História Juntos no azar (Vhope) - Capítulo 6


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jung Hoseok (J-Hope), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Comedia, Drama, Hoseok, J-hope, Romance, Side!yoonmin, Taehyung, Vhope, Yaoi
Visualizações 53
Palavras 3.388
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Muito obrigada pelos favoritos e comentários!!! aaaa será que eu consigo chegar a 200 algum dia? Seria um sonho kkkk
Espero que gostem do capítulo <3

Capítulo 6 - O azar de receber meus pais em casa


Anteriormente, em Juntos no azar…

 

Será que tinha como o dia ficar mais estranho?

Ah, espera. Tinha sim.

Meus pais.

 

*~*

 

— Ommo. O que houve, Hoseok-ah? Se você tocar em uma vassoura suas mãos caem, por acaso? — Foi a primeira coisa que minha mãe disse ao entrar no meu apartamento e deixar seus sapatos na entrada enquanto meu pai me dava um abraço de urso.

Deu vontade de responder que “Sim, elas caem”, mas eu não deveria dar corda à minha mãe em discussões. Ela sempre achava um jeito de me deixar culpado ou constrangido. Apertei mais um pouquinho a fofura do meu pai e dei um abraço nela também.

— Fico feliz que tenham chegado bem. Desculpa a sujeira, estou tendo pouco tempo livre. — Até porque eu usava boa parte dele para pensar em Taehyung enquanto olhava e ria para o céu.

— Hoseok-ah. Ligamos para você mais cedo para avisar que estávamos chegando, mas você não atendeu. — Minha mãe estava com as mãos em meus ombros, literalmente me olhando de cima abaixo como se não me visse há anos.

Meu pai estava do lado dela, sorrindo.

Eles não eram pessoas ruins. Na verdade, eu fui criado muito bem e com muito amor. Mas os dois tinham muita presença, do tipo que se eles estão em uma multidão, fazem tanto barulho e conversam com tanta gente que seria bem fácil achá-los. Meu pai pegou a mania da esposa de falar o que vem à mente e ela pegou a mania do marido de fazer amizade até com quem está na fila de espera. Eu não tinha nenhuma dessas características e meio que não me adequava a eles, mas éramos família e não se dá as costas para família se há amor.

— Eu derrubei café em mim na hora. — Afastei o blazer e mostrei a mancha marrom na minha camisa branca. Eles chegaram cinco minutos depois de mim; nem tive tempo de trocar de roupa. — Não deu para prestar atenção à ligação.

Meu pai riu. Ele era assim; sua resposta espontânea para quase tudo era uma risada.

— Que azar, Hoseok-ah. Não se queimou?

— Óbvio que me queimei.

— Filho, tem certeza que você já saiu da adolescência? — minha mãe perguntou.

Coloquei a mão na testa e inspirei fundo.

— Não começa, mãe.

— Ah, ótimo. Agora eu sou a culpada.

Olhei para ela, que estava com as mãos na cintura. Percebi que seus cabelos estavam mais cinzas do que a última vez que a vi.

— Não, mãe. Não foi isso que eu quis dizer.

Meu pai entrou no espaço entre nós dois e sorriu. Ele era o homem mais paciente do mundo e se casou com a mulher que mais precisava que as pessoas tivessem paciência com ela. Perfeitos um para o outro.

Dava até inveja.

— Bem, não vamos brigar. Só faz três minutos que estamos aqui. Hoseok-ah, trouxemos muita comida. Que tal você e eu prepararmos o jantar especial dos homens Jung?

Apesar do nome ridículo, eu adorava cozinhar com meu pai. E minha mãe baixou o escudo passivo-agressivo dela para sorrir também.

— Ótima ideia. Vocês fazem o jantar e eu vou dar uma saída. Preciso comprar umas coisas na rua.

— Hoje, querida? Ainda vamos passar dois dias aqui.

— Sim, hoje. Eu vi uma promoção no caminho para cá e quero aproveitá-la. Vocês não precisam de mim aqui, precisam?

Encarei meu pai. Nós dois entramos em um acordo visual de que era melhor não ter ela por perto dizendo, por exemplo, que o jeito certo de pegar sopa é com uma concha sendo que era exatamente isso que íamos fazer.

— Boas compras, mãezinha.

Quando ela saiu, meu pai aproveitou a chance para contar uma de suas histórias fascinantes de ser dono de uma pousada na praia. Aliás, foi por causa dessas histórias que eu escrevi o artigo que o editor-chefe gostou tanto a ponto de me dar a oportunidade de escrever o artigo da capa.

