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História JONSA - Oblivion - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


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Esta história está em construção, eu comecei as duas ambientações dela separadamente, mas algo me fez juntar numa história só e espero que o resultado seja bom.

Estou fazendo muitas pesquisas para ir adiante com um respaldo histórico e no final de cada capítulo, vou explicar um pouco sobre.
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Capítulo 1 - Escolhas


Fanfic / Fanfiction JONSA - Oblivion - Capítulo 1 - Escolhas

I

Século XX - 1922

O salão fervilhava. A banda da nova música estava inspirada e todos dançavam o jazz. Sansa passou apressada entre os convidados tentando não derrubar sua taça de champanhe, rindo e parando aqui e acolá para ouvir fofocas. Seu vestido de cristais rosados tintilhava a cada movimento. Ela se sentia enérgica e poderosa.

marido estava como sempre de conversa com outros homens e mulheres no canto mais escuro do salão. Ela não se importava. Fazia tudo o que ele queria e em troca, ele dava aquelas grandes festas, lhe comprava os vestidos mais caros e a levava em viagens às capitais. Ela só precisava ficar esperta. Se ele bebesse muito, devia sumir da frente dele no final da festa ou iria apanhar por qualquer motivo.

Maridos batiam. Assim era a vida. O dela pelo menos aliviava seu rosto. Às vezes, quando ela se comportava mal, ele a prendia no sotão, mas estava tudo bem. Ela estava aprendendo a se comportar nos últimos meses. Faltava apenas lhe dar um filho. Ela ainda não tinha conseguido porque era desastrada e descuidada, estava sempre abortando. Mas tudo bem, ela ia conseguir.

O que importava era que o embaixador estava na festa e sua mulher, que era ainda mais nova que ela, era uma caipira e isso a divertia tanto que até esquecia que apanhou naquela tarde por não servir seu marido direito. Estava difícil de sentar e ela queria tanto ficar ao lado da parvalhona texana que mal sabia segurar um garfo.

A mocinha ainda era católica. Quem era católico em Nova York? "Ajudo as freiras no orfanato!". Era seu discurso. Porquinha. Jayne Poole tinha cara de porquinha. Com devia ser os porcos no Texas. "Os frades fazem sopa aos necessitados!". Porquinha.

Ela dançou os passos de dança que seu professor ensinou. Tinha ensaiado para mostrar-se bela para os jornalistas da New Yorker que estavam ali para cobrir a festa. Oh e como ela dançou e riu. Estava tudo brilhante e rico em sua casa. Isso que importava. Sua mansão. Agora que era a filha mais velha casada e que seu finado irmão Robb morrera, aquela mansão seria dela.

Sua mãe e seu padrasto tinham insistido naquele casamento apenas para conseguirem dinheiro para reerguer as propriedades do pai, nada mais justo que ela, que se sacrificou para ninguém morrer de fome, ficasse com a mansão. Seu irmão aleijado nem ia conseguir desfrutar de tudo, sua irmã, aquela sufragistazinha, não podia abrir a boca para reclamar Winterfell para ela. Estava sempre aprontando com suas amigas novas formas de encher a paciência dos bons homens que faziam as leis daquele país.

“Sansa!" seu marido reverberou pelo salão. Oh merda. Ela sorriu falsa e cruzou o espaço como se estivesse sendo chamada por seu príncipe. A cara dele estava vermelha e o olhar ébrio. Oh merda. Ele não ia fazer nada em público, seus fornecedores estavam ali, clientes também. Ela se empenhou para os mais poderosos estarem presentes. "Fale com sua mãe parar de se meter onde não é chamada!" Agarrou o pescoço nu dela e tentou falar baixo em seu ouvido, só conseguindo ser áspero e enlouquecido.

