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História Just Ride (Nathaniel) - Capítulo 1


Escrita por:


Capítulo 1 - Off to the Races


OFF TO THE RACES

"Ele não se importa que eu tenha uma vida destruída e decadente. Na verdade, ele diz que acha que é isso que ele gosta em mim."

— Lana Del Rey



 

CAPÍTULO ÚNICO

 

Saio do sofá com as batidas fortes na porta de madeira. O som pesado sobrepõe a música que continua ecoando pelo meu apartamento desde ontem à noite, quando cheguei cansada demais para ir até a cama dormir e muito menos desligar a música.

O vento frio que entra pelas janelas, esvoaçando as cortinas amarrotadas, faz minhas pernas nuas arrepiarem. Abaixo a camiseta o suficiente para tampar no mínimo a calcinha enquanto fico na ponta dos pés para olhar quem está no lado de fora. Arregalo os olhos ao ver a silhueta do rapaz alto e impaciente, apoiado com um braço no batente.

Passo as mãos pelos cabelos, tentando ajeitar o máximo possível os fios verdes e longos bagunçados, mas duvido muito que tenha surtido algum efeito. Destranco a porta e abro um sorriso, com os olhos fixos no rosto duro de Nathaniel. Seus cabelos loiros e lisos caem naturalmente sobre sua testa - e não devem ver uma tesoura há um tempo, julgando pelo comprimento deleixado dos fios.

— Nath… a que devo a honra? — digo, em um tom irônico que não lhe tira nem mesmo um sorrisinho.

O loiro mora no andar de cima e sempre nos esbarramos pelos cantos do bairro. Às vezes estou saindo para abrir o estúdio e ele está chegando de suas longas noites. Ou o contrário. Mais de uma vez, ele apareceu no meio da madrugada, com alguns hematomas feios, me pedindo bandagens ou remédios emprestados. E há algumas noites capotou no meu sofá depois de ter perdido a própria chave. Quando preciso, bato em sua porta pedindo algum favor, pois ele sempre está mais perto e nunca me negou nada. Como na vez em que estouraram minha porta para um roubo mal sucedido - pois não tenho nada de muito valor - e eu passei a noite em seu sofá desconfortável, dividindo o sono com sua gata.

A tensão entre a gente é inegável. O único motivo pelo qual não ficamos ainda, é com certeza o fato de Nathaniel estar metido com pessoas fodidas por aí e a última coisa que preciso em minha vida é de drama. Nenhum de nós precisa dizer isso em voz alta, mas acho que pensamos da mesma forma. É uma espécie de acordo silencioso.

— Mad — diz, arqueando as sobrancelhas grossas em um meio sorriso frio. — O que acha de ganhar quinhentos dólares por algumas horinhas?

— Você está me confundindo com a prostituta do seu andar.

— Não é esse tipo de trabalho.

Cruzo os braços na frente do peito, curiosa, erguendo o queixo numa tentativa de me mostrar no controle. O que deve parecer ridículo, pois minha altura mínima e a falta dos saltos não estão ao meu favor.

— Estou ouvindo.

— Preciso arranjar uma grana rápida até terça-feira e vai rolar uma corrida clandestina hoje de madrugada.

— E você quer que eu distraia os outros competidores com minhas curvas fatais e minha bunda magnífica enquanto você ganha?

Ele rola os olhos, passando a língua pelos lábios secos. A parte superior é marcada por uma cicatriz antiga que deixa sua boca deformada de um jeito peculiar. Até um pouco sexy, eu diria.

— Quero que você dê um jeito no meu carro. A lataria está uma merda. Ninguém vai me levar a sério com aquela porra.

Assinto, pensativa.

— Seiscentos. E você me leva junto para o racha.

— Quinhentos e cinquenta. E não te levo comigo. É perigoso demais.

— Ah, qual é. Eu estou triste. Acabei de passar por um término complicado. Uma disputa acirrada com bastante testosterona e adrenalina vai me deixar um pouquinho mais feliz…

Ele franze o cenho, com um ar de riso.

— Você passou por um término?

Dou de ombros, assentindo. Tecnicamente, Castiel me dizendo que nunca mais irá me ver foi um término. E eu estou, de fato, sofrendo. Pois ele fodia bem pra cacete. É uma grande perda.

