História JONSA - O poder de Westeros - Capítulo 22


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Jon Snow, Sansa Stark
Tags Jon Snow, Jonsa, Sansa Stark
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Palavras 7.404
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


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Hoje, não consegui uppar as tumbnails - mais alguém ou só comigo que o spirit tá instável? - então, me perdoem por isso.

Eu estou escrevendo uma história Jonsa bem levinha e ligeiramente inclinada à comédia! Se chama Corvos ao Norte e está relacionada ao lado ou em baixo, caso você leia no browser e também na minha lista de histórias, caso você leia pelo App. Acho que tá bem legal!

Se você gostou dessa capítulo ou dessa história, indica, comenta... Eu adoro conversar sobre Jonsa by the way! hahahha

Vamos lá para um dos capítulos finais:

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Capítulo 22 - CAPÍTULO 22 - Resultado


Fanfic / Fanfiction JONSA - O poder de Westeros - Capítulo 22 - CAPÍTULO 22 - Resultado

Jon

 

Hope - the chainsmokers (feat. Winona Oak)

I would have walked through fire to kiss your lips

Do you still think about it, of what you did?

Still see your old apartment, like a bad trip

Wish I could forget all the places we've been

Hard and heavy whiskey goodbyes

Boy, you know how to make a girl cry

Was sleeping in a bed full of lies

And now that I'm older, I can see why

 

“Você está certo que quer fazer isso?” - Davos perguntou a ele quando eles chegaram no Hilton de Porto Real.

“Eu não quero fazer isso. Eu tenho que fazer.” - Respondeu, por fim. Durante o trajeto de quase doze horas, ele tinha atualizado Davos de todos os detalhes que ele tentou ocultar ou simplesmente não falar.

“Se me permite… Eu sou #TeamSansa.” - Davos abriu a porta e saiu do carro para pegar as malas.

“Eu também.” - Respondeu baixinho pegando seu celular e olhando a tela inicial. Sansa vestida de rainha na festa. Imperial, dona de si, ruiva e apaixonante.

 

Atravessou o hall com cuidado. Tanto tempo sentado não tinha feito bem ao rim dele e nem aos novos buracos de bala. O lugar iluminado afetou os olhos irritados dele e se arrependeu de não estar com os óculos. Daenerys tinha fechado o último andar para a comitiva dela. Seus assessores, mídias training, advogados, especialistas financeiros e o escambau. No hospital, ela foi muito categórica: Seria justa com ele se a história sobre sua origem fosse real, mas ele precisava ajudá-la a recuperar Westeros, fosse sendo consultor de investigação contra Cercei, fosse estando ao lado dela como parte interessada de que a Westeros estivesse nas mãos dos Targaryens de novo. 

 

Ele escolheu estar ali por outro motivo. Ter condições financeiras de ajudar a Winterfell e por que era o certo estar ao lado de Daenerys quando ela foi a única que estendeu a mão e o dinheiro quando eles precisaram. Mas o cenário que encontrou não foi bem o que tinha pensado. No corredor ele podia ouvir os gritos dela. Davos e ele pararam e se olharam. Aquela puta não quer o bem, aquela vadia quer reinar sobre minhas cinzas. Jon pressionou os dentes se preparando para ter que aguentar o embate de baixo calão entre Daenerys e Cercei.

“Para quem mais ela contou que Jon é quem é?” - Ele parou ao abrir a porta sabendo de quem Daenerys realmente falava. “A sua irmã contou!” - Continuou gritando. “Eu falei que ela ia contar pra todo mundo só para me derrubar.” 

“Saiam.” - Jon ordenou sem tirar os olhos de Daenerys e deu espaço para Tyrion, Varys, Missandei e pessoas que ele não sabia o nome passarem por ele. “Saiam” - Ele falou mais alto para aqueles que não tinha se movido muito rápido e bateu a porta com força. “Você nunca mais vai se referir à Sansa dessa forma.” - Ele se aproximou dela com raiva contida. Daenerys era uma mulher caprichosa, mimada, porém, inteligente e Jon acreditava que ele não precisava explicar por que aquilo era errado.

“Ou o quê?!” - Ela cruzou os braços sobre o peito. Sua cara era de indignação. “Você sabia que ela faria isso, não sabia? Sabia que ela chegaria pro pior ouvido e contaria que você é alguém relevante para a partilha de poder. Ela sabe. Ela é maquiavélica. Não foi assim que ela conseguiu subir na vida? Ela deu pra você quando foi conveniente dar para um delegado para salvá-la do marido violento.”

“Daenerys!” - Ele gritou tão alto que tinha certeza que abriu alguns pontos. “Um mulher usada como brinquedo enquanto homens poderosos jogam dados sobre drogas, violência e corrupção e tudo que você tem para fazer é chamá-la de puta? O feminismo só serve para você ou para todas as mulheres? Que porra é essa que se passa na sua cabeça? Você? Que foi outra usada para posição social… Eu não vou admitir que você fale de Sansa dessa forma, como não aceitaria que dissessem o mesmo de você. Você escolhe se quer minha ajuda para fazer as coisas da forma certa ou se eu posso voltar para casa e me recuperar de quase ter morrido.”

“Desculpe! Desculpe!” - Ela o abraçou como uma menina que é pega fazendo algo errado. “Mas ela contou para Tyrion, Jon! Desculpe, mas agora eu tenho meu CEO questionando uma possível diretoria horizontalizada e compartilhada ou seja lá o que essa porcaria queira dizer. O que ele quer mesmo é me derrubar, assim como ela. Se a Westero desmonta, ela ganha os contratos.” - Daenerys tinha olhos grandes e insanos.

“Você está louca? Se a Westeros ruir, a Winterfell perde todos os contratos de terceirização. Você está se ouvindo ou ouvindo as vozes de perseguição da sua cabeça?” - Jon a sacudiu pelos ombros, era como se ela estivesse em algum tipo de looping de pânico.

