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História Juntos pela eternidade - Marichat - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Nada está perdido para sempre


Fanfic / Fanfiction Juntos pela eternidade - Marichat - Capítulo 8 - Nada está perdido para sempre


Assim que deixei meu pai no hospital voltei para casa, esperava encontrar minha mãe lá, mas não foi bem isso que aconteceu, fui até a cozinha e remexi nos armários, à procura de algo para comer, haviam alguns ingredientes para fazer strogonoff, mas eu não estava com a menor paciência para isso.

Peguei uma garrafa d'agua e subi para o quarto.

- Marinette, você não vai comer nada? - perguntou Tikki.

Sentei na cama e me joguei de costas, queria dizer para ela me deixar em paz, me dar um tempo para digerir tudo o que estava acontecendo, mas ela não tinha culpa de nada...

- Não estou com fome Tikki, amanhã eu como na escola.

Me virei para o lado e peguei o celular. Eu havia passado o restante do dia no hospital, com meu pai. Tive apenas 40 minutos para ficar em seu quarto, porém ouvi os pêsames de inúmeras pessoas na sala de espera. Estava cansada de dar sorrisinhos e agradecer, além de ter que esconder que eu era a causadora daquilo. Alya e Adrien ficaram comigo até mais tarde, felizmente não paguei mico nem gaguejei enquanto o loiro se dirigia a mim, acho que nem ele conseguiu me animar muito, apesar de sua presença ter feito toda a diferença.

Ele conversou com algumas pessoas por mim e até me emprestou seu casaco quando o ar condicionado estava me incomodando, tirei um cochilo e quando acordei, apenas ele e minha melhor amiga estavam lá. Alya me disse que sua mãe havia pedido para ela voltar para casa, pois o céu já escurecera, então ela teve que ir.

Os médicos disseram que meu pai ainda estava em risco, mas teríamos que esperar pelo resultado, eles haviam feito todo o possível. decidi voltar para casa e dormir um pouco, até porque, apesar de tudo o que eu estava passando, o mundo não iria parar. Amanhã eu teria aula, trabalhos, atividades, vida social... Aaah, como é que eu iria aguentar tudo isso?

Adrien me alcançou na saída e me ofereceu companhia para voltar para casa, eu neguei, claro, mas ele parecia decidido, caminhou comigo pelos longíquos 26 quarteirões até minha casa e quando estávamos chegando, ligou para seu motorista. Ouvi uma voz feminina enfurecida do outro lado da linha, mas resolvi não me intrometer.

Quando paramos em frente a minha casa, ele não fez o que qualquer pessoa faria, não disse que iria ficar tudo bem, nem que sentia muito, só olhou no fundo dos meus olhos e disse que me compreendia.

Eu não sabia muito sobre a vida pessoal dele, mas sabia que sua mãe havia desaparecido há alguns anos e isso o afetou muito.

Antes que eu pudesse responder ou ao menos agradece-lo, seu motorista parou à nossa frente e buzinou, apressando-o.

Adrien me lançou um olhar sem graça e se despediu, me passou seu número e pediu para que eu entrasse em contato se precisasse, entrou no carro e partiu.

Todos preocupados comigo, e apenas eu sabia a verdade, agora, aqui, deitada em minha cama tentando me esquecer do restante do mundo... mas não conseguia tirar da cabeça a idéia de que meu pai poderia nunca mais voltar a ser o mesmo, por minha culpa... respirei fundo e fechei os olhos, na tentativa de dormir. Apesar de ainda estar cedo, e de o relógio marcar sete horas da noite, o sono me envolveu rapidamente e eu cedi , sem o menor esforço para me manter alerta.

Acordei com meu telefone tocando, abri os olhos com uma lentidão desnecessária e olhei para a tela do celular. Era minha mãe me ligando, aceitei a chamada e coloquei o aparelho em meu ouvido.

- Alô? - Ouvi minha voz rouca ecoar pela casa e o suspiro de alívio de minha mãe no telefone.

- Filha! Eu soube o que aconteceu. Como você está se sentindo? Está tudo bem? Seu pai está melhorando?

- eu estou bem mãe, o papai foi internado hoje, então ainda não podemos saber o que vai acontecer. Os médicos disseram que é grave, mas ele ainda tem chances de sobreviver.

- Oh, graças a Deus! E você o viu? Ele estava acordado?

Então me lembrei dele deitado no chão, e de minha decisão de salvar Chat Noir ao invés dele.

