História Just my luck - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Melodrama, Slice Of Life
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Palavras 1.784
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Transsexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Disse que ia postar todo dia, mas não postei ontem. Perdão!

Capítulo 6 - Beijo às escondidas (ou: na vida o jogo sempre vira)


[11/08/2018 - 01h14]

Chove fora de época aqui na cidade. E é daquelas chatinhas: fina, mas que dura o dia todo e é acompanhada por grandes ventanias. Ou seja, fica insuportável sair de casa, ainda mais se o trajeto é a pé que nem o meu.

Tudo bem que nem é lá tanto assim que eu preciso andar, mas dá aquela preguiça incontrolável de ir só ao acordar, abrir a janela e sentir o vento congelar sua alma.

Enfim, tive que ir pois era meu primeiro dia de aula do segundo semestre e eu estava determinada a não perder nada. Algo dentro de mim dizia que tudo o que tinha dado errado nos seis meses anteriores ia dar mais que certo agora e, claro, isso eu tinha que pagar pra ver.

Então nem me importei tanto com o fato de que, no meio do caminho, quase esbarrei em Lucas e Caroline, e ele me repreendeu com o olhar. Porque nada, absolutamente nada ia arruinar o meu bom humor naquele dia.

Cheguei feliz da vida, quase saltitando no prédio da faculdade. Os funcionários até estranharam meu humor radiante e puxaram papo comigo, certeza que para saber o motivo da minha grande felicidade. Mas na verdade não havia uma razão específica. Eu só tava num daqueles dias em que você acorda se sentindo bem, sabe?

Daí a pouco, enquanto me direcionava à escada, passou por mim o André, que também me acolheu super bem quando cheguei. Mas a verdade é que eu o vi umas duas vezes na faculdade e nunca nem tinha ousado em conversar com ele, e ele também nunca tinha prestado atenção em mim até o momento.

— Oi, cê tá bem? - ele disse com o maior sorriso.

— Tô bem e você?

Nesse momento eu reparei o quanto ele era bonito, e o quanto seus olhos eram verdes. Sério, a cor era tão bonita que parecia lente.

— Bem também. Aula do que hoje?

— Fundamentos do Design II.

— Puts, sério? Odiei essa matéria quando fiz.

— Ah sério? Parecia tão legal...

— Só parece mesmo.

— Mas e você? Vai ter aula do que?

— Fundamentos de Projeto... nada excitante.

Eu não sabia mais o que responder, então resolvi dar no pé.

— Eu vou nessa, já tô atrasada pra aula, hahaha.

— Até mais. Ah, aliás... cê tá linda hoje - e deu uma piscadinha.

— Hahahahaha, obrigada... A gente se vê por aí - e subi a escada correndo.

Alguns segundos depois eu parei e pensei, "o que acabou de acontecer?". Mas no fundo eu sabia a resposta: André é o tipo de cara por quem você, em hipótese alguma, deve se deixar encantar. Só que ele é tão sedutor que às vezes você esquece que ele é o maior picareta. Como eu tinha esquecido nesses dois minutos de conversa. Mas, na real, até que eu gostaria de dar uns beijos nele...

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Realmente, a aula foi um saco. O professor, além de chegar meia hora atrasado, ainda não falou nada com nada e mandou a gente desenhar linhas e pontos no papel. Mas eu ainda estava me sentindo leve e com energia, então resolvi dar uma volta pela universidade.

Depois disso, resolvi passar na biblioteca pra pegar emprestado um filme que eu queria ver há séculos. O acervo é aberto, então é só eu chegar, pegar e dizer pro bibliotecário que eu tô levando pra casa.

Eu achei o que eu queria rapidamente, mas resolvi dar mais uma olhada nos DVDs. Estava com fones e escutando Led Zeppelin, mas a bateria do celular acabou. Silenciosamente protestei e tirei os fones com agressividade, daí então escutei uma voz familiar.

— ... que estamos fazendo isso.

Seria Lucas? De novo eu ia pegá-lo com a mão na massa? Chega, né.

— Shiu. Não estraga esse momento com essas bobagens.

André? André e Lucas?! Que porra tava acontecendo?

Eu, como boa curiosa, resolvi abrir um espaço entre os DVDs e espioná-los um pouco.

E realmente era o que parecia. Os dois estavam no maior clima de pegação. Eu fiquei tão surpresa que quase derrubei um monte de filme. Afinal, eu tinha visto Lucas e Caroline, os dois aparentemente bem, de mãos dadas hoje...

— Vamos pra lá. Alguém pode ver a gente aqui.

E os dois foram pra tal sala de DVD, que é mais conhecida como "cantinho da putaria", porque né, quase ninguém realmente assiste filme lá.

Passado o choque, eu comecei a ficar com raiva do Lucas. Ele ficou me atazanando até hoje por causa da história dos bilhetes, achando que eu tinha dado em cima dele mesmo sabendo que ele tinha namorada, e agora ele vem com essa de ficar pegando o amigo no espaço público? Hipócrita do caralho.

Já sobre o André... apenas digo que a partir de então, quando olho pra ele, só lembro do Dorian Gray.

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Eu tive outra aula entendiante de tarde, e depois dela eu fui ver um filme no cine clube. Daí, ao acabar o filme, eu percebi que tava bastante tarde e resolvi dar uma espiada na "festa de boas-vindas" que ia ter.

Bem, eu disse que nada ia me abalar, certo? Pois o meu ânimo acabou de vez nessa mesma hora. Quando eu entrei na festa, que era de graça, eu paguei um refrigerante na porta e fui me sentar num canto mais calmo, mas que desse pra observar as pessoas. "Tá, mas vc vai na festa pra ficar isolada?" Hã... sim. Sou estranha mesmo.

