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História Karlek - Capítulo 13


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Capítulo 13 - O que eu sinto?


Fanfic / Fanfiction Karlek - Capítulo 13 - O que eu sinto?

Enquanto Siv estava fora, corri me banhar. Eu sabia que precisava ser rápido para quando voltasse. Deixar brechas faria com que TaeHyung pudesse se aproximar demais.

Saí com os meus cabelos ainda molhados, olhando ao redor à sua procura. Era já entardecer e todos pareciam dispersos. Alguns até conversavam com os nativos e era realmente surpreendente saber que eles falavam a língua tão bem... Bom, era mesmo normal já que passaram quatro anos aprendendo o dialeto enquanto eu só ouvia tudo calado.

Ao olhar mais atentamente, encontrei a dona dos longos fios de cabelo. Ela sorria, se virando de costas para o hyung que tocou suas longas madeixas, mexendo nelas. Me aproximei, querendo entender o que acontecia.

— Boa noite, Gukk! — ela sorriu e olhei para os dois confuso. — O  Vik está me fazendo tranças. Ele disse que é bom nisso.

Vik? Ela criou um apelido pra ele também? E desde quando ele é bom nisso?” O olhei desconfiado, vendo-o sacudir os ombros despretensioso.

— Quer que eu faça algo por você? — perguntei, tocando sua mão. — Você está bem?

Dei uma rápida olhada pra baixo, fazendo com que ela compreendesse à que eu me referia. Ficou um pouco sem jeito, mas assentiu.

— É muito atencioso, obrigada. — me deu um beijo na bochecha.

Eu dei uma olhadela para TaeHyung, que me observava sério. Dei um sorrisinho. Eu teria ganhado aquela brincadeira sem sentido, se ela tivesse me beijado nos lábios. O que por sinal, já tinha feito antes por conta própria. Então nada impediria que repetisse o ato.

Nós sete sempre nos envolvíamos em apostas. Mas eram por coisas bobas, como quem encontrava um esquilo mais rápido ou quem venceria uma corrida até determinado lugar. Mas nunca colocamos outras pessoas nisso.

— Terminei.
— Obrigada! — tocou os cabelos. — Tenho certeza que ficou incrível. Sou bem desajeitada em fazer isso sozinha.

Se virou para abraça-lo, mas segurei o seu punho. Eu não estava com paciência pra joguinhos. Sem enrolação a puxei e selei os seus lábios, na frente dele. Me mantive com a boca na sua por um longo tempo, até que nos afastássemos. Ela pareceu meio grogue pela surpresa. Olhei para ele vitorioso, vendo-o acenar negativamente.

— O que... Foi isso?

Riu soprado e a chamaram, fazendo com que tivesse que sair. Kim foi emburrado até Yoongi, enquanto os outros já se aproximavam, provavelmente por presenciarem o que aconteceu.

— Quero minhas seis pratas! — falei empolgado.
— Não foi válido. Não foi mesmo. — disse, me olhando. — A aposta era que ela beijasse um de nós dois, não o contrário. Se fosse assim, eu teria ganhado há muito tempo.
— Preciso concordar com isso, não foi válido.

Nosso líder disse simples, me fitando com repreensão, como se eu tivesse trapaceado.

— Não podemos nem pedir um beijo então? — negaram. — Mas então será impossível!
— Se é sem confiança desse jeito, eu com certeza já ganhei.

Respondeu com superioridade, tocando o meu ombro com uma expressão comum.

— Sabe que é como o meu irmão mais novo, mas também deve saber que eu sempre levei apostas muito à sério.

Com certeza sabia disso. Quando eu tinha 15 anos, ele quase quebrou o meu braço por uma aposta de luta. Naquele dia realmente fiquei assustado com o quão sério e competitivo poderia ser.

— Pois eu também serei sério dessa vez. — desvencilhei o seu toque de mim, saindo daquele círculo.

Eles mal tinham retornado. O que o faziam pensar que era justo se divertir às custas dos outros? Se até hoje de manhã tinham o intento de ir embora, pelo visto os planos haviam mudado. Tudo isso por causa dela.

E nem era para eu estar tão incomodado com isso, Hoseok tinha razão. Ter a sua primeira vez não significava que eu era o seu dono, nem o contrário. Mas esse ciúmes que começava a surgir...

