História Karma - Capítulo 18


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Androgyne!tae, Bottom!taehyung, Bottom!yoongi, Clichê, Gguktae, High School!au, Kooktae, Kookv, Menção Vmin, Office!au, Side!yoonmin, Taegguk, Taehyung!bottom, Taekook, Top!jeongguk, Top!jimin, Top!jungkook, Ttandjjk, Yoonmin
Visualizações 730
Palavras 6.679
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Já faz um tempinho hein? Desculpem a demora para trazer esse extra, que deveria ser o último, but ficou tão grande que tive que dividir em dois pra conseguir abranger toda a história dos Yoonmin e explicar o que houve com eles direitinho.
MUITO OBRIGADA PELOS 1100 FAVS <3 Demorou para que caísse a ficha de que Karma chegou nesse nível.
Irei fazer att dupla, são dois capítulos bem grandinhos, então tomem seu tempo e façam uma boa leitura ^^

~ Capítulo betado pela @uritaechu. Obrigada por ter betado o capítulo tão rápido pra mim, vc é dms! <3

Capítulo 18 - Extra V: Like A Poison


Eu concluí que fazer as malas é bem mais do que despejar peças de roupas aleatoriamente dentro de uma bolsa. É também, metaforicamente, dizer “tchau” ou, quem sabe, um “até logo” para toda uma história; pois, enquanto arrancava minhas roupas furiosamente dos cabides e as jogava dentro da mala com lágrimas banhando meu rosto, sentia como se estivesse me despedindo das lembranças construídas naquele apartamento e do punhado de ilusões românticas que trouxe comigo quando me mudei para este prédio.

Lembrava-me vividamente de uma versão mais jovem e perceptivelmente mais feliz de mim mesmo adentrando as portas de madeira com uma bolsa nas mãos e um Jimin sorridente colado ao seu corpo em um abraço por trás. Nos mudamos para cá logo depois do mais novo se formar na universidade e começar a estagiar na empresa de seus pais. Achávamos cabível que tivéssemos um lugar com a nossa cara, mais espaçoso e confortável, e que, de quebra, fosse mais próximo do campus onde estudava e do emprego de Jimin. Sentia-me como se fôssemos recém-casados em lua de mel, visto que até mesmo belas e douradas alianças adornavam nossos anelares.

Nunca me considerei o mais romântico dos homens ou o mais crédulo no amor, mas Jimin tinha o poder de me fazer desejar compartilhar minha vida consigo, levando-me a cogitar até mesmo me render a uma tradição tão cafona quanto casamento. E, por isso, não poderia estar mais feliz com as promessas do louro de que celebraríamos uma cerimônia simbólica futuramente, com o anel em nossos dedos, com o apartamento gigante para chamarmos de lar, com os braços alheios envolvendo minha cintura e os beijinhos singelos plantados em meu pescoço.

A memória de nós dois inaugurando cada cômodo da casa enquanto nos beijávamos e nos amávamos sobre diferentes móveis ainda era clara em minha mente, assim como as doces recordações de nossos primeiros meses naquele lugar que mais nos pareceu como uma infindável lua de mel. Jimin deu-me os dias mais belos e agradáveis atrás daquelas paredes, e, por muito tempo, pensei que não existia felicidade maior do que estar com ele. Compartilhar uma rotina, planos e sonhos consigo não me parecia difícil, mas, sim, ideal. O Park me fazia amá-lo intensamente e ajudava-me a também me amar na mesma medida.

No entanto, a longo prazo, compartilhar uma vida juntos pode ser fatal para um relacionamento. Não sei ao certo quando toda aquela magia perdeu o seu efeito. Talvez em algum momento logo após Jimin ser efetivado na empresa de seus pais e assumir funções administrativas na Cooky’s Entertainment. O Park sempre se mostrou alguém esforçado e levemente obcecado por resultados. Mas, eventualmente, trabalhar deixou de ser uma ocupação, um meio de pagar as contas e manter um estilo confortável e abastado de vida; transformou-se na sua razão de viver.

Tornou-se um verdadeiro vício que o afastava de mim a cada novo dia.

Não quero me abster da culpa, toda relação passa por problemas e crises. Também tive a minha parcela de culpa em arruinar, gradativamente, tudo aquilo que havia de bom entre nós. Talvez eu tenha lhe dado lições de moral demais, afinal ninguém quer voltar para casa somente para se envolver em mais uma DR, ouvir sermões ou ser ignorado por um companheiro mal-humorado e pirracento. Mas eu realmente tentei mostrar a ele, ainda que de um jeito torto, o quanto estava insatisfeito com aquela situação. Procurei lhe dizer que deseja atenção, parte do seu tempo, um pouco de carinho e conversas corriqueiras. Não devia ser pedir demais que Jimin fizesse uma ou outra refeição comigo, que voltasse mais cedo para casa — de preferência antes que eu capotasse na cama depois de ter cumprido com minha própria rotina de trabalho —, que passássemos o fim de semana juntos, fizéssemos programas de casal e, céus, que ao menos transássemos!

Porém, todas as nossas conversas, todas as quartas, sextas, oitavas e conseguintes segundas chances que lhe dei, todas as nossas tentativas de consertar nosso relacionamento quebrado, acabaram com Jimin pisando na bola e me pedindo desculpas como um cachorrinho arrependido com o rabo entre as pernas. E eu, como o bom idiota apaixonado que sou, lhe dava outras trocentas oportunidades para escolher entre mim e o seu maldito trabalho.

