1. Spirit Fanfics >
  2. Just Breathe - Shortfic Johnlock: Hanahaki Disease >
  3. Chapter Six

História Just Breathe - Shortfic Johnlock: Hanahaki Disease - Capítulo 7


Escrita por:


Capítulo 7 - Chapter Six


Sherlock 

Dois meses já haviam se passado desde que John descobrira minha condição. E ele havia agido como prometido: ficou ao meu lado a todo momento, me ajudando da maneira que pode. 

Em minhas crises ficava longe, mesmo que não quisesse, para poderem passar logo. Ele cuidou de mim quando eu sentia que estava fraco demais até mesmo para andar. 

A cada dia se tornava mais e mais difícil de respirar. 

Eventualmente acabei contando para as pessoas a minha volta. Primeiro, a Sra. Hudson: a pobre coitada ficou desolada com isso, mais desolada do que quando eu fingi minha própria morte para salvar a todos. Ela me abraçou por tempos e disse que eu era o seu melhor inquilino, nós dois choramos, mas isso é um fato que ninguém precisa saber. Segundo, Mycroft: surpreso é a melhor definição para sua reação, mas surpreso de um modo bem Mycroft. Como um bom irmão mais velho, ele insistiu para que eu fizesse a cirurgia e acabamos por brigar bem feio nesse dia: 

– Não vou fazer a merda de uma cirurgia que possa me fazer não ter mais sentimentos e pior ainda, esquecer do John! 

Nós dois gritamos muito naquela tarde, Mycroft estava furioso. John tentava nos acalmar e me segurar para não voar em cima do meu querido irmão. 

– Por que ele está aqui na sala afinal de contas, é um assunto de família! 

– E é por isso que ele fica! 

Após muitas outras discussões, ele resolveu apoiar minha decisão de não fazer a cirurgia e morrer amando alguém e sendo quem eu sou, contra sua vontade obviamente. Sei que ele apenas desejava meu bem, porém não era aquilo o que eu desejava para mim e ele deveria respeitar aquilo. 

Depois foi Molly e Lestrade, nem ao menos preciso comentar o quanto Molly chorou e despencou em meus braços, totalmente arrasada. Lestrade me abraçou fortemente e disse que faria qualquer coisa que eu quisesse, e se tivesse um homicídio triplo ele me chamaria imediatamente. 

Agradeci sua incrível gentileza, infelizmente esse caso nunca veio. 

Mandei até mesmo uma mensagem para Irene, sendo direto e franco: 

"Estou com Hanahaki, irei morrer logo. Não iremos jantar." 

Ela não me respondeu, era melhor desse jeito. A última coisa que precisava era essa mulher ao meu lado nos últimos momentos, não daria nada certo isso. Consigo até imaginar o caos. 

– Sherl? 

John apareceu de repente na sala, ele escondia um pequeno sorrisinho e caminhava em minha direção ansioso. 

Olhei para ele tentando não demonstrar divertimento com sua alegria repentina. Mas era quase impossível de não esboçar ao menos um sorriso. 

– Sim? 

– Eu tenho um presente incrível pra você! 

Ele se jogou no braço de minha poltrona quase caindo, o agarrei pela cintura o mantendo no mesmo lugar. Ele olhou para mim de maneira sem graça e sorriu tímido. 

– Obrigado. 

– Não há de que. Agora, o que é essa surpresa? – Sorri para ele sem mostrar os dentes e aguardei seu pronunciamento. 

John fez uma pausa dramática me olhando no fundo dos olhos. Eu estava quase morrendo para saber o que era afinal de contas. 

– John! Conte logo o que é. – Lhe dei um empurrãozinho de leve, e ele riu divertido. 

John como sempre um sádico se divertindo com a minha dor. 

– Tudo bem, tudo bem! – riu e ergueu as mãos em rendimento – Eu conversei com alguns amigos da polícia de Canterbury e eles tem um caso para gente. 

– Canterbury? Aquela cidade que parece medieval? – confirmei para mim mesmo. 

