História Kajra re - Capítulo 3


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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Pain, Sasuke Uchiha
Tags Naruto, Sasunarusasu, Yaoi
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Palavras 2.939
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - À noite.


 Naruto.

Eu nunca tinha visto nada igual Sasuke lutando.

Ele parecia um deus, imponente, forte, cheio de significado. Conforme seu corpo mudava, evoluía e desfazia o processo, suas posições, o suor em seus músculos delicados. Era tudo magnífico. Sasuke era uma arma de beleza e destruição, quem não morresse pela visão maravilhosa de seu ser, morreria olhando para aquele rosto. 

Controlei-me em vários momentos da curta luta para não fazer algo, toda vez que a espada do tal Orochimaru descia em direção a Sasuke. Pelo que eu entendi, ele só o atacaria por cima, para fazer Sasuke desenvolver a defesa que precisava.

Ah, Sasuke. O nome do imperador. 

O nome que eu não sabia desde que cheguei aqui, o que só tem algumas horas, mas parece uma boa eternidade. Uma vida. Minha primeira ao lado dele. 

Ele foi tomar banho, e eu fui tomar o meu. O segundo naquele dia frio, que para ele era mais que normal. Era estranho tomar banho em um ofurô, mas extremamente gostoso, os óleos de banho, os óleos aromáticos, alguns perfumes depois... As servas do império, extremamente devotadas, massageavam-me enquanto eu estava submerso. Vestiam-me quando eu pedia, e nem ao menos deixavam que eu tirasse minhas roupas por conta própria. Era como estar de molho o tempo todo, andando na ponta dos pés nos sapatos que eram oferecidos aos hóspedes. Ou no caso, ao hóspede, que sou eu. O único hóspede do imperador Sasuke.

Ver Sasuke suando, naquela hora do treino, me fez entender uma coisa: ele é humano, assim como eu. Apesar daquela aparência de deus, Sasuke é carne e osso, assim como todos nós. Mas meu interior não se acalmava com isso. Sasuke ainda era como uma tempestade, com aqueles olhos negros como o mar revolto, visto de longe, era mais do que eu podia suportar ver. Em toda minha vida na Terra, nunca havia visto algo tão bonito como ele. Sasuke era aquele dia chuvoso, quando acordamos e não temos vontade de levantar da cama, apenas agradecer aos deuses por serem bons, e manterem a prosperidade no mundo, mostrando seu poder, fechando um céu tão grande e azul, descendo sua fúria ao chão, em raios e trovões. Isso era uma das coisa que tanto me perturbava nele.

Eu não sabia, mas com o tempo, eu descobriria mais.

A cama que eu tinha para dormir ali não era como a minha. O colchão ficava praticamente no chão, apoiado por uma pequena estrutura de madeira, que não tinha mais de cinco centímetros. Cobertas grossas, para o tempo frio, me faziam ter vontade de nunca mais sair dali. Embora não fosse tarde da noite, meu corpo pedia por um descanso, nem que fosse por metade de uma hora.

Mesmo que tenha tentado, não conseguia dormir com o maldito quimono. Levantei-me e desamarrei a faixa que prendia a vestimenta. Logo, o tecido fino escorregou por meus ombros e costas, caindo em um montinho no chão. Nu, do jeito que vim ao mundo, consegui deitar-me e me cobrir até a cabeça, deixando meus pés de fora, um antigo costume que peguei com minha mãe. 

Contudo não dormi o tanto que meu corpo pedia, acordei no susto, e pela janela pude ver que a lua estava quase em seu ponto mais alto, ou seja, era quase meia noite. Sentei, pegando o quimono e vestindo-o, fechando o na altura do quadril com a faixa, que puxando de minha lembrança, se chama obi. Passei a mão pelos cabelos, bagunçando meus fios loiros.

Saí da cama, e saí do quarto também. Andando pelo incrível palácio, onde eu me encontrava no terceiro e último andar. Nos corredores haviam muitas pinturas, algumas abstratas, outras eram retratos. Vi Sasuke bebê em vários deles, abraçado com um menino que parecia muito consigo, exceto por marcas de expressões no rosto e longos cabelos pretos, assim como os de Sasuke. Cabelos tão bonitos como aqueles...

Suspirei.

Dei alguns passos para trás, afastando-me dos retratos sem verdadeiramente parar de olhá-los, mas esbarrei em algo.  A surpresa não foi pouca ao olhar para trás e me deparar com um tigre adulto.

