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História Jungkook - Out Of Bounds - Long Fic - Capítulo 28


Escrita por:


Notas do Autor


Eu tô toda perdida, essa missão tá me dando trabalho, viu!!

Podem comentar se quiserem, me importo não.
hehe

Boa leitura♡

Música: Chase Atlantic - 23

• ᵕ •

Capítulo 28 - Pressentimento ruim


Fanfic / Fanfiction Jungkook - Out Of Bounds - Long Fic - Capítulo 28 - Pressentimento ruim



          S/n P.O.V

Eu estava exausta, queria dormir até o outro dia, sem interrupções. Mas nessa noite aquele garoto tomou meus pensamentos, lembrei de todas as vezes que nos pegamos e transamos. Fiquei na cama, quase meia noite e eu fervendo de quente. Até que ouvi o som de seu carro e me deixou ainda mais arrepiada. Eu sabia que era ele que abrira minha porta, sem bater antes, sentir seu corpo ousando à se meter entre minhas pernas, por baixo daquele edredom e sem camisa, me deixou até sem ar. Até o cheiro de álcool em seu corpo me deixou zonza, mas não pelo lado ruim, senti uma imensa vontade de tê-lo.

Talvez eu fiquei o esperando, só talvez. Porque eu queria mesmo era dormir. Mas seus beijos se tornaram algo necessário para mim, minha boca formigava só de imaginar a sua me beijando. Essa noite eu quis tanto o Jeon que cedi tudo o que ele fez, não senti vontade de lutar contra, porque eu não queria mesmo. Só desejei que ele se enterrasse em mim mais um vez e me tomasse. Digo que foi a preguiça e o cansaço, eu tava cheia e ele chegou no momento certo. Me pegou de jeito e aliviou tudo o que tava quase me matando.

Mas foi diferente hoje. Não sei como definir, mas eu gostei pra caralho de como fizemos isso. Os arrepios ficaram bem mais intensos. Eu nunca transei com alguém com as mãos uma na outra, experimentar isso com ele foi gostoso. Cheguei no ápice de forma arrebatadora. 

Sentei na cama afastando os vestígios do sexo recente, que estava começando a me acender. Me pergunto se Jungkook esteja escolhendo roupa naquele quarto. Qual a dificuldade de pegar duas, três peças de roupas? Ele nem vai dormir tão vestido, como sempre faz. Encaro a porta fechada e respiro fundo desistindo de espera-lo. Levanto indo para o banheiro, sinto meu corpo suado e uma parte em específico um tanto molhado demais. 

Ascendo a luz, iluminando o ambiente e consequentemente fechando os olhos por ter acostumado-os com o escuro do quarto e prendo o cabelo para cima. Penso um pouco antes de me molhar, olho para a banheira e para o box do chuveiro. Faz um tempinho que não ligo a banheira, por isso a escolho. Deixo as torneiras ligadas, depois de jogar sabonetes dentro dalí. Escoro no batente da porta, reparo que Jeon demora ainda, e não é possível que ele esteja mesmo escolhendo roupa, ou será que foi pegar água?

Numa temperatura gostosa, a água me acolhe e relaxa meu corpo, sinto o perfume da essência de banho que coloquei aspirando profundamente. Aproveito a privacidade para me lavar de forma certa, tirando os resíduos do que fiz com Jungkook. Fecho os olhos tombando a cabeça para trás e me deixo de molho naquela água. Encho os pulmões de ar e solto com lentidão, entro em mais um colapso interno, na mente.

Sou acordada por um movimento dentro da banheira, logo à minha frente. Suas mãos pegaram minhas pernas, as pondo por cima das suas e as alisando dentro d'água. Ficamos em silêncio, ele não disse nada e sei que me encara. Aproveito dos apertos leves que Jungkook me dá, quase como uma massagem. Puxo o ar pela boca e o solto lentamente.

- Demorou. -- O olho de sorrateiro.

- Tive um pequeno problema no quarto. -- Sua voz rouca me arrepia.

- Problema agora?

- Lucy. -- Levanto as sobrancelhas um pouco surpresa e assinto ainda de olhos fechados. -- Ela quis ficar comigo e até me ameaçou.

Sorrio anasalado, vendo seu rosto de desgosto entre as pálpebras.

- Não ficou por quê?

- Tinha um compromisso melhor. -- Sorrio pequeno. Ele sorrir baixinho também, continua me encarando, como se analisasse. -- Você tá cansada?

- Um pouquinho, mas querendo te dar ums amassos aqui. -- Sinto o corpo de Jungkook vibrar perto do meu, as mãos prensam a carne da minha coxa direita e eu sorrio mordendo o lábio.

- Não cansa de brincar comigo? -- Sussurra quase inaudível, e eu abro os olhos para encará-lo um pouco séria.

- Não tô brincando, Jungkook. Só você pode dizer que tá afim? Uhm?

- Repete então. -- Encaro-o num desafio, mas não encontro isso em seus olhos. Ele só deseja.

- Eu quero te dar ums amassos. -- Sussurro. Jungkook morde os lábios para sorrir de canto e se mexe na banheira.

- Vem.

Me movo, rastejando-me até seu corpo, onde descanso os joelhos ao lado de seu quadril. Não me sento por completo sobre ele. Me seguro em seus ombros para me ajeitar melhor alí, suas mãos vão para minha cintura, apenas na intenção de me segurar. Não tiro os olhos dos seus, mantendo contato visual o tempo todo. Me inclino pra perto de seu rosto, roço nossos narizes lentamente, sentindo sua respiração bater em meu rosto e levo uma das mãos até sua bochecha. Deixo um selinho em seus lábios, passo a mão em sua franja jogando-a para trás e observo o quanto ele fica bonito quando alguns fios voltam para sua testa e ums batem em seu olho. Rio anasalado vendo que seu cabelo está bem grandinho, ao ponto de atrapalhar sua visão.

- Acho que esse cabelo pode acabar atrapalhando na missão, não?

- Eu dou um jeito.

Assinto o encarando de perto. Encho minhas mãos com seu cabelo atrás, mexo e puxo algumas vezes, sem força, apenas pra ter a satisfação de seu rosto prazeroso, de quem está gostando muito daquilo. Seus olhos permanecem nos meus, não consigo ler o que pensa, mas também não insisto em descobrir. Encerro as vistas quando toco seus lábios. Sua língua desliza em meu inferior, suga-o e me beija numa sincronia gostosa. Jungkook deixa nossos corpos escorregarem pela banheira, ficando mais deitado e consequentemente tendo-me que apoiar em seu peitoral.

Por mais que aquilo esteja indo pra outro tipo de caminho, eu quero relaxar e descansar um pouco. Não nego se ele pedir, mas o mesmo parece perceber minha clama por um pouco de beijos e quietude. As mãos do garoto deslizam suavemente pela cintura, escorregando por conta da espuma, apalpam cada centímetro de pele que encontra. Não usa força.

