História Just One Day - Capítulo 3


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Categorias Seventeen
Personagens Hong Jisoo "Joshua", Lee Seokmin "DK", Soonyoung "Hoshi", Wen Junhui "JUN"
Tags Angst, Junshua
Visualizações 21
Palavras 2.593
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela, Slash, Violência
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Quem é vivo sempre aparece, não é mesmo?
Bem, eu sei que tem pouca gente lendo isso aqui, e a maioria de vocês já ouviu em primeira mão o motivo da demora, mas vou explicar mesmo assim:
Minha escola não sabe que os alunos têm uma vida fora daqueles muros, e, se souber, não liga nem um pouco.
Eu comecei a trabalhar.
Ensino médio só fica mais difícil conforme o tempo passa.
Estresse bloqueia demais a minha escrita, e eu sou uma bola de estresse, consequentemente não consigo produzir nada que eu goste o suficiente pra postar, salvo raras exceções.
Me sinto realmente culpada por ter ficado tanto tempo sem atualizar essa fanfic, até porque é o meu chodozinho, mas não tinha condições de fazer isso antes, então desculpa pra todo mundo que esperou por tanto tempo :/
Bem, agora vamos ao que interessa rs

Capítulo 3 - Youth


Fanfic / Fanfiction Just One Day - Capítulo 3 - Youth

I

Na segunda-feira, Jisoo precisou ir à escola com mangas compridas, cachecol e muita maquiagem no rosto, a fim de esconder os vestígios daquele dia horroroso. O pai o deixou na frente do portão e ficou observando enquanto adentrava os portões da instituição junto ao sinal que indicava o início da primeira aula. Ele permaneceu sentado em seu lugar, a cabeça baixa, sem realmente conseguir assimilar muito do que os professores falavam. Assim que o intervalo chegou, basicamente correu para perto da porta da sala de Junhui, que saía apressado da mesma, a expressão tão nervosa quanto a sua no rosto. Caminharam lado a lado sem uma palavra sequer, subindo as escadas que levavam até o telhado da escola. Assim que Wen fechou a porta atrás de si, sentiu os braços finos do namorado abraçando-o com força, a cabeça do mais baixo enterrada no seu pescoço, o corpo contraindo-se em espasmos devido ao choro que veio segurando o dia inteiro. 

- Jisoo... – chamou-o depois de alguns minutos naquela posição, o coração doendo como se uma mão de ferro o apertasse. Hong levantou a cabeça e o fitou com aqueles olhinhos vermelhos e brilhantes.

- Eu nunca pensei que eles pudessem ser tão horríveis, Jun. Minha própria família. Minha mãe. Ambos vêm me ignorando desde sexta. Meu pai berrou muito comigo quando chegou em casa e ouviu as notícias que ela correu pra contar, mas não encostou em mim. Isso... Isso dói demais. Por favor, faz parar. – o americano disse com a voz quebradiça, quase que num sussurro. Junhui plantou um beijo em sua testa e o abraçou forte, a garganta apertada demais para falar. Queria chorar, xingar os monstros que aquela criatura maravilhosa chamava de pais em todas as línguas possíveis, mas tudo o que podia fazer naquele momento era trazer pelo menos o mínimo de conforto para Jisoo. – Tiraram meu celular e computador, por isso não dei nenhum sinal de vida durante o fim de semana. Não acho que teria muitas forças pra isso, também. – comentou com um sorriso triste, enxugando as lágrimas que desciam pelas bochechas.

- Está tudo bem, Shua. Apesar de eu ter quase morrido de preocupação e chegado perto de tentar invadir o seu quarto pela janela. – Hong deu um pequeno sorriso ao ouvir aquilo, e aconchegou-se mais no abraço do Wen. Ficaram daquele jeito por mais alguns segundos antes que ele quebrasse o silêncio novamente.

- Meus pais estão querendo me transferir para a escola perto do centro da cidade, acho que os papeis ficam prontos antes de quarta-feira. – ele deu um sorriso triste. – Aqueles dois estão realmente dispostos a nos separar. – fungou. Junhui afastou-se levemente e pôs a mão no queixo do mais baixo, fazendo-o fitar o seu rosto.

- Bem, eles não vão conseguir fazer isso, eu posso garantir. Não pense que vou desistir de você, Hong Jisoo.

