História Kamen Rider Apocalipse - Capítulo 14


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Categorias Kamen Rider
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Palavras 8.667
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Hentai, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Canibalismo, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Herol. Demorei um pouquinho para retornar com o capítulo novo porque essa semana está bem corrida para mim. Mas eu cheguei e aqui estou. Já peço perdão se tiver muitos erros de gramática ou concordância. Mas enfim, vamos para o capítulo que está bem agitado kkkkkk
Boa leitura!

Capítulo 14 - Capítulo XIV: A Música do Assassino dos Sonhos


Fanfic / Fanfiction Kamen Rider Apocalipse - Capítulo 14 - Capítulo XIV: A Música do Assassino dos Sonhos

Após meses vendo a cara daquele cidadão estampada na polícia — ou a sua fantasia ridícula — Vran Yagami finalmente estava cara a cara com o Assassino do Zodíaco, ou “assassino colorido”, como chamava Adrien. Após sair da escuridão, ele conseguiu ver a feição deste assassino. Roupas extravagantes, olhos de cores diferentes — azul em um lado e vermelho no outro — capacete com a aparência de um cabelo em chamas. Também em cores divididas em vermelho e azul. E nas mãos, um machado que com certeza foi usado para matar aquela vítima.

Vran não sabia exatamente o que fazer. Aquela aparência medonha e o jeito que ele caminhava em sua direção lhe diziam muita coisa. Esse maldito acha que pode me intimidar desse jeito, não é? Então eu vou dar uma lição nele.

Mesmo ferido, Vran não perdeu tempo e invocou seu cinto, apertou o botão da eyecon principal e a inseriu na fivela e fechou. O fantasma saiu gritando as mesmas palavras que sempre fala nas transformações (CMon, Let’s Destroy the World).

Henshin!

E Vran se transformou, e imediatamente pegou sua espada.

Hoje, você vem comigo seu maluco.

Vran aproximou o símbolo de olho da espada com o globo ocular do cinto e fez uma ligação. A lâmina da espada ganhou um brilho alaranjado que era a energia concentrada e correu para acertar o assassino.

Seven Seals: Apocalipse.

Omega Break

Porém o assassino tinha um ás na manga. Ele nem se mexia. Só levantou os braços e invocou duas forças que pareciam antigas fichas para fliperamas. Uma mostrava a força e a outra a velocidade.

Dual Attack

Velocity Powerful

Ambas entrarem em seu corpo formando uma energia estranha que se formava no machado.

The Autobot Says:

Zodiac Attacks!

Perfect Knock-Out Finish!

Apocalipse vinha em uma velocidade absurda e com a espada arremessou a energia, mas o assassino conseguiu desfazê-la com um único ataque. E depois avançou e com a mesma energia atacou Apocalipse, lhe deixando completamente no chão. Sua armadura começou a liberar várias faíscas em formato de raio até desaparecer completamente e Vran cair no chão, ferido e fraco.

Enquanto que o assassino ia embora, tranquilo e levando seu machado em mãos. Mas Vran conseguiu arrancar algo dele antes de ir.

— O q-que é você? — Perguntou.

E ele, respondeu somente duas palavras.

Zodiac Kira.

E foi embora.

Então aquele era o seu nome? Zodiac Kira? Então Guido estava realmente certo. Aquele assassino era o tão famoso Assassino do Zodíaco.

***

Ao amanhecer, Zoe foi até a sede daqueles tais Filhos da Anarquia em Presídio para ajudar Vran com as investigações. O galpão não era nada discreto e já na fachada estava o nome da seita — ou sociedade secreta, assim como eles gostavam de se intitular — então foi fácil para ela descobrir. E também o local é aberto.

Zoe entrou devagar para não assustar ninguém que estivesse lá dentro, pois eles têm uma “recepção muito boa” com o pessoal da polícia e da imprensa. No galpão, a maior parte das pessoas estava vestindo camisolas brancas com gorros. E outras as colocando. Zoe ficou impressionada com uma coisa: todas aquelas pessoas que estavam se preparando eram pessoas normais. Homens, mulheres e adolescentes. Todos simpatizando, entendendo e se identificando com as mensagens que o líder desta pequena comunidade repassava.

E por falar em líder, vinha na direção dela, um homem também vestindo branco, estatura média, cabelos negros curtos e barba um pouco longa. Sua idade beirava na casa dos 25 a 30 anos.

— Por favor… eu queria falar com o líder deste local. — Disse Zoe.

— Pois esta falando com ele mesmo. — Disse o homem — Sou Joseph Bento, mas pode me chamar apenas de “Mestre”. Sou o líder dos Filhos da Anarquia, minha pequena e singela comunidade. Mas você está aqui para…

— … para saber mais sobre vocês e o trabalho que fazem.

— Por acaso você não é jornalista ou algo do tipo não é mesmo? — Agora ele pegou Zoe. Mas ela não poderia mentir em um momento desses.

— Olha… eu não posso mentir para o senhor… mas eu sou Zoe Johnson, uma das jornalistas mais importantes desta cidade. E eu vim aqui justamente para expor o lado de vocês nesta história toda. Eu sei que vocês não gostam da mídia e muito menos do estado, mas… — Joseph a interrompeu.

— Minha querida… você não deve saber, ou está sendo controlada, mas a mídia é horrenda. Destrói. Mata. E causa muito mais discórdia que as criaturas que estão atacando nossa linda San Francisco. E eu li sua coluna detonando o Apocalipse na época. Você não foi verdadeira nas suas palavras. Então… como eu posso saber que você não vai mentir em suas palavras quando for escrever em sua coluna?

— Na época em que o Apocalipse apareceu eu era bastante preconceituosa, não minto. Sempre seguia o que meu redator queria, mas hoje… eu sigo meu próprio caminho. Por isso eu peço um voto de confiança para dizer as suas palavras e mostrar o lado de vocês, pois a maioria estão lhes detonando.

— Já que insiste, venha comigo.

Joseph levou Zoe para um pequeno escritório que ficava aos fundos do galpão. Naquele escritório, ela via várias cestas e armários cheios de mantimentos. A quantidade era gigante. Comida, produtos de higiene pessoal e roupas. Óbvio que Zoe ficou com a pulga atrás da orelha, pois eram muitas coisas. Pareciam que eles estavam se preparando para o fim do mundo.

— Que mal lhe pergunte, senhor, mas… o que são esses mantimentos?

— Estamos guardando coisas para quando os seres do outro mundo, vier nos buscar. E eu digo que será em muito breve. O ataque dos demônios são somente um ensaio. Logo logo, ele estará aqui. E temos que estar preparados quando este dia chegar.

— E quem é este ser que você menciona?