— Bom… ele disse que não vai mais transar comigo. Isso me deixou bem abalada. Não lido muito bem com rejeições, você sabe.

O loiro bufa e massageia os olhos com os dedos. Suas olheiras são bem visíveis e ele parece mais exausto do que de costume.

— Foda-se. Te espero na frente do prédio às três da manhã.

Ladeio um sorriso e lanço à ele uma piscadinha.

— Valeu, Nath. Daqui a pouco desço para dar uma olhada no carro.

Ele se vira de costas e sobe as escadas que levam ao seu andar, deixando somente o rastro do seu perfume fraco. Sorrio e fecho a porta atrás de mim.

Penteio os cabelos ao mesmo tempo que faço um gargarejo com um enxaguante bucal. Os fios verdes cintilantes caem feito uma cortina ao redor do meu rosto pálido. Visto um short velho e gasto e uma camiseta no mesmo estado, com alguns rasgos na lateral, deixando transparecer parte do dragão que cobre minhas costas. Prendo os cabelos numa trança embutida e calço um all-star velho que costumava ser vermelho.

Não é a primeira vez que faço alguma ilustração em um carro. Meu pai e eu fazíamos isso o tempo todo para os caras da vila, que não tinham grana suficiente para pagar por uma pintura profissional completa. Nós cobríamos os danos na tintura antiga com desenhos grandes e chamativos, reconhecidos a milhas de distância.

Pego a mochila surrada com latas de tinta em spray, lixas e máscaras protetoras e jogo no ombro. Desço dois lances de escada até chegar no estacionamento minúsculo do prédio, que quase ninguém usa, pois nenhum dos moradores tem dinheiro suficiente para comprar um carro. O único estacionado é o de Nath.

O automóvel não é nada mau. Um Dodge Charger de pelo menos uns dez anos, que vale uma boa grana. Duvido que a corrida paga mais do que o valor do carro. Se ele simplesmente vendesse, resolveria seu problema, eu suponho. Considerando que há o risco de perder  o racha e ainda bater o carro.

A tintura original é um cinza desgastado, com algumas marcas queimadas na lateral bem feias, mas totalmente reversível. O capô também possui sinais e riscos que consigo dar um jeito se fizer uma boa arte por cima. Coloco a máscara de proteção e pego a lixa quadrada para passar nas áreas afetadas. Coloco fitas protetoras para não danificar as partes boas do carro e me preparo para desenhar algumas chamas ao longo do veículo.

— E então? — a voz de Nathaniel me desperta e eu me viro para trás, puxando a máscara no topo da cabeça.

Não está mais usando seu moletom verde, mas uma regata branca colada que revela seu físico volumoso por baixo do tecido fino. Os braços largos são cobertos por cortes antigos, que rasgam sua pele em pequenas cicatrizes finas e brancas. Outra são mais grossas e a avermelhadas, indicando um trauma bem feio. O cabelo loiro brilha num tom dourado contra a luz do sol que ilumina seu rosto, deixando-o parecido com uma versão mais jovem - e fora da lei - de Leonardo DiCaprio.

— Não está tão ruim. Vou fazer umas labaredas se espalhando. É o mais seguro para cobrir a piores partes.

— Legal. Quer ajuda?

— Não, valeu. Prefiro fazer sozinha.

Odeio ter que explicar o que fazer e ainda correr o risco que estraguem meu trabalho, então sempre prefiro ficar solo.

— Tudo bem.

Ele agacha a alguns passos de mim, de frente para a lateral do carro, e apoia seu peso no próprio joelho. Retira um maço de cigarros do bolso da calça militar camuflada e acende um em seus lábios. Seus olhos sérios e penetrantes seguem cada movimento meu enquanto faço o design no carro.

— Vai só ficar aí me admirando? — grito com a voz abafada dentro da máscara plástica.

— Estou pagando por isso. É melhor acompanhar o trabalho de perto — reviro os olhos, com uma risada baixa para que ele não ouça. — Além do mais, é uma ótima vista.