- Não mãe... ele não estava. O papai... o papai está em coma.

Ouvi minha mãe soluçar, percebi que ela tentava se conter assim que atendi a ligação, mas essa notícia fora demais para ela.

- Meu amor, eu não posso voltar agora, estou muito longe e ainda tenho negócios para resolver por aqui... - ela fez uma pausa - acho que seria isso que o Tom me pediria para fazer - ouvi sua voz distante. Parecia que ela tinha afastado o celular do rosto, na intenção de que eu não escutasse. Ela não precisava saber que não funcionou. - Eu vou te ligar algumas vezes por dia até voltar, fique bem filha... Eu te amo. - A última palavra falhou e ela desligou.

Passei mais alguns segundos com o celular no ouvido, como se tivesse congelado ali. Inúmeros pensamentos passavam por minha cabeça, e eu não tentava repreendê-los. "A culpa é sua" eles diziam, " Sua família inteira está desmoronando simplesmente porquê você não serve para ser a Lady Cock, você é fraca!".

Senti o celular escorregar de meus dedos e ouvi o barulho que ele fez ao atingir o chão. É verdade... é tudo verdade. Minha consciência estava me preparando para quando as pessoas descubrissem o que eu fiz, e eu não estava com medo, estava convicta de que merecia tudo isso...

~*~

Quando cheguei em casa, já tinha uma idéia do que esperar, Nathalie estava na sala à minha espera, com uma expressão firme e postura impecável como sempre.

- Posso saber onde é que você estava? Seu pai ficou preocupado. Houve uma akumatização e você não estava em casa, o que foi que deu em você?

- O pai de uma amiga foi ferido durante a batalha, fui ao hospital prestar assistência.

Senti Plagg se remexer em meu bolso e sabia que ele estava com fome, mas isso era coisa pra daqui a pouco, agora eu teria que dar um jeito na fera que estava a minha frente, para que ela acalmasse meu pai. Além do mais, minha noite não acabaria tão cedo, Chat noir voltaria antes que o sol nascesse.

- E não podia ter feito isso pelo telefone? Mandado uma mensagem? Teria evitado muitas coisas! Você tem noção que passou o dia inteiro fora de casa?

- Sim, eu tenho - Não adiantaria bater boca agora, eu queria ir para meu quarto logo, e a única maneira de acabar com isso seria dizendo a ela que estava certa. - da próxima vez eu farei isso, você tem toda a razão.

Vi seus olhos suavizarem e ela se acalmou.

- Eu só espero que isso não se repita Adrien, você sabe como seu pai se preocupa com você... pode ir para o seu quarto, vou tentar acalma-lo. Amanhã você terá que dar seu jeito.

Acenei com a cabeça e forcei um bocejo.

- Obrigado Nathalie, posso pedir apenas um favor?

Ela respirou algumas vezes antes de me responder.

- Claro Adrien, do que você precisa?

- Na verdade é exatamente esse o problema, não preciso de nada. Eu vou dormir e queria pedir que ninguém entrasse em meu quarto, hoje o dia foi cansativo.

- Sem problemas. Agora já pode ir.

Antes de subir para o quarto, fui á cozinha e peguei muito Camembert, até porque eu precisaria da boa vontade de Plagg para o que estava planejando.

Quando cheguei no quarto ele estava super animado, sei lá eu por quê.

- Qual o motivo disso tudo?

- ALEGRIIAAAA!

Ri alto e o segurei em minhas mãos, olhando em seus olhos com deboche.

- Seráá que tem alguma coisa a ver com uma tal de Tikki? - Falei com falsa malícia.

Vi que se ele não fosse completamente preto teria corado, mas ele não tentou esconder que era isso.

- Éh, taalveeez, não tenho certeza!

Ele foi sarcástico! Eu não estava acreditando! Será que ele também estava apaixonado? Resolvi guardar essa pergunta para mim e lhe mostrei o queijo, que, como o esperado o hipnotizou. Dei uma risadinha baixa e mexi o queijo com movimentos circulares enquanto dizia calmamente:

- Plagg, você quer esse queijo? - Ele fez que sim com a cabeça, entrando na brincadeira - Então, e se eu te pedir algo em troca? - E ele saiu do transe, flutuou na minha frente e me olhou, agora sério.

- Que tipo de coisa precisaria de suborno para que eu aceitasse?

Bem, pelo visto o bom humor ainda estava por perto, mas eu tentei ser breve ao dizer o que queria.

