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História JONSA - Oblivion - Capítulo 14


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Notas do Autor


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Nossa há quanto tempo eu não conseguia sentar e me reconectar com essa história! Mas nesse finde, eu reli e voltei a escrever, lembrando das coisas que eu tinha preparado para essa história.

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Capítulo 14 - Aparências


Daenerys era exatamente Daenerys. Principesca. Olhos violetas. Cabelo platinado. Cheirava a muito dinheiro, classe, paixão e poder. Seus saltos, seu uniforme colado, sua E.D. cristalina, pele reluzente, sorriso branco perfeito. Cenho de batalha.

“Você não quer mais nós?” Perguntou lívida para Jon que apenas tinha as mãos nos bolsos. Ele sempre esteve à mercê dela.

“Esta é Sansa Stark, minha prima.” – Jon a anunciou. O semblante enervado e colérico derreteu-se em sorriso e surpresa.

“A Stark Perdida! Sansa Stark balbuciada em sonhos com os nomes... Robb, Bran... Arya... Pai!”. Daenerys ainda gostava de palestrar e Sansa se recompôs, sabendo que se nada mudara, ambas não estariam em bons termos logo mais.

“Desculpe. Eu não pretendia vir sem avisar. Eu apenas gostaria de tratar algumas questões legais sobre minha emancipação. Eu volto outra hora Jon.”. Ela deu um pequeno sorriso transparecendo uma calma que não tinha. Seu estômago retumbava o nervosismo de ver nos olhos dele algo de tristeza e culpa. Os cacos de vidro pelo chão lhe avisavam que ela devia sair dali.

“Questões de emancipação?” Sansa quase deu um riso triste. Daenerys era uma rainha sem coroa nesta ou outra vida.

“Volto outra hora.” Ela apenas assentiu e virou-se para o elevador.

“Sansa...” Mas ele a seguiu, com seu rosto tão quebrado quanto o vidro, lábios tão rosados quanto a última vez que se beijaram quase duzentos anos atrás, com olhos ansiosos e tensão. “Fique. Precisamos conversar.” Ele se virou para Daenerys, entretanto não disse nada, mas Sansa viu os olhos violetas oscilarem entre ela e Jon.

 

Ela fechou as portas e não aguardou. Era assim que ela bagunçava a vida de Jon. Obrigando-o a fazer coisas que ele não planejava, que ele não queria. 

Sansa não queria voltar a estar com os Targaryens, por isso, quando o elevador abriu no andar deles, ela rapidamente foi até a porta de saída e deixando a E.D. deslizar pelo painel de abertura, mas se arrependendo de não usar a senha mestra que tinha aprendido. Uma vez tendo deixado seu registro de saída, um Targaryen ia brotar ao lado dela em minutos.

Aquilo era sufocante. Ela precisava andar, precisava de sua rotina de volta. Se não ia para A Muralha, que fosse de volta à terra ou ainda melhor, pudesse voltar para Winterfell, apesar de saber o jogo político que tinha que enfrentar, em seu coração a ânsia de estar em casa crescia vertiginosamente. Longe de tudo e deles. Eles que nunca estavam lá.

Ela escavou as lembranças em sua mente, as anotações feitas à mão em papel e lápis. Nada. Eles nunca estiveram lá. Eles morreram. Sansa lembra. Eles foram mortos, contaram isso a ela milhões de anos antes e ela mesma viu os jornais sobre isso em 1940. Então, como lidar com quem ela não conhecia?

“Sansa.” Uma voz profunda e há muito esquecida a chamou no meio do saguão principal, na entrada da estação. Único local possível de circular.

“Tormund.” Ela se emocionou ao virar-se para ele e reconhecer o fiel e irmão de coração de Jon. Ela quase foi até ele e o abraçou, não fosse a cara assustada do homem quando ela fez a intenção de fazê-lo.

“Desculpe.” Sansa deu passos para trás numa distância segura. O homem continuava a olhá-la com o rosto constrangido.

“Eu que peço desculpa. Estive tão próximo de seu caso por causa de Jon que acabei abordando você como se a conhecesse. Me perdoe.” Ele quase fez uma reverência. Tormund polido e cheio de cortesia, ela quase riu.

“Bem alguma coisa tinha que ser diferente...” Disse alto para si mesma. “Você está indo até Jon? A estação não tinha anunciado chegadas hoje.” Ela tentou travar uma conversa amena, apenas pelo prazer de conversar com alguém que não fosse a família de Jon.

