História Justiça. - Capítulo 19


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Categorias Malhação
Tags Limantha
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Palavras 3.292
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Policial, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 19 - Contágio.


- Bom trabalho. – Roberto elogia. – Cancele as gravações de hoje à tarde. Consegui uma entrevista de rádio para você.

Samantha assente, terminando de comer o seu lanche. Se antes ela estava se dedicando muito nesse processo, agora ela está fazendo o dobro. Pensar na alegria que vai ser ter a Thaís de volta é maravilhoso. Mas, a Keyla tem razão. Não é só a Thaís voltando. Seus pais estarão aqui outra vez. Quando Samantha saiu da cidade, de contrato já assinado pela gravadora, eles não demoraram muito para irem também. Por um tempo, gastavam todo o dinheiro em viagens incansáveis. Com Thaís crescendo, isso dificultou a boa vida deles.

Sua irmã não é mais uma criança. Era questão de tempo ela querer ir embora, assim como Samantha. A cantora se despede dos músicos da banda, prometendo voltar cedo no outro dia para compensar a tarde de hoje.

- Lembre: Não dê corda para fofoca. – Roberto fala no carro. – Eu já falei com eles pra cortarem perguntas inconvenientes, mas nunca se sabe.

- Tudo bem, eu já sei. – Encosta a cabeça no vidro, virando os olhos. – Terá versão acústica ou eles irão rodar a música normal?

- Irão rodar, não se preocupe com isso. – O motorista estaciona na frente da casa da cantora. – Estaremos aqui em duas horas. Dá tempo comer, descansar um pouco e se arrumar, né?

- Se você diz. – Ri fraco. – Até mais tarde.

Samantha entra na cozinha de casa, encontrando Keyla já almoçando. Ela pega um prato e se junta a amiga, ouvindo as reclamações da DJ sobre um problema em seu equipamento.

- Você irá comigo?

- Só se você for comigo comprar essa peça. – Propõe. – Preciso dela para trabalhar. Amanhã irei tocar em uma boate daqui.

- Vou sim. Dependendo de onde, posso até ir comprar algumas coisas para o quarto da Thaís. Você acha que devo comprar tudo do apartamento?

- Amiga, eles não trarão nada? É uma mudança, Sam.

- Eu sei. Trazer tudo na viagem vai ficar complicado.

- Então liga para a sua mãe e pergunta. – Keyla franze a testa. – Ou melhor, pergunta para sua irmã. Se você perguntar pra Dona Lúcia é capaz dela escrever uma lista enorme e você falir no outro dia.

- Mas, se eu falar com a Thaís, ela vai falar que eu não preciso comprar nada.

- Sensata que é sua irmã. – Levanta. – Sensata, mas não burra. Ela falará algo.

- Tudo bem. – Suspira, vendo a amiga servir o suco. – Eu vou perguntar. Antes, eu preciso dormir cinco minutinhos. Estou caindo de sono.

- É? Foi dormir tarde? – Pergunta, maliciosa. – Perdeu a hora falando com uma certa delegada? – Samantha abaixa a cabeça, escondendo o sorriso. – Lambertini, Lambertini... Cuidado na vida.

- Ai, eu odeio quando você faz isso. – Reclama. – Meu medo triplica.

- Desculpa. – Segura a mão da cantora. – Já avançaram em alguma coisa?

- Estamos nos conhecendo. Só isso.

- Sei...

- Bem, eu vou aproveitar meus poucos minutos e dormir. – Beija a bochecha da DJ. – Fui-me!

Samantha e Heloísa possuem horários corridos e cheios, mas a noite elas acham um tempo para conversarem. São mensagens simples, nada de muita importância. A cantora deita na cama, abrindo a conversa delas. A maioria do assunto sobre a volta da sua irmã. Lica não é de falar sobre a vida dela. Isso deixa Samantha com as mãos atadas. Ela sabe que talvez esteja sendo repetitiva, sente receio que isso afaste a delegada. Mas, não pode fazer muito.

Se não fosse por causa das poucas piadas maliciosas entre elas, qualquer pessoa falaria que ali não existe nada mais que uma boa amizade. Um erro, certamente.

*

 

O dia na delegacia estava movimentado. Foi uma semana bem cheia. Heloísa não desgrudou um segundo do trabalho, afirmando que andava perdendo tempo demais. Progrediu em vários casos. Estancou em outros. Prendeu suspeitos e conseguiu alguns flagrantes. Mas, também perdeu. E perder já era motivo o suficiente para acabar com todo seu humor. Não que ganhar a deixe feliz. Precisar ganhar algo é triste demais.

