1. Spirit Fanfics >
  2. Karate Kid - But Is Lawrusso >
  3. O Torneio

História Karate Kid - But Is Lawrusso - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


⚠️ Aviso importante nas Notas finais

Boa leitura :)

Capítulo 12 - O Torneio


 O dia do torneio finalmente havia chegado, o dia que os dois garotos mais temiam. Johnny teve que deixar a casa de Daniel por volta das 7h, o que era muito cedo para qualquer coisa. Ele ficou o máximo que pôde, trocando beijos sonolentos com Daniel e não querendo deixar o calor de seu abraço. Daniel o deixou protelar por cerca de vinte minutos, incapaz de resistir aos beijos suaves do outro garoto. Mas eles não poderiam ficar naquilo para sempre, infelizmente os dois tinham que se preparar para o torneio. Bem, pelo menos Johnny tinha.


Johnny estava um pouco atrasado quando chegou ao dojo. Kreese lançou-lhe um olhar reprovador quando ele entrou e o fez fazer 50 flexões extras com os nós dos dedos. Ele também os fez fazer alguns treinamentos de última hora antes do torneio, Johnny estava perdendo a concentração o tempo todo. Kreese não aceitaria nenhum tipo de falha. Ele queria que eles ganhassem e não importava como.


Daniel não precisou treinar cedo, economizando assim energia para o torneio. Quando chegou a hora, ele partiu para o torneio com Lucille, sem estar pronto para competir nem um pouco. Eles encontraram o Sr. Miyagi e Ali lá, este último estando lá como forma de apoio. Ela concordou em torcer por ele e por Johnny, e se os dois estivessem nas finais ela simplesmente não diria nada, já que agora era amiga dos dois e não queria desencorajar ambos.


Os quatro entraram no prédio, Lucille já indo para a arquibancada e os outros três indo para a recepção.


— Esta pronto? — Ali perguntou enquanto eles estavam na fila, percebendo que Daniel estava distraído. Seus lábios estavam entreabertos e seus olhos vidrados enquanto ele estava parado ali, perdido no espaço, preocupado com Johnny, preocupado com o resultado do torneio, preocupado com tudo o que tinha a ver com hoje.


— Eu acho que sim. — Ele não tinha certeza se algum dia estaria pronto. Lutar no torneio era estressante por si só, mas a possibilidade de que ele tivesse que lutar contra Johnny? Era fodidamente aterrorizante. Especialmente considerando o fato de que todos estariam assistindo.


Daniel gostaria de poder diminuir o tempo, mas parecia que era o oposto do que realmente estava acontecendo. O tempo não parava de passar, e a próxima coisa que ele percebeu foi que estava parado no meio do vestiário, se preparando na velocidade de uma lesma, seus movimentos ficando mais lentos enquanto ele pensava mais no dia de hoje.


Ele agradeceu às estrelas que ninguém mais estava aqui, especificamente os Cobras. Ele não estava com vontade de ter que lidar com eles agora. Daniel sabia que teria que lutar contra vários deles no torneio, e isso não teria sido um problema, se não fosse por Dutch, que se divertia importunando-o sempre que podia. Os olhos de corça esperavam que eles já tivessem entrado aqui e ele não tivesse que lidar com eles.


Mas é claro que as coisas não funcionavam dessa maneira. Daniel se virou para ver Dutch, Bobby, Jimmy e Tommy entrando, já prontos para o torneio. Dutch com seu sorriso irritante de sempre, Jimmy e Tommy tinham expressões ilegíveis e Bobby parecia desconfortável. Daniel fez uma careta ao ver Dutch e se virou, tentando ignorá-lo.


— Bem, bem, bem, vejam quem temos aqui, rapazes. Nossa amiguinha Danielle. — Provocou Dutch. Nunca falhava, ele aproveitava todas as chances que tinha para irritar Daniel. Para si era uma coisa revigorante a fazer.


— Deixa ele, Dutch. — Bobby retrucou, ele não estava com vontade de ter que lidar com Dutch hoje. Ele estava cansado de sempre brigar com quem podia, às vezes até começando algo com alguém que tanto olhava para ele do jeito errado.


— Quem falou com você, Bobby? — Dutch o ignorou, aproximando-se de Daniel, que fingia não estar ouvindo nada. Ele não se sentia mais intimidado por ele. Ele poderia soca-lo se quisesse. E sem falar que se Johnny estivesse aqui, eles o socariam juntos.


— Qual é o problema Danielle, a mamãe não está aqui para vestir você? — Dutch não gostou do fato de não estar recebendo nenhuma reação de Daniel. O objetivo era ele ir encher o saco dele antes do torneio, irritá-lo e bagunçar um pouco o jogo. Não estava funcionando.


Daniel continuou ignorando Dutch, só o deixando mais furioso. Nenhum deles percebeu que Johnny acabara de entrar na sala e agora estava encostado na parede e observando a provocação, erguendo uma sobrancelha. Os outros três meninos o olharam com cautela, sabendo que a qualquer momento em que ele e Dutch estivessem na mesma sala em que ele lutaria, Johnny acabaria ganhando. Principalmente porque ele o socaria com mais força se a luta fosse sobre Daniel, o que geralmente era. Dutch simplesmente não conseguia deixar isso pra lá. Johnny ficou tenso ao observar Dutch se aproximar de Daniel, preparando-se para intervir a qualquer momento.


— Ei, estou falando com você, punk! — Dutch gritou enquanto empurrava Daniel com força. Daniel se controlou e assumiu uma postura de combate, pronto para socar Dutch bem no rosto. Mas Johnny chegou antes dele, avançando contra eles no segundo em que Dutch colocou as mãos em Daniel. Ele sabia que Daniel poderia cuidar de si mesmo, mas ele estava muito irritado para se impedir de agarrar Dutch e jogá-lo para longe de Daniel.


— Não. Toque. Nele. — Johnny gritou enquanto batia Dutch contra os armários. Daniel cruzou os braços e olhou para os dois, sorrindo arrogantemente para Dutch. Às vezes, ele sentia que Johnny poderia ser seu guarda-costas pessoal, embora não precisasse de um. Era sempre fofo ver Johnny tentando protegê-lo, e com certeza era divertido ver Dutch ser empurrado.


— Eu não estou com medo de você, seu idiota — Dutch zombou, tentando se livrar das garras de Johnny, mas não teve sorte. Johnny estava prestes a lhe ensinar outra lição sobre o que ele faria se continuasse mexendo com Daniel, erguendo o punho e segurando-o a centímetros do rosto de Dutch, mas um árbitro entrou e os interrompeu sem lhe dar chance.


— EI! Isso é o suficiente, você quer ser desqualificado? Saia daqui! — O árbitro gritou, puxando Johnny de cima de Dutch e expulsando os outros meninos da sala.


— Com pontos ou sem. Vocês são carne morta. Vocês dois. — Dutch olhou para eles enquanto o árbitro o conduzia para fora da sala. Johnny ficou para trás, empurrando Dutch enquanto ele saía.


— Não tenho medo daquele idiota. — Johnny comentou enquanto se virava para encarar Daniel, que estava sorrindo levemente para ele. Esta seria a última conversa que eles teriam antes de o show de horrores começar.


— Eu sei. Nem eu. — Daniel fez uma pausa depois de dizer isso, sem saber mais o que dizer. Johnny suspirou e se aproximou dele, olhando em volta para se certificar de que ninguém mais estava aqui. Ele não ia tentar nada, não aqui, mas ele ainda queria ter certeza de que ninguém estava ouvindo, apenas no caso de algo acontecer.


— Aconteça o que acontecer, lembre-se de que isso não mudará o que existe entre nós. Não estou deixando que coloquem coisas na minha cabeça. — Johnny sabia que Kreese tentaria botar coisas em sua mente. Ele sabia das coisas que seu sensei era capaz, e nenhuma delas era boa. O homem o corrompeu, transformando-o em algo que ele nunca quis ser. Johnny não era mais aquele cara, ele não queria ser, mas às vezes ainda se preocupava que Kreese o fizesse voltar àquilo. Zangado, infeliz, um valentão. Alguém com quem Daniel não gostaria de estar.


Daniel sabia que Kreese não conseguiria entrar na cabeça de Johnny, nãode novo. Johnny mudou no momento em que Daniel entrou em sua vida. E isso foi o suficiente para Daniel confiar que ele não iria ouvi-los, ele não iria voltar a ser a pessoa que era antes.


— Eu sei. Eu confio em você. — Daniel sorriu suavemente para ele, os olhos castanhos cheios de afeto. Johnny não conseguiu resistir mais a ele e avançou, envolvendo os braços em volta de Daniel. Daniel o abraçou de volta, o mais forte que pôde. Johnny enterrou o rosto no cabelo de Daniel, segurando-o com força e respirando seu cheiro familiar. Ele não queria desistir. Ele desejava que tudo isso acabasse e eles pudessem simplesmente terminar o ano juntos.


— Johnny? Devemos nos encontrar com os outros caras... — Bobby disse da porta. Johnny ficou feliz por ter sido ele a ter entrado, e não os outros. Isso não teria terminado bem. Eles já suspeitavam que havia algo mais do que amizade entre ele e Daniel, eles se faziam de idiotas, mas não eram completamente.


— Vejo você durante o torneio, bebê. Boa sorte. — Johnny quebrou o abraço, para grande decepção de ambos. Normalmente, quando ele desejava boa sorte para alguém, ele não queria dizer isso, sendo a pessoa competitiva que era, mas desta vez era diferente, ele realmente quis dizer isso, porque era Daniel. E, provavelmente, ele teria que lutar contra Dutch, e isso poderia acabar violentamente.


