História Juntas pelo Acaso - Capítulo 11


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Swan Mills, Swan Queen, Swan-mills Family
Visualizações 618
Palavras 2.824
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Snow White.


Henry não tinha a menor ideia do que seu comentário provocaria em suas mães. Ou será que ele tinha? Independente de suas intenções, o garoto plantou a ideia na cabeça das duas. Evitando trocar olhares e palavras durante o resto da noite, tanto Emma quanto Regina foram para a cama com uma pergunta em mente: E se..?

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Emma não precisava olhar no relógio para saber que havia acordado mais cedo que o normal. Aliás, não se pode acordar sem sequer dormir. Com cuidado para não fazer barulho, a loira se arrumou e saiu de casa antes que alguém levantasse. Precisava ficar sozinha, precisava organizar seus pensamentos, ou se livrar deles. O que fosse mais fácil. Depois de parar no Granny’s para comprar café da manhã, dirigiu para a delegacia. 
          Todo o esforço que fazia para equilibrar seu café e rosquinhas quase foi por água abaixo ao entrar e ver Mary Margaret sentada em sua mesa. Ela respirou fundo a fim de se recuperar do susto para só então falar.

– Bom dia. - cumprimentou ainda ofegante. - Porque ta sentada na delegacia parecendo um fantasma?

Mary sorriu e foi até ela.

– Seu irmão acordou cedo demais hoje, resolvi dar uma volta. - ela pegou a sacola da mão de Emma e colocou em cima da mesa. - Como eu sabia que você vinha pra cá, passei pra dar um “oi”.

– Certo. - a loira deu um sorriso sem jeito e encolheu os ombros.- Desculpa, eu só me assustei porque não esperava ver ninguém aqui.

A xerife tomou um gole de café, tentando ignorar o olhar da morena sobre si. Sabia que estava sendo estudada.

– Emma? Está tudo bem?

– Aham. - respondeu, indo até o carrinho de bebê. Sorriu para o irmão e então virou-se para a mãe. - Só tive uma noite ruim, não dormi bem.

– Você sem dormir? - disse rindo. - Deve ser uma preocupação e tanto.

– Você não faz ideia. - sussurrou mas não baixo o suficiente para não ser ouvida. Snow franziu a testa, mas não comentou aquilo. Ela observou em silêncio Emma ajeitar as sacolas e pegar uma rosquinha para comer.

– Então, como vão as coisas? Como estão Regina e as crianças? - a pergunta pegou Emma de surpresa. Não a pergunta em si, só a parte de “Regina e as crianças”. A loira parou de comer e colocou a rosquinha de volta no pacote.

– Sabe, essa não é uma forma legal de se referir a eles… - Snow a encarou sem entender. Emma revirou os olhos.

– Pode passar a impressão errada sobre nós e… - ela se calou ao ver a confusão no rosto da mãe. - Deixa pra lá. Estão todos bem. Aliás, pode começar a chamar de Henry e Elsa Swan-Mills.

A xerife disse com um sorriso orgulhoso e depois riu da expressão de surpresa da mãe.

– Como? - perguntou também sorrindo, se sentando em um cadeira de frente para a de Emma.

– Isso mesmo. - assentiu, voltando a comer a rosquinha. - Regina recebeu ontem os documentos da adoção de Elsa e fez essa surpresa pro Henry. Você tinha que ver a alegria do garoto.

Snow sorriu ao ver como os olhos de Emma brilhavam ao falar.

– Pelo visto não foi só ele que ficou feliz, não é?

Emma olhou para baixo ao encolher os ombros, um pouco envergonhada. Mas não conseguia deixar de sorrir.

– Eu só… Eu não esperava por isso, eu acho.

– Acho que ninguém esperava. - as duas riram. - Mas você sabe que desde que você entrou na vida do Henry, vocês duas passaram a dividir o título de mãe. Fico feliz que tenham oficializado.

– Regina fez isso. - frisou. Snow arqueou uma sobrancelha ao notar o tom diferente na voz de Emma. Algo parecido com admiração, talvez.

– Não tem ninguém mais feliz com isso do que Henry, acredite. - a loira brincou, tomando um gole de seu café.

As duas ficaram em silêncio por um segundo, e Mary notou a mudança no semblante de Emma.

– Emma, querida, o que foi? - perguntou ao ver a filha seria. - No que está pensando?

