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História Just Friends - Capítulo 3


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Notas do Autor


Terceiro capítulo postado com sucesso, me perdoem por qualquer erro. Fiz algumas correções.

Boa leitura💜💜

Capítulo 3 - Capítulo lll



Sou sortudo o bastante para morar sozinho em Manhattan - uma raridade absurda, que devo totalmente à generosidade dos meus tios. Ao Jack pelo emprego, claro, ao Jin por ganhar uma tonelada de dinheiro e pagar uma boa parte do meu aluguel. No entanto, apesar de adorar meu pequeno apartamento, admito que estou contente por não passar essa noite lá. Ir para casa de braço quebrado e ficar no meu apartamento, porém adorado cantinho apenas iria me fazer lembrar do quão inútil eu sou, um sem-celular, um saco de ossos deplorável que deixou um bêbado atacá-lo e empurrá-lo do metrô.

Ficar na casa de Jin e Jack é  confortável, pois pelo menos aqui consigo manter o mínimo de orgulho próprio depois de um pouco de sono. Sou o parceiro de jogo que Jin gostaria de ter com Jack. E sou o cantor-acompanhante ridículo que Jack sempre quer por perto. E mesmo com apenas um braço, sou o cozinheiro que nenhum dos dois será um dia.

Jin tira uma folga na terça-feira para checar se estou bem, e quando estamos todos acordados e de até , por volta do meio-dia, faço uma fornada de ovos beneditos para nos três. Mesmo com apenas um braço operacional, consigo um resultado melhor que qualquer um dos dois conseguiria.

Jack apaixonou-se por esse prato em algum momento dos anos 1990, e então logo aprendi a usar um liquidificador e uma frigideira, ele me avisou que essa teria de ser minha especialidade, porque vai molho Holandês em cima.

- Sacou? sacou? - ele sempre acrescenta.

Jin e eu ainda suspiramos quando ele faz isso.

A tarde passa com nos três enrolados no enorme sofá, assistindo a Brigaddon e Sinfonia de Paris. Jack disse-me para folgar essa noite, e ele mesmo não precisava chegar ao trabalho antes das 5h. Sei que não verei Jeongguk essa noite, então estou tentando bani-lo dos meus pensamentos - e falhando. A lembrança do primeiro relance em seu rosto e sua voz encontra-se enevoado por um coquetel de emoções. Primeiro a decepção. Ele era meu lugar seguro... Por que fui me aventurar fora da minha rotina previsível e arruinei tudo ao falar com ele?

Depois, há a raiva e a confusão. Por que ele não contou a verdade aos paramédicos? Por que saiu correndo? 

E, por fim, existe a atração... Eu ainda quero muito, muito, dar uns amassos nele.

Com o coração palpitando, desço correndo pelas escadas da estação na manhã seguinte, segurando fortemente a alça da mochila enquanto abro caminho entre os pedestres mais lentos. Na base da escada, levo um susto, como sempre pego de surpreso quando Jeongguk resolve tocar melodias mais rápidas e elaboradas. Na maior parte dos dias, ele toca estritamente violão clássico. Mas, por algum motivo, as quartas-feiras ele parece preferir flamenco, chamamé e calipso.

A multidão é densa as 8h45. Tem cheiro de aço e refrigerante espirrando, café e o doce folhado que o sujeito por perto de mim inconscientemente enfia na boca. Esperei sentir pelo menos alguma turbulência emocional quando chegasse ao lugar da minha quase morte, mas além de querer algumas respostas de Jeongguk, não senti nada. Estive  aqui tantas vezes que a banalidade da minha memória ainda supera o trauma. A sensação é apenas: Ooh, o músico e bleh, o metrô.

Uso os últimos segundos para me recompor antes que Jeongguk surja no meu campo de visão. Não sou o tipo de pessoa confrontadora, mas sei que posso enlouquecer de tanto pensar no que aconteceu na segunda à noite se eu não perguntar. Os pés dele surgem primeiro - botas pretas, barras da calça dobrada - depois o estojo do violão aos seus pés - um rasgo no joelho do jeans - os quadris, o torso, o peito, o pescoço e por fim, o rosto.

