História KakaIru - O Grito Silencioso - Capítulo 2


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Categorias Naruto
Personagens Iruka Umino, Kakashi Hatake
Tags Iruka Umino, Kakairu, Kakashi Hatake, Naruto, Yaoi
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Palavras 4.850
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Somente por Isso


10 anos depois... 

  

  

O ninja inimigo arremessou três kunais em sua direção. Hatake Kakashi tentou pegar as suas lâminas para contra-atacar, mas era tarde demais. As kunais inimigas estavam perto demais para que pudesse fazer algo. Ele praguejou e tentou se desviar delas o máximo possível; conseguiu se desviar de duas, mas a terceira acertou-lhe o ombro direito. O prateado não fez nenhum som de dor. Invés disso, ele tirou a kunai do ombro e fez alguns sinais rápidos com as mãos, gritando logo em seguida:  

— Raikiri! 

No mesmo instante, uma pequena quantidade de chakra elétrico apareceu em sua mão direita. A dor no ombro afetou a concentração, diminuindo os raios do jutsu que escapavam. Kakashi correu em direção ao inimigo, que vestia uma longa capa preta, com o capuz levantando, cobrindo seu rosto. O prateado estendeu o braço com o jutsu, acertando em cheio o peito do inimigo, respingando sangue em sua máscara branca da Anbu. A mão do encapuzado enrijeceu em uma garra; puxou a manga de Kakashi. A falha na respiração era audível. 

— Você... Irá pagar... 

E morreu.  

— Entra na fila, amigo. — Resmungou, tirando a mão dele de dentro do outro, deixando-o cair no chão. — Ei, Tenzo! — chamou Kakashi, se virando. — Onde você está? Viu isso? Mais uma ameaça de morte. Pode anotar em seu caderninho? 

Mas não houve resposta ao grito; o parceiro de  missões estivera atrás cobrindo sua retaguarda na estrada de terra abandona há poucos instantes, Kakashi tinha certeza, mas agora estava sozinho nas sombras. Franziu a testa com irritação — o amigo não costumava ficar tão longe dele. Olhou para trás, onde a estrada terminava em uma densa floresta escura. Com certeza ele não estava ali. Dando de ombros, Kakashi voltou pelo caminho pelo qual tinha vindo. 

Ele passou a mão sobre a nuca com uma leve expressão de dor. A vida de um Anbu era agitada, com pouco tempo para tirar férias, o que era a solução para aquelas dores em seu corpo.  

— Droga! 

Olhando para todos os lados daquela estrada vazia, ele esfregou a mão enluvada no rosto, tentando limpar o sangue da máscara. O tecido voltou manchado com o vermelho escarlate. Havia também um corte, bem feio, na parte de trás de sua mão, além do machucado em seu ombro. Realmente ele precisava urgentemente de alguns dias de descanso. 

Kakashi olhou novamente para os lados, encheu os pulmões com ar e depois gritou: 

— TENZO! TENZO! ONDE VOCÊ ESTÁ? ESPERO QUE NÃO ESTEJA MORTO. 

Desta vez, houve uma resposta fraca: 

— Aqui, e por favor, pare de gritar meu nome aos quatro cantos do mundo. 

Kakashi se moveu em direção ao som da voz do amigo. Parecia vir a poucos metros da estrada. Ele notou a sombra do outro, fazendo com que andasse um pouco mais depressa. 

— Você me ouviu antes? Aquele inimigo estava pronto para me matar. Em seu último suspiro, ele me jurou de morte e... 

— Sim, sim. Eu ouvi. — O jovem tinha retirado sua máscara; o que deixava seu protetor de testa a mostra. Seus cabelos castanhos escuros estavam molhados de suor. Mas não foi isso que deixou Kakashi tenso, mas sim por causa das manchas escuras na frente de seu colete cinza, e as mãos ensopadas de vermelho. 

— Você está sangrando. O que aconteceu? 

Tenzo afastou a preocupação de Kakashi com um gesto. 

— O sangue não é meu. — Virou a cabeça, apontando para uma moita a frente. — É dela. 

