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História Juntos pela eternidade - Marichat - Capítulo 14


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Notas do Autor


GENTEE QUE SAUDADE QUE EU TAVAA!! Me desculpem pela demora, mas tá bem difícil ativar minha criatividade nos ultimos tempos! Acho que agora estou mais animada, porém não posso prometer nada... desculpem por qualquer erro de escrita, tomara que gostem, bjsss 😘❤❤

Capítulo 14 - Uma nova companhia


Fanfic / Fanfiction Juntos pela eternidade - Marichat - Capítulo 14 - Uma nova companhia

Depois que a Mari foi embora não sabia o que fazer. Observei enquanto ela lançava a flecha e, depois que ela saiu do meu alcance visual, continuei encarando o nada. A pequena kwami pigarreou e eu me virei para ela.

- Chat Noir, por que não vamos para a casa da Marinette?

Olhei para sua expressão inocentemente revoltada e não contive a risada.

- Ela foi embora porquê precisa encontrar uma pessoa muito importante para ela, e elas não se veem há um bom tempo.

- Mas eu também estou com saudades dela!

Eu inclinei um pouco a cabeça, ela realmente era muito diferente do Plagg, mas ao mesmo tempo igualzinha.

- Desculpe Plikki, mas hoje você vai ficar comigo... e amanhã também. A Mari sabe o que faz, com certeza ela tem um plano... Ela sempre tem.

Ela pareceu pensar, demorando-se com suas idéias. Enquanto Plikki estava desligada do mundo a sua volta, resolvi fazer o mesmo. Lembrei de tudo o que passei com Marinette para chegar até hoje.

No primeiro dia de aula, quando ela me odiava, quando fui me explicar e ela acabou dentro do meu guarda-chuva. Quando seu pai foi akumatizado e ela correu para dentro da escola na esperança de poder nos ajudar, mesmo sem saber quem estava sob o poder de Hawk Moth... mais tarde no hospital comigo e Alya e em sua casa durante a noite quando ela estava desabando com o Chat Noir, mas logo se recompôs e voltou a encarar seus problemas de frente... pensando bem, acho que ela é a garota mais forte que eu conheço.

Senti meus lábios formarem um sorriso inconscientemente, e só percebi que Plikki estava tentando falar comigo quando ela começou a gritar.

- ADRIEN! ACORDA

Me desequilibrei quase caíndo do meu bastão, me voltei para ela e fiz um sinal para que ficasse quieta.

- Hei! Ninguém pode saber que eu sou o Adrien! - Que bom que estávamos à uma distância considerável do chão, então era pouco provável que alguém tivesse escutado, mas só por precaução... - Vamos para a minha casa, lá tem comida e um lugar para descansar. Você deve estar precisando de uma boa soneca... e eu também.

Sussurrei a última parte e me preparei para partir. Puxei o bastão e em uma fração de segundo eu já estava passando sobre as casas dos parisienses. Alguns me viam, outros não, e eu acenava com a cabeça para que não parecesse mal educado.

Assim que cheguei e olhei para minha casa pensei duas vezes. Eu não queria voltar para lá. Ainda era cedo e eu não estava com sono, muito menos com vontade de me explicar para o meu pai e a Nathalie... mas os kwamis precisavam comer e descansar. Lembrei do pedaço de queijo que eu sempre guardo na jaqueta. Acho que isso daria para o Plagg e a Plikki por enquanto.

A pequena já estava com os olhos pesados de sono. Me sentei no telhado do prédio (que é na quadra ao lado da minha casa) e estendi a mão para ela, que planou lentamente e subiu em minha palma.

Plikki bocejou e eu lhe entreguei um pedaço de queijo, assim que terminou de comer fechou seus olhinhos e caiu no sono. Nem percebi quando minhas mãos se moveram para fazer cafuné em sua cabecinha, mas não parei. Ela era fofa, e com certeza devia ter uma bela história de vida, já que surgiu do nada de uma esfera mágica preta.

Encostei a cabeça em uma base de tijolos que estava por lá e comecei a observar a beleza da cidade, o cansaço era perceptível, mas tentei ignora-lo.