Infelizmente, Jimin sempre optava por trabalho.

Sabia que havia algo de errado com o Park, que provavelmente a atitude mais correta não fosse lhe pressionar para ser um bom companheiro e, sim, lhe oferecer ajuda. Havia entendido há muito tempo que meus odiosos sogros fizeram um belo trabalho em tornar o próprio filho em um robozinho e que sua suposta mudança de atitude nada mais era que um método menos coercitivo de pressioná-lo a fazer aquilo que desejavam. Meu namorado possuía claramente um complexo fodido com mostrar bons resultados e uma necessidade doentia de lhes provar que era bom o suficiente, ainda que fosse gay.  

Entretanto, nem sempre entender a situação nos faz maduros e sensatos o suficiente para tomar as decisões certas. E, por isso, não parei para refletir sobre as minhas atitudes depois de ver Jimin jogar minhas expectativas e esperanças no lixo outra vez. Não contive minha raiva após me arrumar com empenho somente para passar três horas esperando, sentado no sofá da sala, que meu namorado desse as caras para que pudéssemos ter um jantar romântico num restaurante chique em comemoração aos nossos dez fucking anos de namoro ­— que, aliás, pareciam não significar qualquer coisa para si.

Jimin sequer teve a decência de atender ao celular ou responder as minhas incessantes mensagens impacientes. E tudo o que seu secretário disse foi que o Sr. Park havia ficado preso em uma reunião extraordinária e havia pedido para não ser incomodado. Descarreguei toda a minha raiva no coitado do Ryu, mandando-o aos berros que fizesse seu chefe atender a porra do celular sem me importar se estava sendo autoritário demais. Ele, em contrapartida, continuou a me pedir desculpas e dizer que não poderia se arriscar a interromper uma reunião tão importante. Mais tarde, minha consciência pesou por ter sido rude com o rapaz que tão somente fazia o seu trabalho, fazendo-me retornar a lhe telefonar a fim de me desculpar.

E provavelmente Voltaire estava certo quando disse que o amor-próprio é como um balão cheio de vento, do qual saem tempestades quando o picam, pois em algum momento entre minha custosa espera e a tempestuosa raiva — dentre outras emoções que se apossavam de mim — senti-me como um receptáculo prestes a transbordar.

Sequer hesitei antes de pegar as malas guardadas em um canto específico e discreto de nosso enorme closet, abri-las e jogá-las no chão de porcelanato de qualquer jeito. Também não me incomodei em arrancar minhas camisas perfeitamente engomadas de seus cabides e despejá-las de qualquer jeito dentro das malas.  Pegava tudo aquilo que via pela frente de modo aleatório e apenas depositava amontoadas dentro da bagagem. Mal podia enxergar de fato os objetos que selecionei, sentindo minha vista nublada pelas grossas lágrimas que se acumulavam em meus olhos e insistiam em rolar por minhas bochechas.

Foi realmente custoso arrastar as três malas para a sala e foram necessários muitos lenços até que meu rosto estivesse seco e as lágrimas parecem de molhá-lo. Soube que necessitaria retornar ali ao pairar meus olhos sobre as enormes estantes de livros que me pertenciam naquele cômodo. Com certeza levaria algum tempo até que não restasse nada que pudesse ser dito meu naquele lugar. Mas, por enquanto, sobreviveria com aquelas poucas malas de roupas e outras coisas indefinidas.

Joguei-me no sofá e encarei o nada por um longo tempo, esperando até que Jimin desse o ar da graça e eu pudesse gritar consigo, para então ir embora. Dessa vez, sem segundas chances.

Aproveitei o tempo que se seguiu para telefonar para Jeongguk, avisando-o que precisava de si e que estaria em sua casa dentro de algumas horas. O mais novo ficou preocupado, tentou me fazer perguntas, mas eu rapidamente o cortei dizendo-lhe que, quando chegasse, esclareceria tudo.

Assim, aguardei até que ouvisse o barulho da porta sendo aberta e os passos de Jimin ressoarem. Ao sentir sua lenta aproximação, levantei meus olhos a tempo de vê-lo — com o terno pendurado em um de seus braços, a mão afrouxando sua gravata e um semblante cansado — encarar a mim e as malas depositadas ao meu redor com o cenho franzido em completa confusão. Ele alternava seu olhar entre meu rosto inchado e avermelhado e aquelas três malas aos meus pés. E, somente depois de longos segundos em silêncio, o louro se pronunciou.

— Você vai viajar? — questionou, exprimindo estranheza tanto em seu tom quanto em sua face.

— Não — respondi, levantando meus olhos para olhar diretamente os seus. — Eu estou indo embora dessa casa — disse em um tom seco.

— Como assim indo embora? Por quê? — Jimin questionou alarmado, precipitando-se em minha direção imediatamente. — Você não pode ir embora! — dizia rapidamente, aproximando-se de mim e segurando meus ombros.

— Você sabe que dia é hoje, Jimin? — questionei, vendo confusão passar por seus olhos antes de me responder.

— 5 de março...? — falou em um tom que mais parecia uma pergunta do que uma afirmativa. Eu soube, de imediato, que ele sequer se lembrava sobre nosso aniversário de namoro e muito menos da sua promessa de que sairíamos para jantar.