“Ela quer o que é meu!” - Daenerys passou a mão sobre o rosto dele. 

“Daenerys. Você é minha tia!” - Ele lembrou se afastando do toque dúbio.

“Laços familiares não a impediram de ficar com você.” - A mulher respondeu chateada e Jon não conseguia acreditar para onde aquela conversa estava indo. 

“Eu e Sansa nunca tivemos laços fraternos.” - Tentou ganhar tempo para organizar a mente dele enquanto assistia Daenerys levemente fora de si.

“Ela tem tudo: A família, a empresa e você.” - Ela passou os dedos no rosto dele de novo.

“Qual o cenário ideal para você, Daenerys? O que você queria agora?” - Jon deixou que ela passeasse as mãos no peito dele, pois parecia acalmá-la do rompante.

“Eu, dona da Westeros, detentora das principais marcas de construção e arquitetura no continente. Dona no maior canal de esportes marciais, CEO da maior indústria de armas de Israel e ao meu lado, você. Que sabe me acalmar como ninguém. Que me tem na mão, como ninguém tem.” - Daenerys agarrou o pescoço dele, chegando muito perto de seus lábios.

“Você é minha tia!” - Ele não conseguia controlar sua lividez e se afastou penteando os cabelos com os dedos.

“Com licença, desculpe…” - Tyrion entrou de volta ao amplo e luxuoso quarto da cobertura. “Os advogados estão aqui.” - Deixou os homens passarem por ele. 

“Olá!” - Um dos três homens entraram com seus ternos Tom Ford bem costurados e suas Saint Laurent caras e exclusivas. Com gel no cabelo, o homem parecia ter cristas e seus olhos amarelos davam a ele o típico ar intransponível de advogado caro.

“Que bom te-los aqui! Sentem!” - Daenerys indicou que eles pudessem sentar, tratando-os com amabilidade como se a um minuto atrás não estivesse colérica com Sansa. “Este é Jon Snow. Esses são meus advogados: K. Drogon, Viserys T. e Rhaegal T.! - Sorriu tão animada que Jon ficou completamente pasmado.

“Ola!” - Foi tudo que respondeu apertando as mãos dos homens.

“Bem, minha cara, fizemos o que foi pedido. Quer resolver isso agora?” - Drogon desabotoou seu blazer e se virou para ela com certo pedantismo.

“Apenas se eu me sair melhor nessa situação!” - Ela sorriu amplo para os homens que sorriram de volta. Jon estava começando a se sentir um intruso naquele cenário onde eles pareciam tão íntimos e simbióticos.

“Bem…” - Viserys tirou uma folha que Jon reconheceu como sendo a certidão de nascimento dele. - “Analisamos todos os documentos que sua equipe nos enviou, senhor Targaryen…” - O Advogado sorriu para ele com dentes manchados de cafeína e pontudos como um tubarão. 

“Os dados são verdadeiros, minha rainha!” - Rhaegal fez um biquinho afetado para Daenerys. “Meu xará realmente teve um filho com Lyanna Stark, que é esse que está na nossa frente!” - O rapaz mais magro cruzou as pernas e alisou sua gravata de cetim verde.

“O que precisamos saber é se você vai requerer alguma coisa! Jaehaerys tem 15% em ações vindas do pai. 5% de ações que pertenciam a Lyanna Stark e que foram fundidas às participações de Ned Stark e, que agora, podem ser desmembrada de novo contra os 27% seus, Dany. Isso faz com que a família volte a ter quase metade do controle de ações. Se soubéssemos disso antes, não precisávamos ter entrado contra Cercei primeiramente.  ” - Drogon sacou uma pasta. “Nossa Dany aqui disse que você não queria sua fortuna. Pois bem, temos aqui uma proposta de renúncia de direitos!” - O homem sorriu ameaçadora para ele.

“Querida, desculpe interromper… Temos uma urgência.” - Missandei entrou afobada, apesar da voz doce, com a equipe de Comunicação de Daenerys. As pessoas com tablets e celulares nas mãos. Ele voltou sua atenção para a folha no meio da mesa de centro e pensou que não tinha tocado naquele ponto com ela. Ele apenas concordou em não dizer a ninguém até que a Westeros estivesse estabilizada. Jon já tinha assinado uma revogação antes e não estava inclinado a assinar outra.

“Quem está fazendo isso?” - Daenerys passava o dedo pela tela frenética. 

“Achamos que são o pessoal da Cia dourada.” - Um rapaz franzino respondeu. “Tem a cara deles isso. São templates parecidos para as heads…” - O rapaz deve ter falado mais mil palavras, mas Jon só notou o olhar excruciante que Daenerys tinha para ele.

“É Cercei, Daenerys!” - Tyrion se antecipou. “Foi a Cercei.” - Ele deu um olhar desconcertante para Jon.

“Você não estava achando que Sansa seria tão baixa de espalhar fake news sobre você, não é?” - Mas Jon não teve resposta. Os advogados esqueceram ele por um momento, se voltando para as telas de celulares.

“Podemos processá-la, fácil!” - Viserys abriu o notebook com pressa.

“E do que vai adiantar? Ninguém se lembra de uma notícia desmentida.” - Ela se levantou e passou a andar impaciente. “Eu preciso de algo maior para jogar contra ela.

“Daenerys. Você falou que queria conversar com ela antes. É por isso que estou aqui. Você queria ir no Lab da Westeros. Hoje é Natal, haverá poucas pessoas e você poderá conversar com ela é a oportunidade para fazer algo substancial que não seja uma guerra de fake news. “ - Ele tentou apelar para a razão enquanto ela estava calma. “Eu vou com você. Nós vamos. Você conversa, expõe, tenho certeza que ela irá ouvi-la…”- Jon olhou de soslaio para Tyrion, inseguro se aquilo daria certo. 