— Boa sorte para você também. Você vai precisar. — Daniel piscou para Johnny enquanto seguia Bobby para fora da sala, o loiro revirando os olhos de brincadeira e sorrindo até sumir de vista. Daniel saiu da sala alguns minutos depois, sem saber se ele estava pronto para isso. Não importava se ele estava ou não, ele ainda teria que ir em frente com isso. Não havia saída.


~🏯


Quando Daniel voltou a se encontrar com Ali e Miyagi, ele não esperava que ele fosse faixa-preta. Foi estranho, já que o Sr. Miyagi sempre disse a ele que caratê de verdade não tinha cintos, mas ele achou que precisava de um para o torneio. Ele não questionou de onde eles o tiraram.


Os três haviam chegado à parte principal do torneio, onde todos estavam. Daniel engoliu em seco ao ver todas as pessoas, essa multidão não era nada comparada aos jogos de futebol que ele jogou em Newark.


O adolescente de cabelos escuros olhou ao redor enquanto eles caminhavam para onde deveriam estar, ainda não sendo capaz de ver Johnny. Isso foi até que ele ouviu as palavras 'Cobra Kai' sendo cantadas novamente enquanto o grupo de meninos corria para a sala.


Eles passaram correndo por Daniel, e é claro que Dutch teve que ser um idiota e empurrá-lo no caminho. Daniel podia ver o olhar odioso que Johnny estava dando a Dutch por trás, neste momento ele percebeu que Dutch estava fazendo isso apenas para irritar Johnny.


— Vê se crescer — Johnny sibilou enquanto empurrava Dutch por trás, sentindo-se enjoado e cansado dele. Dutch quase se virou e o abordou, mas desistiu porque queria lutar no torneio. Johnny lançou a Daniel um olhar de desculpas pelo comportamento de Dutch, culpando-se por Dutch incomodá-lo. Daniel apenas balançou a cabeça, ele não culpava Johnny de forma alguma. Era Dutch quem estava sendo um idiota sem motivo.


— Eles são tão idiotas. Te vejo depois do torneio, ok? — Daniel esqueceu que Ali ainda estava ali com eles. Ela deu um tapinha no ombro dele de forma amigável antes de sair correndo para ficar com Lucille. Daniel não sabia mais o que fazer. O torneio começaria em breve e ele estava temendo ainda mais a cada segundo que passava.


Ele olhou através da sala para ver Johnny parado com os outros Cobras, parecendo que preferia estar em qualquer outro lugar. Kreese estava repreendendo-os novamente, praticamente gritando com eles sobre como seriam perdedores se perdessem. Johnny tentou não ouvi-lo, tentou não deixar Kreese entrar em sua mente. Ele desviou o olhar dele e fixou os olhos em Daniel, focando em seus lindos olhos de cervo, em vez dos insultos que Kreese estava jogando contra eles.


Cerca de dez minutos depois, o árbitro fez as apresentações e o torneio começou. A próxima coisa que Daniel percebeu, ele estava enfrentando um cara de outro dojo. Como tudo estava acontecendo tão rápido?


Johnny observou Daniel e o outro cara começarem, admirando a maneira como Daniel se movia a cada golpe. Ele nunca deixava de excitar Johnny, não importava o que estivesse fazendo. Daniel foi capaz de vencer o outro cara com alguns movimentos rápidos, a multidão torcendo por ele. Johnny também queria torcer por ele, mas não conseguiu. Kreese estava parado ao lado dele e os outros caras estavam espalhados ao seu redor, e ele sabia que nenhum deles gostaria que ele fizesse isso. Então ele tinha apenas um sorriso quase invisível no rosto, fazendo contato visual com Daniel quando ele saiu do tatame. Daniel sorriu de volta para ele, discretamente para que ninguém notasse.


O próximo a subir foi Bobby, que venceu facilmente seu oponente. Ele parecia um pouco nervoso, provavelmente por causa de toda a pressão que Kreese estava colocando sobre eles. De todos os Cobras, Bobby e Johnny eram os dois que geralmente terminavam nas finais, junto com Dutch se ele não trapaceasse. Digamos que Kreese fazia questão de colocar pressão extra sobre eles.


Johnny foi o próximo, vencendo rapidamente o cara contra o qual estava lutando. Ele podia sentir Daniel observando cada movimento seu, o que realmente o encorajou. Daniel estava obviamente checando ele. Johnny deu uma rápida olhada por cima do ombro para o adolescente com olhos de corça, seu sorriso habitual presente em seu rosto.


Daniel teve que ir contra outro Cobra depois disso. Johnny sabia que provavelmente seria ruim torcer contra seu próprio companheiro de equipe, mas percebeu que queria que Daniel vencesse. Ele nem estava pensando no que aconteceria se ele e Daniel chegassem às finais. Ou talvez ele simplesmente não estivesse preocupado, já que era apenas o início do torneio. Daniel tinha alguns movimentos muito bons, no entanto.


A próxima rodada foi Jimmy contra outro cara aleatório, e Jimmy perdeu a partida. Johnny teve que ir no lugar dele, podendo bater em seu oponente sem nenhum esforço. Daniel sorriu quando Johnny ganhou, o loiro parecia ainda mais adorável quando estava determinado.


Daniel foi o próximo, sendo expulso para a margem por um dos Cobras. Outro Cobra foi o próximo e ele perdeu, seguido por Bobby, que também foi chutado para o lado. Bobby acabou batendo nele, e Johnny percebeu que ele estava tentando não seguir o que Kreese lhe ensinou. Quase o fez, mas felizmente se deteve. Era difícil para eles manter o autocontrole durante os torneios, principalmente por causa do que Kreese havia ensinado. Sem piedade.


Depois disso, foi Daniel contra Tommy, e agora Johnny estava começando a ficar nervoso porque sabia que eles não gostavam um do outro. Tommy não era tão violento quanto Dutch, mas ainda não gostava de Daniel por fazer de Johnny um 'molenga'. No final, Daniel venceu a partida, deixando Tommy xingando enquanto voltava para o resto dos Cobras.


Adivinha quem seria o próximo adversário de Daniel? Dutch, é claro. Ele pareceu um pouco preocupado quando viu o que Daniel poderia fazer, mas não ia deixar que isso o impedisse. Johnny não pôde evitar o sorriso malicioso que se formou por causa de como Dutch parecia nervoso.


— Espero que você perca, seu idiota de merda. — Johnny resmungou de modo que apenas Dutch pudesse ouvi-lo. Mais uma vez, ele sabia que era ruim dizer isso ao seu companheiro de equipe, mas quando se tratava de Dutch, Johnny não se importava muito. O cara era um idiota e Johnny esperava que ele perdesse. Dutch olhou para ele com uma expressão desconcertada no rosto. Então era isso, o cara que ele considerava um de seus melhores amigos, torcendo contra ele? E por quê, por causa de um garoto fracote que estava apaixonado? A ideia deixou Dutch puto.


— Vai se fuder. — Dutch rosnou, passando por Johnny e indo para o tatame. Ele tinha um sorriso de merda no rosto, como sempre fazia quando estava prestes a fazer algo ruim. Johnny estava realmente começando a ficar nervoso agora, cravando as unhas no braço e mordendo o interior da mandíbula. Dutch gostava de jogar sujo, e quando se tratava de alguém que ele odiava, as coisas podiam ficar feias rapidamente.


Dutch acertou Daniel com o primeiro golpe, chutando-o no rosto. Johnny estremeceu a princípio, mas então percebeu que aquele chute não teve nenhum esforço. Johnny já havia levado um chute no rosto de Dutch antes, e parecia mais poderoso do que isso (nada era mais poderoso do que aquele maldito chute de guindaste). E Johnny sabia que Daniel era duro e ele voltaria facilmente com algo muito pior. Johnny estava feliz por Dutch estar subestimando-o, sua própria arrogância o faria perder. Daniel acabou conseguindo o segundo ponto fazendo a mesma jogada e chutando Dutch na cara, com a diferença dessa vez ter sido dez vezes maior. Kreese desviou o olhar naquele ponto, provavelmente planejando mais tarde degradar o Dutch por ser um "fracasso". Johnny continuou observando, no entanto, querendo ver Dutch receber o que ele merecia. Johnny sorriu para si mesmo quando Daniel ganhou, vendo seu lindo rosto de bebê se iluminar de orgulho. Ele também se divertiu em ouvir os sons de irritação de Dutch enquanto passava pelos outros Cobras e saía da sala.


Johnny percebeu que eles estavam agora nas finais. Eram ele, Bobby, Darryl e Daniel. Johnny realmente odiava aquele cara, Darryl, já que ele o venceu em seu primeiro torneio, o que resultou nele sendo cruelmente sendo repreendido por Kreese e até por Sid, que sempre tinha uma ou duas coisas a dizer quando Johnny falhava em alguma coisa. Claro que Johnny o havia derrotado nos dois últimos torneios, mas ele ainda guardava rancor.


O loiro pensou que essa era a maior parte de suas preocupações, até que ele desviou seu foco de Darryl e percebeu que ele e Daniel haviam chegado à final. Ele podia sentir seus nervos sendo baleados, sabendo que aquele poderia ser o momento em que eles teriam que lutar um contra o outro.


Felizmente, Johnny foi escalado para Darryl, o que significa que Daniel e Bobby teriam que ser os únicos que lutariam. Johnny não sabia o que queria que acontecesse a essa altura, tudo o que sabia era que não queria lutar com Daniel se os dois chegassem à final do absoluto, mas também não queria torcer contra Bobby. Então, ele deixou seus sentimentos conflitantes se transformarem em raiva ao encontrar Darryl no tatame.


Desnecessário dizer que Johnny foi ainda mais duro com ele, não permitindo que Darryl conseguisse um único ponto. Daniel observou enquanto Johnny lutava implacavelmente com ele, um pouco preocupado com a sua raiva. Ele não gostava de ver Johnny assim, nem um pouco. O olhar em seus olhos era meio assustador.