— Então um rapaz disse que iria fazer xixi sobre a queimadura dela para aliviar! Eu quase não cheguei a tempo de impedi-lo.

Bufei.

— Imagina você se queimar com água-viva e vir um idiota querer mijar em você. — Eu imaginei a cena e comecei a rir. — Coitada da garota.

— É um grande equívoco achar que urina alivia queimadura. Ainda bem que eu expliquei tudo antes que ele baixasse o calção!

Ele gargalhou e terminou de colocar o último prato na mesa, então nos afastamos para juntar as coisas na pia e esperar pela mãe.

— Você sempre foi bom em salvar dignidades, pai. Isso me lembra da vez que eu fiz xixi nas calças no meio do parquinho quando criança e você jogou o suco da garrafa em cima de mim para esconder o molhado. Virou meu herói naquele dia.

— Já sua mãe ficou horrorizada! — A risada do meu pai era muito escandalosa e eu me encolhi com dor no ouvido.

Antes que eu pudesse dar outro motivo para ele tentar estourar meu tímpano, minha mãe entrou no apartamento chamando nossos nomes, mais animada que o normal. Então veio a surpresa surpreendente (redundância porque sim): estava com ela ninguém mais ninguém menos que Kim Taehyung.  

Taehyung estava ali. Na minha cozinha! Com minha mãe arrastando ele pelo braço, toda sorridente.

Até parei de secar o pequeno prato que eu segurava tamanho foi meu choque.

Não me entendam mal; sempre é uma boa hora para olhar para Taehyung. Mas com meus pais por perto nunca se sabia quando as coisas poderiam sair do controle.

Fiquei com um pouquinho de medo, mas como eu estava sem sombras de dúvidas caidinho por ele, sorri como se eu mesmo tivesse o convidado. Já ele parecia muito deslocado.

— Hoseok-ah, achei esse rapaz no elevador e ele me disse que é seu amigo! Então o convidei para jantar conosco.

Não conseguia nem imaginar que tipo de diálogo minha mãe teve com Taehyung para que ele chegasse a dizer que era meu amigo e depois fosse convidado até ali. Era realmente um mistério como ela conseguia fazer isso.

— Oi, Hyung — Taehyung sorriu e acenou para mim.

E o prato caiu das minhas mãos.

Hyung…

Hyung…

Hyung…

— Ommo! Hoseok-ah, por que derrubou o prato? — Sei lá quem disse isso, só sabia que o Taehyung tinha me chamado de Hyung. Era a única coisa que eu sabia sobre o Universo naquele momento.

— Jung Hoseok! — Senti um tapa no meu braço.

— Ai! Mãe!

— O que foi, menino? Parece até que viu um fantasma. Agora o chão está cheio de cacos.

Olhei para ela, para o chão, para Taehyung, para meu pai e depois para o chão de novo.

— Foi mal — disse e me abaixei para catar os cacos. Nem sabia porque ou para quem estava pedindo desculpas, mas, né… Taehyung me chamou de Hyung.

De repente vejo ele se abaixar e me ajudar a limpar. Não pude deixar de admirar suas mãos mais uma vez e ficar embriagado pelo seu perfume. Aquilo estava ficando perigoso para meu coração. Mas eu ia parar? Óbvio que não.

— Desculpe — ele disse, um sorriso envergonhado no rosto. — Se eu estiver atrapalhando a noite com sua família, posso ir embora.

— Não — me apressei em responder, chacoalhando a mão no ar. — Não está atrapalhando. Fico feliz que esteja aqui.

Antes que minha mãe nos chamasse logo para a mesa, eu vi de relance um expressão muito satisfeita no rosto de Taehyung, que, admito, me fez pensar besteira. Eu já estava com umas ideias loucas desde aquela madrugada, quando ele me salvou do meu medo, aí de repente ele me chama de Hyung e vem com essas carinhas bonitinhas para cima de mim como se estivesse flertando. A mente criativa no meu cérebro estava sobrecarregando!

Mas por fora eu estava na paz.

Jogamos os cacos no lixo e fomos sentar; minha mãe de frente para meu pai e eu de frente para Taehyung.

Não previ aquele imprevisto e só podia torcer para que eles não acabassem com minhas chances com Taehyung antes mesmo de eu ter alguma.

— Qual seu nome mesmo, rapaz? — meu pai perguntou.

— Kim Taehyung. Eu sou vizinho do seu filho; moro exatamente aqui do lado. Hoseok Hyung sempre foi muito gentil comigo.

— Aposto que ele foi. — Minha mãe me olhava com uma expressão sugestiva demais.