— E isso não significa nada para você? — insisti, vendo as íris castanhas escuras encararem as minhas e um semblante de compreensão finalmente contornar sua face. — Você é um filho da puta, Park Jimin! Um fodido filho da puta! — xinguei-o, aumentando em algumas oitavas o tom de minha voz e exprimindo minha raiva a cada sílaba vocalizada.

— Eu... eu pedi que o Ryu colocasse nosso compromisso na minha agenda e... aigoo, por favor, me desculpe. Nós podemos remarcar o jantar para amanhã se você quiser e... — Jimin dizia rapidamente, gaguejando e tropeçando em suas próprias palavras enquanto olhava-me suplicante.

— Ah, sim, claro, porque nosso aniversário de namoro tem que estar no caralho de uma agenda para que o ocupado e importantíssimo Sr. Park possa reservar algumas horinhas do seu precioso tempo para o idiota aqui! — retruquei amarga e sarcasticamente, desvencilhando-me de seu toque. — Não fode, Jimin! Você tem noção do quão babaca acabou de soar?! Você ao menos sabe que não deveria precisar de Ryu ou da porra de uma agenda para lembrar que hoje é um dia importante para nós dois?!

— Você está sendo dramático, Yoongi. Hoje é um dia como outro qualquer, nós não precisamos de uma data para comemorar nosso namoro ou seja lá o que você quiser.

— Eu sempre estou sendo dramático para você, esse é o problema. E, já que sua memória é tão seletiva, gostaria de lembrá-lo que não foi eu quem pediu por esse jantar. Foi você quem inventou essa baboseira toda há exatamente três semanas atrás querendo se fazer de bom moço depois de mais uma de nossas brigas! — Apontei o dedo para si ao que sarcasmo e raiva banhavam minha voz.

— Se você não fazia questão desse jantar então não há motivo para essa revolta toda — retrucou.

Encarei Jimin, completamente incrédulo, sentindo minha raiva atingir níveis que sequer sabia existir. Precisei contar até dez mentalmente e respirar fundo para não perder o controle e socar a face bonita alheia por ser tão cínico.

— Você é inacreditável, Jimin. — Suspirei cansado, demorando alguns segundos para retomar a fala e levantar meus olhos para si. — Não se trata somente do caralho de um jantar ou da porra de um aniversário de namoro. Eu estou cansado de tudo isso, você não vê? Eu estou farto das nossas brigas regulares, de ser sua última opção e das suas promessas quebradas. Eu não suporto mais esse relacionamento ou continuar vivendo praticamente sozinho dentro dessa casa que só me lembra de você. Eu detesto seus pais com todas as minhas forças e, sinceramente, me sinto à beira de cometer um ato de terrorismo e jogar uma bomba naquela empresa de merda. Eu não tenho mais energias para continuar competindo com as suas prioridades, que não envolvem eu, ou essa casa, ou o amor que você diz sentir por mim e no qual sequer consigo acreditar mais. Eu estou exausto disso tudo, Jimin, e não tenho mais estruturas para tentar ser compreensivo com você e insistir nisso — esbravejei, tendo meus olhos mais uma vez nublados por lágrimas que insistiam em se acumular ali à medida que despejava sobre o outro todas as minhas queixas. — Mas isso não passa de drama para você, certo? — indaguei retoricamente, levantando-me do sofá e enxugando discretamente meus olhos molhados. — E é por isso que eu estou indo embora, Jimin, porque eu cansei de você e das suas promessas vazias — afirmei em um tom decidido, que não deixava espaço para pedidos de desculpas ou argumentações, ao que peguei duas de minhas malas e as puxei até a porta, sendo auxiliado pelas rodinhas das mesmas.

Abri a porta do apartamento, colocando ambas no corredor e tendo de retornar para a sala a fim de buscar a última mala. Jimin apenas me observava, parecendo incapaz de formular qualquer uma de suas desculpas esfarrapadas, enquanto um vinco se formava entre suas sobrancelhas franzidas. Tive de me agachar para alcançar a alça da bolsa de mão restante, e, antes que pudesse sair em definitivo daquela casa, a voz fina do loiro se fez presente.

— Você vai mesmo me deixar? — questionou, incrédulo. — Eu pensei que nossa relação valia mais para você. — Riu sem humor.

— Eu também pensei — disse, dando-lhe as costas e caminhando em direção a porta.

Não dei atenção para os últimos protestos proferidos por Jimin em um tom elevado. Recusava-me a dar importância para as palavras alheias e deixá-las me ferirem e me magoarem ainda mais. Dessa forma, fechei a porta atrás de mim e arrastei minha bagagem até o elevador, detendo o choro junto ao bolo de sentimentos acumulados em meu peito.

Amaldiçoava Jeongguk por morar em um condomínio tão distante do meu à medida que dirigia em direção à sua casa e também xingava os carros que me ultrapassavam e o exagerado número de sinais vermelhos que apenas atrasavam meu percurso.

Fiquei impaciente com o porteiro do condomínio e com toda aquela burocracia para me deixar entrar apenas porque tinha esquecido meu cartão de acesso como visitante, sendo preciso telefonar para o Jeon e pedir que ele permitisse minha entrada para que o homem carrancudo abrisse a contragosto os portões para mim.

Não demorou para que estacionasse meu carro em frente à mansão exageradamente grande de Jeongguk, arrastasse minhas malas até a sua porta e tocasse a campainha repetidas vezes ao passo que logo o moreno me atendeu com um olhar preocupado no rosto, cabelos bagunçados e seus costumeiros moletons folgados. Ele encarou minha bagagem rapidamente antes de envolver-me em um abraço de urso e puxar-me para dentro da mansão. Pude ver precariamente o Jeon acenar para que um de seus empregados cuidasse de minhas malas.

