História Karma - Capítulo 19


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Androgyne!tae, Bottom!taehyung, Bottom!yoongi, Clichê, Gguktae, High School!au, Kooktae, Kookv, Menção Vmin, Office!au, Side!yoonmin, Taegguk, Taehyung!bottom, Taekook, Top!jeongguk, Top!jimin, Top!jungkook, Ttandjjk, Yoonmin
Visualizações 789
Palavras 9.804
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, desejo uma boa leitura para todos!
Tenho um aviso IMPORTANTÍSSIMO pra vocês nas notas finais, por favor, tirem um tempinho pra ler.

~ Capítulo betado pela @uritaechu <3

Capítulo 19 - Extra VI: Messages For Yoongi


Às vezes eu sentia como se Jimin tivesse se infiltrado em cada parte de mim. Como se tivesse se impregnado em minha pele e me marcado com a doce lembrança de tê-lo para mim ao mesmo tempo em que me entregava para si. O sabor de seus lábios volumosos parecia estar tatuado em minha mente. E, se fechasse meus olhos, poderia facilmente embebedar-me com a fantasia de ter seus dedos pressionando minha tez gentilmente ao que um adorável eyesmile contornaria seus olhos ao sorrir fofamente para mim e me dizer que me amava, como tantas vezes o Park havia feito.

Eu sentia falta de dormir ao seu lado e de voltar para casa depois de uma tarde cheia de trabalho. Eu sentia saudades até mesmo de esperá-lo retornar, ainda que sempre me irritasse consigo e acabasse dormindo, completamente mal-humorado no processo. Mas, ainda que ele demorasse, era reconfortante sentir sua respiração quente contra minha nuca e o seu braço envolvendo-me para que dormíssemos de conchinha.

Haviam tantas pequenas coisas sobre Jimin as quais estava habituado de tal forma que passaram a fazer parte de mim, a compor a minha rotina, que sequer poderia enumerá-las, mas sabia que cada uma delas me causava dor.

Ter tomado a difícil decisão de terminar o nosso relacionamento e seguir em frente me deixou extremamente consciente sobre a importância de cada pequeno detalhe sobre si que não fariam mais parte da minha vida daquele momento em diante.

E Jimin não tornou fácil a missão de esquecê-lo e prosseguir com minha vida ao fazer da caixa de mensagens de meu celular uma espécie de diário.

Tudo começou em uma quarta-feira, algumas semanas depois de ter me mudado definitivamente para um apartamento no mesmo condomínio que Jeongguk e quase chorado ao empacotar meus pertences e entregar a cópia de minhas chaves ao porteiro.

Eu estava empoleirado no sofá da sala, com um cup noodles e hashis em mãos, enquanto assistia a um programa de variedades qualquer quando meu celular me notificou sobre a chegada de uma nova mensagem em meu kakao talk. Surpreendi-me ao ver o nome de contato de Jimin brilhar no écran e não demorei muito para clicar sobre a notificação e abri-la.

Baka Mochi:

Hoje eu tive minha primeira consulta com a psicóloga (sim, eu acabei cedendo ao seu pedido), não foi tão ruim quanto eu pensava que seria e, agora, consigo finalmente admitir que preciso de ajuda. Enquanto nós conversávamos, eu percebi que você é a única pessoa que tenho e que sempre esteve ao meu lado para me ouvir. Foi estranho ter que falar de coisas pessoais com alguém que não fosse você. 

Eu não quero ter que deixar outras pessoas me lerem além de você.
Então, me desculpe se isso for incomodo, mas eu preciso que seja você, independente de como nós acabamos, eu ainda preciso que seja você.

— Como é suposto que eu te esqueça quando você é tão absurdamente fofo? — berrei como um idiota para o celular, revirando-me no sofá ao ter pequenos surtos com a mensagem alheia. — Jimin egoísta! — Joguei o aparelho para longe, recusando-me a ceder àquele claro ataque ao meu frágil coração.

Após ter pequenos surtos com a fofura alheia e uma grande crise existencial, tomei a decisão de não lhe responder, pois acreditava que este seria um caminho sem volta para logo me descobrir trocando mensagens consigo todos os dias ao que, nesse ritmo, não demoraria para que reatássemos e todos os meus esforços fossem por água abaixo.

Jimin está melhor sem mim”, repetia para mim mesmo mentalmente. “Ele até teve sua primeira consulta com a psicóloga”, consolava-me.

Pensei que havia tomado a decisão certa quando não recebi qualquer mensagem durante a semana seguinte. Havia retomado minhas funções na empresa — após um pequeno recesso tirado para organizar minha mudança —, e estava animado com a produção da nova linha de bichinhos de pelúcia para os personagens dos jogos da Cooky’s.

Nunca havia pensado que me sentiria tão bem desenhando e idealizando artigos para colecionadores e brinquedos, visto que minha principal paixão sempre foram os livros e tudo o que dizia respeito à literatura, mas o contato com o curso de Design feito por Jeongguk cativou minha atenção, rapidamente encantando-me com a área de Design Industrial. O meu trabalho era leve, gratificante e uma boa válvula de escape quando tudo ao meu redor parecia enfadonho.