Respiro fundo entre o ósculo, um gemido de satisfação escapa da garganta quando seus dedos se enterram em meu cabelo, segura firme e controla o beijo. Estamos nus, dentro da banheira, meu corpo em cima do seu e a gente se pega em lascívia, mas Jungkook não parece querer passar disso também. Nem suas mãos bobas tem entrado em ação, ele só me segura e me beija do jeito que quer.

Trocamos mordidas e chupadas, aquilo tava tão gostoso. Tinha uma sensação diferente, eu sentia que sim, mas não sei o que é. E não é só agora. Jungkook tem calma, mas intensidade. Até agora o beijo é a ação principal desde que começamos, eu não quero parar e ele aparentemente também não, só que preciso de ar. Solto sua boca com uma mordida no inferior e um último selinho. Ele me dá dois no pescoço e reencosta a cabeça na borda da banheira. Me ergo ficando ereta em cima dele, sentada em sua barriga e ajeito o cabelo bagunçado, que sua mão deixou.

- Visão dos deuses essa. -- Comenta me encarando de baixo.

- Safado. -- Ouço sua risadinha. As mãos acariciam minhas coxas, sinto um arrepio pela falta do calor de seu corpo e me inclino novamente. Repouso a testa em uma clavícula, procuro regular minha respiração e fecho os olhos por segundos quando seus dedos deslizam em minhas costas. -- Vou dormir aqui.

- Uhm, fique a vontade, te coloco na cama depois. -- Ele levou a sério e fala sério. Ergo o rosto para encará-lo de perto, vejo os olhos quase se fechando, mas há um sorriso cínico nos lábios. Reparo na cicatriz em sua bochecha, um tipo de charminho talvez, de alguma aventura ocorrida. As sobrancelhas levemente arqueadas e os fios insistentes em sua testa, ele é muito bonito. -- Continua me olhando assim que logo se apaixona.

- Vai sonhando. -- Reviro os olhos, acolhendo seu corpo melhor entre minhas coxas. Beijo seu tórax, por cima das tatuagens e subo deixando selinhos em seus lábios. Isso não é uma provocação, mas beijar aquela boca é o melhor passatempo que tenho. -- Gostoso.

- Sou é? Já ouvi isso.

- Então não preciso mais dizer.

- Ah, mas eu não me canso de dizer o quanto você é gostosa. -- Me pega de surpresa quando estapeia minhas nádegas com as duas mãos. Sua ação faz meu corpo solavancar para frente e esbarrar nossos lábios.

- Atrevido. -- Sussurro contra sua boca.

- Você gosta.

Mordo o lábio sorrindo, cheiro seu pescoço molhado e levanto a cabeça novamente para dar vários beijos pequenos. Chupo a carne macia de seu inferior. Jungkook reage afetado, mas não incentiva além disso. E agora eu percebo que poderia beija-lo por um bom tempo.

- Uhm, tô me controlando, S/n. -- Diz baixo, meu corpo volta a descansar sobre o seu. Mesmo que estejamos numa posição perigosa e num lugar duro, até que seus braços me acolhem bem. Beijo-o mais um pouco, devagar.

- Por incrível que pareça, eu quero ficar só nisso agora com você. -- Sussurro contra seus lábios.

- Pode se aproveitar. Mas se provocar demais, eu também vou e a gente vai transar aqui.

- Ah, Jungkook... Só beijos, uhm?!

- Todo seu. -- Sussurra.

Admito que aquilo me deixou um pouco surpresa, senti um arrepio diferente e um frio na barriga. Mas foi gostoso, e ficou ainda melhor quando ele me puxou contra sua boca. Me tomou mais uma vez, do jeito que queria. Recebi afagos no rosto, pescoço e cintura, suas mãos transitavam como se quisessem decorar meu corpo. Me deixei levar, beijando-o com mais vontade, sugando sua boca e mordendo algumas vezes. Arranhei todo seu dorso nu uma última vez, repousando sobre ele novamente.

Amanhã seria um dia de muito treino e todos teriam que se dedicar ao máximo nisso. Se possível quero todos incluídos nessa missão acertando pelo menos um alvo às cegas. Pode ser perigoso, mas na hora vamos precisar de tudo pra conseguir concluir isso de uma vez. 

Amanhã começa.

***


         Texas 11:47 AM

Começou com tudo mesmo. Acordei todos cedo, nem era oito horas da manhã ainda e eu já queria todos de pé. Yoongi ainda me deu trabalho, quase o sufoquei com o travesseiro. Taehyung tava animadinho, botou seus fones conectando no bluetooth de seu celular e fazia dancinhas enquanto trocava de arma ou acertava um alvo.

Jungkook acordou comigo, me ajudou a levar os meninos para o galpão e também teve que levar Milla nas costas, dizendo ela está cansada. Sonhou que tava trabalhando. Jeon tava concentrado pra caramba, acho que passei um tempinho o encarando demais e talvez ele nem tenha percebido. Reparei que seus olhos mudam quando se trata desse tipo de coisa, um olhar de fera observando sua presa, o cenho franzido e sério, bem ignorante também, o maxilar trincado e hora ou outra mordia os lábios. Os músculos tencionavam numa bravura sempre que errava, por mais que poucas vezes.

Sacudi a cabeça por prestar muita atenção nele. Procurei caminhar perto deles, testando o nível de concentração e distração de cada um. Milla já conhece, não ligou e continuou atirando como se aquilo fosse real. A ouvi pronunciar algumas vezes o nome de Orrara e desejando que ela morra numa frase só.

Vi que todos estavam em seu lugares e concentrados, aquele galpão era enorme, tinha espaço de sobra pra quem quisesse correr, pular e lutar com alguns bonecos espalhados pelo lugar e outros acionados por armadilhas que planejei, embutidos no chão eram ligados quando pisassem em cima dos sensores disfarçados. Jimin é rápido nisso, vi que desviou de todos o bonecos, menos de um que veio de cima. Avisei para que ele ficasse esperto quanto à isso, porque tem chance de acontecer.

Gostei que Namjoon soube observar bem antes de atirar, pareceu decorar cada ponto dos alvos antes de apertar o gatilho. Mas também usou força demais pra acertar os bonecos, o que acabou amassando alguns. A gente riu por suas caras sempre que exagerava na pancadaria, porém relevei e pedi que continuasse. Quem entrar no seu caminho vai ser deformado com certeza.

Deu ums sermões em Taehyung e Seokjin, esses dois agora tem tentado ir pra fora a casa dez minutos, só pra fumar. Eles não eram assim que eu me lembre. Os mesmos me disseram ser o nervosismo e a ansiedade por conta da missão, posso até concordar, porque cada um tem seu meio de distração, mas não os deixei continuar e logo tranquei o portão do galpão.

