1. Spirit Fanfics >
  2. Judas Colored >
  3. Cruel Minds

História Judas Colored - Capítulo 24


Escrita por:


Notas do Autor


Amores, estou aqui, SIMMMMMMM, UMA SEMANINHA DEPOIS! Estou feliz, pois a quarentena tem me permitido escrever, mesmo que me deixa ansiosa :(

Enfim, espero que gostem desse capítulo para que possamos, de forma coletiva, mascarar os tempos difíceis pelos quais estamos passando! Vamos sair dessa!

Boa leitura, anjos!

Capítulo 24 - Cruel Minds


Fanfic / Fanfiction Judas Colored - Capítulo 24 - Cruel Minds

Half past twelve

Watchin' the late show

There's not a soul out there

No one to hear my prayer

Gimme, gimme, gimme a man after midnight

Won't somebody help me

Chase the shadows away





Era um evento incomum na vila.

Carruagens eram utilizadas como meio de transporte somente pelas famílias mais abastadas do país. Taehyung e Han entraram em uma carruagem, o que significava que toda a vila estava comentando sobre o rico amigo de ambos, que casualmente era Seokjin. Kyeon estava ao lado de Han, o que causou mais burburinho entre os moradores. Não era interessante para Han que estivesse andando tanto ao lado de uma moça não casada, ela poderia começar a ter ideias e não amar mais Taehyung, diziam as más línguas. 

Han não se importava com os comentários maliciosos, pois uma vez que anunciasse sua gravidez, as dúvidas e insinuações acabariam. A dor afetava mais ainda a Taehyung, que era visto como um péssimo rapaz pelos olhos dos homens da vila, um rapaz que se encontrava demais com os amigos homens e não passava tempo com sua esposa. Taehyung sabia que haveria comentários maliciosos sobre a gravidez de Han, mas ele tinha certeza de que o filho era seu e não precisava justificar-se para ninguém. 

Após muito tempo na carruagem, a neve que caía estava pesada demais, criando uma espessa camada de gelo branco e fofo no chão. Kyeon ficou abismada com a entrada do castelo onde Jeongguk morava junto de Namjoon. Han ficou impressionada com o tamanho do jardim frontal, que, com certeza, representava o tamanho de três vezes a sua vila natal. Conforme a carruagem se deslocava para dentro do jardim, o castelo tomou conta do horizonte. Taehyung não se impressionou com a vista da mesma forma que Han e Kyeon, mas ele sentiu uma energia diferente emanando dali, uma energia brilhante, confusa e pura. Quando a carruagem parou na frente das portas duplas de madeira que eram do tamanho da figueira mais alta do bosque perto da casa de Kyeon, Han foi agradecer o chauffer, mas fora pega de surpresa quando notou que não havia ninguém guiando os cavalos no lugar onde um homem deveria estar. 

— Han? — Taehyung indagou confuso, mas logo que sua esposa balançou a cabeça e sorriu, ele soube que ela estava bem para entrar. 

Ela ainda pensava no chauffer inexistente, mas não queria incomodar Taehyung com perguntas que pareceriam loucura. 

Ele ainda pensava no chauffer inexistente, mas não queria ter que explicar que seu amado era um morto-vivo e que magia de verdade existia. 

Sung abriu os portões e os três adentraram ao hall de pedras do castelo que estava estranhamente movimentado. Yoongi conversava com Jimin alegremente, Namjoon, Seokjin e Giwoon conversavam e trocavam sorrisos cálidos. Giwoon segurava a pequena Min, que já tinha um ano, e brincava com os cabelos da mãe até ser entretida por um cervo de pelúcia que Namjoon havia bordado e costurado para a pequena. Hoseok estava sumido, mas logo fez sua presença ser notada quando anunciou, de forma nada discreta, que Taehyung havia chegado. Todos se viraram e sorriram para o jovem, para Han e Kyeon. 

— Ah, Taehyung! Como é bom ver você! Obrigado por aceitar o convite. — Namjoon sorriu antes de se virar para Han com olhos arregalados. 

Namjoon sentia outro coração pulsar dentro da jovem mulher. Em silêncio, ele cumprimentou Han com um cuidado excessivo e sorriu para Kyeon. 

— Sinta-se em casa, Kyeon. — Namjoon disse antes de se retirar e voltar sua conversa com Jimin e Seokjin. 