Kakashi olhou para além do amigo, para as sombras que aquela moita fazia. No canto ao longe havia uma figura encolhida, apenas uma sombra na escuridão, mas quando Kakashi olhou de perto, conseguiu identificar uma pequena mão pálida, que segurava uma bandana manchada de sangue. 

— Uma ninja morta? — Perguntou Kakashi. — Uma ninja de Konoha? 

— Uma criança, na verdade. Uma genin de 10 anos.  

Com isso, Kakashi soltou um palavrão alto e bem claro. Tenzo esperou pacientemente até que ele acabasse. 

— Se ao menos tivéssemos passado um pouco mais cedo — Disse Kakashi finalmente. — Aquele maldito ninja. 

— Isso é que é estranho. O que ele iria fazer com uma genin? — Tenzo franziu o rosto. — Nossa missão era capturar um ninja estranho que rondava a estrada abandonada de Konoha. Porém, como ele mostrou resistência, tivemos que mata-lo. Mas está criança não foi morta aqui, não tem sangue dela em nenhum lugar por perto. Parece que foi levada até aqui. Mas por que ele se daria o trabalho de levar o corpo dela até aqui? 

— Eu não sei. Mas coisa boa não é. — Olhou para além de Tenzo, para a miudeza deplorável da forma encolhida no beco. — O que foi que matou a criança? 

— Uma kunai, cravada em seu peito. — O moreno pegou algo ao seu lado, uma kunai, enrolada em tecido branco. — Ela tem alguns símbolos estranhos gravados no cabo e na lâmina. Veja, pegue-a. 

Kakashi a pegou. A lâmina e o cabo estavam manchados de sangue seco. Com o rosto franzido, limpou-a no tecido espesso no fim da blusa, esfregando até que o restante dos símbolos, marcado a fogo na lâmina, se tornassem visíveis. Eram símbolos nos quais o prateado nunca tinha visto. 

— Parece ser de uma língua antiga. — disse Tenzo, inclinando-se para olhar a kunai. — Nunca vi nenhuma vila marcar suas kunais. O que você acha que significa isso?  

— Uma seita, provavelmente. — Disse Kakashi, ainda olhando para a kunai. Ele levantou a máscara da Anbu. O que não fazia muita diferença, já que metade de seu rosto era coberto por um tecido preto fino. 

Tenzo franziu a testa. 

— Uma seita? Mas que diabos eles estão fazendo? 

— Se eu soubesse, não estaríamos tendo essa conversa. 

O moreno levantou o olhar para ele, parecia não ter gostado da brincadeira. Estava prestes a dizer algo, quando notou os ferimentos causados pelo encapuzado. 

— Céus, você está sangrando. 

— Observador como sempre. — Resmungou o outro. 

— Você não é assim. — Observou o amigo. — Sempre sai sem quase sem nenhum arranhão das missões. Está desatento? 

Kakashi fez uma careta. 

— Foi só um pequeno descuido. — Falou. — Não irá se repetir. 

O vento do rio próximo a aquela floresta sacudia o cabelo de Kakashi; ele o tirou dos olhos com um gesto impaciente e voltou a estudar a kunai. 

— Você acha que ele precisa de mais crianças para o que quer que essa seita esteja fazendo? — Perguntou o prateado, mais para si mesmo do que para Tenzo. 

— Provavelmente. — A voz do moreno era grave. 

— Bem, então não há outro jeito. — Após enrolar cuidadosamente o lenço na lâmina, Kakashi a colocou em dos bolsos em que levava em sua cintura. — Você acha que agora é muito cedo para começar a procurar? 

Tenzo suspirou. 

— E vai mudar algo se eu disse que sim? Você sabe que precisa descansar e cuidar desses ferimentos. — Ele balançou a cabeça. — Mas é teimoso demais, como sempre. Vá, faça o quiser, Kakashi. Como sempre faz. 

  

  

  

  

  

... 

  

  

  

  

  

  

Iruka podia não ser um dos melhores ninjas para comandar missões de altos riscos. Mas era um excelente professor; conseguia ensinar para todos seus alunos o básico de um ninja. Alguns aprendiam com rapidez, como se tivessem nascido com o dom. Mas outros, como Naruto, demoravam um pouco mais. 