O pior nisso tudo é aquele pressentimento, sempre vem na mente que há algo errado, mas eu quero avançar, até descobrir o problema. E tudo que vem a mente também é James e a senhora Rockys. Ela que tem ficado mal, todos os dias reclamando de dor, tomando remédios, mas nada adiantando. E Lucy que nunca me fala uma palavra, aquela imbecil vive me encarando_sem nem conseguir me enfrentar de verdade_e nunca abre a boca pra falar da própria mãe. E ele que tem estado distante, mandando mensagens, mas sua voz diz estar mal. 

E tudo isso me deixa furiosa, porque não sei o que fazer, por simplesmente não ter certeza do que está havendo. Só agora, que fui puxada por Jungkook, percebo que estava estraçalhando um dos bonecos com a arma e as mãos. Acho que pensei demais e esqueci o que estava fazendo. Os braços do garoto seguram minha cintura firmemente, me apertando contra si. Sinto meu raciocínio voltando ao normal. Encaro Milla e os meninos em minha volta pedindo que eu me acalmasse, chamando meu nome várias vezes. 

Minha respiração estava descompassada e o corpo suado, a adrenalina já tinha me possuído. Não sei como me descontrolei, mas tive pessoas que me ajudaram a sair do transe. 

- S/n, se acalma... -- Milla diz segurando minhas mãos.

- Relaxa, você tá aqui com a gente. -- Escuto a voz do Taehyung e o encaro ainda fora de mim. Todos eles me chamam, tentando me recuperar.

- Ei, valentona. -- Ouço Jungkook atrás de mim, baixinho no meu ouvido. Viro o rosto para encará-lo de canto, ele vira meu corpo de lado e consigo ver seus olhos melhor. -- Calma, é só a gente aqui. Só Milla, os meninos e eu.

- Minha cabeça tá doendo. -- Falo baixo, fechando os olhos por segundos e aperto os antebraços do garoto em mim.

- O que houve? Você surtou com esse boneco e agora o bichinho tá todo estourado. -- Milla se aproxima me abraçando. Descanso em seu ombro, sentindo o perfume exagerado misturado com seu suor, e me afasto massageando as têmporas.

- Eu não sei, tava pesando na senhora Rockys e no James até que fiquei com muita raiva.

- Relaxa, os dois estão bem. Agora entra, toma um remédio e descansa um pouco.

- Não, Milla. A gente tem que treinar.

- S/n, já são quase meio dia, o almoço já deve está finalizando. -- Seokjin comenta.

- Concordo que precisamos de treino, mas de barriga vazia é o mesmo que nada.

- Jimin tem razão, vamos comer e depois voltamos. -- Minha amiga dita indo até o portão para abri-lo.

- Saco vazio não para em pé. -- Ouço Taehyung dando tapinhas na barriga.

Desvio o olhar para o boneco em minha frente, vendo o estado que deixei. Eu fiz isso num momento sem raciocínio algum. Respirei fundo algumas vezes, senti a dor de cabeça indo embora aos poucos, diminuindo a cada puxada de ar que eu dava. Jungkook e Milla continuaram alí, os dois não disseram uma palavra, apenas deixaram que eu me recuperasse devagar e sozinha. Afastei os vestígios dos pensamentos anteriores. Aquilo tava me machucando, mas eu não queria deixar de pensar, era importante para mim. Preciso me livrar disso, só que sei que só conseguirei quando tudo acabar.

E isso tá bem perto. Certo?

Me virei para os dois. Milla estava agarrada no braço de Jungkook, tinha a feição preocupada e sorriu levemente para mim, talvez tentando me confortar. Jeon tava com as mãos presas nos bolsos da calça moletom, com um semblante ameno me encarava e respirou fundo quando retribui seu olhar. Parecia preocupado também, de qualquer forma não tentei desvenda-lo e logo caminhei pra perto de ambos.

- Tá, vou tomar um remédio e a gente pode comer.

- Finalmente não vai usar a teimosia hoje. -- Milla comemorou, me fazendo sorrir sem humor algum.

- Sei não, boneca. Acho que é perigoso ter a S/n treinando com a gente, vai que ela surta e bate em nós?! -- O encaro com cara de poucos amigos. Seu sorrisinho me mostra que só quer descontrair o clima que ficou alí e agradeço por isso mentalmente.

- Verdade, essa daí tem a mão pesada. Os tapas dói pra caralho.

- É, e se continuarem com gracinha vou usar as mãos fechadas. -- Empurro-os para lados opostos, passando no meio dos dois e saio do galpão. Mas consigo ouvi-los rindo baixinho. 

***


       James P.O.V

Ainda amarrado naquela cadeira, sofro ao ter que ouvir a voz dessa desgraçada. Agora sempre rindo e zombando de mim e das minhas meninas. Só consigo pensar que foi um erro. Foi um erro eu ter caído na dela, não devia nem ter dado ouvidos, ou ao menos deveria ter chamado S/n e Milla para ir junto comigo. Arrependimento é uma coisa que dói de algum forma. 

E é tudo isso que consigo sentir ao acordar de mal jeito, com dor na coluna e costas, os pulsos doloridos pela corda amarrada com toda força em volta deles. Os ferimentos que insistem em sangrar e arderem me incomodam. Minha cabeça dói, como enxaqueca me perturba e me deixa tonto. Sinto sede e fome, sou obrigado a comer restos_não comeria se não fossem enfiados agressivamente em minha boca. Minha garganta arranha sempre que tento engolir algo, até mesmo saliva. Sem contar nas vezes que desmaiei.

Estou sendo torturado lentamente.

Meu coração doeu quando mi Lady me ligou contando toda animada como seria o plano. Vê-la se esforçar por anos para se vingar e agora corre o risco de ser pega, até morta. Orrara sabe de tudo, ela ouviu minha garota contar tudo e riu ao encerrar a ligação. Sei que não está trabalhando sozinha, há um ajudante novo com ela e ele me parece bem mais esperto que a própria. Os dois agora sabem como tudo ocorrerá e insistem em conversar na minha frente, me deixando por dentro de seu planinho idiota.

Observo tudo em silêncio, afinal nem forças para falar tenho mais.

- Temos que admitir, é um bom plano. -- Seu ajudante confessa.

- É, tem razão. -- Ela faz uma cara de desgosto e eu sorrio disfarçadamente. Estão falando da minha garota. -- Aquela órfã até que pensou bem dessa vez.

- Sim.

- Mas lembremos também que ela não fez isso sozinha. Aqueles traíras estão a ajudando agora. -- Aperta os punhos em raiva.

- Relaxa, senhora. A gente sabe de tudo e eles vão quebrar a cara quando chegar aqui.

- Tô até vendo a carinha do meu anjinho de decepção por ver que seu plano foi frustrado novamente. -- Faz bico em deboche, zomba da S/n e isso me enfurece. -- E você também verá, meu caro.

