídos pareciam seguir uma sequência, no entanto, e o bastardo podia ter criado um estilo novo com aquilo. Tudo isso enquanto tinha Sweet Lass ao seu lado, pronto para atacar.

- O que está fazendo? - perguntou Jojen.

- Este alaúde é a minha nova garota. Eu a batizei de Kyra, já que encontrei na casa em que ela estava escondida durante a caçada… A sensação que eu tenho quando raspo a pele dos dedos nas cordas… - parecia se deliciar com aquilo. - Eu vou manter isso comigo, e depois que dominar o Norte, vou sair caçando meus inimigos e tomando seus castelos, tocando músicas de êxtase enquanto eu e meus rapazes dançamos com seus caixões! Vou me tornar um conquistador maior que Earnest Botley e Carole Sotho!

Os dois que ele citou eram lendas de muito tempo atrás. Um era um rei ândalo que dominou o Tridente, e a outra uma líder de guerra da qual teria sido dado o nome do continente de Sothoryos. Além de suas conquistas militares, também eram conhecidos por serem grandes músicos.

- Vamos deixar isso simples, bastardo – Ramsay mostrou um dedo, assim como seu stand. - Nem preciso usar a mão inteira. Só o mindinho vai te derrotar – provocou. - Enquanto meu Sweet Lass te rasga ao meio, vou compor uma música para tocar quando você e seus amigos estiverem send-

Jojen havia dado um soco com sua própria mão na de Ramsay, o dobrando até tocar sua ponta nas costas da mão.

- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

- Você fala demais, Ramsay – disse Jojen, fazendo o stand aparecer. - Como um valentão de seis anos que sai por aí ameaçando os outros com a primeira espada de madeira que ganhou do pai!

- Agh… - Ramsay se contorceu para ficar de pé, ainda gemendo com o dedo quebrado. - Uh…

- Ele é fraco demais, Jojen! - disse Rickon. - Termina de quebrar os ossos dele!

- Pode deixar, Rickon – Jojen concordou. - Se ele continuar desse jeito, vai ser isso o que vai acontecer mesmo.

Ramsay sentia tanta dor que podia até chorar, mas reencontrou sua força, moveu o dedo de volta sozinho e dedilhou seu alaúde, um som tão forte que devia ter ressoado por toda Porto Branco. Junto a ele vinha sua voz:
Merda de bastardos
Serão mutilados
Seus corpo' rasgados
Aos cães serão dados!
A pele que sobrar
Eu vou esfolar
Vou por vocês na parede
E Jojen no meu tapete!
Lá vou deitar e comer
Sua irmã vou foder,
Sua mãe e sua prima,
Vão pagar por você!

A expressão que o bastardo tinha depois disso era como se tivesse dado uma volta no céu dos Deuses Antigos, nos Sete Céus e nos Salões do Deus Afogado.

- Expressei meus sentimentos…

- Você parece o Cara Malhada, Ramsay – disse Jojen.

- Quem?

- É um bobo da corte de Stannis. Edric que me disse que ele é débil da cabeça, e tudo o que faz é ficar repetindo a mesma música sempre – explicou. - Você é a mesma coisa, e sua canção mostra isso. Tudo o que você sabe falar é “bastardo”, “esfolar”, “matar” e “foder”. Talvez o Stannis te poupe quando tomar Winterfell e te deixe para entretenimento.

- Agora já chega! - Ramsay ficou bravo novamente, apertando o alaúde até quebrar. - Jojen, eu vou-

- Deixa eu pensar, sua próxima fala vai ser “Eu vou te esfolar todinho!”

- Eu vou te esfolar todinho! - Ramsay então percebeu. - O quê?!

- Como sabia que ele diria isso, Jojen?! - perguntou Rickon.

- Não é muito difícil – Jojen deu de ombros.

Após várias provocações, a batalha enfim começou. Sweet Lass foi com suas lâminas pelas laterais de Wild Dragonglass.

- NUHYA! RYA!

E de repente, o stand de Jojen foi acertado por trás. O inimigo era tão rápido que havia conseguido contorná-lo antes de ser atingido.