Depois de todos se cumprimentarem, Han cutucou levemente o braço de Taehyung, que sorria e brincava com a pequena Min em seus braços. 

— Onde está Jeongguk? Aquele senhor já levou a sopa que fiz para a cozinha, mas não vejo sinal dele, espero que a sopa não esfrie muito rápido… — Han perguntou enquanto olhava ansiosa para a mesa enorme no salão. 

Todos estavam em pé, esperando Jeon, que, de acordo com Namjoon, havia acordado tarde em razão de um súbito mal estar. No entanto, Taehyung sabia que Jeongguk estava se alimentando para evitar qualquer acidente no meio de tantos humanos. 

— Ele já vai descer, tenho certeza que não vai demorar. Ele vai ficar feliz em saber que você cozinhou um pouco de sopa para ele, Jeon gosta dos pequenos detalhes. — Taehyung disse suavemente enquanto sentia a pequena Min colocar seu dedo indicador na boca que continha somente dois precoces dentinhos.

— Min! Não! Meu dedo está sujo de tinta. Aqui, pequena, pegue seu bico, ele é mais gostoso que o dedo de um pintor. — Taehyung balbuciou antes de pegar o bico de Giwoon e dar para a pequena que prontamente se pôs a brincar com o objeto com sua boca fofa e suas mãos gorduchinhas de bebê. 

Eu posso dizer o contrário

Uma voz firme, que exalava uma risada leve, soou ao longo do salão, como se anunciasse uma grande festividade. 

Todos se viraram para a origem da voz, que sorria alegremente enquanto fechava seu casaco escuro  contra seu corpo esguio. 

— Jeon Jeongguk! Modos! — Namjoon sussurrou alto e ríspido o suficiente para que todos ouvissem e soltassem algumas gargalhadas. 

As pontas das orelhas de Taehyung ferveram com vergonha como se fosse água em ebulição. Ele desviou o olhar de Jeon e voltou-se para a bebê em seus braços que admirava aquele ser humano gigante que a carregava com olhos fascinados. 

— Você nem me disse que já estavam… — Jimin começou a falar com um tom indignado para Taehyung quando sentiu a mão de Hoseok em seu braço, fazendo-o parar de falar e se voltar ao rapaz que havia roubado seu coração há muitos anos. Jimin ruborizou violentamente, e não foi por causa do comentário do vampiro. Seu corpo tremeu após ser tocado anos depois pelas mãos finas de Jung Hoseok. Ele ainda sentia falta do mais velho. Odiava mentir para todos, mas Jimin sabia que Taehyung conseguia ler em se coração a falta que Hoseok fazia. 

— Nem eu sabia que já estávamos nesse nível. — Taehyung resmungou antes de notar que a pequena Min estava rindo em seus braços. 

— Daqui a pouco você irá deixar minha filha cair, vá abraçar o seu homem, por favor, Taehyung. Devolva meu bebê. — Giwoon disse ao retirar a pequena Min dos braços de Taehyung e recolocá-la nos seus de forma maternal. 

Taehyung sentiu seu coração rodar uma maratona quando finalmente prestou atenção em Jeongguk. Ele jurava ser impossível alguém estar mais bonito e elegante que o vampiro naquele dia frio de inverno. Mas Jeongguk desafiava todos os limites existentes. 

— Jeongguk. — Taehyung sussurrou antes de sentir mãos em suas costas o empurrarem para frente. Sem saber quem o havia forçado para frente, ele deixou que fosse magneticamente guiado ao vampiro. 

— Taehyung. Você está lindo. — Jeongguk disse ao limpar sua garganta e dar um passo desajeitado em direção ao pintor. Porém, o pintor notou a contenção nos músculos do outro. 

Taehyung sentiu o aroma característico do vampiro adentrar às suas narinas e toda e qualquer vergonha que sentia se dissipou quando Jeongguk abriu um sorriso mais brilhante que o sol num dia sem nuvens no céu. 

— Como eu senti saudades… — Taehyung sussurrou antes de abraçar o torso firme do amado, que retribuiu o gesto colocando suas mãos na nuca do humano. 

— Você está bem… fico feliz em vê-lo. — Jeongguk disse ao passo em que deixava um beijo leve na testa de Taehyung. 