O calor dos braços de Jeongguk e seu afago em minhas costas foram o suficiente para que eu me debulhasse vergonhosamente em lágrimas. O mais novo balbuciava um “shiu” baixinho enquanto uma de suas mãos acariciava meus cabelos e a outra dava batidinhas nas minhas costas. Deixei que ele me levasse lentamente até o sofá de sua sala, no qual nos acomodamos e Jeongguk me aconchegou contra seu peito.

— Você e Jimin hyung brigaram outra vez? — Jeongguk quis saber após notar que meu choro havia sido acalmado, e eu apenas maneei a cabeça positivamente em resposta. — Mas hoje não era o tal aniversário de namoro de vocês? — ele insistiu.

— Exatamente! Hoje deveríamos ter saído para jantar, mas ele me deixou plantado feito um trouxa o esperando, somente para descobrir que ele havia esquecido — expliquei, adquirindo um tom irritado enquanto falava. — Então eu fiquei bravo, arrumei minhas malas, o esperei para que brigássemos e aqui estou eu.

— Você não acha que isso foi um pouco... abrupto? Talvez precipitado demais? — ponderou, franzindo o cenho. — Quero dizer, vocês dois vivem brigando e logo depois fazem as pazes de um jeito ou de outro e..... Você ama ele, certo? — Jeongguk dizia, parecendo confuso com os últimos eventos.

— Amo, amo muito. Mas eu preciso me amar mais, estou saturado de perdoar aquele idiota — respondi, olhando profundamente os olhos negros de meu amigo e vendo-o acenar a cabeça em compreensão, aceitando minha decisão, para logo depois apertar-me contra seu peito novamente.

— Seja o que for que você decidir, eu sempre irei lhe apoiar, hyung — Jeongguk disse em seu tom suave e carinhoso. — E, pensando bem, eu também acho que vocês dois precisam de um tempo para que Jimin hyung se dê conta da burrada que está fazendo e do homem incrível que está arriscando perder. Então, você pode ficar aqui o tempo que desejar. — Ofereceu-me um sorriso largo e fofo.

Afastei-me minimamente do abraço apertado e reconfortante de Jeongguk, apenas para poder lhe olhar melhor, bagunçar seus cabelos macios e dizer:

— Você realmente cresceu, pirralho. — Sorri orgulhoso. — Agora é você quem está cuidando de mim.

— Só percebeu isso agora? — retrucou divertido. — Eu tenho quase duas vezes o seu tamanho, hyung! — disse sorridente.

— Eu não estava me referindo a isso, seu boboca. — Revirei os olhos, com um sorriso diminuto nos lábios. — Eu quis dizer que você amadureceu.

— Bom, eu não sei usar citações bonitas como você ou sou tão sábio quanto, mas acho que dou pro gasto. — Sorriu. — E eu confio que você irá tomar as decisões corretas porque você sempre foi mais sensato que eu.

Queria dizer a Jeongguk que não me sentia sensato e sequer inteligente quando se tratava de Jimin, afinal a paixão tem a capacidade de tornar as pessoas burras e eu não era uma exceção. No entanto, guardei aqueles pensamentos depreciativos para mim mesmo e continuei aconchegado ao corpo de meu amigo, até que meu estômago roncasse e Jeongguk me arrastasse para cozinha dizendo que precisava comer e depois descansar, já que havia tido um péssimo dia.

Estar com o Jeon me fazia bem e, por alguns instantes, consegui não pensar sobre Jimin ou sobre a bagunça na qual minha vida se encontrava enquanto o ouvia falar animadamente sobre assuntos aleatórios. O mais novo me distraiu durante toda a nossa refeição, na qual ele me acompanhou por pura educação. E, depois de tomar uma ducha quente e vestir um pijama, Jeongguk veio ao meu encontro, no quarto de hóspedes, somente para verificar se estava tudo bem e me desejar uma boa noite de sono.

Demorei bastante tempo para de fato adormecer, sentindo estranheza em relação ao quarto de decoração distinta, a cama macia e espaçosa demais e a ausência do cheiro amadeirado e ao mesmo tempo adocicado do perfume de Jimin impregnado nos travesseiros, ao qual estava habituado. Mas, ainda que tenha rolado de um lado para o outro e que nenhuma posição me parecesse a mais correta, eu consegui dormir, sendo vencido pelo cansaço emocional e psicológico.

Quando despertei na manhã seguinte, senti meu corpo pesado em um claro reflexo de meu estado emocional abalado, mas, ainda assim, não permiti que meus minutos na cama se prolongassem e logo tratei de espantar todo o meu desânimo debaixo da água fresca do chuveiro. Recusava-me a deixar que Jimin afetasse ainda mais minha rotina e, por isso, pretendia segui-la o mais naturalmente possível. Acreditava que ficar na cama remoendo lembranças e ressentimentos somente pioraria meu estado de humor.

Dessa forma, vesti minhas costumeiras roupas formais, xingando-me ao notar que todas as minhas camisetas estavam amassadas e que teria de passá-las se quisesse me vestir decentemente. Após terminar de me arrumar, não tardei a descer as escadas e me dirigir até a cozinha alheia a fim de fazer meu desjejum, encontrando um Jeongguk de cabelos molhados, trajando um terno Armani negro enquanto enfiava torradas na boca e comia animadamente. Sorri devido ao contraste entre sua aparência deveras formal e suas bochechas fofamente cheinhas de comida, tendo em mente o pensamento de que não importava quanto tempo passasse, o Jeon sempre seria meu adorável ‘saeng.