— Aquele que nunca se deve dizer o nome. Na verdade ninguém sabe o nome dele muito menos eu. Ele viaja por mundos, e por onde passa, sempre busca pessoas para levá-lo com ele e viver grandes aventuras por este Universo. E eu fui uma dessas pessoas. Um grande ser. Um lorde. E eu, prego com os meus seguidores, o seu ensinamento e também a sua luta contra governantes e pessoas que querem rebaixar as outras. Somos contra o preconceito e as guerras. Nós queremos pregar as palavras de amor e paz que o nosso Lorde ensinou.

Zoe ouvia com fervor as palavras de Joseph e se encantava cada vez mais com o jeito calmo e sincero dele. Deve ser por isso que ele estava conquistando mais e mais pessoas. Era simplesmente encantador. O Lorde a qual menciona, deveria ser alguém muito bom e justo. E parecia ser tão real. Zoe quase ficou hipnotizada, se ela não tivesse recuperado sua sanidade rapidamente.

Eu não estou chamando essas pessoas de loucas, ok? Eu também sou a favor da liberdade de culto… mas que soava estranho, soava.

— Senhor… vejo que é um homem bastante estudioso.

— Ah sim minha querida. Sempre leio quando posso, mas por causa da nossa comunidade eu acabo não tendo tempo. Mas pretendo voltar. — Parece que Joseph viu o interesse de Zoe nas suas palavras e lhe fez um convite — Minha querida… vi o brilho em seus olhos quando comecei a mencionar o nosso Lorde. E por este motivo eu quero lhe convidá-la para fazer parte de nossa comunidade.

Zoe arregalou os olhos. Nunca pensou que recebia tal convite. E principalmente ela que é uma jornalista. Talvez Joseph tinha o dom da ilusão e estava lhe arrastando para um buraco sem fim. Zoe lutou e voltou para sua realidade.

— Senhor Joseph…

— Por favor, minha querida, me chame apenar de “Mestre”. Até me sinto mais a vontade para falar com as pessoas quando elas me tratam assim.

— Ok. — Zoe respirou fundo — Mestre… não acha sua proposta…

—… rápida demais? Minha querida, nós reconhecemos uma pessoa apta para se juntar aos Filhos da Anarquia de longe. E eu percebi o seu interesse. Por isso mesmo, não recuse o meu pedido. Faça parte dos Filhos da Anarquia.

— Senhor Joseph, Mestre, preciso ir agora. Agradeço muito por ter me concedido a sua parte na história. — Zoe levanta suas mãos para cumprimentar Joseph e ele a aperta — Amanhã mesmo terá uma reportagem sobre o seu trabalho aqui, com muita transparência e verdade. Quem sabe o senhor não muda seu pensamento sobre a mídia?

— É quem sabe. E também espero que aceite o meu convite para ser uma colaboradora dos Filhos da Anarquia. Irei ter o maior prazer em tê-la conosco.

Zoe saiu do galpão um pouco perdida. Ela nunca foi de acreditar nas coisas que lhe diziam. Característica puxada de sua mãe, que, apesar de frequentar a igreja sempre ensinou Zoe a questionar de tudo. Mas naquela entrevista… o encanto pelas palavras de Joseph Bento lhe deixou de boca aberta. E aquilo, não era um bom sinal.

***

A vida de Noah nunca ficou tão agitada desde que chegou em Los Angeles. O trabalho no Observatório lhe cansava. Eram planilhas para fazer, muitas anotações para escrever e bastante monitoramento sobre Absinto, o asteroide com substância desconhecida que ameaça o planeta. E também, as verificações de Suzana sobre o seu bracelete que parecia “lhe avisar” quando havia perigo. Só que esse aviso vinha em forma de dor e não parava até o Mega V-Miles ser mostrado.

Noah fazia algumas anotações novas sobre Absinto quando Dylan vinha com um aspecto muito feliz. E sem perceber viu Dylan jogar vários ingressos de alguma coisa que ele nem reparou.

— O que é isso? — Olhou para os papéis e tentou lê-los, mas seu inglês ainda era básico demais para entender as coisas escritas.

— São convites. Comprei vários de um amigo que estava os rifando para pagar a faculdade dele. É um show de orquestra que vai ter no Parque MacArthur. Eu não sei se a sua família gosta de música clássica, mas pode ser um bom momento para os dois se socializarem.

Os tios de Noah quase não saiam de casa desde aquele incidente com os dois há sete meses. Ambos ficaram com medo do que poderia acontecer. Saulo até saiu algumas vezes para procurar alguma sinagoga judia pelos arredores do Observatório, mas nada. Viviam com medo do que poderia ocorrer.

— Eles gostam sim. Lembro que uma vez, fui com toda a minha família para a Torre de Davi ver um musical de uma orquestra muito famosa lá em Israel. Não se preocupe Dylan, nós iremos sim. Mas… tem muitos ingressos aqui.

— É. Estava barato então eu peguei vários.

— Bom… eu posso convidar os amigos que eu fiz no encontro com o Profeta. Eles são gente boa, tirando o Vran que é um pouco cabeça quente. Será que eu… poderia trazê-los para virem comigo?

— Claro. Aliás, como foi esse encontro com o Profeta?

— Estranho. O nome verdadeiro dele é Chaim e ele nos disse coisas que… deixaram-me um pouco incomodado. Ele disse ter sonhado com um anjo que lhe avisou sobre um possível “salvador”, e que eu sou e mais dois amigos somos a chave para isso. E ele também disse que o nosso mundo está acabando para que um novo mundo apareça. Enfim, tanto eu quanto o meu amigo Ricardo achamos estranho essa conversa dele. Ele até disse que acha que o tal anjo seja… Satan.

— Satanás em forma de anjo? Eu acho que não…

— Mas o Profeta disse que o anjo não tinha asas. E Lúcifer é um anjo caído.

— Bom, eu não entendo essas coisas. Espero que vocês não caiam nas conversas de um suposto “falso profeta”.

***

Na delegacia, Vran recebia uma bronca tremenda de Guido. Não só por ter chegado atrasado, mas também por não ter conseguido mais pistas sobre o assassino, só o seu nome.

— Guido… por favor, entenda… eu não estava em condições de lutar com aquele cara. Eu tinha recebido uma surra de um imbecil e ele me venceu facilmente. Eu só consegui mesmo foi pegar o seu nome. Zodiac Kira.

— Mas isso não ajuda nada, Vran. — Disse Guido — ocê nem ao menos o interrogou ou impediu que a vítima fosse morta.

— Pelo menos agora sabemos que as suas suspeitas eram reais. É realmente o Assassino do Zodíaco. E eu sei disso porque Kira significa “assassino” em japonês.

— Ok, mas porque, depois de quase 40 anos ele volta e comete esses crimes? Eu juro que não estou entendendo mais nada. Mas não importa. Eu quero tanto você quanto o Adrien em cima desse cara. Não podemos deixá-lo escapar. E como foi a autópsia do corpo? E o que estava escrito desta vez na parede com o sangue da vítima?

