1. Spirit Fanfics >
  2. Juras e Mentiras >
  3. Capítulo cinco: Bem acompanhada

História Juras e Mentiras - Capítulo 5


Escrita por: e Srtafoxblack


Capítulo 5 - Capítulo cinco: Bem acompanhada


  Ser solteira não tem problema, mas ser solitária é terrível. Saber que ninguém te espera chegar em casa para lhe receber com todo o carinho do mundo é péssimo. Muito bem acompanhada retrata bem isso na protagonista Kate. A coitada havia sido abandonada pelo noivo Jeffrey e quando o mesmo se torna padrinho de casamento de sua irmã, Kate contrata um acompanhante para fingir que está ótima. As pessoas se rebaixarem a esse tipo de ato chega a ser humilhante. Todos têm seus lados obscuros e seus segredos vergonhosos, que devem ser escondidos a todo custo. Mesmo que signifique mentir.

As manhãs de sábados eram aguardadas por muitos. Alguns iam ao shopping, outros à clubes. Os Malfoys aproveitavam no campo de golfe. Dr. Malfoy já estava vestido de acordo com a ocasião e lia seu jornal à mesa.

- Oi, Draco. – Cumprimentou Arthur, entrando no cômodo

- Oi, Art. O rosto ainda dói?

- Antes o rosto do que meu orgulho.

- Bom dia, meus amores. – Desejou Sra. Malfoy

- Que bom humor. – Notou seu filho – Algum motivo especial?

- Além de ter uma família perfeita, nenhum. E eu emagreci!

- Sério?

- Sim. Meu vestido está mais folgado. Não é um máximo? Olhem como estou bonita.

- Sabia que iria conseguir, mamãe.

- Obrigada, meu amor. Darei uma passadinha no spa hoje. Vocês se divirtam no golfe.

Sra. Malfoy beijou a bochecha do filho e os lábios do marido.

- Rainha. – A empresária se virou – Você é linda que qualquer jeito.

Sra. Malfoy sorriu contente e retornou à saída.

- Ela não emagreceu. – Disse Arthur

- Troquei o tamanho de algumas roupas para que ficasse feliz.

- Mentira tem perna curta.

- Então melhor aproveitarmos enquanto podemos. Quer ir ao golfe?

- Quero.

- Mesmo?!

Arthur era fã de esportes, mas achava golfe incrivelmente entediante. Entretanto, o rapaz desejava dar uma passadinha no campo. O único motivo era para fugir do chato castigo que tinha arranjado após a última luta. Golfe não pode ser pior do que ficar trancado aqui, pensou o ruivo.

- Claro. Por que não?

- Melhor se arrumar então. Não pode jogar golfe assim.

Os Malfoys e Arthur puseram as roupas apropriadas para o golfe e partiram ao campo. Dr. Malfoy teve que dirigir, pois seus filhos não queriam ir com o Sr. Lacert. O campo de golfe era bem frequentado por idosos e raramente se encontrava jovens. Avistaram vovô Lucio, pai de Dr. Malfoy, ensinando técnicas da modalidade a uma menina loira de treze anos, de olhos castanhos.

- Olá, pai. – Cumprimentou Dr. Malfoy – Oi, Pat.

Patrice Greengrass-Bulstrode era sobrinha da Sra. Malfoy e sua afilhada. A menina era sempre presente e comparecia a todos os jogos de golfe.

- Oi, tio Draco.

- Draco. Olá, crianças.

Vovô Lucio era um senhor um pouco mais baixo que o filho. Era muito semelhante ao médico, havia sido loiro antes do cabelo grisalho surgir e seus olhos eram azuis da mesma tonalidade que seus sucessores. Usava uma bengala com a cabeça em forma de uma cobra.

- Estão atrasados. – Reclamou vovô Lucio – Melhor nós irmos. Quero encontrar Mariano e debater sobre alguns negócios.

- Pensei que o Sr. De Luca estivesse na Itália. – Relatou Dr. Malfoy

- Está passando alguns dias aqui. E como gosta de golfe, deve estar por aqui.

Vovô Lucio continuou a falar sobre os negócios da Stratton Malfoy para o filho, que apenas ouvia por educação – Dr. Malfoy preferia não se envolver com os negócios da família. Já Scorpius e Arthur ouviam com atenção, queriam participar do mundo dos números. Não demoraram para encontrar quem tanto buscavam.

Vovô Lucio se aproximou do Sr. De Luca. Seu amigo era tão velho quanto. Seu cabelo e barba eram brancas. Os dois companheiros apertaram as mãos.

- Esta é minha família. – Apresentou vovô Lucio – Meu filho Draco.

- Como vai, Sr. De Luca? – Perguntou Dr. Malfoy, apertando sua mão

- Bien. Estás maior desde a última vez. Tus filhos?

- Não todos. Este são meus gêmeos, Scorpius e Inquesita, minha sobrinha Patrice e meu enteado Arthur.

- Bella família, Lucio. Trouxe mía tambien. Por que no jogar juntos?

- Perfeitamente.

Sr. De Luca levou os Malfoys – e Arthur – até uma certa área onde sua família estava.

- Quantos años tem, Arthur? – Perguntou Sr. De Luca

- Quinze, senhor.

- Trabaja? Um rapaz de su idade precisa saber como os negócios andam.

- Ainda não trabalho, mas tenho entusiasmo para me tornar um empresário.

- Nos negócios do seu nonno, si?

- Na verdade, da minha mãe. Ela é proprietária de uma franquia de hotéis.

- Mui bueno. Seu nipote é engenhoso, Lucio.

- Obrigado, Sr. De Luca. – Falou Arthur

- Sim, ele é. – Aprovou vovô Lucio

- Ali está mi nipote.

Sr. De Luca acenou para a neta que mexia em seu celular, em uma curta distância deles. Surpreendentemente era Lexi Cooper. O garoto corou instantaneamente ao vê-la. Cooper também se espantou, mas tentou disfarçar ao máximo.

- Olá, nonno. – Cumprimentou com receio

Deu um beijo em cada lado do rosto do vovô Mariano.

- Estas é mi nipote, Alexandria. Tem su idade.

- Já nos conhecemos, estudamos juntos. – Informou Weasley – É um prazer te reencontrar, Lexi.

- Eu quem digo.

Arthur se esticou para abraçá-la. Ai meu Deus, ele vai me abraçar, pensou a morena. Não poderia ser mal-educada, tinha que corresponder.

- Não sabia que jogava golfe. – Comentou ela

- É um dos meus esportes preferidos.

- Você disse que detestava. – Dedurou Scorpius

- Correto, detestava. No pretérito. Por que não jogamos um pouco?

- Tem certeza que está preparado? – Provocou Cooper

- Não sabe o quanto, Cooper.

O plano de Arthur era ir ao campo só para assistir seus parentes jogarem, mas imaginar Lexi Cooper brava por ter perdido para ele era uma imagem maravilhosa que se passava na sua cabeça.

- É bem simples, Art. – Avisou sua prima – Tudo o que precisa saber é acertar a bola no buraco. Tenha leveza quando usar o taco.

- Pat, eu jogo cricket. Isso aqui não vai ser nada.

Deveria ter ouvido sua prima. Arthur não era nada delicado. Então, quando tinha que usar menos força, ele fazia o contrário, e a bola caia em um lugar bem mais distante de onde era para estar. Sempre que isso acontecia, lá estava Cooper com seu sorrisinho debochado e sua frase de apoio:

- Que pena! Quem sabe na próxima.

Isso era irritante para ele. Aquilo só aumenta o ego dela, era tudo o que Arthur não pretendia fazer! Quando ninguém via, Arthur pôs o pé para que inimiga topasse. Seu plano deu certo. Cooper não só topou, como caiu no gramado.

- Quer ajuda?

Arthur mostrava um sorriso sínico, enquanto estendia a mão.

- Sim, obrigada.

Cooper segurou em sua mão e se levantou. A garota tinha visto a petulância do rapaz e não deixaria barato. Era sua vez de tacar a bola. Usou toda sua força sobre o taco que segurava. O taco acertou a direção oposta, acertando outro tipo de bola. Mais em específico, de Arthur.

- Puta que pariu!

O garoto caiu de joelhos, com as mãos no órgão genital. Se segurando para não dar outro grito e nem chorar. A dor era demais.

- Ah, meu Deus! Me desculpe!

Lexi demonstrava preocupação, embora fosse tudo o que ela não sentia. Por dentro, ela gritava de alegria. É o que dá mexer com quem não deve, pensou a morena. Se olhasse bem no fundo de seus castanhos olhos, era possível ver sua animação. Weasley percebeu isso.

- Eu vou pedir gelo. – Alertou Patrice

Dr. Malfoy ajudou o enteado a se sentar em uma das cadeiras da lanchonete. Patrice chegou com uma funcionária que carregava um saco de gelo. Arthur gemeu baixinho ao sentir o contato frio em seu machucado.

- Eu sinto muito mesmo, Art. – Fingiu Lexi – Eu não sabia que tinha tanta força.

- Ah, você não sabia?

- Está doendo muito? – Perguntou Scorpius

- Dá para aguentar. Não se preocupem, podem voltar a jogar.

- Com você machucado e sozinho? – Preocupou-se Inquesita

- Eu fico com ele. – Ofereceu-se Lexi

As famílias cederam e retornaram a jogar. Assim que estavam longe o suficiente, Lexi pressionou o saco de gelo com força, fazendo a dor aumentar. Arthur deu um grito abafado.

- O que aconteceu com “não vou te importunar”?