Não pude evitar de fazer uma careta, essa cidade não era um dos melhores lugares do mundo. As pessoas são totalmente caretas e geralmente terríveis! E olha que éramos todos britânicos. 

– Sim, sei que você não gosta de lá. Mas, é por uma boa causa. 

– E qual seria? 

– Um homicídio com criptografias para desvendar, sem testemunhas. 

Naquele momento meus olhos brilharam, finalmente alguma emoção no final de tudo! Havia décadas que não resolvia algum caso divertido. 

Eu pulei da poltrona com entusiasmo e John acabou despencando para onde eu estava, já que o mesmo estava se apoiando em meu corpo. Ele me encarou emburrado e se ajeitou na poltrona. 

Eu já comentei o quão adoravel ele ficava quando ele sentava em minha poltrona? Ele ficava adorável. 

– Finalmente algum caso para animar meus últimos momentos! 

Pulei empolgado pela sala, mas quando olhei para John novamente ele não compartilhava da mesma emoção que eu. Seu olhar era cabisbaixo, ele não mantinha contato visual e se distraia passando o dedo pelo braço da poltrona. 

Me aproximei e me agachei ao seu lado, querendo olhar em seus olhos. Mas, a única coisa que meu companheiro fez foi virar a cara e se recusar a me olhar. 

Virei seu rosto em minha direção, segurando em seu queixo. Seus olhos estavam tristes e marejados, não conseguia compreender o porquê daquela emoção repentina. Tínhamos um caso após um longo tempo! 

– Por que está assim, Watson? 

– Você fica dizendo que está nos últimos momentos. 

Franzi as sobrancelhas confuso com sua afirmação. Nunca fui bom com emoções humanas, apesar de tudo que havia aprendido ao longo dos anos. Hoje em dia repenso nesse dia, e vejo o quão bobo eu fui. 

– Mas, é a verdade. Logo irá começar a ser buquês e depois escuridão. 

– Pare de dizer isso! 

Ele me encarou no fundo dos meus olhos e seu olhar doeu em mim. John estava magoado comigo, e sempre era aquele sentimento de tristeza e raiva, o que me doía mais ainda. 

Tossi algumas vezes, incomodado com a sensação. E John já estando acostumado com isso, me ajudou a me sentar na poltrona novamente. Correu e voltou com um balde e um copo d'água. 

Exilei o girassol de meu corpo, dentro daquele balde e bebi o líquido como se fosse a última gota d'água do planeta. 

A cada dia se tornava mais e mais difícil de respirar. 

– John, eu não irei estar mais aqui dentre algumas semanas. Isso é um fato que não precisa nem ao menos ser adivinhado ou deduzido, pois está mais do que óbvio. 

– Bom, você sempre diz que eu vejo mas não observo. – Ele sorriu tristemente e afegou meu joelho. 

Eu queria congelar momentos como aquele para sempre. Momentos em que John era gentil e carinhoso comigo, sendo amável e dando total atenção para mim. Eu gostava daquilo. 

Eu sorri para ele, querendo transmitir conforto e querendo deixá-lo seguro. Tudo o que eu menos queria, era ver meu médico triste como estava. 

– Me desculpe por ser tão dramático, é só que… – Ele mordeu os lábios parecendo pensar nas palavras certas – Eu vou sentir sua falta, apesar de você ser tão irritante. 

Eu ri e me arrependi logo em seguida, minha garganta reclamou de dor e fiz uma careta com isso. 

– Sabe… apesar de estar no caminho da morte, não me arrependo de nenhuma escolha que fiz. – comentei, John me olhava com aqueles pequenos olhinhos brilhantes querendo saber mais. 

Me movi para o lado, lhe dando espaço para sentar ali. Após tudo o que vinha acontecendo, eu e Watson havíamos nos tornado bem mais próximos. Como amigos, obviamente, mas apesar disso eu gostava da maneira carinhosa como nos tratavamos. 

Ele se sentou ao meu lado e eu me aconcheguei em seu corpo, respirando de seu cheiro e aproveitando o abraço desajeitado. 