Chama minha atenção. Desliza sua mão nojenta em meu rosto. Seu sorriso irritante desperta meus instintos. Queria socar sua cara, mesmo sendo muito errado eu bater em mulher.

- Se sobreviver até lá.

- Ele é fortinho, Davin. Veja só. -- Segura minhas bochechas brutalmente, erguendo meu rosto. -- Não vai perder o show que sua mi Lady participará, ela será a estrela principal.

- Senhora, tudo pronto. -- Confirma algo em seu tablet. -- Todos em seus lugares, já sabem o que fazer e só estamos esperando o ataque.

- Então contagem regressiva para o show começar. -- Fala devagar com orgulho. De cabeça erguida sorrir e me encara. -- Prepare-se também, querido James. Você vai estar comigo no camarote.

***


        Milla P.O.V

Almoçando todo mundo junto, eu vi que não consigo imaginar o depois dessa missão. Me senti mal de pensar que todos se afastariam, ou que cada um seguiria um rumo até uma nova missão. Gosto tanto desses meninos, são meus melhores amigos também. Só de acordar e saber que estão por perto me anima, as vezes só saio da minha cama para atormentar algum deles. 

O que tem me causado preocupação é Taehyung. Poxa, ele vai arriscar a vida pra dar fim nisso. Tá certo que um de nós teria que fazer o mesmo, mas qualquer um sentiria o que tô sentindo. Assim como não quero perder ninguém nessa missão, não quero morrer. Não agora. Preciso desfrutar um pouco da vida depois de dar fim no nome de Orrara, depois que ela desaparecer do mapa, do mundo. 

Viver sem aquela desgraçada viva em algum lugar desse planeta. E tudo o que mais quero, é ver minha melhor amiga irmã sorrindo, se divertindo e dormindo bem. 

E tá bem perto disso acontecer.

Falei com a senhora Rockys e tomei a decisão de que quando essa missão passar, irei levá-la para um hospital da cidade mesmo, sem ser os nossos. E eu mesma cuidarei de seus remédios, ela já cuidou muito de mim, agora é minha vez. Farei tudo por ela. E Lucy que me aguarde, deixa essa idiota cruzar meu caminho que lhe dou umas boas porradas.

S/n disse que poderíamos descansar um pouco antes de voltar a treinar, afinal acabamos de comer. Comi pra caralho também. Me sentindo cheia, fico com as pernas sobre a mesa enquanto os substitutos retiram tudo de cima dela. JHope, Jin e Jungkook ficaram comigo na sala de jantar, os outros foram tirar um cochilo e S/n foi tomar remédio. A gente conversou baixinho sobre o plano, não porque os outros não possam ouvir, só que estávamos falando sobre a mudança de lado deles. Novamente, inclusive. Eu continuo com um pouco de receio sobre isso, tenho medo de Orrara dizer algo e estragar tudo.

Não queria mentir para S/n, mas também não podemos dizer a verdade. Pelo menos não agora. Ela ficará uma fera, e o pior é que eu não consigo parar de pensar nisso. Toda vez que me lembro do plano, que aliás está próximo de entrar em ação, consigo também pensar no desastre que seria se algo der errado. Os meninos me pediram para confiar, não ter medo e muito menos criar uma paranóia, pois tem certeza de que aquela desgraçada não falará nada sobre isso. Ela não pode ser tão burra nesse ponto.

- Vocês tem certeza? Porquê eu continuo com medo.

- Relaxa, minha gata. A gente tem tudo pra fazer dar certo.

- JHope tem razão, o plano foi feito com bastante atenção e bem posicionado. -- Jungkook afirma jogando a franja para trás.

- Conhecemos os jogos de Orrara, ela não pensa tão grande e é impossível ela ganhar essa.

- Será? Hobi, não podemos confiar tanto, assim como ela pode ser burra de falar algo, também pode estragar tudo.

- Milla, presta atenção! -- Hoseok segura em minhas mãos. -- Vai dar tudo certo, tá bem?

- Mas-

- Sem mas, princesa.

- JHope tem razão denovo, vamos fazer dar certo.

- Tá, a gente vai mandar ver nessa! -- Puxo o ar erguendo a cabeça.


         S/n P.O.V

Engulo o comprimido junto com a água, minha cabeça lateja pela dor que insiste em me incomodar. Achei que já estivesse passado, mas logo voltou. Eu preciso ao menos falar com James, tentei ligar para o mesmo, porém nada de ele atender. Me joguei na cama um pouco pensativa, batuquei as botas no chão e fechei os olhos quando repousei os braços sobre meu rosto. 

Tento esquecer um pouco do que está em minha volta e foco no que precisamos levar. Não acho que será necessário levar roupas, já que iremos e atacaremos no mesmo dia que chegarmos em Miami. Não pretendo ficar lá por nem um segundo à mais depois de fazer o que tenho que fazer. Armas, precisamos de armas. Cada um levará uma pequena e uma grande, armas de fogo também será necessário, tenho que lembrar que todas deverá ter um silenciador. Não podemos anunciar com tiros que estamos lá ou ela perceberá e acabará com toda a missão.

Tenho que pensar no que não pode me atrapalhar, na verdade terei que avisar Milla sobre não ir com jóias ou algo que a interrompa. Do jeito que aquela doida é, provavelmente colocará brincos e eles podem acabar prendendo em sua roupa. Não levaremos celulares, não no meio da missão, mas vamos precisar de comunicadores. Inclusive, tenho que perguntar para James onde ele os coloca, porque só ele sabe onde está. Temos que ser espertos nisso também, todos mantendo informações.

Mal vejo a hora de pôr as mãos em Orrara. Minha vingança finalmente será paga e ela se arrependerá de ter tirado as pessoas que mais amo da minha vida. Só não sei se acabo de vez com ela ou se a torturo um pouco. Eu já tinha a segunda opção decidida, mas mudei com os meninos e Milla me dizendo que o melhor é cortar o mal pela raiz de uma vez só. Essa infeliz tem tornado tudo um inferno desde que presenciei o pior dia da minha vida. Queria poder fazer com que ela sentisse tudo o que eu senti todos esses anos, mas também quero arrancar sua cabeça fora num só golpe.

Não quero levar isso como um troféu, apenas como uma dívida paga. A dívida que ela cobrou de um jeito cruel de meus pais. Ela terá o que merece, seja pelas minhas mãos ou queimando no inferno.

Me assustei com o celular tocando ao meu lado, vi na tela que era James e logo me sentei bruscamente na cama para atender.


         Chamada_James_On

- Ah! Oi, James!

- Oi, mi Lady. O-o que houve?

- Preciso saber onde estão os comunicadores, vamos precisar deles.

- Ah, deixe-me lembrar... Uhm, está... Está na minha gaveta, a chave tá num pendrive, uso-a de chaveiro.

- Certo, e está funcionando normalmente?

- Sim, acredito q-que todos.