Emma hesitou, pensou em mudar de assunto e deixar aquilo pra lá. Mas a preocupação nos olhos verdes de sua mãe a comoveu. Além disso, estava se acostumando com isso de ter uma família para dividir as coisas.

– Eu to preocupada com o Henry. - confessou, olhando para o copo de café. Mary esperou ela continuar.

– Acho que talvez ele possa estar criando expectativas demais.

Snow assentiu, e se inclinou um pouco mais na cadeira, curiosa.

– Que tipo de expectativas?

Emma deu de ombros. Não podia dizer que Henry via ela e Regina como um casal. Sua cabeça doía só de pensar naquilo. E mesmo assim, não fizera outra coisa durante toda a noite. Ela suspirou e tentou amenizar, falando sobre outro assunto que a preocupava.

– Bom, eu não vou ficar morando com eles pra sempre. Ele vai ficar desapontado quando eu sair de casa.

Mary arqueou uma sobrancelha. Sabia que Emma não estava dizendo tudo. Mas também não esperava que a filha o fizesse. Já estava surpresa por terem iniciado aquela conversa. A morena mexeu no carrinho de Neal casualmente antes de voltar a olhar a xerife.

– E as expectativas dele se resumem a com quem ele vai morar? 

Emma deu de ombros mais uma vez.

– O garoto está gostando de ficar com as duas. - justificou. Mary Margaret sorriu para ela. 

– Vocês vão achar um jeito de esclarecer tudo e vai dar certo, Emma.

A loira sorriu, um pouco mais calma. De certa forma, as palavras de sua mãe se adequavam à sua verdadeira preocupação. Parecia até que… Seus pensamentos foram interrompidos por Snow, que se levantou e foi até o carrinho de bebê.

– Eu já vou. Passei apenas para te ver. - disse, se despedindo da filha com um abraço. - Vamos tentar jantar todos juntos hoje?

– Parece bom pra mim. - sorriu acompanhando a mãe até porta.

– Eu te ligo.

Snow disse já saindo da delegacia. Ela caminhou até a esquina e entrou na rua que levava a casa de Regina. Alguma coisa estava acontecendo, alguma coisa estava mexendo com Emma, ela já havia reparado isso antes. E se a xerife não iria contar, Snow decidiu teria que descobrir por outra pessoa.

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Quando Emma saiu de casa, não tinha a intenção de acordar ninguém, mas acordou. Regina xingou mentalmente a loira de todos os nomes possíveis quando ouviu Elsa chorar. Depois de passar a noite em claro pensando no inadequado comentário de Henry, a morena achou que pudesse dormir um pouco pela manhã. Mas mesmo com seus planos frustrados, ela não iria desistir tão fácil.

Não demorou muito para que Regina conseguisse fazer Elsa dormir de novo. Ela levou a menina para seu quarto e aproveitou para dormir ao lado dela.

Já estava se aconchegando na cama quando a campainha tocou. A morena deu um suspiro frustrado ao ver que Elsa se mexeu na cama e acordou, um pouco chorosa.

– Viu só, querida? - disse pegando a garota no colo e saindo do quarto. - Esse é o problema de ter Emma Swan nessa casa: visitas.

Enquanto descia as escadas, Regina ouviu a campainha tocar de novo. Ela bufou nervosa, o som fazendo sua cabeça latejar.

– Já estou indo. - disse em voz alta, sem gritar. - Espero que seja alguém morrendo porque senão...

Ela parou de falar ao abrir a porta. Seus olhos se estreitaram enquanto ela encarava a outra mulher em silêncio.

– Você! - Regina disse entre os dentes, num tom ameaçador. O sorriso de Mary Margaret se desfez e ela franziu a testa.

– Eu o que? - perguntou sem entender, dando um passo para trás. - O que foi que eu fiz, Regina?

– O que você fez? - repetiu irritada, avançando em direção a mulher. - Você vestiu minha filha de Branca de Neve! - acusou. Snow riu mas parou ao perceber que a prefeita estava realmente irritada com aquilo.

– E ela ficou linda. - disse voltando a sorrir. Regina tentou pensar em alguém mais irritante que Snow e desistiu: era impossível que existisse alguém assim.

– Você só pode estar brincando comigo. - murmurou, tentando deixar o assunto de lado. Não estava com humor para discutir. A prefeita revirou os olhos antes de falar. - O que você quer, Mary Margaret? Emma está na delegacia.

– Vim conversar com você. - disse empurrando o carrinho e entrando na casa. Regina a olhou sem acreditar.