“Na verdade, eu já estou na estação faz algumas semanas. Tenho dado suporte à Jon em sua licença.” Ele apontou para uma das poltronas brancas dispostas no ambiente, aonde outras pessoas conversavam animadamente e outras olhavam para ela com descrição.

“Licença?” Sentou-se parecendo desinteressada e fixando seu olhar em assistentes pessoais que iam e vinham com shows particulares sendo transmitidos e gravados.

“Ah ele precisa cuidar de vários assuntos pessoais, mas as empresas... Nós cuidamos, eu e o diretor de operacional... Davos está em terra...” Tormund ainda balbuciava e andava num campo minado para ter uma conversa amena com ela.

“Davos!” Ela sorriu genuinamente feliz de poder ver outros rostos que antes ela preferia ignorar a existência.

“Você o conhece?” Sansa pensou em como explicar aquilo e mentiu.

“Fala-se muito dos amigos e trabalho de Jon, na casa da família dele.” Ela se fechou e sua E.D. acendeu e ela sabia que aquilo era Elia querendo contato. Mas ela não ia aceitar a chamada. “Desde que cheguei não pude entender direito as ativações da minha Epiderme Digital.” Desculpou-se quando ele assistiu as telas subindo e ela tentando fechar.

“Programe seu droide.” Disse simplesmente e Sansa pensou nas circunstâncias.

“Eu precisei resetar minha droide. E... bem... eu não sou apta... Eu ainda não pude requerer outro.” Tentava explicar que não tinha posses dela mesma nem para ter um assistente virtual pessoal e aquilo era tão degradante. Elia chamava e somado àquilo, o sufocamento quase a fez chorar.

“E Jon não deu um jeito nisso?” Sorriu. “Posso?” Ele estendeu a mão e Sansa prontamente entregou a E.D. para ele sentindo o braço formigar com a ausência do cristal. “Nós temos um perfil sobrando no droide da companhia, o Ghost, adicionarei você e aí você voltará a ter alguém com você!” Ela corria os dedos pela tela com facilidade e agilidade, sorrindo ao mencionar o nome do droide. “Pronto, você agora tem assistente de novo. Conheça o Ghost.” Ele apontou para a foto do lobo branco no canto da E.D. enquanto ela recolocava em seu antebraço e tentava controlar a lembrança longínqua.

“Acho melhor eu voltar.” Sansa via a tentativa de contato de Elia ser desviada e sorriu agradecida para Tormund. “Obrigada.”

 

Voltar para os Targaryens lhe embrulhava o estômago. Elia tinha parado de mandar chamados, entretanto sua E.D. vibrava com as inúmeras tentativas de contato. Algumas pessoas olhavam para ela com surpresa e curiosidade. Sansa tinha sido notícia em todas as estações, tinha certeza, e em todos os departamentos de controle também. Sentando-se num canto escondito de uma claraboia distante, ela acessou o que era dito sobre sua vida.

“Ghost, pesquise sobre mim. Em modo privado.” A voz suave e palavras polidas do droide ecoara na orelha dela através do air fone e aquilo conferia um saudosismo ainda não experimentado que era ter “alguém” junto com ela. Ghost ia pela manta de notícias e apresentadores exclusivos dos Targaryens para ver o as coisas que falavam eram orquestradas assim como seu sogro lhe disse...

...Seu sogro...

O velho hábito de pensar em Jon como seu marido a traia constantemente, principalmente depois dos dias que mais sonhava com a vida passada. Lágrimas vieram aos olhos dela e Sansa tentou se concentrar no que descobria.

“Ela é filha de Ned Stark, ex cônsul e fundador da famosa estação Winterfell”

“herdeira de créditos consideráveis que tinha abdicado tudo para viver uma vida simples em terra.”

“Seduzida pelo sonho da beleza eterna!”

“Achou que podia hibernar por um ano até alcançar a idade adulta.”

“Ramsay Bolton foi internado várias vezes para tratar seu distúrbio sexual.”

“Castrado e ainda sim, violento, sequestrou a senhorita Stark.”

“O próprio Jon Stark Targaryen se responsabilizou de buscá-la em terra e agora, Sansa mora com a família do multimilionário e herdeiro do império Targaryen.”

“O caso cai como uma bomba para os Lannister em plena época de eleição para primeiro ministro das estações.”

“Petir Baelish acossava a senhorita Stark, mas a pedido de quem?”