- Você não viu nada do meu poder naquela luta, Jojen!

De fato, ele parecia estar bem mais rápido agora, talvez porque fosse um ambiente cheio de terra exposta. O homem de sangue desviou de seus golpes, se abaixando e entrando debaixo da terra quando ia ser acertado.

- Cuidado, Jojen! - Rickon alertou.

Viu ressurgir da terra, bem debaixo dele, e rapidamente usou seu Wolf In The Night para canalizar seu medo e produzir um efeito sonoro que fizesse Jojen ser afastado de Sweet Lass. Ramsay se irritou:

- Se não fosse esse garoto, eu teria cortado o seu membro fora.

Resolveu atacar Rickon, mas foi atacado por ele primeiro. O Stark pulou no pescoço, sacando uma adaga, mas foi desarmado. Em vez disso usou os punhos, tendo o braço segurado, mas conseguiu o soltar e arranhar o rosto do Bolton antes que ele o afastasse.

- Onde vocês arrumaram esse fodidinho?! - perguntou. - É a porra de um selvagem?!

- Rickon, saia de perto dele! - Jojen vinha intervir. - Ele é perigoso!

Ele se debateu e conseguiu dar um chute no queixo do bastardo, mas ele era muito maior e mais forte.

- Você pode até ser atiçado igual a um lobo sanguinário depois de ficar três dias sem comer – Ramsay disse. - Mas é só uma criança de merda!

Sweet Lass apareceu novamente, cravando uma lâmina nas costas de Rickon, em seguida o largou no chão, sangrando. Jojen teve que parar de ir atrás do alvo para curá-lo, mas logo fez isso, o stand inimigo entrou na terra de novo. Correu até um canto onde haviam vários engradados e deixou o garoto sobre eles, pegando uma das caixas, a quebrando e a reconstruindo como uma plataforma de madeira, sobre a qual ficou, próximo a Ramsay.

- Então vai ser assim? Covarde.

- Não sou tão idiota quanto pensa – Jojen respondeu. - Não te quero me atacando por baixo. Além de imprevisível, é algo sujo.

- Mais imprevisível do que eu te atacando por trás agora mesmo de qualquer jeito?!

Jojen se defendeu com o stand, mas os ataques não vieram. Em vez disso, veio um golpe pela frente.

- Não acredito que você caiu nessa! - Ramsay zombou.

- NUHYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA!

Acertou alguns socos de volta antes que o inimigo sumisse. Assim ele estava fazendo, voltando para terra e ressurgindo em outros pontos para atacá-lo novamente. Porém, Jojen conseguia ser rápido o suficiente para defendê-lo, na maior parte das vezes, e Ramsay não podia perder tempo.

- Jojen! - Rickon apontou. - Ele está fugindo pro píer!

Saiu de onde estava e foi atrás de Ramsay, chegando a uma plataforma de madeira acima da água. O navio da Fundação não havia aportado, na verdade, nem havia saído do lugar.


 

Stand: Oh Lay My Sweet Lass Down On The Grass
Mestre: Ramsay Bolton, Senhor de Hornwood, herdeiro de Forte do Pavor e Winterfell
Como diz o próprio nome, o stand é relacionado à “grama”, ou seja, locais onde vida pode florescer. Sweet Lass tem um alcance enorme, podendo correr livremente por várias regiões de Invernália sem que o usuário saia do castelo de Winterfell. Porém, ele só pode se transportar pela terra viva e no que cresce nela, lhe sendo intransponíveis solos como trunda, geleiras, calçamento, entre outros. Também só pode emergir à superfície nas mesmas condições. Tem a forma de um homem formado por inúmeras gostas de sangue, portando duas adagas.
Origem: Canção sobre donzelas no verão e casamentos.

- Você tá mesmo desesperado para matar o Lorde Arryn – disse Jojen, se aproximando. - Agora chegou aqui cedo demais, e não tem mais como usar seu stand a não ser batendo de frente.

Jojen ouviu o barulho de algo e Ramsay sorriu. Olhou para o chão e se deparou com um punhado de terra espalhada ali no píer, e o stand saindo dela para lhe atacar de surpresa.