- Aqui, Lica. Três casos extremamente parecidos. – Joga os papéis em cima da mesa. – A mesma quantidade de pessoas. O mesmo veículo, com a mesma cor. – Lica franze a testa, lendo por cima.

- Mas, esses aqui são de anos atrás.

- Eu sei. – O advogado senta em frente a irmã. – E continuam em aberto.

- Leonardo, o que diabos você está fazendo com esses casos? Alguma dessas pessoas te procurou?

- Não, eu só estava...

- Onde conseguiu isso? – Ele estala a língua, frustrado. – Responde!

- Eu vim abrir um arquivo no seu computador e achei a pasta que a Benedita te mandou. Qual é, Lica? Estávamos vendo isso juntos!

- Não! Nós estávamos analisando um caso recente juntos. Quem te permitiu fazer isso? Quebrou minha confiança, vou ter que enfiar senha em tudo agora?

- Não exagera. Eu só quis ajudar.

- Então faça o seu trabalho. – Se irrita. – Vá estudar o que seus clientes te passaram. Ganhe seus casos. Isso aqui... – Aponta para o computador. – É meu maldito trabalho. Não se meta.

- Por que você está com tanta raiva? Achei algo importante, porra.

- Porque eu não quero você perdendo a cabeça com isso. – Lica respira fundo. – Por favor, Leo.

- Que seja, Lica. – Levanta. – Quer se perder nisso sozinha? Ok! Vai lá!

- Eu prefiro me perder sozinha do que te carregar comigo. – Fica em pé também. – Eu prefiro você brigando comigo do que se unindo.

- É? Quer que eu me afaste e finja que você não existe? – Ironiza. Lica aperta os lábios com força. – Porque parece.

- Não faça isso. – Pede. – Não misture as coisas. Eu preciso muito de você do meu lado, sendo meu irmão, e não meu colega de trabalho.

- Wow, não poderemos mais trabalhar juntos? – Ri, cruzando os braços.

- Droga, Leo. – Se irrita. – Eu amo trabalhar com você. Nós nos damos bem juntos. O problema é que eu não quero você se envolvendo muito. – Esfrega o rosto. – Não tinha necessidade alguma de pegar casos que não são seus.

- Nem seus. – Rebate. – E aí? Ficaremos nisso?

- Preciso falar a diferença dos nossos trabalhos? É sério isso? – Se aproxima, tentando segurá-lo, mas ele se afasta. – Me escuta. Você não tem idade para receber ordens minhas e eu não tenho direito de falar o que você deve e o que não deve fazer. – Respira fundo. – Como sua irmã, eu te peço e te aconselho, Leonardo, não faça isso. Eu sei que você quer me ajudar e ajudar todas essas pessoas, mas esse caminho é muito perigoso.

- Eu não tenho isso. – Balança a cabeça. – Essa raiva, esse rancor, esse... sei lá, ódio, que você tem. Não nutro sentimentos ruins. Não vejo perigo algum. – Lica abaixa os ombros, derrotada. – Fique tranquila. Eu sei meu lugar. Não me meterei mais.

- Que seu lugar, Leo...

- Eu entendi. – Gesticula. – Só passei para te entregar isso. Já vou indo.

- Leo...

- Preciso voltar para o escritório. – Abre a porta. – Até depois, delegada.

- Inferno. – Lica bate em uma das almofadas do sofá, quando seu irmão sai da sala.

Controlar seu irmão nunca foi necessário. Pelo contrário, Leonardo sempre foi uma das pessoas que mandavam ela parar com essa quase obsessão pelo trabalho. E estava tudo bem, já que ele não caia com ela. Lica sabe muito bem seus motivos. Ela sabe que não chegou tão longe por gostar ou por profissionalismo. A delegada lembra dos primeiros casos que pegou nesse meio. Ela teve um surto de raiva, que foi preciso a Tina ir para seu apartamento, evitar que ela quebrasse tudo o que visse pela frente.

Leo citou bem. Ódio. Era exatamente isso que fervia em suas veias ao ler e ouvir depoimentos. Aquilo nunca daria certo. Não do jeito que ela estava levando. Não era saudável. Passou a cuidar melhor da sua mente, praticar mais esportes, frequentar a terapia. Até deu uma pausa do escritório. Mas, precisava voltar, ou enlouqueceria de verdade. Sentia como se estivesse presa, como se fosse uma inútil. Lica queria fazer a diferença. Diferente do irmão, que só queria que suas vidas voltassem ao normal o mais rápido possível.