Um misto de emoções sempre embarga minha garganta quando vejo a expressão dele, o jeito como ele fica em transe quando toca, mesmo no caos da estação. Afasto essas memórias, resgatando aquela em que ele me deixou para trás, gritando feito um louco dentro da ambulância.

Ele levanta o rosto assim que passo por ele. O choque do contato visual faz meu coração dar cambalhotas, eu estremeço, minha indignação me abandona. Os olhos dele miram no gesso no meu braço e voltam direto para as cordas do violão. Sob a sombra da barba por fazer, posso ver uma onda de vermelhidão em seu rosto.

Essa constatação me deixa alerta. Abro a boca para dizer alguma coisa no exato momento em que o trem E freia na plataforma, a dez metros de distância, e sou rapidamente engolido pela inundação de pessoas que sai dele. Ofegante, olho por meio da multidão apenas para captar um relance de Jeongguk guardando seu violão e subindo correndo as escadas.

Relutante, sigo para dentro da estação, aninhado ao rebanho de transeuntes. É notável que ele olhou em minha direção, não é? Ele não costumam fazer isso. É quase como se ele estivesse esperando que eu aparecesse.

O trem C para na estação também, e todos damos um passo na direção dos trilhos, mais próximos uns dos outros, prontos para disputar um espaço lá dentro.

E assim começa um ritual completamente desnecessário.


...


Jack está me esperando ao teatro Levin-Gladston quando me aproximo. Ou, mais precisamente, está esperando o café que trago de quarta-feira a domingo. Quando o entrego, tenho um vislumbre do logotipo no copo e a certeza de que Jack também o nota. O Madman Espresso fica dez quadras daqui. Se Jack repara que eu pego o trem todas as manhãs até uma cafeteria distante porque quero ver Jeongguk, ele não comenta. 

Talvez ele devesse. Preciso tomar um choque de realidade.

O vento faz a echarpe vermelha de Jack decolar e se enrolar em seu casaco de lã preta, como uma bandeira se agitando freneticamente em meio a paisagem de aço cinzento da Rua 47. Sorriu para ele, deixando-o saborear essa pausa silenciosa. 

O trabalho tem sido estressante  para ele ultimamente. Possuído foi um sucesso nos últimos nove meses, e os ingressos para o espetáculo esgotam com uma antecedência a perder de vista. Contudo, nosso ator principal, Luís Genova, assinou um contrato para uma temporada de dez meses, que acaba no mês que vem. Depois disso, Ramon Martin, uma lenda do cinema, assume o papel, e com a enorme fama hollywoodiana  vem também a grande pressão nos ombros de Jack para assegurar que a orquestra seja capaz de alcançar Ramon até a estratosfera da Broadway. Bom, se Jack quer dar uma volta e tomar um café para procrastinar, estou dentro! Não vou deixar que ele volte ao teatro nem um segundo antes que ele queira.

Ele beberica o café, estudando-me.

- Dormiu bem noite passada?

- Os analgésicos e o cansaço emocional garantiram que eu dormisse feito uma pedra.

Jack balança a cabeça, seus olhos estão estreitos. 

- E como foi sua manhã?

Ele esta arquitetando alguma coisa. Devolvo o olhar desconfiado a ele.

- Foi boa.

- Depois do que aconteceu a noite - ele diz, levantando o corpo para mais um gole -, você ainda foi vê-lo na estação hoje? 

Droga. Eu devia imaginar que isso ia acontecer. Talvez eu faça Jack voltar ao teatro. Abro a pesada porta lateral e pisco na direção dele.

- Não entendi o que você quis dizer. 

Jack segura-me pelas sombras do teatro a dentro.

Mesmo com o ruido das  pessoas trabalhando nos bastidores e no palco, o lugar esta calmo em comparação com a atmosfera elétrica da hora do espetáculo. 

- Você me traz café do Madman todos os dias em que vem trabalhar.

- Gosto do café deles.

- Assim como adoro que você me traga café todas as manhãs, considerando que nos dois temos cafeteiras que funcionam perfeitamente em casa. Você vai e volta dez quadras de metrô  todas as manhãs para buscar um expresso chique. Acha que não sei o que esta fazendo?

Resmungo, mergulhando no interior do teatro, em direção as escadas que levam aos escritórios do segundo andar. 