- AHHHH!

Foi rápido demais e não teve como se desviar. Caiu no chão, encarando a face medonha do stand enquanto ele lhe cravou uma adaga no peito, rasgado sua blusa.

- Eu o trouxe aqui para te matar, bastardo. Não esperou que o herdeiro do Norte não tivesse um plano, é?! - riu. - Nunca fico desesperado para matar ninguém, eu até faço isso de modo gentil e lento, até que a pessoa me implore para ser morta.

Puxou a adaga quando Wild Dragonglass a afastou, arrancando um pouco de sangue no processo. Jojen se assentou, se sentindo um pouco fraco.

- Que se foda, eu admito que não tenho muito tempo pra matar você como eu queria, seu sortudo fodido – Ramsay cuspiu tentando acertar a cara dele, mas foi no chão. - Talvez nem seu pai. Mas vocês todos morrerão, não se preocupe.

- Não vai poder fazer isso depois de eu ter te enchido de porrada – Jojen bufou.

- Ah, e como vai fazer isso? - provocou, fazendo Sweet Lass ir rapidamente de um lado para o outro. - Você nem consegue acertar um soco!

- É, tem razão, o seu stand é bem rápido… - o fitou. - Mas você nem tanto, hã?

- O qu-

- NUHYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! - Wild Dragonglass deu uma sequência de socos no usuário e não no stand, o deixando ferido e jogado arrastando a cabeça pelo píer.

Claro, eles não estavam sozinhos lá, não é como se tivessem reservado o porto inteiro naquela manhã para que lutassem. Outras pessoas que viam os dois tinham medo e se mantinham longe, até mesmo os guardas de Porto Branco que faziam a segurança do lugar.

- Ei, você viu aquilo? - disse um guarda. - Parece que aqueles dois meninos tão brigando.

- Não, eles não tão – o outro respondeu. - Eles não tão nem se encostando.

- É, agora que você comentou, é estranho mesmo… Acho que ele deve ter voado sozinho então. O que aquele emblema na roupa dele?

- Eu ia comentar isso, ele é um Bolton.

- É, ele voou sozinho pra longe – concluiu.

- Com total certeza.

Voltando à luta, Jojen se punha de pé e ia até ele.

- Você foi arrogante demais com aquele seu truque e não percebeu que seu stand só tem vantagem à distância. Como você ficou perto demais, pude deixar sua cara parecida com o Tridente em 282 – Jojen comparou. - Bastardo.

Vendo o adversário se rebaixar ao seu nível, Ramsay se irritou. Tinha um último recurso: Tirou gravetos do bolso e lançou na direção dele. O bastardo do Arryn está fodido agora! Assim como eu escondi Sweet Lass num vaso de flores para me livrar do inútil do Pequeno Walder, eu fiz o mesmo com esses gravetos que arranquei de uma árvore há pouco tempo! Jojen não percebe, mas assim que um chegar perto dele, vou trazer meu Sweet Lass de novo para enfiar a lâmina no pescocinho dele!

- Se fodeu pra sempre agora, s-seu merda imundo!

- NUHYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA! RYA!

Ramsay ficou assustado. Com tremenda precisão, Wild Dragonglass pode socar todos os pequenos projéteis para longe de si, indo parar no mar. Foi então que percebeu que Sweet Lass havia sido posto em um deles, e tentou sair, mas era tarde demais e teve o stand tomando bastante dano na água. A dor que sentiu foi tanta que teve o corpo caído no chão do cais.

Jojen foi buscar Rickon, terminariam de lidar com o bastardo de Bolton mais tarde.

- Ei! Você está bem?

- Eu tô sim, graças a você – Rickon respondeu. - Ramsay tá morto?

- Ele desmaiou. Temos que avisar ao Snow sobre isso.

- Entendi.

Rickon chamou Wolf In The Night, que com seu longo alcance pode ir até o navio da Fundação Speedhorse, que já estava vindo à costa. Lá encontrou Jon Snow e falou com ele.

- Conseguimos, Jon! Quer dizer, eu não fiz muita coisa, mas o Jojen conseguiu, Ramsay foi derrotado!