- Isso foi antes de você me aborrecer! O que pensa que está fazendo aqui, Weasley?

- Que eu saiba, posso entrar tanto quanto você! – Cooper pressionou mais – Sua cretina!

- Fale logo! Ou acabo com você! Quer me torturar com essa cara nojenta?

- A torturadora é você com seus joguinhos. Se quer saber, Cooper, eu nem sabia que você vinha. Eu queria era fugir do castigo, mas parece que encontrei um bem pior. – Cooper pressionou mais – Por mais que seja um choque de realidade, o mundo não gira em torno de você.

- Acha que eu sou mimada? Você que vive embaixo da saia dos outros! Mas eu não te culpo. Se eu fosse uma Zé Ninguém como você, faria o mesmo.

Cooper largou o saco de gelo. Weasley encarou friamente aqueles olhos cruéis.

- Eu sou Zé Ninguém, mas é você que precisa de mim.

- Posso muito bem conseguir outro. É só falar, que eu faço. Mas você precisa de mim para te ajudar com Andrews.

- Não mexe comigo, Cooper.

- O que vai fazer? Você só late, não morde.

Arthur a puxou pela cintura bruscamente. Seus olhos azuis raivosos não assustavam nem um pouco ela. Não resistindo, o cavalheiro roubou um beijo seu. Esse beijo era vorás, selvagem. Ele não estava sendo delicado e nem pretendia. Seu único objetivo era calar aquela boquinha. Suas mãos aninhavam suas costas. Cooper não deixaria barato, ela o empurrou e deu uns belos tapas em sua cabeça.

- Qual o seu problema? – Ralhou Cooper

- Não vai me dizer que não gostou?

- Se eu gostei? Você nem sabe beijar direito!

- Você não me disse isso naquela manhã lá em casa.

- Naquela manhã, devem ter me drogado. Porque só por esse motivo que me envolveria com um porco como você!

- Goste você ou não, meu bem, vamos nos beijar muito. Então é bom se acostumar porque eu vou beijar muito essa boquinha – Arthur segurou seu rosto e ela se afastou bruscamente – e vou adorar isso. É melhor você se render e termos uma relação parcial.

- Você tem razão. Essa briga não vai levar a lugar nenhum.

Lexi recolheu o saco com gelo e jogou com tudo na ferida dele. Arthur deu um grito de dor bem alto.

- Sua cretina do caralho!

- Foi bom conversar com você, Art.

Algum tempo depois, as famílias decidiram lanchar. Cooper notou que a prima de Arthur desenhava o modelo de um vestido em seu guardanapo.

- Está bonito. – Admitiu – Será estilista?

- Não, advogada como mamãe.

- Ainda tem muito talento como estilista.

- Não é benéfico para o meu currículo.

Mais uma, pensou a morena. Patrice era brilhante. Seu loiro cabelo derrubava o tabu de loira burra. A menina tinha potencial, sabia disso porque estudavam no mesmo colégio – embora fosse dois anos mais velha. Mas ela seria mais uma das crianças que seguiriam os passos dos pais. Isso chateava Cooper, todavia, não tinha muito o que fazer.

- Você é líder de torcida, certo? – Perguntou Inquesita – Porque eu estava pensando em me inscrever quando chegar ao Ensino Médio.

- Quem sabe ganhe uma vaga.

- Como se ela dançasse bem. – Zombou o irmão gêmeo da menina

- Cala boca!

Após um certo tempo, cada um foi para sua respectiva casa. Na hora de se despedir, Arthur deu outro abraço em Cooper e aproveitou o momento para puxar seu cabelo. Ela não pronunciou sua dor, mas o encarou irritada. Os Malfoys – e Arthur e Patrice foram à Arthur Comet. O dálmata Duende correu na direção deles, ao entrarem na mansão.

- Quem deixou este pulguento entrar? – Interrogou vovô Lucio aborrecido

- É o meu cão, Duende. – Revelou Scorpius

- Duende não é nome de cão! Rex é um excelente nome. Saia! Saia!

Duende puxava o tecido da calça de vovô Lucio.

- Ele quer brincar com o senhor, vovô.

- Scorpius, faça ele parar, por favor. – Pediu seu pai

- Duende, pare!

Duende rolou no chão.

- Ainda estamos treinando.

- Que interessante. Pat, quer ver televisão? – Convidou Inquesita

- Eu adoraria. Vem, Morgano?

- Entre brincar com meu cão e assistir Bratz, eu passo.

Os três subiram para o andar acima. Weasley foi a biblioteca para pegar algum livro. Ouviu um toque de celular, não era o seu. Procurando, encontrou sua mãe sentada em uma mesa encarando o nada.

- Mamãe, não vai atender? Mamãe?

- Arthur? Não ia ao golfe?

- Fui e já voltei. Mamãe, o telefone.

- O que tem?

- Deixa que eu atendo. – Pôs o aparelho em seu ouvido – Alô?

- Astória? Sou eu, Ariana. Como você está? Já contou?

- Contou o quê, Ary?

- Art? Eu não estou... O quê... Art?

- Ariana, para de fingimento. Eu sei que é um truque.

- Duque? Que duque? O sinal está ruim, amanhã eu ligo.

- Ariana? Ariana? Que filha da mãe! Desligou na minha cara. Mãe, querida – segurou em suas mãos – o que houve?

- Como assim “o que houve”? Eu estou ótima.

- Não, não está. Parece aérea. O que tanto pensa?

- Arthur, eu sou uma mulher de trinta e sete anos, empresária, esposa, mãe de quatro filhos, madrinha de sete crianças. Sou perfeitamente capaz de cuidar de mim mesma.

- Disse quatro filho?

- Perdão?

- A senhora acabou de dizer que tem quatro filhos.

- Sim, você, Cassy, Morgano e Ariana. Eu praticamente criei aquela menina. Quem você pensou que era? Que coisa, meu filho! Precisa ser mais prestativo. Porque eu me referia a sua irmã Ariana. Exclusivamente ela! Não tem outra pessoa!

- Agora estou pensando que há.

- Você e suas loucuras.

- Mamãe, seja o que for, deveria contar a alguém, mesmo que não seja a mim. Ninguém deveria guardar um segredo sozinho. Lucio está aqui, a senhora vem?

- Ver aquela assombração? Só por educação. Coisa que aquele velho não merece!

Os dois saíram da biblioteca para a sala de recepção. Dr. Malfoy e vovô Lucio bebiam álcool, sentados no sofá.

- Cuidado para não sujarem meu sofá e nem meu tapete! – Avisou Sra. Malfoy

- Ainda zelosa, Astória. Pena que não pelo seu corpo, vejo que ganhou alguns quilinhos. – Caçoou vovô Lucio

- Papai! – Reclamou Dr. Malfoy

- E o senhor está ótimo. Uma pena não ter ido para seu velório, ouvi falar que seu corpo fedeu muito.

Sra. Malfoy não tinha uma boa relação com seus sogros. No início era preocupante, mas com o tempo se tornou divertido.

- Querem alguma coisa? – Ofereceu Dr. Malfoy

- Martini. – Respondeu Arthur

- Suco de laranja. – Falou Sra. Malfoy

- Não me diga que entrou em abstinência? – Debochou o mais velho

- Não, mas o senhor deveria entrar, já que é o pé de cana da família.

- Mamãe! – Pediu Weasley

- Querida, não temos isso. – Revelou seu marido, preparando as bebidas

- Como?! Você ao menos olhou direito? Eu não acredito nisso, estou com muita vontade de um. Onde está Denise? Mandarei que prepare para mim. Denise!

- Ela está de folga. – Avisou Arthur

- Quem deixou ela de folga? Esses empregados! Irei despedi-la e contratar outra.

- Mamãe, Denise está conosco há anos.

- Melhor despedir. Vem me desagradando muito ultimamente. Pensando bem, quero suco de banana.

- Quer dizer, vitamina? – Corrigiu Dr. Malfoy

- Se eu disse suco é porque é suco! Ninguém consegue me entender nessa casa? Deixa que eu mesma preparo! Capaz de trocar a banana por limão.

Sra. Malfoy marchou à cozinha.

- Crise no casamento? – Perguntou vovô Lucio – Isso não é normal, Draco. Eu tomaria cuidado. Esses indícios só tem um final e você sabe qual.

Dr. Malfoy não pedia muitos conselhos aos pais, pois sabia que seriam destrutivos para seu casamento. Eles não aprovavam a Sra. Malfoy.

- Mamãe deve estar apenas estressada, não deve ser nada. – Disse Arthur

- E quanto tempo tem esse estresse? – Perguntou vovô Lucio

- Papai, está tudo bem entre nós. – Afirmou Dr. Malfoy

- Se você diz. Arthur, quais seus planos para o futuro? – Perguntou vovô Lucio

- Após me formar no colégio, há três universidades as quais me interesso me forçar: Oxford, Cambridge e Reading. No meu penúltimo ano, trabalharei nos negócios da minha mãe até que eu possa estar por inteiro.

- Só fará isso?

- Mamãe disse que só vou herdar tudo quando achar que estou pronto. Se o senhor está preocupado com Cassy e Morgano-

- Cassy será médica e Scorpius herdará os negócios as Stratton Malfoy, o que me preocupa é você.

- Eu?

- Papai, deixe ele. – Suplicou Dr. Malfoy

- Só estamos conversando, Draco. Arthur, já pensou em expandir sua empresa?

- Expandir de fazer hotéis em mais lugares ou?

