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História Karlek - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Descobertas.


De manhã, eu e Ragna estávamos no campo, ordenhando as vacas. Com distância considerável entre nós e sozinhas ali, eu resolvi que essa era a hora certa para fazer algumas perguntas sobre o que tinha vivenciado ontem.

— Rag, ontem eu... Eu toquei em um homem.

Suspirei, pegando a botija de leite já cheia. Ela me olhou paralisada, se afastando da vaca com os olhos arregalados. Veio correndo até mim, toda desengonçada.

— Tocou? Tocou como e onde?!
— Eu toquei naquela parte diferente.

Tentei explicar para ela de um jeito superficial o que tinha acontecido e como eu havia achado aquilo estranho, vendo-a rir tanto que seus joelhos até caíram por terra. Levou as mãos até a barriga, rindo como eu nunca vi. Eu não estava entendendo a graça nisso.

— Siv, vem cá. Senta aqui.

Dei de ombros e fui, me sentando ao seu lado naquele gramado, fitando o pote de leite fresco.

— O que você fez foi... — se aproximou, explicando baixinho no meu ouvido. — E pra ele gostar mais, você...

Continuou falando e arregalei meus olhos completamente, com o rosto ficando cada vez mais vermelho. Naquele dia, eu pensei que tinha o ajudado com uma boa coisa, mas na verdade tinha feito um absurdo completamente sem sentido!

Agora eu mal teria coragem para olhá-lo uma outra vez. Como eu tinha sido capaz de ser tão tola, por uma bendita curiosidade? Cobri minha face, acenando negativamente.

— Não acredito!

Ela conteve o riso, vendo o meu constrangimento.

— Se tivesse me explicado para que servia aquilo, eu não teria feito essa besteira!
— Fica tranquila, não foi nada demais. Foi só um pouco pervertido da sua parte... — me olhou sorrindo. — Agora sabe a metade pelo menos, valeu a experiência.
— Já que eu sei, termina de me contar logo de uma vez. O que aquilo faz além disso? Porque o leite é tão gosmento?

Ela começou a me explicar que aquele era o esperma e era daí que surgiam os bebês. Me disse também que se entrasse em contato com a parte de dentro de meu corpo, eu poderia engravidar. Exceto se fosse pela boca, aí esse risco não aconteceria. E aí eu comecei a me perguntar... Por que raios de Thor eu iria querer colocar aquilo na boca? Seria nojento!

Além disso, por qual outro meio aquilo entraria em meu corpo? Pelos meus poros?! Ela rodeava o assunto e nunca me explicava a parte principal. E o pior era que eu não podia perguntar sobre isso para mais ninguém.

— É bom escolher muito bem com quem fazer um dia, porque a primeira vez dói bastante. — disse, parecendo sentir um calafrio.

Quando comecei a insistir para que me explicasse, ela pegou o leite e saiu correndo pra longe. Peguei minha bacia e também a segui, exigindo respostas até que entrássemos na vila.

Logo que cheguei, paralisei ao ver Gukk. Ele parecia estar descansando, suando um pouco pelo treinamento. Me viu e acenou sorridente, enquanto eu só escondi a minha cara por detrás do que segurava, saindo de fininho, me sentindo uma pimenta.

Não tinha coragem de olhar para ele, agora que sabia que tinha feito uma coisa tão... Sei que tinha gostado e agora entendia o porquê. Era a primeira vez que eu ouvia sobre o prazer, sem ser algo relacionado ao ato de alimentar-se de boas comidas. Chegava a ser estranho que alguém pudesse sentir satisfação ao ser tocado num lugar tão íntimo. Ainda não era capaz de compreender isso muito bem.

Levei o leite até a família que produzia os queijos, vendo-os me agradecerem. Saí de fininho outra vez, indo até a colheita para ajudar os outros.

Enquanto caminhava até lá, ouvi aquela voz masculina. Eu apressei o passo, querendo me esconder em qualquer lugar.

— Siv! — me alcançou, puxando o meu braço. — Por que tá correndo?

Eu engoli em seco, evitando um contato visual. Ele chamou por mim outra vez e fechei os meus olhos, abaixando a cabeça com as bochechas ardendo.

— Fiz alguma coisa? — o olhei enfim, negando.
— F-Fui eu que fiz... 

Suspirei, afastando o seu toque. O vento bagunçou os meus cabelos, fazendo com que voassem. Segurei os meus fios, olhando para ele.

— Ontem, aquilo de ontem...
— Aquilo! — disse surpreso, envergonhado também. — Foi bom.
— Eu sei, mas não vamos repetir outra vez, eu... Eu acho.

Continuei caminhando rumo as plantações e ele me seguiu, completamente calado. Quando estávamos já perto do lugar, quebrou o silêncio.

— Halstein me explicou como é que se faz o amor.
— O quê?

Me virei, o olhando espantada e empolgada.

— Tem receita?! Me passa, eu quero fazer para mim!
— Não tem receita... É a mesma... — pareceu pensativo, tentando se lembrar da palavra. — Mesma de fazer bebê. Só que quando não quer bebê, você faz o amor. E eu não posso falar como faz...

