História Juntando os Pedaços - Capítulo 1


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Categorias Resident Evil
Personagens Ada Wong, Helena Harper
Tags Harperwong
Visualizações 7
Palavras 1.442
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Já avisando com antecedência — A Fanfic á seguir contém menções á Alcoolismo (Mas não o incentivo, portanto CALMA) e Drama. Muito, muito drama. Já foram avisados.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Eu consigo fazer isso.

Ela sabia muito bem que uma vez dado um Serviço, sua missão era completá-lo sem hesitações — Sem remorsos.

Então por quê ela estava hesitando? Por quê seu dedo estava trêmulo e simplesmente se negava a curvar e puxar o gatilho?

Eu... Consigo fazer isso...

Ada observou fixamente a figura dentro do Apartamento — Seu alvo — Sentar em um sofá de veludo: Seu olhar estava vazio e sem vida, seu corpo em uma posição praticamente indefeso. Em suas mãos estava um objeto, aparentemente um quadro que mostrava duas figuras sorridentes se abraçando em um cenário banhado pelo pôr do sol. Era impossível não sentir ao menos uma leve pontada se tristeza ao ver aquela situação.

Ada franziu a testa enquanto dava um longo e cansado suspiro.

... Eu não consigo fazer isso...

A Missão era curta e clara — A Família queria Helena Harper morta antes que ela desse seu depoimento para os Juízes e comprometesse grandes nomes envolvidos. Distorcer os relatórios de Kennedy já seria um grande desafio por si e a última coisa que eles queriam era que a Agente (Ou Ex-Agente, já que Simmons a havia condenado por todo o incidente de Tall Oaks) estragasse tudo com uma única palavra. E qual a surpresa da própria Ada em se ver obrigada a aceitar este Serviço — Mesmo que contra sua vontade?

... Eu não posso fazer isso.

Ada não sabia como e nem quando sua mão deslizou por entre fechadura da janela do Apartamento, mas quando finalmente tomou posse de si o estrago já estava feito — Seus pés tocaram levemente o piso de madeira do que parecia ser uma Sala de Estar. Helena aparentemente não estava naquele cômodo, e o som de água corrente á algumas portas dali confirmava que provavelmente ela estava tomando banho. O que dava para Ada tempo o suficiente para cumprir seu Novo Objetivo.

Vou entrar, deixar um bilhete de aviso e sair. Simples assim. Não vou me envolver, mas também não irei ter o sangue de mais um inocente em minhas mãos. Simples assim...

Para sua sorte logo á frente em cima da mesa da Sala, uma caneta tinteiro e um bloco de finos papéis descansavam melancolicamente sobre a madeira do móvel. "Um tinteiro? Parece que ela tem mais bom gosto do que eu imaginava" — A Espiã pensou com um meio sorriso enquanto caminhava como um felino em direção á sua presa. Seus longos dígitos envolveram a caneta com uma delicadeza inimaginável por cima do papel, deslizando e formando as palavras necessárias:

"Helena Harper. Você sabe quem eu sou, assim como sei quem é você e o quê exatamente aconteceu em Tall Oaks. A Família te quer morta — E irão fazer o possível e o impossível para que seus objetivos doentios se concretizem. Tente falar com Leon e pedir o auxílio dele para sair do País, se possível adquirir uma identidade nova. Ele é um bom rapaz, e irá te ajudar — Acredite, eu o conheço muito bem..."

A caneta hesitou por alguns segundos enquanto Ada mordia os lábios. Com uma expressão triste, ela voltou a escrever nas últimas linhas...

"... PS: Sinto muito pela Deborah. Não queria que terminasse daquela maneira. Me perdoe."

Um leve puxão na página fez com que a Asiática percebesse algo estranho naquele bloco de notas — Um segundo bilhete — Escondido e rabiscado por entre os vários papéis brancos e intocados. Apesar de sua mente xingá-la de diversas ofensas diferentes por se intrometer em algo que claramente não era da sua conta, ela o leu.

"... Eu sinceramente não sei por quê ainda escrevo nisso. Hunnigan me disse que isto serviria como uma 'Terapia' para superar meus medos, mas se realmente for isso... Então está falhando miserávelmente. Me sinto sozinha dentro deste Apartamento. Cada cômodo me lembra minha Irmã e tudo o que ela nunca mais poderá ter. Cada centímetro deste lugar me faz lembrar o quanto minha vida foi destruída — E que nunca mais irá se tornar a mesma. O que eu faço comigo mesma? Como colar de volta os pedaços de algo que já se quebrou e virou pó? Me diga, pedaço de Papel — O quê você pode fazer por mim?"

