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História Karlek - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Por favor, não!


Fanfic / Fanfiction Karlek - Capítulo 4 - Por favor, não!

De tarde, eu tinha voltado para a vila. Pedi a ele que entrasse na cela quando alguém se aproximasse e pareceu compreender, acenando pra mim ao me ver ir embora.

Eu estava com medo, esperava as horas se passarem logo, me arrependendo de tê-lo soltado. E se estivesse em perigo? Se perdido ou sido atacado por um animal?

Estava angustiada, desesperada. Mal prestava atenção no que as pessoas diziam para mim. Nem mesmo conseguia me focar em alguma coisa, errando pontos de costura durante todas as minhas tentativas, deixando minha mãe irritadiça comigo por isso.

Jantei e esperei até que a hora de dormir enfim chegasse. Me deitei em minha cama e aguardei todas as velas se apagarem, até que eu me levantasse sorrateira, levando comigo um pedaço de carne e pão que tinha guardado enrolado num pano mais cedo.

Saí pela trilha que meu tio me indicou, mesmo sabendo que seria perigoso nesse horário. Durante o caminho, chamei pelo nome de meu amigo.

Cheguei no nosso ponto de encontro, vendo a cela vazia e ninguém por perto. Suspirei um pouco chateada, me sentando sozinha no chão. Ouvi alguns sons e olhei para trás assustada, vendo-o se aproximar. O meu coração se encheu de alegria e ele se sentou do meu lado.

Lhe entreguei o mantimento, assistindo-o se alimentar.

— Jeongguk, obrigada por não ter fugido. — assentiu. — Eu estava preocupada...

Comeu e agradeceu, sorrindo pra mim. Me deitei sob o gramado e ele fez o mesmo, ao meu lado. Encaramos o céu, coberto por algumas folhas e galhos da grande árvore acima de nós dois.

Passamos a revisar todas as palavras que o ensinei hoje e eu percebia que... Olhando para ele, uma coisa estranha começava a surgir em mim muito rápido, num curtíssimo período de tempo. Era uma felicidade diferente, uma sensação de conhece-lo há muito mais tempo. Um tipo exótico de curiosidade, admiração.

Eu não o via como diferente de mim, mesmo que fosse de algum lugar provavelmente muito distante e as nossas aparências não se assemelhassem em nada.

O carinho que eu senti em poucas horas, não se parecia com o que eu tinha pelo meu amigo de infância, por exemplo. Talvez fosse compaixão, encantamento por conseguirmos nos comunicar tanto com simples trocas de olhares, não sabia ao certo...Seja lá o que fosse eu queria preservar, mesmo em segredo.

Ficamos tentando nos compreender durante horas até que ambos nos calássemos. Ouvindo os sons da natureza, a tranquilidade reinou à nossa volta.

[...]

Despertei com o grito de uma voz conhecida. Me sentei atordoada no chão, vendo alguns homens levando Jeon para a vila. Levantei apressada, tropeçando em meus próprios pés, correndo até eles.

— Siv, Siv!

Me chamou em desespero, sendo arrastado pelos dois que puxavam cada um o seu braço.

— Parem, parem com isso! Soltem-no, ele não fugiu! O que estão fazendo?! Soltem ele!
— Ordens de Njord, temos que cumprir.

Corri mais na frente, chegando primeiro até o lugar. Todos os moradores estavam reunidos, como se aquela fosse uma althing, prestes a determinar democraticamente o futuro daquele garoto.

Fui até o meu pai. Antes que eu dissesse alguma palavra ele agarrava os meus braços com ódio, me sacudindo em sua frente.

— O que foi que fez, garota?! Se deitando com um prisioneiro, se corrompendo com alguém que não está predestinado a ser o seu marido?!
— Pai, não é assim! O senhor entendeu errado, juro que...

Me empurrou, fazendo com que eu caísse sentada no chão no momento em que se aproximaram. As pessoas abriram caminho até a pedra alta, que por sinal eu já conhecia. Era onde faziam as decapitações dos inimigos que traziam ainda em vida.

— O quê?! Não! Não! Houve um engano, um engano!

Me levantei, sendo segurada por minha mãe e minha amiga. Vi o medo no olhar dele, vi pavor. O fizeram se ajoelhar no chão, com a cabeça sobre a rocha e os punhos sendo presos para trás.

Seus olhos estavam aguados, uma lágrima escorreu quando ele me olhou. O ceifeiro se aproximou com um machado em suas mãos.

— Trazê-lo conosco foi uma maldição! Em dois dias ele trouxe caos em minha família. E agora, o destino desse estrangeiro que corrompeu a minha filha será decidido!