Depois de vencer, Johnny não teve a sensação de vitória que costumava ter depois de vencer Darryl. Em vez disso, ele estava preocupado com o que aconteceria quando Daniel e Bobby lutassem. O olhar em seus olhos mudou de pura raiva para medo, alarmando Daniel, que continuou a observá-lo do lado de fora. Ele não conseguia imaginar como o outro garoto deveria se sentir agora, a pressão que ele deveria estar sentindo. Ele só queria afastá-lo de tudo, mas não podia chegar perto dele agora, era muito perigoso.


Bobby deu a Johnny um olhar tranquilizador, informando-o de que ele jogaria limpo. Johnny se sentiu melhor sabendo que os dois jogariam limpo e quem ganhasse seria exatamente isso. Se Bobby podia ver assim, Johnny também podia. Ele se sentiu calmo pela primeira vez desde o início do torneio.


Isso foi, até Kreese falar, deixando Johnny ainda mais temeroso do que antes.


—Bobby. Eu o quero fora de serviço. — Kreese disse severamente, assim que Bobby começou a se levantar. Johnny olhou para Kreese como se ele tivesse duas cabeças e Bobby parecia horrorizado. Fora de serviço significava ferir alguém a ponto de não poder lutar. E, neste caso, Kreese provavelmente estava se referindo a alguma forma de machucar a perna ou o joelho de Daniel, embora qualquer coisa abaixo da cintura fosse ilegal. Johnny ficou tenso só de pensar nisso. Ele queria gritar com Kreese sobre a terrível ideia que era, mas ele sabia que era melhor não fazer isso.


— Mas, sensei, posso vencê-lo… — Bobby tentou argumentar, mas isso não adiantava quando se tratava de Kreese, ele era manipulador e intimidador. Johnny estava ficando cada vez mais ansioso a cada minuto. Ele estava apavorado pensando no que iria acontecer.


— Não estou dizendo para espancalo. — Kreese respondeu, aquele olhar sarcástico no rosto que ele sempre tinha se destacando mais do que nunca. Johnny podia sentir seu coração batendo mais rápido, olhando freneticamente para Kreese e Bobby enquanto eles discutiam. Isso não poderia estar acontecendo. O fato de Kreese querer apenas que Bobby machucasse Daniel sem bater nele já era ruim o suficiente, mas o fato de que não havia nada que qualquer um deles pudesse fazer a respeito era pior, porque tinham que ter tanto medo de Kreese?


— Eu serei desclassificado! — Bobby estava tentando fazer o que pudesse para evitar isso. Ele sabia que se não machucasse seriamente Daniel de propósito, Kreese iria bater nele e ele seria banido do dojo. E ninguém queria sofrer uma das surras de Kreese. Todos os Cobras tiveram que que sofrer isso em um ponto ou outro, e não era divertido. Era como ser admitido em uma gangue, brutal e injusta e você mal conseguia se levantar depois.


— Fora de comissão. —  Johnny sentia que sua respiração estava mais pesada e parecia que estava tremendo. Não havia espaço para discussão. Bobby lançou a Johnny um olhar de desculpas antes de se levantar e pisar no chão. Ele realmente iria fazer isso. Daniel enviou a Johnny um olhar que perguntava 'o que está acontecendo?', Mas Johnny desviou o olhar, não sendo capaz de olhar nos olhos de corça de Daniel.


Johnny não sabia o que fazer. Era exatamente disso que ele estava falando, exatamente do que ele estava com medo todo esse tempo. Kreese estava mais uma vez jogando sujo para conseguir o que queria, mas essa foi provavelmente uma das piores coisas que ele já fez alguém fazer. Johnny não queria assistir isso. Ele não queria ficar lá e assistir seu namorado ficar gravemente ferido, sendo incapaz de fazer nada a respeito. Era disso que ele estava tentando proteger Daniel. Ele não podia deixar isso acontecer. Ele não deixaria isso acontecer.


O loiro olhou de volta para Daniel, que agora estava olhando para o árbitro enquanto eles se curvavam para ele. Johnny sentiu-se tremer violentamente, sabendo que aquela confusão estava para começar. Este torneio era um desastre e Johnny não queria mais fazer parte dele. A única razão de ele ter participado disso foi para que pudesse vencer com honra e se sentir bem consigo mesmo pela primeira vez. Mas isso era o oposto do que ele estava sentindo agora, ele se sentia inútil. Ele tinha que parar. Johnny começou a dar um passo à frente para ir em direção ao tapete, querendo agarrar Daniel e tirá-lo dali, longe de todos os seus problemas, longe de Kreese.


— Onde você pensa que está indo? — Kreese agarrou Johnny pela frente do kimono, parando-o no meio do caminho. Johnny olhou para seu sensei, fazendo o possível para esconder o medo em seus olhos, porque todos sabiam o que Kreese pensava sobre o medo. Kreese o soltou e o empurrou, semicerrando os olhos para ele antes de voltar para a partida que estava para acontecer diante deles. Johnny não conseguia se mover.


Johnny mordeu o lábio nervosamente e olhou para o tapete, onde Bobby e Daniel estavam prestes a se enfrentar. Daniel parecia tão inocente, não tendo ideia do que estava acontecendo com ele. E Bobby?

Bobby parecia querer estar em qualquer lugar, menos ali. Ele não queria fazer isso, queria lutar com honra e dignidade, mas estava sendo forçado a fazer algo que ia contra tudo em que ele acreditava.


Johnny olhou de volta para Kreese, querendo tirar a expressão presunçosa de seu rosto. Johnny não conseguia acreditar que ele estava dizendo isso, mas estava realmente começando a desprezar o homem que uma vez viu como uma figura paterna. Ele nunca soube que se juntar ao Cobra Kai e seguir seus ensinamentos causaria tantos problemas no futuro. Johnny se arrependeu de ter se juntado a eles.


Bobby e Daniel entraram em suas posições de luta, e Bobby já estava se sentindo realmente culpado pelo que estava prestes a fazer. O árbitro disse para começar, e Johnny percebeu que Bobby hesitou por um momento. Ele parecia prestes a chorar com o que Kreese o estava obrigando a fazer. Johnny observou Bobby pular no ar e chutar Daniel embaixo das pernas, querendo desviar os olhos, sentindo-se congelado no lugar. Johnny estremeceu quando Daniel gritou de dor, segurando a perna enquanto estava deitado no chão, sem ser capaz de se levantar. O loiro sentiu como se estivesse prestes a desmaiar de quão petrificado estava com o que acabou de ver. Essa era a última coisa que ele queria que acontecesse.


— Daniel, sinto muito! Eu sinto muito! Eu não queria fazer isso, me desculpe! — Bobby exclamou enquanto se ajoelhava ao lado de Daniel, examinando o olhar de extrema dor do outro garoto. Ele se arrependeu do que acabou de fazer, ele realmente sentia muito. Ele nunca quis machucar ninguém. Ele continuou se desculpando até que sentiu o árbitro agarrá-lo e puxá-lo para longe, levando-o para fora do ginásio. Foi quando Bobby considerou deixar Cobra Kai. Ele deveria ter feito isso há muito tempo.


— Desqualificado! — Johnny estava em pânico. Já que Bobby havia sido desqualificado, isso significava que ele teria que lutar contra Daniel no próximo round enquanto ele tinha uma possível perna quebrada. Johnny não conseguia respirar enquanto observava Daniel ser colocado em uma transportadora e carregado para o vestiário, seu grito de dor ecoando em sua cabeça.


O treinador anunciou que Daniel tinha quinze minutos para decidir se ainda queria lutar e, caso contrário, Johnny seria o campeão pelo terceiro ano consecutivo. Kreese parecia satisfeito, mas Johnny parecia perturbado. Ele não se importava em vencer. Ele se importava com Daniel. Ele precisava saber se ele estava bem.


Johnny não aguentou. Ele correu atrás de Daniel, ignorando Kreese gritando com ele, protestando contra sua saída, mas Johnny não iria deixar aquele homem impedi-lo de se certificar de que Daniel estava bem.


~🏯


Johnny os seguiu até o vestiário, tentando ir para o banco em que estava descansando, mas foi bloqueado por um dos caras que estava trabalhando no torneio.


— Você não está com o dojo que fez isso com ele? — O cara perguntou, havia desprezo em sua voz. Johnny olhou para ele e viu o Sr. Miyagi, Ali e Lucille olhando para ele, embora ele não pudesse ler a expressão em seus rostos. Ele não podia ver Daniel, mas ele estava pronto para nocautear esse cara se fosse necessário.


— Não... não, deixe-o entrar… — Ele ouviu uma voz resmungar, sabendo imediatamente que era Daniel. Ele passou pelo árbitro, correndo para o lado da mesa e olhando para o namorado.


Daniel parecia estar realmente com dor. Ele estava tremendo suavemente, estremecendo de dor. Johnny não suportava vê-lo assim, ele ficaria com o maior prazer em seu lugar. Era como se seu pior medo tivesse acabado de se tornar realidade. Johnny podia sentir que todos olhavam para ele, então ele desviou o olhar de Daniel e de volta para Lucille e Ali, que pareciam tristes e desapontados, e para o Sr. Miyagi, que parecia preocupado com Daniel, mas além disso ele não demonstrou emoções. Lucille e Ali estavam com raiva dele por causa disso? Johnny não o culpava se estivessem. Ele se culpou por ter arrastado Daniel para essa confusão. Se ele não tivesse saído tanto com ele, se ele não tivesse lutado com Dutch para defendê-lo tantas vezes, se ele não tivesse se apaixonado por ele, isso nunca teria acontecido.


— Eu sinto muito. Eu juro que não tive nada a ver com isso. — Seus olhares se suavizaram. Eles sabiam que não poderia ser culpa dele, embora pudessem perceber que ele pensava que era.