 


 

Acordo com o despertador às duas da manhã, me lembrando do compromisso com Nathaniel em uma hora. Saio da cama e solto os cabelos presos num coque. Os fios caem ondulados e sedosos, então decido nem penteá-los para não estragar. Nunca fui em uma corrida de rua e não sei exatamente o que deveria usar para algo assim. Então uso a referência da saga Velozes e Furiosos e me visto o mais indecente possível, cobrindo só o necessário.

Enquanto puxo com cuidado a meia arrastão preta para cima, rio, imaginando o que meu pai diria se me visse assim. Quase consigo ouvir sua voz grossa e brincalhona ecoando pelo cômodo vazio.

“Nem todo mundo está interessado em ver sua bunda, você sabe disso, não sabe?”

— Não se preocupa, Clay. Você ainda é o único amor da minha vida — sussurro, olhando para o retrato de nós dois no criado mudo.

Me levanto, equilibrada nos coturnos altos e vou até o espelho grudado na parede do quarto. Passo uma boa quantidade de gloss nos lábios, que cintilam, junto com o iluminador brilhante em meu rosto. O decote do cropped faz meus seios parecerem maiores do que são realmente e a saia de couro rodada deixa transparecer a cinta liga presa em minha calcinha.

Pego somente as chaves e um pirulito de framboesa, pois não quero arriscar nada de valor em uma quebrada dessas. Saio do apartamento, deixando o aroma doce do perfume de cereja se espalhar pelos corredores que cheiram à cigarro e álcool. O elevador metálico e enferrujado para ruidosamente e saio na direção da calçada.

Do outro lado, encostado no carro restaurado e pronto para correr, Nathaniel me olha fixamente. Iluminado pelas luzes amareladas fracas dos postes, o garoto parece uma sombra negra. A camiseta preta e a calça jeans escura se camuflam na escuridão da rua. Atravesso, com os passos alinhados e um sorriso largo no rosto.

— Estou parecendo uma vadia durona o suficiente para sua corrida? — Digo, me girando lentamente. Minha saia abre com o movimento, revelando quase mais do que o necessário.

Nathaniel respira profundamente e limpa a garganta. Passa os dedos pelos cabelos úmidos, penteando a franja para cima inutilmente, pois os fios voltam a formar uma cortina em seu rosto.

— Com você assim, vai ser difícil manter os olhos na estrada — diz, ladeando um sorriso com o lábio inferior entre os dentes.

Dou uma piscadinha e retiro o pirulito vermelho da boca com ruídos altos de sucção.

— Vamos. Estou ansiosa.

Rodeio o carro e abro a porta do passageiro. Uma música trap ecoa no ambiente abafado e Nathaniel arranca pelas ruas quase desertas da cidade. Em algumas horas o dia de trabalho vai amanhecer, então por enquanto o trânsito é mínimo. Não acho que seja tão perigoso assim. O horário é perfeito e quase não há viaturas na cidade agora, ao contrário de madrugadas de sexta e sábado.

— Isso vai ser no centro? — pergunto. Ele mantém os olhos penetrantes fixos na estrada e assente.

— Vamos sair e voltar para o mesmo ponto, passando pelo centro.

— Onde começa?

— Belltown.

— Porra.

— Relaxa. Para coisas assim eles são tranquilos. Todo mundo sai ganhando.

Assinto, me concentrando no doce que se espalha pela minha língua. Belltown não é a melhor vizinhança de Seattle e nem a mais pacífica por aqui. Mas, por algum motivo deturpado, acabo confiando em Nathaniel. O loiro continua dirigindo e eu passo os olhos pelo seu perfil. As sobrancelhas estão levemente franzidas e os lábios finos apertados numa linha. Os músculos do seu maxilar, travados e ressaltados com a força. Seus dedos pressionam o volante e ele tamborila o anel grosso e prateado ao ritmo da batida constante da música.

O rosto parece sempre petrificado na mesma tensão. Como se ele nunca baixasse a guarda.

Nas vezes em que nos cruzamos e eu cuidei dos seus ferimentos, nenhum de nós tocou no assunto e seguimos normalmente nossa relação de vizinhos meio confusa. Ele me chama quando precisa. Eu o chamo quando preciso. E ainda assim seguimos feito dois completos estranhos. É exatamente por isso que gosto de Nathaniel. Ele se mantém tão distante quanto eu.