Naquela semana, tive outro encontro com Hoseok no mesmo café de outrora, onde ele me atualizou animadamente sobre os investimentos que havia feito, mostrando-me gráficos que demonstravam o rendimento do dinheiro aplicado. Após concluirmos o tópico “negócios” e cairmos de paraquedas no assunto “mudança”, tornou-se inviável não lhe revelar o término de meu relacionamento com Jimin, principalmente depois de ter deixado escapar que me sentia solitário em meu novo lar.

Ao contrário do que havia imaginado, Hoseok não se mostrou desconfortável ao falarmos do Park ou teve qualquer reação negativa, tudo o que ele fez foi lamentar que tenhamos terminado um relacionamento tão longo e cheio de amor, oferecendo-me seu ombro amigo caso necessitasse.

Um assunto levou ao outro e, quando me dei conta, questionava Hoseok sobre o passado e sobre como ele havia lidado com a minha rejeição. O Jung confessou-me que foi muito doloroso no começo e que, mesmo esforçando-se, sua relação com Jimin ruiu diante de seus olhos. Ele também me revelou que esta decepção amorosa foi um importante fator motivacional para a sua mudança para Busan. Disse-me ainda que tal distância foi tudo o que necessitava para seguir em frente e me esquecer de fato.

Hoseok então contou-me sobre suas paixões da universidade juntamente com histórias sobre as várias travessuras que aprontou por lá. Falou-me também sobre o recente término com um estudante em intercâmbio chamado Harry, que fora ocasionado tanto por sua mudança para Seoul quanto pela necessidade do outro de retornar para Brighton, na Inglaterra. Nosso diálogo foi deveras divertido e me fez me esquecer completamente sobre Jimin por longas horas enquanto gargalhava alto ao Hoseok me confidenciar o quanto o sexo com o rapaz estrangeiro era bom e, de alguma forma, diferente.

Ao retornar para casa, naquela tarde, sentia-me leve e rindo ao vento só de me lembrar das piadas contadas pelo outro, mas meu semblante tornou-se sério ao ter meu celular tilintando em meu bolso e o nome de contato de Jimin notificado na tela.


Baka Mochi:

Oii, Yoongi, como você está? Porque eu estou ótimo hoje! A Dr. Lee me passou uma lista de desafios para cumprir e nós estamos otimistas sobre minha melhora.
 

- Trabalhar apenas 8 horas por dia, com horários fixos de entrada e saída.

- Não trabalhar ou resolver qualquer assunto que diz respeito a trabalho em casa, durante a noite ou madrugada.

- Arranjar hobbies.

- Praticar exercício físico.

- Dizer "não" com mais frequência (principalmente para os meus pais).

- Domingos são absolutamente santos, não atender telefonemas, checar e-mails, nada referente a trabalho.

- Dormir pelo menos 9 horas por dia.

- Alimentar-me de 3 em 3 horas, mantendo uma dieta saudável.

- Privilegiar compromissos com entes queridos.
 

Eu sei que parece tudo muito fácil de fazer, mas sinto um frio na barriga só de pensar no primeiro desafio!

 

— Eu espero que você realmente consiga — desejei, com um sorriso pequeno nos lábios ao que os mordisquei.

Mantive minha decisão de não responder as mensagens de Jimin, ainda que uma parte de mim desejasse lhe pedir mais detalhes sobre suas consultas. Não queria lhe dar as motivações erradas para seguir com o tratamento, pois, como já havia deixado claro, Jimin deveria mudar por si mesmo. E, por mais que suas mensagens tornassem a tarefa de esquecê-lo impossível, não tive a coragem de o bloquear. Sentia que Jimin precisava da minha caixa de mensagens na ausência de um amigo para lhe dar suporte. E eu não queria ser aquele a tirar de si o seu pequeno refúgio.

Tentei distrair-me ao trocar mensagens com Hoseok e dar continuidade a conversa animada que tivemos naquela tarde, sendo facilmente cativado pelos assuntos aleatórios alheios. Por mais difícil que fosse manter Jimin distante de minha mente quando ele estava cravado em meu peito, Hoseok conseguia roubar minha atenção.

No entanto, no fim das contas, Hoseok continuava sendo apenas uma distração. Uma distração que me fazia sorrir e tornava minha realidade mais fácil e leve, mas ainda assim uma distração. E o grande problema das distrações é que elas não fazem qualquer efeito quando você deita a cabeça no travesseiro e não pode mais fugir de si mesmo.

Recebi outra mensagem de Jimin no dia seguinte, a qual me fez perceber que o outro não possuía um padrão para o envio de seus torpedos. Ele poderia demorar uma semana para me procurar ou entrar em contato comigo todos os dias. Eu nunca teria como saber quando receberia a próxima mensagem.

Baka Mochi:

Hoje eu repassei para Ryu todas as mudanças que ele deveria fazer em minha agenda para que pudesse cumprir com os desafios. Ele parece ter ficado realmente surpreso quando delimitei meu horário na empresa, mas ele sorriu enquanto reorganizava tudo. Isso me fez pensar que estavam todos preocupados comigo, até mesmo meu secretário.

Eu sinto muito por não ter me dado conta disso mais cedo e tê-lo feito sofrer com tudo isso, Yoongi.