- Expandir para outras áreas. Fazer novas coisas. Sei que é um garoto ambicioso, mas está perdido. Mas eu te guiarei. Trabalha nos negócios da sua mãe?

- Ela diz que sou muito novo e que só deveria assistir para aprender.

- Bobagem! Deveria trabalhar nas Stratton Malfoy.

- Stratton Malfoy?

- Sei que não está em seus planos, mas além de ser um bom item em seu currículo, poderá lhe abrir novas oportunidades. Irá às festas, conhecerá gente importante, fará vários negócios. Podemos começar na segunda.

- Papai, por que não fala com os pais dele primeiro para ver ser concordam?

- É o padrasto dele, deve contar como algo. O que me diz, rapaz?

- Me explique o que eu faria exatamente.

- Sentaria em uma mesa e convenceria centenas de pessoas a investirem.

- Me parece uma boa ideia.

- E é. Eu levaria Scorpius, mas como só tem dez anos, não me deixariam. Já você, um cavalheiro alto, forte, com bons anos, duvido que neguem. E o pagamento será excelente.

- Papai, isso é loucura! – Exclamou o médico – Arthur só tem quinze anos. Ele não precisa passar horas em um escritório, enquanto poderia se divertir com os amigos!

- Terá amigos na empresa.

- Amigos da idade dele, pai! Lá só tem carecas fumantes, que gastam metade do salário com prostitutas. Arthur precisa aproveitar a adolescência, ainda terá a vida inteira para comparecer a um escritório. Já tem os estudos e o time de cricket, não vai conseguir equilibrar tudo assim com facilidade.

- Por que não? Não é porque você não conseguiu, que ele não consiga!

- Não tem a ver comigo, papai. Apenas o deixe ser adolescente!

- Eu não estou privando, estou? Não sabia que era crime oferecer uma oportunidade brilhante.

- Do que estão falando? – Interrogou Sra. Malfoy com seu suco de banana na mão

- Como está o suco? – Dr. Malfoy tentou mudar de assunto

- Uma merda. A culpa é de Denise, demitirei ela depois. O que os rapagões tramavam?

- Rainha, o meu pai propôs um estágio a Arthur e eu estava dizendo que é uma péssima ideia.

- Por quê? É uma ideia brilhante.

- Como?! – Espantaram-se os três

- Tem certeza do que está falando? – Verificou Dr. Malfoy

- Mamãe, estamos falando da empresa do Sr. Malfoy.

- Deixe os amigos perto e os inimigos mais ainda. De qualquer forma, é uma boa oportunidade para ensiná-lo como é o mundo em que quer viver.

- Quem diria que um dia se tornaria sábia. – Comentou vovô Lucio

- Entretanto é imprudente aceitar uma proposta logo de primeira, Arthur. Antes de tomar a decisão final, pense que sacrificará muitas horas dos seus dias que poderia estar saindo com seus amigos ou estudando para a prova que será no dia seguinte.

- Não esqueça do estresse, dos carecas fumantes. – Listou seu padrasto – E seu pai terá que concordar também.

- É importante lembrar das pessoas que conhecerá. – Argumentou vovô Lucio – Dos contratos que fechará. As reuniões, as propostas, o café.

- Tem café lá?

- Tem um ótimo café por lá. E não esqueça do dinheiro, poderá levar uma garota para sair. Eu sugiro a neta de Mariano. Sua mãe está certa, não precisa decidir agora. Pense primeiro. Te esperarei segunda.

Era muita pressão. Aceitar o estágio lhe daria ótimas oportunidades. Conheceria o patrão, ganharia um bom salário e tudo o que tinha que fazer era convencer alguém de lhe dar dinheiro – o que não era difícil levando em conta seu dom de persuasão. Por outro lado, se cansaria. Sua madrasta já lhe disse uma vez que a vida de um homem de terno era repleta de estresse e que se não encontrasse um modo de relaxar, estaria levando um processo da esposa por traí-la com uma qualquer.

Arthur arrumava sua gravata em seu quarto da casa de seu pai. Havia sido pintado de vermelho. Tinha uma televisão, outros troféus, um x-box com jogos organizados pela ordem alfabética. O garoto estava bem apanhado. Usava uma camisa vinho, sapatos sociais, um ótimo perfume.

- Aonde vai assim? – Interrogou Sr. Weasley, escorado no batente da porta

- Reunião do grupo de economia.

- Tem isso também?

- Sim. Eu pedi à tia Hermione.

- Sei, ela me contou. O que vão falar hoje?

- Provavelmente será uma discussão boba, apenas comentando sobre os negócios. Como estou?

- Bonito. Arthur, não se meta em problemas.

- Por que acha que farei isso?

- Puxou o meu temperamento, sei que explodirá com algo.

- Mas puxei o cinismo de mamãe, consigo me controlar, pai. Eu queria te contar uma coisa. Me ofereceram um estágio.

- Mesmo? Aonde?

- Stratton Malfoy. Só que eu ainda não decidi que quero ir. Draco me disse que passarei tardes lá trabalhando, quando poderia estar com meus amigos ou estudando. Mas mamãe disse que eu ganharia responsabilidade. Talvez ela queira que eu aceite para parar brigar por aí. O que o senhor acha?

- Isso é algo que só você pode escolher. Não posso te ajudar.

Arthur ficou surpreso com a resposta de seu pai. Ele sabia que Sr. Weasley descordaria que o jovem participasse do estágio dado em conta a quem pertencia a empresa, só não esperou que ele não lhe dissesse nada. Teria que deixar isso para outra hora, um carro havia buzinado.

- Deve ser Mel. Adeus.

- Tchau.

Melissa era sua motorista. Conseguiu convencê-la se lhe prometendo um encontro com um de seus colegas do time de cricket.

- Me diz porque eu sou sua motorista. – Pediu ao volante

- Não tenho carro.

- Ninguém mandou matar os patos.

- Podemos não falar disso hoje à noite?

- Ok. E o seu motorista?

- Já deu o horário dele.

- E você só tem um?

- Você sabe como meu pai é. Não importa se ele agora é rico e fez uma mansão em um bairro simples só para se gabar para os malas dos nossos vizinhos. Ele ainda acha desnecessário ter alguém para fazer o que você pode fazer. Ele só não demite Sr. Jarvas porque perdeu o controle do portão.

- Seu pai saiu da pobreza, mas a pobreza não saiu do seu pai.

- Falando assim parece esnobe.

- Desculpe. Está bonito.

- Obrigado. Pode parar ali? Comprarei flores.

- Claro, chefe.

Parou o carro ao lado de uma carrocinha de flores.

- Um buquê de tulipas, por favor. – Suplicou Arthur

- Depressa, o meu chefe é um homem muito ocupado.

- Chata. – Entregou o dinheiro e recebeu o buquê – Obrigado.

- Fiquei surpresa quando me disse que vai na mansão Cooper. Não vai aprontar, não é?

- Quantas vezes terei que dizer? Eu não vou aprontar!

- Art, sua mãe nunca te deixa ir em um jantar de negócios sem ela. E não me julgue. Você sempre apronta.

- Eu não vou aprontar com a Cooper. Embora ela mereça. Eu já contei que ela quase matou meus filhos?

- Já. Só não faça nenhuma besteira. Como vão as coisas em casa?

- Se quer dizer com minha mãe, um pouco melhor. Ela está menos estressada e mais...

- Mais?

- Assustada, eu acho. Quando voltei do golfe, ela estava um pouco estranha. Eu não sei mais o que fazer. Tentei colocar ela contra parede, mas ela fugiu.

- Será que não está na crise dos quarenta?

- Minha mãe tem trinta e sete.

- Está perto. Quando minha mãe ficou, foi a maior loucura. Quando vi, estava vendo se as minhas roupas cabiam nela.

- E você fará a mesma coisa.

- Eu não. Quando eu estiver velha, aceitarei.

- Claro. Chegamos. – O carro parou – Obrigado, Mel.

Lhe deu um beijo na bochecha.

- Tome cuidado e não apronte. Se tiver oportunidade, fale sobre mim.

A última coisa que eu vou falar é sobre você, pensou Arthur.

- Está bem.

Arthur saiu do veículo e caminhou em direção a mansão Cooper. Era um espaço enorme, havia um lindo jardim, um chafariz com um leão no centro e uma mesinha para chá na frente. A moradia era marrom, deveria ter cinco andares. As janelas eram duplas com flores e haviam alguns pinheiros espalhados pelo gramado. Era protegida por um muro de tijolos, os portões de ferro eram enormes. Weasley se aproximou do portão.

- Quem é o senhor? – Interrogou o porteiro

- Arthur Weasley, namorado de Lexi Cooper.

- Pode entrar.

A mansão ficava em um terreno um pouco alto, o ruivo teve que subir até casa. Usou a aldrava de leão colada a grossa porta de madeira para se pronunciar. A mesma empregada que o atendeu anteriormente o recebeu.

- Boa noite, Sr. Weasley. Se importa de?

- Sim, claro. – Entregou o casaco – Obrigado.

Sacou vinte libras para lhe entregar, ela rejeitou.

- Não há necessidades disso, Arthur. – Informou Sr. Cooper – Venha.

Se juntou à sala de estar. A mansão Cooper seguia um estilo de madeira. Os assentos eram claros e os acolchoados eram vermelhos.

- Bebe algo?

- Portanto que não tenha álcool.

- Ele chegou?

Sra. Cooper havia entrado no cômodo. Era uma mulher baixinha, com o mesmo formato facial do da filha. Seu cabelo era tingido de loiro, que parecia até ser natural. Tinha raízes italianas, por isso o sotaque.