Após um silêncio desagradável se instalar no salão, Jeongguk soltou Taehyung de forma triste, mas logo sorriu ao ver Han. Jeongguk olhou para Taehyung antes de se mover, com um olhar indecifrável, capaz de fazer o coração de Taehyung quebrar-se em mil pedaços. Ele também havia sentido o mais novo coração que pulsava naquele recinto. 

— Han! — cumprimentou o vampiro sorrindo com carinho. Agora que ela estava grávida, ele se sentia feliz em tê-la por perto, ele não deixaria que nada nem ninguém ameaçasse o filho de seu amado. Mesmo que muita dor envolvesse o nascimento daquela criança, Jeongguk daria tudo de si para proteger o bebê e a mulher que o guardava em seu ventre. 

 — Ah, Jeongguk! Como você está? Espero que esteja melhor, Tae me contou sobre sua febre, e seu mal estar. Espero que você esteja bem, pois preparei uma sopa para você… estivemos tão preocupados com seu estado, Taehyung mal conseguia dormir à noite… — Han disse enquanto analisava Jeongguk com olhos felinos em busca de algum indício de que não estivesse pronto para desfrutar de seu presente. — E-eu espero que goste de sopa… Tae disse que você gostava, mas eu tenho minhas dúvidas… 

Han terminou de falar e olhou para suas mãos que estavam cruzadas sobre seu ventre, envergonhada. 

Jeon soltou uma risada que animou a todos e tocou nas mãos de Han com delicadeza. 

— Estou muito melhor agora, obrigada por se preocupar. Com certeza eu não teria me recuperado tão rápido se não fosse por Taehyung e suas visitas. E, para sua alegria, eu amo sopa, minha mãe fazia para mim quando eu era pequeno e quando estava doente. Obrigada Han, sinto muito por tê-la preocupado. — Jeongguk agradeceu depois de deixar que um sorriso triste tomasse conta de seu rosto perfeito. 

Taehyung suspirou levemente e tocou no ombro de Jeongguk, chamando sua atenção. O vampiro sorriu para Han que pediu para ele desfrutar da sopa com calma pois deveria estar quente e depois de pedir licença, como se soubesse que poderia estar atrapalhando algo, se voltou a conversar com Kyeon e Yoongi. 

Taehyung estava olhando para Jeongguk, mas parecia que seus olhos viam, na verdade, dois sóis fumegantes e ardentes de paixão. 

— Eu tenho algo para você… por você ter ficado bem depois daquela tarde na guilda. Eu acho que é pequeno demais… — Taehyung disse em um tom de voz baixo. Ele retirou de seu casaco um pequeno papel colorido que embrulhava uma tela pequena a qual ele havia pintado. 

Jeongguk ficou perplexo ao receber o presente de Taehyung, e aceitou com um beijo em sua bochecha rosada. O vampiro abriu o pequeno pacote e sorriu ao ver o que a pintura representava. Era um retrato de Jeongguk naquele dia no qual visitaram a guilda. Jeon sorria para o espectador da pintura, o gramado verde contrastava com sua figura escura e o céu azulado trazia um tom alegre à pintura. Olhando mais de perto, Jeon notou que Taehyung havia desenhado suas pequenas presas e seus olhos vermelhos. Verdadeiramente feliz, Jeon abraçou o amado enquanto agradecia imensamente pelo presente. 

— Nada vindo de você é pequeno, meu amor. Seu coração é grande como o mundo. Eu amei, é lindo demais. Obrigado. Eu adorei! — Jeongguk respondeu sorridente antes de ouvir um barulho de cadeiras se arrastando pelo chão. 

Taehyung firmou suas mãos na cintura de Jeongguk, ele não queria dar a notícia a todos, ainda mais que Jeongguk já sabia. Ele estava nervoso, mas com as mãos suaves de Jeon, que entrelaçaram seus dedos com os do pintor, ele sentiu-se pronto para lutar em uma batalha. 

— Han comentou que há uma novidade entre vocês! — Seokjin exasperou-se e acabou falando muito alto a pequena exclamação curiosa. 

Taehyung sentou-se ao lado de Jeongguk e Han, sorrindo tenso. 

