História Just my luck - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Melodrama, Slice Of Life
Visualizações 7
Palavras 1.915
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Transsexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Perdão pelo capítulo longo

Capítulo 5 - O inferno é mais embaixo


[08/08/2018 - 02h02 - terceiro capítulo postado esse horário porque estou alucinada]

Se as coisas já estavam mega constrangedoras pra mim e eu só tinha vontade de morrer ao ir pra faculdade, imagina depois da seguinte infeliz coincidência que vou lhes relatar.

Depois de eu ter pego Lucas e Caroline no flagra, ele passou a me evitar. Nunca mais nem me olhou na cara. Normal, ele é meio tímido, deve estar com certa vergonha, pensei. Eu ficava morrendo de vontade de chegar nele e conversar, deixando implícito que tava tudo bem, que não precisava ser daquele jeito. Graças ao bom pai nunca fiz isso na prática (já vocês vão entender).

Passou-se quase uma semana. Eu estava fazendo aquele mesmo trabalho com meus colegas e, como à tarde ia passar um filme bacana no cine clube da faculdade, resolvemos ir almoçar logo. Era quase 12h.

O restaurante da universidade é o verdadeiro caos na sexta. Fica lotado, os funcionários estão no cúmulo do estresse e a comida geralmente é nojenta. Só que deu até um ânimo ao ver que não tinha fila nenhuma e que ia ter lasanha, segundo o cardápio.

Laura, uma menina muito fofa do meu grupo, disse que, assim que eu visse lugares vagos, eu sentasse logo na mesa e chamasse o resto do grupo pra vir logo, pra gente não se separar e dar ruim depois. Como, por um milagre divino, o restaurante não estava tão cheio, eu sentei logo numa mesa que tinha o menor número de pessoas sentadas (duas) e acenei pra eles. Laura colocou seu prato na minha frente e disse, "fica de olho no meu prato enquanto eu pego suco pra gente".

Enquanto isso, eu fui comendo porque eu tava passando mal de tanta fome. O duro é que o nariz não parava de coçar, porque o ambiente era muito empoeirado, então imaginem a cena linda de uma menina que não sabe comer em público com o nariz vermelho como o da rena do Papai Noel.

Nisso, adivinha só quem veio para o almoço e sentou do lado da Laura. Claro que tinha que ser o Lucas, né, porque é a vida. Ele nem me cumprimentou e já foi sentando, com cabeça baixa e fone no ouvido. Então ele me olhou rápido, com uma cara péssima, e voltou a encarar a comida. Eu fiquei vermelha e meio que perdi a fome, porque o clima ficou meio pesado e eu senti imediatamente que algo de estranho tinha acontecido. Logo chegou um outro menino fofo que também já me ajudou numa hora de desespero (até o momento eu não sabia o nome dele) e finalmente Laura, pra me salvar. Claro que, com eles sentando, o resto do grupo teve que sentar em outra mesa.

Infelizmente a mesa dos outros era muito distante da nossa, mas GRAÇAS A DEUS ela ficou puxando papo com os dois e eu não tive que falar absolutamente nada. Ouvindo o papo descobri o nome do outro menino (Marcelo) e que ele e Lucas moravam juntos há quase dois anos. Também percebi que os dois eram fãs do Frank Ocean. Tudo parecia correr de forma ok, porém Lucas teve a brilhante ideia de ficar me encarando enquanto falava com Laura, e isso somado à coceira frenética no nariz foi me deixando nervosa de tal forma que eu achei que fosse vomitar ali mesmo.

Depois de uns quinze minutos eu e os meninos terminamos a comida e eu respirei aliviada, pensando que eles finalmente iam embora e eu ficaria lá esperando Laura, que é uma pessoa que come extremamente devagar. Óbvio que Lucas tinha que ter a brilhante ideia de resolver esperar Laura comigo; o bom é que Marcelo foi na mesma onda do amigo e continuou conversando sobre assuntos aleatórios com os dois, então eu continuei de boca fechada, só escutando e implorando aos céus que aquele momento acabasse logo.