- Jun, eu não tenho mais nenhum meio de comunicação, não posso sair de casa e em pouco tempo sequer vou estudar na mesma escola que você. Não acho que tenha algum jeito de continuarmos nos falando. – o chinês abriu um pequeno sorriso.

- Eu sou Wen Junhui. Vou dar um jeito. – naquele momento, o sinal que indicava o fim do intervalo interrompeu a conversa, e ambos levantaram, relutantemente se encaminhando para a porta. Jisoo, no entanto, parou subitamente e segurou a mão do mais alto.

- Eu te amo. – sussurrou olhando para os próprios sapatos.

- Eu também te amo. – abraçaram-se por alguns segundos, tentando transmitir todos os sentimentos possíveis durante aquele pequeno intervalo de tempo, e então desceram as escadas, seguindo caminhos opostos assim que chegaram ao corredor.

II

Como previsto, Jisoo passou a frequentar a outra escola a partir da quarta-feira. Seus pais o fizeram permanecer em casa na terça, alegando que não faria mal perder um dia letivo naquela situação. Devido àquilo, não pôde se despedir corretamente de Junhui.

A respeito do chinês, os dois se viam diariamente, uma vez que as janelas de seus quartos davam uma para a outra, mas nunca arriscavam passar muito tempo lá, com medo de que alguém os pegasse e mais desgraças acontecessem.

Bem, aquelas encaradas roubadas sem nenhuma comunicação duraram apenas três dias devido à engenhosidade de Junhui. No sábado à tarde, Jisoo ouviu algo bater em sua janela, provavelmente uma pedrinha. Foi até lá, e encontrou Wen fitando-o do próprio quarto, um caderno aberto em mãos com algumas palavras rabiscadas com caneta preta:

“Preste atenção na letra.”

Hong franziu as sobrancelhas, confuso, mas o chinês apenas largou o caderno e saiu da janela, deixando-o ainda mais perdido. Alguns segundos se passaram, e ele pôde ouvir uma música tocando, vinda do quarto do Wen.

Jisoo demorou alguns segundos para assimilar o que estava acontecendo, mas, quando o fez, abriu o primeiro sorriso em muito tempo. Sentou-se no chão do quarto, fitando a parede, e fechou os olhos, a concentração inteiramente focada na letra de Pope is a Rockstar, do Sales.

“Now he wants to start talking
‘Go ahead,’ when I’m walking
Face the lie that I’m hawking
’No, don’t wanna, won’t happen’.”

Com a primeira estrofe, lembrou-se do começo da amizade dos dois, quando sentia-se até mesmo intimidado pelo chinês de poucas palavras que acabou se mostrando a pessoa mais importante da sua vida. 

O resto da música, no geral, descrevia a situação atual deles e, basicamente, o convidava a conversar.  Conforme as linhas avançavam, sentiu seu peito ser acolhido por algo quentinho e gostoso, uma sensação acolhedora que só sentira na infância e nos braços de Junhui.

Assim que o silêncio voltou, correu até a sua mochila e agarrou um caderno aleatório, escrevendo um “Te respondo amanhã” pouco legível na página antes de correr de volta para a janela e encontrar Wen fitando-o com um sorrisinho que dizia “Eu te falei que sou um gênio”. Hong revirou os olhos com aquilo, mas sorriu de volta, mais feliz que em muito tempo. Junhui leu a sua mensagem e assentiu, sumindo logo depois.  Não queriam ser pegos novamente, afinal.

III

A vida na casa dos Hong estava um inferno. A mãe de Jisoo se recusava a fitá-lo, esboçando expressões desgostosas sempre que seus olhares se cruzavam por acaso, ela vivia murmurando pelos cantos sobre o quão decepcionada e feria ela estava pela “opção sexual” do filho. O sr.Hong simplesmente não falava nada, pai e filho coexistiam como se o outro não estivesse presente na residência. 

Devido àquilo, Jisoo começou a passar ainda mais tempo em seu quarto. Estudava sempre que conseguia juntar concentração suficiente, lia livros aleatórios que vinha adiando até então, uma vez que os pais também se recusavam a devolver seu celular, e roubava relances de Junhui sempre que podia, o coração afundando toda vez que trocavam olhares.