 Naruto era um garoto de 10 anos, de cabelos loiros e curiosas marcas de nascença na bochecha. E também abrigava o demônio de nove caudas que tinha matado seus pais na noite do ataque. 

Demorou algum tempo até que Iruka aceitasse Naruto como aluno. Sempre que o via, ele se lembrava daquela terrível noite, fazendo com que se afastasse institivamente do garoto loiro, que não tinha culpa de nada. Mas agora, Iruka via Naruto como parte de sua família. Ele tinha grande apego pela criança; sempre quando podia, ele pagava rámen para o pequeno, que devorava o prato em poucos segundos, como se uma tigela completa não fosse nada. 

— Iruka-sensei, Iruka-sensei! — Gritou Naruto. Tirando ele de seus devaneios. — Acho que essa Kunai está com problema, pois ela não acerta o alvo. 

Iruka olhou para o garoto de intenso olhos azuis com um revirar de olhos. 

— Eu já disse um milhão de vezes, Naruto: o problema não é a kunai, e sim você. Precisa colocar mais força na hora do arremesso. 

O loiro fez um muxoxo de descontentamento, e voltou novamente para a fila das outras crianças, que esperavam sua vez para arremessar as kunais no alvo. Paciência é seu maior dom. Dizia o Terceiro Hokage para o Iruka, quando o mesmo se tornou professor. E bem, aquilo realmente era verdade, dado as muitas vezes que teve que respirar fundo e contar até dez para que não rasgasse as suas roupas e saísse gritando feito louco pelas ruas de Konoha.  

Ele olhou novamente para o grupo de crianças; a vez de tentar acertar o tronco de madeira com alvo pintado nele era Uchiha Sasuke. O garoto de cabelos pretos levantou a kunai, e mirou no alvo, arremessando ela logo em seguida. E como sempre, acertando bem no centro dele. Era, como todos falavam: o gênio daquela geração. 

As garotas cercaram o Uchiha rapidamente, que fez uma cara de tédio. Naruto olhou para tudo aquilo com raiva, e botou a língua de fora para Sasuke, que pareceu não se importar com a provocação, dando as costas para ele. Deixando o loiro mais nervoso ainda. 

— Ora teme, pare de se achar. — Gritou Naruto, com o rosto vermelho. — Você não passa de um babaca exibido. 

Sasuke se virou para o loiro com irritação. Estava prestes a dizer ou atacar Naruto, mas Iruka interrompeu antes que ele se decidisse. 

— Garotos, vamos parar com isso? — Disse Iruka calmamente. Ele pousou os olhos em Naruto. — Naruto, venha para o outro alvo. Irei te ensinar uma técnica para que aprenda rápido a arremessar as suas kunais com perfeição.  

O loiro desviou o olhar do Uchiha para Iruka. Seus olhos brilharam de alegria. Ele correu até o sensei, fazendo uma última careta para Sasuke, que rebateu com outra. Esses dois não tem jeito, pensava Iruka. 

Eles atravessaram o outro lado do campo de treinamento, onde ficava um outro tronco cortado de árvore, com um alvo pintado dele. Iruka ainda podia ver seus alunos daquele canto, mesmo que estivesse um pouquinho longe. Mas era preciso, pois senão, Naruto iria se desconcentrar a cada acerto do Uchiha Sasuke. O que faria aquele treinamento ser em vão. 

— O segredo, Naruto, é não colocar muito peso na lâmina. — Confidenciou. Iruka pegou uma de suas kunais em um de seus bolsos. Olhou reto, puxou a kunai para trás e a deixou voar pelo ar. Acertou o alvo, no interior do segundo círculo desenhado.  

— Uou! Que demais. — Exclamou o garoto, dando pulinhos de agitação. —Agora eu, agora eu. Deixa eu tentar, deixa, deixa, deixa. 

Iruka franziu o cenho. 

— Naruto, não se agite à toa. — Repreendeu. — Um verdadeiro ninja precisa estar calmo em várias situações, para que seu raciocínio flua normalmente em estratégias. 