— Uma daquelas frases em hebraico que a gente não entende. E também a legível em inglês: Tiatira já era. — Guido ficou em silêncio — Além das marcas com a tatuagem em neon do símbolo do assassino.

— Eu só queria saber de onde ele tira esse tipo de tinta para conseguir marcar as pessoas.

— Ou ele consegue esse equipamento por um modo mais fácil como o Mercado Negro ou a Deep Web, pois tinta assim é cara pra caralho… ou ele é rico.

— Eu aposto na terceira opção. Mas a da Deep Web também é boa. Enfim, eu quero que você fique em cima desse cara e caso ele apareça, não dê uma de “joão arrebentado”. Pega esse cara na porrada e arranca aquela máscara ridícula dele. Entendido? Agora, bora trabalhar.

— Entendido… DeleGuido.

— Pare com esse trocadilho com o meu nome. Você adora fazer isso, não é?

— E como. Agora, deixe-me procurar pistas para o DeleGuido.

Vran saiu da delegacia um pouco irritado, pois a prensada de Guido realmente foi forte. E ele estava totalmente anestesiado com aquela situação chata. Seu corpo ainda doi. Uma coisa Vran não poderia negar: as habilidades de Ricardo são impressionantes e a eyecon de Tesla combinou muito bem com o sistema dele.

Tesla… parece que foi ontem — mas foi ontem sou burro — que suas conexões foram perdidas. E Vran já sentia sua falta. Acho que depois de todos os momentos que o humilhou com palavras que só lhe davam mais motivos para “querer fugir” daquele tirano. Vran via aquilo como lição. Lição por ser tão mal com Tesla. Lição por nunca ter dado o valor que ele merecia e ter agido como as pessoas agiam com ele no começo do século XX. Vran carrega agora, a maior das dores: a culpa.

Talvez ele esteja feliz com Ricardo.

Zoe vinha correndo em sua direção um pouco sorridente. Ela chegou e já lhe deu um grande abraço. Vran não escondia, mas ele estava gostando daquela mulher. E ela dele, mas ambos não diziam nada um para o outro. Medo? De quem? Da Deborah? Ou de mais alguém? Possibilidades.

— Vran… eu preciso te contar uma coisa muito séria. E boa.

— O que? Que finalmente largou de se vestir igual a uma hippie?

— Que? Eu não me visto como uma hippie.

— Brincadeira. Mas me fala: o que você descobriu que é tãão bom?

— Sabe a tal seita Filhos da Anarquia?

— Ah os bagunceiros que se acham os merdinhas revolucionários. O que tem eles?

— Eu estive conversando com o líder deles o Joseph Bento e Vran… que líder. Que homem sábio. O jeito que ele mexe com as palavras… é mágico. É sério, lá dentro eu me fingi de forte para não aceitar a proposta de querer me juntar a eles, mas agora, refletindo sobre tudo… eu estou muito querendo entrar. O que você acha disso, Vran?

E como em um movimento rápido, Vran lhe deu um tapa no rosto. Zoe virou-se olhando nos olhos dele e não acreditando.

— Eu não acredito… você me bateu. Por que fez isso?

— Para ver se você cria juízo. Está ficando louca? Esses caras são criminosos. São contra as leis. Contra tudo. Como eles mesmo se definem anarquistas.

— Não tem a ver com anarquismo, e sim como uma ideologia simbiótica. O Lorde, o senhor que virá nos buscar e pacificar o mundo. Talvez seja esse homem maravilhoso que venha nos salvar, como o Profeta também falou para você.

— São duas coisas diferentes, Zoe. O Profeta sonhou com isso. E esse tal de Joseph? Sonhou com algum homem que venha dentro de uma caixa azul? Eu acho que não. E aliás, foi muito bom você ter me dito o nome do líder desse bando de fracassados. Agora mesmo eu vou voltar lá dentro e falar para o Guido o nome desse infeliz.

— Vran… se você for… eu vou falar que a polícia está atrás deles e vou ajudá-los a fugir. É isso. Se você, pelo menos, não quer me ouvir então toda a mídia está contra vocês da polícia. Acredite, eu posso acabar com sua reputação.

— Vai começar com seus joguinhos de ameaça de novo? Eu não caio mais nessa merda. Faça o que você quiser. Suma da minha frente. Antes quem me segurava era o Tesla, hoje ninguém mais me segura.

Vran foi embora e deixou Zoe plantada como estátua no meio da rua. Ela também se foi e desta vez, os dois não deverão se ver por um bom tempo. Pelo menos a discussão foi útil. Ele descobriu o nome do líder da seita.

Mas no meio do caminho, ele acaba dando de cara com um dos fantasmas. Mas não com Robin, e sim com um fantasma que tinha uma jaqueta azul e capuz azul. Seus olhos eram azuis e em uma das mãos tinha uma enorme esfera. Com certeza era o fantasma de Isaac Newton e Vran sabia disso.

— Mais um dos fantasmas, não é? Newton eu suponho.

Exato, meu senhor. Por que tratou aquela dama com tanta violência? Sabes que não se pode levantar as mãos para uma dama.

— Olha Newton, eu sei que você é de épocas diferentes, mas aqui, nesta realidade, a gente desce o cassete nas mulheres sim. Elas que sempre se fingem de vítimas só para querer a nossa atenção.

Bem que o senhor dos senhores me enviou para iluminar a tua mente, jovem. As palavras que dissertes agora são horríveis. Doem meus ouvidos só de pensar em repeti-las. Mas escute, estou aqui somente para aconselhar-te de tuas escolhas.

— O Oroku vive com esse papo de “escolhas” para cima de mim. Mas, pode falar. Sou todo ouvidos, Newton.

Meu jovem… peço para que não se sinta pressionado pelas palavras da nobre dama, ou melhor, que pense antes de agir. Eu senti o jeito rude em como a tratou. E as palavras horríveis que me disse agora.

— É, mas não vibre de alegria não Newton. Na sua época o machismo era bem pior que hoje.

Não estamos falando de gerações jovem, e sim em como tomar tais atitudes podem lhe afetar se não as escolher sabiamente. Você precisa encontrar a luz o quanto antes. Senão… todos irão sofrer.

— Eu achei que você fosse cientista, não filósofo.

Mas você entendeu a minha mensagem. Mude seu jeito de ser, ou seu corpo ficará corrompido para sempre.

Quando Vran iria falar alguma coisa, viu que o fantasma de Newton tinha sumido. Eles sempre fazem esse tipo de merda, pensou, O único que não fazia isso comigo era… o Tesla. E novamente uma tristeza profunda tomou conta de seu coração. Como fazia falta aquele fantasminha amarelo. Mas talvez, hoje, ele possa tê-lo de volta.

Hora de encontrar o Profeta.