Chegamos em um local afastado da cidade, na encosta, repleto por contêineres e navios atracados. As fileiras de carros estacionados formam um corredor iluminado pelos faróis altos e o som de várias batidas de música se misturam ao burburinho de pessoas conversando, zanzando de um lado para o outro. Nathaniel diminui a velocidade e continua, esperando que garotas vestidas de forma tão chamativa quanto eu, passem sem pressa.

Vários olhares atravessados se dirigem à ele. O cheiro de erva e álcool invade minhas narinas e meus olhos ardem com a fumaça espalhada pelo ar. Nathaniel se mantém tão encarado quanto os que o fuzilam com suas expressões assassinas. Diminui a marcha e estaciona em uma vaga logo no começo da longa fila de carros, fazendo questão de roncar o motor antes de descer, sem tirar a chave do contato.

Abro a porta e dou a volta, encontrando-o encostado no capô automóvel, com um cigarro entre os lábios. Seus olhos dançam por todo o recinto, analíticos e concentrados em cada detalhe. Apesar das risadas, da música e das garotas dançando, uma tensão paira sobre o local. Grupos de homens conversam entre si, apontando para os outros ou fitando-os ameaçadoramente.

— E agora? — pergunto, sem olhar diretamente para Nath, pois minha atenção está dividida entre o burburinho que nos rodeia.

— Agora eu pago para correr — ele respira profundamente, soltando a fumaça pela boca e se desencosta do carro. Ladeia um sorriso e se aproxima, ficando a uma distância pequena do meu rosto. — E a gente vê no que dá.

Sorrio de volta, mordendo o lábio. Assisto Nathaniel caminhar na direção de um homem moreno e alto, rodeado por uns cinco caras que têm as mãos escondidas por dentro das jaquetas abertas onde, imagino, devem estar suas armas. O loiro retira do bolso algumas notas enroladas e presas com um elástico e entrega ao homem.

Minha pele se arrepia com a brisa gelada e sinto um frio em meu ventre, que se espalha pelas pernas. A adrenalina da situação começa a fluir pelo meu corpo em uma sensação viciante que me faz sorrir enquanto Nathaniel conversa com o outro, sob olhares desconfiados de vários grupos.

Apoio os saltos no para-choque do carro e me sento no capô, por entre as chamas espalhadas, amarelas e alaranjadas que brilham, iluminadas pelos faróis dos outros. Cruzo a perna e mastigo o cabo de plástico do que costumava ser meu pirulito, olhando ao redor. Um rapaz alto e negro no outro lado se aproxima, acompanhado por duas garotas, uma em cada lado. Ele atravessa até ficar exatamente em minha frente. Olha para todo o desenho sobre o carro e maneia a cabeça em sinal positivo.

— Gostou? — pergunto, passando os dedos pelas chamas onduladas.

— Muito bom.

— Eu mesma pintei.

Ele sorri, mostrando os dentes brancos e retos. Passa a  língua pelos lábios, se demorando no piercing no canto. Uma das garotas ao seu lado revira os olhos, puxando-o pelo braço, mas o rapaz resiste.

— Vai correr? — pergunta.

— Não. Só estou acompanhando — digo, descruzando minha perna e revelando um vislumbre da cinta liga preta, que parece atrair sua atenção. — Você?

— Vou correr. — Assinto, dando de ombros. Ele estende a mão e faço o mesmo, com seus dedos longos fazendo os meus desaparecerem. — Devon.

— Maddison.

Uma buzina alta me assusta e o rapaz ri. Se aproxima um pouco, ignorando as garotas do seu lado, e sussurra em meu ouvido:

— Que tal um beijo de boa sorte no campeão?

Rio, apoiando a mão em seu rosto. A barba rala em seu maxilar faz cócegas em meus dedos e seu perfume forte me deixa zonza.

— Estou acompanhada, Devon.

Ele se afasta, com a risada grossa me fazendo arrepiar.

— Nathaniel? — diz, num tom de puro sarcasmo, fitando o loiro que se aproxima.

Nathaniel volta, esfregando uma mão na outra rapidamente, em um ato nervoso. Encara o rapaz com sua expressão fria de sempre e arqueia a sobrancelha.

