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História Just Friends - Capítulo 2


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Notas do Autor


Oiee!! Como prometido ksksk, postei o segundo capítulo agora mesmo.

Espero que vocês tenham gostado do capítulo anterior. Me perdoem se houver qualquer erro, tenham uma boa leitura My Friends 💛💛

Obs: Peço que leiam sempre as notas finais, eu escrevo algumas coisas que possam ajudar vocês a entender um pouco o conteúdo da história e também dou alguns avisos.

Capítulo 2 - Capítulo ll


Nunca havia entrado em uma ambulância antes, e voltar à consciência entre fungadas em frente a dois profissionais sóbrios é tão constrangedor quanto eu imaginava. Uma paramédica com uma ruga de preocupação permanente cravada no meio da testa me observa com uma expressão severa. Dos monitores soam bipes. Quando olho os arrebatadores, minha cabeça vira um foguete em contagem regressiva para a explosão. Meu braço dói - não, não apenas dói, mas berra de dor. Uma olhada para baixo faz-me constatar que já está imobilizado com uma tipoia.

Com o ruído distante de um trem que se aproxima, lembro de ter sido empurrado para os trilhos.

Alguém me empurrou nos trilhos do metrô!

Meu coração começa a executar uma versão caótica de kung fu no meu peito e o ritmo do meu pânico ecoa pelos diversos aparelhos que me rodeiam. Sento-me, lutando contra a onda monumental de enjoo, e falo:

- Vocês o pegaram?

- Opa, opa - Com preocupação no olhar, a paramédica (cujo nome o crachá era Linda) obrigando-me a deitar com delicadeza - Você está bem. - Ela maneia a cabeça para mim de forma confiante.
- Você está bem.
E então ela coloca um cartão na minha palma.

LINHA NACIONAL DE PREVENÇÃO AO SUICÍDIO - 188.

Viro o cartão, imaginando se no verso vou encontrar:

PARA ONDE LIGAR CASO UM MALUCO BÊBADO EMPURRE VOCÊ SOBRE OS TRILHOS.

Infelizmente, não há mais nada escrito.

Olho de volta para ela, sentindo meu rosto queimar de indignação.

- Eu não pulei.

Linda balança a cabeça.

- Tudo bem, senhor Kim. - Ela lê errado minha expressão incrédula e apresenta - Pegamos seu nome na sua mochila, que encontramos ao lado da plataforma.

- Ele não levou minha mochila?

Ela aperta os lábios e franze a testa, enquanto eu olho ao redor buscando apoio. De fato, há dois paramédicos aqui - o outro é tipo o paramédico do mês, despojando, modelo de calendário, e ele está do lado de fora da ambulância, diligentemente preenchendo algum formulário. No crachá está escrito GONZÁLEZ. Não consigo me desvencilhar da impressão de que esta não é a forma mais sensível de intervir em uma tentativa de suicídio potencial. Eu acabo de roncar feito um porco, minha camisa está desabotoada para dar lugar aos monitores cardíacos. Um suicida sentiria uma pontada de humilhação se estivesse no meu lugar.

Arrumo minha calça com toda elegância possível e repito:

- Eu não pulei.

Gonzales levanta o rosto da sua ficha e inclina-se sobre a porta da ambulância.

- Encontramos você ali.

Fecho meus olhos rodopiantes e rosno diante daquele tom condescendente. Isso ainda não explica oque aconteceu.

- Dois paramédicos simplesmente estavam andando por ali quando eu caí no trilhos?

Ele me deu um minúsculo lampejo de sorriso.

- Ligação anônima. Disse que havia alguém nos trilhos. Não mencionou que outra pessoa teria empurrado. Noventa por cento de chance de ser tentativa de suicídio.

Ligação anônima.

Jeongguk.

Vejo a movimentação do lado de fora da ambulância, na calçada.

Está escuro lá fora, mas com certeza é ele, puta merda, e eu o vejo assim que ele se levanta. Jeongguk troca olhares comigo por um segundo antes de se assustar e desviar o rosto. Sem olhar mais na minha direção, ele se vira e caminha até a Oitava Avenida.