Quando Laura acabou (ela levou mais meia hora!), eu saí do restaurante feliz da vida, já que eles finalmente iam pra casa. Lá fora encontrei os outros do grupo e mais uma galera da classe impacientes de tanto esperar. Quando Laura saiu pela porta, eles quase a aplaudiram com ironia. "Hoje cê tá de parabéns", alguém disse. "Acho que cê nunca demorou tanto na sua vida pra comer".

Fomos andando até o cine clube e eu tava até que felizinha, só que eu levei um susto ao me dar conta de que Lucas estava DO MEU LADO, me olhando e que Marcelo tinha ido embora. Pensei, "é hoje que vai fuder".

Claro que tinha que fuder de verdade, até porque vocês sabem muito bem que a Lei de Murphy é a regra básica desse universo.

Quando chegamos ao cine clube, o Lucas chegou e me disse: "Li, será que eu posso trocar uma ideia contigo?". Eu respondi, "claro!" aparentemente super plena, mas por dentro eu tava sentindo duas coisas: primeiro, confusão mental porque eu não conseguia pensar num motivo pelo qual ele me chamaria pra conversar algo em particular e, em segundo lugar, estranhamento por ele ter me dado um apelido (na prática ninguém me chama assim).

A gente sentou num banco que tem na porta do prédio e ficamos um momento em silêncio. Eu já tava tremendo na base só de ele ter pronunciado aquelas palavras, mas quando ele ficou fazendo mistério sobre o assunto eu quase tive um troço. Lucas, então, respirou fundo.

(AVISO: o diálogo a seguir NÃO é 100% igual ao real, até porque nem lembro com tanta clareza o que ele disse)

Lucas: Então, eu queria te perguntar uma coisa...

Eu: Pode falar.

Lucas: É meio complicado, não sei muito bem como te dizer...

Eu (pensando): Fala logo cacete.

Eu: Não, relaxa, pode perguntar!

Lucas: É que assim... talvez seja paranoia minha, mas eu andei achando uns bilhetes românticos no meu armário e...

Eu: Cê acha que foi eu, né?

Lucas: É, exato.

Eu (pensando): PUTA QUE PARIU, PUTA QUE PARIU, PUTA QUE PARIU, FUDEU, FUDEU MUITO

Eu: Por que eu? O que tem nesses bilhetes que faz com que você ache que fui eu e não outra pessoa?

Lucas: É que pelas coisas que foram escritas, a pessoa é do seu ano, é tímida, não é próxima de mim e nunca conversou tanto assim comigo. Daí eu fui pensando em quem poderia ser, e você é minha primeira aposta.

Lucas deu uma risadinha de constrangimento e eu fiquei sem saber o que responder por um tempo. Sabe aquela cena no "Get Out" que o Chris cai num buraco após sofrer hipnose? Então, eu me senti daquela forma naquele momento. Porque eu juro, juro por qualquer coisa que não fui eu, mas eu não sabia como convencê-lo do contrário.

Lucas: Bem, na verdade eu não sei nem se são da mesma pessoa, porque foram digitados e em fontes diferentes. Mas eu tenho essa teoria de que só um que escreveu, sim.

Eu (sorrindo nervosamente): Bem... não fui eu que escrevi.

Lucas: Realmente não foi você ou você não quer me falar a verdade?

Nesse ponto da conversa, apesar de parecer bem calma, eu estava quase entrando em real desespero. Ele de fato acreditava que eu era sua admiradora secreta ou algo do tipo, e ele não estava disposto a desistir dessa ideia.

Eu (olhando bem no fundo dos olhos dele, coisa que eu nunca faço, mas queria que ele realmente acreditasse em mim): Não sou eu, de verdade.

Eu (pensando): O que será que acontece se eu perguntar, "mas e se fosse?"?

(GRAÇAS AO BOM PAI EU RESOLVI NÃO FAZER ESSA PERGUNTA IDIOTA)

Lucas (tímido): Ah, entendi... desculpa mesmo por ter te envolvido na minha paranoia, mas eu precisava saber...