— Temos uma novidade, sim. — O pintor disse antes de olhar para Han e para Jeongguk. Engolindo em seco, o vampiro e o pintor desviaram o olhar um do outro. Ambos sabiam o que estava por vir. — Han está esperando um bebê

O silêncio subsequente assustou Taehyung de tal forma que ele acreditou que não havia dito nada. Instintivamente, Taehyung olhou para Jeongguk, que o olhava com um pequeno sorriso no rosto. Era pequeno, mas carregava inúmeras emoções, o pintor pôde sentir. Jeongguk não estava bravo, ele estava orgulhoso, mas havia algo naquele leve levantar de lábios que fazia Taehyung tremer de medo. A mais pura sensação de medo percorreu sua espinha quando desviou o olhar para o restante dos convidados. 

— Parabéns, meu amor. — Jeongguk foi o primeiro a se pronunciar. 

O jovem humano deixou que um sorriso aliviado crescesse em seus lábios quando sentiu a mão de Jeongguk encontrar a sua abaixo da mesa. Taehyung apertou os dedos do vampiro com força, como se ele fosse seu único amparo em momentos de dor e aflição. 

— Vamos ter mais um bebê! — exclamou Seokjin sorridente enquanto se levantava da cadeira e ia em direção à Taehyung, para abraçá-lo. 

Todos riram com a exclamação de Jin e se levantaram em seguida para parabenizar Han. Hoseok ficou animado, mas o pintor notou, de forma insegura, que havia um brilho temeroso em seus olhos. 

— Parabéns, Tae, parabéns, Han! Vocês serão ótimos pais, e terão ótimas companhias para ajudá-los. — Hoseok disse animado ao flutuar seu olhar de Jeongguk para Kyeon, que sorria animada. 

Jeongguk, após algumas horas de conversas enquanto as mais diversas comidas eram degustadas pelos humanos, chamou Taehyung para conversar consigo. Eles se afastaram para o segundo andar, onde Jeongguk dormia em seu quarto enorme e antigo. Eles caminharam em silêncio até pararem em frente a um quadro pendurado na parede o qual era gigantesco e que, evidentemente, faltava uma parte. Taehyung tocou na mão de Jeongguk e este pareceu acordar de um transe. Ele abraçou o pintor com tanta força que o humano teve que bater levemente em suas costas para o vampiro afrouxar o aperto. Sorrindo, encabulado, Jeongguk se separou e olhou fixamente para Taehyung. 

— Você está magoado? — Taehyung perguntou ansioso após um silêncio confortável entre eles.  Seu coração estava mais fervoroso que um cavalo cavalgando para a batalha: ele tinha medo da resposta do outro. Ele olhava profundamente nos olhos do vampiro, que parecia ler sua mente de tão fundo que seu olhar escuro penetrava. 

E, de fato, ele estava a lendo. 

— Eu já sabia que isso deveria acontecer, então, não estou magoado. Depois de nossa conversa eu percebi como eu deveria estar feliz em um momento como esse. Eu deveria estar feliz por você. Taehyung, e eu estou, estou tão orgulho de você, meu amor. Você será pai! E eu verei mais uma criança nascer, isso é mais do que um vampiro imortal poderia pedir: ver seu amor feliz e ver uma nova vida florescer em meio à tanta morte. — Jeongguk disse enquanto passava os dedos pelos fios acobreados de Taehyung que caíam sobre seus olhos escuros. 

— Gguk, eu fico tão aliviado em saber que você está feliz… sentia tanto medo de você não gostar da notícia, ou não querer acompanhar o nascimento da criança… — Taehyung balbuciou enquanto olhava para as suas mãos entrelaçadas nas do vampiro. 

— Você é minha vida, minha única felicidade. Eu nunca poderia ficar bravo com você. Ainda mais agora que você terá um bebê. É uma dádiva presenciar um nascimento, ainda mais se for o seu filho. — Jeongguk disse olhando carinhoso para o humano. 

— Não é só meu filho… Ele é de Han, é de Kyeon e é seu, Jeon. Ele é tão seu filho quanto ele é meu. Você vai me ajudar a cuidar desse bebê como se fosse o pai dele, pois, de fato, você é, meu anjo. — Taehyung sussurrou acariciando as mãos de Jeongguk. 

E-eu? Pai? Tae, eu… Taehyung.— Jeongguk franziu a testa antes de soltar uma risada e abraçar o pintor, levantando-o do chão e rodopiando-os. — Essa é o terceiro momento mais feliz da minha vida, Taehyung! 

Taehyung sorria como uma criança que a recém havia recebido seu presente favorito de Natal. 