— Vamos dar a vocês dois um tempo sozinhos… — Lucille disse, gesticulando para que Ali e o Sr. Miyagi a seguissem para fora da sala. No segundo em que eles se foram, Johnny se ajoelhou ao lado de Daniel, colocando a mão em sua testa.


— Baby... eu sinto muito. A culpa é minha... — a voz de Johnny falhou enquanto ele passava a mão pelo cabelo escuro e macio de Daniel. Ele se sentia horrível. Daniel não o culpava por nada disso, era culpa de Kreese, de mais ninguém.


— Não é sua culpa, bebê. E diga a Bobby que também não estou bravo com ele. Eu sei que é Kreese fazendo vocês jogarem sujo. — Daniel finalmente entendeu a extensão do que Johnny estava falando quando disse que Kreese era um cara muito, muito mau (o que era um eufemismo). Agora ele sabia completamente a verdade sobre por que Johnny estava sempre tentando protegê-lo e por que ficava tenso sempre que Daniel aparecia na visão de Kreese. Ele entendia por que Johnny fazia tudo o que ele fazia e por que tinha tanto medo dele. O homem era uma má pessoa. Ele não conseguia imaginar o que Johnny já tinha passado com ele.


— Eu não posso lutar com você assim. Eu não vou. — Johnny simplesmente não faria isso. Ele sabia que possivelmente levaria uma surra, provavelmente ruim o suficiente a ponto de não conseguir andar, mas esse era um risco que ele estava disposto a correr. Ele não podia lutar contra Daniel, não enquanto ele estava machucado assim. Ele não queria machucá-lo mais.


— Você tem que lutar, John. — Daniel suspirou, estendendo a mão para que pudesse descansar na bochecha de Johnny. Ele não queria que Johnny sofresse por causa dele. Ele arriscaria que sua perna ficasse ainda mais danificada, desde que protegesse Johnny. Ele faria qualquer coisa por ele, na verdade, Daniel estava convencido de que ele morreria por Johnny. (Eles morreriam um pelo outro, eles realmente morreriam).


— Não. Eu odeio ver você com dor e não quero machucá-la ainda mais. — Johnny teve vontade de chorar só de pensar em machucar Daniel de alguma forma. Lutar com ele neste estado seria demais para ele aguentar. Ele não achava que poderia fisicamente fazer isso.


— Então não faça. Esse foi um chute ilegal. Se você não tocar na minha perna, ficarei bem, baby. — Isso ainda não era o suficiente para tranquilizar Johnny. O loiro não tinha certeza se faria algo.


— Danny… — Johnny parou de falar enquanto Daniel continuava acariciando sua bochecha, o toque do garoto moreno normalmente poderia acalmá-lo, mas não estava funcionando dessa vez. Daniel podia sentir Johnny tremendo contra sua bochecha, tremendo de medo.


—Por favor, Johnny. Temos que fazer isso. Essa merda está doendo pra caralho, mas eu consigo. — Daniel realmente não achava que pudesse fazer isso, sua perna estava doendo muito, mas ele tentaria pelo bem de Johnny. Johnny era mais importante para ele do que seu próprio bem-estar. Mas era o mesmo para Johnny, que era tão teimoso quanto ele.


— Eu sei que você pode. Eu só... eu só não quero machucar você.


— Você não vai. — Daniel declarou, puxando rapidamente a mão do rosto de Johnny quando o cara de antes entrou de volta. Johnny suspirou, sabendo que não havia nada que pudesse fazer para convencer Daniel. Ele apenas teria que fazer isso, ele provavelmente acabaria pegando leve com ele por causa de sua perna, mas independentemente disso, eles teriam que lutar.


— Vamos, Lawrence. LaRusso, você acha que pode lutar? — O cara teve que praticamente arrastar Johnny de volta para fora, empurrando-o para fora do vestiário e de volta para o tapete. Johnny voltou a olhar para Daniel, uma expressão suplicante em seus olhos azuis. Não faça isso, ele pensou, não me faça lutar com você.


— Sim eu posso. — Era isso. Não haveria como sair disso.


~🏯


Demorou mais alguns minutos para Daniel voltar ao tatame, mancando enquanto tentava sair. Johnny já estava esperando no tatame, encolhendo-se ao ver que estava mancando. A última coisa que ele queria fazer era piorar as coisas.


— Tudo bem, chegamos às finais. A luta pelo título determinará quem será o próximo campeão. Daniel LaRusso, do Miyagi-Do Karate contra John Lawrence, do Cobra Kai.


Daniel mancou até o tapete, parando alguns metros à frente de Johnny. O loiro olhou para seu namorado nervosamente enquanto eles  lentamente se viravam para o árbitro, curvando-se para ele antes de se voltarem um para o outro. Eles se olhavam intensamente nos olhos enquanto se curvavam. O ambiente estava tenso. Johnny parecia apavorado, e Daniel parecia que estava com dor. Era isso. Eles teriam que lutar, apesar das circunstâncias.


Get him a body bag! Yeah!— Johnny revirou os olhos para Tommy, que sempre tinha algo incomum a dizer. Normalmente ele acharia engraçado, mas não quando estava prestes a ir contra o namorado. Ele odiava tudo sobre hoje. Ele queria que tudo acabasse.


Johnny e Daniel assumiram suas posições de combate, sem quebrar o contato visual. O árbitro apitou, sinalizando que a partida estava em andamento.


— Desculpe. — Johnny murmurou enquanto ia em direção a Daniel, mirando o mais alto que podia e tentando acertá-lo em qualquer lugar acima da cintura. Ele não estava chegando perto da perna.


Mas Johnny estava distraído, seu jogo estava interrompido e Daniel foi capaz de bloquear cada rebatida. Johnny sabia que mais tarde ouviria de Kreese sobre seus chutes "fracos", mas não iria machucar Daniel deliberadamente. Ele disse que faria o melhor, mas isso antes dele machucar a perna. Se ele fosse ser forçado a lutar, então ele não lutaria como normalmente faria, cheio de força. Sem chance.


Daniel sentia que estava tropeçando em todos os lugares, mesmo enquanto bloqueava os golpes de meia-boca de Johnny, embora seus movimentos fossem difíceis de controlar. Os dois acabaram na beirada do tatame e Daniel tentou acertá-lo, mas ele escorregou e acabou o acertando com muita força, fazendo Johnny quase cair. Daniel acabou entendendo esse ponto, enviando a Johnny um olhar de desculpas enquanto eles voltavam às suas posições originais. Ele não queria bater nele com tanta força. Johnny apenas deu de ombros, sabendo que não conseguia controlar a força com que estava batendo porque estava literalmente tropeçando.


Daniel entendeu o próximo ponto também, derrubando Johnny com força e caindo ao lado dele com o braço estendido, fazendo com que o loiro batesse com a cabeça no chão. Daniel estremeceu ao se levantar, sentindo outra pontada de culpa ao ver Johnny tentando se levantar do chão. Johnny lutou ao se levantar, levando a mão ao rosto e sentindo o sangue sob o nariz. Seu nariz estava sangrando e doía muito. Daniel se sentiu ainda pior quando viu o sangue, desejando poder correr até ele e cobri-lo de afeto para realmente se desculpar. Mas ele não podia fazer isso, Johnny não gostaria que ele fizesse isso na frente de todos. Daniel gostaria de nunca ter entrado nessa situação idiota de torneio.


— Eu sinto muito. — Daniel murmurou enquanto Johnny se sentava, limpando o sangue do nariz. Se fosse qualquer outra pessoa além de Daniel, Johnny provavelmente teria se levantado e dado a eles um sangramento no nariz ainda pior em troca, mas ele não faria isso. Não com Daniel.


—Tempo, vá para o seu sensei. — Johnny se levantou e olhou para Daniel, percebendo que os olhos do outro garoto estavam cheios de culpa e arrependimento. Johnny apenas balançou a cabeça para ele, fingindo que a dor não era tão forte quanto parecia, não querendo fazê-lo se sentir ainda mais terrível. Ele não estava bravo, ele sabia que era um acidente. Ele já tinha sido atingido pior do que isso antes, de qualquer maneira.


Johnny foi até Kreese, esperando uma palestra. Seu sensei examinou seu rosto e Johnny teve vontade de se afastar dele, mas sabia o que aconteceria se fizesse isso. Kreese olhou para seu 'melhor aluno', começando a entender tudo, embora não tivesse certeza se estava certo ou não. Ele percebeu pelos movimentos de Johnny que não queria machucar Daniel e descobriu que o motivo pelo qual Dutch e Johnny brigavam tanto era por causa dele também. Sempre que Daniel estava na sala, Johnny parecia distraído e Kreese não gostava disso. E ele sabia exatamente o que faria para acabar com isso, fosse o que fosse.


— Acerte a perna. — Kreese ordenou. Johnny congelou. Ele queria ficar chocado com o que Kreese acabara de lhe dizer para fazer, mas não ficou. Não ajudou o fato de que ele não queria fazer isso. Johnny olhou para Kreese como se ele fosse louco, procurando no rosto de seu sensei qualquer senso de humanidade.


— Você tem algum problema com isso? — Kreese retrucou, começando a ficar com uma feição irritada em seu rosto. Ele estava com medo e queria 'mostrar misericórdia', o que significava que ele era um marica.


Johnny tinha um problema com isso. Um grande problema, na verdade. Kreese estava ordenando que ele machucasse propositalmente o cara por quem ele estava apaixonado. E se ele não fizesse isso, ele pagaria por isso mais tarde. Johnny não queria fazer isso, nem um pouco.


— Não, sensei… — Johnny disse relutantemente. Ele não queria fazer isso, mas ele tinha escolha? Daniel olhou na direção deles, vendo a expressão horrorizada no rosto de Johnny. Ele imediatamente adivinhou que Kreese estava tentando obrigá-lo a fazer algo terrível. A questão era se Johnny iria ouvi-lo ou não.