Ada sentiu seus lábios tremerem por um breve período — Helena estava fragmentada, frágil e sozinha: Assim como ela esteve, há muitos anos atrás. E apesar de querer assumir que aquilo não era culpa dela, ela sabia claramente que tinha parte nisso tudo — O Tiro, as Palavras frias que ela havia dito para Helena durante aquela Batalha contra Déborah. A incapacidade de simplesmente deixar aquela BOW matar aquela Agente logo de uma vez... Por quê? Por quê ela tinha feito aquilo?

... Eu consigo fazer isso.

Voltando á sua expressão serena, Ada então se levantou para ir em direção á janela, pronta para ir embora quando o barulho de vidro se quebrando e um palavrão de muito baixo calão chamaram sua atenção novamente. Do cômodo ao lado surgiu uma Helena totalmente diferente daquela mesma Agente que Ada havia conhecido em Tall Oaks — Cabelos despenteados, pés descalços e com cacos se vidro entre ferimentos recém abertos, olhar totalmente vazio. Seus lábios se fecharam e quase formaram uma linha reta, e por sua expressão ela claramente estava irritada com a visita surpresa em sua casa.

— O quê você está fazendo aqui, Ada?

Sua voz estava trêmula, e pelo odor de Álcool estava muito claro que ela estava bêbada. Aquela poderia ser a oportunidade perfeita para escapar — Bastava nocauteá-la com um golpe entre a nuca... Mas em vez disso ela abriu a boca para respondê-la, sem entender por quê exatamente estava fazendo aquilo:

— Olhe o quê você está fazendo consigo mesma, Helena.

— ... Não é da sua conta. Vá embora daqui.

Apesar do tom intimidador de Helena, Ada não parecia se sentir nem um pouco afetada por aquilo. Ao invés disso ela deu um passo para frente, encarando aqueles olhos vazios firmemente.

— Você está totalmente bêbada, Harper.

— Já disse que não é da sua conta! VÁ EMBORA!

— Você acha que o quê está fazendo é justo consigo mesma...?

— Eu disse VÁ EMBORA DA MINHA CASA!

— ... Você acha que está sendo justa com a Deborah...?

*Plaft*

O som do tapa praticamente ecoou por todo o Apartamento. Ada sentiu de início o calor dos dedos de Helena em contato com sua pele branca, e o formigamento da vermelhidão veio logo em seguida. Estranhamente, ela não sentia dor alguma. Pelo menos não por fora.

— Não OUSE falar o nome dela... Não OUSE mencionar minha Irmã...

— ... Tudo bem. Eu mereço isso. Eu tirei sua irmã de você e estraguei sua vida, Helena. Não somente a sua, mas a de muitas outras pessoas, incluindo Leon. Eu mereço isso. Mas você também sabe que muitas vidas foram perdidas em toda essa confusão... Vidas inocentes, incluindo a da sua Irmã. Pessoas que foram Sacrificadas por esses Monstros. E você resolve honrar o fato de ainda estar viva DESSE jeito? Se Auto Depredando, Bebendo? Se afundando cada vez mais? A Família te quer morta, mas se você continuar desse jeito isso não vai ser um problema para eles, já que você mesma vai acabar se matando! Você vale mais que isso, Helena Harper...!

Por um segundo, Ada realmente pensou que fosse levar um segundo tapa — Mas por algum motivo recusou-se a se mexer. E foi então que ela observou em silêncio Helena abaixar sua mão e olhar para o chão enquanto lágrimas escorriam de seu rosto. Era uma visão... Dolorosa e Lamentável... E que de alguma maneira estava doendo dentro dela também. E, por outro incontável momento naquela noite, Ada sentiu seu corpo instintivamente se aproximar de Helena e abraçá-la, seus lábios indo diretamente de encontro aos dela. De início ela esperava alguma resistência, alguma contradição ou rejeição vindo de Helena, mas para sua surpresa o beijo foi mais do que correspondido. O por quê de ela ter feito aquilo nem mesmo ela sabia — Mas naquele momento aquilo era o que ambas precisavam.

Após o estranho momento de 'Conforto', Helena observou quase que paralisada enquanto Ada caminhava até a mesa novamente, pegando a tinteiro e escrevendo algo no mesmo papel de antes. Em total silêncio, ambas se olharam uma última vez antes da Espiã se jogar da janela e sumir na escuridão da noite. De uma estranha maneira, Helena sentia que aquela não seria a última vez que ela veria aquela enigmática mulher novamente.

"... Hotel Northville, Quarto Número 23 — Srtª Yang. Não conte para ninguém. Irei te ajudar a juntar seus próprios pedaços, Helena. Se você me permitir.

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