 

Eles entraram no helicóptero e Jon se arrependeu novamente de ter ido até ali nas suas condições. A dor agora era no baço e acompanhava a dor no coração. Ele queria estar ao lado de Sansa. Apesar de chateado com o que ela fez, a distância dava a ele mais vontade de nunca mais se separar dela. Ao lado dele, Daenerys estava absorta no celular. Jon sabia o quanto aquilo seria prejudicial no final do dia. Ela abria páginas e mais páginas num RSS infinito de notícias linkadas à elas. À frente dele, os três advogados o olhavam com curiosidade e certa ameaça. O assunto “renúncia” estava no ar. 

 

Ele não queria a Westeros. Não queria as empresas que pudessem ser do pai ou do avô Targaryen, entretanto, a forma como Daenerys fazia aquilo parecia errado e ganancioso. E se ele pudesse pegar uma parte disso e aplicar na Winterfell, ele e Sansa poderiam viver em paz e respirar direito pela primeira vez desde que se viram na delegacia. Ele lembrou-se da moça magra e desgrenhada que ela era quando cruzou a porta. Abatida, ferida. Parecia uma adolescente trombadinha que não comia a dias. Jon atendeu muito aqueles tipos em sua delegacia. Olhos medrosos, posturas desafiadoras. Não era o caso dela entretanto. Apenas medo e marcas. Como as que ele viu quando a ajudou no banheiro. Grande e pesadas marcas de espancamento pelo corpo delgado. As costelas calcificadas e o quadril roxo. As unhas quebradas e o cabelo sem vida. Em nada era a mulher classuda que o tinha ajudado na última noite. Ajudando ele a receber o que sobrou de seus amigos, preenchendo a falta que ele fazia na vida do afilhado, cuidando do cachorro dele quando ele não conseguia cuidar de si. 


A pele cintilante e bem cuidada com cremes caros e manipulados apenas para ela. As roupas com corte na medida e tecidos fluídos, como seu longo e cheio cabelo vermelho. E os olhos. Azuis e cristalinos, como a esmeralda colombiana que ele tinha guardado para a ocasião certa. A risada baixa e gostosa que ela dava quando ele falava uma bobagem, os beijos suaves com lábios selados que ela dava quando eles acordavam. A sensação boa e saudosa de penetrá-la. Tudo aquilo era grande demais para eles se perderem na picunhinha de Daenerys e Cercei, e para ele ter saído de casa com tanta raiva sem se despedir dela direito. Jon pegou seu próprio celular e entrou no Whatsapp “Estou com saudade…” parecia tão leviano quanto ele foi ao deixar Winterfell. “Terminarei aqui o mais rápido possível. Quero ir pra casa e te ver.” Verdadeiro e bom o suficiente, ele refletiu e enviou. Ele viu o status on line dela, mas as notificações de leitura não apareciam. O helicóptero baixava sobre o prédio próximo da Fortaleza Vermelha e os checks azuis ainda não tinha aparecido. Guardou o celular no bolso achando que merecia aquele gelo.

Ele desembarcou com cuidado e assistiu os outros helicópteros baixarem com Davos, Tyrion, Missandei, Theon, Asha e mais toda a equipe de mídia training de Daenerys. Ele estava cansado de só andar em bando, mas aquela seria sua última vez. Uma última missão. Davos tinha cara de quem também não estava gostando e Tyrion segurou a mão dele e o puxou para trás.

 

“Jon… Daenerys demitiu Varys.” - O homem tinha a cara ainda mais amassada naquele momento.

“Por quê?” - Jon via Daenerys entrar no elevador do prédio campo de pouso e seus olhos novamente magoados.

“Ele contou a algumas pessoas do board de auditoria do conglomerado que você é quem é.” 

“Quem eu sou nao muda nada. Diga ao board que eu não irei tomar nenhuma providência em relação a quem está sentado na cadeira de dono.”

“Não existe cadeira de dono, Jon. Existe uma licença poética dada a quem parece ter herdado a empresa. Uma licença poética de 12,7%, pra ser exato, que é a porcentagem a mais que ela tem em relação ao fundo de administração dos acionistas das empresas Targaryens. Você sabe e não pode ignorar isso.”

“Ainda que ela divida comigo a herança, ela está dividindo com um targaryen o que já tem. Então, pela minha experiência com os Starks, a família ainda vai deter essa licença poética.” - Jon não gostava de ter que pensar que fazia parte dos Targaryens, mas aquela era uma realidade que lhe perseguia depois do segredo ser revelado.

“Jon. Não faça eu parecer um golpista. Você sabe que dividindo, você terá mais do que ela e somando a parte que os Starks tem na Westeros, pouca, mas tem, você ficará com uma licença poética e tanto.” - Jon não respondeu e seguiu entrando no elevador quando todo mundo já tinha descido.

“Eu não quero falar sobre isso agora. Agora nós viemos aqui fazer sua irmã entender uma ordem judicial. De forma civilizada.” - Jon tentou focar em sua missão.

“Ahh… O delegado Jon “Snow” Stark. Dizem que quem é rei nunca perde a majestade. Isso se aplica aos delegados?” - Tyrion estava preocupado e Jon podia ver na cara dele, mas não respondeu às alfinetadas e nem iria pensar sobre números. Era certo que pensava em poder ter algo substancial e ajudar a Winterfell, mas não levantaria aquele assunto agora.


 

A Fortaleza Vermelha era uma construção inspirada em Antoni Gaudí e tinha sido construída pelo seu bisavô, ainda que fosse estranho pensar no homem como alguém seu, mas lhe deu certo orgulho de ter uma história conectada com o grande arquiteto e construtor e empreendedor daquele país. Ele nunca tinha se permitido se incluir nas histórias da família Stark, como se orgulhar dos cavalos dos haras, ou das construções cuja identidade arquitetônica era estudada em faculdade, tendo, no máximo se inspirado na carreira policial de seu tio Benjen e, se fosse mais esperto na época da morte dele, teria visto que a organização era apenas uma infestação de corrupção.