- Esconder garras. - Assim que o kwami surgiu não me pareceu nada bem - Plagg? O que aconteceu?

- Eu preciso... preciso da Tikki... - E desmaiou.

Só tive tempo de esticar o braço para pega-lo.

- Plagg? PLAGG?!? Ah droga! - E agora, o que é que eu ia fazer? A Mari tinha acabado de ir embora para ver sua mãe... eu preciso da ajuda dela... Não estava acreditando no que eu ia fazer, mas era o unico jeito.

Coloquei Plikki no colo e tirei o casaco, arrumando-o no chão, depois ajeitei Plagg em cima e me voltei para a outra kwami.

- Hei, Plikki?! Acorda! Eu preciso da sua ajuda.



~*~



- Marinette!! Filha, como você está? - perguntou minha mãe, puxando-me para um abraço e me esmagando.

- Bem - respondi com falta de ar.

Ela me afastou e começou a me olhar inteira, dando uma pausa na região da minha barriga e depois se voltou para mim com cara de brava.

- Marinette Dupain-Cheng! Você não está comendo ou é impressão minha? - Tentei disfarçar mas ela continuou falando. - Eu pensei que já tivessemos conversado muitas vezes sobre essa sua alimentação desregular! Vou preparar o jantar agora mesmo!

Ela me soltou, indo para a cozinha enquanto tentava achar alguns ingredientes para a comida.

Observei enquanto ela acendia o forno e colocava a lasanha congelada para esquentar. Okay, okay, eu realmente estava com fome.

- E seu pai, como ele está?

Perguntou sem olhar para mim.

Senti uma coisa ruim dentro de mim. Eu havia evitado ver meu pai desde o dia em que o Chat Noir o levou... eu simplesmente não consigo nem pensar em ver meu pai naquela cama...

- Eu não fui mais ve-lo, e os médicos ainda não ligaram para dar noticias...

Ela se virou para mim e sua cara era um misto de raiva e confusão.

- Você deixou seu pai lá? Por quê Marinette?

Eu baixei a cabeça, não havia uma resposta que iria convence-la, então resolvi dizer meia verdade, mas mesmo antes que eu abrisse a boca senti as lágrimas escorrerem. Ultimamente eu estava bem chorona...

- E-eu... só não consigo ve-lo naquele estado...

Disse e coloquei as mãos no rosto. Poucos segundos depois senti o abraço de minha mãe, e seu soluço mal escondido.

Ficamos ali até o forno apitar, anunciando que o jantar estava servido. Minhas lágrimas já haviam parado de escorrer há algum tempo, mas vi minha mãe limpar os olhos e me dar um sorrisinho sem graça antes de ir pegar nossa comida.

Arrumei a mesa e ela trouxe a lasanha. Estava com um cheiro maravilhoso. Assim que comi a primeira garfada olhei para a frente e quase cuspi a comida.

Atrás da minha mãe estava Orikko e Plikki.

Mas que merda! Será que o Chat Noir a perdeu? Mas ela também pode ter fugido...

Comi sem nem mastigar direito e me despedi de minha mãe, que também foi para o quarto alegando estar cansada, mas eu sabia que ela queria privacidade para chorar um pouco mais.

Subi para o meu quarto e Plikki estava ao lado da minha cama, enquanto Orikko planou até meu lado e me lançou um olhar preocupado. Desviei o olhar dele e só nesse momento vi Tikki deitada perto de Plikki, minha pequena companheira não me parecia nada bem.

- Tikki?? O que é que aconteceu com você?

Ela tentou abrir os olhos e levantar as mãos, mas seus braços que pareciam fracos tombaram para o lado e ela me chamou com um sussurro.

- Marinette...

Olhei apavorada para Plikki e ela me lançou um olhar com a mesma urgência.

- Mari, o Chat Noir precisa da sua ajuda.



~*~



Assim que a Plikki foi em busca da Ladybug me voltei para o Plagg e tentei faze-lo acordar. Tentei ser delicado, carinhoso, gritar, oferecer queijo e outras inúmeras coisas, mas nada funcionou. Agora eu estava ali sentado, tremendo de nervoso com ele na palma das mãos. Ele devia estar se sentindo em uma cadeira de massagem, mas isso não era coisa para eu pensar agora. Jajá a Ladybug ou a Mari iriam chegar, e eu não podia deixar que elas me vissem, ou descobririam minha identidade secreta.