- Tá bem. Lembra do plano, né?

- C-claro.

- Então você irá?

- Sim. Estarei lá.

- Podemos marcar o dia?

- Quando... Você quiser.

- Certo, o mais rápido possível! Nesse sábado.

- A-amanhã? Já? Não quer espe-... Na verdade, está ótimo a-ssim.

- Tem certeza? Quer dizer alguma coisa?

- Não, não! Amanhã!

- Como estão as coisas aí? Você tá bem? Sua mãe também?

- Tudo... na medida do possível! Não se p-preocupe.

- Okay... Tenho saudade.

- Eu também, mi Lady. Quero muito poder voltar.

- Amanhã você volta e tudo vai está acabado.

- É... Amanhã.

- Olha, vou te mandar as outras informações por mensagem, me mande um okay quando estiver indo e se entender tudo.

- Sim, farei isso.

- Tá bem. Tchau, James! Se cuide.

- Até, mi Lady.

         Chamada_James_Off


Encaro meu celular por um tempo, aquela sensação voltou e mais forte ainda. Por que ele parece sempre cansado ou sentir dor nas ligações? O que ele tanto faz lá? Por que isso do nada? Eu não estou mais suportando essa aflição. Não posso perder James, não posso. Tenho medo de que algo esteja o torturando, o fazendo mal e ele não pode me falar. Não consigo acreditar quando ele diz que está tudo bem e que logo voltará. E se James não voltar? Ou se seu cadáver voltar pra mim? Não vou aguentar isso. Dói meu peito, como se me esmagassem por horas. 

A tortura psicológica é a pior coisa que alguém pode sentir.

Ela machuca e dói bem mais que mil ossos sendo quebrados.

James é igual Milla para mim. Não me vejo sem os dois. Preciso deles comigo, os dois juntos. E eu prefiro morrer no lugar de cada um do que vê-los morrer em minha frente. 

Uma lágrima escapa do meu olho, limpo rapidamente e respiro fundo. Tenho que confiar que está tudo bem e tudo dará certo. A porta do meu quarto se abre, revela Lucy, que pela primeira vez não bate na porta antes de entrar. Seu semblante é sério, frio e horrorizado. Não parece ter nenhum sentimento, é impiedosa e arrogante. Tão diferente da garota boba que vivia andando pela casa. Arqueio uma sobrancelha em sua direção, continuo sentado esperando algum pronunciamento.

- Vim avisar que mamãe piorou. -- Diz inexpressiva.

- Os remédios não estão fazendo efeito então. Fale com os médicos, diga que mandei receitar algo mais forte.

- Já falei com eles, não há mais o que fazer.

- O que quer dizer?


- Oque está óbvio, ela não tem mais cura. -- Diz ríspida.

- Como pode? Sua mãe estava ótima e de um dia para o outro ficou mal. O que causou isso? -- Levanto-me indo até ela. Encaro seu rosto na mesma posição que ela se encontra. Mas superior. -- Tem dado os remédios de forma correta? Está cuidando de sua mãe direito?

- Olha, não me venha com acusações indiretas, não tenho culpa se ela está velha e cansada. Deve ter vários problemas e se me ouvisse nada disso estaria acontecendo. -- Fala grosseira. Agarro a gola de seu uniforme, deixando nossos rostos próximos, olho em seus olhos com raiva pelo jeito que se referiu à senhora Rockys.

- Escuta aqui! Quem você acha que é pra falar desse jeito? Primeiro, ela é sua mãe. Segundo, abaixa a bola, porque você não tem direito nenhum de se defender, já que só abre a boca pra falar merda. Terceiro, se realmente se importasse teria vindo até mim para falar dos problemas que você disse que ela tem, mas você só serve pra correr atrás de alguém que nem te quer, não é mesmo? -- Falo baixo, mas firme. Seu corpo treme e os olhos vacilam. Ela não consegue me enfrentar. -- Tenho reparado em você todos esses dias, acha que não percebi sua ambição pra transar com Jungkook ao invés de cuidar de sua mãe com mais esforço?

- Isso é mentira.

- Vai se foder. Ainda quer me chamar de mentirosa? O que deu em você, uhm? Agora quer peitar em mim? Acabou o medo de morrer? -- Bato suas costas no batente da porta. -- Lembre-se que da mesma forma que tirei sua vida daquele lixo, posso te levar de volta pra lá. A diferença é que não estará mais viva.

- Não pode me matar. Mamãe ficaria triste com você.

- Então cuide da sua mamãe até que ela fique boa ou terei que enterrar você no meu jardim. Veja só pra você, não tem nenhum remorso de falar dessa forma de sua mãe, nenhuma tristeza, muito menos uma expressão. O que está fazendo com ela?

- Só estou cumprindo meu trabalho, se está insatisfeita cuide você mesma. 

O sangue subiu pela cabeça e tudo aconteceu muito rápido. Só senti minha mão esquentar depois de vê-la com o rosto virado, vermelho e marcado. Tinha dado um tapa nada leve em sua bochecha. A soltei com brutalidade, chocando suas costas novamente contra a parede, e me afastei. Ela continuou de cabeça baixa, encarando o chão sem se mexer. 

Fui um pouco impaciente, mas Lucy mereceu. Como pode ser tão fria com sua mãe? Ela não era assim. Alguma coisa de errado tem aí também. Vi Taehyung e Namjoon se aproximarem, nos encararam confusos e ficaram surpresos ao ver minha mão marcada no rosto da garota.

- Tá tudo bem? O que houve? -- Taehyung perguntou baixinho.

- Só dei uma lição em quem está precisando. -- Continuo observando Lucy. -- Desaparece da minha frente, antes que eu faça pior.

- Sim, senhora. -- Assentiu num fio de voz.

- E lembre-se, cuide de sua mamãe. -- A mesma apenas acenou e saiu quase correndo pelo corredor. Os dois garotos me olharam querendo saber o que rolou. -- Essa garota está estranha.

- Por isso bateu nela?

- Taehyung e Namjoon, Lucy teve o que mereceu. Ninguém me enfrenta e fala do jeito que falou sobre a senhora Rockys assim.

- Ela não parece muito preocupada.

- E não está, Namjoon. Foi exatamente isso que me deixou furiosa.

- Estando ou não, ela nunca mais vai falar desse jeito. -- Taehyung diz prendendo um sorriso.

- Eu mato ela se acontecer denovo. -- Reprimo os lábios em desgosto. -- Vamos voltar pro galpão, tenho que falar com vocês. 

***


         Texas 05:58 PM

Muito treino e muito cansaço. Foi isso o dia todo. Admito que minhas mãos até doem de tanto apertar o gatilho, alguns dos meninos também reclamam e dizem nunca ter disparado tanto tiro como foi hoje. Milla já queria desistir no meio da tarde, mas a incentivei e deixei que descansse um pouco, vi JHope a ajudando enquanto massageava suas mãos. Quem parecia ter fúria nos olhos era Namjoon, sempre acertava mais de uma vez em um boneco só, recomendei que não atirasse tanto, pois gastaria muita bala e o melhor é mirar na cabeça. 