 

Ele se pegou sem fôlego olhando as torres de tijolos amarelos e vitrais coloridos altos e ornamentais. No grande pátio de cimento cru e polido, algumas pessoas liam livros, passeavam de mãos dadas ou estava absortas e gadgets plugados nas torres de carregadores. Grandes estofados coloridos e acentos de designers conhecidos foram espalhados e as pessoas conversavam distraídas. Ao redor, dentro da construção, arquibancadas dos mesmos tijolos amarelos, como as arenas romanas.

 

“Dizem que meu pai idealizou esse lugar, pensando em receber grandes nomes do setor para falar com os estudantes de arquitetura e urbanismo. Ele era um visionário, décadas depois, labs como esse são comuns em todos os lugares.” - Daenerys se aproximou dele com rosto sonhador. Quando ela estava naquela vibração, era difícil acreditar que ela fosse tão colérica.

“Você não o conheceu, não é?” - Jon sabia um pouco sobre a história do avô. Daenerys era uma filha temporã, nascida depois de sua morte e ela e Viserys foram criados pelo melhor amigo do velho Targaryen, Ilírio, um agitador cultural francês.

“Não. Eu só ouvia as histórias. Sobre como minha mãe morreu de depressão, numa anorexia nervosa, quando ele morreu. Que ele era temperamental e apaixonado, inteligente e autoritário… Enfim, um homem intenso.”

“Quem sai aos seus não degenera!” - Jon sorriu para ela gostando da paz em que estavam

“Diferente do que dizem do seu pai: Amante das artes, patrocinador incondicional de eventos culturais, queria ser editor de livros, era doce e amável.” - Ela olhava como se o acusasse de ser o mesmo.

“Eu estou longe de ser essa persona.”

“Talvez tenha puxado a sua mãe.” - Ela sorriu amplamente e Jon estava encantado que dentro daquela mulher houvesse aquela suavidade. Era bom, era convidativo continuarem naquele clima. “Eu queria saber o que tenho da minha mãe.” - Sorriu triste.

“Entendo…” - 

“Não, não entende. Acho que a maternidade é algo que nenhum homem nunca vai poder entender. Eu queria ter um vínculo com ela, queria saber como ela se sentiu ao saber que estava grávida de mim, como foi saber que ia ter sua tão sonhada menina quando já tinha 46 anos.”

“Você me parece querer muito ser mãe…”

“Sim! Sim!” - Respondeu tão emocionada que Jon achou que ela começaria a chorar. “Mas eu não posso…”

“Mesmo? Nem com todos os tratamentos? Ou adotar?”

“Eu não posso gerar. Eu queria sentir isso: um bebê meu, na minha barriga, com a cara do pai e trejeitos meus! Para quando ele for grande eu dizer: olha, puxou o pai, o avô, o tio… Quero laço de sangue!”

“Daenerys, há tantas crianças querendo apenas um laço de afeto e abrigo… Não é egoísta pensar assim?”

“Oh não me venha com discursos mole! Eu ajudo orfanatos, instituições lares, mantenho essas crianças sob bons cuidados. Não é a mesma coisa.”

“Não é discurso mole! Eu realmente entendo o que você diz… Eu nunca pensei sobre filhos… Eu não queria filhos que pudessem ter a história que eu tive: não saber quem é sua mãe e pai, achar que não é totalmente amado… Só que hoje, eu penso completamente diferente, talvez você mude de opinião no futuro.” - Os olhos azuis violeta fixaram nele por um momento.

“Ela vai nos receber agora.” - Tyrion tirou eles daquela bolha ao inquiri-los a se dirigirem à sala de reuniões do lugar. 


 

Eles sentaram nas cadeiras do lado opoStos à mesa onde parecia estar reservado para Cercei. Daenerys já não tinha suavidade, já não parecia doce. Era agora uma mulher ferida e Jon suspirou cansado daquilo também. Cercei Lannister entrou com pompa e circunstância seguida de seus advogados e mais pessoas do que precisava, apena para mostrar poder. Sentou-se na cadeira do centro e não trocou olhar com Daenerys. Ao lado dela, James ficou de pé e Jon se perguntou qual era o papel do homem.

 

“Bom!” - Tyrion sorriu incomodado e chamou a atenção de todos. “Estamos aqui, Cercei, como bem sabe, para tentarmos chegar numa forma de manobrar a troca da diretoria geral da Westeros, sem grandes danos à imagem do Grupo e de forma civilizada.”  - A mulher nada disse e apenas olhava para o irmão de forma lívida. “Todas as apelações possíveis foram feitas e o resultado foi o mesmo:” - Tyrion abriu a pasta com a sentença do juíz sobre o caso. “...A improbidade administrativa levantada por... Tywin Lannister, nos autos judiciais como declarante, foi revogada e indubitavelmente comprovada de tratar-se de uma falsa acusação, formação de quadrilha e golpe financeiro em propriedade privada por parte do declarante, citado na sentença como culpado pela ilegitimidade dos atos administrativos levantados na época. Sem que a pessoa declarada esteja viva para defender-se das acusações e sentenças e, tratando-se de um grupo empresarial com instituições altamente ligadas à economia do país e, não encontrando, dentro dos limites levantados nas ações anteriores à esta sentença, nenhuma indicação para continuidade da estrutura atual e ainda, concordando com as hipóteses levantadas pelas sentenças dadas no país de origem do grupo de empresas doravante citados como interessados, indicamos, com urgência, a dissolução das citadas estruturas e a indicação de estrutura formada pelos herdeiros nesta data.” - Tyrion fechou a pasta. “Como você pode ver, Cercei, nós só temos um caminho. Vamos fazer ele de forma boa ou de forma barulhenta.”

“Meu caro irmão bastardo!” - Cercei chamou atenção. “Sim! Se não sabem, minha mãe traiu meu pai com o velho Targaryen, Tyrion é um traço de vergonha na vida da minha mãe! Acho que, por isso, ela preferiu morrer no parto!” - Cercei riu friamente contando a história para todos à esmo. “Oh, vocês não sabiam? Daenerys pode ter um irmão! É por isso, que ele se bandeou para o lado dela.”