— Bom dia, Gukkie — cumprimentei-o com um sorrisinho nos lábios, aproximando-me da mesa farta de guloseimas e frutas.

— Hey, hyung — o mais novo levantou seus olhos para mim, cumprimentando-me ainda com a boca cheia. — Como passou a noite? — quis saber, levando um copo com suco até seus lábios.

— Sinceramente? — perguntei retórico, servindo-me de suco de laranja. — Foi uma merda. Eu só consegui dormir lá para as três da madrugada. — Sorri sem humor.

— Ao menos você não foi o único que dormiu mal — Jeongguk disse, fazendo-me franzir o cenho, confuso.

— O que quer dizer com isso? Também dormiu mal essa noite?

— Jimin hyung apareceu aqui mais cedo — revelou.

— Hm — balbuciei, concentrando-me em passar geleia em minha torrada e fingir indiferença, visto que não queria transparecer o salto que meu coração deu em meu peito com tal notícia.

Jeongguk parece ter entendido minha reação como uma deixa para que prolongasse o assunto, dando-me mais detalhes sobre o ocorrido.

— E ele não parecia nada bem — afirmou, ganhando minha atenção ao que levantei meus olhos para si. — Ele estava fedendo a bebida, com olheiras profundas e realmente alterado. Ele insistiu para que eu lhe acordasse, dizendo que queria levá-lo de volta para casa e que era absurdo que você ficasse aqui quando já possui um lar — contou, ainda bebericando de seu suco. — Eu não sabia bem o que fazer com ele, mas achei melhor não o deixar subir, então pedi para que ele lhe desse um tempo e o convenci a ir embora. Fiz certo?

Não pude evitar a pontinha de felicidade que borbulhou em meu interior por saber que Jimin havia vindo atrás de mim, mas ela logo foi ofuscada pela constatação de que o Park não estava bem.

Espantei rapidamente aqueles pensamentos, pigarreando a fim de me recompor e então responder Jeongguk: — Você agiu bem, Jimin é um saco bêbado e eu precisava dormir — respondi, aparentando indiferença e tratando de levar a torrada com geleia de morango até minha boca e ocupa-la, dando uma generosa mordida.

— Hoseok hyung também telefonou querendo falar com você e...— dizia quando o toque de meu celular soou e o interrompeu de modo que retirei rapidamente o aparelho do bolso, vendo o nome do dito cujo brilhar na tela.

— Falando no diabo... — disse, revelando a identificação que brilhava no écran para o Jeon, antes de atender a ligação e levar o telefone até meu ouvido.

Bom dia Yoonie! — a voz animada e alegre de Hoseok me cumprimentou. — A nossa reunião ainda está de pé? Tenho novidades para você! — disparou, fazendo-me sorrir de seu jeitinho.

— Bom dia, Hobi — falei. — E sim, nos encontramos naquela cafeteria, como combinado — confirmei entre risos. — Que novidades são essas, hm?

Eu terminei o levantamento de todos os seus bens e montei um inventário atualizado — revelou, surpreendendo-me com sua agilidade. — Agora tenho algumas propostas de investimento e aplicação para lhe fazer.

— Uau, tão rápido assim? — indaguei retoricamente, exprimindo minha surpresa em meu tom. — Estou ansioso para ouvir mais sobre isso.

Eu sou o Flash, você não sabia? — brincou, sorrindo nasalado. — Te contarei mais sobre isso às dez.

— Então até às dez — despedi-me sorridente.

Ao encerrar o telefonema e retornar minha atenção para Jeongguk, encontrei um olhar indagador e desconfiado em seus olhos, fazendo-me rapidamente procurar responder ao seu questionamento não dito.

— Eu contratei os serviços de Hoseok para que ele me ajudasse com a administração dos meus bens e tudo mais — expliquei. — Você sabe que eu não entendo muito sobre essas coisas, certo?

— Você poderia ter falado comigo, eu te ajudaria em qualquer coisa — contrapôs. — Entendo o suficiente do mercado financeiro.

— Você tem as suas próprias ocupações, que, aliás, não são poucas. Além disso, Hoseok é um profissional da área, com certeza está mais preparado para me auxiliar do que você — justifiquei-me.

— Wow, cadê o meu hyung todo animadinho que falava no telefone há dois minutos atrás? Eu só estava me oferecendo para ajudar, mas não está mais aqui quem falou — fez drama, levando até mesmo a mão até o peito e fingindo-se de ofendido.

— Esse seu hyung está de saída porque tem um compromisso na cafeteria em exatamente 40 minutos — disse, ignorando o drama alheio ao depositar o copo vazio sobre a mesa, levantar-me, jogar o terno sobre o ombro e recolher meus pertences — como chaves do carro e celular —, para então depositá-los em meu bolso e sair em direção à porta.

Meus encontros com Hoseok resumiam-se a conversas amigáveis e negócios. Dialogávamos sobre os distintos rumos que nossas vidas haviam tomado nos últimos anos e colocávamos as novidades em dia. Isto é, quando não falávamos sobre minha vida financeira.