— Devon — o loiro diz, como se as palavras tivessem um gosto ruim saindo de sua boca.

— Veio se humilhar um pouco mais, Nathaniel? Você não se cansa?

O loiro faz uma cara de nojo e ignora o comentário, seguindo para o lado do motorista.

— Que o melhor vença, então — digo para Devon, lançando-lhe uma piscadinha maliciosa.

Ele ri e se demora em meu corpo por uns segundos.

— Que o melhor vença.

Outra buzina soa, dessa vez curta e seguida por mais uma. Nath faz sinal com a cabeça e eu desço do capô em um pulo. Dou a volta e entro no carro, puxando o cinto de segurança enquanto ele acelera, seguindo uma horda de carros com seus roncos e sons que seguem pela rua.

Ele parece ainda mais preocupado. A respiração pesada fica audível mesmo com todo o ruído de fora. Seus dedos estão brancos de tanto apertar o volante nas mãos.

— De quanto você precisa? — pergunto, quebrando a tensão.

— Tenho que chegar em terceiro, no mínimo. O lucro já vai ser suficiente para quitar… — sua resposta é bem esquiva, mas suficiente. Apenas assinto e continuo de olhos na estrada.

Finalmente, quatro carros param lado a lado em uma rua larga, enquanto um rapaz fica no meio, sinalizando para que todos permaneçam ali. Os automóveis ficam alinhados e os roncos dos motores se tornam mais altos. Atrás de nós, uma multidão espera entre gritos e músicas altas. Percebo que não tem mais volta. Agora é tarde demais para descer.

Nathaniel respira fundo e mantém os olhos fixos no rapaz, que faz uma contagem regressiva com os dedos.

— Boa sorte — sussurro, e o loiro engole a saliva, assentindo. — E não nos mate.

Deixa uma risada anasalada lhe escapar.

— Vou tentar.

Quando é dada a largada, ele acelera e meu corpo inteiro vai para trás, colando minhas costas no banco. A cidade passa em um borrão pelo retrovisor, tornando-se impossível distinguir qualquer formato de qualquer coisa lá fora. Minha respiração fica alterada e me sinto eufórica, como se estivesse despencando de uma montanha russa. Olho para o lado e Nathaniel tem um sorriso perigoso estampado enquanto troca a marcha e dirige pelas ruas, ultrapassando dois dos carros que estavam lado a lado conosco.

Dou uma risada alta, seguida por um gemido longo. Meu coração parece estar perto de explodir no peito e as sensações se misturam em meu corpo como se estivesse em um longo orgasmo, por mais estranho que isso pareça. Quando Nath faz uma curva brusca, meu corpo é jogado para o lado da porta como uma boneca de pano e eu me atenho ao cinto de segurança, ouvindo seu riso debochado.

O tempo passa num piscar de olhos com a velocidade e percorremos quilômetros em questão de segundos. Pelas minhas contas, ainda estamos em segundo lugar. O chacoalhar do carro para e ele continua o percurso em linha reta, passando pelas ruas do centro. Tem que diminuir a aceleração algumas vezes por causa de alguns carros de civis que aparecem nas avenidas, mas logo retoma.

Começa a fazer o percurso de volta para onde foi dada a largada e estamos a poucos metros de ultrapassar o primeiro carro, que imagino se tratar de Devon. Nathaniel acelera o carro e o ponteiro indica estar quase no máximo da velocidade. Prendo a respiração e cravo as unhas no assento, incapaz de me mover. Ele começa a ultrapassar e ficamos cada vez mais próximos da linha de chegada. Os carros ficam quase alinhados e, por um segundo, penso que Nathaniel não vai conseguir, mas no último momento o bico comprido do carro ultrapassa o outro e ele acaba vencendo em primeiro.

Sem acreditar, arregalo os olhos e dou um berro, que se mistura à buzina e aos gritos do lado de fora. Nathaniel para o carro e expira aliviado, passando os dedos pelos cabelos loiros, ofegante. Trocamos um olhar curto e carregado de felicidade antes de abrirem as portas e nos puxarem para fora. Quando meus pés tocam o chão, sinto as pernas moles, ainda pela adrenalina da pequena viagem.