Coloquei Plagg no meu casaco outra vez e comecei a andar pelo telhado, mas não encontrei nada. Estava começando a esfriar e a portinha que levava para os andares inferiores estava trancada.

Olhei para a manchinha preta em cima do casaco e senti um aperto no peito. O que aconteceu com ele? E o que é que a Tikki poderia fazer pra ajudar?!?

Comecei a andar de um lado para o outro, em busca de alguma idéia que pudesse ser realmente útil, mas nada me vinha à mente...

Sentei na extremidade oposta de onde Plagg estava e comecei a olhar para o nada. Era um beco sem saída! E o pior é que eu estou sem o Plagg aqui, comigo...

Um vazio se apossou de mim e eu comecei a olhar para o meu pequeno parceiro, quando percebu que algo se movia na minha visão periférica, dei um pulo, mas só o que eu vi foi um gato. Mas não um gato qualquer... era o gato da Mari. Reconheci-o pelo guizo pendurado na coleirinha.

O felino estava egachado, em posição de ataque, me olhando atencuosamente com aquelas pupilas finas e a íris esverdiada, mas isso durou pouco, ele logo seguiu em direção ao Plagg. No começo fiquei em alerta, com medo de que o gato o atacasse, pebsando ser um rato, mas não foi isso o que aconteceu.

Após se aproximar de Plagg, o gatinho o cheirou e deu uma lambida no topo de sua cabeça, deitando-se e embrulhando o kwami em seu pelo logo em seguida. Enfim, agora o gato era uma almofada felpuda e macia aos olhos do Plagg. Só queria saber desde quando o gato da Mari estava acostumado à kwamis, lembrando-me apenas algum tempo depois de que ela também era portadora de um miraculous.

Enquanto pensava em Orikko, comecei a observar o enroladinho de Plagg e, de soslaio ví algumas linhas pretas embaixo do meu casaco, linhas que eu só prestei atenção algum tempo depous, mas já era tarde, as rachaduras, que lembravam uma teia de aranha estavam crescendo cada vez mais.

Levantei e fui na direção deles, mas assim que dei o segundo passo para a frente e enchi os pulmões para chamar por Plagg, uma única rachadura veio em minha direção, dando origem à uma pequena núvem de fumaça cinza, quase imperceptível.

- Merda.

E o chão se foi. Me senti planando em queda livre e vi Plagg e o gato poucos metros à minha frente, o gato todo arrepiado, procurando por algo fixo para se segurar e Plagg, ainda inconsciente...



~*~



Assim que Plikki me apontou um prédio, pude ver os cabelos louros do Chat Noir. Percebi que ele estava sem o uniforme e, assim que fui desviar o olhar o chão sob eles sucumbiu. Gelei no ar e semicerrei os olhos, vendo Plagg e outra coisa também em queda-livre.

Sem nem pensar duas vezes alcancei três flechas em minha bolsa de couro nas costas e lancei, direcionando-as com a mente e mandando para os lugares certos. Senti quando duas das flechas foram agarradas, mas a terceira continuava intocada, mandei Chat Noir na direção necessárua e torci para que ele tivesse conseguido pegar o que faltava, depois me virei de costas e trouxe as flechas de volta, guardando a que havia sobrado.

- Chat Noir? - Chamei depois que soube que as flechas estavam perto o suficiente.

- Bem na hora, hein Marinette!

Soltei um suspiro de alívio e olhei para Plikki, que também parecia mais calma.

- O que faremos agora?

Ela me olhou com incerteza e coçou a cabecinha.

- Pra ser sincera, esperava que você soubesse...





Encontrei um prédio nas proximidades e nos levei até lá, sem me virar para o Chat em momento algum, mas a vontade de fazer isso era maior que eu.

- Chat, preciso que você fique com o miraculous do galo... e que entregue o Plagg para a Plikki. - A pequena planou para fora da minha zona visual e voltou carregando o kwami. Okay, agora é minha vez.