Enfim, o som estava semi ensurdecedor e o resto das pessoas berrando que nem loucas. Quando eu fui me sentar fiquei inicialmente aliviada por ter menos barulho, mas daí escutei uma gritaria ferrada e me assustei. Evidentemente ninguém mais percebeu. Resolvi sentar e ficar escutando, porque sou dessas.

Agora adivinha qual a treta.

Bom, Lucas resolveu contar pra Caroline que tinha traído ela com André e que era melhor terminar. Daí ela ficou puta da vida, porque aparentemente ela desistiu de um intercâmbio pra ficar com ele no Brasil etc etc. Daí ele:

— Eu nunca te pedi isso... nunca te pedi pra largar teu sonho.

— Cê que nunca faz as coisas por mim né. Tudo é sempre pensando no seu bem estar.

— Cê sabe que não é verdade.

Silêncio. Deu muito bem pra sentir o clima péssimo e denso. Eu quase não tava respirando mais.

— Sabe, Lucas, eu achei que eu te bastasse. Também achei que ia ser meu relacionamento mais feliz, mas no final foi tudo tão medíocre quanto nos outros.

— Carol... antes de você ir, eu queria te dizer que eu te amo e vou continuar amando. A gente não deu certo, mas eu—

— Ah Lucas, corta essa papo, tá? Me poupa disso, faz o favor.

Eu senti que a briga tinha acabado e eu levantei e fui pra outro lugar o mais rápido possível. Apesar de ter me metido no assunto com a maior cara de pau, eu me senti meio culpada porque eu desejei que aquilo tudo acontecesse de verdade. Mas a outra metade de mim era sem culpa mesmo, porque quem fez merda foi ele, não eu.

Paguei micão logo em seguida ao quase tropeçar em André, que me cumprimentou dizendo, "você por aqui?".

— Vim de curiosidade - respondi olhando para os lados. Eu não tinha cara pra olhar pra ele direito.

— Já desconfiava - ele sorriu - Por acaso, cê viu o Thom?

— Não...

— É que preciso muito falar com ele. Se você ver ele, me avisa?

— Claro.

— Valeu!

E saiu correndo.

Eu, depois de um tempinho, resolvi ir embora, mas avisto o Thomas na saída.

Gente, esse dia foi o dia das coincidências, porque não é possível.

Enfim, fico meio receosa, mas resolvo mandar uma mensagem para o André dizendo onde o menino tá. Enquanto isso, Thomas se aproxima de mim com um copo na mão e um mega sorriso no rosto.

— O que cê tá fazendo aqui? - ele me oferece um pouco da bebida. Eu recuso.

— Eu tava só dando um giro mesmo. Aliás, o André tá te procurando, diz que precisa falar urgente com você.

— Ih, lá vem treta... logo hoje que eu qieria ficar de boa.

André responde: beleza, muito obrigado :)

Eu volto a olhar pra Thomas e digo que vou embora.

— Fica mais.

— Ah, hoje não. Da próxima, quem sabe.

Dei um sorrisinho e fui andando em direção ao ponto de ônibus, mas Thomas foi atrás de mim.

— Ei, eu queria te falar uma coisa.

— Pode falar.

— Tô meio sem graça agora, hahahaha.

(eu pensando): Ah pronto, lá vem. Lá vem.

— Ai eu tô ficando nervosa hahaha

Ele desviou o olhar de constrangimento, mas continuou sorrindo. Aliás, Thom estava SEMPRE sorrindo, independente das circunstâncias.

— Cê topa... ficar comigo hoje?

A minha reação foi instantânea:

— Cê tá falando sério, Thom? - questionei com indignação e desconfiança.

Thomas fez que sim com a cabeça, e nisso André finalmente chegou.

— E aí, cara? Cê nem apareceu pra aula hoje né. Preciso falar com você.

— Beleza parça. Só preciso resolver um bagulho aqui e já vou.

André olhou pra mim, eu olhei pra André, ele deu um sorrisinho malicioso e entrou na festa de novo.

— E aí Lia, o que me diz? Hahahaha.

— Para de zoar comigo, Thom. Eu vou embora.

— Não é brincadeira - ele tentou ficar sério pra ver se me convencia, mas ele não conseguiu - Cê que não percebeu.

Eu não sabia nem o que dizer mais, porque não conseguia perceber se ele tava tirando sarro de mim ou não. Mas ele ficou esperando uma resposta e eu tive que me posicionar meio que no impulso. Afinal, eu nunca nem tinha pensado na hipótese.

— Bem... vamos lá né, hahaha - eu respondi com a maior insegurança do mundo.

— Certeza?

— Claro. Vamos entrar que o André já deve tá puto.

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Eu nunca tinha beijado nenhum cara na vida. E, honestamente, não foi lá aquelas coisas. Talvez porque tenha sido por impulso, mas acho que não.

O Thom tava visivelmente no clima e animado, mas eu não e tentei disfarçar, o que talvez tenha sido pior. O beijo, desajeitado, parecia que nunca ia terminar. Senti que durou uma eternidade. Mas ele parou pra respirar doreito e aproveitei pra largá-lo de vez. Olhamos para o lado e, mais uma vez, quem estava lá eram Lucas, André e mais uns meninos do segundo ano de plateia. André dava risadinhas enquanto Lucas não parava de olhar pra mim, não sei por quê. Eu e Thomas nos olhamos constrangidos com a situação. Olhei o relógio e inventei que tinha que ir embora, porque eu realmente estava desconfortável.

Enfim né, que dia. Nem acredito que aconteceu tudo isso. Parece que aconteceu mais coisa nessas 24h do que no semestre passado inteiro



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