É, meus pais sabiam da minha orientação sexual. No começo foi difícil para eles lidar com aquilo, mas depois que os anos passam humanos são capazes de se acostumar até com membros extras, por que não com um filho gay?

Pigarreei para ela, como sinal para que não falasse demais.

— E o que você faz da vida, Taehyung-shi? — ela me ignorou e focou nele.

Mas eu percebi na hora o quanto ele ficou desconfortável com a pergunta dela e entrei em ação.

— Mãe, não vamos transformar nosso jantar de reencontro no interrogatório do meu vizinho.

“Por favor, Deus que eu não sei se existe, que um dia eu pare de chamar Taehyung de meu vizinho e possa chamá-lo de meu namorado. Amém.”

Ela me olhou por um tempo e deu de ombros.

— Tudo bem. — E então se concentrou em sua comida.

Suspirei. Típico de um passivo-agressivo fugir de argumentação e expressar raiva indiretamente.

— Querida, não está boa a comida? — meu pai interveio para animá-la.

Eu lembrava de um tempo que ela respondia essa pergunta do meu pai com “Para um homem que só aprendeu a cozinhar depois de velho, está ótima”. Mas com a perpetuação do casamento, a inveja dela de não cozinhar tão bem quanto ele se tornou admiração.

— Está muito gostosa. Você sempre coloca tanto amor nas suas comidas, Sanghun-ah.

Minha meta de vida é olhar para meu parceiro com aquele mesmo olhar de paixão da minha mãe depois de quase três décadas casado. Mas infelizmente o maior relacionamento que eu tive foi de um ano e eu nem mesmo gostava de lembrar dele.

— Está boa mesmo — Taehyung concordou, cobrindo a boca com a mão para falar.

— Eu ajudei — falei, ávido para ser o foco dos seus elogios. — Meu pai me ensinou tudo que sei sobre comida.

— Sério? Jurava que não sabia cozinhar, já que sobrevive de macarrão instantâneo.

Sorri, meio envergonhado.

— É que eu chego cansado demais para ficar duas horas no pé do fogão.

— Faz sentido.  

— Viu, querido! — minha mãe praticamente gritou, me assustando. — Eu disse para você que ele estava se entupindo de comida de loja de conveniência.

— Sim. Ainda bem que trouxemos comida do restaurante.

— Ah, lá vem vocês com essa história… — reclamei.

— Mas não é por que você vive sozinho que deve deixar de se cuidar. — A voz dela devia ter subido uma oitava. — Onde já se viu um jovem com a vida toda pela frente se encher dessas coisas que causam câncer.

— O quê? Onde você viu isso?

— Ela leu em algum lugar — meu pai respondeu.

Revirei os olhos.

— Em primeiro lugar, elas não causam câncer. Elas só aumentam o risco.

— E como isso pode ser melhor?!

— Não grita, mãe.

Olhando de soslaio, pude ver Taehyung morrendo de rir de nós dois. Suas bochechas estavam vermelhas do tanto que ele segurava o riso.

Bem, talvez aquela noite não fosse ser um desastre afinal de contas.

 

*~*

 

Assim, bem naturalmente (nota-se meu sarcasmo), meus pais decidiram dar uma caminhada à luz da lua depois do jantar. Nem pareceu que eles queriam me deixar a sós com Taehyung. Nem pareceu.

Mas, enfim, amei eles por isso.

Taehyung e eu nos sentamos no sofá da sala, com os estômagos cheios e felizes, e sorrimos um para o outro. Sério, a melhor coisa que aconteceu desde aquela visita ao parque abandonado, tirando a parte da visita em si, foi a tristeza de Taehyung sumir. Eu sentia que essa era toda a sorte que eu precisava.

Ai, eu estava tão poeta. Taehyung fazia maravilhas ao meu ser.

— Seus pais são muito divertidos — ele disse, largado no sofá na mesma posição que eu, virando apenas a cabeça na minha direção. — Fico feliz da sua mãe ter me chamado para jantar com vocês.

— Ela não fez nenhuma pergunta estranha a você no elevador, fez? Ela tem muito disso.

Taehyung riu.

— Não. Achei ela um amor. Agora sei a quem você puxou.

Eu não estava tão poeta quanto achava porque a melhor analogia que consegui pensar para o que senti naquele momento foi ter o coração estrangulado por algodão-doce de arco-íris. Era isso que Kim Taehyung causava na minha mente.