— Vamos ter um filho, Gguk! Você não percebe o quão importante você é para mim… Você é meu motivo de acreditar em um mundo melhor. — Taehyung disse enquanto brincava com as mechas do cabelo de Jeongguk, que, relutantemente, desceu seu amado para o chão. — Mas, quais seriam o primeiro e o segundo momentos mais felizes de sua vida, senhor Jeon? 

Taehyung segurou Jeongguk pelo colarinho de seu terno que estava abaixo do casaco e o puxou para si com fervura. Jeongguk deixou que suas mãos descansassem na cintura de Taehyung. 

— O primeiro momento foi quando você chegou até mim com olhos assustados e implorando por ajuda. Quando nos conhecemos. — Jeongguk respondeu antes de se aproximar mais de Taehyung até que suas testas estivessem coladas. — E o segundo momento ainda não aconteceu. 

Taehyung sentiu a dúvida crescer em seu peito. 

— Como assim ainda não aconteceu? 

— Não aconteceu ainda. Você pode imaginar o que é? — Jeongguk instigou a imaginação de Taehyung e, ao ler sua mente, notou cenas eróticas que adoraria pôr em prática. — Ah, você me pegou, esse, com certeza, seria um dos meus momentos favoritos, mas seja um pouco menos afoito. Pense, meu amor, você já me disse que gostaria que esse momento acontecesse num futuro. 

— Ah, Jeon, para de ler meus pensamentos. — Taehyung pediu resmungando para o vampiro enquanto corava violentamente. Após alguns segundos pensando de verdade no que poderia ser o segundo momento mais feliz da vida imortal de Jeon Jeongguk, Taehyung sentiu seu coração parar de bombear sangue para seus membros, o ar sumir de seus pulmões e um sorriso genuíno aparecer em seus lábios. 

— N-nosso casamento?! 

Jeongguk sorriu como se fosse a primeira vez que via Taehyung em sua frente e estivesse intrigado a descobrir que mais belezas aquele jovem teria para lhe mostrar. 

— Jeongguk?! Eu não acredito que você ainda se lembra… — Taehyung sussurrou suspreso cobrindo sua boca com suas mãos trêmulas. 

— Eu lembro de tudo, meu anjo, ainda mais quando é a explanação de nosso casamento. Você estará lindo em um terno preto e entrará na igreja radiante. — Jeongguk sussurrou rente ao ouvido de Taehyung, que ria alegremente. 

— Você não vai queimar se entrar em uma igreja, ou algo parecido? — Taehyung indagou sentindo sua espinha se arrepiar. 

— Por você eu vou ao inferno para enfrentar monstros sem uma espada sequer. — Jeongguk disse firmemente para Taehyung, que mordeu seus lábios, ansioso. 

— E voltaria por mim? 

Taehyung encarava Jeon com olhos felinos e vidrados em sua alma infernal. 

Jeongguk adorava como Taehyung se mostrava destemido quando estava perto de si. Ele, tristemente, quis que ambos pudessem desbravar as consequências do amor sem terem a necessidade de se esconderem para proteger suas vidas. 

— Sempre. — Jeongguk sussurrou antes de ambos puxarem um ao outro para um beijo suave, mas repleto de paixão. 

Quando o ar se fez necessário, Taehyung separou o beijo e limpou algumas lágrimas que corriam de seus olhos. Jeongguk estava preocupado, mas não fez nenhuma pergunta pois Taehyung logo voltou a falar com seu coração na mão. Taehyung se repudiava por ser o filho mais sensível, ele nem sequer se deu conta das lágrimas que varriam seu rosto. Ele já havia tentado mudar, mas era inevitável; ele sempre iria demonstrar seus sentimentos de forma expressiva. 

— Meu amor, meu Jeongguk, prometa que iremos nos casar algum dia. Por favor, não me faça crer em ilusões, eu sempre quis, e sempre irei querer me casar com você… prometa que iremos nos casar quando tudo acabar. — Taehyung sussurrou pedinte para o vampiro que percorria sua cabelos com os dedos esguios. 