Arregalou minimamente os olhos, como se tivesse se recordando de algo traumatizante. Parecia que hoje as pessoas estavam fazendo de tudo para me deixar ainda mais curiosa do que já naturalmente sou.

— Me fala! Eu quero ter amor, Gukk! Quero participar dessa magia!
— N-Não dá para fazer sozinho. Não pode.
— Então fazemos juntos, não há problema. Precisa de quê? Se para fazer bebê, precisa do seu leite e é a mesma fórmula, então...

Coloquei a mão no queixo, estreitando os olhos enquanto pensava, olhando ao redor. O vento ainda desorganizava os nossos cabelos.

— Já sei! Eu já sei. — falei convencida. — Pegamos um pouco do seu... Como é o nome daquilo mesmo? Es... Espre... Enfim! Aquilo e outros ingredientes, mistura tudo e faz uma poção não é? Esse é o segredo! Precisa de alguma coisa minha pra isso? Será que o meu cabelo serve? Ele é bastante comprido.

Toquei minhas madeixas, prendendo-as com minhas mãos. Ele acenou negativamente repetidas vezes, ainda tímido.

— Não seja egoísta! Você aprendeu como se faz e não quer me contar?!

Ele me olhou confuso depois que falei “egoísta”. Devia ser uma palavra que ainda desconhecia um pouco. Bufei e expliquei o que era, até que me olhasse irritado.

— Não sou isso! Pelo seu bem, não digo. Halstein disse que isso tira a... Ino... Inocência. Disse certo? — concordei.
— Por favor, me conta... Nunca te pedi nada nessa vida.

Fiz uma cara triste, chateada, com o olhar caído e um biquinho. Ele coçou a cabeça e bufou.

— Falou que... Enfia o comprido no buraco. E aí se mexe bastante, quando fica bom, tira. Aí joga o leite fora e pronto.
— Comprido? Por Odin, o que é esse comprido? Que buraco?

Ele levou a mão até o rosto, em negação. Respirou fundo e começou a rir, assim como a minha amiga tinha feito mais cedo. Essa era a primeira vez que eu o via gargalhar, por isso acabei sendo contagiada e ri junto.

— O do homem, da mulher. Junta o diferente, vira um só. — disse entre risos.
— Ah, então é só...

Engoli em seco, empalidecendo.

— O quê?! Isso deve doer muito, que horror! Que nojo, que nojo!
— Não vou falar mais. — cobriu a boca.
— Tem mais?! Nossa eu não quero nem saber, guarde os detalhes para si mesmo.

Me afastei dali, apressando o passo para colher uns vegetais, tentando dispersar os meus pensamentos repletos de novas descobertas. “Eu devia ter ficado sem saber o que era... Não há como um corpo entrar no outro, isso é impossível.

Dei uma olhada para frente, vendo-o ajudar com o que eu fazia também. Muitas pessoas trabalhavam ali no meio e por isso eu não podia ficar falando sobre o assunto. O chamei discretamente e ele me olhou, puxando as cenouras da terra.

— Você já... Já fez isso antes?
— Colheita? — olhou duvidoso e neguei. — Ah, a-aquilo? Não... — disse engolindo em seco.  — Por quê?

Dei de ombros. Eu tinha feito uma pergunta meio boba, eu sei. Considerando que foi meu tio quem o explicou, lógico que ele não devia ter feito. Sem contar que parecia tão perdido quanto eu no dia em que o toquei.


— Um dia... Talvez a gente possa tentar... — falei baixinho.
— O quê?!

Disse alto, fazendo com que todos ao nosso redor nos olhasse e eu morresse de vergonha, levando o que tinha arrancado até a carroça. Foi um modo de eu escapar dos olhares, mas dele eu não fui capaz.

— Nós dois?

Se aproximou, jogando as cenouras ali também com um misto de surpresa e vergonha.

— Esqueça o que eu disse... Não sei, e-eu disse porque... Porque já nos vimos despidos duas vezes, então pensei que não seria tão traumático. Esquece, esquece.

Fugi de sua presença, passando pela vila direto, correndo a todo vapor até a floresta, desviando as árvores até chegar no rio. Eu estava com tanto calor por causa da vergonha que ainda estava sentindo, que o meu corpo todo parecia ferver e coçar. Pulei no rio, mergulhando na parte mais funda.

Não acredito que disse isso para ele. Estúpida, estúpida!” Emergi, buscando fôlego. Passei minha mão pelo rosto, jogando os meus cabelos para trás. “Por que fugi? Era só eu ter disfarçado... Parece que apenas pioro tudo.

Suspirei, nadando mais um pouco até resolver sair, me sentando naquela pedra que outrora Yngve tinha se sentado, completamente nu, sendo tocado por mim. Acenei negativamente e levei um susto ao ser tocada no ombro.

No instante em que olhei para trás, meus olhos se arregalaram ainda mais. Não era quem eu esperava encontrar.

 


Notas Finais




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