- Então era ele mesmo? - Jon também havia apostado nele. - Bem, podem nos esperar no local marcado, chegaremos em cinco minutos ou menos.

Dentro do navio, Edric havia ido falar com o pai de Jojen. Como me explicaram, o pai dele não é Howland Reed, e sim Jon Arryn. Mas, se o pai dele é o Jon Arryn, então por que ele é um Reed? Isso é tão confuso… Parecia ter encontrado ele, o reconhecendo pelo emblema de falcão num fundo azul na roupa. É aquele senhor musculoso ali?

- Ei, Lorde Arryn, é um prazer conhecê-lo! Ouvi muito sobre o senhor, foi um grande mentor para o meu pai.

- Hã? - Jon Arryn o encarou. - Quem é você?

- Meu nome é Edric Storm! - ele se apresentou. - Sou filho de Delena Florent e do Rei Robert Baratheon!

- Rei quem? - Arryn pareceu não ter ouvido.

- Robert Baratheon – Edric falou mais alto.

- Robb és barato?

- Robert Baratheon!

- Norbert Matos?

- RO-BERT BA-RA-THE-ON!

- Por que está gritando seu nome desse jeito?

- Não é meu nome, é o do meu pai, Robert!

- Robert é o pai? - ficou confuso. - Não, não é, eu disse ao Ned, a semente é forte…

- Do que está falando?!

Como o navio vinha se aproximando, Jojen foi buscar Ramsay onde havia caído. Mas tinha um problema: Ele não estava lá mais.

- Deuses… Rickon! - olhou os arredores, ainda buscando o sujeito. - Ramsay sumiu!

- Quê?!

Deu a mensagem por meio do stand, e Jon a repassou. Dentro do navio, Ramsay havia roubado a roupa de um dos marinheiros com o emblema de cavalo, agora se dirigindo à cabine onde o alvo estava.

- Lorde Arryn… - ele encenou ao chegar lá. - Jon Snow me pediu para te levar até ele, sozinho.

- Hum… - Jon Arryn buscou a bengala. - Tá bom.

- Hã? - Edric ficou confuso. - O que eu faço aqui, então?

Foram interrompidos por outro marinheiro chegando, preocupado.

- Lorde Arryn, um membro da tripulação foi encontrado morto boiando sem o uniforme! Tem alguém se passando por um de nós aqui dentro!

- Hã? - Jon Arryn não entendeu.

- O quê?! - disse Edric.

Ramsay estava muito calado, o que levantou suspeita no outro marinheiro.

- Ei, eu te conheço?!

- Hã, eu… Eu trabalho aqui! Você não me conhece?

- Ele é o impostor! - apontou para Ramsay. - Ele veio aqui atrás de Lorde Arryn!

- Eu?! Seu mentiroso de merda! - Ramsay respondeu. - Você que é o intruso!

- Mas fui eu que vim cá dar a mensagem!

- Claro, é sua estrategiazinha fodida para não ser pego!

Edric tinha que decidir qual dos dois ele devia atacar e impedir que matasse Arryn., mas estava difícil. Enquanto a discussão acontecia, ele viu um stand conhecido surgir de um vaso de planta, muito ferido e despedaçado.

- Ei, é um stand! - apontou.

- O stand inimigo que o Snow falou?! - o marinheiro não era um usuário, então não podia ver. - o Sweet Lass?

- Já sabe reconhecer ele assim de cara? Então você deve ser o mestre dele! - Ramsay acusou. - Rápido, Edric! Antes que ele use o Oh Lay My Sweet Lass Down On The Grass para atacar o Lorde Arryn!

- Hã? - Arryn perguntou. - Open bar suíte teste dá um remédio pra peste?

A cabeça de Edric já estava doendo, e urrando como se fosse o último sobrevivente de um campo de batalha ele chamou o The Hammer e decidiu em quem bater.

- Você é o impostor! - ele acusou. - Ramsay Bolton!