— Sem misericórdia. — Johnny nunca teve tanto medo de Kreese em toda a sua vida. O homem sorriu enquanto Johnny se afastava, olhando para ele com uma expressão de medo.


Johnny considerou honestamente fazer isso. Havia um milhão de coisas que ele sabia que Kreese faria com ele se não o fizesse. Daniel valia a pena? Johnny sabia que se fizesse o que Kreese disse, provavelmente arruinaria seu relacionamento com Daniel. Daniel o odiaria por quebrar seu joelho e não gostaria de ter nada a ver com ele. E Johnny não suportava pensar nisso, nem um pouco.


Os últimos meses que ele passou com Daniel passaram por sua mente. O dia em que se conheceram, a primeira vez que passaram a noite juntos, a festa de Halloween, o primeiro encontro, o primeiro beijo, tudo mais. Cada beijo cheio de amor, cada olhar cheio de admiração, cada toque suave e cheio de carinho. Ele podia ver o rosto macio de bebê de Daniel, seus grandes olhos castanhos de cervo, sua pele bronzeada macia, seu sorriso bonito e brilhante. Johnny pensou em como Daniel o fazia se sentir, como ninguém mais o fizera. Ele se sentia amado, ele se sentia apreciado, ele sentia como se alguém se importasse com ele. E ele estava feliz, verdadeiramente feliz, pela primeira vez em toda a sua vida.


Dizem que você só consegue um amor assim uma vez na vida, e esse era o de Johnny. Daniel era o único para ele, e assim permaneceria. Ele lutaria para que continuasse assim.


Johnny decidiu que sim, Daniel valia a pena. Ele valia tudo, significava muito para Johnny, e Johnny morreria por ele, se chegasse a esse ponto. O relacionamento deles era algo que nunca poderia ser substituído, Johnny nunca encontraria outra pessoa como Daniel em sua vida. E ele não queria. Ele só queria Daniel. Johnny não iria deixá-lo ir. Ele não ia fazer isso.


—Não... não, eu não vou lutar com ele! Esqueça isso! — Johnny gritou, a sala inteira ficando em silêncio, o único som sendo o suspiro de algumas pessoas. Daniel olhou para ele com os olhos arregalados, confuso e chocado. O que ele estava fazendo? Ele não sabia que se desistisse agora, algo ruim aconteceria com ele? O olhar de Daniel viajou para Kreese, que estava furioso.


—O que diabos você pensa que está fazendo, Lawrence? — Kreese gritou, ganhando olhares surpresos de algumas pessoas do público. Johnny se virou para encará-lo, sem qualquer vestígio de medo. Por dentro, ele ainda estava com medo, mas por fora parecia que não tinha medo de nada, parecia até confiante. Kreese costumava ser como uma figura paterna para ele, e Johnny realmente pensava que ele se importava com ele. Ele percebeu agora que estava errado, e Kreese era tão perdedor quanto Sid. Johnny não seria manipulado por ele, nunca mais.


— Você quer que eu quebre a perna dele, eu não vou fazer isso, cara! De jeito nenhum! E eu não vou mais ouvir você! Eu com certeza não tenho medo de você! Estou saindo do Cobra Kai e principalmente saindo para ficar longe com você! — Todo o público ficou chocado, as pessoas cochichavam e olhavam para Kreese e Johnny. Johnny estava ciente do risco que acabava de correr, mas não havia como voltar agora. Ele tinha feito isso, ele tinha feito sua escolha e não se arrependia.


— Eu desisto. — Johnny concluiu, saindo do tatame. O árbitro olhou para ele, como se perguntasse se era isso que Johnny realmente queria. O loiro acenou com a cabeça, voltando sua atenção para Daniel, que parecia confuso com toda essa provação. Ele não podia acreditar no que Johnny havia feito por ele, que ele simplesmente havia desistido. Daniel estava preocupado com ele, mas ele também não podia lutar contra o sentimento que o invadiu. Era amor. Amor puro e verdadeiro. Ficava feliz que Johnny o amasse o suficiente para arriscar isso por ele.


— Daniel LaRusso ganha por desistência do oponente! Temos nosso novo campeão! — A multidão ficou em silêncio por apenas um segundo, antes de explodir em gritos de empolgação, as pessoas correndo em direção a Daniel.


— Bem, parece que você ganhou! — Ali exclamou enquanto o abraçava, de uma forma amigável, é claro. Daniel sorriu desajeitadamente para todos, ele pode ter vencido pelo outro ter desistido, mas ele ainda era o vencedor para eles. Ele olhou ao redor da multidão, tentando localizar Johnny. Ele queria correr para seus braços e agradecê-lo por isso. Ele não gostaria de ter um joelho quebrado e estava feliz por Johnny não ter continuado com isso. Ele apenas teria que protegê-lo de Kreese, que parecia que estava prestes a explodir.


— Certamente que ele ganhou. — Ele finalmente viu Johnny, abrindo caminho no meio da multidão, segurando o troféu de primeiro lugar. Ele o entregou a Daniel, que estava alojado entre algumas pessoas. Daniel olhou para ele com tanta admiração e apreço, um olhar que sempre fazia Johnny se sentir bem. Daniel não se importava com o troféu, ele apenas se importava com Johnny. Tudo o que ele queria era Johnny.


Daniel entregou o troféu ao Sr. Miyagi e correu em direção a Johnny, fazendo o possível para ignorar a dor na perna enquanto ele mancava. Johnny o encontrou no meio do caminho, pegando-o quando ele quase caiu para frente. Daniel sorriu amplamente e passou os braços em volta do pescoço do menino um pouco mais alto, praticamente pulando em seus braços e abraçando-o tão forte quanto podia. Johnny retribuiu o abraço, sorrindo em seu cabelo. Ele não se importava como parecia para todos os outros, ele estava muito feliz para se concentrar em qualquer coisa além de Daniel agora.


— Obrigado por não quebrar minha perna. — Daniel disse enquanto se separava de Johnny, apenas o suficiente para que eles pudessem ver completamente o rosto um do outro. Johnny parecia tão bom como sempre, um sorriso adorável no rosto e um brilho nos olhos azuis. E Daniel parecia tão fofo como sempre, seus lábios naturalmente entreabertos e seus olhos castanhos arregalados de pura felicidade. Johnny não resistiu a colocar as mãos em cada lado do rosto de Daniel, acariciando suavemente sua pele. Os olhos de Daniel brilharam com o toque, uma mão descendo para a cintura de Johnny, a outra sendo colocada na nuca, tocando seu cabelo. Isso era o que eles queriam fazer o dia todo.


— Eu nunca machucaria você. Nunca. — Essa foi uma promessa que Johnny nunca iria quebrar. O loiro sorriu enquanto acariciava a bochecha de Daniel com o polegar, olhando para o olhar amoroso em seus profundos olhos castanhos.


—Eu sinto muito por dar a você um nariz sangrando. Eu não… — Daniel começou a se desculpar, mas Johnny o interrompeu. Nem doía mais. Ele estava feliz que isso tivesse acabado, ele não se importava com o sangramento no nariz, que nem estava mais lá. Além disso, ele estava mais preocupado com o joelho de Daniel do que com qualquer outra coisa. Parecia que doía a Daniel simplesmente ficar de pé. Johnny não conseguia tirar a dor, não importa o quanto ele quisesse, mas ele poderia tornar mais fácil.


— Não precisa se desculpar. Estou bem agora. — Johnny se abaixou e gentilmente pegou Daniel pela parte de trás das pernas, decidindo pegá-lo para que ele não precisasse mais ficar em pé.


— Johnny! — Daniel riu enquanto Johnny o segurava como uma noiva, sorrindo para ele. Daniel revirou os olhos de brincadeira ao ser pego de novo, mas secretamente gostou disso. Com certeza tirou um pouco da pressão em seu joelho. E, além disso, adorava sentir os braços musculosos de Johnny ao seu redor. Ele suspirou de contentamento e apoiou a cabeça no peito de Johnny, sentindo-se confortável em seu abraço.


— Eu te amo bebê. — Johnny declarou, parecendo totalmente sério agora. Ele não se importava com quem o ouvia. Na verdade, ele queria que as pessoas o ouvissem. Ele deveria ser capaz de fazer isso, deveria ser capaz de dizer a Daniel que o amava, sem se preocupar com ninguém os repreendendo.


— Eu também te amo. — Daniel sussurrou, estendendo a mão para passar pelos cabelos de Johnny. Ele não podia acreditar que Johnny estava demonstrando tanto carinho em público, eles nunca fizeram nada mais íntimo do que apenas andar ombro a ombro. Mas agora Johnny estava se inclinando para beijá-lo, sem nenhuma preocupação no mundo.


— Espere Johnny, as pessoas verão. — Daniel colocou as mãos no peito de Johnny, impedindo o garoto de alcançar seu objetivo. Johnny apenas sorriu para ele, balançando a cabeça. Isso não era mais um problema.


— Eu não me importo com isso. Não mais. — Ele não dava a mínima para o que as outras pessoas pensavam. A única exceção era Sid, que poderia mandá-lo para alguma escola militar se quisesse, mas o velho não estava aqui, então não era um problema. E Johnny tinha permissão para ficar com Daniel se ele quisesse também, dane-se o que os outros pensam. Se alguém não gostasse, eles poderiam ir se foder. Ele não se importou mais.


Daniel nunca se importou com o que as pessoas pensavam. Se alguém tivesse um problema, teriam que resolver com ele. Ele estava apaixonado por Johnny e não tinha vergonha disso.


— Então me beije. — Parecia que eles eram as únicas duas pessoas na sala. A multidão tinha ido embora, Kreese também. Eram apenas eles. Johnny se recostou, finalmente pressionando seus lábios contra os de Daniel.