- Ei! - Aponto. - Espere. Falem com ele.

Gonzales e Linda viram-se devagar.

Linda não faz menção de se levantar, e eu, mais uma vez, corto o ar com meu dedo em riste.

- Aquele cara.

- Ele empurrou você? - Gonzales pergunta.

- Não, acho que foi ele quem fez a ligação.

Linda balança a cabeça, seu gesto não é de solidariedade, mas de piedade.

- Aquele cara se aproximou quando chegamos ao local, disse que não sabia de nada.

- Ele mentiu. - Fiz um esforço para me sentar. - Jeongguk!

Ele não parou. Na verdade, acelerou metendo-se atrás de um táxi antes de atravessar a rua correndo.

- Ele estava lá - contei a eles, abismado. Meu Deus, quando foi que eu bebi? - Estávamos eu, aquele músico de rua... Jeongguk... E um homem bêbado. O bêbado veio roubar meu celular e me empurrou para fora da plataforma.

Gonzales inclina a cabeça, gesticulando para os polícias.

- Nesse caso, você deve fazer um boletim de ocorrência.

Não consigo evitar, uma pergunta grosseira me escapa.

- Você acha?

Ele me dá outra faísca de sorriso, sem dúvidas porque eu não pareço esse mal-humorado respondão com a calça jeans caindo e a blusa preta desabotoada.

- Taehyung, desconfiamos que seu braço esteja quebrado. - Gonzales entra na ambulância e ajusta uma faixa em minha tipoia. - E você pode ter sofrido uma concussão. Nossa propriedade agora é te levar ao Hospital Mount Sinai West. Tem alguém que possa encontrar você lá?

- Sim. - Preciso ligar para Jack e Jin, meus tios. Olho para Gonzales, lembrando como meu celular estava em minha mão em um momento e, no seguinte, eu era arremessado nos trilhos.

- Vocês também acharam meu telefone?

Ele hesita e olha para Linda, que me dá seu primeiro sorriso de desculpas.

- Espero que você saiba o número de cor. - Ela levanta um saco plástico contendo os destroços do meu querido aparelho.

...

Assim que minha cabeça é examinada (sem concussões) e meu braço direito engessado (fratura na ulna), faço um boletim de ocorrência no leito do hospital. Somente quando estou conversando com dois intimidantes policiais me dou conta de que evitei fazer contato visual com o homem que me empurrou. Não prestei atenção em seu rosto, embora eu possa descrever com muita precisão o cheiro dele.

Os policiais trocam olhares antes do mais alto deles me perguntar:

- O sujeito chegou perto o bastante para agarrar seu casaco e jogar você sobre os trilhos, mas você não viu o rosto dele?

Quero gritar: é óbvio que você nunca foi um cara fugindo de um cara escroto!, mas em vez disso, deixo que eles prossigam. Posso apostar, pelas expressões deles, que minha pobreza de descrição física sabotou a credibilidade do relato - eu não pulei! -, e no ínterim dessa humilhação, percebo que iria parecer ainda mais suspeito se eu soubesse o nome do músico da estação e ele ainda falhasse em ficar por perto para me ajudar. Portanto, não me dou o trabalho de mencionar Jeongguk pelo nome de novo, e eles anotam os detalhes genéricos com a mais vaga demonstração de interesse.

Depois que eles saem, deito-me na maca, observando o teto cinzento. Que noite maluca. Levanto meu braço bom, apertando os olhos diante do visor do relógio.

Madrugada.

Puta merda! São quase 3h. Quanto tempo passei lá embaixo?

Além da dor latejante que os analgésicos não parecem aliviar, continuo a ver Jeongguk parado no lugar onde estivera esperando, na calçada. O fato de ele ainda está lá quando despertei significa alguma coisa, não é? Mas se ele é o autor da ligação anônima - e presumo que seja, pois já sabemos que o zumbi não tinha telefone - por que Jeongguk não contou a polícia que alguém me empurrou? E por que teria mentido, dizendo que não testemunhou nada?