Eu não queria vê-la com outro. Isso me deixava um pouco possesso... Talvez fosse culpa de termos feito o tal amor mais cedo. Siv tinha me explicado que esse sentimento mágico fazia com que as pessoas pensassem num certo alguém toda hora, que sempre o quisesse por perto e eu estava passando exatamente por isso, bem agora.

Será que o amor me pegou sem eu perceber? Cheguei aqui sem expectativa de futuro, sem nunca ter beijado, visto uma mulher nua, muito menos tocado uma. Mas desde então tudo isso aconteceu. E até o que nunca senti antes, está começando a aparecer. Só pode ser um feitiço desse tal amor, é a única explicação por tudo isso estar acontecendo tão rápido.

Corri até a única pessoa sensata o qual eu poderia pedir um conselho nesse momento. Ele tinha cuidado de mim, zelado por mim, me acolhido desde que cheguei. Órfão, nunca soube o que era ter um pai. Mas certamente ele era o mais próximo de um que eu poderia ter.

— Senhor Halstein! — me aproximei.

Era já início do anoitecer e ele ainda forjava a ponta de algumas lanças. Parou o que fazia e me olhou animado.

— Diga, meu rapaz.
— O senhor me ensinou como se fazia o amor. Agora pode me ensinar como quebrar o feitiço?

Ele me olhou sem reação. Respirou fundo e cruzou os braços, começando a rir aos pouquinhos. Me chamou para a sua casa, o qual até pouco eu dividia com ele. As velas iluminavam bem o lugar. Me ofereceu um pedaço de pão e aceitei, me assentando.

Foi até a sua cadeira, me olhando com as mãos apoiadas sobre a mesa.

— Aposto que você ouviu as histórias de minha mãe, a avó de Siv. — assenti. — Na verdade, o amor não é uma magia ou um feitiço. Ela contava isso para a neta como uma lenda, para que ficasse mais animada com a história porque era só uma criança. Mesmo assim, até hoje ela é tão inocente que pensa que aquilo era uma verdade.
— Então o amor não existe?

Perguntei, voltando a dar mais uma mordida no pão. Eu estava mesmo com fome. Não tinha tido tempo para comer quando a fogueira estava sendo acesa. Estava ocupado demais tentando evitar o hyung de se aproximar da garota.

— Existe, só que ele é mais real que você pensa. Pode ser facilmente confundido com uma magia, mas é só um sentimento complexo. Sei disso porque já vivi, até minha falecida Brenda adoecer... Não há modo de evitar, não há tempo pra acontecer. Ele pode surgir num segundo, também pode levar dias ou anos. Tudo isso depende de cada um e da vontade de Freya, a deusa do amor e da magia.
— Se eu fazer um sacrifício, Freya me explica sobre isso?

Ele deu uma boa e curta gargalhada, acenando com um não. Eu bufei, um pouco encabulado.

— Se eu fizer amor, como o senhor me explicou, automaticamente vou sentir isso?
— Não, acho que me entendeu mal. Pra fazer amor, precisa gostar dessa pessoa. Se não sentir nada por ela, é apenas um coito simples. Veja bem, o amor não se enxerga, se sente. Precisa ver a pessoa de um jeito apaixonado, sentir o coração bater acelerado, querer ela do seu lado, criar expectativas sobre um futuro juntos, aceitar os seus defeitos e sentir vontade de dizer que a ama. Mas abra os olhos, isso pode acontecer quando você menos espera.

Eu ouvia tudo bem atento, querendo aprender sobre isso. Continuou:

— Vivemos numa era em que os casamentos arranjados estão sendo deixados para trás, ainda que existam muitos. Siv devia ter se casado aos quatorze, mas sua mãe interferiu ao vê-la chorar copiosamente por isso. Mesmo assim, prometida ao Arvid sem amor, ela teria de se casar se você não tivesse aparecido.

Imaginar que quando cheguei, eu poderia encontra-la como uma mulher já casada e com filhos, me dava aflição. Pensar nisso fazia um gosto amargo surgir em minha boca, uma decepção me dominar.

— Será que eu a amo? Em tão pouco tempo?