O povo gritou, concordando com os punhos erguidos em sinal de justiça. Me soltei dos braços de minha mãe, correndo até o mesmo. Caí de joelhos no chão, em frente àquela pedra onde estava.

— Por favor, meu pai, eu imploro! — me prostrei no chão. — Foi um mal entendido! Se tiver de punir alguém, faça isso comigo! Me mate, porque o soltei! Ensinei um pouco do nosso dialeto e me deitei ao seu lado, adormecendo naquele gramado. Não me corrompi, eu só criei um amigo. Por favor, tenha misericórdia!

Pedi em um pranto desesperado. Percebi pelos murmúrios que algumas pessoas estavam com pena, enquanto outras ainda queriam ver a morte daquele inocente.

— Levante-se. — mandou e neguei. — Levante-se agora!

O fiz, com as pernas bambeando, quase caindo outra vez. Meu rosto sujo de terra agora tinha faixas limpas pelas minhas lágrimas, eu soluçava desesperada. Chorava até mais do que já chorei quando mataram o meu bezerro de estimação para sacrifício, quando eu era ainda uma criança.

— Levem esse rapaz até o meu lar. Minha filha e eu precisamos ter uma conversa importante.

Todos concordaram em silêncio, respeitando a ordem do chefe. Levaram-no até a nossa tenda, jogando-o no chão. Eu corri abraça-lo com muita pena, ainda chorando enquanto meu pai me olhava com desdém, de pé. Minha mãe entrou também no lugar, com uma feição triste, desapontada.

As coisas estavam acontecendo rápido demais, não era pra ser assim. Não era pra ter um fim tão trágico em tão pouco tempo.

Meu pai ergueu sua mão, já pronto para avançar na nossa direção, quando o meu tio surgiu e segurou o seu punho, se colocando na nossa frente.

— Me mate, porque fui eu quem deu a chave da cela pra ela.
— Fez o quê?!

Disse odioso. Apertei meus olhos fechados, abraçada ao corpo de Jeon que estava parado em completo pânico, sem entender o que decidiriam da sua vida daqui pra frente.

— Tua filha já não é uma menina, é uma mulher forte do jeito que você sempre quis que fosse. E acima de tudo com um bom coração, ela não quer ver um rapaz tão jovem morrer sem defesa.

O ouvi nos defender e abri meus olhos, cessando o pranto aos poucos.

— Ele vagava sem rumo e nós o pegamos cruelmente, tiramos a sua liberdade sem uma razão numa terra que nunca tivemos de conquistar com suor e sangue, num terreno que nunca foi de ninguém. Ele não é um devedor, muito menos um inimigo.
— Mas esse bastardo a corrompeu.
— Não! — falei firme. — Me levem até a curandeira, ela pode me examinar. Eu não fui corrompida, não fui.

Minha mãe se aproximou de mim, nos ajudando a nos levantar. Jeongguk tinha uma expressão assustada em seu rosto, ele tremia até mais do que eu.

— Acredito na nossa filha, Njord. E você deveria fazer o mesmo.

Ele nos olhou, andando de um lado para o outro, meneando a cabeça em negação. Fazia parte dos nossos costumes que as coisas fossem sempre decididas rapidamente.

— Ele p-pode ser útil! — falei. — É muito esperto. Podemos mandar ele como espia em cidades vizinhas. Enviando alguém tão diferente, quem desconfiaria de nós? Pense na utilidade que ele pode ter, o senhor pode estar matando alguém que trará prosperidade pra esse lugar.
— Eu me responsabilizarei por ele, o criarei e o ensinarei os nossos costumes. — Halstein disse.

Meu pai se aproximou do rapaz, caminhando em volta dele, o analisando de todos os ângulos. Apertou o seu braço, examinou os seus dentes.

— E qual é o nome dele? Todos sabemos que o nome define o caráter.
— Se chama JungKook. Mas podemos escolher um novo nome!

Depois de uma longa conversa e muita análise, suspirei aliviada ao ver que meu pai havia dado uma chance piedosa ao jovem. Foi até o lado de fora da casa e os acompanhamos.

Para tranquilizar o meu amigo, segurei a sua mão, causando um olhar fulminante de Arvid.

Meu pai explicou para todos em grande voz, quais seriam os benefícios de ter alguém de uma terra estranha ao nosso favor e em seguida, fez uma votação. Assim que a maioria se pôs a favor, ele pôde ficar entre nós.

As pessoas aos poucos voltavam a sua rotina e eu mostrava a ele todos os cantos da vila, ensinando o nome das novas coisas que não conhecia. Isso até que Gukk fosse puxado, recebendo uma espada que fora jogada em suas mãos por Vid.

— Eu te desafio! Prove o teu caráter ou morra!

 


Notas Finais


Vish vish! Serasi teremos mais um cap hoje?


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