No piso de linóleo do corredor ecoam os estalidos apressados de sapatos, e eu me sento, já antecipando o que vem a seguir.

Jack saltou de supetão das cortinas, seguido por mais discretamente por Jin.

- Que. Porra. Foi. Essaaaaaaa... - Jack estica a última palavra por umas vinte vogais e segura meu rosto entre as mãos, inclinando-se para a frente e me examinando. - Faz ideia de como ficamos apavorados?

- Desculpa - encolho-me, sentindo meu queixo tremer pela primeira vez. - Meu celular foi arrancado da minha mão.

Ver minha família em pânico faz o choque me dominar e começo a tremer compulsivamente. Emoções transbordam do meu peito junto a uma maré salgada.

Jack inclina-se, pousando os lábios na minha testa. Jin aproxima-se também, pousando uma mão gentil no meu joelho.

Apensar de não ser um parente de sangue, conheço tio Jack desde sempre; ele e o irmão caçula de minha mãe, Seokjin, conheceram-se alguns anos antes de eu nascer.

O tio Jin é o mais calmo, um típico homem do meio-oeste. Ele é seguro, racional e ponderado. Como você pode imaginar, ele trabalha com finanças. Jack, ao contrário, é todo feito de som e movimento. Ele nasceu em Gana, mudou-se para cá aos 18 anos para frequentar o Instituto de Música Curtis, na Filadélfia. Jin me contou que Jack recebeu dez ofertas de emprego quando se formou, mas optou pelo posto de mais jovem concertista da história da Orquestra Sinfônia de Des Moines, porque os dois se apaixonaram à primeira vista no mesmo fim de semana que Jack estava na cidade para a entrevista de emprego.

Meus tios deixaram Des Moines quando eu tinha 16 anos e foram morar em Manhattan. A essa altura, Jack já havia sido promovido a regente da orquestra. Mudar-se para um teatro mediano da Broadway, mesmo como diretor musical, foi uma enorme perda de salário e de prestígio, mas é pelos musicais de teatro que o coração de Jack bate e, além disso - talvez o fator mais importante para os dois -, é muito mais fácil para um cara ter um casamento feliz com outro cara em Nova York do que em Iowa. Eles prosperaram aqui, e há dois anos Jack sentou-se e criou aquela que se tornaria a produção mais popular da Broadway, Possuído.

Sem querer ficar longe deles por muito tempo, vim fazer meu mestrado em Escrita Criativa na Universidade de Columbia, mas basicamente fiquei estagnado. Ser um jovem com um mestrado em Belas Artes em Nova York faz com que eu me sinta um peixinho medíocre em um aquário de espécies raras. Sem uma ideia para me tornar o próximo em revelação literária e com nenhuma aptidão para o jornalismo, eu era simplesmente "inempregável".

Jack, meu salvador, me arrumou um emprego no teatro. Meu cargo oficial é arquivista - um papel certamente esquisito para um jovem de 25 anos com zero experiência na Broadway - e considerando que já temos um milhão de fotos do espetáculo para os programas, estou bastante consciente de que esse cargo só foi criado como um favor para o meu tio.

Uma ou duas vezes por semana vou dar uma volta e tiro fotos ao acaso dos cenários, figurinos e dos bastidores para a assessoria da imprensa usar nas mídias sociais. Quatro noites por semana, trabalho na frente do teatro vendendo as camisetas do Possuído.

Infelizmente, não consigo me imaginar atendendo a uma multidão eufórica durante um intervalo do espetáculo, nem segurando a câmera gigante com apenas um braço funcional, e isso acrescenta um soco de culpa no meu estômago.

Sou tão inútil.

Puxo um travesseiro no qual encostava minha cabeça e deixo escapar alguns gritos abafados dentro dele.

- O que houve, meu anjo? - Jack tira o travesseiro da frente do meu rosto. - Precisa de mais analgésicos?

- Preciso de mais propósito.

Ele ri e dispensa meu comentário, inclinando-se para beijar minha testa novamente.

A mão gentil de Jin desliza ao encontro da minha em um gesto de solidariedade.