– Sinta-se a vontade. - disse debochada ao ver que a ex enteada já se sentava no sofá. Colocou Elsa no cercadinho e andou até a cozinha. - Quer beber alguma coisa?

– Um café está bom. - respondeu educada. Snow viu Elsa começar a chorar e a pegou no colo para tentar acalmá-la, mas não teve sucesso. A menina só ficou mais agitada ao ver Regina voltar para a sala. A prefeita colocou a bandeja sobre a mesa de centro antes de pegar Elsa do colo de Snow.

– Manhã difícil, né? - A professora adivinhou ao ver a expressão cansada de Regina. A morena assentiu.

– Não dormi bem. - explicou enquanto se sentava ao lado de Mary, que arqueou uma sobrancelha ao ouvir aquilo.

– Também? - Regina a olhou sem entender. - Passei na delegacia e Emma estava estranha, fiquei preocupada com ela.

– Eu não a vi hoje. - confessou se mexendo nervosamente no sofá. - Estranha como? Ela disse alguma coisa?

– Disse que estava preocupada com Henry. - Snow notou a mudança na postura de Regina, que parecia incomodada. - Aconteceu alguma coisa em especial?

– Talvez. - a prefeita disse, desviando sua atenção para Elsa que queria descer do colo. Ela pôs a menina no chão antes de se virar para Snow.

– Porque está perguntando para mim ao invés de perguntar para sua filha? - a professora sorriu da tentativa de mudar de assunto. Regina revirou os olhos ao vê-la sorrindo. - Algo me diz que você pensa que somos amigas.

– Você praticamente foi minha mãe, Regina. - Snow lembrou com um sorriso doce.

– E você diz isso assim? - debochou com uma risada. - Sua memória deve ser muito seletiva porque eu não sinto vontade de sorrir ao pensar naqueles tempos. Ou isso ou você é masoquista mesmo.

Snow riu e tomou um gole de seu café antes de falar.

– Eu só acho mais fácil falar sobre Henry com você do que com a Emma. Você o conhece melhor. - disse dando de ombros. Ela viu Regina arquear uma sobrancelha e prendeu uma risada. O jogo estava ganho.

– Obrigado. Isso é verdade. – Regina disse agradecida por alguém enxergar o que é óbvio. – O que Emma falou sobre meu filho? – Perguntou, embora prestasse atenção em Elsa que andava pela casa. Snow terminou o café e deu de ombros.

– Ela acha que Henry pode estar criando expectativas demais. Em relação a vocês.

Regina arregalou os olhos.

– Como... Como assim em relação a nós? – gaguejou nervosa.

– Não sei... O que ele acha de vocês morando juntas?

O tom de voz de Mary irritou Regina. Ela sentiu que estava sendo analisada e odiava isso. Odiava a ideia de alguém ver algo que ela queria esconder.

– Achei que o terapeuta da cidade fosse o Grilo Falante. – disse áspera, ao que Snow revirou os olhos. Elsa foi até Regina, interrompendo a conversa.

–Mamãe Gi, cadê? – Els perguntou, estendendo as duas mãos como quem diz que não achou. Snow sorriu encantada. Aquela menina era a criança mais fofa que ela já tinha visto.

– Cadê o que, querida? O que você está procurando?

– Mamãe Em.

– Ela saiu pra trabalhar e depois volta pra casa, ok?

Ela assentiu e pensou um pouco. Regina esperou pacientemente a próxima pergunta, mas para sua surpresa a menina simplesmente voltou a brincar. A prefeita então voltou sua atenção para Snow.

– Eu gosto de ver como vocês estão lidando bem com isso de ficarem juntas e cuidar das crianças.

Aquele comentário mexeu com Regina. Provavelmente o gatilho foi a expressão “ficarem juntas”.

– Henry acha que Emma e eu parecemos um casal. – disse de uma vez só, pegando fôlego ao final da frase. Snow demorou alguns segundos para assimilar aquilo. Enquanto Regina provavelmente levaria a vida inteira se perguntando o porquê de ter contado.

– Não me surpreende que ele pense isso. – Mary falou depois de um silêncio que parecia interminável. Regina não acreditou no que estava ouvindo. Ela abriu a boca para falar, mas Snow continuou: - O que me surpreende é que isso deixe vocês tão perturbadas.

Regina a encarou completamente atordoada.

– Você é louca? Quero dizer, louca de verdade?

Snow bufou.