Ele pareceu surpreso ao me escutar, vendo em mim a mais pura curiosidade de compreender a verdade.

— Me apaixonei por minha esposa quando nos encontramos no bosque. Eu era tão desajeitado que caí em sua frente e ela me ajudou. Ao ver o seu sorriso pela primeira vez, eu soube que era a mulher certa para mim. Éramos muito novos, mas nos casamos mesmo assim. Foram os melhores anos da minha vida... Com isso, quero dizer que... Quando for amor, você vai saber, garoto.

Terminamos a conversa e agradeci pela refeição, saindo de sua casa. Suspirei, olhando para o céu estrelado enquanto caminhava de volta para onde todos estavam. Haviam adolescentes e crianças naquela vila, mas poucas mulheres jovens que não estivessem já comprometidas. Ragna era um exemplo, assim como Siv. Mas eu nunca olharia para a sua amiga, do mesmo jeito como a vejo. Ela é diferente de todas as outras para mim.

Siv me salvou. Se jogou em minha frente quando eu estava prestes a ser decapitado. Interferiu por mim. E mesmo que eu não compreendesse o que dizia para o seu pai naquela ocasião, eu senti o seu abraço apertado enquanto ela chorava ao meu lado. Aquela foi a maior prova de amizade que já recebi em toda a minha vida. Eu tinha um laço devedor a seu pai também, por ter me poupado a vida. Mas ela principalmente, por ter sido tão boa desde que me viu chegar como um indigente.

A vi sentada no chão, pouco distante da fogueira alta. Estava sozinha, manuseando alguma coisa. Me sentei em sua frente e vi que terminava uma coroa, repleta das mais bonitas flores brancas. Olhando para ela, eu senti compaixão, senti também um imenso carinho.

— Por que tanto me olha? — sorriu, ainda fazendo aquilo. — Posso não estar te olhando agora, mas sei o que está fazendo. Vai me secar se continuar me fitando desse jeito.

Eu ri baixo, sem saber o que responder. Se eu não tivesse tão afobado mais cedo, talvez tivesse conseguido demonstrar esses sentimentos bons que eu sentia.

— Pronto. — colocou em minha cabeça. — Olha, ficou lindo em você! Namjorn! — chamou. — Vik, Suga... Qual era o nome dos outros? — Jiming? Jin? Hope?

Me olhou confusa e eu só toquei a sua mão, com os meus olhos tranquilos nos seus. Não tinha reparado antes no quanto ela era bonita. Parecia até que uma escama começava a cair dos meus olhos, como se eu estivesse me tornando consciente de coisas que nunca percebi.

Seria uma dádiva? Ou um castigo dos céus, por ter me envolvido com tanta curiosidade em assuntos difíceis demais para se compreender?

— Você é bonita, Siv...

Mesmo de noite, eu pude ver um brilho diferente no seu olhar. Ela tocou o meu rosto com seus dedos delicados, sorrindo para mim. Sorri de volta, mutuamente. E quando eu menos esperava, os nossos rostos foram se aproximando até que me beijasse. Eu fechei meus olhos. Não estava preocupado com aquela aposta, eu só queria apreciar e ver o que sentia.

Notei cócegas surgindo em mim, meu rosto começou a se aquecer e as minhas mãos transpiraram. O ar me faltou pela afobação que ia surgindo e ela se afastou de mim calma.

— Retribuição por ter feito isso mais cedo. Acho que estou perdendo a conta de vezes que isso aconteceu, você não?

Ouvimos um pigarrear e olhamos para cima, vendo os seis ali. Eu fiquei mais constrangido ainda, eu não tinha a real intenção que eles vissem esse momento.

— Nos chamou, Siv?
— Chamei sim! Olha que graça as flores em Gukk!

Eles olharam para mim, todos com malícia. Apenas Jimin e TaeHyung acenavam em desgosto.

— Vou fazer uma para cada um de vocês. — disse feliz. — Vocês se parecem com anjos, vai ficar perfeito.
— Não perca seu tempo fazendo uma para mim. Não posso dizer o mesmo de você, estranha. — Park foi embora.

Ela suspirou, parecendo se entristecer com aquela frase. Se levantou, dizendo que procuraria por mais algumas flores. Me levantei também e Jin abraçou o meu ombro.