- Eu sei. Sou um atrapalhado.

Jack segura a porta da escadaria, incrédulo.

- Você ainda gosta dele, mesmo depois que ele fez os paramédicos acreditarem que você era um suicida?

- Em minha defesa, sabia que fui até lá esta manhã para confronta-lo.

- E?

Resmungo, bebendo outro gole de café. 

- E eu não disse nada.

- Entendo como é estar afim de alguém - ele diz. - Mas acha que deve inclui-lo na sua rotina, assim, todos os dias?

Enquanto subimos, cutuco Jack no flanco com meu cotovelo esquerdo.

- Diz o cara que se mudou de Phily para Des Moines porque ficou a fim de um garçom que serviu costelas à ele.

- Bem observado.

- E se você não aprova, então me aponte algo melhor. - Abro os braços, olhando ao nosso redor. - Manhattan, principalmente no teatro musical, e péssimo para homens solteiros. Jeongguk era uma distraçãozinha divertida e segura. Nunca planejei ser quase assassinado na frente dele, muito menos falar com ele.

Saímos da escadaria e Jack segue-me para dentro de seu escritório. E uma salinha em um setor em um corredor com outras quatro idênticas, e está  sempre bagunçada, com partituras musicais espalhadas, pinturas, fotos e post-its cobrindo cada centímetro da parede. O computador do Jack e, acho, uma geração mais velho que o desktop que eu trouxe para a faculdade há seis anos. 

Ele aperta uma tecla para religar a tela.

- Bom, eu notei que o Evan das cordas esta sempre olhando pra você.

Faço a varredura mental pela ala das cordas. Tudo o que vem a mente e o violinista principal, Seth, e ele não se interessa por homens. Mesmo se ele gostasse, Jack não me deixaria namora-lo nem por cima de seu  cadáver. Apesar de ser um músico  fundamental para o espetáculo, Seth tem uma tendencia para fazer escândalo e plantar intrigas da orquestra. E a unica pessoa que ja vi deixar Jack realmente furioso.

- Qual é o Evan?

Rodopiando um dedo acima de seus cabelos curtinhos, ele diz: 

- O de cabelos compridos. Da viola?

Ah, agora sei a quem ele se refere. Evan é sexy de um jeito meio Tarzan, mas... ele parece selvagem demais.

- É, Jack - digo, suspendendo minhas mãos -, mas as unhas daquela mão em que ele segura o arco...

- Do que você esta falando? - Jack ri.

- Como você não consegue ver isso? E como se ele estivesse arranhando as cordas com um dente de tubarão. - Dou de ombros. - Ele parece tão  predador. Simplesmente não consigo ignorar esse detalhe. 

- Predador? Você devorou aquele seu assado de carneiro na quarta-feira passada. Aquilo foi feroz. 

Ele tem razão. Fiz isso.

- Meu assado de carneiro é maravilhoso, o que você esperava?

Através da porta interrompe o grunhido sarcástico do meu chefe. 

-Mas que porcaria de conversa é essa?

Com um sorriso, digo:

- Carneiro.

No mesmo instante, tio Jack responde:

- Garras masculinas.

E o franzido na testa Brian fica radiativo.

Em um esforço para evitar o nepotismo, não presto contas ao tio Jack, mas ao contrarregra, o brilhante porém intragável Brian, que aposto que possui coleções esquisitas de coisas em casa, como um quarto de bagunça apinhado de volume da Nacional Geographic, ou quadros com borboletas presas em alfinetes.

- Conversa de família super-fofa. - Brian vira-se e sai andando feito uma drag queen, chamando-me por cima do ombro: - Taehyung. Reunião dos auxiliares de palco. Agora.

Enviando um sorriso bobo para Jack, sigo Brian escadaria abaixo para o palco, onde a reunião semanal nos aguarda.


...