– Posso falar?

– Não tenho certeza se quero ouvir. – disse fazendo bico. – Algo me diz que vai ser pior que ouvir um discurso sobre esperança.

– Regina, eu sei que é um assunto complicado e constrangedor. – começou, seu tom de voz era o de alguém que falava com uma criança, mas Regina prestava atenção. – Mas ver você e Emma juntas é a realização de um sonho pro Henry. Acho que ele só ficaria mais feliz se o pai estivesse aqui e fosse amigo de vocês.

– Argh. Nem em outra vida. – murmurou e esperou Mary continuar.

– Enfim, acho que Henry só está tendo dificuldades de expressar os cenários que estão em sua mente, sabe? Ele associou a ideia de família com a ideia de casal.

Regina ficou em silêncio por um momento, pensando naquilo.

– Você acha que... – ela hesitou e deu um sorriso contido. A felicidade e incerteza na voz dela fizeram Snow se lembrar da Regina que conheceu.– Nós somos uma família? Quer dizer, para o Henry? Será que ele nos vê dessa forma?

– Vocês são. Ele não é único que consegue enxergar isso, acredite. – assegurou, repousando a mão no joelho de Regina de forma carinhosa. Então deu de ombros, tentando amenizar o clima emotivo que a conversa tomou. Sabia que a ex madrasta não se sentia a vontade com isso.

. – Não acho que vocês devam se preocupar com as ideias de Henry. – ela parou, arqueando uma sobrancelha. – A não ser que elas tenham fundamentos.

Regina balançou a cabeça rapidamente, negando aquela loucura.

– É claro que não tem. – disse decidida, embora sua voz tenha vacilado no final. – Você tem noção do absurdo que está falando?

– Tem razão. Um absurdo. – concordou com uma falsa seriedade que não passou despercebida por Regina.

A prefeita se calou tentando organizar a confusão que estava sua mente. Ela estava ficando louca ou Snow White estava insinuando alguma coisa sobre sua filha e a Evil Queen? Estava louca, era isso. Definitivamente era culpa da noite mal dormida.

– Então... – Mary disse de repente, assustando Regina ao tirá-la de seus pensamentos. – Que bom saber que não há nada para se preocupar com Henry, não é?

Regina apenas sorriu e assentiu em resposta. Snow deu um sorriso de canto ao ver como a ex madrasta estava pensativa. Ela diria até um pouco perturbada.

– Fico feliz em conversar com você, Regina. Por incrível que pareça, é mais fácil do que conversar com Emma.

Regina disfarçou o pequeno sorriso que surgiu em seus lábios e revirou os olhos ao se levantar.

– Por favor, me poupe dessa sua gentileza. Me da náuseas. - reclamou enquanto pegava a xícara de Snow e levava até a cozinha, seguida por sua ex enteada e Elsa.

– Mamãe! – Elsa chamou, puxando a calça do pijama de Regina. – Colo! – pediu, esticando os braços para que a morena a pegasse. Snow encostou no batente da porta e esperou Regina terminar de dar atenção à Elsa para falar.

– Ah, já ia esquecendo: vou fazer um jantar para a família hoje, lá em casa. Já falei com a Emma.

– Tudo bem. Nos vemos hoje a noite. - prometeu, com um sorriso. Mary sorriu de volta antes de voltar para a sala e pegar o carrinho de bebê.

Regina a acompanhou até a porta.

– Regina, eu só acho que você não deveria pensar demais. - Snow aconselhou antes de sair. Regina estreitou os olhos.

– Perdão?

– Henry. Estou falando de Henry. - disse divertida. - O que você pensou que fosse?

A prefeita riu sem jeito e desconversou.

– Pensei que fosse sobre a dúvida que tenho: queimar ou não queimar uma certa fantasia. - implicou, ao que a outra mulher revirou os olhos e riu.

– Até mais tarde, Regina.

– Até mais tarde. - respondeu antes de entrar em casa e fechar a porta atrás de si.

Já em seu quarto, Regina ligou a tv para Elsa e então se jogou de costas em sua cama. Repassou em sua mente a conversa estranha com Mary Margaret e mais uma vez se perguntou se estava ficando louca.

– Não pensar demais. - repetiu o conselho em voz alta para si mesma. Fez isso mais duas ou três vezes, todas em vão.

Pensar e repensar sobre a estranha relação que tinha com Emma Swan seria a única coisa que Regina conseguiria fazer pelo resto do dia.



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