Mesmo que acerte em outro lugar, sempre atire na cabeça em seguida. Foi assim que aprendi.

Esse treino quase me rendeu um pé machucado, pois pisei em falso ao saltar de uma pilastra para outra e nisso virei o pé, mas ainda bem que não forcei mais ou nem conseguiria andar. Só vi quando meu corpo se chocou com tudo contra o chão, bati o cotovelo e o quadril, porém nada tão grave. Jungkook que me ajudou a levantar. 

Parei por um tempinho, pra descansar e observar o pessoal. E foi sentada na mesa de metal que percebi o quanto senti orgulho de Milla, vê-la tão dedicada para me ajudar. Mas isso não é nada, senti orgulho dos meninos e acabei sorrindo sozinha ao encará-los, notando esforço de verdade da parte de cada um. Confesso que estão sendo pontos importantes para mim agora, cuidarei e protegerei todos. Não quero ninguém morto nessa missão, então farei de tudo pra que nenhum saía tão ferido. 

Quero comemorar junto com eles, porque finalmente descansarei. Todos vão poder. Só fico pensando no que faremos depois que acabar, pra onde vão e se continuarão juntos? Os olhando mais um pouco, percebo também que há uma energia animada vindo deles, até quando dão risadas de coisas bobas ou fazem caretas. Nunca vi Milla tão feliz com amigos. 

Eles são amigos. Mas não precisam saber disso também.

Dou fim no treino, digo para todos tomarem água e guardarem as armas. Tenho que avisar sobre colocar o plano em prática amanhã, já que James disse que está tudo certo, irei confiar. Amanhã o verei e conversarei sério com ele, esse garoto vai ter que me explicar seu sumiço do nada e sem aviso. Antes que todos saiam do galpão, chamo-os e espero que se juntem para ouvirem.

- Então, falei com James hoje e ele afirmou que estará lá.

- Perguntou sobre os comunicadores? -- Jimin pergunta ofegante.

- Sim, vamos testá-los hoje mesmo. -- Todos assentem. -- Outra coisa, quanto mais rápido começarmos, mais rápido acabares. Mas quero saber se concordam em atacar amanhã? Tudo certo?

- Treinamos bastante hoje, a adrenalina ainda está no corpo, então acredito que devemos ir. -- Jin afirma puxando um isqueiro do bolso. 

- É, acho que pra todos está ótimo. -- Namjoon olha para o pessoal.

- E quando invadimos? -- Jeon me encara limpando o suor de sua testa.

- De noite, assim que chegarmos lá.

- Beleza, fechô.

Assim que ganho certeza de todos os meninos e de Milla, dito que não ficaremos lá por mais tempo e logo voltaremos quando terminar o serviço. Ou seja, quando eu der fim em Orrara. Deixo todos livres, aos poucos vão saindo e ouço Jimin pedindo para Taehyung tomar muito cuidado com as palavras ao falar com Orrara e seu pessoal. Não discordo. Se não tiver cuidado pode estragar tudo ou esfurece-la. 

Ninguém morre.

Reparo que estou sozinha. Apoio as mãos na mesa, encaro as armas em cima da mesma e várias balas em volta, respiro fundo umas três vezes. Ainda o pressentimento ruim. Sacudo a cabeça me livrando desse peso que cresce sempre que começo a pensar nisso. Não me falta nada, não tem nada pra dar errado. 

Eu tenho plano feito, e bem feito. Tenho armas carregadas. Tenho carros pronto pra viagem. Tenho comunicadores, que preciso testar, mas sei que está tudo funcionando. Tenho dinheiro suficiente pra fazer o estrago que for. Tenho treino completo.

E não estou sozinha.

Tenho Milla. Tenho James. Tenho os meninos.

Tudo vai dar certo. Só preciso de mais confiança. E de paz na mente também. 

Com a cabeça cheia, resolvo tomar um banho e descer para testar os comunicadores junto com JHope, o mesmo verificou e todos estavam normais, funcionando perfeitamente. Agradeço sua ajuda, liberando seu finalmente descanso e subo para me distrair com Milla um pouco. Ao entrar em seu quarto, vejo que a TV está ligada, ela mastiga pipoca e tem uma cerveja do lado. Assistindo série. Aliás, é uma coisa que não a vejo fazendo tem um tempinho. A mesma me encara e bate no colchão ao seu lado, me convidando para deitar com ela. Me jogo em sua cama, ela ajeita o corpo ainda sentada e me acolhe em seu colo. Milla não fala e nem pergunta nada, só me deixa ficar alí, mesmo que eu nem esteja prestando atenção no que está vendo. Sei que me conhece e sabe que não tô afim de conversa agora.

Não a perturbo enquanto assiste, concentrada no cara de piercing atirando nos outros, e ela não me perturba fazendo perguntas. Pra não deixar os mesmos pensamentos chatos entrar em ação novamente, olho para a tela e centralizo sua nova série. Ela rir de algumas coisas bobas, se assusta, reclama, xinga e elogia alguém, isso é o tempo todo. Milla levanta minha cabeça para pôr o travesseiro em cima de suas pernas e diz que é pra eu não ficar desconfortável, sorrio em silêncio com sua preocupação. 

Respiro fundo e sinto meu corpo relaxar. Cansada é o que resumo toda minha estrutura. Seja física ao psicológico. Estou exausta. E por um momento deixei minha mente me levar de volta pra quando eu ainda tinha meus pais, quando vímos filmes juntos, tinha pipoca e chocolate. Pequenos momentos, mas vividos com tanto prazer que é involuntário sorrir. Eu choraria se a perde ainda fosse recente, porém agora consigo sentir alegria ao lembrar. É gostoso tê-los mesmo que seja só em recordações. Lembrei da caixa onde há fotos e outras coisas que peguei da antiga casa, alguns pertences dos meus pais que guardei, mas minha amiga nunca me deixaria pegá-la. Nem vou ousar, não tô afim de surtar antes da missão.

Meus olhos pesam, eu bocejo umas três vezes seguidas. Até levantaria para ir pro meu quarto ou invadir o do Jungkook, só que o corpo não reage. As pálpebras ficaram pesadas e eu me rendi ao sono, dormi no colo de Milla. E acho que ela nem percebeu. Só vi o escuro depois que me entreguei.

***


          Texas 12:26 AM

Acordei assustada, ainda estava no quarto de Milla, mas tava tudo um breu. A TV desligada, o baude de pipoca no criado mudo e a garrafa de cerveja vazia. Minha amiga dormia, não estava coberta_parecia confortável daquele jeito_mesmo assim, a cobri e saí de fininho. Preferi não acorda-la. Eu estava com fome, sede e frio. O corredor tava um silêncio e as luzes todas apagadas, não sei se teria alguém acordado, não conferi também. Desci as escadas rumando para a cozinha, não tinha jantado e ninguém me chamou.