Soltei um longo suspiro após concluir a leitura daquela mensagem. Jimin realmente sabia como me deixar suscetível a si, de modo que aquele pedido de desculpas me soou mais sincero do que qualquer um que ele tenha feito nos últimos anos.

Para a minha felicidade, havia muito trabalho a ser feito naquela tarde e um convite para jantar com Jeongguk para ser atendido naquela noite, então pude desviar minha atenção de Jimin e acalmar meu coração enquanto me ocupava com meus deveres.

Durante o jantar, contei a Jeongguk sobre as mensagens que vinha recebendo de Jimin e o próprio me aconselhou a não respondê-lo, mas deixá-lo à vontade para me mandar mensagens devido ao tratamento. E, após refletir sobre o quão solitário Jimin devia estar se sentindo, concordei em fazer de minha caixa de mensagens um local para que ele pudesse desabafar.

Após concluirmos nossa refeição, Jeongguk arrastou-me para sua sala de jogos, onde um destino de perdas consecutivas me aguardava ao enfrentá-lo no vídeo game. Mas vencer não era tão importante quando olhava para o lado e encontrava o Jeon vibrando infantilmente com a corrida de carros exibida na tela. Passava-se de uma e meia da madrugada quando o moreno finalmente cansou-se de vencer e vencer e vencer, bocejando fofamente ao convidar-me para dormir ali naquela noite. E, mesmo que minha casa ficasse há menos de dois quarteirões de distância, não encontrei coragem para recusar o seu convite, acabando por capotar no seu quarto de hóspedes.

Despertei na manhã seguinte ao som do irritante despertador em meu celular, sentia-me sonolento ao tatear a cama em busca do aparelho que ainda vibrava, tendo a intenção de verificar o horário e desligar o despertador para então tirar mais cinco minutinhos de sono, afinal ninguém se importaria se me atrasasse um pouquinho. Porém, todos os meus planos se desfizeram ao notar a notificação avisando que Jimin havia me enviado outra mensagem. Cocei os olhos com a canhota enquanto minha destra clicava sobre a notificação, abrindo-a e exibindo o conteúdo da mesma.

Baka Mochi:

Você deve estar dormindo agora, não é? Me desculpe por enviar mensagens tão tarde, mas eu realmente não estou conseguindo pregar o olho. Amanhã (ou melhor, hoje rs) será fechado um contrato importante na empresa e me sinto tenso e ansioso com isso. Então resolvi vir aqui, falar com você, mesmo que nunca me responda, porque sei que se não estivesse digitando essa mensagem já teria corrido até meu computador para virar a noite verificando cada detalhe do novo contrato e me preparando para reunião. Talvez eu seja realmente viciado porque sinto uma sensação ruim no estômago e meus batimentos cardíacos não estão normais.
Será que alcoólatras e viciados em drogas também se sentem assim? É quase como se minha pressão fosse cair se eu não me afogar em trabalho agora mesmo.

Vi-me completamente desperto ao terminar de ler aquela mensagem, pulei da cama de imediato, enfiei o celular em meus bolsos e recolhi a chave depositada sobre o criado-mudo para então disparar corredor a fora em direção às escadas. Topei com Jeongguk assim que adentrei a sala, encontrando-o completamente suado em sua camisa regata e sua calça moletom, em uma clara indicação de que ele acabara de terminar sua sessão de exercícios matinais. O mais novo conferiu-me um olhar preocupado ao se dar conta de minha pressa, caminhando em minha direção.

— Para onde você está indo tão apressado assim? — quis saber. — Eu pensei que você fosse ficar para o café da manhã.

— Jimin me enviou uma mensagem essa madrugada e acho que ele não está bem, então eu vou verificar — expliquei rapidamente enquanto me dirigia até a porta, tendo Jeongguk em meu encalço.

— Você não vai a lugar algum, hyung — Jeongguk disse firmemente, segurando meu pulso e detendo-me. — Olhe só para você, está com o cabelo todo bagunçado, sequer escovou os dentes ou comeu alguma coisa; e ainda por cima está pálido como um fantasma de tão nervoso.

— Então o que você sugere que eu faça? Quer que eu fique aqui de braços cruzados quando Jimin está claramente precisando de mim?! — indaguei, alterando o tom de minha voz.

— Eu quero que você se acalme, se arrume devidamente, sente naquela mesa e faça um café da manhã reforçado enquanto eu mesmo vou ligar para Jimin e verificar se ele precisa de algo — ditou em um tom firme.

— Mas... — tentei contra-argumentar, sendo rapidamente cortado pelo outro.

— Você confia em mim? — inquiriu e eu maneei a cabeça em afirmativa. — Então me deixe tomar conta de Jimin por você.

Assim, resignei-me a fazer exatamente o que Jeongguk havia mandado, retornando para o quarto e tomando um banho rápido para então arrumar-me e descer as escadas para tomar café da manhã. Quando adentrei a cozinha, Jeongguk já estava lá me aguardando, ainda com suas roupas de prática, enquanto sorvia o conteúdo da xícara em suas mãos.

— Eu já telefonei para Jimin — avisou, assim que adentrei a cozinha. — Ele me disse que teve um mal-estar noite passada, mas que já está perfeitamente bem, exceto por uma leve dor de cabeça.

— Você tem certeza que ele não estava mentindo? Jimin costuma pensar muito e acaba falando mais lentamente quando está contando uma mentira — indaguei desconfiado.