Porém, Jin - o doce, sensível e gênio-matemático Jin - descobriu uma paixão em trabalhar com argila ano passado. Pelo menos o amor pela cerâmica o ajudou a superar o tédio dos dias de trabalho em Wall Street. Em contrapartida, eu não tenho nada, a não ser meu amor por livros escritos por outras pessoas e a vontade de assistir a Jeongguk tocando violão alguns dias por semana na estação da Rua 50.

Após a façanha dessa noite, nem sequer sei se sentirei isso novamente. Na próxima vez que vê-lo, vou está menos inclinado a suspirar e mais disposto a ir até lá e perguntar na cara dele por que me deixou ser atirado aos leões. Ou ao trilho do trem, no caso. Talvez eu volte a Des Moines enquanto me recupero dessa fratura e tire algum tempo para pensar no que realmente pretendo fazer com meus diplomas, porque, no mundo das artes, um diploma inútil mais outro diploma inútil é igual a zero empregos.

Olho pros meus tios.

- Vocês ligaram pros meus pais?

Jin confirma com a cabeça.

- Eles perguntaram se devem vir.

Dou risada, apesar do meu humor sombrio. Tenho certeza de que, mesmo sem ter visto a gravidade dos meus ferimentos, Jin disse a eles para não se preocuparem.

Meus pais odeiam o caos urbano de Nova York. Mesmo se eu me rachasse em dois, ainda seria melhor para todos se eles ficassem em Iowa. Com certeza seria menos estressante para mim.

Por fim, Jin encosta no colchão, ao meu lado, e olha para Jack.

Notei que Jin tem o hábito de lamber os lábios antes de fazer uma pergunta difícil. Pergunto-me se ele percebe que faz isso.

- Então, o que aconteceu Taehy?

- Você quer mesmo saber como eu fui parar nos trilhos da linha C do trem?

Jack me lança um olhar significativo.

- Sim. E como tenho certeza que os conselhos sobre prevenção ao suicídio que recebemos na sala de espera são desnecessários, talvez você possa nos contar como caiu.

- Um cara me encurralou. Ele queria meu celular e, quando cheguei perto dos trilhos, ele me empurrou da plataforma.

O queixo de Jack caiu.

- É isso que estava acontecendo quando você ligou?

As bochechas de Jin ficaram vermelhas.

- Você fez um...

- Boletim de ocorrência? Fiz, mas ele estava de capuz, e você sabe como olhar nos olhos deles só serve para encorajá-los, então não sei dizer muita coisa, a não ser que ele era branco, em torno dos 30 anos, tinha barba e estava bêbado.

Jin dá uma risada seca.

- Soa quase como Brooklyn inteiro nas noites de sexta-feira.

Meus olhos voltam para Jack.

- Um trem tinha acabado de passar, então não havia testemunhas.

- Nem o Jae? - Meus tios sabem da minha paixonite de metrô.

Balanço a cabeça.

- O nome dele é Jeongguk - respondendo à pergunta que se formou nos olhos deles, digo: - tomei uns driques e perguntei o nome dele.

Jack sorri para mim:

- Coragem líquida.

- Estupidez líquida.

Os olhos de Jack estreitam-se.

- Está me dizendo que Jeongguk não viu nada?

- Foi o que ele disse aos paramédicos, mas acho que foi ele mesmo quem os chamou.

Jack desliza um braço forte ao meu redor, ajudando a me erguer.

- Bom, você já está de alta. - Ele bagunça meus cabelos e pronuncia as oito palavras mais perfeitas que existem: - Vem pra casa com a gente essa noite.


Notas Finais


Gostaram desse capítulo???

Eu estou adorando escrever os capítulos futuros ksksks. Eu acho que vocês também vão gostar muito.

Antes que eu vá ao terceiro capítulo daqui a pouco ksksks, quero dizer a vocês que as interações entre os TaeGguk vai ficar muitos mais forte. Agora eles não estão tão próximos, mas garanto a vocês que já chega um capítulo de aquecer o coração... Ou não ksksks.

Beijos, até o próximo. 💜💜


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