Me destransformei e Plikki entregou o miraculous para meu companheiro, assim que a transformação estava completa me virei para olha-lo, aquela falta de contato visual realmente me incomodava muito.

Ele estava se olhando de cima embaixo e, devo admitir que o estilo não tinha nada a ver com ele! Os cabelos claros se tornaram completamente coloridos, algo entre o vermelho, laranja e amarelo, e a roupa não fazia muito sentido, era uma aquarela com os mesmos tons, a máscara, completamente amarela e, os olhos que antes eram verdes claros haviam se tornado um vermelho vibrante de arrepiar os pelos, percebi que a parte branca havia se tornado uma cor meio indefinida... aqueles olhos se tornaram algo totalmente diferente, uma coisa inusitada e.. que estava olhando diretamente para mim.

- Ficou muito ruim? - Ele perguntou.

Coloquei a mão sobre a boca como quem examina uma obra de arte incomum e balancei a cabeça em negativa.

- Tá ótimo!

Ele arqueou uma sobrancelha e eu sorri sem graça, mas nenhum de nós disse nada. Então ele começou a procurar alguma coisa no uniforme (provavelmente sua arma), até que suas mãis voltaram com o que me pareciam bolinhas de gude.

Segurei o riso, soltando uma lufada de ar sem querer e ele me olhou incrédulo.

- Como assim você têm arco e flechas e eu tenho isso? - Disse apontando para as bolinhas - Isso aí é sacanagem!

Engoli o riso e peguei uma das bolinhas que flutuavam.

- Talvez não sejam bolinhas comuns... tenta fazer alguma coisa. Tipo voar, o move-las com a mente.

Ele pareceu se concentrar e, logo em seguida a bolinha voou de minha mão, voltando a planar ao seu lado. Ele então semicerrou os olhos, observando-a mais de perto.

- Ô Marinette, isso aqui não é bolinha de gude não... - Abri a boca, na intenção de perguntar o que era, mas ele moveu um dedo e eu acabei engolindo uma das bolinhas.

O gosto era horrível e eu queria muito vomitar, mas assim que aquela coisa desceu pela minha garganta, senti minha roupa sumir, sendo substituída por meu uniforme avermelhado e pude sentir o peso do arco em minhas costas.

Chat assoviou e me olhou de cima embaixo.

- O que é que foi isso? - Perguntei, incrédula.

Ele segurou outra bolinha entre os dedos e falou sem me olhar, depois semicerrou os olhos e ela se dissolveu como liquido, depois foi se tornando mais encorpada até ficar completamente sólida, formando uma pistola.

- Parece que eu posso molda-las. - Disse Chat Noir, transformando a arma em uma esfera novamente, e soltando-a para planar no ar.

- Mas será que...? - Lancei um olhar questionador para Chat Noir e arqueei uma sobrancelha

Puxei o arco de minhas omoplatas e puxei uma flecha cristalina da minha bolsa de couro, assim que a posicionei no arco ela brilhou em chamas.

- Parece que seus poderes são os mesmos.

Recolhi a flecha, que se apagou novamente, e guardei-a, mas fiquei com o arco em mãos.

- Mas, por quê os seus poderes são diferentes? Você está com o miraculous do galo... não deveria ter um arco e flecha também?

Chat olhou para o chão, pensativo, depois se voltou para mim.

- Talvez seja por nossa causa. Somos pessoas diferentes, portanto os poderes também devem ser.

Bem, realmente faz sentido...

- Então significa que se eu me transformasse com o seu miraculous eu não teria um bastão?

- Talvez... não sei. O que é que você acha de testar?

Arqueei uma sobrancelha enquanto Chat Noir curvou os dedos como se fossem garras e sugou aquela coisa de dentro de mim, levando consigo meu uniforme e meus poderes, senti uma fraqueza repentina e tombei de joelhos, mas consegui recuperar o equilíbrio antes de atingir o chão.

Assim que percebeu, Chat Noir veio em minha direção e agachou na minha frente, mas antes que ele fizesse a pergunta eu me adiantei.

- Eu tô bem Chat, acho que foi só minha pressão que abaixou...