O tigre estava deitado, com as duas patas dianteiras cruzadas e as usava para apoiar a cabeça, enquanto dormia tranquilo. Infelizmente não demorou muito para que ele abrisse os olhos. 

Temi, é claro, que ele fizesse algo comigo, mas logo lembrei de duas coisas: se ele estava dentro do palácio, é porque o próprio imperador tinha confiança naquele animal, se não o tigre nem ao menos estaria solto; e de onde vim, constumávamos ter animais selvagens em casa também, se lá eles decidirem que querem ficar, afinal, é raro prendermos um espírito livre.

Depois de ter acalmado-me um pouco, abaixei, ficando de joelhos na frente do tigre, que somente levantou-se a cabeça, olhando para mim. Comigo de joelhos e ele com a cabeça levantada, éramos quase da mesma altura, de tão grande e majestoso que o tal bicho era.

O olhei nos olhos, sem o queixo erguido, porém sem demonstrar inferioridade. Queria que o tigre entendesse que nossa situação ali era de igual para igual, que não havia motivos para hostilidade, e eu nem tentaria machucá-lo. Estiquei a mão para perto de sua face e pude escutar um rosnado baixo, mas não recuei. Se ele me atacasse agora, com sorte só perderia um braço. Continuei a encarar a fera nos olhos, azuis contra amarelos. Tentei ao máximo centralizar minha aura, a energia que flui de todo ser, ou como dizem aqui no Japão, o chakra. Deixei minha aura calma, centrada, assim como eu me sentia no momento, e desejei com todas as minhas forças para meus bons deuses emanarem aquilo para o animal. E deu certo, pois em questão de segundos eu afagava sua cabeça, e o tigre ronronava feliz toda vez que eu coçava atrás de sua orelha.

- Amaterasu não costuma gostar fácil assim. - Escutei a voz do imperador, que saia de um dos corredores. - Na verdade, Amaterasu não costuma gostar.

- Pelo visto não conhece seu tigre tão bem quanto pensa, meu imperador. Além do mais, algo me diz que a personalidade dele parece com a sua, alteza. - Tomei a liberdade de expressar a ironia em minha voz. Visto que era de madrugada, o imperador deveria estar com pouca vontade de brigar, ou algo do tipo.

- Ou você é diferente dos demais que por aqui vivem e circulam. - Botou seu ponto de vista em pauta. - Está acariciando meu tigre e ele está gostando, justo Amaterasu que consegue ser mais retraído que seu dono. Provavelmente, você traz consigo energias boas, de viagens longas e lugares bonitos.

- Considero seu ponto de vista, meu imperador, fiz viagens longas por lugares bonitos, mas não sei se trago boas energias. - Levantei a cabeça e pude ver a visão mais... perturbadora que já tive o prazer de contemplar.

Sasuke estava encostado na parede atrás de Amaterasu, e olhava tudo com um interesse contido. Seu quadril estava escorado na parede, assim como seu cotovelo, usava seu braço dobrado de apoio para sua cabeça, que estava graciosamente inclinada. Seus cabelos pareciam ter sido desarrumados de propósito, mas claro que era devido ao fato dele estar deitado até alguns minutos atrás. A rebeldia negra do cabelo de Sasuke agora fora contida, na verdade, os fios pareciam agora de um verdadeiro nipônico, lambidos e escorridos, deixando-os mais longos do que eu estava acostumado a ver, e tampando algumas partes de seus rosto. O quimono estava frouxo, o obi pendia displicentemente em seu quadril, ao invés de cintura, e mais uma vez a fenda obscena na parte inferior da vestimenta me fez engolir seco.

A pele branca, eu diria que de um branco mais puro que o leite, parecia macia, até cheirosa, eu arriscaria dizer. Eu podia ver seus dedos do pé, seu tornozelo, panturrilha, joelhos e as coxas inteiras. O quimono estava cobrindo só o que era extremamente necessário, e algo me fez ficar mal por não poder vê-lo. Já na parte de cima, um de seus ombros estava a mostra, seguido pelo decote em V da roupa, que estava bem maior do que deveria ser. Eu podia ver as clavículas de Sasuke, que apareciam tímidas, delicadas, apesar dele ser bem magro. E claro, aquela cintura fina - mais fina que a da mulher mais bem esculpida que eu tenha visto - que me fazia duvidar se Sasuke era um homem ou um deus vivo, tamanha sua beleza.

E o melhor dessa tamanha formosura, é que o imperador não parecia ter a mínima ideia que era tão bonito assim.

Um sorriso brincou nos lábios rosados de Sasuke.