— Ele não estava mentindo, hyung. — Jeongguk soltou uma risadinha. — E estava falando rápido demais, se isso te consola. 

Não contive o sorriso aliviado que contornou meus lábios após as palavras de Jeongguk, sentindo como se um peso fosse tirado de minhas costas junto a preocupação que se alastrara em mim. Logo acomodei-me à mesa e fiz meu desjejum tranquilamente ao lado de Jeongguk, que passou a reclamar sobre as reuniões que teria no decorrer do dia, chegando até mesmo a fazer imitações cômicas dos empresários que encontraria e dos quais claramente não gostava.

Prosseguimos com nossas rotinas normalmente após aquele ocorrido ao que logo o final de semana bateu à minha porta e me vi livre de minhas obrigações no trabalho para dormir doze horas seguidas, comer fast-foods e despender o tempo restante lendo um bom livro entre os edredons de minha cama. Para mim não existia melhor maneira de aproveitar minha folga, porém Hoseok infelizmente não pensava o mesmo.

O Jung argumentou ao telefone que eu precisava sair daquele apartamento ao menos para contemplar a luz do dia. E, mesmo que eu tenha contraposto que poderia fazer isso perfeitamente a partir das janelas de vidro do meu prédio, o outro bateu à minha porta meia-hora mais tarde, com um sorriso radiante no rosto e uma determinação intransigível de me fazer “ver gente”.

Foi dessa forma que acabei sendo levado a fazer compras em um shopping lotado ao passo que Hoseok se mostrava um comprador compulsivo, pegando todo o tipo de roupas, sapatos e acessórios que julgava atraentes, ainda que eles não tivessem nada a ver um com o outro, demonstrando o quão fluído o seu estilo era. Fui persuadido a também deleitar-me em compras, sob a justificativa de que gastar dinheiro tanto nos fazia mais pobres quanto nos trazia felicidade. Ele conseguiu me convencer a assistir um filme ruim de humor negro, que lhe arrancou alguns gritos assustados durante a sessão e baitas risadas minhas em resposta. Há tempos eu não tinha uma tarde tão relaxante e descontraída, de modo que confiei em Hoseok quando ele me disse que não me arrependeria de acompanha-lo até uma boate gay.

A princípio foi tudo bastante divertido: Hoseok dançava comigo sem importar-se com os meus movimentos desleixados e pouco elaborados, bebíamos nossos drinks e dávamos risada sem motivo aparente. Contudo, depois de esgueirar-me até o bar para pedir uma nova dose e me acomodar no banco a fim de recuperar minhas energias tudo tornou-se tedioso, pois rapidamente Hoseok dançava com um desconhecido e não demorou muito para que eles estivessem trocando um beijo ala desentupidor de pia enquanto seus corpos moviam-se eroticamente colados.

Não possuía a mesma facilidade que Hoseok de beijar uma pessoa qualquer, em um lugar qualquer, sem qualquer sentimento. Apenas o pensamento de fazê-lo parecia-me absolutamente desagradável e errado. Afinal, qual a graça em tocar e ser tocado por uma pessoa que não pode tocar também seu coração? Eu não conseguia entender, pois os únicos lábios que pareciam certos para mim eram agradavelmente macios, atraentemente volumosos e belamente rosados.

Porém, não me incomodava com a cena que ambos desempenhavam em minha frente, mas a sensação de estar sozinho em meio àquela multidão de pessoas tornou-se aos poucos sufocante, fazendo-me atravessar o aglomerado de corpos e ousar tocar o ombro de Hoseok, que separou-se do rapaz apenas para virar-se para mim com os lábios inchados ao que o avisei que estava indo embora.

Quando finalmente retornei para meu apartamento depois daquele dia que julguei ser longo demais, notei que havia a notificação de outra mensagem de Jimin, enviada há algumas horas atrás.

Baka Mochi:

Estava aqui me perguntando o que você estaria fazendo nesse fim de semana. Me lembro que costumávamos passar as tardes juntos, seja agarrados no sofá ou fazendo passeios legais. Quando exatamente deixamos de ser assim? Há um ano? Dois, talvez. Eu não sei ao certo, mas com certeza sou um completo idiota por ter perdido tantas oportunidades de estar ao seu lado.
Tudo o que queria nesse domingo tedioso era poder sentir o seu cheiro e o seu calor.
Eu sinto sua falta para um caralho, Yoongi.

As palavras alheias me fizeram desejar deitar-me em posição fetal, chorar e ouvir músicas tristes até cair no sono. E foi exatamente o que eu fiz: afoguei-me na bad. Seria um eufemismo dizer que Jimin não estava facilitando o processo de desapego com aquelas declarações que me deixavam completamente sensibilizado e suscetível a correr para os seus braços a qualquer momento. Ele, na verdade, estava tornando a coisa toda impraticável.

Era visível que Jimin sequer estava se esforçando para aprender a prosseguir sem mim. O conteúdo de suas mensagens demonstrava o quanto ele ainda estava apegado à nossa história juntos e como ele vinha se dando conta, gradativamente, de seus constantes erros e faltas em relação a nós dois. Seus pedidos de desculpas e demonstrações de afeto funcionavam como uma âncora que também me mantinha encalhado no mesmo lugar.