E de repente tudo parecia certo. Muito, muito certo. Johnny se sentiu livre. Verdadeiramente livre.


— Oh meu Deus! — Eles ouviram alguém gritar, seguido de silêncio. Eles não pareciam loucos ou enojados, apenas chocados. Johnny continuou beijando Daniel, sem se preocupar em abrir os olhos para ver os olhares que as pessoas estavam dando a eles. Se o fizesse, veria que algumas pessoas pareciam julgadoras, algumas pareciam confusas e outras estavam realmente sorrindo para eles.


Eles se separaram depois de alguns segundos, sorrindo um para o outro como idiotas. Johnny finalmente olhou para as pessoas que testemunharam seu beijo. Alguns deles não se importaram e já haviam voltado às suas conversas, alguns pareciam abalados e não paravam de olhar fixamente, e alguns deles olhavam feios para ele antes de sair. Johnny encolheu os ombros e olhou para seu grupo de amigos. Bobby já sabia, então estava apenas sorrindo levemente para eles. Tommy e Jimmy ficaram pasmos, e Dutch parecia que tinha sido atropelado por um trem.


—Vejo você mais tarde, bebê. — Daniel acenou para Johnny enquanto ele estava praticamente sendo arrastado para o vestiário, provavelmente para ver seu joelho novamente, e para voltar a vestir suas roupas normais. Johnny apenas vestiu sua jaqueta Cobra Kai, ele planejava mantê-la mesmo depois de sair do dojo. Ele apenas gostava da aparência, para ser honesto. Embora ele duvidasse que o usaria por ai tão cedo.


Lucille e Ali gesticularam para que Johnny os seguisse até o estacionamento, para onde o resto da multidão estava indo. O árbitro entregou a Johnny o troféu de segundo lugar quando ele saiu, mas Johnny não deu a mínima para isso. Ele só queria ver Daniel novamente.


~🏯


Johnny viu Kreese assim que ele saiu do prédio, seu ex-sensei olhando para ele de onde ele estava. Os outros quatro meninos ficaram ao redor dele, olhando nervosamente para Johnny. Johnny revirou os olhos e se aproximou, sabendo que teria que confrontar Kreese eventualmente. Era melhor fazer isso agora.


Daniel saiu do outro lado do prédio junto com o Sr. Miyagi, que disse a ele que eles estavam indo para o hospital para fazer um exame na sua perna por um profissional. Ele não estava nem aí para onde eles iriam, ele só queria encontrar Johnny, mas as pessoas o impediam no caminho de saída. Algumas crianças pediram seu autógrafo, completamente alheias ao fato de que ele acabara de beijar outro garoto na frente de todos. Ele tinha adivinhado que simplesmente não era grande coisa para crianças.


— Aquilo foi muito corajoso da sua parte, você sabe, beijá-lo na frente de todos. — Daniel se virou para ver Ali, que acabara de correr para ele. Foi muito corajoso, nem todo mundo faria algo assim, especialmente considerando como as coisas normalmente são para os gays agora. Muitas pessoas pensavam que todos tinham AIDS, o que era estúpido pra caralho. Não importava para Daniel, nunca importava o que as pessoas pensavam. Ambos estariam se formando em breve e poderiam sair dali se quisessem, ir para algum lugar onde não conhecessem ninguém.


— Eu sei, era meio arriscado. Mas ele deixou Cobra Kai, eles não podem machucá-lo mais. E eu vou me certificar de que ninguém mais o faça. — Daniel disse enquanto caminhavam em direção ao carro. Ele estava procurando por Johnny, queria que ele fosse com ele para o hospital e depois para sua casa. De repente, ocorreu-lhe que era possível que Johnny encontrasse Kreese ali. Daniel teve a sensação de que algo estava errado e começou a olhar em volta mais freneticamente, tentando encontrar Johnny.


Enquanto isso, Johnny estava na frente de Kreese, pronto para a reclamação que estava prestes a ouvir. Kreese parecia mais irritado do que nunca.


— Era por isso que não queria machucar a vadiazinha, hein? — Kreese retrucou, ganhando uma revirada de olhos de Johnny, que estava pronto para socar seu ex-sensei. Ninguém iria falar sobre seu namorado assim sem receber um olho roxo em troca.


— Não fale sobre ele assim! Eu fiz o meu melhor até você querer que eu trapaceasse! — Daniel ouviu Johnny gritar do outro lado do estacionamento. A essa altura, ele e o Sr. Miyagi estavam parados perto do carro, então ele olhou pela janela e viu Johnny e Kreese em um debate acalorado. Eles gritavam tão alto que ele podia ouvi-los claramente de onde estava.


— Você não é nada, você perdeu, você é um perdedor! — As palavras quase não tiveram efeito em Johnny neste ponto. Ele pode ter perdido, mas foi apenas um torneio, e foi sua escolha.


— Não, você é o perdedor, cara. — Johnny respondeu, deixando Kreese ainda mais furioso. Ele já sabia que Kreese era o verdadeiro perdedor. Todos os seus ensinamentos eram fodidos e Johnny se recusou a ouvi-los.


— Oh? Eu sou o perdedor? Pelo menos não sou uma bicha como você! — Kreese zombou, arrebatando o troféu de segundo lugar e quebrando-o em pedaços. Agora Johnny era o único que estava irritado. Daniel se encolheu com essa palavra, sentindo seu sangue ferver com tudo o que Kreese estava fazendo.


— Agora quem é o perdedor? — Daniel observou horrorizado enquanto os pedaços do troféu caíam no chão do estacionamento. Que bastardo doente. Johnny olhou para Kreese, a raiva aparente em seu rosto. Ele estava cansado de suas besteiras.


— Sabe, você é realmente doente, cara. — Johnny disse e estava prestes a se afastar, finalmente deixando Kreese como uma coisa do passado. Daniel ainda estava observando toda a situação, sem saber se deveria intervir ou não.


Então Kreese fez algo que Johnny honestamente deveria ter esperado. Ele agarrou Johnny com força pela jaqueta e o virou, tentando puxá-lo em sua direção. Johnny tentou fugir, mas Kreese era mais velho e mais forte e conseguiu prendê-lo com um estrangulamento.


Johnny lutava contra ele, mal conseguindo respirar. Ele sentiu todo o seu ar sendo espremido para fora dele, seu rosto começando a ficar vermelho com a falta de oxigênio. Daniel ficou apavorado enquanto assistia, temendo pela vida de Johnny. Daniel rapidamente começou a mancar em direção a eles, sentindo-se tropeçar, mas não se importando, ele só queria afastar Johnny daquele homem.


— Ei, vamos, deixe-o ir! — Bobby deu um passo à frente para tentar tirar Kreese de cima de Johnny, mas Kreese o empurrou para trás, ainda mantendo Johnny no estrangulamento com o outro braço. As pessoas estavam assistindo, mas ninguém estava fazendo nada para tentar ajudar. Não fazia sentido, por que ninguém mais tentava impedi-lo?


—Como se sente o segundo lugar agora, hein? — Kreese zombou enquanto ele apertava seu aperto. Johnny não conseguia respirar. Daniel estava tentando correr o mais rápido que podia em direção a Johnny, sem perceber que o Sr. Miyagi o estava seguindo. Até ele estava farto de Kreese.


— Pare, você está machucando ele! — Tommy também tentou intervir, aquilo o fez perceber que pessoa horrível Kreese era, e em que tipo de pessoa ele os estava transformando. Ele não queria ser alguém assim. Ele não se importava que Johnny gostasse de Daniel, não mais. Mas Kreese o empurrou também, ainda mantendo o mesmo controle sobre Johnny.


— Você vai matá-lo! — Jimmy exclamou, começando a contornar o carro para tentar ajudar Johnny. Ele estava farto dessa merda também. Até Dutch estava percebendo como tudo aquilo era uma merda. Ele não conseguia olhar para o que estava acontecendo. Enquanto isso, Daniel finalmente conseguiu chegar até eles, embora estivesse lutando para andar.


— Solte ele! Seu idiota! Não toque nele! — Daniel gritou, enviando um soco em Kreese, que facilmente o segurou e o empurrou para trás.


— O que você vai fazer, sua bicha? — Kreese deu um risinho de escárnio quando deu um tapinha nas costas de Daniel, jogando-o no chão e fazendo seu aperto em Johnny ainda mais forte. Johnny sentia que ia desmaiar. Ele fez tudo o que pôde para tentar escapar, mas nenhum deles parecia ter qualquer efeito sobre Kreese.


— Apenas solte-o. — Daniel não permitiria que nada o impedisse de ajudar Johnny. Ele já estava de pé, como se o golpe não tivesse efeito sobre ele e como se sua perna não doesse mais. Mas antes que ele pudesse tentar atacá-lo novamente, o Sr. Miyagi deu um passo à frente dele, confrontando o próprio Kreese.


— Deixe ele ir. — Sr. Miyagi disse calmamente, dando ao homem uma última chance de deixar Johnny ir. Kreese não se intimidou nem um pouco.


— Saia ou você é o próximo. — Kreese riu, sem se preocupar em soltar Johnny, cujos olhos estavam fechados com força enquanto ele tentava respirar, mas não conseguia.


Sr. Miyagi não perdeu mais um segundo e agarrou Kreese pela camisa, fazendo com que Johnny finalmente se libertasse de suas garras. Ele caiu no chão, tossindo e tentando recuperar o fôlego. Daniel imediatamente se ajoelhou ao lado dele, ajudando-o a se virar e sentar no chão. Pela primeira vez, Johnny se permitiu chorar. Kreese realmente tentou matá-lo. Johnny o odiava, ele não conseguia acreditar que o via como uma figura paterna. Ele era um monstro.