Naruto parou de pular e fez uma expressão séria forçada. Iruka revirou os olhos novamente, e entregou a kunai para o loiro. Naruto pegou a lâmina, e olhou para o alvo concentrado, parecia estar imaginando algo nele. O rosto de Sasuke talvez? O garoto arremessou a Kunai. Passou longe do alvo, atingindo a parte baixa da madeira, perto do chão. 

— Não, você continua pesando muito a ponta, lembre-se: precisa se acalmar. — Disse Iruka, entregando a ele mais uma kunai. 

— Tudo bem, tudo bem. Concentração, saquei. — Disse Naruto, olhando para a linha da lâmina. — Mas para você é fácil, é professor. 

— Não, não é. — Respondeu Iruka paciente. — Eu trenei muito duro para chegar aonde estou. E treino ainda mais para melhorar minhas habilidades. 

Ele andou até a lâmina jogada no chão, e a pegou. Após recuperar a kunai, levantou-a à altura do ombro novamente e a jogou. Desta vez, parou no terceiro círculo do alvo, fazendo-o exalar com uma certa frustação. 

— Belo arremesso, Iruka. — Disse uma voz arrastada no meio das árvores. 

Iruka se assustou e virou. Havia uma sombra à entrada, que à medida que se aproximava, transformava-se em Hatake Kakashi, cabelos prateados emaranhados e o olhar aguçado como vidro. E como sempre, sua bandana inclinada no lado esquerdo do olho. Estava sem seu uniforme da Anbu, e sim com trajes das forças ninjas de Konoha. 

Ele e Kakashi tinham se afastado depois do ataque da raposa de nove caudas. Pois Iruka imaginava que o outro não reconheceria ele, por ficarem um longo tempo sem se verem, por motivos pessoais dele próprio. Suas suspeitas se concretizaram quando se encontrou pela primeira vez com o prateado. No qual não tocou no assunto daquela noite. Quando se encontravam, o que era raro, eram conversas rápidas sobre o tempo, economia e entre outros assuntos que se conversam com pessoas nas quais com que se esbarram nas ruas. 

— Está perdido, Hatake? — Perguntou o moreno. Ele poderia usar o sobrenome do outro sem medo do próprio achar estranho, já que ele era um ninja famoso. 

O prateado estava prestes a responder, quando Naruto entrou na frente e apontou para o outro. Parecia estar bravo com a presença de Kakashi. 

— Quem é você? E por que está atrapalhando meu treinamento?  — Perguntou o loiro. — E qual é dessa sua bandana cobrindo esse lado de seu rosto? 

Kakashi arqueou uma sobrancelha. 

— Criaturinha estranha essa. — Observou o ninja. — Tenho dó do seu futuro sensei que terá que aturá-lo quando você se tornar um genin. 

— Baka, não fale assim comigo. — Rosnou. — Você vem até aqui e atrapalha meu treinamento, e ainda fica zoando com a minha cara? 

Naruto fez menção de correr em direção a Kakashi, mas Iruka o segurou pelo ombro, lançando um olhar irritado para ele. 

— Naruto, vá treinar com sua turma. — Ordenou. — Depois eu te pago um rámen, tudo bem?  

A expressão de raiva do garoto mudou completamente ao ouvir a palavra "rámen". Ele olhou para Kakashi e mostrou a língua rapidamente antes de sair correndo em direção as outras crianças do outro lado, que continuavam a treinar seus arremessos. 

Iruka se virou para Kakashi, no qual o observava atentamente, o que o deixou sem graça, por algum motivo. 

— Por que está aqui?  

— Não posso mais visitar meu velho amigo? — Perguntou o prateado. Fingindo uma expressão triste. 

— Não somos amigos. 

Kakashi colocou a mão sobre o peito teatralmente. 

— Oh, direto como sempre. 

— E você continua irritante como sempre. — Rebateu o outro, cruzando os braços. 

— Mas confesso que estou impressionado. 

— Com o quê? 

— Seu arremesso — Disse, com o braço elegantemente esticado. — Dá para melhorar. 

— Para sua informação, eu sou muito melhor nisso. Mas por algum motivo, estou desatento hoje. — Declarou Iruka, enquanto Kakashi se aproximava. 