“Cercei isso não é verdade.” - Tyrion respondeu magoado e Jon teve pena do homem, entendendo agora como a vida dele realmente deve ter sido difícil ao lado de uma mulher tão maniqueísta.

“Cercei!” - James chamou a atenção dele. “Essa é uma história cruel e infantil que minha irmã gostava de contar para aterrorizar Tyrion.” - O homem se desculpou por ela. “Vamos nos manter falando sobre o processo.”

“Você pode sentar na cadeira de Diretora Geral, garota. Mas os Lannisters agora tem mais ações que você, mesmo assim. Nós oferecemos à você a possibilidade de deixar Cercei como Diretor Geral e você pode ir cuidar de suas empresas lá fora. Você não é bem quista pelos acionista. Uma mulher que tem uma indústria de armas que fornecesse o massacre de palestinos. Não é isso que queremos aqui!” - Euron Greyjoy, advogado de Cercei, se propôs à Daenerys com seu jeito canastrão e irônico. Jon não estava gostando do homem.

“Eu não forneço armas para massacrar palestinos! Vocês estão espalhando fake news!” - Daenerys bateu na mesa com raiva.

“Nós temos provas de que um grupo da Web chamado Companhia Dourada tem feito posts em massa, contra Daenerys, é uma questão muito simples conseguir alguns nomes e pedir quebra de sigilo bancário para provar que alguns pagamentos vindo dos escritórios daqui estão sendo feitos à eles.” - K. Drogon disse de forma tão fria e quieta que ele conseguiu a atenção de todos. “Vocês que sabem se vamos precisar abrir precedentes para quebrar o sigilo bancário de vocês.” - Jon viu Cercei e Greyjoy se encostarem nas cadeiras, incomodados.

“Westeros é minha e será para sempre. Você sai por quê entende isso, ou a polícia se encarrega de te escorraçar daqui.” - Daenerys se levantou.

“E por isso, trouxe um delegado expulso da polícia?” - Cercei riu maléfica.

“Você pode dizer o que quiser, Cercei. Eu não vim prendê-la, vim mostrar, entretanto, que você pode até ter ações e vai ter um vínculo financeiro com a Westeros, mas fisicamente, Daenerys pode te impedir de entrar, sentar e fazer qualquer coisa nas dependências que por lei, são delas. É bem simples. Seu caro advogado pode te aconselhar a aceitar a proposta de Daenerys. Mas caso vocês se recusem a entender lei sobre propriedade particular básica, Drogon e seus associados podem dar uma aula, nós podemos chamar a polícia de Porto Real… Não aquela para quem você paga uma mensalidade, muito menos aqueles policiais que iriam levar seus inquéritos para arquivamento, nem aquele juíz ou desembargador a quem você pagava propina em forma de ações da WW, afinal um tá preso por pedofilia e estupro e o outro a minha irmã matou. Será aqueles policiais novos que pouco se importam com seu status ou dinheiro. E você será levada algemada daqui até a saída do estacionamento, percorrendo um caminho de livre acesso À imprensa e celulares fazendo lives na internet. Você fala de Daenerys não ser uma figura querida por não ter boa notícias dela na web, e o que será de você quando isso acontecer?” - Jon não respirou e aumentou a voz a cada palavra. Aquela mulher pedante e de cara irônica despertava nele os piores sentimento e era com prazer que ele via a ironia dela dando lugar a raiva de entender o que ele queria falar.

“Eu desafio você a me obrigarem!” - Cercei ergueu-se e com ela todos os pesos mortos com quem tinha entrado. Greyjoy era o único que tinha a postura consternada e trocava olhares com os advogados.

“Eu vou matar essa mulher!” - Daenerys fuzilou Tyrion com o olhar. “Eu quero que a justiça determine a saída dela.” - Disse para Drogon.

“Dany, precisamos fazer isso de forma calma… Você vai fazer os scores despencarem! Olha o que aconteceu com a Winterfell. Se formos obrigados a ressarcir acionista por manobras arriscadas, tem ideia do que você herdará? Tem ideia de que se elas baixarem mesmo à ponto de não serem ressarcidas, as ações vão puxar todo o trimestre para baixo?” - Tyrion tentava ser coerente e Jon entendia o que ele estava falando.Mas Daenerys já ia longe, acompanhada dos advogados e Missandei. “Ela vai torrar a Westeros antes de se sentar na cadeira de dona.” - O anão chutou a porta deixando Jon sozinho enquanto olhava seu celular e via o status de Sansa. “Digitando…

Sansa

 

Lay me Down - Sam Smith

You told me not to cry when you were gone

But the feeling's overwhelming, it's much too strong

Can I lay by your side? Next to you, you

And make sure you're alright

I'll take care of you

And I don't want to be here if I can't be with you tonight

 

Aquela manhã talvez fora a mais longa de sua vida. Era dolorido pensar em tudo. Ela assistiu Jon partir para Porto Real numa promessa que ela não entendia muito bem para ajudar Daenerys Targaryen, a manipuladora loira e platinada que poderia ir para o inferno e deixar que eles vivessem em paz. Sansa gastou muito tempo tentando engolir a raiva de como aquilo a afetava, ainda que se sentisse culpada ainda por ter aberto o segredo de Jon para Tyrion. 

“Sansa, você não comeu o café da manhã. Trouxe um chá e torrada.” - Brienne entrou com uma bandeja de prata e deixou na mesa de centro do escritório. “Venha comer!” - Sorriu.

“Você não precisa me pajear, Brienne!” - Dado o excesso de cuidado que ela estava recebendo do minuto seguinte da partida de Jon, sabia que ele tinha deixado todo mundo incumbido de cuidar dela e aquilo evidenciava que ele estava com ela, mesmo quando estavam separados.