Sua mãe estava branca como uma vela ao lado dele. Ela olhou ao redor e deixou ele saber que suas pessoas chaves o ouviam. "Mamãe já não é tão jovem! Precisa descansar, é isso? Claro que poderá se recolher! Perderá toda a festa!" Ela pegou a mãe pelo braço e a puxou falando para ser ouvida. Sorrisos condescendentes para uma filha cuidadosa e uma senhora respeitosa e casada subir as escadarias. Aquelas caras precisavam ser bajuladas, então Sansa sorriu de volta até alcançarem o topo e o corredor.

"Que merda você estava fazendo agora?" Sansa tinha feito tudo que a mãe queria, mas ultimamente parecia que não era suficiente. "Eu sei que ele está envolvido no ataque a Robb." A mãe disse em frangalhos. Em nada parecia a mulher com quem Ned Stark era casado. Na época de seu pai, Cately Tully era uma mulher reluzente, altiva e perspicaz. Agora, ela era uma pobre alma atormentada, sempre pensando que seus inimigos estão ao seu lado. Sempre entre o medo e audácia de tentar ganhar a vida depois que o marido morreu. Aquilo cansava Sansa, ela não sabia o que fazer para vê-la bem. Parecia que nunca ficaria.

Robb morreu porque foi um tolo. Al Capone nunca deixaria a morte de Torrio impune." Sansa disse exasperada. Seu irmão achava que seria o rei de Chicago com o controle dos armazéns que pertenceram ao pai naquela parte do país, mas ele não contava com a ação de John Torrio, o grande gangster italiano. "Sansa, eu sei que seu marido trocou informações com Alphonse! Eu sei!" Elas se trancaram no quarto e Sansa respirou fundo. "Sabe? Como sabe? Quem disse? Seu marido? O mesmo que incentivou Robb a ir para Chicago? O mesmo que me fez casar com Ramsay? O homem que fez pouco caso para a febre de Rickon?". Tentava sussurrar pois não confiava nos homens de seu marido, mas não conseguia não soar exasperada. "Estamos nessa armadilha juntas. Colabore!". Mal ela tinha falado e o tapa forte e seco em seu rosto foi disparado com tanta violência que sentiu o gosto de sangue ao morder a língua.

A vida dela era aquele limiar entre saber onde pisar para avançar ou pisar errado e cair. Com todo mundo. Ela tinha que ler os rostos, julgar atitudes e tomar decisões com frieza ou acabava daquele jeito: espancada ou sendo ridicularizada. Ela ajeitou a postura, limpou o sangue nono canto da boca e abriu a porta do quarto. "Esconda-se das vistas dele. Você sabe o que acontece quando ele bebe muito." Teve a consideração de avisar a mãe e saiu batendo a porta com força.

Século XXII - 2120

Ela acordou suada e sem fôlego. Sentia o gosto de sangue na boca. Quis chorar, mas não ia, não tinha por que chorar. Aquilo era esperado. Ela tinha que passar por aquilo. Levantou-se do beliche em seu cubículo e acionou o droide para sua fórmula. “Capacidade 0. Capacidade 0”. A voz de Lady era doce, mas suas informações eram sempre amargas. Sansa vestiu seu uniforme gasto com manta semi ativada. “Só um pouco mais Lady! Mais 18 horas de trabalho e eu consigo todo os créditos que preciso para viver!”. Manteve-se positiva. O corredor gelado a confortou. Gostava do frio. Sempre. Mas aquilo indicava que sua taxa de crédito do dormitório estava há muito atrasada. “Só mais 18 horas.”. Alcançou a rua onde a neve era sugada da calçada pelos droids da prefeitura.

“Hey!”. Jeyne deu a ela um copo de água mineral quente. Sua amiga não tinha cara de porquinha, nem era católica, era budista e tinha o mesmo rosto de sempre, mas a opinião dela mudara. “Obrigada.”. Bebeu com gosto o item roubado do bar em que trabalhavam. O exclusivo Heedle tinha atendimento feito por pessoas, bebidas e comidas originais, mas elas só se atreviam a roubar água em meio aquele luxo enquanto elas tinham fome e sede que passavam quando estavam sem crédito.