Saí abrindo as panelas e colocando tudo no meu prato, até estranhei terem deixado as comidas aqui. Podem ter pensado em mim e na Milla, já que não saímos de seu quarto. Agradeci baixinho. Catei uma garrafa de coca e fiquei sentada em cima do balcão mesmo, que por sinal estava gelado. Até me arrepiei. Comi tudo frio mesmo, não estava tão ruim, bem pelo contrário, tava bom demais. A fome pode fazer tudo. 

Agradeci por está com a mente vazia e longe daquela perturbação. Parece ter um bloqueio sempre que pensava na missão. Mas admito que ainda estava com medo, mais pelo James, porque não sei o que tá acontecendo. E denovo isso.

- Não. -- Nego de boca cheia, um pouco nervosa comigo mesma. -- Chega disso... Ele tá bem.

- Falando sozinha? -- Jungkook entra na cozinha me assustando. Usa só uma calça moletom cinza, que cai de um lado revelando a marca de sua box. Bebo um gole grande da coca-cola no bico da garrafa mesmo.

- Nos encontramos na madrugada novamente. -- Brinco deixando meu prato de lado. Ele sorrir assentindo e se aproxima. -- Achei que tava dormindo.

- Fiquei esperando você. -- Um arrepio queima em minha nuca e eu disfarço bebendo mais um pouco. -- Vi você dormindo no quarto da Milla, pensei que fosse ficar por lá mesmo.

- É, ela tava vendo série e eu acabei dormindo. Acordei com uma fome monstra.

- Não quiseram acordar vocês pra jantar.

- Ah, tudo bem. Já terminei de comer. -- Suspiro largando a garrafa dentro da pia, juntamente com o prato. Jungkook bebe água e me encara de cima à baixo. Mordo o lábio desviando o olhar, o chão ganha minha atenção enquanto penso no amanhã. Na verdade, hoje. Vejo o garoto se aproximar, fica de frente pra mim e eu me escoro no balcão atrás, tenho que levantar a cabeça para encontrar seu olhos. -- O que foi?

- Eu que te pergunto. -- Rir anasalado prendendo as mãos no mármore ao lado de minha cintura. Me deixa presa entre seus braços e roça levemente nossos corpos. -- Tá toda perdida. Aqui, no treino, o tempo todo.

- Só pensando nessa missão.

- Pelo jeito é ruim. -- Assinto. Ele respira fundo, cheira meu pescoço e levanta o rosto denovo para me olhar mais de perto. -- Relaxa, tem tudo pra dar certo.

- Mas e o James?

- Ele disse que vai está lá, então ele vai. Não é você que confia muito nele? Pois então.

- Eu sei, só que... Ah, tá muito estranho. -- Cruzo os braços abaixando a cabeça. 

- Sim, todos estamos achando o mesmo. Aposto que aquele bobão vai chegar de surpresa e acabar com tudo. -- Bato em seu peito pela maneira que se referiu à James e sorrimos juntos. Aos poucos vou cessando o sorriso, ficando séria e encaro minhas próprias mãos. -- S/n, é impressão minha ou você tá com medo?

Acho que já me perguntaram isso.

- Uhm... -- Respiro fundo mais uma vez. Seus olhos procuram os meus e quando se encontram, sinto um calor diferente, como um aconchego. Jeon não está sendo invasivo. Eu assinto levemente ainda o encarando. -- Sim, eu estou com medo.

- Uau, nunca pensei ouvir isso de você. -- Sorrir tentando me animar. Mas rio sem humor e aproximo meu rosto do seu, esbarrando nossos lábios. 

- Eu tenho medo, Jungkook. -- Sussurro contra ele.

O mesmo respira pesado, agarra minhas bochechas com as duas mãos e me mantém de cabeça erguida. Seus olhos não desviam dos meus. Me perco na negritude das suas orbes. E é ele quem me analisa, se achega e desliza seu nariz no meu algumas vezes. Deposita um beijo casto no canto de meus lábios, me causando mais arrepios.

- Olha pra mim. -- Pede em voz baixa, mesmo que estejamos já nos olhando, me faz olha-lo além do que consigo. -- Você não ta sozinha nessa, a gente tá junto... Eu tô contigo nessa missão, se preciso vamos colocar fogo naquele lugar. Não treinamos atoa e não estamos esse tempo todo aqui pra nada. A gente vai botar fim nisso... E vamos fazer juntos, tá legal?

- Jungkook...

- Confia em mim. -- Sussurra em insistência. Meu corpo estremece, o estômago se revira e a sensação que agora sinto quando ele está comigo aparece. Seus olhos mostram sinceridade, preocupação e cansaço. Ele quer que eu confie, não só nele. E pela primeira vez, consigo ter certeza disso. -- Só confia, não pensa nisso. Não vou deixar você morrer. Ninguém vai morrer além de Orrara. 

- Também não vou deixar ninguém morrer. -- Espalmo seu peitoral. Sinto seu coração acelerado e percebo que está como o meu. Isso é ansiedade. -- Eu confio em você, Jeon.

Fecho os olhos ao sentir seus lábios nos meus. Um beijo lento se inicia mais uma vez, só que dessa vez foi um pouco diferente. Tinha delicadeza e mais alguma coisa. Seus beijos sempre foram bons, mas esse agora tá ainda melhor. Eu não consigo desvendar o que seja, o que sinto, só é muito gostoso. 

Suas mãos escorregam em minhas bochechas, escorrem para meu cabelo e uma delas segura lá na raiz, com firmeza me domina, controla de um lado para o outro. Os estalos me causam choque, o som molhado que fazemos demonstra que não queremos parar aquilo e o quanto queremos aproveitar do ósculo. É o que fazemos. Abraço a cintura do garoto, trazendo-o para mais perto, aspiro o cheiro de Jungkook, revirando os olhos e arfando contra seus lábios. Ele sorrir durante o ato, morde meu lábio e volta a me beijar com mais vontade.

Sua esquerda não saiu do meu rosto, o polegar deslizando para cima e para baixo. Mesmo intensificando aquilo, não ousamos nos provocar, é apenas uma troca de beijos. Só nós dois, mais uma madrugada. Paramos apenas para recuperar o ar, até um puxar o outro pra ter mais. Exploro sua boca, chupando a língua sapeca, mordendo seu inferior macio e brincando com os dedos em sua pele, arranho-o sem intenção de marcar seu dorso, somente para sentir seu corpo reagir e se arrepiar junto com o meu. 