- Mio Dios! – Exclamou – Ele estás grande. No estás grande?

- Está sim. Deve ter puxado ao pai, ele é grande.

- Para a senhora.

- Tulipas? Grazie. No precisava.

- Não é nada. Todas as mulheres deveriam ganhar flores.

- Mui gentil.

- Onde está Alexandria? – Indagou Sr. Cooper

- Aqui, papai.

Lexi usava um vestido azul escuro de alças. Seu longo cabelo castanho estava sob seus ombros. Arthur ficou de pé e beijou a mão da moça.

- Está linda. – Elogiou o ruivo

- Eu sei.

- Alexandria! – Ralhou Sra. Cooper

- Desculpe. Não consegui me controlar.

- Sua auto confiança me admira cada vez mais. – Paquerou Weasley

Arthur lhe deu um beijo, segurando em sua cintura. Cooper escondeu seu rosto no ombro dele, interpretando estar envergonhada.

- Art, meus pais estão aqui! – Murmurou ela

- Fazem um bello casale. – Admirou Sra. Cooper

- Eu concordo. – Avisou o marido de Sra. Cooper

- Sra. Cooper, o jantar está pronto. – Avisou a empregada

- Estamos indo.

A sala de jantar não era muito diferente das outras. O que chamava a atenção de Arthur era um ilustre de madeira. Se sentaram em uma longa mesa de madeira, coberta por um pano vermelho. Puseram os guardanapos no colo e a emprega os serviu.

- É um belo ilustre. – Elogiou o cavalheiro

- Obrigado, ganhamos no nosso casamento. – Contou Sr. Cooper – Se interessa por ilustres?

- Estou sendo importuno? Me desculpe. Gosto um pouco de carpintaria.

- Não sabia disso.

- Meu pai praticava quando mais novo e colocou eu e meu irmão em alguns projetos. Nada muito sério. Só um hobby.

- Já pescou?

- No comece, querido. – Pediu sua esposa

- Meu pai vivia trabalhando, quase nunca parava. A não ser para pescar. Então tentei pescar para passarmos mais tempo juntos. Não fui tão bem.

- No foi tão bien? Caiu na água. Todo munde riu. Gosta da comide, Arthuro?

- Gosto, Sra. Cooper. Está uma delícia.

Qual comida ele não gosta?, pensou Cooper zombateira

- Quando começaram a namorar? – Perguntou Sra. Cooper

- Três semanas. – Responderam

- No mesmo dia em que ficaram em detenção por terem discutido? – Indagou Sr. Cooper

- A culpa é totalmente minha – Responsabilizou-se o rapaz – Vi ela conversando com um colega, fiquei possesso. Infelizmente puxei o ciúme dos Weasleys. Não pude evitar.

- Eu te falei que era só um colega. – Falou Cooper

- Sabe como enlouqueço quando vejo alguém perto da minha duquesa de Greenwich.

Cooper se surpreendeu com aquele apelido. Era como ela própria havia se nomeado há anos atrás, não pensou que ele se lembraria de algo tão irrelevante.

- Estávamos apenas nos encontrando causalmente, mas quando a vi, eu não consegui. Pensei: eu tenho que ter essa garota para mim antes que eu alguém chegue primeiro.

- E chegou. – Completou Sr. Cooper

- Sim, cheguei. E sou o rapaz mais feliz por isso.

Os dois se encaravam como se estivessem apaixonados.

- Eu disse que ela tinha um namoradi! – Relatou Sra. Cooper – Por isse passave tante tempe no celular.

- Mama, por favor. – Pediu Cooper

- Nós conversamos muito, mas não sabia que passava o resto do tempo relendo nossas mensagens.

Arthur deu um sorriso descarado, ele estava gostando de coloca-la naquela situação. Cooper encarou seu prato e disse:

- Não seja bobo, Art.

- Lexi.

Ao virar o rosto, recebeu um selinho do ruivo. Ela não esperava por aquilo. Logo seus olhos retornaram ao prato. Estava um tanto constrangida por ser pega de surpresa.

- Comprei algo para você.

Entregou uma caixinha que estava em seu bolso. Eram brincos com pedrinhas azuis.

- É lindo. – Disse Cooper – Não precisava.

- Me sentiria péssimo se não trouxesse algo.

- Agora estou constrangida, não trouxe nada.

- Além de um belo jantar e sua companhia, o que mais eu preciso?

Cooper lhe deum um sorriso forçado à apaixonado, difícil de descobrir que era falso. Até mesmo Weasley quase se deixou levar pela mentira. Sorte sua que sabia que era tudo uma fachada ou acabaria acreditando também. A empregada recolheu a joia para guardar no closet da moça.

- O que faz em su tempe livre, Arthuro? – Perguntou Sra. Cooper

- Jogo no time de cricket.

Arthur previu que sua falsa namorada pensou um comentário debochado sobre sua posição no time. O próprio achava sua posição lamentável. Preciso pensar em algo e rápido, pensou o jovem.

- Também estou cogitando aceitar um estágio como corretor na Stratton Malfoy.

- É uma boa oportunidade. – Admirou Sr. Cooper

- Eu concordo. Sr. Malfoy que me propôs pessoalmente.

- Se sinta orgulhoso, rapaz. Esses estágios normalmente só são para universitários. Pretendo colocar Alexandria como estagiária na nossa empresa logo. Ela será uma mulher de negócios.

- Mas no agore. – Alertou Sra. Cooper – Parabéns pela oportunidade, Arthuro. Espero que aprenda muito para quando se tornar um empresário. Não é, Alexandria?

Não, não, não!, pensou a morena. Cooper aguentaria qualquer assunto, qualquer situação. Menos o que envolvesse negócios. Ela simplesmente não gostava de falar sobre aquilo. Ela tinha que responder, todos a encaravam!

- Acho que ele deve o que seu coração mandar.

Srs. Coopers a encaram como loucas, apesar de não ter comentado sobre sua opinião. Arthur se surpreendeu com sua resposta. Ainda assim, não falou nada a respeito.

O restante jantar fluiu bem. Conversaram sobre os estudos, economia, planos futuros. Estava tudo perfeito. Sr. Cooper e Weasley pareciam melhores amigo de longas décadas, enquanto Sra. Coopers o via como o genro perfeito. Ele era inteligente, educado, amoroso. O genro dos sonhos. Somente a jovem Cooper que estava ficando de saco cheio de sua presença. O ruivo tinha realmente se divertido muito no jantar, o que lhe chocou um pouco. Sua única falha foi ter comido demais. Porém, ele era tão perfeito, que os Coopers pouco se importaram. Após o jantar, seu reuniram na sala de estar para conversar por alguns minutos. Só que os minutos se tornaram horas. Arthur viu que estava na sua hora.

- Está tarde, preciso ir. – Avisou o garoto

- Já? – Perguntou Sr. Cooper

- Infelizmente. Meu pai exige que eu chegue na hora combinada.

- Enton no iremos segurá-lo.

- Te levo até a porta. – Anunciou a líder de torcida

Weasley apertou as mãos dos sogros. Sr. Cooper iria impedir a filha de acompanhar o rapaz, mas sua esposa não permitiu. No instante que saíram da mansão, Arthur segurou na cintura da morena, lhe deu um beijo. Era um beijo calmo e sereno, sem pressa alguma. As mãos da garota seguravam o casaco dele. Ao notar que seus pais deixaram de espiá-la, ela lhe deu um leve empurrão para afastá-lo.

- Já saíram.

- Certeza? Tem mais do que veio esse aqui.

- Nem nos seus sonhos. Pelo visto eles acreditaram.

- Disse que eu era um bom ator.

- Seu cinismo realmente me impressionou. O que foi aquilo dos brincos e as flores?

- Minha madrasta disse que toda mulher ama flores e não quis ser clichê te comprando o mesmo. Pensei em trazer vinho, mas creio que sua família tem o suficiente.

- Gastou seu dinheiro só para isso?

- Posso estar fingindo, mas não serei mal-educado. Além do mais, comprei seus brincos em uma bijuteria, não custou mais que três libras.

- Como?! Seu...

- Lindo? Maravilhoso?

- Já se viu no espelho?

- Sei que gosta do que vê, Cooper.

Lhe deu um selinho. A garota se afastou imediatamente.

- Seu porco! Seu hálito fede!

- Sei que me ama, querida.

Ela estirou o dedo do meio.

No dia de domingo, visitou seus avós. Eles moravam no campo, um pouco longe de Londres. Arthur amava sua avó, mas tinha uma relação especial com seu avô. Em todos os domingos que iria visitá-lo, o ajudava a concertar algo, ouvia um pouco de história – matéria a qual vovô Arthur era formado – e terminavam a noite vendo algum programa de adivinhar palavras. Aquele não foi um dia diferente. Eles concertaram a torradeira, conversaram sobre algumas revoltas e assistiram ao programa.

- Como está sendo a vida, garoto? – Perguntou seu avô assim que iniciou o intervalo – Rony me contou que quer trabalhar.

- O pai do meu padrasto me ofereceu um estágio, mas eu não sei se quero.

- Por quê? Pensei que gostasse desses computadores, reuniões e sei lá mais o que essa gente faz.

- E gosto. Acontece que Draco me disse que posso sacrificar alguns momentos da minha adolescência que não voltam mais, que eu irei me sobrecarregar e terei o resto da vida para ter o que quero. Por outro lado, conhecerei gente importante, saberei como o mundo econômico funciona de perto e... – Suspirou – Passarei ótimas horas estando em um estágio que eu amaria, perdendo as saídas com meus amigos.