Ele franziu o cenho, em tom de desgosto e me ajudou a levantar.

- E bom que você comece a comer Marinette. Isso pode causar problemas muito piores que algumas quedas.

Fiquei em silêncio e limpei minhas calças, até porque não ia adiantar de nada se eu discutisse com ele.

- Okay, agora será que podemos testar nossa teoria?

Assim que terminei de falar e olhei para a frente o vi com o braço estendido e uma das bolinhas bem no meio dos meus olhos.

- o que você vai querer no menu de hoje? Talvez um petit gateau! - Ele moveu dois dedos e a esfera se transformou no bolinho de chocolate e no sorvete. - Não, não... talvez Camembert? - e novamente ele a transformou.

Perdi a paciência, pegando a fatia de queijo flutuadora e comendo em três bocadas. Não era uma coisa ruim, o sabor até que é bom, mas o cheiro...

Terminei de engolir e olhei para Chat Noir, que parecia enjoado e, pelo que parecia, meio verde.

Assim que ele percebeu meu olhar, tentou disfarçar e desviou o olhar.

- Acho que agora é a sua vez.

Ele pareceu se ligar novamente à nossa realidade, e, depois de alguns segundos se concentrou e me olhou fixamente, fechando os olhos logo em seguida e movendo as duas mãos juntas.


~*~

Foi difícil transforma-la em mari-noir, parecia que eu tentava esticar borracha de pneu. Assim que a roupa parecia ter começado a se formar, a imagem desaparecia e nós voltavamos à estaca zero.

Mais ou menos na 17° tentativa, mesmo esgotado, utilizei todas as minhas forças para que funcionasse, e, no momento em que eu ia desistir, pareceu que a borracha havia se tornado massa de pão, tão maleável quanto.

Então comecei a moldar, e os olhos dela se fecharam enquanto cada centímetro de seu corpo era esculpida. A enorme trança negra como a noite tomou o lugar de suas chiquinhas, a máscara preta e o uniforme surgiram, assim como os detalhes verdes por toda a roupa, e o bastão, quase idêntico ao meu, com a única diferença de tamanho, pois o dela era menor e o verde era mais reluzente.

Só que o mais impressionante foi quando ela abriu os olhos. O tom azulado de suas íris pareceram explodir e cada detalhe verde tomou um tom tão belo quanto os proprios olhos. A última coisa a ser mudada foi o bastão, que em uma fração de segundo passou a ser algo entre o verde e o azul, mas com o preto ainda dominando.

Senti seus olhos em mim e, quando me voltei para eles, senti um arrepio na coluna. Sua pupila era fina e arredondada nas pontas, e confiança parecia exalar daqueles lindos olhos debochados.

Consegui me livrar do transe quando ela baixou o rosto para ver o restante da roupa. Ela sibilou e nossos olhos se encontraram novamente, mas agora havia algo diferente. No lugar do deboche de antes, agora eu via uma animação sem igual.

Ela parecia totalmente diferente, mais segura de si e seu rosto me lembrava aquelas garotas que botavam pra fuder em filmes adolescentes. Ela estava tão... perfeita.

Ela segurou o bastão e o girou entre os dedos, parecendo familiarizada com o objeto, depois o jogou para mim. Eu o agarrei no ar, mas parecia estranho em minhas mãos. Até que me veio algo na mente.

- Plagg?!?

Marinette também pareceu se lembrar no mesmo instante em que eu o chamei, ela se virou para trás e sua trança cortou o ar, e o bastão voou em direção à sua cintura, livrando-se de mim.

Ela nem pareceu sentir quando a arma se prendeu à sua cintura, estava ocupada demais enquanto se abaixava e se curvava sobre algo preto. O gato dela. Só alguns segundos depois reparei que haviam duas cabeças extras, percebi que era Plagg e outra kwami, lembrava a Plikki, mas não tinha tanto preto em sua pele. Ela era vermelha e haviam algumas esferas negras que apareciam em intervalos. Parecia ser a kwami da ladybug...