— Isso é desculpa. 

— Suponho que você pudesse fazer melhor. 

Ele parou e puxou a Kunai do alvo. Ela brilhou enquanto ele a girou entre os dedos. 

— Poderia. — Respondeu. — Mas não quero te humilhar. 

— Você já faz isso sem intenção. — Iruka manteve a voz fria; o prateado sempre teve esse efeito nele, fazendo com Iruka perdesse a paciência que tanto se gabava por aguentar os seus alunos. Mas Kakashi ultrapassa as coisas que seus alunos faziam, e a distância petulante na voz do homem o irritava.  

Kakashi tocou a extremidade da kunai com a ponta do dedo. O sangue brotou como uma conta vermelha. Até onde Iruka podia ver nas partes descobertas pelas luvas, ele tinha dedos calejados com algumas cicatrizes. 

— Você parece que não dormiu recentemente. 

— Observador você. — Ele olhou para Kakashi, avaliando-o da cabeça aos pés. — Mas pode-se dizer o mesmo para você, Kakashi-san.  

— É porque eu não dormi realmente. — A expressão de Kakashi mudou, e uma vulnerabilidade súbita apareceu onde antes havia apenas um semblante calmo. — Estou investigando um caso de sequestro de crianças. Vim aqui para perguntar se sabe de alguma coisa sobre isso.  

Iruka ficou tenso. Já tinha ouvido boatos sobre os tais desaparecimentos, mas ouvir o prateado falando daquele jeito, fez o corpo dele se arrepiar com o propósito desconhecido das pessoas que estavam sequestrando as crianças. 

— Sei que uma das meninas que desapareceu, foi uma de minhas alunas. Ela tinha acabado de se tornar genin. — Falou. — Mas é só isso. 

— Estou preocupado que o próximo alvo seja novamente em sua turma. — Disse Kakashi. 

— M-Minha turma? — Iruka arregalou os olhos. — Por que acha isto? 

— Por causa dele. — Disse, apontando para o outro lado do campo. Iruka seguiu o dedo do outro, e viu Naruto. Ele parecia gritar com Sasuke, que fazia um gesto de desdém para ele. — O garoto tem a raposa dentro dele. É um prato cheio para os sequestradores. Por isso estou vigiando ele. 

O coração de Iruka saltou. Ele pegou a kunai da mão de Kakashi, ignorando a expressão curiosa dele. 

— Irei te ajudar. — Respondeu — Mesmo que você fale não. Pois prometi a mim mesmo que protegeria aquele garoto, custe o que custar. 

Mesmo a máscara cobrindo metade de seu rosto, Iruka podia ver quando Kakashi sorria, mesmo que levemente. E naquele instante, ele tinha um sorriso nos lábios. Fazendo com que o corpo de Iruka se arrepia-se novamente, mas desta vez, o motivo era desconhecido por ele. 

— Irei deixa-lo me ajudar, se prometer me obedecer, não importa o que seja. 

Iruka se recompôs, fazendo uma expressão confusa para o outra. 

— O que você tem em mente? 

Kakashi se inclinou para perto do rosto de Iruka, que se assustou.  

—  Soube de algumas fontes, que é possível que os sequestradores estarão em uma festa privada ao leste da vila. Em uma das casas do senhor feudal Daimyou. —  Sussurrou o prateado.  

O Senhor Feudal Daimyou é o líder supremo do País do Fogo era ele que decidia as leis o que Konoha, o que deve ou não deve fazer. Ele que decide paz ou guerra. Todo o país e as riquezas pertencem ao Senhor Feudal Daimyou. O que deixava as coisas perigosas, caso ele estivesse envolvido no sequestro. 

Iruka se afastou de Kakashi. Sua cabeça estava doendo com as recentes informações.  

— Você quer entrar na festa? — Perguntou incrédulo. — Mesmo que conseguisse entrar, você acha mesmo que conseguiria fazer algo? Todos iriam te reconhecer pela máscara e o sharingan, mesmo que nunca tivesse o visto. Os sequestradores fugiram assim que soubesse que você pisar lá.  