“Não é pajear. É só uma constatação.” - A mulher aguardou ao lado da bandeja e como o estômago dela roncou, Sansa largou os relatórios finais de trimestre e foi até ela.

“Sei. Tormund ainda está por aí?” -Sansa sabia que ambos tinham um relacionamento complicado de nomear e que a simples menção ao homem fazia Brienne olhar para o chão desconcertada.

“Ele foi correr com Fantasma.” 

“Não é uma calmaria a qual estamos acostumada em casa, não é?” - Sorriu ouvindo nada mais que silêncio ao redor delas.

“Não é, senhora! Tanto entra e sai de policiais e amigos de Jon que estava realmente acostumada com a casa cheia.” - Brienne foi até a janela observar o dia iluminado e a neve ainda mais branca. “Pod fez um bom trabalho com a neve acumulada. Agora ele está levando Bran para um passeio ao sol.” - Mudou de assunto.

“Pod acumula muitas funções…Eu gostaria de poder aliviar vocês de tantas tarefas, mas… Ainda não há como fazer mais contratações.” - Ela mastigou as torradas com cuidado.

“Não se preocupe com isso agora. Não vai comer o resto?” - Brienne olhou com reprovação para a comida quase intocada.

“Se eu me abrir com você e dizer que sei que não terei fome até que eu possa conversar com Jon direito, você vai me julgar como uma adolescente boba?” - Ela tentou um pouco de humor para afastar a vontade de chorar. Não fingiria que todos ignoravam o fato deles não estarem bem.

“Não a julgaria em nenhum momento como uma adolescente boba… Os homens... Eles… Às vezes não entendem as escolhas que fazemos…” - A mulher parecia querer desabafar e Sansa tentou entender do que ela falava.

“Sim… Homens são mais simplistas.” - Bateu de leve no estofado próximo à ela, convidando-a para sentar.

“Eles veem a situação de forma tão superficial… Tipo… eles dizem “Você é demais, você é incrível…” mas depois eles vão embora, por que estão pensando em outra coisa e não entendem a profundidade dessas palavras…” - Sansa fingiu não se assustar com a primeira lágrima que caiu do rosto de Brienne.

“Sim! Eles dizem tanta coisa significativa, tipo… falam de sentimentos únicos e verdadeiros e depois saem aí atrás de outra mulher…..” - Ela sabia entretanto um pouco do que Brienne falava.

“Sim!” - A mulher arregalou os olhos. “E como a gente fica? Aqui… Tentando seguir com a vida, fazendo o nosso melhor, torcendo que eles caiam em si e veja que somos a melhor opção!” - Gilly entrou no escritório enquanto Sansa passava as mãos nas costas de Brienne tentando acalmá-la do rompante, a assistente dela serviu um copo de água do aparador e perguntou se estava tudo bem.

“Sim, sim!” - a tranquilizou. “E ela é família, pelo amor de Deus! Eles têm o mesmo sangue!” - Apesar daquele empecilho não ter atrapalhado ela sentir o que sentia por Jon.

“Siiim, como um homem pode ser tão burro?” - Brienne aceitou a água de Gilly, não se importando em segurar o choro.

“Mas homens são sempre burros.” - A moça sentou na beirada da mesa de centro e segurou as mãos de Brienne. “Eles não enxergam o que tá na frente deles, é preciso que a gente vá lá e esfregue a verdade para que eles entendam.”

“Eu fiz isso!” - Sansa e Brienne responderam juntas.

“Leva tempo para eles entenderem também. Tipo, a lógica deles é diferente! Quando envolve sentimentos, eles são binários…” - Gilly deu outra mão para Sansa.

“Homem é tudo burro mesmo… Não sei como vocês aguentam!” - Arya surgiu do nada e sentou-se numa poltrona perto delas. “Ficam exigindo coisas que não é o que você quer. Às vezes, você só quer uma foda e não um relacionamento…” Ela jogou as pernas sobre o braço da cadeira vitoriana.

“Eu queria um relacionamento!” - Brienne levantou a mão. “Não queria só foda, não!”

“Eu… Eu tenho um relacionamento, eu acho… na maioria do tempo…” - Sansa ficou insegura sobre o que ela e Jon realmente tinham agora.

“O meu relacionamento nasceu antes da foda….” - Gilly completou. “...Tipo… Ele tava lá, me apoiando e sendo amigo e eu não sabia como viver sem ele na minha vida…”

“Sim!” - Sansa concordou sabendo que aquela situação se aplicava à ela.

“...E aí a gente transou…” - Brienne segurou a mão de Sansa.

“Sim!” - De repente as três pareciam estar numa ciranda.

“... E aí a gente foi ficando…” - Enxugou o nariz de novo.

“É!” - Foi assim com Sansa também.

“Eu também tinha um relacionamento antes da foda! A gente viveu muita coisa louca junto, sabe? Nossa, eu nem saberia por onde começar… Ele parecia ser o único homem que entendia minha jornada, ele esteve lá no início…” - Brienne assoou o nariz e Sansa teve pena delas duas.

“Sim… Ele esteve lá no início. Quando eu nem sabia quem eu era…” - Arya olhou para um ponto fixo.

“Sim… Ele que me ensinou muito do que sei. Tipo… profissionalmente, ele me deu muitos insights…” - Brienne buscou o olhar de Arya querendo entendimento.

“Sim… Ele me fez ver a vida de outro jeito…”- A irmã dela parecia abatida.

“Até que a vida separou a gente e eu trilhei um caminho tão duro…”. - Sansa queria chorar tamanha dor nos olhos de Brienne.

“E doloroso…” - Arya completou.

“Aí eu o revi. Aqui em Little Winterfell” - Brienne sorriu triste.

“E ele era um homem…” - Arya completava as sentenças de Brienne de forma que deixava Sansa tonta.

