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História Karlek - Capítulo 43


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Capítulo 43 - Nova jornada.


Fanfic / Fanfiction Karlek - Capítulo 43 - Nova jornada.

Era de noite. Usei o forno à lenha e fiz pão para todos comerem, não era tão difícil. Recebemos algumas frutas por cortesia de chegada, dos nossos novos vizinhos. A mesa estava posta, comemos num bom clima, a maior parte de nós agora animados para a chegada de uma aventura em novos lugares.

Mas a exceção continuava sendo o rapaz de cabelos escuros e desenhos nos braços. Ele comia, puxando de seus dentes o pão como um animal feroz corta a carne de sua presa.

Foi o primeiro a levantar-se e sair. Eu já tinha me banhado durante a tarde. Estávamos todos limpos. Fui até o lado de fora e cuidei de meus dentes, um pouco de água do poço e folhas refrescantes que tínhamos para cuidar do hálito, em forma de uma pasta.

Já arrumada, passei pelos quartos do último andar. Nele, ficaríamos na ordem: Jeon, eu, Vik e Jiming. Os outros quatro no segundo andar.

Avistei uma das portas fechadas e bati previamente, entrando em seguida. Ele estava de pé, olhando a vista pela janela. Os dois últimos quartos eram os únicos com vista. A dele, para a rua. O outro cômodo, para os fundos da casa.

Me deu uma olhada de canto, me ignorando em pouco tempo. Fechei a porta e me aproximei.

— Está ainda irritado comigo?

O abracei, não recebendo qualquer toque de volta. O olhei nos olhos, esperando uma resposta. Bufou e se virou comigo, me jogando na cama. Ficou por cima, com as mãos ao lado de minha cabeça.


— Quero sempre o melhor pra você. Mas nunca colabora, Siv. Parece viver à procura de problemas, isso me frustra.
— Sinto muito... Sequer posso caçar ou treinar, nada que me faça gastar energia. Sei que tudo parece confuso agora, mas tente me compreender... Receber a proposta de conhecer um novo mundo, é mesmo tentadora... Você e seus irmãos foram já para muitos lugares desde que saíram de seu continente, não eu.

Ele me olhou nos olhos por alguns instantes e suspirou, se levantando. Também me levantei e o puxei de volta, o jogando na cama dessa vez. Fiquei por cima de seu corpo, me sentando em seu colo. Agora eu usava calças e camisas longas, com cinto. Quase o mesmo estilo de roupa dos rapazes.


— Não gosto quando fica bravo comigo. Ainda que... Seu lado másculo seja também satisfatório.
— Se ficar por cima de mim desse jeito, coisas vão acontecer, Siv.

Suspirou, substituindo nervoso por vermelhidão pouco a pouco. Ri num sopro e ele inverteu os nossos lados, me deixando por baixo outra vez. Me beijou e sorri entre o contato, gemendo baixo ao sentir sua mão por entre as minhas pernas.

Estava começando a melhorar, quando ouvimos batidas na porta e ela se abriu, não nos dando tempo de nos afastarmos. Fomos pegos no flagra, interrompidos na metade do ósculo.


— Huh... — Jiming desviou o olhar, vermelho. — Namjoon está chamando pra uma conversa, sobre a viagem de amanhã.
— Claro, n-nós já vamos, hyung.

JungKook se afastou de mim apressado. O mais velho concordou e fechou a porta. Eu estava vermelha.

Um pouco mais tarde e ele teria flagrado coisas das quais não seria capaz de esquecer tão facilmente.

Agora, nós dois estávamos constrangidos um com o outro. Saímos do quarto rapidamente, descendo as escadas. “A partir de amanhã, não teremos muita chance de fazer... Espera, no que estou pensando?” Neguei sozinha, contendo meus maus pensamentos.

[...]