Fiquei parado, subitamente com vergonha. Estava parecendo muito um flerte. Pareceu tanto que eu quase disse obrigado enquanto olhava para o chão e colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha. Mas eu não fiz isso, claro. E enquanto nós dois não sabíamos o que dizer depois daquilo (porque pela a graça de todas as bênçãos divinas Taehyung estava envergonhado também) só nos encaramos.

Era prazeroso olhar para o rosto dele. Meu Deus, o quanto eu precisei me iludir para chegar aquele ponto? Já não havia mais volta. Ter que segurar minhas mãos para não puxá-lo e beijá-lo doía fisicamente. Foi quando eu notei um grão de arroz em sua bochecha e sem pensar direito estendi a mão para tirá-lo. Mas Taehyung fechou os olhos. Ele não estava só piscando devagar e também não parecia que algo caiu dentro de seus olhos. Ele simplesmente os fechou, como se estivesse indo dormir ou recebendo um carinho ou… esperando um beijo.

No fundo eu sabia que o que eu supostamente deveria fazer em momentos milagrosos como aquele era aproveitar a chance corajosamente e depois sofrer as consequências com a cabeça erguida. Porém se eu fizesse isso, não seria eu. Então sabe o que eu fiz? Agi como um idiota. Peguei o grão de arroz normalmente e disse:

— Tinha um grão de arroz na sua bochecha.

Alguém acerta minha cabeça com um caminhão, por favor.

Taehyung abriu os olhos, piscou repetidas vezes como se estivesse se situando, viu o grão de arroz que eu segurava e riu nervosamente.

— Ah! Ah, entendi. Um grão de arroz.

— É, um grão de arroz.

“Rimos” até gradativamente ficarmos calados. Eu olhei para o grão de arroz na ponta do meu indicador como se ele fosse meu celular que deixei cair na privada.

Mas espera!

Eu não aproveitar a chance ao menos significa que eu tive chance, certo? Isso se considerarmos que Taehyung realmente estava esperando um beijo meu, o que parecia absurdamente irreal porque eu não vivia em um conto de fadas para que o príncipe estivesse loucamente apaixonado por mim também. Se Taehyung era o príncipe, isso fazia de mim a princesa? Ou não, talvez ele fosse a princesa e eu o sapo. Se bem que com o filme da Disney da princesa e do sapo, quando eles se beijam a princesa vira um sapo também e isso é de certa forma bizarro. Eu gostaria de Taehyung mesmo se ele se transformasse em um sapo? Afinal, quais são os limites do amor?

— Ahn… Hyung? Você está com uma cara esquisita.

Me sobressaltei, percebendo aonde meu raciocínio tinha ido, e olhei meio assustado para ele.

— Desculpa, eu viajei. Você disse alguma coisa?

Taehyung sorriu e negou com a cabeça. De repente, ele estava muito mais sedutor do que normalmente era, como se estivesse fazendo de propósito. Então tudo passou a se mover em câmera lenta. A franja do cabelo loiro caindo em parte sobre os olhos fixados em mim e a cabeça levemente inclinada para o lado em uma clara tentativa de fofura. Ele mordeu o lábio inferior e o soltou devagar da mordida, deixando rosado e molhado. O vi segurar minha mão direita e levá-la para perto de si. Meu indicador continuava esticado com o grão de arroz na digital e Taehyung abriu levemente a boca e colocou meu dedo dentro.

Hora da morte: 20:12.

— Ahn… Hyung? Você está com uma cara esquisita.

Olhei para o lado (de novo?), com os olhos esbugalhados. Quando percebi o que tinha acabado de aconteceu, me levantei do sofá com as duas mãos na cabeça.

— O quê?! Eu imaginei tudo isso?!

— Imaginou o quê? Você está bem?

Murchei e me joguei no sofá de novo. Claro que eu tinha imaginado. Estava bem ali no chão o grão de arroz que tirei da bochecha dele. Como se Taehyung fosse ser sedutor e colocar meu dedo na boca dele.

Já não tinha mais o que dizer além de eu estava completamente louco. Sonhar acordado daquele jeito com Taehyung do meu lado era suicídio amoroso. Não queria nem imaginar que caras eu tinha feito.

— Está passando mal, Hyung? — Senti a mão de Taehyung no meu ombro. Queria segurá-la e levá-la ao meu rosto. Deixar seu calor me invadir.

Olhei para ele, e sabia que eu aparentava uma tristeza enorme, porque certas emoções dá para disfarçar, mas não as que transbordam. Taehyung pareceu muito surpreso. Ouso até dizer petrificado. Tirou sua mão do meu ombro e a manteve no ar, sem saber o que fazer. Eu simplesmente esperei. Alguma coisa. Qualquer coisa.

