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História Karlek - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Preocupação.


Yngve POVS

O nervosismo perdurava em meu corpo até mesmo agora. Essa tinha sido a minha primeira vez e eu não sabia ao certo como tinha me saído. Se eu a machuquei ou se me empolguei demais, eu não fazia ideia. Na hora, estava tão apavorado e amedrontado, que me deixei levar pelas sensações e meu corpo fez tudo sozinho enquanto minha mente vagava longe.

Agora eu já quase não me lembrava do que tinha acontecido. Era quase como se... A minha mente tivesse apagado aquele momento dos meus pensamentos, depois de eu ter passado por um processo tão afobado.

Não foi tão tranquilo quanto eu gostaria, nem tão especial para ela. Por ser doloroso para as mulheres, deveria ser importante que a outra pessoa deixasse tudo harmônico para ao final ela de lembrar de uma boa coisa e não da dor, certo? Foi o que Halstein me disse. Mas eu tinha sido tão eufórico! Devia ter sido horrível para ela. Como eu iria embora agora, deixando-a com aquela memória patética sobre mim?

Eu continuava andando de um lado para o outro dentro da tenda, com os braços cruzados e os olhos minimamente arregalados. A minha camisa tinha sido colocada num cesto de palha, para que depois eu lavasse. Ela tinha sangrado! Isso era normal? Foi por minha culpa?!

Acenei negativamente, me sentando em uma daquelas sete camas de madeira maciça, roendo as minhas unhas em nervosismo.

— No que está pensando?

Levei um susto dos grandes, dando um pulo ao ver Hoseok ao meu lado. Já desde os 16 anos que eu não os via. Mesmo assim, eu ter quase 20 atualmente não mudava o fato de que me conheciam bem até demais.

Fugimos do nosso país juntos quando éramos ainda jovens. Ladrões ainda novos, alguns eram crianças, os mais velhos no início da adolescência. Eu sabia que eles se encontravam com mulheres desde que chegamos nessa região remota. Sabia que enquanto eu ficava em casa arrumando o que tínhamos, eles faziam coisas de adultos e não me falavam. Mas eu... Eu vivia numa realidade diferente até hoje.

— O que te incomoda? Diga de uma vez.
Hyung, não quero ir embora daqui. — falei baixo, em nossa linguagem. — Eu não posso ir embora agora. Ouvi vocês dizendo que partiremos talvez amanhã, mas não quero isso. Por favor, e-eu... Eu sei que esses são costumes completamente diferentes dos nossos. Estamos na Europa, muito longe de casa... Mesmo assim, gosto daqui.

Ele me pareceu desconfiado e respirou fundo, me olhando sério.

— É a garota, não é? Se envolveu com ela além do que deveria. Que outra razão te faria querer permanecer num país onde foi escravizado?
— Aqui é diferente, eles tiveram benevolência de mim. Não posso ser ingrato, até recebi um nome! Não posso partir de madrugada, sem me despedir ou deixar rastros. Isso atiçaria a ira de Njord, o pai de Siv. Sem contar que... Nós somos ainda procurados pelos nossos crimes, não podemos mais voltar para o nosso continente. Mudar de país ainda na Europa, não resolveria muita coisa. Então vamos ficar aqui, por favor...

Sua seriedade se transformou em riso. Ele me deu tapinhas nas costas, com uma expressão de malícia. Eu a reconhecia bem, ainda que não a visse já há tempos. Eles faziam essas expressões quando conversavam sobre coisas que eu não podia ouvir.

— Você fez aquilo com ela, não fez?
— O q-q... Quê?! Não! Hyung, de onde tirou isso?
— Você ainda cheira a cópula. Fizeram, não foi? Seu pequeno tarado.

Eu me levantei, me afastando dele, cheirando minha roupa discretamente. Como assim, cheirando? Isso tinha cheiro? Suor talvez?

Bateu em minhas costas e levei outro susto, me virando para olhá-lo com o rosto ainda vermelho. Ele sorria.

— Onde aprendeu isso? Quem te contou?
— E-Eu fiquei sabendo por aí.
— E você soube guiar ela no momento? Foi atencioso?

O meu desespero retornou, voltei a me sentir angustiado e culpado, acenando negativamente para a sua pergunta.

— Fique calmo, foi a sua primeira vez, certo? — fiz que sim. — Vou te explicar algumas coisas depois, é o meu dever como alguém mais velho.
— Por favor, não conte para os outros, eu imploro. Não conte...
— É um segredo nosso, fique despreocupado. Eles estão se divertindo até, mesmo que não gostem de admitir. Voltar a participar de um treino com espadas depois de tanto tempo, com pessoas diferentes de nós próprios, têm nos animado. Sem contar que estamos felizes em te reencontrar. — bagunçou os meus cabelos. — Agora é um adulto.

Tocou o meu ombro, me guiando para fora daquela tenda. Ver a luz clara do dia outra vez, fez os meus olhos se estreitarem. As tendas eram resistentes, feitas de tecidos grosseiros. Manter o pano da porta aberto era o que trazia claridade, mas normalmente seu interior era iluminado por velas durante todo o dia.

Pareciam ser bem pobres, considerando que não vi uma única lamparina desde que cheguei. Ainda assim, os boatos estavam certos. Eram um povo repleto de tecnologia e novidades. Eles cuidavam muito de si mesmos, ajeitavam suas barbas perfeitamente, eram vaidosos como jamais vi em outro lugar. Utilizavam aparatos para a beleza diferentes do que eu conhecia, até mesmo armas que nunca vi.