A única solução que encontrei para lidar com isso foi me apegar a minha rotina e contar com o suporte que Hoseok e Jeongguk me ofereciam. Sentia-me grato a ambos por estarem sempre prontos a me distraírem e me fazerem sorrir, acabando por encontrar uma forma de lhes agradecer ao celebrar um jantar para nós três em meu apartamento.

Hoseok trouxe uma deliciosa torta como sobremesa ao passo que Jeongguk fez questão de comprar as bebidas. Foi uma noite bastante divertida para nós, que só foi estragada pelo papo chato envolvendo investimentos em ativos financeiros no qual os dois se engajaram, que resultou no Jeon convidando o Jung a auxiliá-lo em alguns assuntos referentes a empresa. Ao passo que eu reclamei com ambos por falarem de trabalho em um momento de lazer.

As próximas notícias sobre Jimin vieram apenas na quarta-feira, quando ele me enviou uma mensagem relatando como havia sido sua consulta com a psicóloga:

Baka Mochi:
Hoje eu tive mais uma consulta com a Dr. Lee, ela me parabenizou por estar cumprindo a lista e disse que é normal que eu tenha ataques de ansiedade durante esse processo de recuperação. Ela também me disse que viciados em trabalho não são muito diferentes de alcoólatras e isso me assustou porque eu sempre me considerei alguém equilibrado.
 

A ideia de que era “normal” Jimin ter ataques de ansiedade não me agradou nem um pouquinho. Na verdade, senti meu coração sufocar no peito só de imaginá-lo tendo tal experiência com frequência e o desejo de estar ao seu lado para acalmá-lo sempre que ele necessitasse apossou-se de mim — mesmo que eu não fosse lá um bom exemplo de calmaria.

Porém, teria que lidar com a distância que criei entre nós e com as impossibilidades que ela acarretava.

Nos dias seguintes, Hoseok passou a frequentar a Cooky’s tanto para auxiliar Jeongguk — trabalhando para si como um consultor freelancer — quanto para ter reuniões de negócios e encontros amigáveis comigo em meu escritório. Andarmos juntos pelos corredores e setores da empresa tornou-se comum, assim como despendermos tempo na área de descanso enquanto comíamos sanduíches naturais e tomávamos suco de laranja. Nos tornávamos mais íntimos a cada dia de modo que logo o Jung sentia-se na liberdade de agir como o amigo carinhoso e pegajoso de outrora, dando-me abraços frequentes e agarrando-se a mim como um coala enquanto passeávamos pela empresa.

Recebíamos alguns olhares tortos de funcionários preconceituosos devido a nossa proximidade, mas nenhum deles chegou a nos insultar, pois temiam-me por ser um dos acionistas e diretor de um departamento importante. Não demorou muito para que fizessem suposições quanto a natureza de nosso relacionamento e, apesar de não me importar com aquilo que diziam sobre mim, pensar que tais boatos poderiam alcançar os ouvidos de Jimin realmente me amedrontava.

A confirmação de que isso de fato ocorreu veio junto a uma triste mensagem alheia durante o fim de semana.

Baka Mochi:

Meus pais me convidaram para mais um daqueles almoços chatos de domingo. Eles ficaram contentes em saber que nós nos separamos. E eu não consegui me conter com o quão cínicos eles soaram, então eu os xinguei e nós discutimos.
Eu só me pergunto como pais podem se sentir felizes com a infelicidade de um filho?
Eles sabem que eu amo você, podem imaginar o quanto é doloroso essa separação, o quanto é ruim te ver sorrindo com Hoseok, o quanto eu sinto sua falta e, ainda assim, eles comemoraram diante dos meus olhos.

Eu queria poder responder Jimin e espantar a tristeza que imaginava assolar seu coração naquele momento, mas que direito eu possuía de tentar consolá-lo quando eu era a principal razão para toda aquela dor? E, pior, quando eu não tinha a intenção de reatar o nosso relacionamento? Tudo o que eu dissesse não passaria de palavras vazias de ações. E eu sabia o quanto palavras vazias poderiam ferir alguém mais do que o silêncio.

Entretanto, diferente de mim, o Park não adotou o silêncio por muito tempo, contatando-me dois dias depois com uma longa mensagem e boas novas.

Baka Mochi:
Depois daquele almoço em família eu antecipei minha consulta com a Dr. Lee. Conversar com ela me fez bem e me ajudou a lidar com esse acontecimento.

Dessa vez ela me questionou sobre coisas das quais havia desistido de fazer, ou pelos meus pais, ou por conta da empresa. Eu logo pensei em tatuagens e piercings, mas, de alguma forma, eu me sinto velho demais para isso, e até agradeço por não ter me transformado em um álbum de figurinhas ambulante.