Logo que o sol surgiu, nos levantamos. Tomamos banho um de cada vez, recolhemos algumas coisas em bolsas de couro e saímos. Prendi os meus cabelos longos e caminhamos até o estabelecimento, deixando para trás a casa muito bem trancada.

Gimle já nos aguardava animado, nos levando por um caminho íngreme, de onde já conseguíamos ver o mar. Descemos e chegamos em um barco longo, espaçoso, daqueles de carga.

Entramos e os procedimentos para o início da viagem começaram. Eu mal estava acreditando que teríamos experiências novas, todos juntos, em alto mar. Os rapazes eram instruídos sobre a embarcação. Essa que tinha sido equipada com algumas velas movidas à vento, ainda que os knorrs de costume fossem feitos para locomoção com remos.

Gim nos explicou que assim, o percurso seria mais rápido. E dada as instruções, seguimos viagem, nos afastando da costa cada vez mais.

Hoje, JungKook estava me tratando como de costume, o que pra mim era um alívio. Estávamos todos bem, com exceção de Vik, que parecia bem enjoado com o balanço que as ondas causavam.


— Ugh, estou vendo a luz! É chegada a minha hora! — disse estirado no chão da embarcação, segurando-se num mastro para não ser jogado de um lado para o outro.

Eu estava segurando o riso diante de tantos dramas, enquanto todos o ignoravam. Uns apreciando a paisagem, outros comendo uma fruta. Gim conversava com Namjoorn e Jeon.

— Rapaz, notei em você certo ciúme quando a garota disse que queria vir negociar tecidos comigo. — ajeitou seu bigode. — Mas não se preocupe, não me interesso por mulheres, elas não me atraem.
— Não? Então se interessa pelo quê?
— Nem mesmo eu sei, gosto do meu reflexo no espelho. Se houvesse no mundo alguém como eu, certamente o desposaria.

Os dois que ouviam, se entreolharam e balançaram os ombros. Talvez eles mesmos concordassem que se casariam consigo mesmos também, se tivessem a oportunidade. Bonitos, talentosos, irresistíveis às suas próprias sombras.

Yngve POVS

Depois de muito refletir durante a noite, cheguei a conclusão de que eu deveria ser maleável. Parecia a primeira vez que Siv tinha tão grandes sonhos. E não queria eu, ser a causa de uma interrupção, desilusão...

Por mim, estaríamos em nossa nova cidade, todos felizes, morando juntos, com uma vida simples. Mas eu sabia que se tudo seguisse conforme os meus planos, Siv nunca seria verdadeiramente feliz, não viveria ao meu lado com satisfação. E foi para ver os seus sorrisos, que deixei minhas próprias metas para trás; abandonei um ideal sobre noivado e a construção de uma família, em prol de apoiá-la naquilo que quer.

Depois que eu e os hyungs fugimos de nosso país, inevitavelmente nos sentimos empoderados. Estávamos longe dos adultos, das pessoas que conhecíamos. Tínhamos esse mesmo sonho de desvendar tudo, criar as nossas leis. Mas o meu sequestro e aprisionamento, foi a prova de que nenhum de nós estava preparado para essa experiência tão livre. Éramos muito novos, imaturos e com os olhos cheios de esperança, em busca de uma utopia que sequer existia.

Não queria que o mesmo acontecesse com Siv. E eu tinha praticamente certeza, de que a maior parte deles devia ter pensado a mesma coisa. Quem sabe por isso, pelo afeto que sentiam por ela, pelo medo de que tudo se repetisse com uma garota ainda tão nova... Que também embarcaram — literalmente — em novas oportunidades.

Seria mais simples conversar com ela e explicar, que nem tudo seria como imaginava. E que o mundo real é muito mais complicado do que ter um sonho e realiza-lo com sucesso. Mas... Sabíamos que a verdade, não a conformaria. Seria motivo para estopim e capaz que fosse embora, sem dizer nada a ninguém. Nós estávamos aqui, para evitar o pior.