Notei os mais velhos realmente empolgados, manuseando os pequenos machados, jogando-os nos troncos de uma árvore que servia como alvo. Eram instruídos por Baggi, que os elogiava a cada acerto. Vê-los sorrir me fez sorrir também, era gratificante.

Deram uma pausa, um pouco cansados. Se aproximaram de onde estávamos. Me sentei num tronco extenso. Hoseok de pé em minha direita, Jimin e Namjoon sentados ao meu lado no tronco, à esquerda. TaeHyung escorado numa árvore fina, Yoongi sentado no chão e SeokJin ao seu lado.

Vi Siv passando com sua amiga Ragna, elas pareciam ter voltado a manter uma conversa e riam uma para a outra com empolgação. Comecei a corar ao me lembrar do acontecido ainda recente, vendo-a aparentemente bem, brincando com as crianças pequenas da vila.

— Até que a filha do líder não é de um tudo ruim, não acham?

O segundo mais novo disse. Sua voz estava mais grave ainda do que me recordava. Ele parecia ter amadurecido bastante.

— Eu acho ela bonita. Aquele cabelo enorme dela é um diferencial, parece tão sedoso... — Jin hyung.
— Uma mulher afrontosa também, o que é uma boa qualidade, eu acredito. — Yoongi.
— Não gosto dela, parece dissimulada pra mim.

Park era o único que se mostrava contra em qualquer sentido de sua existência e fazia questão de não esconder isso desde que chegou.

— Será que ela é boa?

Hoseok perguntou e todos o olharam com aquela cara que eu citei anteriormente. Eu o olhei com perplexidade.

— Não diga essas coisas na frente do puritano. — Namjoon riu. — Eu acho que ela deve ser ainda inexperiente.

Eu não sabia o porquê, mas aquela conversa toda estava me incomodando um bocado. Peguei um graveto que estava no chão e comecei a despedaçar, quebrando por todas as partes.

— Ela deve ter um bom corpo também, cheio de boas curvas. — Hoseok outra vez.

Estralei o meu pescoço, quebrando o galho por inteiro enquanto mordia o interior de minha bochecha nervosamente. Não era para isso me deixar tão irritado. Nunca me afetou antes que eles falassem sobre mulheres.

— Não nego, eu estaria disposto a me arriscar e ver o que aquele vestido esconde. — TaeHyung.
– Vocês não têm conduta. — Jimin riu soprado.
— Concordo com o hyung. — me pronunciei. — Vocês não deveriam falar de Siv com essa falta de respeito e prudência, ela é filha do líder. Não tentem nada que vão se arrepender.

A maior parte deles riu, me deixando ainda mais irritadiço.

— Você é praticamente uma criança ainda, não entende o desejo dos homens.
— Eu entendo sim, Suga hyung. E pode ter certeza que me incomodo com isso.

Joguei os gravetos quebrados no chão, bufando. Eles se calaram, pensei que a conversa tinha acabado por ali. Mas seis homens no tédio, não parecia ser uma boa coisa. Infelizmente o assunto retornou.

— Quem daqui teria mais chances de ir falar com ela?
— Jin, penso que todos nós. — Namjoon.
— Eu já converso com ela! — falei bravo.
— Você não conta, eles se referem a ir falar com segundas intenções.

Jimin respondeu por eles. Aquilo me deixou realmente estressado. Ouvi Hoseok rir e me levantei, o puxando comigo para um canto.

Hyung, por que está participando daquela conversa absurda?! Você sabe o que aconteceu entre eu e ela.
— Vocês fizeram, mas o que isso muda? — arqueou uma sobrancelha. — Que eu saiba trocaram um contato íntimo, mas nada além disso. Você não gosta dela, certo? Se sim, teria dito. Nesse caso, a garota está livre para ser cortejada por algum de nós, não há empecilho. Você foi o primeiro, mas não precisa ser o único.

Fiquei encabulado. Eu pensei que ele tivesse sido compreensivo antes!

— Para você ser o único, precisa gostar dela e deixar isso claro pra todos nós. Mas como não é o caso, apenas se divirta conosco.

Me deu tapinhas no ombro, saindo com um sorriso. Depois de alguns segundos reflexivos, voltei até onde todos estavam, notando a falta de um. Quando olhei pra frente, vi que TaeHyung puxava conversa com ela animadamente.

— O que aconteceu aqui?!

Perguntei atordoado.

— Fizemos uma aposta. Se ele conseguir um beijo dela ainda nessa noite, ganha uma moeda de prata de cada um de nós.
— Eu não tenho moedas de prata. — falei.
— Quer ganhar seis? Entra na aposta também e quem conseguir primeiro vence. Mas todos nós temos que testemunhar.

Yoongi disse desinteressado. Vi o hyung aproximar o seu rosto do dela e meu sangue ferveu. Me levantei e corri, chamando por Siv que me olhou no mesmo instante.

— Você...Você esqueceu o balde das cenouras no celeiro.
— Realmente! Eu tinha me esquecido! Vou buscar. Com licença.

Saiu e eu a olhei se afastar com um sorrisinho vitorioso. Já o mais velho, me olhou esquisito.

— Veio me interromper ou foi alucinação minha?
— Essa aposta é entre nós dois agora. Quem conseguir o beijo primeiro, ganha as seis moedas de prata.
— Interessante... Combinado. — sorriu e apertamos as mãos.

Eu podia respeitar muito os mais velhos, mas se havia algo que eu estava determinado a não deixar ele vencer, seria aquela aposta. 


Notas Finais


Acabou por hoje, postei até demais kkkkk


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