“Diferente…”

“Maduro…”

“Inteligente…”

“Parecia ter aprendido muito com a vida…”

“Tão dono de si…”

“Mas eu era outra também…”

“Não mais aquela menina sem eira e nem beira…”

“Eu tenho uma vida aqui… Eu faço algo que faz diferença…”

“E tenho um mundo todo para ver…”

“Uma vida inteira para viver…”

“Não posso abrir mão disso!”

“Ele podia ficar ao meu lado… Mas ele quer outra mulher.”

“Que eu vá embora com ele!” - Arya levantou aborrecida.

“Eu acho…” - Gilly soltou a mão de Sansa e pegou a de Arya. “A gente precisa entender primeiro o que a gente quer, antes de decidir o que fazer com eles… Sam é um cara bem fácil de lidar, é só eu deixar ele quieto com os livros dele e procurá-lo quando eu o quero e preciso. Foi bem simples pra mim, optar em querer ficar com ele, sem nem pensar se eu o amava. Eu o amo. Não teria no mundo alguém para se encaixar em mim como ele se encaixa. Mas… O que vocês querem?”

“Apenas uma foda!” - Arya respondeu muito segura.

“Que ele siga um caminho mais digno…” - Brienne disse ansiosa.

“Eu…” - Sansa estava insegura como que ela realmente queria. “Que a gente fique junto… mesmo… como antes e mais.” - Olhou para os olhos que a encaravam.

“Vocês estão juntos…” - Gilly respondeu confusa.

“Você quer como antes de você contar o segredo dele para seu ex marido?” - A irmã a lembrou.

“Não se preocupe, vocês vão acabar casando!” - Brienne respondeu emocionada.

“E Brienne, se ele escolheu o caminho errado, pena pra ele… Você tem milhões de possibilidades certas! Você é a chefe da segurança da Winterfell agora.” -  Gilly a animou.

“Não há mulheres num cargo como esse nesse país, Brienne. Você não trocaria isso por quem te largou pra foder com a própria irmã, não é?” - Arya sempre ácida colocou.

“E você tem sempre Tormund, se você curte homens altos e fortes!” - Gilly sorriu com seu intento de animar Brienne. “E se você quer ir devagar, diga à ele!” - A moça apertou a mãe da irmã dela.

“Ele é um romântico, ele quer namorar, deixar público no Facebook! Daqui à pouco vai querer casar!” - Arya tinha os olhos ainda mais esbugalhados.

“Diga à ele que você é incapaz de seguir com um casamento…” - Sansa instruiu.

“Como você sabe? Quem disse que não sou capaz de alguma coisa?” - Era cansativo conversar com Arya e sua postura combativa.

“Arya… casamento… Dividir a casa com outra pessoa, fazer compras no supermercado, perguntar se o papel higiênico acabou… Pagar as contas de luz e condomínio, falar sobre a reforma da piscina. Quem encheu o tanque do carro a última vez…” - Sansa foi enumerando cada coisa que ela achava impossível da irmã fazer. Nem ela mesmo fazia aquelas coisas.

“É…” - Gilly pareceu concordar. “Casamento não é bem algo que se pareça com você… mas dá pra ter uma relação aberta, cada um no seu lugar… Você só vai saber se propor à ele.”

“Seja muito franca. Diga sempre a verdade que está passando na sua cabeça.” - Brienne aconselhou.

“Eu quero apenas transar…” - Arya se largou no sofá novamente. “Faz pouco tempo que descobri que isso é realmente bom…” - Disse baixinho.

“Oh então isso é muito especial.” - Sansa constatou. - “É difícil conseguir um parceiro que faça sexo ser tão bom…” - E por quem ainda nutria amor.

“Se sentir à vontade na cama de alguém, é realmente difícil!” - Brienne passou as mãos pelo rosto.

“Bem, esse amor de… Esse amor que fica, é sempre o mais difícil de acertar. Mas…” - Gilly se calou quando o telefone de Sansa vibrou.

“Bom dia, Barbrey! Feliz dia de Natal para você e sua família!” - Ela atendeu a ligação da secretária.

“Oh! Para você também! Desculpe estar lhe ligando hoje, mas eu... Bem, como de praxe,o conselho da Winterfell avisa que se reunirá para votação importante nos próximos dias, senhorita. Eles vão votar a sua indicação como Diretora Geral da Winterfell!” - Barbrey parecia estar sorrindo.

“Barbrey isso é um grande passo. Quem convocou essa votação e com qual argumento? Eu não propus ser Diretora Geral…” - Sansa sempre gostou da ideia, mas desde que Jon dava a ela controle total, não pensava que era realmente preciso ocupar o cargo.

“Lyanna Mormont, Sansa! Bem, você a conhece! Devemos à ela os grande momentos de sensatez no Conselho…”

“Barbrey, eu preciso falar com Jon primeiro…” - Ela não achava que haveria problemas, mas não era ético fazer aquilo com ele longe.

“Lyanna parece ter adiantado o assunto com ele, senhorita…” - Sansa já digitava uma mensagem no Whatsapp para Lyanna, ignorando todas as outras urgências, mas parou ao ouvir aquilo.

“Jon não me falou nada de ter conversado com ela.” - Então ela lembrou deles tendo entrado no escritório para uma conversa na noite anterior. “De qualquer forma, Barbrey vamos fazer como de praxe. Eu informo estar ciente sobre mudança na diretoria geral. Concordo em não exercer influência de votação, entretanto, qualquer que seja o resultado eu só acatarei quando conversar com Jon.” - O estômago dela revirou de excitação frente ao cenário que ela almejou desde que deixou os Lannisters para trás.

“Muito bem, senhorita Sansa!” - Barbrey entretanto não segurava o contentamento. “Sendo assim, informo que a reunião de apresentação do trimestre fica suspensa até a primeira semana de Janeiro! Vejo a senhorita na Winterfell, até!” - Sansa podia até sentir o sorriso no rosto da mulher.

“Obrigada pelo apoio, Barbrey!” - Desligou contaminada com o sorriso dela.