Então, eu lembrei que queria colorir o cabelo.
Eu sempre gostei de pintar o cabelo. Era um ritual que eu e Taehyung mudássemos a cor a cada novo bimestre, só que depois de ingressar na universidade e mais tarde na empresa, eu deixei de ser tão vaidoso e ousado, afinal não pega bem um CEO de cabelo colorido, não é? Depois de dizer isso para a Dr. Lee, ela sorriu de uma forma maldosa (que me assustou, diga-se de passagem) e me desafiou a colorir o cabelo.
E não é que eu realmente fiz isso? Eu me senti um adolescente de novo enquanto estava sentado na cadeira confortável do salão de belezas e a moça fazia o trabalho dela. Foi, de alguma forma, emocionante olhar pro espelho e ver meus fios cor-de-rosa. E foi impagável a cara assustada dos outros acionistas ao ver minha mudança de visual. Mas, a melhor parte, foi o surto que meus pais tiveram. Você com certeza iria adorar ver a cara delas quando me notaram.
Acho que a única pessoa, além de eu mesmo, a ficar contente com minha mudança foi o Ryu. Ele novamente sorriu para mim. E eu pude perceber também todas as risadinhas que ele tentou conter quando as pessoas me olhavam torto.
Eu acho que realmente gosto de Ryu. Ele é um bom amigo.

Queria ter tido a chance de assistir seus fios tornando-se cor-de-rosa gradativamente. Queria estar ao seu lado quando seus pais surtaram para que pudesse lhes dizer algumas verdades. Queria dizer a Jimin que também havia ficado feliz por ele assim como Ryu. Queria apoiar Jimin sem que isso significasse atrapalhá-lo, sem que isso significasse me machucar. Mas eu possuía muitos desejos e um punhado de ressalvas que me impediam de realizá-los.

A primeira vez que pude vislumbrar a mudança de visual de Jimin não foi de fato agradável. Eu estava andando pelos corredores do departamento administrativo da empresa enquanto conduzia Hoseok até a sala do contabilista responsável pelas finanças da Cooky’s. O Jung envolvia meus ombros e contava-me animado sobre o cara com quem estava saindo, fazendo-me rir de quão bobo ele parecia com o novo romance quando cruzamos com um Jimin saindo de seu escritório apressado.

Eu sabia que aquela era uma zona de perigo, mas jamais poderia adivinhar os horários do Park na empresa, visto que ele sempre alternava entre a Cooky’s e a construtora de seus pais. E eu tive certeza que aquele encontro imprevisível havia sido uma infeliz obra do acaso quando mirei os olhos alheios e encontrei neles um misto de mágoa, desconfiança e ciúmes.

Rapidamente puxei Hoseok através do longo corredor, sem deixá-lo perceber que o encontro recente havia me afetado mais do que deveria. Eu não devia mais satisfações a Jimin e muito menos fidelidade, mas ainda assim senti-me mal por si.

Tive a certeza de que havia o magoado devido a minha caixa de mensagens completamente escassa de torpedos seus por três semanas inteiras. Ele não havia me contatado sequer para relatar como foram suas consultas, o que me deixou apreensivo quanto a continuidade de seu tratamento.

Para agravar a situação, houve uma festa importante, que funcionava mais como uma chata reunião entre empresários, onde serviam bebidas e quitutes, e uma música calma funcionava como plano de fundo para as conversas entre os convidados. Acabei sendo forçado a comparecer ao evento devido ao meu cargo na empresa, tendo como companhia o alegre Hoseok e um Jeongguk que não parava de repetir o quanto detestava ter que comparecer a festas da alta-sociedade.

Soube que Jimin interpretou mal minha aproximação com Hoseok após ter seus olhos cravados em nós dois durante toda a noite. Felizmente, o Park não fez qualquer menção de aproximar-se de nós e arriscaria até mesmo dizer que ele nos evitou. Entretanto, nada poderia aliviar o clima tenso no ar, que fez-me arranjar desculpas para sair do evento mais cedo.

Acreditava que depois daquele episódio Jimin pararia em definitivo com suas mensagens, mas estava redondamente enganado, pois alguns dias mais tarde a feliz notificação de que uma mensagem sua havia chegado acalentou-me.

Baka Mochi:
Hey, Yoonie, como você está?

Me desculpe por ter sumido dessa forma, mas ainda estava tentando lidar com os acontecimentos recentes. É estranho ver você com outra pessoa e é estranho que mesmo depois de vê-lo com Hoseok eu não consiga desistir de você.

Então, mesmo que seja incômodo, me deixe tentar mais um pouco porque eu continuo morrendo de saudades de você todos os dias.

Sabe, eu voltei a jogar videogame. Fazia muito tempo que não jogava nada, mesmo sendo acionista em uma empresa de jogos o que é bastante irônico, diga-se de passagem , e não pude evitar sentir falta de quando jogávamos juntos. Era muito divertido, ainda que você sempre perdesse e ameaçasse chamar Jeongguk para defender sua honra. E, claro, que eu sempre perdesse para Jeongguk quando ele realmente vinha defender sua honra.

No final, nós dois somos péssimos em jogos; e você é a única pessoa ruim o suficiente nisso para perder contra mim.

Eu queria que você estivesse aqui para jogarmos Mario Kart.
Eu queria que você estivesse aqui para fazermos qualquer coisa.
Na verdade, eu só queria que você estivesse aqui, mesmo que nós não fizéssemos nada em particular.

 

 — Obrigada por não desistir de mim, Chim — disse, sorrindo aliviado ao que vergonhosamente apertava o celular contra o meu peito.