Acontece que havia vendido minhas ações no grande escritório de advocacia pertencente à minha família para o meu irmão mais velho, assim como havia aberto mão de todos os meus direitos sobre os negócios e bens dos Min e recebido minha parte da herança em troca. Após isso, coloquei todo o valor em dinheiro no banco e não o movimentei, tendo o usado somente para comprar as ações da Cooky’s, as quais vem sendo, desde então, meu principal meio de sustento juntamente ao meu salário na empresa.

Nunca tive o menor interesse na área jurídica. Julgava extremamente chata toda a coisa envolvendo leis e burocracia. E, felizmente, meu pai jamais me pressionou para admitir qualquer responsabilidade relacionada aos negócios de nossa família desde que meus dois irmãos mais velhos se mostravam mais do que interessados e dispostos a fazê-lo. Assim, pude manter minha independência e liberdade para escolher fazer aquilo que gostava — mesmo que tenha demorado alguns anos até que pudesse tomar uma decisão.

E era em meio a tudo isso que Hoseok se encaixava no papel de meu contabilista.

— Olá, Yoonie! — o dito cujo disse após cruzar as portas duplas de vidro da cafeteria e me oferecer um grande e resplandecente sorriso ao aproximar-se de minha mesa. Devolvi-lhe o sorriso amigável, assistindo-o depositar sua maleta de couro sobre a mesa para então acomodar-se na cadeira a minha frente.

— E aí — disse casualmente.

— Como você está? — questionou simpático, alcançando o cardápio sobre a mesa para logo examiná-lo em busca do que pedir.

— Já estive melhor — respondi ambiguamente.

— Aconteceu algo? — quis saber, levantando seus olhos para mim.

— Não — menti. — Podemos ir direto ao que interessa? — procurei desconversar, remexendo-me desconfortavelmente na cadeira.

— Espere... — pediu, levantando a mão e acenando para um garçom. — Você poderia me trazer um Latte Macchiato, por favor? — solicitou ao rapaz, que acenou afirmativamente, anotando o seu pedido. — Prontinho, agora sim podemos ir direto ao assunto — disse, virando-se de frente para mim e tratando de retirar de dentro de sua maleta um tablet juntamente de uma pasta. — Aqui está a relação de todo o seu patrimônio, incluindo bens como carro, apartamentos, as ações da Cooky’s... tudo — anunciou, entregando-me os papéis presentes na pasta.

Analisei-os rapidamente, entreabrindo meus lábios ao notar aquela exagerada quantidade de zeros na avaliação final de meu patrimônio, soltando um “porra” devido à minha surpresa.

— Como você pode ver, o dinheiro que você deixou guardado no banco praticamente duplicou, mas poderia ter quadruplicado se você tivesse o investido em outro lugar. E é justamente sobre isso que quero falar — anunciou animadamente, acendendo o écran de seu aparelho e dando início a uma complicada conversa envolvendo siglas para tramites financeiros, juros compostos, ativos financeiros e um novo fundo de investimentos.

Ao final, tudo o que tinha a dizer era: — Você não acha isso arriscado? Quero dizer, esse fundo de investimentos empresta dinheiro para o governo.

— Não há qualquer risco, principalmente tendo um contabilista para cuidar de todos os detalhes — assegurou, olhando-me firmemente.

Ponderei brevemente sobre suas palavras, para então questionar: — Onde eu tenho que assinar?

Hoseok logo sorriu satisfeito e apontou os campos de assinatura em três documentos diferentes.

— Prontinho — disse, devolvendo a pasta para ele. — Agora você também é oficialmente meu contabilista. — Sorri amplamente para si, oferecendo-lhe minha destra para que trocássemos um teatral aperto de mãos.

Discutimos assuntos referentes a nossa vida pessoal e eu o alertei que precisaria retirar uma boa quantia do banco para alugar um apartamento, tendo que desconversar quando Hoseok questionou-me o motivo para minha mudança. Não queria ter que contar a ele sobre a crise na qual meu relacionamento com Jimin encontrava-se, pois sabia que ele não era a pessoa certa para ouvir meus desabafos e queixas sobre o outro. Nossa conversa se prolongou até que a xícara do Jung se encontrasse vazia e ele anunciasse que possuía um outro compromisso dentro de poucos minutos, fazendo-se necessário que nos despedíssemos.

Talvez fosse um pouco precipitado demais que alugasse um apartamento e me mudasse em definitivo da casa que compartilhei com Jimin, mas sabia que apenas algumas malas feitas e uma estadia na casa de meu amigo não era suficientemente forte para que estabelecesse a distância necessária entre nós dois. Precisava tomar medidas radicais se desejava uma mudança radical ou acabaria nos braços de Jimin mais cedo do que esperava.

Por isso concentrei-me nas conseguintes duas semanas em encontrar um bom apartamento na vizinhança do Jeon, em assuntos do trabalho e em despender meu tempo livre ao lado de meu melhor amigo como há muito tempo não fazia. Tratei de ignorar todas as chamadas e mensagens que Jimin me enviava insistentemente.

Não me sentia preparado para discutir outra vez com o Park e, conforme infringi do conteúdo de suas mensagens, ele também não estava. Dialogar com certeza é o melhor caminho para se solucionar impasses, no entanto isso só funciona se ambas as partes tiverem refletido e amadurecido suas concepções para tal.