 

Tudo que era dito sobre ela não tinha espaço para erros ou especulações. Rhaegar soube fazer sua influência valer naquele caso. Pelas notícias, ela realmente nem ia ser acusada formalmente. Sendo assim, ela não precisava deles. Podia tentar outra coisa: Voltar para casa, por exemplo, seria fácil. Jon só precisava abrir mão de sua guarda. Quem era o responsável por Winterfell naquele momento? Ghost mostrou para ela a imagem de Harald Karstark.

Aquele homem não esteve presente em sua última vida, mas ela lembrava de algumas coisas da anterior. Aquela vida com qual ela sonhava em 1940. Aquele homem tinha sido morto por seu irmão Robb na época. Como seria para ele, se ela voltasse à Winterfell? Ainda que não para reivindicar nada. Ela só queria distância dos Targaryen e de Jon e Daenerys. Só precisava ficar longe. Sua mente dava voltas e ela pensava nas situações que poderia enfrentar, nas vias legais e ilegais que poderia escolher.

As luzes da estação mudaram e no alto falante a noite foi anunciada. Era hora do jantar na casa de Elia. Sansa podia ignorar a mulher em muitos momentos, exceto naquele. Seria muito rude para sua anfitriã se ela se ausentasse, não estando de cama. Sansa respirou fundo e tentou recobrar sua postura calma e serena com a qual estava tentando lidar com aquela família sufocante.

 

~

 

“Você não se cansou de nós. Você apenas a achou.” – Daenerys ainda não tinha desistido.

Jon estava no outro lado da sala, olhando as estrelas preferidas, pensando no rosto de Sansa quando entrou pela primeira vez em sua casa. Deliberadamente, sozinha e encontrou ele e Daenerys numa discussão acalorada.

“Eu acho que não importa o motivo que você pode achar, supor ou acusar. Chegamos num só resultado: Eu não quero mais.” – Ele foi duro e frio intencionalmente.

Conhecia Daenerys, ela iria até o limite para tirar dele uma confissão qualquer sobre sentimentos confusos ou pensamentos conflitantes. Ela colocaria suas mãos quentes em seu rosto e seu olhar violeta faminto sobre os olhos dele e ele ia ceder. Mas ele não queria mais. Tinha aprendido a tratá-la com distanciamento e frieza quando não queria ser demovido, já que Dany nunca soube como transpor um tratamento indiferente.

Daenerys precisava de sentimento. Paixão. Uma brecha para ela enxergar algo fervente dentro da alma humana, fosse medo, fosse insegurança, fosse empatia... Qualquer coisa servia e ela era boa em demovê-lo de suas decisões. Exceto daquela.

“Você ficou com ela?” – Os olhos grandes e lacrimejantes cortavam seu coração e ele voltou a olhar as estrelas.

“Não seja tola, Dany. Apesar de você estar a mais de uma hora me acusando de tê-la traído com ela... Apenas acabou.” – Ele segurou a respiração quando ela chegou mais perto.

“Você me prometeu.” – Ira novamente. Jon estava cansado. Ira, dor, ira, amor, ira, sentimentalismo. Era uma gangorra emocional de quem passou a vida inteira se segurando para não explodir e agora não sabia mais aonde começava ou terminava de verdade.

“Daenerys. Eu não tenho condições de levar um noivado como na época medieval, apenas para você conquistar território por entre a coalizão. Você e meu pai tem porcentagem suficiente para ganharem essa eleição sem esse noivado.” – Jon puxou os arquivos de estatísticas preparados pelos chefes de campanha deles e espalhou as imagens pelos spots holográficos da sala. – “Veja! Você diz que precisa de mim para ganhar. Não precisa. O que você precisa e nós dois sabemos é que você seja legitimada Targaryen nem que seja por matrimônio.” – Jon pisou num calo.

Ela olhou para ele lívida.

“Você nunca me humilhou por causa disso.” – A voz quebrada fez o coração de Jon falhar.

“Eu não estou distinguindo o fato de você ter sido adotada pelo vovô. Eu estou dizendo que você não precisa de mim para ser Targaryen! Que tipo de conversa medieval é essa?” – Ele se exasperou. “Dany, quantas vezes conversamos sobre isso. Eu nunca te tratei menos por isso, mas você sempre precisou se afirmar essa Targaryen de primeira linha como você mesmo inventou! Se você é filha de uma prima distante de segundo grau da avó do tio do vovô não importa.” – Ele exagerou cansado daquela discussão imbecil sobre os núcleos Targaryens das estações, em terra, os Blackfyre ou o escambau.  