***

Noah chegou alguns minutos atrasado. O transito em Los Angeles estava impossível e a cidade ficava longe daquela travessia. Vran e Ricardo já estavam treinando com Chaim que os observava de longe. Noah ficou ao seu lado e percebeu o quanto os dois estavam determinados a vencer.

— Senhor Profeta… não acha uma má ideia fazer os dois se confrontarem assim?

— Claro. A rivalidade entre Ricardo e Vran é extremamente necessária para o fortalecimento da alma e de suas habilidades. E a raiva que Apocalipse está sentindo de Millennium após ele ter roubado o seu Olho de Deus, fica ainda mais interessante e importante para os dois. — Noah fez cara de espanto — Sim, eu soube do que ocorreu ontem. E eu não vejo isso como rivalidade, e sim força.

— Mas o senhor não teme que eles se machuquem? Com todo o meu respeito, mas o senhor não estava lá para ver o quanto o Ricardo foi agressivo com o Vran. Como pode achar que esse embate deles é algo saudável?

Chaim olhou para Noah e abriu um largo sorriso.

— Quantos anos você tem Noah?

— 20. Vou fazer 21 daqui há dois meses.

— Você é o mais novo desta equipe, então eu não estranho os seus questionamentos. Um ser humano que questiona é um ser humano vivo. Aquele que não questiona e aceita tudo é uma mera estátua. Assim eu penso. Os dois são fortes e já provaram isso para eles mesmos. Não se preocupe. Eles ficarão bem.

Noah não achava isso. E muito menos eu.

Vran e Ricardo literalmente estavam se arrebentando. Não estavam com suas armaduras, mas já distribuíam socos, chutes, já se enrolaram no chão diversas vezes. Houve até mesmo golpes baixos como mordidas, puxões de cabelos e chutes no testículo. E Chaim parecia gostar daquilo. De dois seres humanos brigando como se fossem galos de rinha.

Desculpem o exemplo ruim que eu tive que usar.

Mas continuando, Noah não gostava de nada que observava. Literalmente eles estavam se rebaixando. Pareciam dois selvagens. Focando na briga, agora Ricardo e Vran, ambos sujos de terra, seguravam os braços de um ao outro e encostaram suas testas. Um, encarando o outro com fervor e ódio.

— Devolva o Tesla agora pirralho. — Disse Vran com raiva.

— Não. Ele é meu agora. E você só tira ele de mim a força.

— Então não vai me dar, não é fedelho? Então eu vou arrancar de você a força!

Ricardo impulsionou sua força e deu um chute no estômago de Vran que lhe soltou imediatamente. Para provoca-lo, Ricardo pegou a eyecon de Tesla e apertou o seu pequeno botão. Invocou o cinto e o colocou dentro da fivela, ganhando a força e os poderes do inventor. Vran fez a mesma coisa, porém colocando a eyecon de Newton.

Os dois, com suas respectivas armaduras, começaram a batalhar. Apocalipse usou a esfera de atração para fazer um campo de força gravitacional para impedir os raios que Millennium proferira com seu rifle. Novamente, aquele fenômeno aconteceu e estava concentrando uma energia poderosa dentre todo o campo de batalha.

Noah começou a se preocupar. Aquela energia seria capaz de destruir tudo a volta, incluindo o Profeta e os três. Ele não pensou duas vezes. Invocou seu Mega V-Miles e se transformou.

Yes, my lord

Mas Chaim tocou seu ombro e lhe chamou a atenção.

— Não vá. Eles irão se entender.

Profeta… eles estão quase se matando. E estão liberando uma energia poderosa. Por favor, eu preciso impedir esses dois de cometerem uma loucura.

— Tudo bem. Faça o que tem que ser feito.

V-Miles apertou o botão do recipiente e uma gota saiu e caiu na parte vazia liberando a energia que se concentrou atrás. Com teores tecnológicos e com um símbolo de olho com a cor verde, a energia começou a se concentrar em suas mãos e V-Miles não perdeu tempo e jogou ela em direção de Apocalipse e Millennium.

Destroy the… (?)

The Seven Chalices: Verdes Miles

Mega V-EXPLOSION!

E a energia foi jogada nos dois. Foi tão poderosa que atingiu toda aquela parte da fazenda e a queimou. Apocalipse e Millennium foram atingidos na hora e suas armaduras arrancadas no mesmo momento. Ambos caíram no chão, sentindo uma enorme dor. Agora eles sabem porque V-Miles era considerado “apelão”. Os dois, caídos no chão, com cara de que não entenderam, olharam para Noah, já sem a armadura, com cara de bobos.

— Por que fazem isso? — Perguntou Noah — Essa luta entre os dois poderiam matar todos aqui, incluindo eu e o Profeta. Nós somos aliados. Lutamos por uma única causa: destruir os demônios. É isto que devemos nos importar agora, e não com lutinhas que não vão nos levar em nada.

— Isso eu tenho que concordar com Noah. — Disse Chaim dando um passo para frente — Vocês dois são guerreiros fortes e já provaram isso. Eu só deixei que fizessem esse… espetáculo, para ver o quanto poderiam ir por suas honras e fraquezas. E vejo o quanto vocês tem capacidade. Mas… chega dessa briga. — Ele olha para Vran — Você não vai conseguir a eyecon do Ricardo a força, Vran. É melhor que aceite isso. Por enquanto, os treinos acabaram.

Noah ficou estranho. Chaim, do nada, mudou seus argumentos. Ele estava agora há pouco defendendo que os dois se matassem, ou “irem até o fim” por seus ideias, e agora ele muda dizendo para deixar seus ideias de lado e brigarem pelo que é certo o qual seria lutar contra os demônios e proteger as cidades.

A cada dia mais que passa, Noah vai começando a levantar desconfianças sobre o que o Profeta possa ser. Ou o que ele esconde. Sua verdadeira personalidade.

No fim, Noah acabou andando mais lento do que os dois até pelos momentos tensos. Ricardo percebeu e esperou até que subisse a colina.

— O que você tem? — perguntou — Tá estranho…

— É, eu não estou bem. — disse — O Profeta… ele… me disse algumas coisas enquanto vocês lutavam que me deixou muito incomodado.

— E o que ele falou?

— Disse para vocês continuarem a brigarem que nem animais para fortalecerem os seus poderes, pois a motivação pelo que lutam é a sua arma principal, mas depois que eu parei vocês, ele mudou totalmente seu argumento. E-Eu não sei Ricardo… tem algo de errado com este homem.

— Não minto. Ele não parece um profeta. O jeito dele nem é de um. Acho que ele está nos enganando para conseguir algo de nossos poderes. Para ele dizer isso para você, é porque ele busca algo de nós. Principalmente de mim e do Vran.

— Então o que você acha que ele é?