Também decidi usar este tempo para agir e buscar uma solução real para os problemas alheios: um tratamento psicoterapêutico. Acreditava piamente que Jimin precisava de auxílio, não só por conta de seu preocupante vício em trabalho, mas também por toda a sua trajetória marcada por preconceito dentro de sua família. Queria ajudar Jimin, mesmo que isso não significasse também a cura para o nosso relacionamento. Apesar de tudo, eu o amava e essa era a única e última coisa que poderia fazer por ele antes de partir acompanhado por um caminhão de mudanças.

Após conseguir alugar um apartamento em um prédio a algumas quadras da casa do Jeon, organizar todos os detalhes referentes à mobília e mudança e encontrar uma psicóloga de confiança, vi-me finalmente disposto a responder aos telefonemas alheios. Jimin pareceu extremamente aliviado ao ser atendido no terceiro toque e ao ouvir minha voz, chegando a ficar até mesmo sem palavras. Nos cumprimentamos como se fôssemos perfeitos estranhos, e poderia jurar que nervosismo e arrependimento mesclavam-se ao timbre do outro a cada som proferido. O Park me convidou, completamente acanhado, para que jantássemos juntos, prometendo-me que desta vez não haveriam atrasos. E eu aceitei o seu convite, pois não pretendia me mudar sem antes ter uma conversa civilizada consigo.

E era por este motivo que estava em um sofisticado restaurante francês sendo conduzido pelo metre até a mesa que reservamos. Observava as mesas bem distribuídas pelo salão de piso lustroso, os garçons com suas vestimentas formais transitando com bandejas ou aparelhos em mãos, e a grande parede de vidro na extremidade esquerda, encontrando em um canto próximo à mesma a figura de Jimin acomodado à mesa. Não pude evitar surpreender-me por Jimin ter chego ao local com antecedência e muito menos negar o pensamento de que, se ele tivesse sido tão pontual em nosso último compromisso, sequer precisaríamos estar tendo essa conversa difícil.

Sentindo-me nervoso, puxei a cadeira e me sentei à frente de Jimin, que parecia tão nervoso quanto eu ao remexer sua perna freneticamente. Ele concedeu-me um sorriso tenso, abaixando seus olhos para encarar a toalha da mesa timidamente logo em seguida.

— Err... Oi? — disse, procurando quebrar o gelo e iniciar um diálogo, ainda que estivesse igualmente nervoso.

— Oi — ele respondeu ao que um clima ainda mais denso se instalou entre nós. — Você quer... hm... fazer os pedidos agora ou...? — questionou hesitante.

— Pode ser. — Dei de ombros, alcançando o cardápio em cima da mesa. — Talvez polenta com ratatouille? — sugeri, analisando o menu.  

— Com certeza ratatouille — confirmou. — Irei pedir ao garçom para anotar os pedidos e trazer a sugestão do chefe para bebida — informou, repentinamente mais animado.

Um rapaz alto e bem vestido rapidamente se direcionou à nossa mesa, anotando nossos pedidos ligeiramente para então nos pedir licença e se retirar.

Em respeito ao claro nervosismo alheio, deixei que Jimin nos conduzisse para um diálogo estranhamente normal demais. Ele agia como se não lembrasse o porquê de estarmos ali e isso me deixou gradativamente incomodado.

— Nós podemos, por favor, parar de fingir que está tudo normal e termos a conversa que precisamos realmente ter? — pedi, cansado daquele teatrinho.

Jimin abriu e fechou a boca diversas vezes, parecendo procurar pelas palavras certas a serem ditas, antes de soltar um suspiro sôfrego e finalmente se pronunciar. — Me desculpe, eu não queria fugir do assunto. Eu só estou nervoso com tudo isso — pediu em um tom arrependido, voltando seus olhos para mim. — E eu também quero te pedir perdão por tudo. Eu sempre estive errado e.... Talvez eu tenha mesmo trabalhado demais e deixado de te dar a atenção que você merece e... por favor, só... só me perdoe e volte para casa, sim?

— As coisas não são tão simples assim, Jimin. — Suspirei. — Eu não posso mais apenas voltar para casa, já aluguei um apartamento e estarei me mudando em três dias. Eu vim aqui para conversarmos e terminarmos esse relacionamento bem. Não quero que sejamos inimigos depois de passarmos tantos anos juntos. — Coloquei as cartas na mesa, vendo o outro arregalar levemente os olhos, surpreso com as novas informações.

— Então é isso? Você está jogando toda a nossa história no lixo por causa de um acontecimento tão bobo? — Jimin questionou, soando incrédulo e magoado. — Eu pensei que significava mais para você... Eu estava disposto a mudar por você e... porra! Eu ainda amo você.

— Eu não estou jogando nada fora, Jimin, não vou ter amnésia e esquecer dez anos da minha vida de uma hora para outra. Eu só estou tomando as decisões que julgo corretas — argumentei, como se estivesse ensinando a uma criança. — Você foi o meu primeiro amor, o meu primeiro namorado, o meu primeiro tudo. E, em todos esses anos, você continuou sendo o primeiro e único para mim. Você é muito importante para mim, Jimin, e nada poderá mudar isso — disse, estendendo minha mão e apoiando-a sobre a mesa, olhando-o e dedicando-lhe um sorriso terno.

Jimin não demorou para alcançar minha mão e envolver seus dedos rechonchudos nos meus, seus olhos brilhavam devido as lágrimas que começavam a acumular-se ali, e senti meu coração se apertar em meu peito ao notar a dor em seu semblante.