Kakashi colocou a mão dentro de um dos bolsos do colete, tirando dois papeis com bordas douradas, e as balançou na frente dele. 

— Eu tenho convite, e por favor, não me pergunte como consegui. — Ele guardou novamente o convite no colete. — Sei que é perigoso usar o henge jutsu durante tanto tempo. Por isso, irei disfarçado. Aliás, sou um ninja, não? 

— Isso me cheira a fracasso. 

— Homem de pouca fé. — Kakashi balançou a cabeça. — Você vai ir comigo ou não? Senão, eu volto com meu plano inicial, que era chamar meu companheiro da Anbu. 

— Eu irei. — Respondeu Iruka determinado. 

— Ótimo, está decidido. — Kakashi bateu as mãos uma com outra, fazendo um grande estralo. — Nos encontraremos exatamente aqui ás 23:30.  

— Tão tarde? 

— É uma festa de pessoas ricas. — Ele deu os ombros. — O que me lembra, você tem roupas que não façam com que pareça um mendigo? 

Iruka fechou a cara com o comentário do outro. 

— É claro que eu tenho. — Respondeu. — E você? Tem? 

— Você está falando com o cara mais cobiçado desta vila. — Disse Kakashi, não parecendo se importar com a expressão raivosa do moreno. — Aliás, se prepare para se encantar com minha beleza essa noite. 

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

A noite estava fria, e Iruka tremeu ao sair da porta de sua casa e atravessar a vila até o campo de treinamento, onde tinha marcado de se encontrar com o outro. Tinha vestido um terno de um azul marinho bem escuro, com uma camisa branca por de baixo dele, e sapatos lustrosos pretos. A roupa havia custado todo suas economias e seu salário do mês. Pois como Kakashi tinha adivinhado, ele não tinha uma roupa cara para tal festa. 

Era estranho pensar que aquilo seria um tipo de missão que faria com o prateado. Já que nunca tinha se imaginado fazer algo com ele além de trocar algumas palavras com o mesmo. Hoje à noite estava mais clara, apesar de algumas nuvens ameaçarem de chover. 

O ninja olhou curioso e surpreso ao se deparar com uma carruagem preta estacionada perto do campo de treinamento. Ao lado da carruagem, estava Kakashi de costas, olhava para os cavalos, enquanto conversando com alguém que segurava as rédeas do animal, que parecia ser o cocheiro. Iruka se aproximou dele, fazendo um som com a garganta, para que o prateado percebesse que ele estava ali. Mesmo sabendo que o outro já tinha notado sua presença há algum tempo. 

Kakashi se virou. Ele havia recomendado que ele estivesse pronto para segurar o queixo ao vê-lo, e ele havia revirado os olhos para o comentário, mas, com o traje de noite preto e branco, Kakashi realmente havia feito o queixo de Iruka cair um pouco; ele estava sem a sua máscara, revelando uma pequena pinta no canto do lado esquerdo de sua boca, que o fez se perguntar se era a causa pelo uso da máscara. A cicatriz abaixo de seu olho esquerdo estava apenas uma linha muito fraca, quase transparente. Parecia ter passado algo para esconde-la. Os cabelos claros caíam sob os olhos. Olhos nos quais estavam ambos pretos, o que deixou Iruka intrigado. 

— Seus olhos. — Disse Iruka em voz baixa. Ele sabia da existência do sharingan, não era novidade. Porém, também sabia que apenas os Uchihas conseguia ligar e desligar o jutsu ocular. Se outra pessoa tivesse o sharigan transplantado e não fosse desse clã, ela teria que conviver com ele ativado o tempo todo. Por isso, Kakashi usava sua bandana inclinada de um lado, para que o mesmo não gastasse todo seu chakra com o olho.  

— É lente. — Explicou Kakashi, parecia um pouco sem jeito com o olhar de Iruka sobre ele. — Pedi que fabricassem uma especial, para que mesmo se eu usasse, tampasse os efeitos do sharigan. Resumindo: não consigo enxergar desse lado. 

— E a carruagem? Pelo que eu sei, não fica muito longe daqui. Podemos ir andando sem problema. 