Siv sempre se mostrou determinada, inclusive, uma mulher pelo qual eu era incapaz de competir quando se tratava de opiniões fortes. Entretanto, o que mais me preocupava nisso tudo, era ser deixado de lado em seus planos.

Suspirei, fitando a paisagem, debruçado sobre a madeira talhada de um lado do barco. O cheiro de maresia, o som das gaivotas, o balanço confortável e simultaneamente, angustiante. De fundo, eu ainda podia ouvir o nada agradável som de golfo vindo de TaeHyung, que parecia colocar todo o almoço para fora.

Na viagem que fizemos remando até Reikjavik há um tempo atrás, a situação tinha sido parecida. Do mesmo modo, ele passou mal durante boa parte, mal sendo capaz de ajudar. Era falta de costume, em breve, ele acabaria se adaptando à sensação.

Fechei os olhos, me recordando de muitos anos atrás... Nós sete, magros, novos, com roupas surradas e sacos de ouro e joias roubados. Escondidos no alçapão de um navio europeu, fugidos de nossa terra. Enfrentamos frio, fome, o perigo de quase termos sido descobertos. A aflição de não sabermos onde estávamos, para onde íamos ou quando chegaríamos no tal destino... Os planos para fugirmos do navio como meros ratos, sem deixar um mísero rastro para trás.

Pisar em terra firme foi motivo de alegria, corremos fracos, depois de tanto tempo trancafiados num lugar úmido e escuro. Me lembro dos nossos risos abobalhados, comemorações sem fim. Corríamos por um vasto campo, à procura de um lugar até encontrarmos uma cabana caindo aos pedaços. Para nós, aquele era o nosso reino. Mas recordando hoje, eu via o quanto tivemos uma infância miserável.

Acenei negativamente, interrompendo minhas memórias antes que elas me levassem ao momento do meu rapto. As dores de ter o meu corpo marcado, como faziam com animais. Os desenhos em meus braços e mãos, nunca me permitiriam esquecer. Não sabia o que significavam, nem mesmo me importava tanto. Eram marcas que assim como as cicatrizes em minhas costas, me marcariam para sempre.


— Eu amo você.

Vi um par de mãos delicadas em meu abdômen, senti seu corpo pressionado atrás do meu. Suspirei, tocando os seus braços. A afastei apenas para poder me virar, a olhando nos olhos. Ela parecia tão contente... Seu rosto resplandecia, seus fios longos balançavam abruptamente pelo vento, como bandeiras em sinal de paz. Toquei o seu rosto, ela sorriu.

— Obrigada, Jeongguk. Por tudo... Sei que agi de modo estranho desde que saí de casa e quero que entenda, só estou tentando encontrar o meu, o nosso lugar nesse vasto mundo. Mesmo tudo parecendo tão repentino, eu agradeço... — me abraçou outra vez. — Confesso que estava com medo de vir sozinha, mesmo que parecesse tão determinada... Obrigada, por vocês serem a minha família, quando já não posso contar com o apoio de meus antigos amigos.

Eu retribuí seu abraço, um pouco surpreso pelas suas palavras. As coisas que ouvi, me fizeram ter certeza de que eu tinha tomado a decisão certa ao apoiá-la, ao invés de contestar as suas decisões. Todavia, valia ressaltar...

— Siv, me prometa... Que se nada disso der certo, você irá voltar comigo. E todos nós, teremos as nossas próprias aventuras longe de perigos reais.
— Eu... Te prometo.

Concordei aliviado, afagando as suas costas, com meu queixo apoiado no topo de sua cabeça. Eu não tinha ideia do que estava por vir, mas sabia que como sempre, teríamos muito o que enfrentar.

 


Notas Finais


Gente, eu tô escrevendo a continuação e esperando dar uma boa quantia de capítulos prontos, pra poder atualizar todos os dias, kay? 😞💕

Desculpem a demora T:


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