— Nem que me casar com você seja a última coisa que eu faça. Eu prometo a você, Kim Taehyung, que iremos nos casar quando você quiser. Mas antes temos que vencer a lenda, depois que estivermos vivos e sem empecilhos mortais como aquele padre, iremos nos casar quando for seguro. Eu prometo. — Jeongguk sussurrou fortemente para Taehyung enquanto sentia uma movimentação dentro do corpo do jovem. O sangue de Taehyung estava circulando tão fortemente por seu corpo que Jeongguk sentiu sua boca secar com tanta sede. 

Taehyung estava entregue à Jeongguk. 

E nada poderia separá-los. 

Quatro meses depois das promessas que haviam sido feitas um para o outro, Jeongguk esperava ansiosamente por Taehyung na frente da cachoeira na qual tanto haviam se encontrado. Ele havia tido tempo o suficiente para assimilar o que a notícia de ter um nascimento se aproximando significava para si, para seu relacionamento com Taehyung, e, mais especificamente, para Taehyung. Sentando-se em uma das pedras enormes que adornavam o riacho que corria ferozmente como um tigre, Jeongguk deixou que sua mente viajasse para a visita que fez a sua mãe, há algumas semanas atrás, ansioso por um conselho materno. 

Era incrível como cantava forte sempre que o filho visitava sua mãe, a qual descansava eternamente na sua forma etérea,  naquela colina verde. Jeongguk pisava por entre a grama orvalhada da manhã até visualizar a cruz de madeira improvisada que marcava seu local de descanso. A madeira estava quase preta devido à erosão das fortes chuvas e umidade. Infelizmente, ninguém havia sequer notado que os pedaços de madeira estavam podres e ocos. Sentindo uma tristeza e uma raiva inexplicável crescer dentro de si, Jeon agarrou dois galhos largos do chão e os uniu como A cruz que outrora marcava o lugar onde sua mãe estava enterrada. O espectro de Sun apareceu perto do corpo morto-vivo do filho enquanto ele mudava a podridão morta de uma cruz pela límpida e vivacidade da mais nova. 

— Meu filho, como você tem passado? — perguntou a matriarca sorrindo levemente. 

Jeongguk descartou a cruz velha e levantou-se da grama macia e repleta de insetos. Ele virou-se para olhar sua mãe, que estava a mesma desde a última vez em que a vira; o filho ainda sentia dentro do seu coração, que na próxima visita ao túmulo de sua mãe, ele finalmente não a veria ali. No entanto, até que Jeon e Taehyung estivessem juntos, fora de perigo, Jeon Sun ainda vagaria pela terra dos vivos. 

— Nada bem. — Suspirou o jovem. — Eu… Taehyung… Eu não sei o que fazer, mãe… Ele não me ama mais? 

Jeongguk sentiu que ele sempre estava machucado quando visitava sua mãe. Acostumado com o fato de seu peito não se mover há mais de seis décadas, ele cruzou os braços sobre seu peito, ao contar o que estava acontecendo em sua vida. 

— Você sabe que Tae acabou se casando com uma mulher, a qual ele diz não amar. Mas eles estão esperando um filho. Há noites em que eu anseio poder acabar com a vida daquela criança e com a da mãe, o que me torna um verdadeiro monstro, mas eu sempre fui um depois de transformado. E, há noites em que eu desejo sumir do mundo, deixar essa imensidão repleta de dor para Taehyung e para seu filho. Porém, há noites em que eu somente quero abraçar Taehyung enquanto ele segura o bebê. Nosso bebê. Eu não sei se fingir é uma boa opção, mãe, eu estou feliz por ele, mas estou com inveja. Nunca pensei que sentira inveja de alguém em toda a minha vida. — A voz de Jeongguk carregava um sentimento estranho do qual sua mãe sabia que nunca havia ensinado. Ele se deteriorava em angústia e raiva. Seu filho estava sofrendo, mais uma vez, e ela não podia fazer nada a não ser aconselhá-lo a se enterrar na profunda dor. 

— Meu garoto, você sempre teve um coração enorme, sempre abraçou o mundo antes de abraçar a si mesmo. E é exatamente o que você está fazendo bom Taehyung, você quer vê-lo feliz, mas quer vê-lo feliz consigo. Você age certo em ser egoísta, meu menino, mas eu não quero que você continue se machucando dessa forma. Taehyung já passou por muitas dores, e você também. É hora de pôr um fim nisso, não acha, Jeongguk? — Sua mãe passava as mãos pelo rosto do filho como se fosse a última vez em que iria ver aquelas feições lânguidas, bonitas e delicadas. 