A equipe de auxiliares de palco é  composta por vinte pessoas. Brian inspeciona todos os detalhes - didascália, sinais de entrada, materiais de cena, cenário, e assegura que o trabalho de Jack corra bem - o que significa que ele gosta de reivindicar o crédito pelo fato de Possuído ser a febre do momento. No entanto, os verdadeiros heróis são aqueles atrás das cortinas, que obedecem as suas ordens dadas aos  berros: as pessoas a quem Brian se refere, graciosamente, como seus minions

Não me leve a mal - o trabalho do Brian é assombroso, e ele é muito bom no que faz; a produção desenrola-se com perfeição, os cenários são deslumbrantes e comentados em praticamente todas as resenhas entusiasmadas que o espetáculo recebe. Os atores entram no tempo certo e a iluminação é perfeita. O único porém é que Brian é um carrasco autoritário com um lado tremendamente mesquinho. Para exemplificar o que digo, agora mesmo chegou uma mensagem no meu celular: 

                                                        Brian:    

  Vejo que  você esta incapacitado, então não sei como vai dar conta de seus afazeres nessa semana.


O vicio de Brian em usar gerundismo me dá uma coceira bem no fundo do cérebro. E ele está me mandando mensagem para dizer isso - enquanto está sentado a um metro de distância de mim - não apenas para evitar um confronto direto (algo no qual ele é péssimo), mas também para demonstrar a auxiliar de palco que neste momento ele não dá a minima para o que ela tem a dizer.


Ele pode ser um cuzao, mas, infelizmente, tem razão. Mal consigo segurar o celular com minha mão direita presa na tipoia, não sei como vou fazer para manipular minha câmera assim. Levo um tempo para digitar, mas consigo responder usando a mão esquerda.

                                                            Eu:  

 Além da lojinha, tem algo em que eu posso ajudar nas próximas duas semanas?


De fato, e doloroso enviar uma mensagem de texto que soe tão vulnerável. Mesmo que meu minúsculo salário de arquivista seja composto por dinheiro advindo de praticamente todos os departamentos, Brian acredita ser o mais azarados das criaturas por ter de lidar comigo todos os dias. Sei que este emprego foi um presente - não preciso desses alegres lembretes a cada vez que interagimos.

Enquanto a auxiliar continua nos atualizando sobre o progresso da pintura da nova floresta devastada, Brian a ignora e digita, olhando com deboche para o telefone.

                                                         Brian

        Parece que seu tio precisa de mais ajuda que eu.


Demoro um minuto para entender o que ele quis dizer, mas, quando isso acontece, minha ficha cai em uma sincronia engraçada com o estrondo de um címbalo despencado no fosso da orquestra. 

A orquestra inteira, organizada para a reunião no palco, levanta dos assentos e observa enquanto o supracitado violinista, Seth, atravessa a ala da percussão derrubando os instrumentos, passa por Jack com um encontrão de ombros e sai pisando pelo corredor central.

Meu olhar recai sobre o banco de Seth, onde ele abandonou seu violino. Não consigo parar de olhar para ele - ouvi o Jack dizer que o instrumento de Seth havia custado mais de 40 mil dólares, e ele simplesmente o jogou ali antes de sair xingando. Da segunda posição, Lisa Stern inclina-se e o recolhe cuidadosamente. Tenho certeza de que ela vai devolver para ele mais tarde; sem duvida Seth deve estar esperando que ela faça isso também. Que canalha.

Ele tem esses surtos o tempo inteiro, mas, por alguma razão, o silêncio que recai sobre o teatro em seguida soa profundo.

Meu estômago revira.

Seth faz três longos "duetos" com o ator principal, e essas partes são o coração da trilha sonora. O violino de Seth é muito mais do que parte da orquestra; apesar de não subir ao palco, ele é uma das estrelas do elenco e até tem aparecido nas principais peças do nosso merchandising e na mídia. Não existe espetáculo sem os solos dele.

O que aconteceu ali deve ter sido algo grave, porque a voz calma de Jack ecoa pelo teatro inteiro:

- Vou ser claro, Seth. Você sabe o que significa se passar por essa porta: Ramon Martin assumira o papel dentro de um mês, e você não estará aqui para acompanha-lo.

- Foda-se, Jack. - Seth enfia os braços nas mangas do casaco e nem olha para trás ao gritar: 

- Pra mim, chega.


Notas Finais


O que acharam desse capítulo?? O que vocês acham que vai acontecer daqui pra frente com a saída do Seth??
Deixem a sugestão de vocês nos comentários kskskks.

Obrigada por chegarem até aqui, até o próximo.💜💜


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