“Alayne!” O nome social e o pavor na voz de Jeyne a fez olhar para o salão que ainda estava sendo limpo. Ela mal tinha vestido seu avental e Ramsay já apareceu no balcão. A amiga entrou pela porta automática na parede que levava à cozinha. “Ruiva.” Ele a chamou e ela passou os dedos pelos comandos da câmera do bar. “Não precisa fazer isso! Eu não vou tocá-la.” Ele se defendeu com um sorriso doentio, nada mudava nele. “Quero ajudar vocês. Você e sua amiga. Só isso.” Ele estendeu o braço. “Vamos, aceite.” A E.D. dele piscava três dígitos de crédito. Era o crédito de 1500 horas de trabalho. Tentador. Sansa olhou para a câmera de vigilância. “Hey, ruiva, não!” Ele riu e se deixou ser acompanhado pelos concierges que chegaram um segundo depois. “Eu posso te ajudar... A se esconder de Cercei... Ruiva!”. Ramsay foi colocado para fora e o coração de Sansa disparou de forma que não conseguia se acalmar.

“Ele sabe sobre Joffrey.”. Jayne disse o óbvio atrás dela. Rosto lívido de medo de Ramsay. “É hora de buscar Jon, Sansa.”. A amiga sussurrou. “Não. Ele é um Targaryen agora.”. “Ele sempre foi!”. “Mas dessa vez é diferente. Eu não posso. Ele está com ela. Se eu aparecer, ela vai fazer algo e ele será obrigado a fazer algo vil. É sempre assim!”. Sansa estava determinada a fazer diferente daquela vez. Por isso, ela trabalhava sem descanso. Ela aceitava. Era resiliente. Seus pais morreram, isso ela não conseguiu mudar. E era culpa dela, de verdade, daquela vez. Cercei os perseguiu desde o depoimento de Sansa que somado ao depoimento de mais de dez mulheres condenaram Joffrey à pena de morte.  Ele a tinha dopado e estava prestes a estuprá-la. Jeyne a salvou. As câmeras o pegaram e tudo que precisou fazer foi abrir a boca.  Joffrey a tocou sem permissão, a dopou e à outras mulheres ele bateu e estuprou. Não iria permitir ele sair impune daquela vez. Mas pagou com a vida dos pais. “Só mais 18 horas e eu terei créditos o suficiente para ir para A Muralha.”. Seus olhos lacrimejaram. “Sansa. Não. Você tem o direito de ser feliz.”. Mas não importava. Uma vez tivesse ido para A Muralha poderia esperar tudo aquilo passar. Ela trabalhou calada. Não levaria a desgraça que sempre a acompanhava para Jon. Ele estava feliz.

O The Heedle ficava na parte mais rica da divisão. Era possível ver automóveis nas linhas magnéticas tão altas quanto os arranha-céus e os domos de ar fresco implantados onde havia mais crédito. “Sansa.”. A voz de Petyr Baelish a assombrou mais que Ramsay. “Deixe-me em paz. Você não pode chegar perto de mim.”. Ela andou mais rápido. Cercei e ninguém ligado a ela podia chegar perto de Sansa. Era a lei. A justiça deu-lhe garantias. Ela olhou para os lados buscando uma câmera. “Você não precisa ter medo de mim. Só tivemos que chegar ao extremo de encontrá-la pessoalmente, já que você recusa nossas mensagens.”. “Meu droide só receberá mensagens da justiça. Por favor.”. Sansa cruzou a rua em busca de uma loja do outro lado, lá haveria câmeras. “Por favor, eu quero ajudá-la. Sei que tem planos de resfriamento. Ninguém na sua idade vai para a Muralha. Você é uma criança. Tenho amigos na prefeitura, conseguirei uma medida contra sua vontade.”. “Por favor, me deixe em paz!”. Ela entrou na loja e olhou para Baelish pela vidraça. “Me deixe em paz.” Sussurrou apavorada.