- E o que te faz achar isso, meu bom homem?

Levantei-me sem pressa, não queria preocupar Amaterasu que parecia tão calmo mediante minhas carícias e o silêncio da noite. Ao notar que eu realmente era mais baixo que o imperador, não pude evitar de mentalmente soltar um muxoxo, visto que eu era bem mais rústico que ele.

- Eu já viajei o mundo e vi suas maravilhas, majestade. - Não, eu não tinha coragem para olhá-lo nos olhos. - Mas não há nada, nem nenhum lugar, que também não tenha seus horrores. Tudo que já vi está gravado em mim, por dentro e por fora, não sou um homem de energias boas.

- Mas acho que engana-te, meu protegido. - Desencostou-se da parede e deu um passo a frente, em direção a mim. Sua mão, que foi estendida em minha direção, era tão bela quanto o resto de seu corpo. Macia, fina, de dedos longos como os de uma moça, porém bem mais gentis. Minha cabeça foi acariciada pela mão de Sasuke, logo depois minha bochecha esquerda recebeu o mesmo tratamento. Depois do agrado, Sasuke levou a mão até a boca e encostou seu indicador em seus lábios, para, sem mais nem menos, virar-se de costas e sair andando, rebolando seu quadril bonito aparentemente sem querer.

Se o imperador não fosse homem, eu diria que ele tem as ancas mais férteis que já vi na vida.

- Nessa madrugada, você bem que poderia me contar os segredos de seu dono. - Falei com Amaterasu, mesmo tendo certeza de que o tigre não responderia.

Sasuke me intrigava de uma maneira que eu não posso definir. Há algo por trás daqueles olhos negros que me sugam como a correnteza mais forte que eu já tenha presenciado.

Olhar nos olhos de Sasuke era o mesmo que estar a beira de um abismo: dava vontade de pular, de saber o que tem no fundo.

A presença do imperador me cegava de um jeito que eu não conseguia explicar. Deveria ter-lhe perguntado sobre os quadros na parede, mas percebo que esse deve ser um assunto para o futuro.


Mikoto.

Eu via de longe, como sempre escondida, assim como deveria ser.

A esposa perfeita, a mulher perfeita. Sempre calada, abrindo a boca apenas para aconselhar o imperador; Recatada, de melhor educação impossível; forte, assim como uma montanha. E ainda haviam aqueles que não soubessem que a matriarca é o alicerce de qualquer família.

Eu via de longe, mas já via, e com toda certeza já sentia.

O fio vermelho do destino estava presente pelo mundo todo a todo segundo, às vezes os fios de algumas pessoas se cruzavam, outras vezes passavam uma eternidade seguindo paralelamente, mas sem nunca encostarem.

Mas eu podia ver claramente os fios de Sasuke e do forasteiro enrolados, emaranhados, quase como em uma cama de gato. Era algo antigo, milenar e que não deveria estar ali. Mas era visível, quase palpável. Algo naqueles dois não os deixaria separar.

Eu só espero que não traga dor, assim como quando meu filho mais velho se separou do futuro imperador.

Os fios do destino são absolutamente tudo. Ele já nasce com a pessoa e a segue até o fim, quando é cortado e a vida acaba.

Há pessoas que tentam entendê-lo, perdem o tempo passando buscando algo que nunca vão conseguir. Não dá para entender o destino.

O destino é algo cômico e trágico, mistura diversas histórias em um nó e só ele, apenas ele, pode desfazê-lo. Não há como entender, e se tentar, acabará maluco. O destino é o rege a vida de todos nós, usando de causas infundadas para nos fazer provar todas as experiências que o mundo pode nos oferecer.

O meu destino fora cruzado com o de Fugaku assim que eu nasci, e cresci sabendo que pertencia a ele. Nada me fazia mais feliz do que ser daquele homem, seu rosto iluminava meus dias e a perspectiva de que um dia eu moraria com ele e daria filhos a ele fazia meu estômago revirar em tamanha felicidade.

Fugaku era tudo que minhas amigas sonharam em encontrar, mas eu havia tirado a sorte e ganhado. Era o filho do imperador, o homem mais bonito de toda a província do Fogo, e tinha olhos apenas para mim.

Por anos, a família Uchiha fora a mais feliz do mundo. Até eles irem embora.

(...)


Sasuke.

Eu não conseguia entender o que e quem era Uzumaki Naruto.

Ele veio de longe, era de certo exótico, mas... O que tinha, além disso, que me fazia sentir-lo tão diferente? É algo inexplicável.