Alcançou o Ramsay correto e o golpeou repetidamente, destruindo e rendendo de vez o homem que já estava bastantemente ferido. Ainda consciente, Ramsay perguntou:

- C-Como sabia que era eu, bastardo?!

- Fácil – respondeu. - Você é o único que tem paciência para falar o nome gigante pra caralho desse seu stand.

O navio aportou, Jojen e Rickon esperaram e o primeiro a descer foi Edric, arremessando o derrotado na terra. Ele tinha um sorriso amargo.

- Parece que perdi para vocês, bastardos – ele encarou Jojen. - Vocês seriam ótimos rapazes meus, isso posso garantir.

Eles não responderam. Edric Storm voltou a se aproximar, e com uma voz contendo a ira, anunciou:

- Irei ter a vingança pelo meu irmão Luton, Ramsay.

- O que quer dizer com isso? Quer me matar, é?

Ele trouxe The Hammer para cuidar do assunto, e Ramsay percebeu que era sério.

- Ei, calma aí! Vai mesmo matar um inimigo rendido?! - acusou. - Que sujo, hein? O velho Arryn não vai gostar nada disso…

- O velho pode achar o que quiser – Jon Snow respondeu, assistindo da borda do navio. - Ele é Senhor do Vale. Quem manda no Norte é o seu pai, e ele já mostrou não ligar pra isso.

- Isso, o meu pai! Vocês sabem quem sou eu, sou Ramsay Bolton, único filho e herdeiro dele – os lembrou. - Vocês não gostariam de ver a fúria dele quando me matassem, não é? Todos vocês seriam punidos!

- Você não é herdeiro de nada, Ramsay – disse Jojen. - É um bastardo. Você pode ter ganhado aquela carta e mudado de nome, mas seu pai nunca vai querê-lo como seu sucessor. Por que acha que ele se casou com a filha de Walder Frey? Ele quer outro herdeiro.

Howland Reed não queria Jojen como seu herdeiro, por razões óbvias, então ele seria sucedido por Meera quando morresse. Para lidar com o problema da linha de sucessão, ele mandou Jojen ir para um lugar como a muralha ou a cidadela. No caso de Ramsay, só precisaria de seu pai ter outro filho.

- Se você tiver um irmão, ele será nascido legítimo, e não legitimado – disse Jon Snow. - Ele vai ser o herdeiro no seu lugar.

- Você não sabe disso, corvo!

- Eu sei. Já me ofereceram ser legitimado como Jon Stark, Senhor de Winterfell – respondeu, apontando para o irmão. - Mas isso não faria diferença, uma vez que descobrissem que Rickon está vivo.

Ramsay olhou novamente para o selvagem de cabelo ruivo que havia lhe mordido mais cedo. Esse fodido é filho de Ned Stark? Theon nunca encontrou os meninos, então sugeri que matasse os filhos do moleiro no lugar. Mas eu achei que ele e Bran fossem morrer, não tem como eles terem ficado vivos por tanto tempo!

- Vocês não sabem nada sobre o meu pai! – tentou se levantar do chão, mas foi chutado para baixo por Edric. - Eu ainda sou um Bolton! Acham mesmo que o certo é me matar?

- Sim! – disse Rickon.

Os outros ficaram em silêncio, no máximo assentindo com a cabeça. Ramsay tentou apelar para quem ele considerava o mais racional do grupo.

- Jon Snow! Você conhece a guerra aqui no Norte… Eu sou um prisioneiro valioso – barganhou. - Vocês poderiam me usar contra meu pai, hã? Não querem derrubá-lo?

- Não – Jon respondeu. - A Fundação Speedhorse não deseja problemas com a Casa Bolton, nem fazer prisioneiros. E onde eu te prenderia? No meu quarto da estalagem, ou na casa do Lorde Whent em Skagos?

- Se for em Skagos, pode colocá-lo junto dos canibais! - sugeriu Rickon.

- E Stannis? Ele com certeza ia me querer! - disse Ramsay.

- Não vou ajudar o tio que tentou me queimar vivo – disse Edric.

Jon Snow bufou.