Século XX - 1930

Sansa estava cansada e fraca. O frio entrava pela meia calça furada dela e se instava em seus ossos. Ela estava na fila da sopa e seu único chapéu mal cobria suas orelhas e não a protegia contra o vendo gelado. Esfregou as mãos nas luvas gastas e colocou no rosto. A maioria na fila era de homens e ela não se sentia à vontade, mas estava com fome. A freira entregou-lhe o pote de metal com o líquido quente e ela quase chorou pelo carinho que o calor lhe proporcionou. Sentou-se no refeitório para jantar o mais rápido possível. Tinha medo de alguém conhecido lhe ver ali.

Ela tinha driblado as buscas do padrasto por ela. Depois da morte da mãe, Baelish tinha constantemente tentado fazer algo indecoroso com ela. Sansa estava acostumada a ser desejada pelos homens. Sempre foi assim desde que ela era muito jovem e cresceu sabendo usar aquilo a seu favor. Mas ele a sufocou aos poucos. Todos que morreram, mataram um pouco dela e, agora que havia apenas ele, ia acabar morrendo em suas mãos, como na noite quando seu marido foi morto numa briga de gangues irlandesas. A polícia tinha avisado. E quando ela mal fechou a porta, Petyr colocou as mãos em seus ombros, massageando, sussurrando sobre pensar no futuro, a acusando de ser muito burra para cuidar do que tinha sobrado, incitando a confiança dela nele. Seus dedos foram para o seio dela e quando Sansa se afastou, recusando aquela proposta ultrajante, ele a jogou no chão e bateu nela, chutando seu ventre, fazendo ela perder outro filho.

Sansa acordou no hospital samaritano das irmãs clarissas. Não era um hospital no início da década, mas a crise tinha feito as irmãs montarem um ambulatório para atender aos pobres. A empregada tinha levado ela até ali. Trocou a viagem de taxi por castiçal. Um dos últimos.  Fazia um mês. Não podia voltar para casa, ele estava lá. Não conseguia arrumar um trabalho decente. Não sabia fazer nada. Naquele dia tinha sido dispensada no ateliê. Eles fecharam. Sansa suspirou. Não ia chorar. Ela precisava organizar a vida e tomar a única coisa que restou dos tempos de glória: Sua casa. A sineta tocou. Era hora de se levantar e sair e deixar outros famintos entrarem. Sansa ainda tinha fome. Era a única refeição que fazia no dia, mas não podia repetir. Andou depressa na noite escura e fria até o cortiço que havia pagado com o primeiro trocado do ateliê.

“Sansa!”. A voz dele lhe causou terror. Não havia ninguém na rua. Quando ela pensou em gritar a mão dele tapou sua boca e ela esperneou. “Não seja burra. Sua estúpida. Eu sou a melhor opção para você.” Ele a pressionou contra a mureta gelada e úmida do córrego que passava debaixo deles, se esfregando nela. “Não resista.” Beijou-lhe o pescoço. Seu hálito de bebida era tão forte que a embriagava. Aquela mão que passeava em seu corpo lhe deu nojo e coragem de revidar. Bateu com punhos fechados o mais forte que conseguiu e ele foi obrigado a soltá-la.  Ela tentou correr, mas foi puxada e ao perder o equilíbrio, caiu no chão batendo a cabeça. Sua última lembrança era de uma mulher loira a carregando no colo.

“Senhorita?”. Sansa abriu os olhos e viu o manto preto que a irmã levava. Tudo doía. A cabeça dela estava pesada. “Nós não temos como dar mais analgésico. Está em falta.” A freira dizia para alguém. A dor lancinante, porém, a fazia apenas gemer e se retorcer. Voltou a dormir pelo cansaço. “Senhorita, Sansa?”. Ela abriu os olhos no ambiente branco e daquela vez a dor era bem menor. À frente dela agora, a mulher loira que a carregou. “Recorda-se de mim?”. Sansa não recordava. “Brienne Tarth. Trabalhei na casa de sua mãe.”. Sansa respirou devagar e olhou para as mãos azuladas da mulher. “Hoje trabalho numa lavanderia.”. Perto de onde ele a encurralou. Sansa continuou olhando para as mãos dela, se sentindo humilhada. “Todos nós víamos o quanto ele a cercava. Víamos também o quanto a senhora recusava... Todos os empregados... Para as freiras eu dei o nome da senhora de senhorita Patrícia Payne.” A mulher se calou já que Sansa não abriu a boca.