— Johnny! Johnny, você está bem? — Daniel queria abraçar Johnny, para confortá-lo, mas o outro garoto precisava recuperar o fôlego primeiro. Em vez disso, colocou a mão no ombro de Johnny, sentindo o quanto ele estava tremendo. Vê-lo assim deixou Daniel irritado. Ele queria que Kreese queimasse no inferno por fazer essa merda. Parte dele sentia que era sua culpa, já que Johnny havia desistido do torneio por causa dele. Mas todos sabiam a verdade, que não era culpa de ninguém além de Kreese.


— Ele realmente tentou me matar. — Johnny disse enquanto continuava a engolir em seco, com a voz rouca. Ele finalmente conseguiu começar a respirar normalmente, apesar do fato de estar soluçando incontrolavelmente. Assim que seu padrão de respiração voltou ao normal, Daniel envolveu Johnny em um abraço, seu abraço sendo reconfortante para o loiro. Johnny enterrou o rosto no ombro de Daniel, deixando escapar soluços sufocados enquanto continuava a chorar, suas lágrimas encharcando as roupas que Daniel havia vestido.


— Está tudo bem, estou aqui. Vai ficar tudo bem, baby. Estou aqui. — Daniel o acalmou enquanto esfregava as costas de Johnny, o outro garoto o segurando como se sua vida dependesse disso. O toque de Daniel pareceu acalmar Johnny, ele parou de tremer e seus soluços ficaram mais baixos.


— E-eu sei... estou bem... - — murmurou Johnny, não querendo que Daniel o soltasse. Os dois ouviram o som de vidro quebrando ao lado deles e rapidamente viraram a cabeça para ver o que estava acontecendo. Eles viram o Sr. Miyagi parado perto de Kreese, cujos nós dos dedos estavam ensanguentados. Johnny notou as janelas do carro quebradas e notou quem as havia quebrado.


Daniel e Johnny pensaram que o Sr. Miyagi ia matar Kreese, mas ele parou antes de atingi-lo, deixando o homem cair no chão. Kreese parecia petrificado, e isso era algo que Johnny nunca tinha visto antes. Mas ele estava feliz por isso, e Daniel também. Daniel queria que Kreese sofresse por todos os anos em que atormentou Johnny.


— Você poderia ter matado ele, não é? — Daniel perguntou ao Sr. Miyagi, largando Johnny relutantemente e se levantando. Daniel estendeu a mão para que pudesse ajudar Johnny a se levantar, Johnny imediatamente a pegou e se permitiu ser puxado para cima.


— Hai. — O adolescente de cabelos escuros ajudou seu namorado a se levantar, levando-o de volta em seus braços no segundo em que ele se levantou novamente. Johnny se apoiou em Daniel, enterrando o rosto no pescoço, todas as manchas de lágrimas secando.


— Então por que você não fez isso? — Daniel teria gostado de ver Kreese sofrer. Ele o odiava, mais do que ele já odiou alguém. Se ele o visse novamente, ele não hesitaria em matá-lo.


— Porque Daniel-san, para uma pessoa sem perdão no coração, viver é pior que morrer. — Sr. Miyagi explicou. Johnny esperava que ele estivesse certo. Kreese não merecia nada além de dor.


— Muito obrigado. — Johnny acenou com a cabeça em direção ao Sr. Miyagi, ele seria eternamente grato a ele pelo que aconteceu hoje. O homem acenou de volta, gesticulando para que os dois o seguissem de volta ao carro para que pudessem sair dali.


— Vamos, amor, você vem com a gente. — Johnny deslizou a mão pela parte inferior das costas de Daniel, planejando ajudá-lo a caminhar até o carro. Daniel já tinha um braço ao redor de suas costas, eles poderiam se apoiar um no outro enquanto caminhavam para o carro. Ambos precisavam disso.


— Com prazer. — Os dois começaram a andar, sendo interrompidos por uma voz atrás deles.


— Esperem um minuto! — Daniel e Johnny se viraram para ver a quem pertencia a voz, encontrando Bobby, Tommy, Jimmy e até mesmo Dutch.


— Daniel, eu realmente sinto muito pelo que fiz com sua perna. — Bobby parecia arrependido, ele ainda se sentia horrível pelo que aconteceu. Ele havia saído do Cobra Kai para sempre. Ele nunca mais queria ver Kreese novamente.


— Não se preocupe com isso, cara. Não está quebrado nem nada. — Daniel não sabia se isso era verdade, mas ele não queria que seu amigo se sentisse pior.


— Você provavelmente deveria verificar isso, no entanto. — Johnny apontou, querendo apenas o bem-estar do namorado. Daniel não teve a chance de mencionar que eles iriam para o hospital depois. Talvez Johnny conseguisse algo para seu pescoço machucado. A visão disso causou arrepios na espinha de Daniel. Ele nunca quis machucar tanto ninguém como queria machucar Kreese.


— Ele tem razão. — Bobby olhou para baixo, sem saber mais o que dizer. Ele esperava que seu joelho não estivesse realmente quebrado. Os outros (ex) Cobras se entreolharam, decidindo falar.


— Olha, nós realmente sentimos muito por mexer com você. Estávamos errados. — Disse Tommy, arrependido de todas as vezes que ajudou Dutch a intimidar Daniel. Mesmo lamentando tê-lo encorajado na partida. Ele saiu do Cobra Kai também. E não o incomodava que Johnny e Daniel estivessem juntos, ele ainda era o mesmo Johnny e ele merecia respeito.


— Sim cara, sentimos muito. — Jimmy acrescentou, também se sentindo mal por se juntar ao bullying. Ele também resolveu deixar o Cobra Kai. Assistir Kreese estrangulando Johnny foi a gota d'água. Todos deveriam ter percebido antes que Kreese era uma má pessoa.


Dutch não disse nada, não conseguia falar. Ele odiava se desculpar com as pessoas, na verdade ele tinha certeza que nunca se desculpou com ninguém em toda a sua vida, o que não era bom.


— Eu também. — Foi tudo o que ele disse e, honestamente, foi o melhor que pôde fazer. Ele teria que trabalhar nisso, e talvez ele desse um verdadeiro pedido de desculpas eventualmente.


— Obrigado. — Daniel acreditava apenas parcialmente em Dutch, Tommy e Jimmy, mas ele acabou perdoando-os. Johnny olhou para os quatro, assentindo levemente para agradecer. Ele e Daniel se viraram, mancando até o carro.


Eles se aconchegaram no banco de trás enquanto Miyagi os levava para o hospital. Johnny estava com a cabeça apoiada no ombro de Daniel, não querendo sair do seu lado. Seus olhos estavam fechados e ele estava tentando relaxar, mas ele se sentia um pouco traumatizado com o que aconteceu. Parte dele ainda não conseguia respirar, parte dele ainda estava em pânico. Daniel percebeu que ele ainda estava com medo, e começou a acariciar seu cabelo loiro macio para acalmá-lo, o que estava funcionando, seu toque sempre acalmava Johnny. Johnny sabia que superaria isso com Daniel e Kreese seria uma coisa do passado. O loiro se inclinou e deu um beijo na bochecha de Daniel, antes de deixar sua cabeça cair no ombro do namorado, para que ele pudesse descansar os olhos. Ele estava exausto pra caralho.


Eles estavam felizes com o fim do torneio. Eles poderiam finalmente ser apenas eles mesmos.


~🏯


Johnny acidentalmente adormeceu em uma das cadeiras do hospital, esperando Daniel voltar do exame. Ele estava cansado e só queria que o dia acabasse. Ele só queria voltar para a casa de Daniel e adormecer em sua cama, segurando-o nos braços. Ele tentou ficar acordado, mas assim que inclinou a cabeça para trás na cadeira, ele desmaiou.


Johnny nem percebeu Daniel saindo com uma cinta no joelho, já que era apenas uma entorse. Ele tinha um pequeno sorriso no rosto quando se sentou ao lado de Johnny. Ele levou um momento para admirá-lo, ele parecia adorável e em paz quando estava dormindo. Daniel gentilmente colocou a mão em seu ombro, suavemente dizendo seu nome para acordar o outro garoto.


— Você vai ficar bem? — Daniel perguntou enquanto Johnny lentamente abria os olhos. Johnny se virou para ele, tentando ver o que havia acontecido com seu joelho. Johnny suspirou quando viu a cinta, esperando que Daniel se recuperasse logo.


— Eu vou ficar bem. Estou mais preocupado com você, LaRusso. — Johnny comentou enquanto continuava a olhar para a cinta, preocupação presente em seus olhos. O loiro tinha um milhão de perguntas, como quando ele se livraria da cinta, se ele ficaria bem, se havia algo que ele pudesse fazer. Daniel viu a expressão em seus olhos, adivinhando instantaneamente o que Johnny queria saber. Mas ele estava mais preocupado com Johnny do que consigo mesmo. Foi assustador vê-lo ser sufocado no meio do estacionamento, não sendo capaz de fazer nada a respeito, já que não conseguia alcançá-lo tão rapidamente.


— Minha perna está bem, é só uma torção. Você é aquele que acabou de ser colocado em um estrangulamento pelo seu ex-sensei. Deus, aquilo me assustou tanto, não sei o que faria se... —Daniel continuou, expressando o quanto tinha medo de que as coisas tivessem acontecido de maneira diferente, o quanto foi uma pena ver isso acontecer. Mas ele foi interrompido por Johnny, que se inclinou e o beijou para calá-lo. Daniel o beijou de volta, colocando a mão atrás da cabeça de Johnny para puxá-lo para mais perto.


Johnny sabia que eles ficariam bem, os dois. Enquanto tivessem um ao outro, seriam perfeitamente felizes. Johnny sentia que poderia lidar com qualquer coisa. O beijo terminou depois de alguns segundos, eles deixando apenas alguns centímetros entre os lábios.