— Pessoas ricas não ficam suando por ficar andando por ai. — Falou Kakashi, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Elas têm outras pessoas que os carregam. Devemos nos parecer com elas o máximo possível. 

— Entendi, entendi. — Iruka acenou para ele. — E como eu iria saber? Sou professor. Nem se eu guardasse todo o meu dinheiro por anos, eu conseguiria ir numa festa dessas. 

Kakashi sorriu. Diferentemente de seu rosto, seus dentes não eram perfeitos. Seu canino do lado direito era levemente lascado de um jeito que o deixava estranhamente mais bonito. 

Iruka sentiu o próprio coração se contrair, e se odiou instantaneamente por isso. Por que ele estava pensando naquilo em um homem? Ele balançou a cabeça, como se tivesse passado em teia de aranha. O ninja olhou para o cocheiro. Ele era um senhor de meia idade, um pouco roliço, que vestia um terno cinza escuro. Parecia não notar a sua presença ali, ou simplesmente o ignorar. Iruka chutou que fosse a segunda opção, já que ele deu boa noite para o senhor, mas o mesmo não o respondeu. 

— Ah — Foi tudo que Kakashi disse, enquanto subia na carruagem, estendendo a mão para ajudar Iruka a fazer o mesmo. — Ele não é de falar muito com estranhos.  

— De onde você o conhece? — Perguntou Iruka, se ajeitando no banco da carruagem, e depois fechando a porta da mesma. 

— Digamos que muitas pessoas devem favores a mim. 

A carruagem começou a chacoalhar pela estrada cheia de pequenas pedras. Iruka percebeu que seu coração estava acelerado. Medo que algo desse errado naquela "missão". Não queria falhar. Ele queria mostrar a Kakashi que era tão bom quanto ele era em ser ninja. Respirou fundo. Precisa se acalmar, ocupar sua mente com outras coisas... 

— As pessoas não irão achar estranho nós dois irmos juntos nesta festa? 

Kakashi olhou para ele. Parecia estar se decidindo se responderia ou não aquela pergunta. 

— Essas festas geralmente têm coisas piores que dois homens andando lado a lado como namorados. 

O professor corou violentamente. Agradecendo a escuridão daquela carruagem pôr o outro não o ver daquele jeito. 

— E-Eu não quis dizer desse jeito... 

— Entendo. — Falou. — Suponho que não. Então, está pronto para se divertir em sua primeira missão comigo? 

Ele engoliu em seco e tocou a cortina de veludo da carruagem, sentindo uma pequena gastura. Lá fora dava para ver apenas uma incrível escuridão. Com apenas  alguns flash da luz do luar. O moreno respondeu: 

— Na verdade, não. — Disse. — Ouvi dizer que ninguém gosta de fazer parte de sua equipe, pois costuma ser bem rigoroso com as pessoas. 

— Porque são um bando de folgados.  

— Acho que entendo o ódio deles. — Resmungou Iruka. 

Kakashi se inclinou para a frente. Ele cheirava a suor e fumaça. Alguma coisa nisso fez o coração de Iruka doer.  

— Está tudo bem, Iruka? — Perguntou o prateado, ao ver o desconforto do outro.  

— Não sei se consigo fazer isso. — Confidenciou Iruka. Tentando afastar os pensamentos. — Sabe, tenho medo de estragar tudo como sempre fazia nas missões, antes de me tornar professor. 

— Você tem ótimas habilidades ninjas, apesar de estar parado do ofício há algum tempo. — Disse. — Tenho plena confiança em você. 

Iruka olhou surpreso para ele. 

— Tem? 

— E — Prosseguiu, sem responder a pergunta —, caso alguma coisa dê errado, estarei lá.  

— Tudo bem. — Disse ele, inclinando a cabeça para o lado.  

— Kakashi-san? 

— Me chame sem o sufixo, tudo bem? 

Iruka revirou os olhos e continuou: 

— Você tem alguma pista de quem iremos procurar? 

O prateado estreitou os olhos negros para ele. 

— Tenho uma ideia. Mas por hora, é bom você não saber de nada. 

— Por que? 

— Confie em mim. — Disse o prateado. 