Eu: Não, tudo bem, eu entendo. Cê deve tá curioso pra saber quem é, né.

Lucas (um pouco mais sério): Não só isso. Alguns são mais explícitos, por exemplo, tem um que a pessoa fala que é muito tímida, mas gostaria de me pegar na próxima festa da faculdade. Mas o que me preocupa é que no último bilhete, que eu achei ontem no armário, a autora disse que ela achava que eu era muito fofo com ela, que eu tinha a acolhido super bem, só que ela se sentia muito frustrada por estar meio apaixonada por mim. Aí eu queria saber quem é porque eu queria que a pessoa não se sentisse mal por minha causa, porque essas coisas acontecem, é normal.

Eu (chocada e sem saber o que falar): Ah... entendi...

Lucas: Vou te perguntar pela última vez. Não é você, né?

Eu (quase em lágrimas porque eu sentia que ele tava puto das calças comigo por uma coisa que eu não fiz e que ele não tava acreditando em mim de jeito nenhum): Não, não sou eu...

Lucas (se levantando e indo embora): Tá bom. Obrigado!

Quando ele falou esse "obrigado", ele fez uma cara tão óbvia de que ele não estava convencido que tive que tomar cuidado pras lágrimas não escaparem. Não, eu não tava em pedaços porque eu sentia atração por ele e provavelmente ele não ia mais falar comigo, ou porque provavelmente tinha outra pessoa (lembrando que também tinha chance de ser pegadinha) que sentia as mesmas coisas que eu (eu não podia ligar menos pra isso), mas porque eu tava sendo acusada injustamente de dar em cima, na cara de pau, de um homem comprometido e que provavelmente ele ia contar pra alguém e isso ia se espalhar e todo mundo ia perder a confiança em mim.

E adivinha? Foi EXATAMENTE isso o que aconteceu (ok, também tem chance de ser paranoia, mas é tanta coincidência que é a alternativa mais provável). Aparentemente a história foi se espalhando aos poucos, de acordo com minha sequência de observações:

1 - a melhor amiga do Lucas começou a ser grossa comigo DO NADA. Primeiro que eu nem nunca tinha falado nada com ela, muito menos feito alguma coisa, o que dava a ela zero direito de agir assim comigo (detalhe: ela me tratou mal e em seguida tratou o resto dos meus colegas de sala bem, ou seja, ela não tava de mau humor).

2 - outra amiga dele me ignorou, na cara dura, quando eu perguntei uma coisa (importante, por sinal) pra ela. Daí minha colega perguntou A MESMA COISA pra ela depois e ela foi super fofa na resposta. A gente também nunca tinha se falado.

3 - os amigos homens dele passaram a me olhar esquisito.

4 - colegas de sala meus que aparentemente gostavam de mim e me cumprimentavam todo dia do nada pararam de falar comigo e fechavam a cara quando me viam chegar na sala.

Ou seja: eu continuo sozinha, sem amigos, com problemas de manter conversa e sem falar com ninguém da sala. Só que o clima tá cada vez pior, porque parece que agora todo mundo me odeia por uma coisa que eu não fiz. E no meu curso não tem NADA, absolutamente nada que seja individual, então é péssimo ficar isolada.

Aliás, puta ideia de jerico resolver fazer a porra desse curso sendo que eu nem sei conviver direito em sociedade. Quem diria que seguir meu sonho seria uma grande roubada.

Enfim.

As pessoas falam que é ruim ficar com arrependimento guardado no peito porque você sempre vai carregar isso, mas não tem jeito. Eu tô arrependida pra caralho de quase todas as coisas que me aconteceram esse ano (mesmo que tudo não tenha sido exclusivamente minha culpa) e pra concertar isso dentro de mim só mesmo se inventassem um jeito de viajar no tempo.

Enquanto isso eu cada vez mais invento histórias mirabolantes pra sair da minha realidade. 



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