Lica também sabia que sua vida nunca voltaria ao normal.

*

 

- Estou parecendo um zumbi?

- Não, Sam. Sua maquiagem está ótima. Suas olheiras nem aparecem. – Ri, - E por que você está preocupada com isso? É rádio e não tv.

- Porque tiram fotos e filmam lá dentro, como se você não soubesse. – Ajeita o cabelo no retrovisor do carro. – E por isso. – Aponta para a rua, sorrindo.

- Claro. – Keyla vira os olhos, sorrindo junto. – Óbvio que eles te encontrariam.

- Óbvio. – Desce do carro, empolgada. – Vai na frente e avisa que eu já estou aqui. Preciso de um tempo para falar com eles.

- Vou avisar. Não demora!

Samantha vai em direção ao grande grupo na calçada do prédio. Quando percebem sua presença, eles se exaltam, gritando seu nome. Ela acena, animada. Seu segurança alguns passos atrás, como a cantora sempre pede. Não gosta de ninguém separando seus fãs dela. Ela consegue lidar com eles muito bem. Samantha os abraça, posando para fotos e aceitando seus presentes. Reconhece alguns rostos, chama pelos nomes, autografa camisas e o que mais eles pedem.

A melhor parte do seu trabalho é ter o contato com o público que se identifica com ele. Por que ela seria grossa com quem gosta dela? Se não fosse por eles, ela nem estaria ali. Se existe uma palavra que pode descrever Samantha Lambertini da cabeça aos pés, essa palavra é gratidão. Ela é grata por absolutamente tudo em sua carreira. Depois de alguns minutos conversando com eles, Roberto aparece na portaria, chamando-a. Samantha se despede, pedindo para eles escutarem a entrevista.

Roberto nunca reclama disso. Ele conhece a artista. A simpatia dela é importante também. Carisma conquista. Como produtor, ele nunca cortaria um traço tão forte dela. Como amigo, muito menos. Eles sobem para a sala de entrevista. Samantha cumprimenta todos, fazendo festa. Sua energia é sempre contagiante, não importa o momento.

- Vamos falar sobre o “Outro Alguém”. – Um dos entrevistadores puxa. – A música é um sucesso, é maravilhosa. Aqui pedem direto.

- Que bom! Muito obrigada!

- E o álbum? Quando sairá?

- O álbum está no forno, no momento. Estamos em estúdio, gravando direto. Está ficando um trabalho bem bonito, bem diferente.

- O álbum é sobre você, assim como essa música?

- Não posso afirmar que é só sobre mim, até porque as composições não são 100% minhas. – Ri. – Mas, como eu estou podendo participar mais de todo esse processo, me envolver mais, eu digo que está sendo um trabalho mais pessoal. Tem mais a minha cara, entende?

- Claro. – Outra entrevistadora fala. – É tão legal quando a gente escuta uma música e pensa: Poxa, essa música poderia ter sido escrita por mim. Essa identificação é tão massa! Já ouvi música sua do primeiro álbum que, wow! Isso conta muito, não é? Você acha que nesse terá músicas assim também?

- Eu espero que sim. – Levanta as mãos para cima, arrancando risadas. – Isso que você falou é muito fo... – Arregala os olhos, cobrindo a boca. – Fofo. – Os entrevistadores gargalham. – Sério, é tão bom quando as pessoas se identificam.

- Teremos músicas para a bad? Para os apaixonados?

- Bem, talvez? – Pisca um olho, começando a ficar nervosa. – Veja, nem sempre o que eu falo, vai bater com a história de quem se identifica. Então, depende mais de quem ouve.

- Discordo um pouco. Se você escreve uma letra apaixonada, com certeza chamará mais atenção de quem se sente assim.

- Pode ser. Como eu sempre digo, eu vivo apaixonada, então não será um problema.

- Não há nada melhor. – O rapaz encerra o assunto, tranquilizando-a. – Vamos ouvir seu novo single? Voltamos daqui a pouco! Pode fazer a chamada!

- Ok! Oi, oi, pessoas lindas! Aqui é a Samantha Lambertini e vocês irão ouvir agora meu novo single, Outro Alguém. Beijo grande!

A cantora se afasta do microfone, olhando para trás. Roberto faz um sinal com o polegar para cima e ela suspira aliviada. E pensativa.