- O tipo que me envolve fugindo de casa como Chat Noir para visitar Marinette... Dãã. - Ri forçado e o observei, ainda com o rosto parado.

- Está bem, mas em algum momento você vai pedir para ir ao banheiro ou algo do tipo e me deixar dar uma olhada na casa dela.

Fiquei confuso, mas concordei, até porquê não era sempre que Plagg estava disposto a negociar... Dei o queijo para ele, e ele comeu, pediu para descansar por algum tempo, e eu deixei. Pelo jeito que Marinette estava, ela iria direto para o quarto dormir. Coloquei meu relógio para despertar às 8:40 e fui tirar um cochilo, até porquê, levariam bons 15 minutos para que eu chegasse em sua casa.

Quando acordei, já estava elétrico, me senti super descansado e de bom humor, mas onde é que estava o Plagg?

Ouvi um barulho vindo do banheiro, então me levantei na ponta dos pés e fui até lá. Empurrei um pouco a porta, fazendo-a se abrir minimamente, e tentei me concentrar. A poção do Mestre Fu ainda estava fazendo algum efeito, então não tive dificuldade de reconhecer que aquela voz era do Plagg.

- Eu? Ah, eu estou bem Tikki, obrigada por perguntar, aliás, preciso te contar uma coisa importante! - Olhei pela fresta e ele estava se aproximando do espelho, como se fosse sussurrar alguma coisa para alguém, ou seja, ele estava ensaiando uma conversa. - Meu portador está apaixonado pela Ladybug! Será que eu devo contar que, na vida real, seu verdadeiro nome é...

Perdi o equilíbrio e me apoiei na porta, que se abriu com tudo, derrubando-me dentro do banheiro. Plagg me olhou assustado, mas logo percebeu o que eu estava fazendo e cruzou os bracinhos.

- Que coisa maais feia Adrien! Escutando atrás da porta! - Ele me zoou.

Levantei e passei a mão nas roupas, afim de desamassa-las. Droga! Se eu não fosse tão idiota teria descuberto a identidade da Bugboo...

- Vamos logo Plagg! - Ele riu mas me acompanhou.

Fomos para o quarto e eu ajeitei as almofadas para parecerem que eu estava deitado sob as cobertas. Coloquei meu celular no silêncioso e o posicionei na escrivaninha perto da cama. Respirei fundo e me preparei para o que viria à frente.

- Plagg, mostrar as garras! - uma linha verde de magia me envolveu e eu me tornei Chat Noir, abri a janela em silêncio e pulei.

Enquanto estava a caminho da casa de Marinette, vi um carrinho de buquês de flores passando por ali e parei. Fiquei indeciso entre a Rosa lilás, e uma Gardênia, resolvi levar as duas, algo me disse que Plagg iria precisar também. Encontrei um compartimento vertical em meu bastão, onde coloquei as duas flores e parti.

Assim que aterrissei na sacada ouvi o barulho de alguma coisa atingindo o chão, me apressei e vi que o celular de Marinette estava caído, ela ainda com a mão na orelha, devia ter feito uma ligação com alguém, mas estava totalmente parada, como se tivesse travado ou sido congelada, bati no vidro e ela deu um pulo, depois me olhou com dúvida, como quem diz " o que essa criatura está fazendo aqui? ".

Ela se levantou e abriu a janela, com uma expressão de surpresa.

- Chat Noir? O que é que um super-herói está fazendo na minha casa?

- Vim te ver. - Ela virou um pouco a cabeça como se tentasse me entender - N-n-ão! Eu vim ver se você está bem! Queria saber se o akumatizado... digo, seu pai, não te feriu.

Vi sua expressão mudar e ela baixou a cabeça.

- Eu... to bem. - Parecia que alguma coisa a incomodava, mas antes que eu perguntasse o que era fui interrompido. - É só isso? Se era pode ir embora. Não posso conversar agora, tenho dever para fazer e a matéria é complicada...

Eu sabia que era mentira. Com os últimos acontecimentos a srta. Bustier não conseguiu passar atividade alguma, mas ela não podia saber que eu era da sala dela, então entrei no jogo.

- Eu posso te ajudar. Tô com tempo livre...

- Então... sabe o que é... eu... tenho que...

Então eu ouvi um barulho vindo de cima da casa dela, peguei meu bastão e subi para ver o que era.

No meio das folhas, tentando se esconder de mim, ví um gatinho preto dos olhos verdes... ele parecia... eu?