– Não me arrependo de ter te conhecido. De nenhum único caso que tenhamos resolvido, todos foram mágicos! E muito menos me arrependo de ter me apaixonado por você. 

Eu o encarei, aqueles olhos tão profundos que sempre me faziam viajar para os mais belos pensamentos. Os lábios rosados, sempre convidativos para serem tocados. Os fios de cabelo, misturando o loiro e o grisalho pedindo para serem devidamente ajustados. 

Eu amava a imagem de seu rosto, parecia ter sido esculpido por anjos. Dedicaram horas de seu valioso tempo, apenas para pensar em John e em sua beleza. 

– Sherlock, eu gostaria de testar algo. 

Eu pude perceber o modo como ele engoliu em seco e como sua respiração havia ficado devagar e pesada. Ele parecia hesitante e ansioso ao mesmo tempo. 

– O que é? 

Eu me ajeitei na pequena poltrona, me sentando de modo em que nossos rostos ficassem alinhados. O pequeno espaço, fazia nossos corpos ficarem a todo momento se encontrando e aquilo transmitia um calor gostoso. 

E foi ali que tive um dos melhores momentos de toda minha vida. Eu já estive em diversas situações de perigo que me causaram imensa adrenalina, mas nenhuma fora igual aquela. No momento em que John se aproximou de mim, as borboletas no meu estômago se debatiam intensamente e eu sentia a emoção de quando estava prestes a pegar um assassino. Era algo incrível! 

Eu fechei meus olhos e esperei seu movimento, parecia um adolescente indo beijar a pessoa que gosta pela primeira vez. Senti seus lábios tocarem os meus levemente, nós demos um selinho demorado e então lembrei que as pessoas costumam abrir a boca nessas horas. Foi o que eu fiz, abri levemente lhe dando o espaço necessário para se encaixar. 

O beijo que havia começado lentamente, começou a acelerar. Ele me beijava de modo carinhoso, com sua mão pousando em meu rosto e seus dedos se enroscando nos cachos que conseguia alcançar. Já eu, segurei em sua cintura para firmar meu corpo. 

John Watson estava me beijando! 

Estava ficando difícil respirar, e dessa vez não era por conta das flores. 

Então, eu me toquei de algo. Por que John estava me beijando? 

Me separei dele e ele me encarou confuso, ainda com os lábios entreabertos e vermelhos. Toquei os meus, me certificando de que eu não estava sobre o efeito de alguma droga e tudo aquilo fosse um sonho. Mas parecia muito real para mim. 

– Jawn, por que me beijou? 

– Eu precisava testar… 

– Testar o que? – perguntei com receio em minha voz, um nó começava a se formar em minha garganta. 

– Se eu estou apaixonado por você. 

Meu peito parecia explodir, ele queimava e parecia estar sendo preso por algo, fazendo com que o ar não atravessasse. Eu agarrei no tecido da blusa de John querendo ajuda para respirar, mas nada parecia adiantar. 

A tosse veio, mas nada saia. John rapidamente se levantou e pegou o telefone, ele havia percebido que aquilo não era uma das crises normais. 

Meu corpo parecia estar em chamas e pontos brancos brilhavam em minha vista. Me sentia extremamente exausto e angustiado. 

As pequenas pétalas começaram a sair, cobertas pelo sangue. Eu não estava bem. 

John me ajudou a me deitar no sofá que havia do outro lado da sala, e me ajudou do jeito que pode como médico. Uma ambulância estava a caminho, consegui ouvir. 

Estava difícil de raciocinar e conseguir pensar em algo que não fosse a morte. 

– Sherlock, ei! – Ele segurou em meu rosto, me fazendo olhar em seus olhos. – Aguente mais um pouco. Ajuda está a caminho. 

A última coisa que me lembro de ter visto dessa tarde, foi o rosto angustiado de John. Após isso apenas escuridão. 

Se eu me sentia assim, é porque John não me amava de verdade. Ele não estava apaixonado por mim. 

A cada dia se tornava mais e mais difícil de respirar.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...