- Yara yara kjaere. Ramsay, parece que você não entendeu a minha situação. Eu fiz um, não, dois votos jurando não me envolver em conflitos do reino. Como um intendente da Fundação Speedhorse, o que vejo aqui é uma intriga entre as Casas Bolton, Reed e Stark. Então, não poderia fazer nada por você nem se quisesse. E com certeza não quero.

- Você tentou nos matar, eu e Bran! - Rickon estava cheio de fúria. - Ajudou o Theon quando estava em Winterfell, traiu e matou Sor Rodrik, Meistre Luwin teve que morrer por culpa sua…

- Todo o Norte sabe de você, Ramsay – Jojen continuou por Rickon, que já não estava conseguindo mais falar. - O que você fez à Senhora Hornwood, o que fez à sua segunda esposa, e às outras pessoas que você torturou e matou. Você matou até seu próprio escudeiro.

- Como fez com Luton – disse Edric. - Ele podia ser um desgraçado em vários sentidos, mas se importava comigo e tinha um motivo para fazer o que fazia. Só por isso ele era um homem mil vezes melhor do que você.

Todos pareciam ter terminado de falar. Edric levantou a mão do stand, e Ramsay não tinha para onde correr. Também estava fraco demais para contra-atacar.

- Você não pode fazer isso comigo, seu pedaço de bosta! - Ramsay gritou. - Esse vai ser o maior erro das vidas fodidas de vocês! Vão pagar por isso, bastardos!

- Não se preocupe – disse Jon. - Ninguém sentirá sua falta.

Edric bateu o martelo, como seus ancestrais faziam há milhares de anos para realizar execuções. E então tudo o que restou de Ramsay Bolton foi um corpo sem vida, cuja cabeça havia sido apagada da existência.


 

Ainda bem que o que restou do corpo foi jogado no mar antes que Wyman Manderly aparecesse e tivesse outras ideias. Claro, isso era só um pensamento de Jojen, ainda tendo a imagem dos corpos cortados na cozinha. No fundo, não acreditava nisso e gostava da comida de Manderly, mas era bem se prevenir.

O recém-chegado demorou a sair do navio. Enquanto todas as coisas eram carregadas para fora, tentavam aliviar a tensão que havia ficado do que acabara de acontecer. Edric parecia melhor agora, bem mais calmo do que antes. Rickon também ficou menos agressivo.

Enfim Snow chegou com Jon Arryn. Ele estava muito velho e precisava de uma bengala para andar. Para sua infelicidade, ela quebrou logo da saída e caiu na água, fazendo o dono perder o equilíbrio. Por sorte, Jojen estava por perto para segurá-lo.

- Opa – Arryn o encarou pela primeira vez. - Sinto muito.

- Tome cuidado… - disse Jojen, nervoso com aquilo. - Quase que você vai junto pra dentro do mar, velho.

- Essa bengala estava meio velha… - ele coçou a barba. - Foi um descuido ter vindo com ela.

Jojen pegou no braço dele.

- Bem, já que é o caso… Eu vou ter que ir andando com você, pra ter certeza de que não vai cair.

- Hã? - Jon Arryn estava surpreso. - Não, eu… eu acho que consigo ir sozinho.

- Não, você precisa, então eu tenho que te ajudar – já ia andando com ele.

- Por que está fazendo isso? Você não precisa.

- Eu não sei. É só... o que meu senso de honra me diz pra fazer.

No final, todos estavam satisfeitos pelo encontro dos dois ter sido muito menos tenso do que imaginavam. Rickon parecia estar bem alegre, e Jon Snow até sorria. Edric estava pensativo e teve uma ideia.

- OI JOJEN – chamou. - Eu usei o The Hammer para puxar a bengala de volta do mar, agora você pode consertar isso com o seu Wi-

- Cala a boca, Edric! - Rickon interrompeu. - Você é burro?! Como pode falar algo assim?

- Hã? Não entendi.

- Tem coisas que não precisam de reparos…


 

Por fim resolveram ir embora de Porto Branco. Tinham coisas a resolver em Invernália e precisavam voltar logo. Quando estavam para ir, um aliado apareceu com uma carruagem.

- Ei, Lorde Wyman! - cumprimentou Edric.