*

 

Eu vivo apaixonada.

Lica morde o lábio, tirando o fone de ouvido. Estava estressada. Nervosa. Há tempos não se sentia tão explosiva. Mas, quando soube que Samantha daria uma entrevista para a rádio, não pensou duas vezes antes de ouvi-la. Seu corpo relaxou instantaneamente. A voz dela é tão doce e tão forte. E sua risada alta faz a Heloísa sorrir de imediato. O contagio é certo. Alguém bate na porta, fazendo-a saltar.

- Pode entrar. – Avisa. – O que diabos foi isso? – Levanta.

- Não foi nada. – Augusto resmunga, sendo seguido por Katharine. – Pegou de raspão.

- Onde você estava? E o que houve? – Se aproxima, olhando o braço enfaixado do policial.

- Estávamos na viatura, fazendo nossa rota e fizemos um flagrante, ali perto do prédio abandonado.

- Estavam levando uma garota. – Katharine conta. – Eu tenho certeza que já vi aquele cara em algum lugar, delegada. Certeza!

- E o que aconteceu?

- Cercamos eles. Pedimos calma. Fomos devagar, eu juro! – Heloísa assente, escutando-os. Ela confia nesses dois de olhos fechados. – Soltaram a garota e, do nada, apareceu uma moto atrás de nós. Katharine a protegeu. Quando eu virei para tentar entender o que estava acontecendo, eles começaram a disparar. Pegou no meu braço, mas raspando. Não tinha como seguir. Estávamos em minoria.

- Merda. – Lica alonga o pescoço. – Onde está a garota?

- Lá fora. Está bem assustada e esperando os pais.

- Assim que eles chegarem, me avisa. – Pede. – Katharine, quero o desenho desse cara que você afirma já ter visto. E vai cuidar disso direito, policial.

- Ok. – Augusto levanta. – Ah, a Ellen telefonou! Pediu para retornar.

- Tudo bem, obrigada.

Os dois saem, deixando-a sozinha novamente. O prédio abandonado é um ambiente comum e bastante citado em boletins de ocorrência. Ela já entrou lá com sua equipe e é realmente abandonado. Não mora ninguém por lá. Não havia nenhuma evidência. Ela precisa dar mais atenção a esse local. Lica faz uma nota mental quanto a isso. A delegada pega o celular, vendo as mensagens da cunhada e esfrega os olhos, retornando a ligação.

- Boa tarde, senhorita delicadeza. Tudo bem por aí? – Ouve a morena cuspindo sarcasmo. – Caralho, Heloísa, precisava disso?

- Ellen, o Leo que está chateado. Não foi isso tudo.

- Como não? Teu irmão quase derruba a porta da sala dele.

- Meu irmão invadiu minha privacidade e mexeu em casos sem minha autorização, Ellen. Eu poderia prendê-lo.

- Ele não fez isso.

- Ele fez. – Suspira. – Não briga comigo. Por favor. – Suplica. – Só acalma ele e faz ele tomar juízo.

- Desculpa, amiga. – Abaixa o tom de voz. – Ele chegou tão puto e... Perdão!

- Não tem problema. – Katharine empurra a porta, fazendo um sinal. – Preciso trabalhar. Me mande notícias.

- Eu falarei com ele, não se preocupa. Beijo!

Lica desliga a ligação e, antes de levantar a cabeça para autorizar a entrada do pessoal, ela abre uma mensagem.

Vamos tomar uma água de coco no quiosque? Estou indo para lá. – Samantha

A delegada sorri de lado. Mais uma vez, sendo acalmada pela cantora.

Tentador. Eu realmente queria muito. Mas, estou trabalhando. Na próxima eu aceito. – Heloísa

*

 

Keyla conseguiu comprar uma peça melhor do que a que ela estava precisando. A volta no mercado foi conturbada, como sempre é, quando elas duas saem juntas. É mais fácil despistar todo mundo quando estão sozinhas. No caminho de volta para casa, Samantha pede para o motorista parar em um dos quiosques na praia. Queria tomar uma água de coco e descansar. Estava desde cedo rodando e não tinha conseguido pregar os olhos.

Para a sorte delas, o lugar não está muito cheio. A cantora coloca o óculos e a touca, mesmo assim. Keyla diz para a amiga ir na frente, pegar uma mesa, enquanto ela vai pedir os cocos. Samantha entrecerra os olhos, reconhecendo o perfil de alguém.