— Só me diga o que fazer para ter você de volta... E-Eu faço qualquer coisa, Yoonie, mas não vá embora — pediu, soando quase desesperado ao levar minhas mãos aos seus lábios e beijar o torço da mesma.

— Não tem nada que você possa fazer por nós dois agora, Chim — declarei, tentando conter o bolo que se formou em minha garganta ao proferir aquelas palavras. — Não tem nada que você possa fazer por mim e... eu não acredito mais que você possa realmente mudar se continuar tendo em mente que não está fazendo isso por você mesmo. — Suspirei, vendo uma lágrima rolar pelas bochechas cheinhas alheias, fazendo-me levar a mão imediatamente até seu rosto a fim de secá-lo. — Mas há algo que eu gostaria que você fizesse por si mesmo — revelei, acariciando sua bochecha, e Jimin fechou brevemente os olhos em apreciação ao meu toque.

Foi necessária muita força de vontade para retirar minha mão de seu rosto, tendo os olhos questionadores e curiosos de Jimin abertos de imediato, prontos para assistir a cada um de meus movimentos enquanto eu me remexia para retirar o cartão do bolso de minha calça jeans.

— Aqui. — Escorreguei o cartão sobre a mesa até si. — Eu tomei a liberdade de procurar por uma psicóloga de confiança e acabei encontrando a Dr. Lee — revelei, enquanto Jimin averiguava o cartão em suas mãos. — O escritório dela fica próximo a Cooky’s, então deve ser cômodo para você.

— O que isso significa? — quis saber, ainda confuso.

— Eu acho que você precisa de ajuda psicológica, Chim. Não é natural ou saudável a relação que você tem com o trabalho e, se levarmos em conta os seus problemas familiares, então acho válido que você tenha algumas consultas — tentei soar o mais suave possível.

— Isso é sério? — entonou sarcástico, parecendo repentinamente transtornado.

— Nunca falei tão sério em toda a minha vida — assegurei. — Você disse que queria mudar, não foi? — perguntei retoricamente. — Então, eu estou te dando a oportunidade de realmente mudar, mas cabe a você admitir que tem um problema ou continuar em negação — proferi, buscando manter a calma.

— Isso... isso é ridículo — Jimin proferiu desgostoso. — Eu não tenho porra de problema psicológico nenhum. Sou perfeitamente saudável.

— Jimin, você trabalha cerca de 14 horas por dia, até aos fins de semana e feriados você fica grudado no computador como um lunático arranjando coisas para fazer mesmo que elas não sejam de fato a sua obrigação.

— Isso é normal! — contrapôs. — Mas você com certeza não entenderia, passa três horas na empresa e já arranja desculpas para ir para casa.

— Claro, eu trabalho por prazer e não por dever. Muito diferente de você que vive para provar para os seus pais o quão bom você é através do trabalho, como um perfeito idiota!

— Não é bem assim, eu...

— Você sente muito por ser gay, eu sei — cortei-o amargamente. — Talvez você devesse estar tendo esse jantar com os seus pais para lhes dizer o quanto você lamenta por preferir foder minha bunda em vez de estar casado com uma das filhas ridículas dos sócios daquela empresa de merda.

— Você sabe que eu não lamento por isso.

— Não, Jimin, eu não sei. Tudo o que eu sei é que você sempre abaixa os olhos, completamente envergonhado, ao me apresentar para aqueles idiotas nas festas ainda mais idiotas da Park’s. — Suspirei cansado. — Mas isso não importa mais, certo? Está tudo acabado entre nós e agora você pode até mesmo casar-se com uma daquelas...urgh! Tenho certeza que nada faria os seus pais odiosos mais feliz do que isso.

— Yoongi, você é tudo para mim, eu estou pouco me fodendo para os acionistas, as filhas deles ou os meus pais. Nada disso é mais importante do que você.

— Não é o que você faz parecer. Não é isso que suas ações dizem. E, como você sabe, eu estou cansado das suas falas vazias de atitudes — disse, magoado, remexendo-me na cadeira para retirar minha carteira do bolso, recolhendo uma quantidade significativa de dinheiro e jogando-o sobre a mesa.

— Você já está indo embora? — o Park questionou, franzindo o cenho em confusão.

— Eu já disse tudo o que tinha de ser dito e nossa conversa está tomando um rumo indesejado — expliquei. — Não queria que as coisas entre nós acabassem com mais uma discussão, mas acho que não discutir com você se tornou uma tarefa impossível.

— Não vá embora assim, fique ao menos para o jantar — pediu quase suplicante.

— Eu estarei indo ao nosso apartamento na sexta-feira à tarde com a equipe de mudança, depois que terminamos de retirar tudo deixarei a minha cópia da chave e o meu cartão de acesso com o porteiro — informei, levantando-me pronto para ir embora. — Ah, e, por favor, pense com carinho sobre a consulta com a psicóloga. Essa é a única coisa que te peço.

Com isso, eu dei as costas para Jimin e o deixei enfrentar os seus problemas sozinhos. Porque, como eu mesmo havia dito a Jeongguk há alguns anos atrás, às vezes é preciso queimar algumas pontes e criar alguma distância. Eu e Jimin precisávamos queimar a ponte que nos ligava para o nosso próprio bem, visto que aquela relação nos fazia tão mal quanto veneno tomado na veia. Sentia que Jimin estava me matando por dentro ao tornar todo aquele intenso amor em dor e, muito provavelmente, eu também estava o destruindo internamente.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, vejo vocês nos comentários :)


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