Entre gritos e confusões, fumo algumas coisas e bebo direto das latas lacradas que jogam em minha direção. Danço com desconhecidos ao som alto de músicas, enquanto Nath se perde fazendo sei lá o quê. Minha mente está tão distante, numa mistura de substâncias e sensações, que pode muito bem pertencer à uma outra pessoa. A brisa fria, o calor das pessoas ao redor e o som ensurdecedor me fazem sentir viva e ao mesmo tempo adormecida em relação a tudo em volta. Continuo me movendo ao som frenético de uma música latina, balançando os quadris de forma explícita, quando sinto um par de braços rodeando minha cintura e um rosto se encostar ao meu.

— Quer sair daqui? — a voz grossa de Nathaniel faz cócegas em meu ouvido e eu apoio meu peso sobre seu corpo alto, mordiscando meus lábios alcoólicos.

— E ir para onde?

— A gente vê no caminho.

Ele enlaça meus dedos e me puxa por entre a multidão, abrindo espaço nas pessoas que à esta altura abandonaram a sobriedade há um bom tempo. Entramos no carro e Nath tem uma certa dificuldade para sair do burburinho de pessoas, tendo que buzinar por todo o trajeto. Vejo seus olhos dilatados e a expressão quase tão distante quanto a minha, indicando que estamos altos demais.

— Você pode dirigir?

Nathaniel dá de ombros, com um sorriso convencido, como se eu estivesse fazendo uma pergunta burra.

— Ralaxa, Mad — diz, numa voz grave e rouca. — Sei o que estou fazendo.

Aumento o som do rádio enquanto ele arranca pelas ruas vazias, onde o único barulho é o do motor do carro. Saímos de Seattle por uma das rodovias principais e acabamos em uma pista ainda mais vazia, com algumas placas sinalizadoras e árvores solitárias espalhadas pelos dois lados. Nathaniel diminui a velocidade aos poucos, encostando e entrando no terreno à beira da pista asfaltada.

— O sol vai nascer daqui a pouco — explica, com um sorriso relaxado. Seu rosto parece mais leve do que estou acostumada e culpo o álcool que ele deve ter bebido por isso.

Saímos do automóvel e nos sentamos lado a lado no capô, com as pernas esticadas sobre a lata. Meu rosto está suado e a maquiagem, não tão fresca assim - sem contar os cabelos embaraçados. Nathaniel, por outro lado, parece ter acabado de sair do banho, com seu rosto impecável.

— Conseguiu sua grana? — pergunto, apoiando o queixo nos joelhos e virando para encará-lo.

— Uhum — assente. Nath retira outro cigarro do bolso e acende, jogando o maço vazio no chão. Acende e dá um trago longo, me oferecendo. — Que porra tem de errado com você?

— O quê? — rio, arqueando as sobrancelhas.

— Nós não nos conhecemos tanto. Sou só seu vizinho. E ainda assim, você se enfiou comigo em uma corrida que poderia muito bem ter acabado em merda.

Dou de ombros, devolvendo-lhe o cigarro e prendendo a fumaça em meus pulmões. Solto pelas narinas e sugo de volta com a boca, soltando tudo em seguida. Ele acha graça.

— Eu gosto da emoção.

— Por isso eu te chamo de Mad… você é meio maluca.

— Isso é ruim?

Nathaniel apaga o cigarro na ponta do próprio sapato e joga com desprezo para o lado. Ladeia um sorriso perigoso e se coloca sobre mim, forçando minhas costas contra o capô do carro. Apoia o cotovelo nas laterais do meu rosto e respira pela boca, passando a língua pelos lábios já úmidos.

— Não necessariamente.

Ondulo meu corpo em sua direção, forçando minha pélvis contra seu quadril e ele emite um grunhido baixo que fica preso em sua garganta. Prende meus braços acima da minha cabeça e segura meus pulsos juntos enquanto toma minha boca em seus lábios. Invado-o com a língua, como se estivesse lhe dando permissão, e ele entende o sinal. Seu beijo se torna mais faminto, tanto que nossos dentes se chocam uma vez ou outra.

Abro as pernas, deixando-o entre elas, enquanto devoramos um ao outro em beijos cheios de desejo, levados pelo instinto dos nossos corpos. Toda a adrenalina da corrida ainda está espalhada em minhas veias e eu reviro os olhos com o mero friccionar da minha calcinha com a calça de Nathaniel, sentindo o volume dele contra minha buceta molhada.