— Uma das criaturas? Eles podem ter formas humanas também. E não somente corpos de pessoas possuídas que perderam sua humanidade por completo. Temos que ficar de olho. Eu já acredito que estamos perto do fim, então é só questão de tempo.

— O que quer dizer com “perto do fim”? Acha que o mundo está acabando como o Profeta nos disse?

— Não do jeito que ele falou, mas acho que sim. As coincidências são gigantes.

— Os dois! — Gritou Vran próximo da entrada da fazenda — Vão largar de papinho furado ou vão entrar?

Os dois pararam e entraram na fazenda onde uma das empregadas de Chaim servia chá com bolo de cenoura. Os três não queriam aceitar, mas Chaim insistiu. Ricardo pegou um pedaço pequeno. Vran e Noah médio. E ficaram conversando até o final da tarde. As palavras do Profeta, novamente confundiam a cabeça dos três. De novo, ele insistia no tal sonho com o anjo.

— Hoje eu me lembrei de mais detalhes sobre o anjo que veio me alertar sobre os dias de glória e também de destruição que este mundo irá sofrer. “O nosso salvador está prestes a chegar”, disse o anjo, “Você, Chaim Sammartino, precisa ficar atento a todos os sinais previstos. Em breve, três nobres guerreiros, vão lhe ajudar nessa magnifica e estonteante aventura e finalmente, virá a paz.”

Ricardo queria alfinetá-lo.

— E por acaso… esse “salvador” misterioso é Jesus Cristo?

Chaim ficou quieto. Um pouco estático. Mas Vran não deixou de dar risada. Risada alta. De deboche.

— É sério? Jesus? Por favor pirralho, não coloque suas baboseiras religiosas em uma conversa séria. Deixe isso para a igreja que você frequenta. Aqui não é lugar para as suas pregações idiotas.

— Agora você está me desrespeitando. — Levantou Ricardo.

— O que foi? — Vran também se levantou e os dois se encaram com ardor — Vai me bater? Se for, pode vir que a gente acaba com essa luta de uma vez, seu covarde.

Ricardo acertou um soco em Vran. A mesma intensidade que usou para surrar Lyord naquele dia. Ele poderia se arrepender muito daquela decisão, mas por incrível que pareça, ele estava tranquilo porque tinha duas certezas: Vran não era um demônio e muito menos um hacker. Até pela sua “mente pequena”, ele nem tinha capacidade de entender certas coisas sobre tecnologia.

Não que Ricardo também não fosse noob na tecnologia. Ele só sabia coisas básicas e algumas, seu digníssimo marido Benjamin lhe ensinara.

— Sabia que eu posso te prender por esse soco, moleque abusado?

— Agora vai usar sua autoridade para me ameaçar? Pois pode me prender. Não estou nem aí. Até porque, acho que a corregedoria vai adorar saber quando eu contar a eles sobre o seu pequeno crime de “abuso de autoridade”.

Enfim, Noah precisava acalmar os ânimos dos dois de novo, mesmo que fosse impossível até porque Vran estava com o rosto machucado.

Foi quando ele se lembrou dos convites para a orquestra no parque hoje a noite.

— Gente, gente! Vamos nos acalmar? Tenho uma coisa para falar.

— Fale, antes que eu esmurre você também. — Disse Vran colocando as mãos sobre o lábio cortado e vendo seu próprio sangue nas mãos.

— Hoje eu recebi de um amigo, vários ingressos para um show de uma orquestra que vai acontecer no parque MacArthur em Los Angeles. Queria convidá-los para ir. Até mesmo para tirar esse clima ruim que vocês dois estão. E então? Topam?

Os dois ficaram um pouco atravessados com o convite. Até mesmo Chaim ficou assim, observando calmamente as coisas. Mas sua observação seria dava-se mais pela pergunta que Ricardo lhe fez.

— Bom… eu não gosto muito desse tipo de música, mas… eu até posso comparecer. — Disse Vran — Acho que eu vou levar é o Adrien comigo. Ele é que gosta dessas coisas chatas.

Noah então deu dois ingressos para Vran.

Ricardo se pronunciou.

— Eu topo. Lembro de uma vez ter ido em uma orquestra sinfônica lindíssima lá em Roma. Acho que vou trazer o Ben e a minha filha.

Noah deu três ingressos para Ricardo.

— O senhor não vai querer ir Profeta? — Chaim ficou calado olhando para o lado e não prestava atenção na conversa dos três. Noah insistiu — Profeta?

— Ahn? Estou aqui. — Ele finalmente se ligou — Ah não, não muito obrigado. Apesar de eu admirar muito músicas de tão alto nível como estas, a minha idade e até parte da minha saúde impedem que eu saia em lugares distantes. Podem se divertir.

— Poxa, é uma pena, pois o pessoal deveria conhecer o senhor. — Disse Ricardo.

— Por enquanto, Ricardo pretendo ficar anônimo para seus amigos. Assim que o dia certo chegar, eu irei me apresentar. Da maneira mais certa a ser feita.

Os três ficaram quietos. E as desconfianças sobre aquele homem aumentavam ainda mais. Eles se despediram, pois já era fim de tarde. E o Profeta ficou sentado em sua poltrona, pensativo sobre o que Ricardo falou aquela hora.

— Não. — Respondeu para si mesmo — Mas não mesmo.

***

Final da tarde, quase a noite. No parque MacArthur em Los Angeles, na área do Levitt Pavilion, várias cadeiras foram colocadas. No palco, vários instrumentos como bateria, violinos, violoncelos, trombetas estavam posicionados. E ao meio uma pilastra com uma partitura de quase um metro. Ao lado do pavilhão, tinha uma moça que estava recolhendo os ingressos.

Noah e Dylan chegaram um pouco tarde. Faltava menos de meia hora para o espetáculo começar. Eles se sentaram na segunda fileira de frente para o pavilhão.

— Será que aqueles seus amigos vão vir? — Perguntou Dylan — Por que daqui a pouco o lugar fica cheio e eles vão precisar sentar no chão cheio de areia.

— Mas Dylan… quase não tem ninguém aqui. E o show está prestes a começar.

Dylan olhou para toda a área dos bancos e viu que somente tinha algumas pessoas, a maioria mais velha e alguns jovens. Mas nenhum número alto.

— É que as pessoas de hoje não gostam mais de irem a espetáculos públicos.

— Talvez até gostem, mas não de música clássica.

— Uma pena do Saulo e da Hanna não virem com a gente não é?

— Eles ainda estão muito traumatizados com o ocorrido. Preferem ficar em casa.

— Bom, então que aqueles seus amigos venham.

— Olha Dylan… eu preferia que não, viu? Porque eles não se entendem e podem acabar discutindo no meio da apresentação. Imagina a vergonha…

— Ah aquele italiano e aquele japonês que você mencionou? Realmente, é estranho. Eles são de religiões diferentes?