— Danny. Estou bem, sério. Enquanto eu tiver você, tudo ficará bem. Agora vamos, vamos para a sua casa? — Johnny sussurrou contra os lábios de Daniel. Ele só queria passar o resto da noite com Daniel, segurando o outro garoto perto de si enquanto eles tentavam se recuperar das merdas que aconteceram hoje.


~🏯


Os dois voltaram para a casa de Daniel, pedindo licença para ir ao quarto de Daniel assim que chegaram. Eles estavam exaustos. Eles tiraram as roupas assim que chegaram à cama, vestindo apenas roupas íntimas.


Johnny provavelmente iria dormir direto, mas em vez disso, Daniel subiu em cima dele e começou a banhá-lo com toques e beijos. Johnny o beijou de volta com prazer, deixando suas mãos acariciarem todo o corpo de Daniel enquanto o outro garoto se deitava em cima dele. Eles se perderam um no outro pelo que pareceram horas, apenas os dois, lábios juntos e os corpos presos um no outro.


Eles não foram além disso, eles estavam muito cansados. Quando eles terminaram de beijar, eles apenas rolaram de costas, olhando para o teto.


Daniel ouviu Johnny suspirar, perdido em seus pensamentos. Ele não sabia o que fazer agora que estava fora do Cobra Kai. Ele nunca iria voltar, ele sabia disso. Mas o que ele vai fazer agora? Johnny precisava de algo para fazer com seu tempo, algo como caratê. Se não ele ficaria louco.


— No que está pensando? — Daniel perguntou ao se virar para encarar Johnny, que continuou olhando para o teto.


—É só que... sai do Cobra Kai. Era como uma segunda casa para mim. Mas não vou voltar depois do que Kreese tentou me obrigar a fazer. De jeito nenhum. Eu nunca vou voltar. — Johnny explicou, rolando para ver a silhueta de Daniel no escuro. Ele ainda podia ver o brilho em seus lindos olhos castanhos.


— Bom. Você não precisa desse lugar. — Daniel esperava nunca mais ver ou ouvir as palavras 'Cobra Kai'. Ele esperava que aquele lugar fosse fechado, para que Kreese não pudesse fazer lavagem cerebral em mais crianças.


— Acontece que eu sei que vou sentir falta de fazer caratê… — Johnny parou de falar. Ele adorava fazer caratê, isso o acalmava e o ajudava a liberar sua raiva. Uma ideia surgiu instantaneamente no cérebro de Daniel, fazendo-o sentar-se animado.


— Oh eu já sei! Você poderia treinar comigo! — Daniel sabia que o Sr. Miyagi deixaria Johnny treinar com eles de bom grado. Ele gostava de Johnny e pensava que era bom para Daniel, então não teria problemas em treiná-lo. E seria bom treinar com o Johnny e estar do mesmo lado que ele. Ele apenas teria que manter as mãos longe do outro enquanto estivessem lutando.


— Sr. Miyagi me treinaria também? — Johnny nem pensou nisso. Ele tinha ouvido de Daniel como os métodos de ensino do Sr. Miyagi eram diferentes dos do Cobra Kai, e Johnny sabia que seria difícil, mas ele aprenderia a trabalhar com ele. Seria divertido treinar com Daniel, desde que ele não levasse mais um chute de guindaste no rosto.


— Claro que sim! Vai ser ótimo cara! — Daniel pensou em como seria incrível. Ele provocaria Johnny sobre todas as tarefas, poderia treinar com ele e poderia acabar jogando-o na lagoa, em um 'acidente'. Johnny riu da animação de Daniel, ele estava praticamente pulando para cima e para baixo na cama. O que provavelmente não era a melhor ideia, já que seu joelho estava com uma cinta.


— Ok, LaRusso, acalme-se antes de cair da cama e se machucar — Johnny riu, trazendo Daniel para perto de si. Daniel se deitou de novo, usando o peito de Johnny como travesseiro. Ele ouviu o batimento cardíaco por um momento, antes de olhar para ele.


— Então você vai treinar comigo? — Daniel perguntou novamente, olhando nos olhos azuis de Johnny. Johnny acenou com a cabeça em resposta, depois de considerar cuidadosamente. Ele achou que seria uma boa ideia, seria bom ter um sensei que realmente se importasse com ele.


— Sim, se você me quiser também. — Johnny sorriu para ele, beijando sua testa. Daniel fechou os olhos e passou o braço em torno de Johnny, pronto para dormir um pouco. Mas, ele sentiu Johnny olhando para ele. Ele olhou para cima para ver o menino olhando para ele com seus olhos azuis cativantes. Johnny estava se perdendo em como ele era lindo, incapaz de desviar os olhos do rosto de seu namorado.


— O que foi? — Daniel questionou, havia diversão em sua voz. Johnny sorriu suavemente e balançou a cabeça, envolvendo os braços em volta de Daniel e puxando-o para que sua cabeça encostasse em seu ombro.


— Nada. Eu só... você me deixa muito feliz, Danny. — Johnny sussurrou, puxando seu namorado para mais perto de si. Daniel se inclinou e deu um beijo em sua bochecha, fazendo com que o sorriso de Johnny ficasse mais largo. Ele nunca esteve mais feliz em toda a sua vida. E ele tinha a sensação de que, com o passar do tempo, a felicidade só aumentaria. Ele estava nesse relacionamento por muito tempo.


— Você também me faz feliz. Estou feliz que toda essa merda acabou e podemos apenas ser... bem, podemos apenas ser nós mesmos. — Daniel moveu-se para os lábios de Johnny, bicando-os suavemente. Ele se afastou apenas para Johnny puxá-lo de volta, beijando-o mais profundamente do que antes.


— Sim, acho que podemos. — Johnny disse ao interromper o beijo, o sorriso nunca deixando seu rosto. Como ele poderia parar de sorrir quando tinha tantas coisas para ficar feliz?


— Sabe, estou feliz por não ter tido que lutar com você. Quer dizer, não muito. — Daniel pensou em como se sentiu culpado depois de dar a Johnny aquele nariz sangrento. Tinha sido um acidente, como resultado de tropeçar, mas ele ainda se sentia mal. Mas não importava. Isso estava no passado. Eles poderiam seguir em frente com suas vidas, eles poderiam seguir em frente juntos.


— Eu também. Mas ei, você ganhou porque eu deixei. — Johnny provocou, iluminando o clima e ganhando uma revirada de olhos brincalhona de Daniel.


— E quem me entregou o troféu e me beijou na frente de todos? — Daniel brincou de volta, cutucando a bochecha de Johnny. Johnny ainda se sentia exultante pelo fato de eles se beijarem na frente de todos. Ele não podia acreditar o quanto ele não se importava. Ele estava cansado de ter medo de deixar as pessoas saberem por quem ele estava apaixonado. Ele estava apaixonado por Daniel LaRusso e ponto final.


— Foi eu. — Johnny se abaixou e pressionou seus lábios contra os de Daniel, compensando o tempo que não conseguiram hoje, embora já tivessem se agarrado antes. Daniel o beijou de volta, traçando suavemente sua língua contra o lábio inferior de Johnny. Os dois se beijaram por alguns minutos, Daniel ficando no meio do caminho em cima de Johnny, e os braços de Johnny envolvendo a cintura de Daniel.


— Você acha que as pessoas vão tentar mexer com a gente na escola? — Daniel perguntou assim que o beijo acabou. Ele esperava que eles fossem espertos o suficiente para não mexer com dois caras que sabiam lutar caratê. E não era como se eles mostrassem tanto afeto em público quanto possível. Se eles quisessem se abraçar ou algo nos corredores, deveriam ter permissão para isso.


— É melhor não. Se o fizerem, só teremos que bater neles. Juntos. — Johnny ligeiramente riu da ideia deles batendo em alguém juntos seus movimentos estando em sincronia.


— Certo. — Os dois garotos riram por um momento, a risada de Daniel sendo interrompida por um bocejo. Ele se recostou contra Johnny, a cabeça apoiada no peito e a perna boa em volta dele.


— Devíamos ir dormir. Hoje foi um dia longo. — Johnny beijou o topo da cabeça de Daniel, o cabelo escuro do outro garoto fazendo cócegas em seus lábios. O loiro fechou os olhos, relaxando no conforto que a presença de Daniel trazia. Ele se sentia tão confortável, tão feliz, tão vivo. Tão livre.


— Eu te amo, Johnny. — Daniel sussurrou, fechando os olhos. Foi um dia longo, mas agora havia acabado. Sem mais torneios, sem mais lutas e sem Kreese. Eles estavam seguros e tinham um ao outro. E nada iria mudar isso. Não enquanto eles lutassem um pelo outro.


— Eu também te amo, Danny. — Johnny suspirou enquanto segurava seu namorado com mais força. Ele adormeceu em minutos, sonhando com o que o futuro reservaria quando se tratasse dele e de Daniel.


Ele não sabia de nada com certeza, mas sabia que eles ficariam juntos. Sempre. Porque Johnny não conseguia imaginar um futuro sem Daniel. E Daniel não conseguia imaginar um futuro sem Johnny.


Este era o dia em que eles poderiam finalmente ser livres. O dia em que souberam que poderiam lidar com tudo. O dia em que souberam que conseguiriam superar qualquer coisa, juntos.


Essa era a história deles, e ainda não havia acabado.


Notas Finais


Poxa infelizmente acabou :(( mas como dito na última frase a história desses dois ainda não acabou....

A 2° temp já está em andamento e como eu disse no cap anterior não tirem essa da biblioteca pq eu vou avisar por aqui quando tiver postado a outra :)

É isso, eu realmente espero que vocês tenham gostado e eu fiz questão de deixar a frase icônica do Tommy em inglês até pq não achei uma tradução decente para ela.

Vejo vocês na 2° temp, beijos 💓


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...