Naruto era mistério, fogo, era sol. Era tudo que eu não entendia, que eu não tinha em mim. Talvez fosse por isso que, mesmo agora, depois de uma semana com ele aqui, eu ainda não havia conseguido me acostumar com sua presença inquietante.

Ele levava uma paz única, uma aura iluminada que o seguia onde quer que ele fosse. E quando estava perto de mim, eu ficava perturbado a ponto de não conseguir falar mais de algumas frases arrogantes.

Parece paranoia, mas eu gostava de ver Naruto dormir. Toda noite, à meia noite, eu ia até seu quarto junto com Amaterasu. Ficava ali, da soleira da porta, observando o visitante dormir. Era impressionante o quão bonito ficava a luz da lua contra a pele bronzeada.

Eu nunca havia visto alguém como Naruto.

Na verdade, eu pouco tinha visto, minha vida é dentro dos portões desse palácio, saindo apenas vez ou outra. Naruto havia conhecido o mundo, viu coisas que eu não vi, sabe coisas que eu não sei, e isso me intrigava tanto a ponto de querer ficar perto dele a todo segundo apenas para tentar absorver algo disso. Uma pequena palavra em sua língua mãe, o hindu, ou até mesmo um gesto exagerado de mão... Eu me pergunto como seria se aquele corpo dançasse.

Ter sossego era algo impossível desde que ele chegara aqui, mas, ao mesmo tempo, nunca me senti tão em paz. Pelo menos desde que meu irmão havia ido embora.

Desde que Naruto chegara, é como se os ventos da noite fossem mais fortes, o sol do dia mais brilhante e o tempo sempre mais fresco. Ele trazia uma prosperidade consigo que me encantava de uma maneira que eu não sabia verbalizar.

Porque eu era assim.

Calado, frio, arrogante... Tantas coisas já escutei das pessoas dessa província em relação à mim... E é sorte delas que eu ignorei tudo. Seriam todas punidas com morte por heresia.

Hoje mandei que os portões do palácio fossem fechados, não queria ser incomodado por ninguém que viesse de fora.

Me dirigi até o maior quarto da casa, até mesmo maior do que o meu. Ali, era o aposento de minhas gueixas. Sim, eu tinha uma casa de gueixas dentro de meu palácio, mas eram todas apenas minhas.

Essa noite eu começaria a planejar uma surpresa para meu hóspede. A missão dele pelo mundo é absorver o máximo de conhecimento, aprender com as experiências de outros lugares sem nenhum privilégio além do que conseguir por mérito próprio. E se, por acaso, ele chegou ao Japão, irei mostrar algumas das coisas mais bonitas que esse país tem a ofercer: a arte.

- Bom dia, Terumi Mei. - Cumprimentei a okaa-san das minhas gueixas. Mei era uma das mulheres mais bonitas que eu já havia visto, mesmo já sendo mulher madura. - Onde estão Sakura e Hinata? Quero vê-las, tenho algo especial preparado para as duas.

- Bom dia, meu imperador. - Mei curvou-se perante a mim. - Sakura e Hinata estão na casa de banho.

Segui até a casa de banho sem agradecer a Mei, afinal, ela trabalhava para minha família há anos, não precisava desse tipo de gentileza.

Graças a névoa formada pela água quente da casa de banho, não pude ver os corpos de minhas duas gueixas favoritas, Sakura e Hinata, que tomavam banho despreocupadamente.

Entrei vestido, sem me importar com formalidades, afinal, apenas queria fazer um comunicado (que, embora eu não admitisse, me trazia muito prazer em fazê-lo).

- Bom dia, meninas. - Saudei, e mais do que depressa as duas se cobriram como podiam. Não que houvesse necessidade. - Preparem algo bem bonito, daqui a algum tempo vocês duas passarão a noite comigo e com meu protegido. O entretenham, por favor.

- Sim, meu imperador. - Responderam as duas, em uníssono.

Não havia como negar. Aqui, minha palavra é lei, e essa sensação de mandar em tudo fazia um prazer estranho correr por minhas veias.

Estava óbvio, eu nasci para ser imperador, gostar de poder estava em meu sangue, corria por minhas veias, vinha junto com o sobrenome Uchiha. Mas, por incrível que pareça, eu não gostava tanto assim há alguns anos atrás, quando ele foi embora.

Por ele, eu quero dizer meu irmão.

Uchiha Itachi. Luz dos meus dias.

Porém e contudo, isso não é assunto para agora... Esta noite, eu veria, sozinho, minhas gueixas dançarem um pouco.
 



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