E algo pulou na minha cara. Se tivesse sido a boca do Taehyung em outra fantasia minha eu ainda estaria no lucro, mas não foi, porque eu senti as patinhas. Meu coração parou e eu afastei o inseto enorme com minha mão, prestes a vomitar ao tocar aquela casca dura. Até ouvi o barulho dele caindo no chão. Aos meus pés e tentando fugir havia uma barata voadora, no entanto, quem voou para cima de mim não foi ela de novo, e sim Taehyung, dando um grito de horror.

Ele se enroscou no meu pescoço, encolheu as próprias pernas e escondeu o rosto na curvatura do meu ombro. E daquela vez era a mais pura realidade.

Eu reconheceria aquela reação em qualquer lugar com qualquer pessoa. Taehyung estava em pânico, gemendo como se estivesse sendo machucado. Pelo que? Por sua própria mente.

— Ela já foi? Me diz que ela já foi… — chorou, me apertando mais ainda.

Fiquei sem saber o que fazer com meus braços, minha boca e até meu cérebro, então só olhei para o chão e vi a barata entrando debaixo do móvel da televisão.

— J-já. Não está mais aqui.

Um pouquinho mais acostumado com aquela situação, eu coloquei uma das mãos espalmadas em suas costas. Ele estava tremendo, mas suspirou de alívio com minha fala. Seu coração batia acelerado na palma da minha mão.

— Você tem medo de baratas? — Medo era pouco. Aquilo certamente era uma fobia. Mas ele não respondeu. — Taehyung-ah, você está bem? Ela foi embora. Não precisa mais se preocupar.

— Ela não foi embora. Continua no seu apartamento. — Sua voz chorosa partiu meu coração.

Era sério que eu estava sendo tão patético assim? O homem que eu gostava sofria do meu lado e eu não sabia o que fazer com minhas malditas mãos? Cria vergonha na cara, Jung Hoseok.

O espírito do “macho man” desceu em mim naquele instante. Do mesmo jeito que Taehyung tinha me salvado, eu salvaria ele também. Virei o corpo o melhor que pude e passei meu braço livre por debaixo dos joelhos dele. A ação a seguir me exigiu mais força de vontade do que força dos músculos definidos que eu não tinha: levantei Taehyung, o segurando como uma princesa. Não ousei olhar para o rosto dele; eu não queria quebrar a incrível sensação de estar sendo o príncipe de Taehyung.

De alguma forma, eu tinha a extraordinária capacidade de fazer quase qualquer situação parecer algo patético, mas quando atravessei meu apartamento com ele nos braços e o deixei gentilmente na entrada, onde ficavam os sapatos, o olhar que ele me deu me fez sentir tudo menos patético.

Suas mãos permaneceram em meus ombros e como nós éramos quase da mesma altura, eu pude encarar de frente seus enormes olhos brilhantes — que sugavam qualquer infelicidade da minha alma — gratos e cheios de carinho.

Ele me puxou em sua direção e me abraçou, encostando a bochecha na minha, me molhando com suas últimas lágrimas. Senti seu corpo colado ao meu em uma posição que era tão mágica quanto excitante. Calou todas as minhas paranoias e analogias estranhas. Calou até minha respiração por um tempo. E quando eu me dei conta de que não era uma fantasia, voltei a respirar afobado e o abracei de volta, apertando sua camisa entre meus dedos.

Pareceu eterno ou apenas um segundo. Ficamos assim até meus pais voltarem, não faço ideia de quanto tempo depois.


Notas Finais


Eu sei que em alguns momentos vocês querem algo mais romântico e profundo, mas eu não posso ignorar a personalidade do Hoseok. Ele tá tentando, vai kkkk Esse final foi bem fofo
Eaí, gostaram dos pais dele? Ainda vão aparecer mais, claro. Eu to tentando focar na vida amorosa, familiar e social do Hoseok, então tenham paciência para cada uma e o amem <3 kkkkk
Hm... Taehyung tem fobia de baratas... Sinto muito por todo o mistério envolvendo ele kkkkk Mas relações são assim mesmo; às vezes a gente é melhor amigo de alguém e não sabe nem o nome dos pais da pessoa. O importante é como você se sente perto dessa pessoa, e não todas as coisas que você pode saber sobre ela.

Gostaram desse capítulo? Riram em alguma parte? Eu adoraria sabeeeeer
Por favor, favoritem se gostaram porque isso ajuda a atrair mais leitores <3
Xero e até quinta-feira que vem!


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