— Precisamos conversar, jovenzinho.

Me levou até a tenda que compartilhavam. Jimin estava ali, comendo queijo. Foi pego em flagrante por nós todos; riu sem graça, afirmando estar com fome. Não demos muita importância pra isso. O assunto ali era eu. Todos se dispersaram pelo lugar amplo de chão batido, iluminado pelo fogo.

— Nunca vimos você agir assim antes, talvez tenhamos te negligenciado pela distância.
— Suga tem razão. Passamos muito tempo te procurando sem sucesso, mas voltar e te encontrar assim, realmente nos surpreende.
— E eu concordo com Hoseok e Yoongi...

Namjoon afirmou, suspirando. Tirou a coroa que eu ainda usava, deixando-a naquela mesa rústica de madeira.

— Fizemos toda aquela brincadeira sobre a garota, mas não tínhamos ideia dos seus sentimentos por ela. Pedimos desculpas por isso.
— Como assim?

Olhei para eles sem entender.

— Não seja tapado. — Jimin disse com a boca cheia. — Todos aqui percebemos que você tá apaixonado por aquela duas caras. Ainda não confio nela, acho que está te usando. Dentre tantas mulheres, justo essa daí?

Revirou os olhos, acenando negativamente desgostoso.

— O jeitinho que você estava olhando para ela, eu pensei: Ah, JungKook-ssi é tão fofo... — Jin disse. — Aquele clima de romance entre vocês dois, foi a primeira vez que reparei. Se bem que... Chegamos faz pouco tempo.

Deu risada, cutucando TaeHyung que o olhou sem muita gracinha.

— Como vocês podem ter percebido uma coisa que nem mesmo eu reparei? Até agora eu estava me perguntando o que sentia...
— Estava escrito em fogo na sua testa: Eu quero essa mulher.

O outro Kim se pronunciou finalmente, bufando um pouco.

— Você venceu de um jeito justo, preciso admitir. Me interessei por aquela garota por um momento, mas te vendo tão submerso, nem vou tentar nada. Fique tranquilo. Por sinal, aqui...

Retirou debaixo da cama seis sacos médios, jogando um para cada um. Todos tiraram dali uma moeda de prata, me entregando. Eu até podia recusar, mas aquela era a primeira vez que eu recebia o meu próprio dinheiro, não queria desperdiçar essa sensação.

— Agora eu estou rico!
— Rico eu já não sei, mas considerando que cada moeda dessas deve pesar umas cinco gramas, você... Com seis moedas já tem uma onça de prata, como eles chamam aqui.
— Se ferrou!

Park começou a dar risada, batendo na mesa de tanto rir. Todos olhamos para ele nos perguntando o que estava acontecendo.

— Vocês não sabem? — nos olhou confuso. — Nesse país, para se pedir uma mulher em casamento ao seu pai, o mundr — dote da noiva — é de no mínimo oito onças. Você precisaria de umas 48 moedas pra pedir a moça em casamento.
— Por que tanto dinheiro?
— Simples, Jin hyung. — respondeu. — Aqui, eles juntam essa quantia com o patrimônio da garota. Tecnicamente, o dinheiro retorna para ela no futuro.

Em resumidas palavras: Eu nunca me casaria com ninguém, porque sou pobre e não tenho dinheiro. Nos arredores sequer tinha um comércio, para que eu pudesse vender alguma coisa. Estávamos numa vila pequena, no meio do nada. Tudo o que se produzia, era exclusivamente para consumo entre o povo e o gado.

Hyungs, desse jeito eu vou morrer virg... — parei, rindo baixo. — Ah, é...

Cocei a nuca envergonhado e eles se entreolharam antes de se levantarem correndo, pulando tudo o que havia pela frente até chegar em mim, quase colando no meu cangote com aquela rodinha. Me senti coagido diante de tantos olhares.

Hoseok era o único fingido ali, que fazia uma cara surpresa sendo que já sabia da verdade.

— Quando foi que perdeu o cabaço?!

Olhei confuso para Suga. O que raios era cabaço? Me colocaram numa cadeira e cruzaram os braços, exigindo de mim as respostas de suas perguntas em troca de contarem absolutamente tudo sobre o mundo da perversão.
 


Notas Finais




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