— Porra — murmura em meu ouvido, descendo seus beijos e mordidas ávidas pelo meu pescoço.

Rio, me contorcendo com o desconforto de tê-lo imobilizando meus braços, quando o que mais quero é cravar minhas unhas em suas costas. Cerro os punhos, machucando minha própria palma, quando sua língua quente em minha orelha faz meu corpo inteiro arrepiar. Nathaniel solta minhas mãos e eu afundo os dedos em seus cabelos, abraçando-o com as pernas. Ele toma minha boca outra vez e nossa saliva se espalha pelos nossos queixos.

— Posso...? — pergunta, incapaz de formar uma frase decente.

Assinto, mordendo meu lábio com força.

— Por favor — abraço seus ombros e inclino o corpo na direção do seu, ofegante. — Só quero gozar.

Pareço estar quase explodindo desde que a maldita corrida começou e me deixou uma pilha de nervos. Meu corpo está implorando por qualquer alívio, o mais rápido possível. E imagino que Nathaniel se sinta da mesma forma.

Ele desabotoa sua calça rapidamente e ergo a saia até a cintura para ajudá-lo. Olho para baixo e vejo enquanto retira a camisinha do bolso, jogando a embalagem ali mesmo. Coloca em seu pau aos poucos e mordo o lábio, assistindo, ao mesmo tempo que deslizo as unhas em suas costas por baixo da camiseta preta dele. Seus músculos são como pequenas lombadas que fazem meus dedos subirem e descerem, sentindo a pele arrepiada dele.

Nathaniel afasta minha calcinha para o lado e fico surpresa pelo tecido não se partir, considerando que não é lá essas coisas. Cravo as unhas em seus ombros quando o sinto me penetrar aos poucos e minha buceta dilata com a grossura dele. Toma meus lábios outra vez e começa a estocar aos poucos, bagunçando meus cabelos embaixo de si.

Seus pelos ralos se esfregam em meu clitóris a cada estocada e a região fica cada vez mais sensível, enquanto seu membro se encaixa perfeitamente e a cabeça massageia meu ponto. Meu quadril se move junto com ele e Nathaniel vai mais rápido, fazendo o carro todo subir e descer no nosso ritmo. Abraço suas costas e apoio o rosto em seu pescoço, abafando meus gemidos nele.

Meus espasmos se expandem por todo o corpo e meu abdômen se torna dolorido com tantas contrações enquanto tenho um orgasmo avassalador que parece sugar tudo de mim. O loiro me segue, gozando em um urro gutural, tão primitivo quanto o meu. Continua estocando lentamente, estendendo seu ápice até finalmente despejar tudo o que tinha.

Seu corpo cai pesadamente sobre o meu e continuamos imóveis e ofegantes.

— Puta que pariu — murmura, saindo com dificuldade e se deitando de barriga para cima ao meu lado.

Ajeito a calcinha e nem me dou o trabalho de abaixar minha saia, pois minha alma parece estar demorando um pouco para voltar ao corpo. Engulo um pouco de saliva e percebo estar com uma sede do caralho. Rio, passando os dedos pelos cabelos desgrenhados e me sento no capô do carro.

Ladeio um sorriso e me viro para Nathaniel, que devolve o olhar malicioso.

— Isso não estava incluso nos seiscentos, hum? Trate de me dar um ótimo bônus.

Ele joga a cabeça para trás, rindo, com os fios dourados cintilantes pelas primeiras luzes do amanhecer que começam a surgir no céu.

— Vai se foder, Mad.

 


Notas Finais


Ordem cronológica das One's da Maddie para os que conheceram a história por aqui (também dá pra se situar pela cor de cabelo dela HSAUHSUA) :

https://www.spiritfanfiction.com/historia/lizzy-rayan-19936721

https://www.spiritfanfiction.com/historia/pink-lemonade-lysandre-19863708

https://www.spiritfanfiction.com/historia/cherry-wine-castiel-19843836

Se encontrarem algum erro aqui na escrita, me avisem nos comentários por favor. Espero que tenham curtido ;*


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