A voz de Jeongguk tremeu de medo após falar o que há tantos anos vinha guardando em seu coração.

— V-você acha que é melhor eu me distanciar dele? 

Sun viu nos olhos do seu garoto como ele pensava em Taehyung de forma genuína, dolorosa e pura. Imensamente pura. Os olhos de Jeongguk brilharam com uma luz que sua própria mãe desconhecia, ela nunca havia visto alguém completar Jeon como o pequeno pintor fazia. Sun havia presenciado os melhores e os piores momentos do filho como um espectro, como uma expectadora distante em uma peça teatral. E, como uma, ela podia opinar sobre a peça e sobre a tragédia que a impermeava quase que maleficamente.

— Nunca, Jeonggukkie. Nunca. O amor é exatamente essa confusão de sentimentos que você vem sentindo. Não há amor onde não há sentimentos. 

— Sentimentos?! — Jeongguk se irritou em demasia. — Não possuo sentimentos, mãe, possuo desejos. Eu não tenho um coração para sentir nada. Eu somente desejo as coisas e as pessoas desde que me transformei. 

— Então você me nega, com todos o seu ser, que não ama Taehyung? Que não sente nada por ele? Afinal, de que você sente inveja, filho, de Taehyung estar vivo ou de Taehyung estar tendo o que você sempre quis? Uma criança para chamar de sua. — Sun havia voltado à possuir sua autoridade materna que há quase sessenta anos era uma fagulha de chama dentro de si. — Diga-me, meu filho, você não é apenas um monstro, você pode não saber disso mas eu, como sua mãe, sei que ainda há humanidade dentro de você, e ela está voltando por causa de Taehyung e, agora mais do que nunca, por causa da criança. Você pode mentir para mim, mas não pode mentir para si mesmo. 

Jeongguk estancou no chão como se as palavras ditas por sua mãe o atingissem como um tapa em se rosto. 

Jeon estava sim, diferente do wue era como um humano. Ele não respirava, não sentia mais vontade de comer comida ou de beber água, nem de dormir para findar sua exaustão. Jeon, na verdade, sentia desejos que eram psicológicos; vontade de sanar sua fome por sangue, o único meio de prover a si um descanso da constante tortura que era o isolamento da sociedade e da interação humana. No entanto, com Kim Taehyung, Jeongguk havia despertado em si algo que não era compreendido ainda. Jeongguk não vivia mais perto de humanos a não ser daqueles com quem podia florescer seu apetite sexual e carnal. Taehyung, todavia, despertou no vamporo uma espécie de sentimento proibido, era como se o que ele poderia remeter à palavra "amor" significasse "posse". Jeongguk não tinha mais um coração para chamar de seu, pois ele havia o dado para Taehyung antes de morrer, ainda que não soubesse. Jeongguk gostarua de gritar aos sete ventos que amava Kim Taehyung com todo o seu corpo, com toda a sua mente e com toda a sua essência. 

Ele nunca haveria de mentir para si mesmo em relação ao pintor. 

Jeon Jeongguk morreria por Kim Taehyung quantas vezes fosse necessário. 

— E-eu o amo, mãe. Não cono um humano amaria a outro. Eu não sinto a adrenalina correr por meu sangue quando o vejo, mas sinto algo incômodo, algo que parece em constante movimento em mim. Eu amo Kim Taehyung, mãe, e não a ideia do que ele me trás: felicidade, desafio e leveza. Eu ne sinto leve quando estou com ele. Sinto que pertenço à ele e ele me pertence de uma forma ou outra. Não suporto a ideia de voltar a ser humano depois de lembrar-me do que passei, já nem sei como classificar a um humano. Há muito esqueci o que é se sentir humano, mas talvez amando Taehyung me remeta aos tempos difíceis que os mundanos passam para estar juntos do seu amado. Sinto inveja… — Jeongguk calculava cada palavra com precisão, afinal ele não queria parecer o demônio apático que era para sua mãe. — Sinto inveja de Taehyung estar vivendo o que eu sempre quis, ele pode me amar como bem entender, ele terá um filho, e uma família. Eu queria ser a família dele, mas, no entanto, não posso ser, pois não há nada aqui. — o vampiro apontou para seu peito, para seu coração. — Não há nada aqui que seja meu, de verdade, pois eu já entreguei meu coração àquele humano.