— Talvez. O Vran parece descrente, mas o Ricardo é muito fiel a Hashem e isso o deixa os dois um pouco estranhos, mas admito que a relação deles ficou pior de verdade quando o Ricardo tomou dele o Olho de Deus do Tesla do Vran. Aí sim a coisa foi piorando. Eles hoje estavam brigando que nem galos de briga. E não é só isso. O Profeta estava aplaudindo aquilo como se fosse algo normal. Só depois que eu dei um “basta” ele mudou o argumento.

— Eu estou te avisando, Noah. Esse tal de Profeta não é coisa boa. É melhor você e seus amigos se distanciarem desse cara antes que algo de ruim aconteça.

— E-Eu sei, mas… só que é difícil.

— Não é não. É só vocês darem o fora e pronto.

— Eu sei, mas nem todos nós estamos convencidos de que o Profeta é algo ruim. O Vran… ele parece confiar muito nele.

— Agora eu fiquei com mais vontade de conhecer esses seus amigos. E ao contrário de você, vou é rezar para que apareçam.

E parece que as preces de Dylan foram atendidas. Vran junto com Guido apareceram. Estavam perdidos, pois era a primeira vez que estavam naquele parque. Rapidamente, Vran reconheceu Noah e eles foram se cumprimentando e conhecendo um ao outro. Mas Guido ficou estranho quando Noah o chamou de Adrien.

— Ah não. Este é um dos meus empregados. Eu sou Guido Sant’anna.

— Ué, então porque o Vran falou que ia chamar um tal de Adrien para vir?

— Eu convidei o Adrien de verdade. — explicou Vran — Mas ele me disse que não poderia ir, pois estava ocupado com outra coisa. Enfim, ele não quis me dizer. Mas ele adora esse tipo de música. Então não sobrou mais ninguém a não ser o Guido, meu delegado, ou como todos dizem lá, DeleGuido.

— É. Eu sempre fico para trás nas aventuras do Vran. — Disse Guido mostrando decepção — E pare de fazer esse trocadilho com o meu nome. Você sabe que eu não gosto disso.

— Ok, DeleGuido.

Mas Vran já percebeu que a boa conversa que tinham acabaria naquele instante. Ricardo acabara de chegar com outra pessoa que Vran suspeitava que fosse o “marido” dele e um bebê no colo do outro homem. A gente sabe que a recepção entre Vran e Ricardo não foi boa, mas com os outros foi. O que era um grande alívio. E ainda não houve brigas entre os dois. Mais um alívio.

— Que bebezinha linda. — Comentou Dylan.

— É a nossa filha. — Respondeu Benjamin enquanto encaixava a chupeta na boca da pequena. — Minha e do Ricardo.

— Ah é? E quem é a mãe? — Disse Vran sendo indelicado.

— E-Ela não tem mãe. — Disse Benjamin — O Ricardo a encontrou enrolada em um saco de lixo dentro de uma caçamba para morrer.

— Atitude muito nobre de vocês adotarem essa pequena vida que foi abandonada de um jeito tão cruel assim. — Disse Dylan — Pelo menos agora ela tem uma família. E isso é o que vale.

Vran percebeu que Dylan ficou ao lado de Ricardo após sua infâmia — não sei se chamo assim — frase. Após isto, ele se calou e só ficou conversando com Guido. Vran não esconde que sente inveja da admiração que todos tinham para com Ricardo. Acho que Zoe tem razão. Eu preciso ser menos rude e mais simpático, mas eu não sei ser assim, pensou. Até mesmo Guido estava distante.

Todos estavam distante de Vran. Até mesmo Zoe.

Ninguém queria saber dele.

Finalmente, sozinho.

A apresentação já iria começar. As cortinas do pavilhão se levantaram e revelaram um lugar iluminado e cheio de músicos talentosos tocando diversos instrumentos. Na frente estava o maestro mexendo para lá e para cá a sua batuta. Claro, ele também estava de costas e era impossível de ver a sua imagem. Mas percebia-se que era um homem calvo chegando na casa dos 50 anos.

Tudo ocorria bem. A música que tocava era bem triste e melancólica. E também bastante fúnebre. Parecia que o maestro também cantava alguns refrãos, mas só se concentrava nas pessoas da plateia. Todos pareciam hipnotizados pelo som, quando alguns não pareciam assim. Como Ricardo que achava a música completamente horrível. E o tom que usavam era desforme e horripilante.

Ricardo se levantou e andou em direção ao palco. Benjamin chamou a sua atenção, mas ele não ouviu. Para ele, tinha algo de muito errado com aquele maestro. Sem nenhuma cerimônia subiu no palco e viu o maestro.

— O senhor está bem?

O maestro parou de balançar a batuta e todos os músicos pararam. Ele virou o rosto e olhou para Ricardo. Seus olhos estavam negros e brilhantes, como se estivesse possuído. Então o maestro levantou as mãos e com uma energia poderosa, jogou Ricardo para longe sem ao menos tocá-lo. Ele bateu as costas em uma árvore. E quanto ao maestro? Ele se transmutou e toda a plateia acabou “acordando para a vida”, literalmente.

Em volta do homem aparecia uma fumaça negra que transmutou todo seu corpo. Ele se transformou em um demônio. Rosto preto e olhos azuis. Usando uma peruca prateada com um chifre pontudo na testa. Também usava um roupão felpudo vermelho e suas ombreiras eram notas musicais. E suas pernas eram de cor verde água com o símbolo de uma folha. As pessoas, que antes estavam hipnotizadas, agora estavam aterrorizadas.

Eu sou Superior Music Demon. E vocês, humanos fracos e sóbrios, irão se render a ira de minha mais bela canção. Pois toquem, meus soldados, toquem. Toquem a música do pesadelo.

Superior Music Demon começou a liberar de suas ombreiras toques semelhantes a notas que se espalharam por todo o parque. Isso foi o estopim para chamar os Demons Commandos, ou os demônios que tem uma faquinha na mão, sacas? Eles atacavam as pessoas conforme a música tocava em seus corações corrompidos. Muitas pessoas estavam sendo mortas pelas criaturas que atacavam sem nenhum remorso. A bagunça era geral.

Guido, como policial treinado pegou sua arma e apontou direto para a cabeça do demônio principal, mas sua arma foi arrancada por um demônio e ele acabou sendo imobilizado pelas criaturas, se não fosse pelo pequeno protótipo do fantasma de Newton que batesse nas criaturas com muita intensidade com suas esferas de atração e reação. Isso quer dizer que Vran já estava em ação.

O fantasma foi em direção a ele juntando seu corpo com a armadura. Apocalipse havia aparecido. E agora estava esmurrando demônios com suas esferas de atração e reação. A esfera da mão direita reprimiu grande parte das criaturas as destruindo na hora e com a esfera da esquerda, jogou um campo gravitacional que as empurrou perto de Apocalipse para que ele finalmente pudesse destroçar aquelas criaturas. Apocalipse não teve pena e muito menos remorso deles.