Ouvi os passos leves e ritmados de Marinette e ela chegou até mim, depois seguiu meu olhar o viu. Sem nem pensar duas vezes ela passou por mim e o pegou no colo.

Ele pareceu se confortar em seus braços, e, por um instante senti uma pontada de inveja do gato... Espera, o que?

- Hei, Chat Noir, ele se parece com você! - disse Marinette ecoando meus pensamentos.

Ela levantou o gato e o colocou na altura do meu rosto, para tentar medir as semelhanças. Riu e depois se aproximou, me dando o felino.

- Hei, espera, o quê... o que você tá fazendo?!?

Ela riu e ajeitou o gato em meu colo. Ele não pareceu se incomodar, muito pelo contrário, ele ronronou e se soltou, esparramando-se feito gelatina em meus braços.

- Vou provurar comida para ele, você vai querer alguma coisa?

Neguei com a cabeça e ela se foi, deixando-me sozinho com meu "primo".

E então, sem que eu abrisse a boca, meu trage de super-herói desapareceu, o gato, sem entender nada, miou alto e eu o soltei. Plagg flutuava ao meu lado e me olhou nos olhos antes de dizer:

- Agora é minha vez!

~*~

Deixei Chat no telhado e fui preparar alguma coisa para o gatinho que estava lá com ele. Queria me certificar de que não fosse uma coisa dura ou rígida demais, pelo tamanho, seus dentinhos podem não ter tanta força.

Talvez uma lata de atum? Abri a geladeira, mas não havia nada lá... Talvez se eu fosse na padaria... não. Massa não faz muito bem para animais... então o que?

Então me lembrei dos ingredientes para o strogonoff, era uma boa, não?

Peguei duas panelas, em uma coloquei a carne para cozinhar, e nã outra os ingredientes para o molho. Não era uma receita difícil, mas eu teria que ir com calma no sal e outras coisas, até porquê eu não estava cozinhando para uma pessoa.

- Tikki? - sussurrei para que Chat não ouvisse. A pequena flutuou até mim com curiosidade no olhar. - Fique de olho naqueles gatos por mim, não quero que eles quebrem nada antes que eu volte, mas tome cuidado! Não deixe que te vejam!

Ela acenou com a cabeça e partiu.

~Tikki on~

Assim que deixei Marinette na cozinha trombei com Plagg no corredor.

- O QUE É QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? - Sussurrei furiosa. Aquele gato não aprende mesmo não é? - Você deixou seu portador lá no telhado, desprotegido? Que tipo de kwami é você?

Ele me pareceu sério, e não repreensivo, como sempre fica quando eu brigo com ele. Então ele tirou uma flor roxa de suas costas e me entregou. Era uma tulipa.

- Do tipo que estava preocupado com você. Como você pôde se fundir ao Orikko? Você sabe que é perigoso!

Respirei fundo e revirei os olhos, na tentativa de não espanca-lo.

- Eu estou bem! - dei uma giradinha. - Viu? Agora volte para lá! O Adrien deve estar precisando de você!

Seus olhos tinham uma tristeza escondida, camuflando-a com deboche ele sorriu para mim.

- Não.

~Tikki off~

~*~

Mas que droga Plagg! Onde é que você se meteu? O que é que eu faço se a Marinette aparecer? Eu tô ferrado!

E então, para melhorar ainda mais a situação, aquele gato começou a miar.

- Psi, psi, psi, psi, vem aqui comigo, vem! Olha! Eu tenho um lanchinho.

Peguei o Camembert de Plagg, que, ao invés de atrair a atenção do gato, fez com que ele tentasse me arranhar.

- O QUE É QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM O MEU QUEIJO?

Virei rapidamente, mas Plagg foi mais rápido e pegou o pedaço fedido da minha mão e o devorou em uma mordida só.

Achei ter ouvido ele dizer de boca cheia: "Se transforme logo imbecil", mas fingi não ter entendido a ultima parte.

- Plagg, mostrar as garras! - parecia a transformação mais lenta de minha vida! E se a Mari resolvesse aparecer justo agora? E se alguém da visinhança me visse? Eu estava correndo riscos em me transformar aqui, mas agora não tinha como voltar atrás.

Assim que me tornei Chat Noir olhei à minha volta, e me certifiquei que não havia ninguém por perto.

Peguei o gato no colo e me encostei no parapeito, na esperança de que ele não pulasse para a morte certa.



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