Avancei alguns passos e percebi que havia uma sombra ao lado da Mari, devia ser a Plikky, mas eu não parei para confirmar, meus olhos se prenderam nos dois kwamis que estavam deitados sobre o gato. Ambos pareciam pálidos e esgotados, seus olhinhos pesavam e eles pareciam conversar entre si.

Me apoiei sobre os joelhos assim que me aproximei o máximo e Marinette encontrou meu olhar, ela parecia tão preocupada quanto eu.

-... eles precisam saber - Disse Tikki, que foi interrompida por uma tosse fraquinha. Plagg se encolheu ao ouvir o som rouco de seus pulmões. - É o único jeito.

Plagg se virou para mim, quase ao mesmo tempo em que a pequena kwami olhou para Marinette, estendi minha mão e segurei Plagg, que se aconchegou em meus dedos. Ele me lançou um olhar e eu entendi. Ele queria que nos afastássemos dali. Fui até o outro lado do prédio e encostei na pequena coluna que havia ali, apenas para a antena wifi e Plagg começou a falar, em um tom de voz tão baixo e lento que tive que me esforçar para ouvi-lo.

- Vocês precisam saber quem são...

Franzi as sobrancelhas e me aproximei um pouco mais.

- Quem? Como assim Plagg??

- Você tem... que se revelar para a ladybug.

O quê?? Mas, como assim?!?

- Olha só, eu sei que você não está nada bem... eu e a Marinette vamos ajudar você e a Tikki, okay. Não se preocupe.

- Adrien, você não está entendendo... você precisa - E outra sequência de tosse o interrompeu. Eu esperei que passasde, mas não havia nenhum sinal de que isso estava préstes a acontecer.

As tosses em sequência estavam sugando todo o ar de seua pulmões, impedindo-o de respirar. Olhei para Mari, que também parecia desesperada, pois Tikki também estava tossindo feito louca.

Nossos olhares se encontraram e eu vi tanto medo em seus olhos quanto sentia em mim. Me levantei com um pulo e fui em sua direção. Ela também estava com Tikki nas mãos, e, assim que eu estava a mais ou menos três passos de distância delas, a tosse de ambos cessaram.

Eu parei no meio do caminho e nós captamos a mensagem ao mesmo tempo.

- precisamos mante-los juntos. - Dissemos em uníssono.

Ela se levantou e veio em minha direção, sem tirar os olhos da criaturinha vermelha que estava encolhida na palma de suas mãos. Assim que estávamos proximos o suficiente para nos tocar, ela aproximou suas mãos das minhas. Plagg se esticou para tocar na ponta da mãozinha de Tikki, e assim que houve contato ela despertou novamente.

Mari me olhou com certo espanto e eu me sentia exatamente como ela.

- Plikki?

- Oi Mari. - Respondeu a pequena, sem precisar pensar duas vezes.

Marinette franziu as sobrancelhas e olhou com ternura para a pequena, depois se explicou.

- Me desculpe, eu dei o nome da minha gata de Plikki também. É uma longa história, mas pode vir aqui... vou precisar da ajuda das duas.

Ela ficou meio sem graça, mas flutuou para perto de nós, sendo seguida pela gata.

Marinette me olhou como se pefisse permissão, depois desviou o olhar para Plagg. Sem fazer nenhuma cena (mesmo querendo muito), entreguei Plagg para ela, que o segurou com a maior delicadeza possível. Depois se concentrou em mim novamente.

- Vamos precisar de mais uma dessas suas bolinhas de gude...

Chat Noir trouxe as duas para mais perto, depois as segurou.

- É só pedir, My Kitty.

~*~


- psi psi psi, quietinha plikii... quietinha gatinha. - Olhei para Marinette, ela parecia ansiosa, mas ao mesmo tempo nervosa. - Tem certeza de que quer fazer isso?

Ela assentiu.

Me virei para a gata, que estava encurralada, mas nada assustada. Respirei fundo e lancei uma das bolinhas.

Atingiu em cheio sua boca quando estava bocejando e desceu pela garganta. Ela se levantou e parecia tentar vomitar aquele objeto estranho que havia se alojado em seu estômago. Estalei os dedos e pensei DURMA. E ela apagou. Sua cabeça caiu sobre as patinhas e seu ronronar era audível.