“Você não sabe o que é ser uma bastarda vivendo às custas da caridade das pessoas de sua própria família!” – E outro vaso foi para o chão. A sucção no pé das paredes não ia conseguir limpar aquilo.

“Desculpe se não sei o que é ser um bastardo, mas eu nasci sob o signo de ser “o filho da outra” e eu sei o que é ser olhado torto...” – Se defendeu.

“Não sabe! Não sabe por que Elia ama você desde o primeiro dia que ela pôs os olhos em você!” – Daenerys chorou suas mágoas.

“Ela ama porque eu sou algo do meu pai. E você sabe que Elia tem devoção pelo meu pai à ponto de perdoar qualquer deslize, pecado, erro ou o que quer que tenha acontecido entre ele e minha mãe para resultar em mim. Não sou eu que ela ama, ela ama o amor que meu pai tem por mim. Você mesmo me fez enxergar isso!” – Ele se exasperou.

“Viu? Eu fiz você enxergar que ao seu redor só tem pessoas que te ama por causa do seu pai! Eu não! Eu te amo pelo que você é!” – Ela se aproximou e Jon suspirou fundo.

Não. Ela o amava porque ele era um Targaryen.

“Mas acabou.” – Ele voltou a sua postura fria. “Fique se precisar.” 

Ele ativou os sistemas de gravação da casa que tinham sido desligados por cortesia dele, já que sabia que ela entraria com processo pela quebra de contrato nupcial e que qualquer palavra trocada desde o aviso, deveria ser gravada para ser deliberada pelos advogados. Mas ele estava disposto a gastar uma pequena fortuna naquela separação. Por tanto que ele conseguisse paz.  Jon chamou o elevador e Daenerys passou por ele com sua ira reinstalada.

“Meu procurador entrará em contato.” – Ela disse e jogou o anel de ouro branco e ametista. Jon o pegou no ar e respirou fundo aliviado.

Ele chamou aguardou o elevador privativo voltar e ativou sua E.D. e tentou organizar os pensamentos. Precisava achar Sansa, precisava conversar com Tormund sobre o núcleo, precisava chamar Davos para falar sobre Arya, precisava falar com Davos sobre o processo contra Sansa, precisava falar com o pai sobre a “plataforma Sansa” da eleição dele...

“Janta conosco?” – Elia o alcançou quando o elevador voltou. Que merda, ele ia começar a cortar os acessos a ele.

“Eu... Preciso resolver umas coisas antes...” – Ele foi evasivo e ela olhou para o chão de vidros despedaçados.

“O que houve aqui querido?” – Elias entrou pelo espaço ligando os robots de limpeza e vendo as pequenas estruturas demorarem mais que o esperado para dar conta dos cristais. “Daenerys?”

“Eu realmente não queria falar sobre isso.” – Jon olhou para o chão buscando paciência.

“Bem... Não tenho nada a ver com sua vida, mas esta é uma relação que não faz bem a você. Ela te apaga, tira seu frescor e leveza. Enfim... Vim intimá-lo a jantar conosco para fazer companhia à Sansa. Ela está infeliz e frustrada e bem, você conhece os seus melhor que eu. Rhaegar chamou o antigo parapsicólogo de Sansa para à Estação. Sam Tarly já deve estar na área de descontaminação.”

“Por quê ele fez isso?” – Jon ficou surpreso por não ter sido consultado.

“Seu pai está extremamente curioso com os métodos desse médico.” – Os olhos de Elia o estudavam descaradamente. “Acredito que ele vá incentivar Sansa a fazer o mesmo tratamento do passado.” – Ela aguardou tão plácida e calma como uma doce senhora.

“O que Sansa acha disso?” – Ele pôs as mãos no bolso tentando não entregar o desconforto.

“Que tal perguntar a ela no jantar? Assim, talvez, ela se abra para você e diga o que se passa em seu coração. A mim, ela apenas esconde o que pensa e disfarça com sua educação. Esse é o problema dessa família completa: Todo mundo esconde o que sente!” – Elia filosofou com sua expressão de gato que engoliu o rato.

 

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Notas Finais


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É isso!

Já o Sam chega com algumas explicações e nós voltaremos ao passado de novo, só que com a visão do Jon para as coisas!

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