No dia seguinte à ideia brilhante do mais novo, exatamente às três da tarde, quando a mãe estava assistindo a reprise da novela no quarto e o pai já havia saído para trabalhar fazia horas, Hong ligou a sua televisão e selecionou no YouTube a música que queria, aumentando o volume logo depois. Checou a janela, encontrando Wen deitado em sua cama, escrevendo algo em algum caderno. Assim que apertou o play, viu a cabeça morena virar para a sua direção, os olhos do chinês completamente focados em si.

“Oh, to see without my eyes
The first time that you kissed me
Boundless by the time I cried
I built your walls around me
White noise, what an awful sound
Fumbling by Rogue River
Feel my feet above the ground
Hand of God, deliver me”

Observou quando Junhui fechou os olhos e deitou de barriga para cima em sua cama, a atenção completamente voltada às palavras que saíam dos pequenos auto falantes da televisão.

Assim que a melodia finalmente terminou, Wen levantou e fitou Jisoo por alguns segundos, os olhos indecifráveis. Dessa vez, saiu sem escrever nada em nenhum caderno, mas Hong sabia, de algum jeito, que aquela comunicação arriscada não era mais necessária. No dia seguinte, receberia a sua resposta através da música.

IV

E, por um mês inteiro, foi desse modo que ambos se comunicaram. Todos os dias, exatamente às três da tarde, os adolescentes iam para os respectivos quartos e ouviam a mensagem que o outro tinha para si, roubando relances mútuos ao fim das melodias, o contato físico ainda impossível, assim como qualquer outro tipo de aproximação.

A situação na casa dos Hong ainda era a mesma, e Jisoo aos poucos começava a se acostumar com aquilo. Os olhares e palavras de seus pais ainda o machucavam como ferro quente, e tal fato provavelmente nunca mudaria, mas aprendia a focar sua atenção em outras coisas, mudar o rumo de seus pensamentos sempre que voltavam-se para aquele caminho sombrio, o que era algo constante, às vezes concentrando-se ainda mais nos estudos, outras simplesmente lembrando de Junhui, o conforto de saber que o mais novo sempre estaria lá por ele tornando tudo aquilo um pouco mais possível de suportar.

Foi no trigésimo primeiro dia que tudo foi por água abaixo de novo, porém dessa vez em dimensões desesperadoramente maiores. Como já era rotina, Jisoo largou o livro que lia assim que o relógio marcou três horas da tarde e esperou que a música provinda do quarto de Junhui atingisse os seus ouvidos, algo que ocorreu depois de alguns segundos.

What if, what if we run away?
What if, what if we left today?
What if we said goodbye to safe and sound?
And what if, what if we're hard to find?
What if, what if we lost our minds?
What if we let them fall behind and they're never found?

Hong franziu o cenho em confusão. Até aquele momento, todas as letras trocadas entre os dois eram bastante literais, encaixando-se perfeitamente no que um queria dizer ao outro sem que muitas partes ficassem abertas para interpretação.

My youth is yours
My youth is yours
My youth is yours
What if, what if we start to drive?
What if, what if we close our eyes?
What if we're speeding through red lights into paradise?
'Cause we've no time for getting old
Mortal body, timeless souls
Cross your fingers, here we go

O americano, ainda confuso, esperou que a música acabasse para levantar da própria cama e caminhar até a janela, de onde viu Junhui com um caderno em mãos.

Vem comigo, Jisoo.

O chinês esperou alguns segundos, e então virou a página.

Comprei passagens de ônibus

Atrapalhou-se levemente para repetir a ação. A cada palavra lida, o estômago de Jisoo afundava mais.

Poderíamos ser livres

Pode ser difícil no começo, mas

Nós damos um jeito.

Wen deu um sorrisinho ao virar a última folha e virou-se para trás, onde pegou um aviãozinho de papel, o qual atirou pela janela em direção ao Hong, que conseguiu pegá-lo por pouco. Jisoo levantou os olhos, confuso, mas o chinês já tinha saído da janela. Ele desdobrou o papel, encontrando o horário e local de partida do ônibus, junto com um “Eu te amo” escrito na caligrafia bonita do mais novo.

Deixou-se cair na cama, sem forças para ficar em pé, sentia-se nervoso como o dia em que sua mãe o havia flagrado com Junhui.

Desde que aquele chinês entrara em sua vida, muitas coisas haviam mudado. Jisoo havia se tornado uma pessoa mais falante, com mais risadas verdadeiras que aquele “esticar de lábios” mencionado por Junhui na primeira vez em que se encontraram. Ele descobrira em si facetas que sequer imaginava existir a alguns meses, mostrara-se mais corajoso que o imaginado anteriormente. Havia se perdido, mas ao mesmo, tempo, encontrado a si mesmo.