- Okay, agora precisamos ir aos poucos. Não sabemos se vai ser doloroso para ela...

Juntei minhas mãos na frente do corpo, e enquanto elas iam se afastando, o corpo de Plikki ia mudando de forma, abri meus braços ao maximo e parei. Ela parecia uma coisa muuto bizarra, indefinida...

Encontrei o olhar preocupado de Marinette, mas ela acenou com a cabeça para que eu continuasse.

Voltei a mover meus braços, desta vez os girei no sentido horário, depois entrelacei minhas mãos e as expandi com apenas um movimento, baixei meu braço esquerdo, para que ficasse junto com o direito e me mantive assim.

Plikki agora estava completamente diferente. Irreconhecível. Seu corpinho peludo fora substituído pelas curvas femininas de uma mulher, suas orelhas se tornaram um cabelo tão negro quanto o de Marinette, porém eram mais curtos, mais específicamente na nuca. Seus cílios cumpridos formavam uma sombra es suas maçãs do rosto e suas sobrancelhas eram perfeitamente desenhadas. Ela era magra, mas não demais, na medida certa, tinha uma pele morena-clara, e parecia estar em um sono muito, muito profundo. Resolvi acabar com isso e saltei o mais alto possível, com o punho na frente ao voltar, e assim que meu soco atingiu o prédio, senti sua respiração ofegante.

Eu sabia que ela não estava vestida, então antes que seus olhos se abrissem, formei uma roupa simples, mas ao estilo agreste. Um vestido vermelho florido, com a parte de trás mais cumprida, um tênis all star e alguns adereços nas mãos, pulsos, pescoço, tornozelo e orelhas.

Seus olhos verdes se abriram, parecendo totalmente diferentes dos olhos de felino de antes, ela parecia mais... conciente.

Dei um passo adiante, mas senti o toque da Marinette em meu ombro, me virei e encontrei um olhar que dizia "não tão rápido".

Voltei para trás e esperamos que ela se recuperasse. Ela olhou primeiro em volta, depois seu olhar se fixou em mim.

- Você!

Meu coração tropeçou enquanto a garota se levantava, apoiando-se em algo que eu não ví o que era.

- E-eu? O que é que...

Ela se lançou em minha direção e caiu em cima de mim, derrubando-me no chão.

- Você é o amigo da Marinette!!

Ela abriu um sorriso que mostrou caninos afiados feito o de um vampiro e começou a lamber meu rosto, segurando um pouco abaixo de minha orelha.

Mas que porra tá acontecendo?!?

- É! - Eu disse, afastando-a um pouco, mas ela nem pareceu perceber. Levantou-se e foi na direção de Marinette. Me sentei e comecei a observa-la. - Eu sou.

Ela ainda andava sob os pés e mãos, como um felino, mas com o olhar fixo e consciente estava direcionado em Marinette.

- Amiga!! - Ela deu um pulo, ficando com as mãos dobradas sobre o ombro da mari-noir e os pés no chão. - Eu senti a sua falta.

Depois fechou os olhos e esfregou sua bochecha na da Mari. Ela me lançou um olhar de socorro e eu só pude rir.

Me levantei e fui na direção das meninas.

- Olha só, que bom né? Você pode falar! De nada. Agora, se me dá licença... - Peguei suas mãos e as tirei dos ombros da minha "amiga", como havia dito a menina-gato. - Você precisa se equilibrar sozinha, né?

Ela parecia atenta aos meus movimentos e olhou para as próprias pernas, tentando imita-los.

- Eu sempre achei estranho o jeito que vocês, humanos andam. Parece que querem pegar uma mosca, só que não desistem nunca! - Mari e eu rímos, mas eu continuei com a aula de passos. Assim que ví que era seguro, eu a soltei. - Isso é tão legal! Espera só até eu contar ao presidente miau! Ele vai enlouquecer!

Ela parecia com uma humana comum, ao não ser...

- Ui... acho que você precisa de um banho, Plikki. - Disse Marinette, lendo meus pensamentos.

A gata pareceu não gostar muito do assunto, franziu o cenho e olhou em volta.