Já Ricardo ficou sentado na árvore com muitas dores, até o espírito de Spectre aparecer para lhe socorrer.

Garoto Ricardo… precisamos ir.

— Claro Mercurial... — ele olha para o demônio principal e via seu poder de destruição e seu controle mental — Esse demônio é diferente dos outros.

Este é um superior. Ele é mais avançado que um demônio de classe dois ou até mesmo classe um. E tem os de classe Ultimate e os grandes, mas enfim, estou pronta para o que der e vier.

Ricardo levantou come dificuldade e pegou a eyecon de Spectre e apertou o botão. O corpo da fantasma logo se desmaterializou sendo um simples corpo celeste que dançava entre sua armadura. Abriu a fivela do cinto e colocou a eyecon onde o fantasma ligou-se ao seu corpo se transformando em Millennium.

Seus pulsos ganharam lâminas as quais ele desconhecia até então. Essas lâminas possuíam um brilho arroxeado e muito poder. Millennium colocou seus braços a frente do corpo e foi atingindo cada criatura que passava em seu caminho. A cada corte profundo que as lâminas davam, as criaturas eram reduzidas a nada. Por fim, passando pela aquela horda, Millennium puxou várias vezes a alavanca de seu cinto onde um símbolo de lâmina apareceu no globo ocular da fivela.

Seven Trumpets: Millennium

Omega Edge

As duas lâminas começaram a ganhar poderes mais fortes graças a uma energia roxa em formato de olho que se juntou a elas. Millennium correu duas vezes e com elas, fez as criaturas explodirem em uma estonteante sinfonia de sangue e explosões. Aquela horda acabou. Tinham mais criaturas que estavam fazendo uma enorme bagunça. Muitas pessoas conseguiram sair vivas de lá, mas outras, não tiveram sorte.

Muitos morreram. A maioria, eram os músicos. Os gritos e desespero se juntavam com a sinfonia demoníaca que Superior Music Demon tocava com suas ombreiras. Noah tentou se defender do ataque se escondendo atrás de uma árvore — que esconderijo excelente — mas naquele mesmo momento, os irmãos Grimm apareceram sem ser convidados e lhe dando um grande susto.

— Por Hashem! O que vocês estão fazendo aqui?

Ora te salvando… — Disse Jacob.

—… de sua própria destruição aparente. — Disse Wilheim.

— Ah, será que vocês dois não podem se juntar para que eu possa ajudar as pessoas? Pelo menos isso.

Mas que apressado você é. — Disse Jacob.

Tem que descansar um pouco. — Disse Wilheim.

— Vocês estão ouvindo as coisas que estão dizendo? Pessoas estão morrendo ali. Olha o banho de sangue. E vocês filosofando como dois malucos em meio a um fim do mundo. É melhor que se juntem, agora.

Os dois respiraram, e se juntaram formando uma entidade. Noah invocou o Mega V-Miles e pegou a eyecon dos irmãos e apertou o botão dela. Colocou no encaixe e apertou o botão ao lado. Depois apertou o botão do recipiente liberando a gota de energia no espaço vazio. A entidade dos irmãos agora só era um fantasma que se juntou a armadura, finalmente se tornando Verdes Miles.

Os demônios iam em sua direção e ele se revelou. Os ganchos em formato de caneta tinteiro saíram e atingiram um grande número de criaturas que explodiam no mesmo instante em que o gancho as tocava. V-Miles pegou seu rifle que na ponta tinha uma espécie de mão ligada ao gatilho. Ele colocou a eyecon na palma dessa mão e a fechou, assim concentrando um enorme poder junto da energia que os ganchos formavam.

Destroy the Demons!

The Seven Chalices: Verdes Miles

Mega-V FINISH!

A arma disparou uma rajada de energia que acabou destruindo todos os seres viventes daquele arredor. E isso sem V-Miles se mexer. Na verdade, a única vez que ele se mexeu foi na luta contra aquela criatura gigante que quase assassinou seus tios. E isso lhe preocupava demais.

Superior Music Demon percebeu que estava perdendo. Já não havia mais soldados para atacar ao comando de sua melodia horrenda. Então ele fez um ataque covarde aos únicos músicos que ainda restaram para tocar a sinfonia. E com um único ataque provido de suas ombreiras, todo o palco caiu aos pedaços. Ninguém que estava lá sobreviveu. Todos foram esmagados pelos escombros.

Apocalipse ficou revoltado e correu até o que sobrou do palco e atacou o demônio com ondas gravitacionais providas das esferas. E o demônio também fez seu campo de força com o som que vinha de suas ombreiras. A potencia foi muito poderosa que atingiu Apocalipse na hora e arrancando sua armadura. Vran rolou no chão onde o sangue de seus ferimentos se misturava com a areia.

Millennium ficou revoltado, mas não por Vran, mas pelos inocentes que foram mortos. Rapidamente ele trocou para a eyecon do Tesla e com seu rifle disparou uma forte intensidade, mas a criatura fez um campo de força com sua música e também o derrubou. Todo aquele raio voltou para seu corpo e a armadura foi retirada na hora e Ricardo, jogado no chão.

Os três que vieram com os nossos protagonistas para aquele show de horrores estavam escondidos atrás das cadeiras que estavam caídas no chão. Não era um bom esconderijo, mas era o único que eles tinham. Benjamin segurava com força a chupeta de Brenda para que ela não chorasse, Dylan estava assustado demais para fazer alguma coisa. Já presenciou o ataque dos demônios, mas não daquela escala. Mas Guido estava pronto para atirar naquela criatura até que foi alertado por Dylan.

— Não faça isso. — Disse — Você vai acabar atraindo a criatura para nós.

— E o que eu faço? Deixo ele matar um dos meus soldados? Não mesmo.

— Tem uma criança aqui. Um bebê. Se você atirar agora o demônio virá atrás de nós e vai nos matar, igual fez com essa gente e com os músicos que ficaram.

Guido recuou sua arma. Mas não aceitava tudo aquilo.

Por fim, Vran finalmente se mexeu após ficar alguns minutos desmaiado. E a primeira coisa que viu foi uma eyecon diferente. Cor cinza brilhante com um símbolo de notas musicais. Vran apertou o botão e um número seis foi estampado. Mesmo fraco, ele se levantou e invocou seu cinto, abriu a fivela, colocou a eyecon e fechou.

Um fantasma saiu do globo ocular. Sua aparência era de um fantasma com capuz alongado cinza e na frente do casaco teclas de piano. Seus olhos brilhantes também revelavam bastante coisa. Vran puxou a alavanca e o fantasma se uniu.