“Você será eleita a diretora!” - Gilly levantou tão animada quanto a secretária dela.

“Eu preciso falar com Jon primeiro.” - Sentou-se em sua cadeira sentindo a tontura da expectativa daquele momento.

“Jon faria isso de qualquer jeito, Sansa.” - Arya deu um pequeno sorriso, e Sansa aceitou como seu jeito de dizer que a apoiava.

“Parabéns, Sansa!” - Brienne fez uma reverência e elas riram.

“Almocem comigo! Vamos, não comemorar, mas… Ficarmos felizes por essa possibilidade! Comemoraremos quando eu conversar com Jon e se eu for realmente eleita!”.

 

Elas sentaram na mesa principal e Sansa experimentou a dualidade de estar feliz por si mesma e que finalmente seria reconhecida como uma opção viável e boa para a diretoria da empresa de sua família e ressabiada, por não estar comemorando com Jon aquele momento, mas ela se permitiu rir. Até mesmo com Arya que parecia ter tirado um peso das costas ao falar do que lhe afligia. Sansa refletia o quanto a irmã deixou-se abalar com sexo e amor e não se deixou abalar com dois assassinatos. Agora ela via a menina se servir de uma garrafa inteira de champagne enquanto tentava fazer elas voltarem a falar do que falavam na biblioteca. Os copos se acumulavam na frente dela, mas ela não tinha intenção nenhuma de beber. Uma ideia na cabeça dela crescia e precisava estar sóbria para quando fosse encarar a verdade. Arya fechou as portas da sala de jantar principal e proibiu a entrada de Pod, Bran e Tormund. “Girls Bunker, seus cuzões!”. Ela deixou claro. “E se Gendry aparecer, eu vou mostrar a ele o que eu realmente quero!”. Gritou do lado de dentro. Lioslaith levava fingers food diretamente para Sansa e ficava lá aguardando ela comer. Era outra que provavelmente tinha sido incubida de fazê-la ficar bem. 

 

Ela pegou o celular e abriu o Whatsapp novamente, não podia escrever para Lyanna, era antiético enquanto o conselho estava em deliberação, mas queria muito se aconselhar sobre sua ideia de unir-se com a Wildlings, utilizando a área da Winterfell que ficou parada desde a dissociação com a Westeros e usar sua Building Information Modeling com a construção de habitação dos colegas. Sua mente fervia com ideias que ela queria implementar e dar continuidade, mas seu coração parou e ela prendeu a respiração quando viu a notificação de Jon. “Terminarei aqui o mais rápido possível. Quero ir pra casa e te ver.”. O que quer que tivesse no bolinho de aspargos que Lioslaith tinha servido, não se segurou no estômago dela quando leu aquela mensagem. Eles estavam bem e iam ficar bem

Sansa pediu licença para ir ao quarto. Ela não estava bem e estava emocional. Aqueles dias tinha sido intensos e ela não pode respirar direito. Quase ter perdido Jon fez ela sentir mais medo do que sentia quando era casada com Ramsay e a desesperança a acompanhava, era tão evidente que precisava estar em paz com Jon que mal conseguiu se conter e não chorar na frente de todas. Mas quando ela entrou no quarto e deitou olhando aquela mensagem como quem olha a foto de uma pessoa amada e começou a digitar uma resposta, sua ânsia aumentou e ela vomitou o pouco que comeu tudo na pia do banheiro às pressas.

 

“Eu suspeitava,mas não quis pressioná-la. Se me permite…” - Gilly mostrou para ela um exame de gravidez. “Em um minuto nós saberemos que médico procurar para você.”

“Não pode ser…” - Sansa não tinha considerado aquilo nem por um minuto. “Eu tenho o dispositivo…” - Mostrou o bastão implantado no braço, sem muita segurança.

“Que você devia ter reposto três meses atrás… Eu não fui bem instruída na casa-lar, Sansa, mas eu tenho sido uma assistente atenciosa e preocupada e faz algum tempo que a consulta com uma ginecologista foi marcada e você não vai…” - A moça sorriu.

“Você é uma assistente perfeita!” - Sansa assegurou. “Mas eu não estou grávida!”

“Eu comprei uma coleção por quê não podia acreditar que estava grávida de novo! Use! Um minuto! A minha intuição não falha e a sua?”

 

Sansa pegou a caixa e consultou sua intuição. Tinha estado tão focada em Jon, na Winterfell, nos problemas, nas acrobacias que sua vida estava dando que não considerou olhar para si.. Fazia meses que ela  e Jon faziam sexo indiscriminadamente sem precaução extra desde a primeira vez que a camisinha rasgou. Fazia anos que ela não fazia xixi num bastão de teste de farmácia, mas diferente de todas as vezes que ela tinha feito antes, daquela vez não havia arrependimento por ter sido imprudente e apesar do nervosismo que aquilo lhe causava sua mente só gritava uma coisa: Jon era Jon. Quando ela saiu do banheiro para encontrar Gilly a aguardando sentada na beirada da cama, olhou pela primeira vez o bastão úmido. Dois traços.

 

“Positivo!” - Ela olhava os traços azuis sem acreditar enquanto a irmã entrava no quarto.

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Notas Finais


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Sabe quando o Sean Bean tá numa produção e a gente sabe o que vai acontecer com o personagem dele?
É mais ou menos assim que acontece quando escrevo fic! hahahahha Eu evitei esse final aqui o máximo que consegui, mas não deu mais para adiar!

No caso de você querer saber o que é BIM, no setor de construção, é uma metodologia aliada à softwares que calculam riscos de um projeto, os corrige e dá alternativas.

No caso de você querer procurar o Antoni Gaudí no google, vale à pena, recomendo.

Eu tentei juntar muita coisa sobre as aparições da Cercei nos últimos episódios. Espero que tenha ficado boas essas ambientações!

Cansei de tentar entender direito privado e empresarial... qq erro me perdoem

É isso...
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