- Oh! - Exclamou - O que aconteceu com o amiguinho bigodudo e a irmã inseto?

Ela se moveu cambaleante, até estar perto dos kwamis.

- Eles se chamam Tikki e Plagg - Expliquei. - E estão precisando da sua ajuda... eles estão doentes.

- eu sei... - Ela pareceu triste. - Eu vi a irmã ins... a Tikki ainda hoje... foi ela que me mandou atrás do.. hã... Plagg. Disse que ele precisava de mim. - Ela pareceu soluçar. - E-eu... não devia te-la deixado... parece pior que antes.

- Hei... não é culpa sua! - Disse Plikki (kwami), depois de certo tempo de silêncio. - Você salvou a vida do Plagg!

A garota olhou para a kwami e a abraçou, mas não haviam lágrimas em seu rosto como eu pensava que tivesse. Havia apenas tristeza.

- Obrigada por me dizer para esperar... mesmo depois de todos esses anos, eu sabia que você estava certa!

Mari e eu trocamos olhares confusos, e quando nos viramos de volta encontramos o olhar da kwami que dizia "longa história..."

- Bem... Chat Noir? - Mari-noir me chamou - Podemos conversar um minuto? Em particular?

Eu assenti e deixamos as duas a sós.

- O que é que o Plagg te disse?

Eu não estava com a mínima vontade de dizer, mas qual é... essa é a Marinette! Ela pode saber.

- Ele disse... - Respirei fundo e continuei - Disse que eu e a Ladybug devemos revelar nossas identidades.

Eu esperava que ela gritasse algo do tipo: "o quêê? Como assim cara? Que loucura!", mas ela apenas continuou me olhando... olhando e pensando.

- Eu acho que deve estar mesmo na hora... de te pedir uma coisa. - Eu acenei com a cabeça. "Claro! O que você quiser!" Eu queria dizer, mas sua expressão me fez ficar com a boca fechada. - será que tem como você me deixar moldar minha fantasia?

- Claro! Mas por quê você...

- Por favor Chat Noir, sem perguntas.

- Tá bom...

Eu estendi as mãos, e alguns segundos depois ela as segurou. Fechei os olhos para me concentrar melhor, mas Marinette não deixou.

- Por favor, mantenha-os abertos. Preciso que veja uma coisa.

Eu não disse, nem fiz nada. Apenas obedeci. Absorvi cada movimento dela, assim que seus olhos se fecharam. Suas sobrancelhas se franziram e sua roupa mudou. Começou com o cabelo. Sua trança voltou a ser uma Maria-Chiquinha, e sua máscara e roupas começaram a brilhar, cegando-me. Semicerrei os olhos e, quando o brilho cessou, eu ví no que ela se transformara. Na... na Ladybug!

- Eita porra!

Seus olhos se abriram e eles estava cheios daquela confiança que, para mim, havia se tornado familiar. Nossas mãos se soltaram e eu dei um pulo para trás, mas ela não me seguiu, continuou ali, parada, esperando que o meu chilique acabasse, mas isso não aconteceu.

Cerrei a mão e a coloquei sobre a boca, e a outra, apoiei em minha cintura. Meu cérebro estava á milhão e eu havia começado a ligar as informações. Até que a ficha começou a cair.

- Você tá bem, Chat Noir?

Eu continuava olhando para ela, para ela inteira. A roupa, o cabelo, o ioiô familiar em sua cintura... como eu não havia percebido? Como eu fui tão burro?

Tirei a mão do rosto e da cintura e as coloquei no topo da cabeça. Tentei achar minha voz, mas não consegui. Eu estava surpreso... não, surpreso não! Eu estava literalmente me sentindo um otário!

- O quê... o que é que tá acontecendo aqui? - Foi a única coisa que consegui dizer, antes de sentir minhas pernas amolecerem e o chão se aproximar rápido demais.

Ví e ouvi Ladybug pulando em minha direção ao chamar meu nome, e então suas mãos pararam meu rosto, e aí eu apaguei.



Notas Finais


Gentee que loucura né?! O que será que vai acontecer agora? Confesso que nem eu sei 😅 até a proxima aventura/loucura, bjss ❤❤


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