Nunca me senti tão tentado a responder as mensagens de Jimin como naquela ocasião. Digitei coisas como: “não há nada entre Hoseok e eu”; “Eu ainda amo você”; “Eu também queria que você estivesse aqui”; diversas vezes seguidas, acabando por desistir de enviá-las no último segundo. Eu escrevia, apagava, e então tinha pequenos ataques de vergonha de mim mesmo. No fim, decidi que era melhor não arriscar, pois não queria tomar uma atitude precipitada devido ao calor da emoção e do medo de perder Jimin.

Além disso, eu possuía o contraditório pensamento de que o Park estava melhor sem mim, que por vezes vinha acompanhado da mágoa de não o ter visto fazer o mesmo esforço quando ainda estávamos juntos. Era como se eu não tivesse sido motivação o suficiente para ele. Era como se nossa relação não fosse importante o suficiente para que ele apresentasse melhora.

Eu sentia-me feliz por vê-lo progredir, pois de fato desejava que ele aprendesse a lidar com suas questões internas e se libertasse dessa necessidade obsessiva de provar aos outros algo que ele só devia reafirmar para si mesmo. Mas minha insegurança peçonhenta gostava de brincar com meus pensamentos e sentimentos tornando-os densos e controversos.

Eu tentava ignorar essa vozinha em meus pensamentos que me fazia ter sentimentos tão confusos, mas ela sempre parecia gritar em alto e bom som em minha mente, tornando-me mais desconfiado e inseguro em relação a Jimin.

E este era um dos motivos pelos quais relutava em lhe dar uma resposta, em lhe dar uma nova chance e em me entregar novamente.

Eu estava tomando meu chá da tarde, tranquilamente em meu escritório, quando a próxima mensagem de Jimin foi notificada pelo meu aparelho, chegando até mesmo a engasgar ao analisar o conteúdo da mesma.

Baka Mochi:
Hoje eu recebi uma mensagem de Taehyung, acredita?! Eu estou tão feliz!!! Ele me convidou para tomarmos café, naquela cafeteria próxima a estação, sabe? Céus! Eu não me sinto tão eufórico e ansioso para algo há muito tempo!
Por causa de nosso encontro, pedi que Ryu desmarcasse todos os compromisso que tinha a partir das 2hrs da tarde. Ele ficou realmente surpreso com isso. Acho que não limpo a minha agenda assim desde a última vez em que fiquei doente.
Mas, dessa vez, é por uma boa razão.

Estou tão ansioso por encontrá-lo! :D

Tudo o que consegui pensar ao terminar de ler aquela mensagem foi “fodeu”. A volta de uma peste como Taehyung jamais poderia significar algo bom, na verdade estava mais para um mal presságio. Porém, Jimin regava uma profunda adoração por aquela cobra, sem se importar com o quão venenoso ele poderia ser.

Imediatamente alcancei o telefone em minha mesa, fazendo uma ligação para Lalisa, secretária de Jeongguk, a fim de descobrir se havia espaço na agenda do mais novo e quando poderia encontrá-lo. Achava melhor eu mesmo dar a má notícia para o Jeon, antes que ele encontrasse o Kim por aí e acabasse caindo em seus encantos novamente. Conhecia Jeongguk o suficiente para saber que ele poderia superar qualquer coisa, exceto Kim Taehyung, que sempre funcionou como um estigma em sua vida amorosa, a qual caminhou a trancos e barrancos desde que tivera seu coração partido pelo outro.  

No entanto, após conseguir um horário consigo ao fim da tarde e me encontrar em seu escritório, toda a coragem que possuía para falar sobre Taehyung para si evaporou. Passei a me indagar se era realmente necessário dizê-lo que ele havia retornado, afinal quais eram as chances de ambos se encontrarem? Jeongguk vivia para o trabalho e Taehyung oscilava entre viagens e aventuras mundo afora, decerto que logo iria embora sem jamais topar com o moreno.

Assim, arranjei uma desculpa para a minha visita repentina, dizendo-lhe que precisava desabafar sobre Jimin ao que compreensivamente Jeongguk sentou-se no sofá, permitindo que deitasse minha cabeça sobre suas coxas, conforme acariciava os meus cabelos e eu lhe contava sobre o Park pensar que estava envolvido com o Jung assim como o conteúdo de suas últimas mensagens, ocultando, é claro, a notícia sobre a volta de Taehyung a Seul.

— Eu me sinto tão frustrado por não conseguir superá-lo ou me decidir se quero voltar com ele, sabe? É como se eu não saísse do lugar porque não consigo deixar de amá-lo e de querer estar com ele, mas ao mesmo tempo tenho medo de reatarmos e dar tudo errado entre nós outra vez. Então eu não respondo suas mensagens e fico me corroendo por dentro em dúvidas, incertezas e inseguranças — desabafei, soltando um suspiro longo em seguida.

— Eu acho que você deveria dar uma chance a ele. Jimin hyung é uma boa pessoa e parece estar dando o seu melhor para superar esse problema e... — Fomos interrompidos pelo tilintar do telefone do moreno. — Me desculpe, é um e-mail do trabalho, tenho que conferir — informou após verificar do que se tratava a notificação ao passo que despendeu alguns segundos lendo o tal e-mail. Assisti Jeongguk franzir o cenho, parecendo intrigado e então arregalou os olhos, trincando o maxilar em seguida. — Esquece o que eu disse. O Jimin é um maldito filho da puta dos infernos — vociferou irritado.