- Pelo visto já sabe o que quer. Quer um conselho?

- Claro, vovô.

- Ser adolescente e fazer coisas de adolescente é bom, eu me divertia bastante. E se for organizado, montar um sistema, poderá controlar os dois lados. Eu tenho quase certeza que seus amigos se ocuparão com estágios também, se já não estão. Irão passar o mesmo que você. Pode ser que amadureça um pouco mais cedo, mas se você gosta disso, por que esperar?

- Eu nunca tinha pensado por esse lado. Obrigado, vovô.

Depois de algumas horas, teve que ir embora para casa de seu pai. De madrugada, sentiu fome. Desceu para a cozinha. Ouviu passos se aproximarem. Era de seu pai.

- Pai, o que faz acordado a essa hora?

- Não sou eu quem devia te perguntar isso? Que eu saiba, tem aula amanhã de manhã.

- E o senhor tem trabalho.

- Arthur.

- Senti fome. E o senhor?

- Fome.

- Depois de tudo o que comeu na casa da vovó?

- Olha só quem fala. E eu sou Weasley. Me dá um desconto.

Sr. Weasley começou a preparar um sanduíche para os dois.

- Pai, eu preciso te contar algo.

- Ainda é virgem, Hermione me contou. Não se preocupe, filho. Quando for a hora, é a hora.

- Não era bem isso o que que eu queria te dizer. – Recebeu o sanduíche – Depois de muito o que refletir, decidi aceitar o estágio.

Sr. Weasley arregalou os olhos. Em seguida, comeu seu sanduíche.

- Bom.

- Bom? É o que tem a me dizer?

- O que quer que eu diga?

- Não sei. É meu pai, não acha que deveria me dizer algo?

- Não seja puxa-saco.

- Obrigado, pai.

- O que quer ouvir?

- Algo inspirador. O senhor não disse nada a respeito quando falei do estágio, parecia que nem tinha ouvido. Agora vai fazer isso também?

- Quer minha opinião?

- Por favor!

- Eu acho uma péssima ideia.

- Por quê? Vou me tornar responsável.

- Responsável? Arthur, você recebeu um estágio do pai do Malfoy!

- Qual o problema?

- Foi de mão beijada! Ele não olharia para você se não fosse enteado do filho dele.

- É com isso está preocupado?

- Ok, vamos a lista. Como vai ao estágio? Você não tem carro, nem carteira. Eu duvido que tenha entrado em um transporte público. Tenho certeza como sua mãe mandará que aquele motorista te busque. Com o que vai usar o primeiro salário? Vai a algum lugar? E se um amigo teu te chamar para ir a uma festa? Vai trabalhar de ressaca ou mentir para o patrão?

- Já pensou na hipótese que eu posso recusar a festa? E qual o problema de ter um motorista? Não é crime, sabia? E pretendo levar minha família para jantar quando ganhar meu salário. Aparentemente não sou responsável o suficiente porque sou um riquinho privilegiado, que não sabe aceitar um não. Caso queira saber, recebi a maior rejeição de todas, a falta de confiança dos meu pai.

Arthur estava chateado. Não esperou que Sr. Weasley soltasse fogos de artifícios no céu, porém jamais imaginou que seu pai pensasse esse tipo de coisa ao seu respeito. Ele poderia ter algumas atitudes que parecessem esnobes, mas não era por mal. Arthur queria ser uma boa pessoa.

De manhã, encontrou sua madrasta praticamente gritando no celular. Dra. Weasley era uma mulher muito doce, menos quando se trata resolver algum caso, a agressividade a possuía. Ela andava de um lado para o outro, apertando uma laranja de tanta raiva.

- Como assim ele quer a casa de verão em Roma? Não nos importamos com a casa no México, foi onde a chifrou mesmo. Bom dia, Arthur.

- Bom dia.

A mesa estava cheia de panquecas, torradas, sucos, café e cereal. Seus irmãos já se serviam.

- Quem preparou tudo isso? A maldição das péssimas cozinheiras acabou? – Perguntou o garoto

- Papai quem cozinhou. – Revelou Hugo

- Olha o que temos. – Sr. Weasley pôs um bolo na mesa – Bolo de chocolate. O papai quem fez.

- Parece com o da padaria. – Observou Rose

- Obrigado, filha.

- Até tem o gosto do bolo do da padaria. – Acrescentou Hugo com o bolo na boca

- Se quiser, pode voltar para lá. Bom dia, Arthur.

- Bom dia. – Disse em um tom morgado

- Eu não creio nisso! – Reclamou Dra. Weasley – Já estou indo. Crianças, eu tenho que ir. Surgiu um probleminha no meu caso.

- Algo grave? – Quis saber Sr. Weasley

- Espero que não. – Lhe deu um beijo – Leve eles à escola, ok? O motorista está de férias.

- Ok. Boa sorte.

- Vou precisar.

Arthur não era o filho que faria birra, aguardando que seus pais se ajoelharem. Entretanto, estava magoado o suficiente para querer manter alguma conversa. Sr. Weasley não parava de conversar com os mais novos e tentava envolver o mais velho no assunto. O garoto não dizia nada além de poucas palavras. Só para manter distância do pai, permitiu que Rose sentasse ao lado do Sr. Weasley – privilégio que jamais daria de mão dada.

- Tchau. – Despediu-se seus irmãos, descendo do carro

O colégio de Arthur era mais próximo. Era lógico que Sr. Weasley preferiu deixar os mais novos primeiro para ter uma conversa a sós com o filho – ele não gostava de pedir desculpas, principalmente com plateia para assistir.

- Arthur, eu queria conversar com você. – Anunciou – Eu sei que fui cruel com você de madrugada e sinto muito. Eu não quis dizer que é um riquinho privilegiado ou algo do tipo. Sei que é um bom garoto, que é grato por tudo o que tem, sei que... Puta que pariu!

No instante que Sr. Weasley se distraiu, não percebeu que o automóvel a sua frente havia parado, batendo na traseira. Os airbags os protegeram. Por sorte, não havia sido nada feio.

- Filho, você está bem? Machucou alguma coisa?

- Não, eu estou bem pai. E quanto ao senhor?

- Estou bem.

- Oh-oh!

O motorista do carro a frente se aproximou furioso.

- Me desculpe. – Adiantou-se o ruivo

- Se desculpa? Eu deveria era te matar, seu filho da puta! Sabia que estou com meu filho aqui?

O filho do motorista raivoso – que estudava no mesmo colégio que Arthur – sussurrou algo em seu ouvido, olhando para o docente. De repente, o homem ficou pálido. Seu lábio tremia levemente.

- Sinto muito.

Foram suas últimas palavras antes de atirar uma certa quantia de capital no colo do Sr. Weasley e fugir de volta para o carro.

- Isso foi estranho. – Comentou o arquiteto

- Ele te deu cento e cinquenta libras. – Sr. Weasley tomou o dinheiro – Pai!

- Quem bateu nele?

Aquele não foi o único acontecimento estranho. Tinha sido o primeiro, mas não o único. O segundo acontecimento estranho daquele dia foi quando Sr. Weasley buscava por um bom lugar para estacionar o carro em que Arthur pudesse descer. Um veículo cedeu instantaneamente. Fugir é a palavra mais convicta.

- Isso foi estranho. – Comentou Sr. Weasley

- Muito estranho. – Concordou Arthur

O terceiro acontecimento estranho ocorreu quando Arthur pôs os pés em Hogwarts. O cavalheiro sentiu todos aqueles olhos pousados em si, incluindo os de professores. Eles murmuravam sobre algo que Weasley não conseguia decifrar. Quando notavam que o rapaz o flagrara, lhe davam sorrisos nervosos e perguntavam como estava. Alguns eram cordiais até demais.

- Se não é o meu melhor amigo. – Cumprimentou Lupin radiante – Como está, Art? Comeu bem?

- Comi? – Disse confuso

- Esse é o homem! Eu sempre soube, sempre!

- O que houve? Tirei D em química?

- Química! Ela faz química! – Exclamou Melissa

Aquele era o quarto acontecimento estranho e de longe, o pior de todos. Seus amigos o encaravam com um brilho nos olhos, igual de quando uma criança abre seu presente de natal.

- De onde você veio? – Perguntou Arthur – Quer saber? Nem me conte. Vocês enlouqueceram. Adeus.

Arthur os deixou para trás.

- Bom dia. – Desejou o interlocutor - Eu sou Dimitrio Nott. Neste dia teremos salsichas, purê de batata, brócolis, arroz e torta de morango para o almoço. Mas quem se importa com esta porcaria quando Lexi Cooper, a gostosa do primeiro ano, arranjou alguém? Estou me referindo a você, meu amigo Art Weasley. Que sorte sua. Porque Lexi Cooper é foda para o-

- Sr. Nott! – Bronqueou a diretora

- Diretora, está maravilhosa!

- Na minha sala!

- Não posso, estou ocupado com algo muito importante. Dá licença? Se acalme!

- Ora, seu...

Os sons de suas vozes haviam sido substituídos por algo quebrando.

- Isso é censura! Censura!

O som foi cortado. O que houve com Dimitrio Nott era irrelevante, as pessoas acreditavam que Arthur namorava Lexi Cooper. Por isso o tratamento que recebeu, tinham medo que Cooper lhes fizessem mal por sua fama.

- Extra! Extra! – Anunciava o vendedor do jornal colegial

Arthur recolheu a edição e começou a ler.