Um músculo saltou no canto da boca de Kakashi. Era incrível ver cada detalhe daquele rosto, antes escondido. O que está acontecendo comigo? Pensou, chacoalhando novamente a cabeça, com mais força. 

Kakashi olhou para ele com curiosidade. 

— Você está bem? 

— Estou me sentindo tonto. 

Kakashi colocou a mão sobre sua testa, fazendo com Iruka recua-se assustado e batesse suas costas com tudo na porta da carruagem. O prateado olhou para ele com a testa franzida. 

— Só queria ver se estava com febre. — Explicou. — Calma. 

Iruka se recompôs, se sentando do mesmo jeito que estava antes, porém um pouco mais afastado do outro. Não sabia o porquê de estar agindo assim perto dele.  

— Então — Disse Iruka, tentando mudar aquele clima estranho que tinha se instalado. — Não conversamos assim desde... 

— Há 10 dez anos atrás. — Completou Kakashi. 

— Não é... 

— Depois disso, você me ignorava quando me via. – Kakashi desviou os olhos, mas não antes que Iruka tivesse visto a dor neles. — Sei que deve pensar que eu sou um tipo de pessoa amaldiçoada que mata todos que chegam ao seu redor. Como todos na vila acham. 

Iruka se calou. Sabia dos boatos sobre o time todo dele terem sido mortos terrivelmente, sobrando apenas ele. Mas não era por isso que ele havia se afastado de Kakashi. 

— Depois que meus pais morreram, eu fiquei um bom tempo sem vontade de levantar ou para fazer qualquer outra coisa. — Confessou, apertando o tecido da calça com força. — Eu tinha lhe conhecido naquele dia, até então não sabia quem era realmente. Descobri depois de um tempo que era um herói famoso, e eu um nada. Não tive coragem de conversar com você por isso. Aliás, não pensei que lembrasse daquela noite. 

Kakashi olhou para ele surpreso. 

— Por Kami, como eu poderia me esquecer? Você me acertou com uma garrafa de vidro. — Kakashi levantou a manga de seu terno preto, revelando uma fina cicatriz branca acima do pulso. — Eu me lembro de todos os rostos que fizeram cicatrizes em meu corpo. Porém, você é o único vivo para contar essa história.  

— É para me sentir honrado? 

— Sim. — Falou. — De certa forma, muitas mulheres pagariam altos preços para estarem presas comigo dentro dessa carruagem. 

— Com certeza. — Disse Iruka sarcástico. — E também estariam vestidas com uma camisa de força.  

— Vendo por esse lado, foi uma boa ideia você ter ficado afastado de mim todo esse tempo. — Afirmou o prateado. — Pois você é muito chato. —  Kakashi parecia prestes a dormir. Fechou a cortina, e ficaram na escuridão. Iruka pôde ouvir a respiração dele, sentado ao seu lado, sentir seu calor. Entendeu por que nenhum homem ficava sentado ao lado do outro por tanto tempo. Havia algo estranhamente íntimo naquilo. É claro que Kakashi não parecia ver nada demais, e que era apenas paranoia dele próprio. Mas mesmo assim, Iruka não deixou de se sentir desconfortável com tudo aquilo. 

— Kakashi-san. — Chamou Iruka. 

— O que? 

— Você realmente acha que podemos morrer lá? Tem esse perigo? 

— Por que está me perguntando isso? — Seus olhos passaram de forma preguiçosa até Iruka. — Não vai me dizer porque ainda é virgem e não quer morrer assim. 

— N-Não. — Iruka desejou poder pular daquela carruagem e ser atropelado pelos cavalos que os puxavam. — Eu não sou virgem. 

Kakashi parecia animado com aquela conversa. 

— Interessante. — Os olhos antes entediados, brilharam. 

Iruka agradeceu novamente pela escuridão que estava a carruagem, pois assim o prateado não veria o vermelho em suas bochechas. E antes que pudesse oferecer qualquer outra resposta, as rodas começaram a parar. Tinham chegado. 


Notas Finais


O que será que acontecerá na festa? HMMM
E não se preocupem, babys, próximo cap saíra em breve


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