Sun, mesmo estando em outro plano astral, pode sentir a confusão que tomava conta de seu bebê já crescido há muitos anos. 

— Jeongguk, você acha que não pode amar Taehyung verdadeiramente pois não tem mais um coração? Você pode não estar mais vivo, nem se sentir mais humano, mas você, com certeza, ainda que como um. Ainda se apaixona, da sua forma, ama, e sente que deve proteger Taehyung. Você sempre quis uma família, meu pequeno, talvez por que eu não ou de dar uma a você… eu sinto muito… você tem o seu amado, agora, meu filho, você terá uma criança para cuidar e terá um marido para amar. — Sun riu levemente da expressão chocada e horrorizada de Jeon. — Você está tão surpreso pelo fato de eu saber que vocês ainda podem se casar, meu pequeno anjo? Eu sei que é isso o que você quer, e sinto que Taehyung anseia mais do que tudo, mais do que ter esse filho, em se casa e finalmente com você. Permita-se sentir inveja, filho, isso ainda mostra que você não é o monstro que quer que os outros acreditem que seja. Mas não culpe aquela criança, ela não pediu para nascer, nem pediu para ser filha de Taehyung. Eu sei que você pode sentir dúvidas em relação ao seu amado, mas você não entende o sacrifício que é ter um filho para proteger quem ama. 

Jeongguk entendeu as palavras de sua mãe, como se ela estivesse falando dela mesma. E de fato, estava. Ela havia gerado Jeongguk e criado ele com tanto amor, com tanto carinho, somente para protegê-lo do mundo cruel que o esperava no futuro. 

— Ame-o, Jeongguk. Ame Taehyung, case com ele e cuide dessa criança inocente. Ame-a como se fosse sua, pois, ela é, em parte. Não viva sua vida com raiva, nem medo. Seja quem você está destinado a ser, e traga Taehyung aqui antes de finalmente começaram a viver juntos, eu ainda quero ver meu genro. — Sun sorriu levemente ao tocar as mãos do filho que eram geladas - e mortas - como as suas. Sun ficou feliz ao saber que Jeongguk estava vencendo seus sentimentos conflitantes e estava aceitando cuidar do bebê que iria nascer como se fosse o seu próprio filho. 

Jeongguk não sorriu. 

Com um movimento suave, suave como um vampiro poderia ser, ele abraçou sua mãe com seus braços fortes e destemidos. 

— Você será a avó mais orgulhosa. Eu prometo que tentarei amar essa criança como ela merece. Eu… Eu deixarei que tamanha raiva não permeie-me mais enquanto eu estiver com Taehyung. — sua voz soava macia e com um leve tom embargado.

— Eu já sinto orgulho de você, minha criança. Prometa-me, prometa a si mesmo que amará o bebê como você sempre amou a Taehyung ou a mim. Lembre-se de que Taehyung não terá esse filho para separá-los, esse bebê irá fortalecer a relação de vocês, ambos serão testados, e vencerão mais esse obstáculo juntos. Não se esqueça jamais, Jeongguk, somente com o amor e o apoio um do outro vocês derrotarão todo o mal e todos aqueles que anseiam pela sua dor. Confiem em vocês, vocês não terão mais ninguém para ajudá-los terão que vencer os males e seus demônios sozinhos. — Sun disse sua última frase com ênfase logo antes de se dissolver em uma névoa leve e alva. 

Sendo trazido de volta ao mundo real, Jeongguk deixou que suas mãos caíssem por seu colo. Seus ouvidos foram inundados pelo barulho murmurante e sibilante como uma cobra da água cristalina que caía da cachoeira. 

— Somente poderemos viver um com o outro se confiarmos em nós dois. — sussurrou o vampiro com voz suave e pensativa. 

Com sua audição aguçada, ele previu que Taehyung estava a caminho. O cheiro único que o humano carregava alegrou o vampiro que sentia sua raiva em relação ao bebê diminuir periodicamente. 

O bebê não tinha culpa de ser quem era. Jeongguk iria cumprir a promessa que havia feito a sua mãe, e, inconscientemente, a Taehyung, seu amado: Ele iria criar o bebê e iria amá-lo. Para sempre enquanto vivesse. 







Notas Finais


Sim, eu sou velha o suficiente para usar as músicas do ABBA nas minhas fanfics, vamos lidar com isso hahahahaha


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...