É Jungkook que me larga, encerra o beijo com mordidinhas e selinhos pequenos. Volta as duas mãos para meu rosto, colando nossas testas, nos dando um tempo para respirar melhor. Continuo com meus olhos fechados, ergo as palmas no dorso das suas e deixo um leve aperto em ambas. Meu corpo entra em frenesi, uma explosão violenta me queima e a cabeça num estado de colapso, tudo isso causado por Jungkook, quando o mesmo ousou segurar minhas mãos nas suas, com os dedos entrelaçados_da mesma forma que fizemos na cama. 

Não reclamo, não consigo nem recusar. Tudo é feito automaticamente ao ter os meus o apertando. Respiramos fundo e enfim deixamos nossos olhares se encontrarem, mas não prolongamos aquilo. Foi só sua boca se atritar com a minha que tudo ficou nublado, e eu sorri. A gente sorriu. Involuntariamente sorrimos durante o beijo. 

Aquilo tava estranho e gostoso.

Estranho pelas novas sensações e gostoso porque seu beijo é sempre bom. Mas essas sensações... São um tanto parecidas com as de Milla quando me conta de seu sentimentos. 

Não. Não. Não.

Solto suas mãos, agarro os ombros largos do garoto e os aperto com possessão. Não pode ser, não vou deixar. Preciso acabar com isso. Estalo nossos lábios para dizer de um jeito ofegante:

- Me leva pro quarto.

Não deixo mais nada sair entre nós, só o puxo para mais um beijo. Jungkook me pega em seus braços, prendendo minhas coxas em sua cintura e caminha comigo pela casa, sobe as escadas e entra no corredor. Sou largada quando ele se deita por cima do meu corpo em sua cama. O garoto para o ósculo, se erguendo nas mãos que se afundam no colchão e me encara.

- A gente precisa de energia pra missão. -- Sussurra encarando todo meu corpo embaixo do seu. -- Se eu te pegar assim, não vou parar.

- Tá, eu também não posso negar. Então, vamos só dormir. -- Ele assente, flexionando os braços para me beijar mais um pouco. 

Seu corpo cai ao meu lado e ele levanta só para fechar a janela e ligar o ar-condicionado. Puxo o edredom para cima do meu corpo, tendo o seu perto de mim denovo. Nos movimentamos até estarmos confortáveis, fico de frente para o mesmo que encara o teto em silêncio. 

O calor que emana dele é muito bom, seu perfume é viciante e sua expressão serena me chama atenção. As vezes queria saber o que ele está pensando, é engraçado como fica calado do nada. Ergo o canto dos lábios, sorrindo sozinha enquanto observo seu perfil. Ele é muito bonito. E tem uma estrutura corporal melhor ainda. Jungkook é gostoso na medida certa, nada de exagero e nada de menos.

Aquele momento na cozinha foi surreal, novo. Mesmo que eu me negue a aceitar o que seja, nem quero saber também, só curtir. Se ele também quer, a gente se diverte, é isso desde o começo. Me afasto desses devaneios, procuro seu semblante na pouca luz que o quarto oferece, vejo-o de olhos fechados com a respiração tranquila. Me pergunto se ele já dormiu. Enfio uma mão por baixo da coberta, a levo até seu peitoral e no mesmo instante que encontra sua pele, ele abre os olhos. Vira o rosto para me encarar, com a sobrancelha arqueada me pergunta alguma coisa, mas só desvio o olhar e mordo o lábio pensando um pouco.

Me arrasto pelo colchão até ele. Primeiro jogo uma perna em seu quadril, depois abraço sua cintura e só assim tomo impulso para me jogar sobre ele. O mesmo geme surpreso, agarra minha cintura com precisão e deixa que eu me ajeite em cima dele. Deixo os joelhos ao lado de seu quadril, me sento sobre o colo do garoto e deixo o edredom sobre nós dois. Me inclino, deitando por completo no corpo másculo de Jungkook, o mesmo que não disse nada, deixo o rosto na curvatura de seu pescoço e sinto-o encaixar de um jeito ainda melhor em mim

- Vai dormir em cima mim? -- Pergunta com a voz rouca, mais grossa.

- Shhh, não fala nada. Só me deixa.

Talvez eu esteja abusando, ou folgando demais. Mas como ele não reclamou e fez o que pedi, então posso ficar por aqui mesmo. E talvez eu também esteja apenas usando uma forma de dormir que usava com meu pai, seu colo era extremamente aconchegante para mim, agora consigo perceber o quanto era bom fazer isso. Posso acordar dolorida pela posição que estou, mas dormirei como se tivesse com as duas pessoas que mais amo na vida. 

Respiro fundo, consequentemente sugando seu cheiro delicioso, e relaxo em cima do Jeon.

- Boa noite, S/n.

- Boa noite.

***


         Orrara P.O.V

Depois de ligar para essa idiota e ouvi-la contar tudo sobre o plano que fizeram, me senti ainda mais feliz. A alegria nunca esteve tão estampada em meu rosto como hoje. Aquela tola tramou uma boa estratégia, admito. Mas não é pálio para mim, ainda mais que sei de tudo. Tão ingênua. Como pode ser tão boba ao ponto de nem ir atrás do seu garotinho?! A confiança que tem nele é realmente grande, pra acreditar tão facilmente nessa desculpa de mãe e sei lá o que. Me dá até uma vontade de rir.

E é o que eu faço sempre que me lembro da mancada que deram. Ela e aqueles imbecis traidores. Tais que irei acabar com suas gracinhas rapidinho. Sorrio ainda mais ao receber uma notificação no celular de James, é a S/n dizendo que tudo está certo para amanhã e até a localização.

- Pode vir, minha querida. Eu te espero com muita ansiedade. -- Mordo o lábio sorrindo vitoriosa. 

- Senhora, tudo certo. Todos estão em seus lugares e prontos para qualquer ataque. -- Davin diz ao entrar no local principal, onde a espero. 

- Ótimo, eles virão amanhã, provavelmente chegarão no fim da tarde.

- Sim.

- Ai, estou animada com isso. Vai ser divertido! Não concorda?

- É, todos se darão muito mal. -- Rir baixinho.

- Exatamente, muito mal. -- Encaro-o maléfica. -- E James? Já o colocou em seu lugar?

- Sim, senhora. Ele está pronto para brilhar.

- Bom, muito bom. -- Assinto. Caminho pelo local, olhando em volta e dou mais uma risada. -- Tadinha, terá tantas decepções em um dia. Quero até foto de suas expressões.

- Posso providenciar. -- Rimos juntos.

- Okay, vamos dormir e aguardar o dia de amanhã. Será agitado, Davin! Recomendo uma boa noite de sono.

- Pode deixar, vá descansar também, senhora. Você será a vilã principal.

- É, eu serei. Davin... O show está prestes a começar.





Notas Finais


Esse lance de se entregar devagar, sem nem ver, é bizarro, não é?

Eita, que o próximo tem! Deixa o pau pegar fogo!!

Até o próximo, meus xuxuzinhos

ᵕ༚ᵕ


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