“Namoro do século

No dia primeiro de setembro de 2013, Alexandria Larissa Cooper e Arthur Gregory Weasley II teriam um convívio oficial na sala de aula de geografia da sexta série, em Hogwarts Academy. Após quatro anos de uma pura amizade carinhosa, ambos descobriram um sentimento escondido, que não poderia mais ser reprimido, o amor.

Indício comprovam que a relação amorosa se formou na festa de Art...”.

- Esse é o seu tipo de gente. – Disse Andrews com amargura

- Kendra...

A garota havia ido embora sem ao menos olhar para trás. Seu rosto ficou vermelho como um tomate. Ele a queria e graças a algum fofoqueiro, todos acreditavam naquela farsa ridícula, como ele chamava. Assim que pôs os olhos em Cooper, se aproximou furioso. Ela lhe devia satisfações. Cooper andou em sua direção.

- Nós temos muito o que conversar, Cooper!

Apesar de Arthur ter mil coisas para lhe dizer, foi privado disso com um beijo da morena. Aquilo foi um choque, tanto que levou um tempo para se recuperar. Seu rosto vermelho raivoso se tornou envergonhado. Embora já tivesse tomado a atitude antes, ainda era Lexi Cooper.

- Vem.

A garota o levou para longe, segurando em sua mão. O banheiro da Murta Que Geme era uma ótima ideia. Ninguém os perturbaria.

- Quer mesmo fazer aqui? Acho que Mel libera o carro. – Informou o atleta, abrindo o cinto

- Qual o seu problema? E feche esse cinto!

- Você me beijou!

- E deixar que estragasse tudo? Ótima ideia!

- Aquilo não fazia parte do plano! Ninguém deveria saber!

- Acha que não sei? Minha mama contou às amigas, que contaram aos filhos.

- Ótimo! Como vou conquistar Kendra se ela acha que estou com você? Meu Deus! Ela vai me matar!

- Andrews?

- Não, a minha mãe. Eu sempre conto tudo a ela. O que fará quando descobrir por outra pessoa?

Sacou seu celular do bolso para ligar.

- Que celular moderno. – Zombou Cooper

Arthur estirou o dedo do meio.

- Alô?

- Alô? Mamãe, sou eu Arthur.

- Te peguei, otário! Estou no salão de beleza, malhando ou ganhando muito dinheiro. Não posso atender. Deixe seu recado após o bip.

- Meu Deus! Meu Deus! Ela vai me matar!

- Só por isso?

- É a minha mãe! Ela se sentirá traída se souber por outra pessoa! Eu vou ligar para o meu pai também. Que dia é hoje?

- Terça.

- Merda!

- O que foi?

- Terça é dia de salão de beleza. Que por sinal, é onde tem aquelas velhas fofoqueiras que vão me dedurar. Temos que ir atrás dela!

- Não pode esperar até chegar em casa, não?

- E correr o risco dela saber outra pessoa? Deixe eu pensar... Não!

- E aula?

- Foda-se!

Arthur segurou na mão de Cooper e a retirou do banheiro. A sineta já havia sido acionada, todos estavam em aula. Weasley a levou até o vestiário masculino.

- Me empreste seu cartão de crédito. – Pediu Weasley

- O quê?

- Me empreste logo! Não vou roubar!

Cooper revirou os olhos e o entregou. Arthur usou seu cartão de crédito para abrir um dos armários e recolheu uma chave de carro. Ouviram passos de alguém. Cooper o encarou tremendo de medo.

Arthur a puxou para dentro do armário dos objetos esportivos.

- Está apertado! – Sussurrou a morena

Arthur pôs a mão em sua boca, alguém tinha entrado no vestiário. Por conta do acumulo de coisas que tinha dentro do armário, os corpos tiveram foram obrigados a ficarem grudados para ter um desconforto menor. Viram que a pessoa tinha saído com o som do fechar da porta.

- O que acha de brincarmos de Sete minutos no Céu? – Perguntou Arthur em um tom zombeteiro

- Você é um porco mesmo.

Saíram do armário. Cooper girou a maçaneta.

- Está trancada.

- Não se preocupe, vamos sair pela janela.

A sorte era que o vestiário ficava no térreo, então não houve problemas em sair pela janela. Weasley retornou a segurar na mão da menina e a levou para o estacionamento.

- Está gostando de pegar na minha mão, Weasley?

- Deus me livre. Só estou segurando para a criança não se perder.

Cooper revirou os olhos.

- Qual é o carro?

Weasley apertou o botão do controle e um veículo acionou. Era uma Land Rover.

- Esse não é o carro de Goyle?

- Vai ficar olhando ou vai entrar?

Os dois entraram no automóvel. Arthur deu partida, mas o carro freiou bruscamente.

- Me diga que sabe dirigir.

- É claro que eu sei. Anda logo, sua lata velha!

- Art.

- O quê?

O zelador Filch tinha os visto de longe. Ao menos, longe o suficiente para não reconhece-los.

- Puta merda! – Bradou Cooper com medo

- Anda! Anda! Anda!

Arthur deu partida novamente. O carro andou com tudo e atroatropelou o arbusto. Isso não impediu de continuar a alta velocidade. Cooper se prendia ao banco. Saíram do colégio tão rápido que nem deu tempo dos guardas tentarem pará-los.

- Conseguimos! – Exclamou o ruivo, com as mãos erguidas

- Coloca a mão no volante!

O carro estava na direção de uma senhorinha que atravessava a rua. Na tentativa de ir para o lado, ele foi demais e acertou algumas mesas externas de um restaurante. Ele diminuiu a velocidade.

- Ali está uma placa de pare. – Alertou Cooper, tentando se recuperar do transe

Arthur prosseguiu seu rumo sem dar atenção ao aviso.

- Qual é o seu problema? – Brigou Cooper – Ali tinha uma placa para parar!

- Que estranho, eu não vi.

Arthur teve sorte de não ter nenhum carro estacionado na frente do salão de beleza e nem perto.

- Viu? Eu disse que sabia dirigir.

Cooper o olhou com ódio.

- Não me olhe assim! Está viva, não está?

- Não graças a você, seu porco! Onde estava com a cabeça? Quase matou nós dois!

- Não foi nada de mais!

- Nada de mais! Você roubou um carro, quase atropelou alguém e bateu em propriedades particulares! Pode ter certeza que isso foi demais! Eu não sei onde estava com a cabeça de aceitar vir com você!

- Mas você veio! Então dá para parar de reclamar e entrar logo nesse salão?

- Você é um porco, Art Weasley! É bom que saiba disso!

- E você é uma idiota, Alexandria Cooper!

Retiraram suas expressões irritadas para colocarem suas máscaras. Deram as mãos. Arthur praticamente invadiu o salão de beleza, sem se importar se a moça conseguia acompanhar o ritmo de seus passos. Várias senhoras o encaram com surpresa, deixando Cooper um pouco constrangida. Arthur pouco se importava com aqueles olhos curiosos.

- Mamãe? Mamãe!

Sra. Malfoy tinha suas unhas sendo feitas.

- Arthur?! O que faz aqui a essa hora? Olá, Lexi.

- Oi, Sra. Malfoy.

- Mamãe, eu e Lexi estamos namorando.

- O quê?! – Indagaram três senhoras

As três senhoras eram as melhores amigas da Sra. Malfoy desde que eram meninas. Portanto, assistiram Arthur crescer e acompanharam os momentos mais importantes da vida deles. Sra. Samuels e Sra. Karev eram irmãs gêmeas idênticas. Seus cabelos eram castanhos e seus olhos eram verdes. Sra. Zabine tinha o cabelo tingido de loiro e olhos castanhos.

- Meu amor, não me leve a mal, mas acha que foi necessário matar aula só para me contar isso? – Questionou Sra. Malfoy – Não poderia me contar em casa?

- Eu avisei! – Reclamou Cooper

O rosto de Arthur corou levemente. Seus olhos envergonhados caíram no chão. Cooper riu internamente ao vê-lo como parecia uma criança que estava prestes a confessar o que tinha aprontado.

- É que a senhora está feliz e não queria te aborrecer de novo se descobrisse por outra pessoa.

O rosto do rapaz corou mais ainda. As amigas de sua mãe o encaravam com olhos ternos. Sra. Malfoy também ficou envergonhada pela saia justa que tinha deixado seu filho.

- Ah, meu amor, não precisava se dar ao trabalho de matar aula só para me contar. Eu estou muito feliz. Lexi, quero que vá comer com a gente qualquer dia desses.

- Sim, Sra. Malfoy.

- Agora saiam daqui. Aproveitem o dia e não se metam em mais encrencas!

- Não posso prometer nada. Adeus, mamãe. Senhoras.

Arthur beijou a mão da mãe e partiu. Os olhos curiosos das senhoras se tornaram dóceis. Ao saírem do salão de beleza, notaram que o automóvel tinha desaparecido.

- Onde está o carro? – Perguntou o ruivo

- Bem ali.

Cooper apontou para um caminhão de reboque levando o carro.

- Puta merda!

- É o que dá quebrar a lei.

- Que lei?

- Estacionou na frente de um hidrante.

- Não tem nenhum incêndio por aqui!

- Não deixa de ser contra lei.

- Era o que me faltava!

Arthur jogou a chave no lixo.

- É o que vai fazer? – Perguntou Cooper chateada

- Tem uma ideia melhor?

- Que tal contar a verdade?

- Quer mesmo que seus pais saibam que roubou um carro?

- Quem roubou foi você!

- Ainda é minha cumplice!

- Fique longe de mim, Weasley!