Sansa olhou ao redor, as camas amontoadas e ocupadas, as caras abatidas e o ar gelado. As freiras passavam apressadas. Crianças choravam baixinho. Fome. Aquele tinha sido o cenário comum. A grande depressão. “Você tem para onde ir?” A mulher perguntou baixinho. Pena. Sansa estava se acostumando àquele sentimento que as pessoas tinham sobre ela. Negou com a cabeça. “Eu moro numa Hooverville.”. Seu tom era de desculpas. “Posso ver se há espaço para mais alguém. As pessoas se ajudam. Você gostaria?”. Não. Sansa não gostaria de viver numa favela do presidente Hoover. Ela tinha casa e meios de sair daquela humilhação, mas o demônio do seu padrasto estava lá. “Você sabe de Arya?”. Talvez sua irmã pudesse ajudá-la, mas a mulher negou com a cabeça. “As irmãs vão dar-lhe alta agora que acordou.”. Ela sabia que não havia mais nada a fazer. “Okay.”. Para a favela, então.

Século XXII - 2120

O holograma na estação do metro mostrava ele. Cabelos iguais ao que lembrava, mas os olhos eram confiantes e a postura era determinada. Era o garoto propaganda de uma linha de relógios desenhada por ele. A movimentação de seu corpo chamava-lhe atenção. Na penumbra da estação, a luminosidade magnética do holograma lhe hipnotizava. “Jon”. Sansa colocou a mão sobre a mão dele na imagem holográfica. “Olá, Sansa!”. O holograma a cumprimentou, trocando dados com sua E.D. e fazendo seu coração disparar. A voz, a sensação. Seus olhos marejados encontram os olhos decididos dele. “Linha Tzu. partida em dois minutos.”. O informativo flutuou pela estação. Era difícil deixá-lo. “Tchau, Sansa.”. Ele se despediu e piscou para ela. Adolescentes tomaram o lugar dela no holograma quando ela entrou no trem. “Olá, Alynna!”. Elas riram abobadas. “Olá, Denise!”. O trem partiu para o bairro mais pobre com ela pesarosa.

“Capacidade 0. Capacidade 0.”. Lady a cumprimentava assim há duas semanas. Ela acessou seu panorama na parede e aproximou sua E.D. da tela. Precisava de uma higienização. Jantar e fórmula para o dia seguinte. 300 créditos foram embora de sua contagem. “Agora faltam 21 horas de trabalho.”. Respondeu a sua droide. Não contava ter que fazer uma higienização em casa, mas o episódio com Ramsay a penalizou por mal atendimento até que as imagens fossem assistidas por um juiz e ela ganhasse de volta as regalias do Heedle. Tirou seu Uniforme Comum, a película protetora das mãos, a máscara higiênica para ruas e desfez a trança do cabelo, entrando no box de higienização. Os jatos rigorosos e exatos e a curetagem de pele morta eram uma das melhores sensações inovantes de sua época. A secagem deixava seu cabelo sempre brilhante e ela se permitiu tocá-los apreciando a sensação. Seus dedos passaram pelo ombro também, fazendo a pele arrepiar e ela fechar os olhos. Tocou-se nos braços e barriga. Dedos subindo e descendo e tentando não prestar atenção ao que fazia, sentiu os seios. O peso, a temperatura e a textura. Respirou com dificuldade. Arrastou as costas das mãos pelos mamilos e sentiu o tremor no ventre, mordendo os lábios e pensando no toque do holograma, envergonhando-se.