Tudo aquilo, no entanto, não mudava todo o medo que ainda sentia dentro de si. Obviamente odiava toda a situação na sua casa e desejava mudanças, mas a proposta do Wen era simplesmente radical demais. Jisoo tinha dúvidas, medos, mais inseguranças que a certeza e coragem necessárias para tomar aquela maldita decisão. Sua casa era um inferno, mas continuava sendo mais segura que o mundo exterior. Eles eram menores de idade, por Deus! Não haviam graduado na escola, não tinham a mínima experiência em nenhum tipo de trabalho nem dinheiro suficiente.

Naquela noite, a mente do Hong estava cheia demais para que conseguisse dormir.

V

Como mal havia fechado os olhos na noite anterior, Jisoo simplesmente levantou da cama quando o despertador chamou-o. Vestiu-se como sempre, tomou café da manhã e entrou no carro do pai, que o levou para a escola sem questionar as manchas arroxeadas ao redor dos olhos do filho, que permanecia mais taciturno que o normal.

O Hong sequer tentou prestar atenção nas aulas, a cabeça completamente focada no dilema que tinha em mãos. Ele sabia que era uma péssima ideia, e precisava convencer Junhui daquilo, porém não tinha ideia de como conseguiria fazer aquilo apenas através do YouTube e folhas de caderno, uma vez que, além de tudo, o chinês era um tremendo teimoso.

Já eram quase três horas quando chegou em casa, devido a um atraso de sua mãe. Assim que abriu a porta, correu até o seu quarto, onde jogou a mochila sobre a cama, apanhou um dos cadernos e um marcador permanente. Sentiu lágrimas ameaçando escapar de seus olhos quando escreveu a mensagem no papel branco, mas se obrigou a manter-se sobre controle.

Assim que a tela do seu celular mostrou três horas em ponto, levantou-se e andou vagarosamente até a janela, sentindo como se o seu coração fosse explodir de tristeza. Como esperado, Junhui estava do outro lado esperando-o com uma expressão esperançosa no rosto. Aquilo só o fez sentir pior ainda. Tentando controlar o tremor nas mãos, Jisoo levantou o caderno.

Desculpa, Jun, mas não posso fazer isso.

Antes que pudesse virar a página para entrar na parte “e você não deveria também, aqui vai uma lista de todos os contras”, Junhui afastou-se da janela, o rosto expressando toda a traição que sentia naquele momento.

Jisoo pretendia chamá-lo, porém ouviu passos se aproximando do seu quarto, provavelmente sua mãe vindo trazer a roupa limpa, portanto atirou o caderno em baixo da cama e deitou-se na mesma, abrindo um livro no segundo em que a porta foi aberta. A mulher entrou, deixou tudo em seu devido lugar e saiu sem nem dispersar um mísero olhar ao próprio filho. Hong suspirou e deixou a cabeça cair no colchão macio, sentindo-se completamente exaurido. Sequer percebeu quando a exaustão dos dois últimos dias tomou conta de seu corpo, fazendo-o adormecer.

VI

Acordou antes do alarme no dia seguinte, e sentou-se na cama enquanto fitava o relógio digital que tinha em sua cabeceira, abismando-se ao perceber que dormira por mais de doze horas consecutivas. Coçou os olhos, grogue, e encaminhou-se até o banheiro, onde lavou o rosto ainda inchado. O torpor da manhã o impedia de pensar direito, portanto, pelo menos por alguns segundos, sua mente estava relativamente tranquila.  

Como havia acordado apenas um pouco antes do horário costumeiro, foi em direção à cozinha, onde seus pais já deviam estar aproveitando o café da manhã. Assim que atravessou a porta do recinto, no entanto, sentiu como seus pés tivessem sido colados no chão, o estômago afundando. Ambos os adultos fitavam fixamente a televisão, a ponto de não terem percebido a chegada do filho. O motivo era claro: Na tela, via-se estampado o rosto sorridente de ninguém mais, ninguém menos que Wen Junhui. Em baixo dele, a manchete contava que um acidente entre um carro e um ônibus havia deixado treze feridos e dois mortos, entre eles um adolescente de dezesseis anos.

 


Notas Finais


O que acharam??
Até a próxima, chuchus szszsz


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