Cooper largou de sua companhia e seguiu por um caminho oposto. Arthur quis muito deixa-la sozinha, mas seu traço de cavalheirismo não o permitiu. Ele sentia que tinha que estar com ela.

- Cooper, espere!

Arthur acelerou seus passos até que conseguiu alcança-la.

- Eu já disse para me deixar em paz!

- E aonde você vai? Hogwarts? Estará encrencada se fizer isso!

- Estarei bem mais se eu estiver com você! Não sou idiota, não vou voltar!

- E aonde vai?

- Não te interessa, Weasley! Táxi!

Um táxi parou e ela se acomodou no banco de trás.

- Não pode sair sozinha.

- E por que não?

- É um risco.

- Risco é ser vista com você. Se me der licença, vou embora.

- E como vai pagar o táxi?

- Com o meu... Meu cartão de crédito...

Arthur mostrou seu cartão de crédito com um sorriso cínico.

- Me devolve isso agora, Weasley!

- Vem pegar!

- Qual o seu problema?

- Não sei. Qual o seu problema, Cooper? Na verdade, eu sei. É chata, mesquinha e esnobe.

Cooper saiu do carro e tentou pegar. Arthur era mais alto, então não conseguiu.

- Eu vou te chutar!

- Só devolvo se formos comer. Eu estou com fome.

- É muita cara de pau.

- Vamos. Que mal tem em comer?

- Não como com porcos.

- Talvez uma música lhe faça mudar de ideia.

Arthur começou a cantar Hey, Jude, de Beatles. Só que invés de cantar Jude, cantou Lexi. Sra. Malfoy era conhecida por sua voz, seu primogênito também. Só que Sra. Malfoy cantava bem, enquanto o ruivo cantava incrivelmente mal. Sua voz parecia arranhada. E se já não bastasse ser torturada ouvir aquele desastre, as pessoas olhavam e riam da cena. Quando viu que alguém começara a gravar, Cooper tampou a boca do rapaz.

- Eu almoço com você, seu idiota! Só cale a merda dessa boca!

Arthur lambeu a mão dela. Cooper lhe deu uns dois tapas no ombro.

- Seu porco!

Arthur levou Cooper em um restaurante chinês não muito longe dali. Ele notou o grande gosto que a morena tinha pela comida.

- Para quem não queria comer, está quase acabando com o estoque do restaurante. – Zombou Weasley

- Correção, eu não queria comer com você. E quem come muito é você. Pensa que não vi você devorando tudo o que via lá em casa?

- Como muito, o que posso fazer? Pelo menos fui educado e perguntei se podia comer tudo aquilo.

- Desejam mais algo? – Perguntou a garçonete com traços orientais

Arthur respondeu em chinês. A garçonete franziu o cenho.

- Nada. – Respondeu Cooper

A garçonete se ausentou.

- Ela não fala chinês?!

- Você é ruivo e nem por isso é russo. Que mundo estranho!

- Engraçadinha. Vou dar uma gorjeta gorda a ela como desculpa.

- Racista.

- Eu não sou racista! Só cometi um errinho. Não me olhe assim! Meus pais me matariam se eu fosse um babaca.

- Sua mãe deve ser brava para ter matado aula, roubado um carro e destruir coisas só para contar sobre o namoro.

- Até que não. Ela é bem legal. Só anda estressada e não quis irritar. Está bem sensível, sabe? Melissa acha que está na crise do quarenta.

- Quem é Melissa?

- Melissa Wood. Ela é líder de torcida.

- Ah. Wood.

- Não sabe quem é, não é?

- Não faço ideia. Eu sei o que está pensando.

- E o que é?

- Que só porque sou a rainha e futura divina em Hogwarts, só penso em mim e pouco me importa o resto. E quer saber? É tudo verdade. Por que eu devo me importar com essas pessoas?

- Elas te idolatram. O mínimo que pode fazer é se importar.

- Eles não me idolatram. Eles me invejam e querem ser como eu. Por isso me imitam. Só que alguns fingem gostar de mim e outros nem tentam.

- Eu até diria que alguém pode gostar de você de verdade, mas acho difícil que alguém te ature.

- E você? O que você tem de interessante?

- Eu sou legal.

- Até parece.

- Se me conhecesse de verdade, não me julgaria.

- Então porque você me julga?

Arthur ficou sem saber o que dizer. Cooper sorriu vitoriosa.

- Então quer dizer que por trás toda essa monstruosidade, há chances de haver humanidade dentro de Lexi Cooper? Eu não acredito.

- Pelo menos eu tenho chances. Você não passa de um porco encardido.

- Obrigado pela parte que me toca. Cooper, por que me pediu para ser seu namorado falso?

- Porque meus pais gostam de você.

- Eu quero dizer por que precisa de um namorado falso? Você é popular, pode ter quem quiser aos seus pés.

- Não é da sua conta.

- Ora, vamos. É para enciumar alguém? Um cara terminou com você?

- Weasley, isso não é da sua conta! E você?

- Eu?

- Por que Kendra Andrews?

- Meu avô sempre disse que a garota certa é quem te faz molhar as calças. E devo confessar que Andrews sempre foi um pouco assustadora.

- Com aquela cara, quem não teria medo?

- Ela não é tão má assim.

- Bem que me disseram que o amor é cego. Espera, está apaixonado por ela desde a sexta série?

- Não!

- E quando você se apaixonou?

Arthur fez as contas em sua mente.

- Há uns cinco meses.

- Cinco meses? Então começou tudo no verão?

- Algumas semanas antes.

- Nossa, achei que fosse a fim dela por anos. Do jeito que fica perto dela, faz parecer.

- Não é o tempo que importa, é a quantidade de sentimento.

- Isso é a maior mentira. Você precisa de tempo para conhecer ela de verdade! Não pode só gostar dela e se entregar de cara!

- Não estou me entregando de cara! E quando vai me ajudar a ficar com ela?

- Não apresse as coisas, Weasley. Precisa pensar em uma estratégia.

- E qual é?

- Para começar, vai ignorar ela. Para ela te desejar, precisa sentir sua falta. Vai mostrar como está feliz comigo e esquecer dela completamente.

- Não era para fazermos o oposto? Se eu gosto dela, tenho que demonstrar.

- Weasley, quem sabe mais de relacionamento? Eu. Quem conhece melhor as mulheres? Eu de novo. Portanto, me obedeça e tudo vai sair do jeitinho que planejei.

- Você está adorando me dar ordens, não é?

- Não sabe o quanto. E temos que começar com as aulas de química.

- Não dá para pular essa parte? É só eu colar nas provas.

- Não. Você vai aprender nem que seja amarrado. E você vai me buscar em casa.

- Tenho cara de motorista por acaso?

- Tem cara de quem vai fazer tudo o que mando porque terei que te ajudar. E é bom que não dirija!

- Você é muito abusada mesmo.

O celular velho de Arthur tocou.

- É o meu pai. – Atendeu o celular – Oi, pai. Me deduraram, não foi? Não fique bravo, por favor, eu matei aula com uma amiga. Calma, pai. Estamos em um restaurante, não fizemos nada de mais.

Sr. Weasley disse algo que fez o ruivo ficar pálido. Cooper logo notou e ficou preocupada.

- Sim, eu entendo. Estou indo aí.

- O que foi?

- O meu padrasto, ele... Ele... – Se levantou da cadeira – Eu tenho que ir.

- Art, espere! Não pode sair assim! – Cooper pôs uma quantia a mais do que deveria na mesa - Weasley, calma. O que aconteceu?

- Não dá para explicar. Preciso pegar um táxi.

Arthur saiu atordoado do restaurante. Cooper não poderia abandoná-lo daquela forma assim como ele não a deixou. Ela o seguiu. Arthur quase teria sido atropelado se a jovem não o tivesse puxado pelo casaco.

- Olhe por onde anda, idiota! – Bradou o motorista que quase o atropelou

- Weasley, fique quieto! – Ordenou Cooper – O que aconteceu? Seu padrasto está bem?

- Ele está no hospital. Eu tenho que ir.

Cooper queria dizer que não desejaria acompanhá-lo, mas não encontrou um motivo descente para abandonar o namorado em um ocorrido aparentemente complicado. Ela chamou por um táxi e o acompanhou até lá. Ela queria saber o que dizer para melhorar o humor dele, mas nada que parecesse realmente válido veio a sua mente. Ela até desejou que ele falasse alguma idiotice invés de ficar daquela forma.

- Ele vai ficar bem. – Afirmou Arthur instantes depois

- Claro que vai.

O rapaz pareceu ficar menos tenso, mas continuara de boca fechada. Na recepção, encontraram os gêmeos Malfoy e as primas maternas de Weasley. Era Patrice e sua irmã mais nova, Mabel. Seu cabelo e olhos eram castanhos. Uma menina de dez anos bochechuda, era fofa. As crianças estavam sentadas e muito apreensivas. Tia Daphne era responsável e estava ocupada tendo uma conversa bem séria ao celular. Ao ver o irmão, Inquesita correu para os seus braços.

- O que houve, Art? – Perguntou Inquesita – Tia Daph só disse que papai está aqui.

- Eu não sei, Cassy. – Respondeu Arthur

Arthur não gostava de ser inútil, ele queria ajudar sua família o máximo que podia. Tia Daphne largou o aparelho e se aproximou das crianças.

- Mamãe, o que houve? – Preocupou-se Patrice

- Art, que bom que chegou. Estava preocupada. – Se voltou para Cooper – Você quem é?

- Minha namorada, O que aconteceu, tia Daph? – Indagou o ruivo

- Vamos no quarto, eu explico no caminho.