Encostou a testa do box e gastou mais alguns créditos para lavar a mão antes de recolocar a película protetora. Aos trabalhadores, era obrigado. Vírus, fungos e superbactérias dizimaram pessoas. Toque era um luxo dos hiper-ricos e um crime grave quando feito sem permissão. Andar sem Uniforme Comum era apenas para quem vivia em ambientes controlados. Não era para quem morava em Tzu. O bairro tão violento e pobre que tinha o nome do autor A Arte da Guerra. “Fórmula para jantar concluída.”. Lady avisou. Ela ponderou em manter-se com seu vestido de tecido mantado ou simplesmente recolocar o uniforme. Optou em sentir mais toque. Estava carente. O vestido a abraçava e poder sentir o tecido era aprazível. Não faria mal. Ele fora dedetizado. “Agora faltam 24 horas.”. Ela informou a droide que armazenaria a informação de contagem para ela ter os créditos suficientes para sua hibernação.

Precisava arranjar um segundo emprego de horas. Precisava ser hibernada o quanto antes para Baelish não jogar sujo avisando as autoridades que ela faria isso antes da idade permitida. Mas ela tinha feito seus contatos e conseguiria e então, quando ela acordasse, ele não estaria mais vivo e ela não faria um inferno na vida dele naquela vez. Tomou sua fórmula e sentou-se no chão ao pé da parede de vidro. Olhou para baixo da espiga de milho, como chamavam os arranha-céus de cubículos habitacionais. Ao longe, Tzu era uma plantação de espigas de milho. De seu cubículo ela podia ver a estação espacial Lor. Ele morava lá. Sua vida mudou desde que, desta vez, ele era realmente um Targaryen. “Você merece.”. Falou para Lor.

“Sansa!”. A voz de Baelish preencheu o apartamento e ela correu para o box. A blindagem foi ativada. “Eu não a farei mal.”. O sussurro grotesco dele continuou. Lady foi hackeada. Ela lançou os códigos de acesso em seu pulso, dançando com os dedos frenéticos em seu E.D. Chorou por sacrificar sua droide e companheira de vida. “Sansa!”. O chamado reverberou antes de tudo se apagar e então piscar e voltar a zumbi.

“Droide Central em reinstalação.” A voz mecânica da Manta a informou. Agora, ela tinha medo de sair do box e descobrir Petyr de pé em seu quarto. Sentou-se no chão, aguardando. Não ligaria o The Eye em sua lente de contato, não acessaria as imagens do prédio. Aquilo podia lhe expor, se ele ainda não tivesse certeza de onde ela estava. Havia oitocentos mil moradores no complexo, talvez a estivessem procurando em cada parede de vidro. Era permitido à Vigilância. Ela não dormiu aguardando ser pega, ela não saiu com medo de ser pega. Aquilo a deixaria doida.


Notas Finais


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A década de 1920 é tida como "os anos loucos". A economia americana estava aquecida enquanto a Europa "se recuperava" da primeira guerra mundial. As mulheres, que já lutavam por direitos civis, conquistaram espaço, antes masculinos, na sociedade. Até que em 1929. houve a quebra da bolsa de Nova York devido a alta especulação econômica e a vasta oferta de crédito. Foi o primeiro fenômeno bolha da economia e iniciou a queda do liberalismo econômico nos anos seguintes, já que o presidente da época, Hebert Hoover, decidiu que o governo não devia intervir com pacotes econômicos. As favelas que se ergueram nos estados unidos, na época, ganharam o nome de Vilas do Hoover, pois atribuíam a ele a decadência econômica e social.

Foi nessa época também, que cresceu o movimento da máfia Italo-americana, que ganharam espaço pela escarces de alimento e, principalmente, devido a lei seca. Eles roubavam e contrabandeavam das grandes empresas. Era comum que eles apadrinhassem as pessoas nos bairros mais pobres e que fossem bem violentos com quem não concordasse com "seus termos."

Dúvidas sobre as linhas de tempo desta fic? :D :D Vamos conversar!

p.s.:

LINK PARA A FIC NO WATTPAD
https://my.w.tt/MGblkyTHY3

Acho lá complicado de postar, mas permite você comentar os pontos que você mais gostou na hora que você está lendo e acho isso tão legal!
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