Seven Seals: The Greater Musician

Ludwig van Beethoven

Uma nova forma apareceu. Apocalipse fez uma pose apontando seus dedos para o céu. Seu corpo inteiramente brilhava. Seu capacete agora tinha a imagem de notas musicais sobre cordas de violino e a capa era teclas de piano assim como o fantasma. Mas Superior Music Demon não se deixou intimidar.

Mas veja só que gracinha. Um mero humano querendo desafiar os meus tons musicais. Pois mostre-me o que você pode fazer com essa roupagem ridícula, garoto.

O demônio então jogou uma carga musical negativa para Apocalipse que, literalmente, tocou as teclas do piano e uma melodia mais positiva saiu, destruindo toda aquela carga ruim. O demônio acabou ficando sem entender.

O que? Ninguém bloqueia a minha melodia.

E novamente jogou uma carga mais poderosa. Dançando Apocalpse imitou as técnicas de um maestro e fez sua energia musical destruir novamente a do demônio. A energia controlada por suas mãos atingiram o demônio que caiu do palco indo direto para o chão.

Bravo, amigo. — Disse Apocalipse.

E mexeu novamente suas mãos controlando a energia que acertou o demônio várias vezes até deixá-lo completamente fraco.

Bravíssimo. Bravíssimo. — então ele parou e olhou direto para a criatura — Agora, é o showtime!

Não! Meu som vive. O som do meu Mestre…

O som do seu mestre é o próprio inferno!

Mas esta é a nossa casa, ué. Vivemos no abismo do lago do fogo e enxofre…

— Você me entendeu, demônio.

Apocalipse puxou a alavanca de seu cinto onde apareceu o símbolo de notas musicais. E se mexendo e dançando como um maestro, ele orquestrava a destruição daquela criatura. E tocando a famosa Sinfonia de número 5 do músico, energias musicais pairavam nos céus e acalmavam as pessoas próximas. Como um grande maestro, Apocalipse controlava esse grande concerto. O demônio foi levado aos céus e as notas musicais deram conta de matá-lo lentamente.

Com movimentos rápidos das mãos Apocalipse começou a remover os membros da criatura e assim, acabando com ela por completo. E por fim, a sua música termina com as notas tocando algo suave. As pessoas que antes, estavam escondidas, agora viam com brilho nos olhos a dança das notas.

E no fim, todos aplaudiram e Apocalipse se curvou como agradecimento.

***

No final daquele espetáculo, todos já estavam cansados e Vran queria dormir, mas Guido não parava de conversar com o pessoal. Ele acabou ficando sozinho, olhando os paramédicos levarem os corpos das pessoas mortas para dentro de ambulâncias. E no meio daquela solidão — ou afastamento, assim pensava — Vran acabou encontrando uma pessoa que ele não via fazia muitos meses.

Gostei da sua sinfonia Vran Yagami. — Oroku fazia uma entrada triunfal, mas Vran não dava a mínima para ele — Uma música belíssima de um grande amigo meu.

— Beethoven é o seu amigo, é?

Claro. Todos os Greaters são meus amigos. E assim como eles, eu estou vigiando cada um de vocês. Finalmente, vocês três se encontraram. Mas mesmo assim… não é o suficiente para que mudem. Eu posso olhar em seus corações.

— Mudar? Do que está falando? Olha Oroku, você é um cara legal e tudo mais, mas caralho… se for para falar em símbolos o tempo todo é melhor que nem venha. Por favor, fale de um jeito direto para que eu possa entender. — Vran percebeu que Oroku segurava um livro que possuía uma capa dourada — Que livro é esse?

É o Livro da Vida. Neste livro contém todos os nomes das pessoas que devem vir para com o Senhor após o Espírito Santo perder as suas forças. E aí, a pessoa que você deseja tanto matar, aparecerá.

— Ah é? E quando vai ser isso?

Eu não sei. Pode ser hoje, amanhã, daqui há alguns dias, anos. Mas eu posso te dizer que será em breve.

— E meu nome esta aí?

Eu não sei.

— Você não sabe de nada, não é? Nunca sabe de nada. Você é inútil. Estou sentindo que toda essa maldita luta é inútil. E você, sempre bancando o isentão.

Eu só estou tentando fazer você mudar. Olhe o seu próprio comportamento. As pessoas estão se afastando de você. Não querem contato visual. Eu não falo isso porque quero o seu mal. Se eu realmente quisesse o seu mal, eu já teria feito.

— E como você sabe de tudo isso?

Eu já te disse. Eu sou um servo do Senhor. Um anjo dos Céus. Por isso mesmo que eu te digo, Vran Yagami: assim que Deus abrir este livro e revelar os nomes, aqueles que tiverem o seu nome escrito subirá aos céus. E quem ficar, vai ter que tentar sobreviver aos julgamentos que o Senhor colocará sobre a humanidade.

— Então é isso? Leva “os escolhidos” e deixa o resto para trás para morrer? Esse seu Deus é bom mesmo como dizem. — Vran disse a última frase em tom de ironia.

Não. O Senhor não tem o prazer na morte e no sofrimento de ninguém.

— Mas parece que tem porque pega alguns e deixa outros. Que lindo isso.

Você não entende. Leia as escrituras e veja por si só as coisas que virão. Aqueles que ficarão terão uma nova chance de mudar. Assim como eu estou tentando fazer com você.

— Então você sabe que eu estou condenado e que o meu nome não está lá. Que ótimo, viu?

Não coloque palavras na minha boca. Eu nunca disse que você está condenado. Como eu disse, eu não sei quais nomes estão escritos aqui. Eu só saberei quando realmente for aberto. E eu não tenho poder para isso. Mas… se você realmente quiser ter o nome aqui, mude suas atitudes. É o meu último aviso.

Pois eu dou o foda-se para seus avisos.

Vran bate no livro que Oroku segurava e o arranca de suas mãos. E ainda chutou o livro para longe, onde o mesmo atravessou a rua movimentada. Oroku não fez nada, não expressou nada. Raiva ou tristeza. Só ficou sério.

Bom você fez a sua escolha.

E virou-se indo embora pelo horizonte. Vran ficou ainda mais irritado. E ficou ainda mais irritado quando Ricardo e Benjamin estavam se aproximando.

— Está falando com quem? — Perguntou Ricardo.

— Com a sua mãe, aquela puta que eu comi ontem.

— Nossa, mas como você é educado. Vai me dizer que agora tem um “amigo imaginário”?

— Prefiro ter amigos imaginários do que acreditar em anjinhos tocando trombetas no céu.

— É melhor irmos embora Ben. O Vran não é alguém que podemos ser amigos.

Talvez Oroku realmente esteja certo, pensou Vran em suas últimas palavras antes de voltar para San Francisco.


Notas Finais


Parece que estamos caminhando para partes importantes hehe. Mas o que acharam? Comentem.
Muito obrigada por todos que comentaram.
Bjs coloridos da tia Raffy


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