- Wyman Manderly? - disse Jojen. - O que faz aqui?

- Olá, meninos, é bom vê-los de novo! - ele respondeu. - Estou indo para Invernália também, com uma grande comitiva. Tenho uma entrega especial para fazer aos Freys que estão em Winterfell, três grandes tortas.

- Ah, logo os Frey? - Edric suspirou. - Essa comida ficaria melhor com a gente!

A viagem não demorou muito. Após poucos dias chegaram a Invernália, que ainda estava de pé e sem sinais de batalha. Bem, pelo menos aquela surra que demos no Stannis serviu para algo, pensou Jojen. Esperava encontrar sua família ao chegar em casa, mas sua prima já os viu na rua.

- Oi, Liara – ele a cumprimentou. - Como vai voc-

- Jon! - ela correu até o bastardo e o abraçou. - Você está bem, graças aos Sete!

Snow sentiu o corpo dela, quente como um dia de verão, e o cheiro de seus cabelos loiros, colados a si. Estava um pouco confuso.

- Achei que tivesse morrido – ela explicou, ainda sem se soltar dele.

- Como?

- Eu ouvi que você era comandante da Patrulha da Noite e sofreu um motim, sendo esfaqueado por seus próprios companheiros. Eu pedi mais informações, mas eles me disseram que só teriam novidades sobre isso daqui a dez anos! Dá pra acreditar?!

- Que sem sentido – disse Rickon.

- Não, eu entendi – disse Jon. - Isso é do livro Dança dos Dragões, o quinto e último de As Crônicas de Gelo e Fogo, do autor George R. R. Martin. Claro que nós somos de lá, mas tem algumas diferenças. Aqui eu de fato entrei pra Patrulha da Noite, mas foi na de Atalaialeste, e fiquei tanto tempo fora dela que devia ser executado caso voltasse, então não tinha chance nenhuma de virar comandante do castelo principal. Sorte que fui salvo por minha ligação com a Fundação Speedhorse.

- Ah, eu entendo – disse Jojen. - Se fosse seguir a linha, era pra eu ter ido com o Bran e a Meera pro norte da muralha.

- E eu tenho um papel aqui, quando lá sou uma plotline esquecida há dois livros! - disse Edric.

- E eu há três! - disse Rickon.

- E eu não era nem pra estar vivo – riu Jon Arryn. - Bom que essa quebra de 4ª parede serviu para explicar umas coisas.

Liara parecia mais calma agora. Encarava Jon.

- Ainda bem… Eu fico feliz de estar aqui comigo – Jon não conseguia não olhar para ela. Ainda era muito linda, como a havia visto na primeira vez. - Você é importante para mim, não quero te perder também.

- Liara…

Algo daquele momento o deixou se levar. Num instante, estava com uma mão presa à sua cara e foi afastado. Liara não estava feliz. Na verdade, parecia chocada e enfurecida.

- Você tentou me beijar?!

- Bem, eu…

- Deuses, Jon! O que te levou a achar que eu aceitaria isso?!

- Você ficou falando como se importava comigo, e até quebrou a 4ª parede só pra pensar em mim! - Snow argumentou. - E esse modo como você me olhava, vai dizer que não gosta de mim?!

- Eu gosto sim, como amiga! E como amiga, eu estava preocupada com você! - Liara Yaranis explicou. - Estamos no meio de uma guerra, meu avô morreu recentemente e agora escuto que você também morreu, como queria que eu agisse quando te visse vivo?!

- É, Jon… - disse Arryn. - Parece que você confundiu um gesto simples de gentileza com flerte, e agora magoou aquela garota gentil. Vacilou demais, hein Jon.

- Vacilou demais, hein Jon – disse Jojen.

- Vacilou demais, hein Jon – disse Edric.

- Vacilou demais, hein Jon – disse Rickon.

- Yara yara... – ele bufou.


Notas Finais


Algumas referências: Os "reis cantores" lá não existem, é mais uma lore fanficada. As referências dos nomes deles são Earnest, personagem de Donald Glover em Atlanta, e Carole de Carole & Tuesday.


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