Seguiram tia Daphne. Não houve possibilidade de terem alguma explicação porque alguém ligou para tia Daphne.

- Dra. Greengrass-Bulstrode. Sim, eu peguei as crianças. Art também está aqui. Estamos indo agora mesmo. Eu sei, é a cara dele. Aposto que vai desmaiar no parto também, como da última vez.

- Mamãe, por favor! – Reclamou Patrice

- Tenho que desligar, Pansy. Te vejo lá, tchau. Ouçam, crianças. Draco desmaiou e foi trazido para cá.

- Papai está bem? – Quis saber Scorpius

- Claro, querido. Ainda não acordou, mas não é nada.

- Se não é nada, porquê foi levado ao hospital? – Questionou Mabel

- Porque médicos precisam ter certeza que ele está bem. Mas é claro que ele está bem, apenas desmaiou.

- Desmaiar não é normal, tia Daph. – Desesperou-se Inquesita

- Acredite, querida. Seu pai ficará bem. Assim eu espero.

As perguntas continuaram, tia Daphne não sabia bem o que dizer. Não importava quantas vezes repetisse que mal sabia do assunto, ainda queriam respostas. As portas do elevador se abriram. Não foi necessário perguntar onde Dr. Malfoy estava, os gritos da Sra. Malfoy já foram o suficiente.

- É isto o que chamam de lençol? Meu marido é o chefe da área de operação, não acha que ele merece um tratamento melhor?

- Mamãe!

Scorpius correu para abraçar a mãe.

- Meus amores, o que fazem aqui?

- Tia Daph nos contou que papai desmaiou. – Disse Scorpius – Como ele está?

- Está bem. Não foi nada alarmante para que perdessem aula.

- Ele desmaiou, mamãe. – Falou Inquesita

- Ah, querida. Não se preocupem, o papai está bem. Estaria melhor se tivessem um lençol de qualidade, mas estamos aguentando. Venham, o papai ficará feliz de vê-los.

Dr. Malfoy repousava no décimo quinto andar. Deitava em sua cama desacordado, um aparelho que demonstrava seus batimentos cardíacos estava ligado a ele. Vovó Narcisa lhe fazia companhia, segurando em sua mão.

- Vovó!

Seus netos lhe abraçaram.

- Olá, crianças. O que fazem aqui? Não me diga que a mãe de vocês deixou que perdessem aula?

- É importante estar aqui, vovó.

- Onde está vovô?

- Pegou o primeiro voo da China. Logo estará aqui. Olá, Mabel, Patrice, Daphne, Arthur e amiga de Arthur. É a neta de Mariano?

- Sim, senhora.

Cooper não sabia o que estava fazendo ali. Ela não queria e nem devia estar ali. Ter o colégio sabendo da relação era difícil, mas quando as famílias se envolvem era pior. Ela estava estática, se perguntando se havia alguma maneira de fugir dali. Se isolou um pouco no corredor para deixar a família a sós.

- Como vai, Lexi?

Para seu azar, sua sogra lhe notou.

- Mal podemos conversar, quero muito te conhecer. – Informou Sra. Malfoy – Está muito bonita. Ainda lembro de quando era mais nova, usando aparelho e óculos.

- Ainda uso, mas só para leitura. Eu lamento pelo o ocorrido.

Meu Deus, eu não disse isso, pensou Cooper

- Tudo bem, isso não foi nada. Então, há quanto tempo estão namorando?

- Três semanas. Sinto muito Art não ter contado antes. Ele só queira...

Puta meeerda, pensou a morena.

- A culpa é minha, tenho estado irritada demais ultimamente. Mas eu sei que ele iria me contar, cedo ou tarde. Ele sempre me conta tudo, somos bem próximos.

Nem tudo, pensou Cooper

- Uma garota como você era tudo o que ele precisa no momento. É forte, inteligente e não é momentânea.

- Momentânea?

- Mamãe, papai está acordando! – Avisou Scorpius

Sra. Malfoy se aproximou do marido às pressas. Dr. Malfoy se remexia um pouco.

- Se afastem um pouco, crianças. Ele precisa de espaço. Pitelzinho?

Dr. Malfoy abriu lentamente seus olhos azuis. Bocejou.

- Rainha?

- Não se mova! Onde está o médico quando precisamos?

Um médico amigo da família, Dr. Burke, se aproximou para checá-lo. Usou uma lanterna para analisar seus olhos e pediu para que abrisse a boca.

- Estou bem, Josh. – Afirmou Dr. Malfoy

- Não deixe de checar nada! – Mandou Sra. Malfoy – Ele é o paciente, precisa tirar todos os exames.

- Aparentemente ele está bem, apenas a pressão dele que caiu. – Informou Dr. Burke

- Já posso ir embora.

- Não ouse sair desta cama, Draco Malfoy! Quero que faça exames, tire raio-x, tudo o que tiver. Tenho que ter certeza que ele está bem.

- Eu estou bem, Astória!

- Não, não está! Ou não teria desmaiado! Isso foi um sinal!

- Sinal de quê?

- É claro que não está pronto para um terceiro filho!

- Está grávida?! – Indagaram seus três filhos

- Estou. – Admitiu Sra. Malfoy

- É claro que estou pronto. Me saí muito bem nas outras vezes. Nada será diferente. Além de eu ter filho aos trinta e nove anos. Terei quarenta e quatro quando for ao colégio e cinquenta e cinco quando namorar. Ele pode ser um bom atleta, mas teremos que usar óculos para enxergamos melhor. E também ter aparelhos auditivos para ouvi-lo, seria constrangedor não saber a voz do próprio filho. Usaremos remédios para ficarmos acordados quando se formar em Cambridge. Quem sabe peçamos para comprar nossas fraudas quando for comprar a dos nossos netos, será uma economia de tempo já que não duraremos muito. É bom escolher tutores para ele para-

- Não acabar em um orfanato quando morremos de velhice?

- Exatamente. Fora isso, não tem problema algum.

- Pois saiba, Draco Malfoy, que o bebê vai preferir uma mãe velha que o ama a um pai idiota como você!

Sra. Malfoy fugiu à beira das lágrimas.

- Mamãe!

Arthur a seguiu. Entrou no armário de limpeza, onde sua mãe chorava no chão. Suas mãos escondiam seu rosto choroso.

- Mamãe.

Sentou-se ao seu lado.

- E-Ele não me a-ama mais.

- Claro que ama.

- Não, não ama. V-Viu como se referia a mim? Não passo de um copo descartável. Ele só não bebeu da minha água, como me rasgou e jogou fora.

- Isso não é verdade, mamãe. Ele te ama.

- Não ama. Aprenda uma coisa, Arthur: homens não querem envelhecer. No instante em que perceberem o cabelo branco, largam as esposas velhas para se divertirem com as novinhas.

- Draco não é assim. Só está assustado. Lembra quando soube dos gêmeos? Ele desmaiou também.

- Mas não me tratou daquele jeito! Nunca nesses trinta e sete anos da minha vida eu fui tão humilhada! Isto inclui o período em morei com meus pais. Viu o jeito como ele me olhava? Com tanto desprezo e d-desgosto. Eu não aguento isso. Não aguento. Não quero ser tratada assim!

- E não vai. Tenho certeza que lhe pedirá perdão assim que voltarmos.

- Eu não vou conseguir voltar, estou muito envergonhada. Me sinto tão feia agora.

- Mamãe, a senhora não é carne para ter validade. Pode ter oitenta anos e ainda será maravilhosa. Precisa ser forte e voltar de cabeça erguida. Quem deve estar envergonhado é ele, não a senhora.

- Está certo. Obrigada, meu amor. – Lhe deu um beijo na bochecha – Eu te amo.

- Também te amo.

Saíram dali. Sra. Malfoy andava com o filho, com seu braço enrolado no dele.

- Querido, poderia levar sua namorada para o refeitório, por favor?

- Não. Quero ficar ao seu lado.

- Por favor, Arthur. Por favor.

- Sim, senhora.

Arthur convidou Cooper para o refeitório, vovó Narcisa e tia Daphne se encarregaram de tirar as crianças do quarto.

- Quer comer algo? – Perguntou Weasley

- Não.

- Eu vou querer um café, sempre me acalma. Gosta?

- Detesto.

- Sinto muito lhe fazer passar por isso. Sei que não fazia parte dos seus planos está aqui.

- Ok. Sua mãe vai ficar bem?

- Vai. Ela e Draco se amam, farão as pazes logo. Ainda não acredito que terei um irmão.

- É algo bom?

- Sim, a atenção não ficará só em mim. Quanto maior a família, melhor. Portanto que dê para sustentar, claro. Quer falar sobre o que faremos em nossa relação?

- Agora?

- É isso ou podemos ficar no silêncio constrangedor. A minha mãe e minha tia já sabem, o que significa que mais pessoas saberão. Teremos que fingir em todo lugar. Eu posso aguentar e você?

- Sim. Teremos que nos beijar em público, andar de mãos dadas, sentarmos juntos.

- Sentará na minha rodinha?

- Sim. Como namorado, deve ir aos meus treinos de líder de torcida.

- E você, os treinos de cricket. Terá que conhecer toda minha família. E quando digo toda, é toda mesmo. Os Weasleys se encontram bastante na casa dos meus avós nos domingos.

- Portanto que compareça os eventos de demonstrações de papai.

- Então seremos Rei Arthur e a Duquesa de Greenwich.

- Falando assim, fica ridículo.

- Que nem você.

- Vá à merda.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...