- Clara! Oi! – Se aproxima. A loira levanta a cabeça, confusa. – Que bom te encontrar por aqui.

- Oi, Sam! Coincidência boa mesmo. – Se abraçam. – Estou por aqui sempre, na verdade. É um dos meus lugares favoritos.

- E meu. – Sorri. – Estava andando de patins?

- Não. – Ri. – Estava meio que esperando alguém.

- Oh, vou te deixar, então...

- Não precisa. – Morde o lábio, olhando para os lados. – Acho que levei um bolo!

- Como assim Clara Becker leva bolo? – Samantha puxa uma cadeira. – Era algo profissional ou... – Clara ergue as sobrancelhas. – Duvido! Deve ter acontecido alguma coisa.

- Aconteceu sim. Medo que chama. – Suspira, bebendo seu suco. – Não importa. E você? O que está fazendo aqui?

- Eu estava dando uma volta aqui perto e... – Dá os ombros. – Eu não resisto ao mar. Precisei parar.

- Entendo completamente. O mar é a coisa mais linda que existe no mundo.

- É, não é? – Samantha inclina a cabeça, sem evitar pensar em outra pessoa que encontrou nesse mesmo quiosque e depois na praia. – Me inspira demais.

- Achei que pessoas te inspirassem. – Brinca.

- Bem, também. – Sorri de lado. – Amiga! Aqui! – A cantora levanta os braços e Keyla a encontra, trazendo dois cocos nas mãos. – Obrigada.

- Clarinha! – Keyla abraça a loira. – Tudo bem?

- Não queria soar muito clichê dizendo que agora sim, mas... agora sim. – Ri. – E você? Parem de sumir.

- Tudo tranquilo. A Sam está em estúdio, estamos meio lotadas.

- Imagino. Também dei uma fugida do trabalho. Pelo menos valeu a pena.

- Está tudo bem? – Samantha pergunta, preocupada.

- Sim, tudo bem sim. – Dá os ombros. – Eu acho que sou uma pessoa que cria muita expectativa, sabe como é? Que acredita em... conto de fadas. Mesmo que pareça mais um conto de terror.

- Credo. – Keyla a empurra, fazendo-a rir. – Eu também acredito. Mas, se o enredo pesar mais para o terror, eu corto logo.

- Keyla é desapegada, nem liga.

- Queria muito ser assim. Me ensina? – A loira brinca. – Eu sou mole demais. Queria viver no meu mundinho, sem interferências.

- Já eu queria que me bagunçassem. – Samantha conta. – Acho que ninguém nunca conseguiu mexer comigo de verdade. Tenho uma frustração.

- Sério? Achei que você vivesse apaixonada. Tem umas músicas suas tão... Amorzinhas.

- Não no sentido romântico. – A cantora ri. – Eu sei, mas... – Samantha franze a testa, pensando outra vez sobre isso. – É diferente.

- Por enquanto. – Keyla pontua. – Daqui a pouco ela estará reclamando, porque uma pessoa vai virar o mundo dela.

- Cala a boca, idiota. – Bate na perna da amiga. – Esquece, Clara! Não fica triste, tá? Certeza que tem um monte de gente por aí te querendo bem.

- Que os anjos digam amém. – Sorri. – Estou precisando de uma festa daquelas.

- Opa, a solução do seu problema está na sua frente. Te consigo uma entrada vip para uma festa maravilhosa que terá amanhã. Topa? A DJ será a melhor da cidade. Diria do país.

- Já topei. – Gargalha. – Me diga o que eu devo fazer.

As duas combinam sobre a festa e Samantha continua com seus pensamentos perdidos. Uma vontade grande de compor a domina. Ela precisa escrever sobre o que está sentido esses dias. Se o álbum é sobre ela, por que não falar disso? Seja lá o que signifique. Talvez escrever a ajude a decifrar. A cantora pega o celular, olhando as mensagens.

Que pena. Queria te ver. Amanhã Keyla tocará em uma boate. Se você não estiver ocupada, fala com ela. – Samantha

Você irá? – Heloísa

Samantha sorri para a velocidade da reposta.

Com certeza. Será muito boa. – Samantha

Então, eu falarei com ela. – Heloísa

 

 


Notas Finais


Oh ou...

Oi, pessoas, tudo certo por aqui? O que estão achando?
Podem me contar! ;)

Alguns encontros são impossíveis de serem evitados... Não é verdade?

Beijo beijo e até o próximo capítulo!

twiter: Linscrevi


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