— O que ele fez? — questionei, levantando-me de suas pernas conforme o olhava curioso.

— Isso — disse, revelando o écran de seu celular para mim, permitindo-me ler o conteúdo do e-mail, que se tratava de uma mensagem da equipe de RH da empresa, notificando-o sobre a aprovação de um currículo para o cargo de secretário particular de Jeongguk, sendo este candidato, em particular, recomendado diretamente por Jimin. Ao ler o nome do indivíduo pude rapidamente entender as motivações de Jeongguk para aquela reação.

— Puta que pariu — xinguei, aturdido ao assimilar a situação.

— Qual a chance de existir um outro Kim Taehyung, nascido em 30 de dezembro e que conhece o Jimin? — Jeongguk indagou, parecendo nervoso ao que corria seus dedos pelos fios escuros deixando-os desalinhados.

— Uma em um bilhão?

— Eu quero matar Park Jimin! — exclamou, levantando-se do sofá e passando a andar em círculos pelo escritório.

— Então entra na fila.

Assisti Jeongguk ter uma crise existencial enquanto falava sobre o quão fodida era aquela situação, devaneando em voz alta sobre as suas opções de ação e se ele deveria simplesmente despachar Taehyung sem dar-lhe a chance de ser entrevistado. Ele falou também sobre os eventos do passado e sobre como havia sido difícil “superar” o Kim, questionando logo em seguida como ele havia conseguido parecer bonito até mesmo na foto três por quatro de seu currículo. Mas o ressentimento falou mais alto, levando-o a maldizê-lo novamente.

Depois de receber uma mensagem de Jimin lhe explicando o contexto que induziu Taehyung a procurar por emprego e incitando Jeongguk a dar-lhe aquela oportunidade, mesmo que apenas por consideração a si, o moreno cedeu, argumentando que poderia lidar com Taehyung e até mesmo vingar-se dele. Tentei o convencer a simplesmente descarta-lo, porém já era tarde demais. Jeongguk havia tomado uma decisão: iria fazer Taehyung pagar por tê-lo sacaneado no passado.

Enquanto eu só desejava ter a cabeça de Jimin em uma bandeja por ter usado os sentimentos de Jeongguk para o benefício de Taehyung.

No dia seguinte, após Jeongguk narrar como havia sido a entrevista, gabando-se por ter ignorado completamente Taehyung, eu recebi uma mensagem do energúmeno, desculpando-se por ter enviado o Kim para ocupar a vaga de emprego.

Baka Mochi:
Eu acho que você deve estar querendo me matar por ter enviado Taehyung para a entrevista de emprego com Jeongguk. Mas, por favor, acredite em mim quando digo que Taehyung ama Jeongguk, ele só não descobriu isso ainda rs.
E, também, acho que está na hora de deixarmos as crianças se virarem, certo?

 

Mas, voltando ao tópico do meu encontro com Taehyung... Eu acho que reencontrá-lo foi estranho, doloroso e ao mesmo tempo muito bom...?

Confuso, eu sei.
É só que quando ele começou a falar sobre todas as novidades, coisas legais que ele tinha feito, as viagens em que esteve... quando ele começou a falar de tudo aquilo com tanta animação, com um sorriso no rosto e com os olhos brilhando, eu senti que não poderia competir com ele.
Eu sempre vi Taehyung como alguém comparável ao sol brilhante ou a um passarinho livre e feliz. Enquanto eu estou sempre preso a algo, e preciso que ele venha me libertar e iluminar os meus dias.
Pode não parecer — e Taehyung com certeza pensa o contrário —, mas ele sempre me ajudou mais do que eu poderia ajudá-lo em mil anos.
Então, quando ele me perguntou sobre nós, quando ele quis saber sobre como eu estava, eu não consegui dizer tudo a ele. Eu não queria parecer o cara fracassado que precisa de uma psicóloga para ter uma rotina minimamente normal. Eu não queria que ele pensasse que continuava sendo escravo de meus pais mesmo depois de ter se esforçado tanto para me ajudar. Eu não queria que ele soubesse que fui eu quem coloquei nosso relacionamento a perder.
Eu queria ser aquele a ajudar Taehyung ao menos uma vez na vida.
É errado omitir tantas coisas dele mesmo quando ele se abriu como um livro pronto para ser lido por mim? A verdade é que não me importo com a resposta se isso me fizer parecer forte o suficiente para que Taehyung busque apoio em mim.

E agora, como se já não bastasse ter que me preocupar com Jeongguk, Jimin não me dava sequer o privilégio de lhe direcionar a minha raiva por ter trago Taehyung de volta às nossas vidas, ao contrário; ele tornara-se mais uma vez alvo da minha compaixão.

 Taehyung retornou para a nossa convivência tal como um furacão, trazendo fortes ventos e tempestades. Ele mal deu as caras e tornou notável a devastação produzida não só no escritório de Jeongguk, mas também em seu coração. O moreno tentava disfarçar o quanto ele o afetava, porém era impossível fechar os olhos para isso quando o Jeon falava do Kim a cada cinco segundos de conversa. Ele narrava com riqueza de detalhes como Taehyung era um péssimo secretário, completamente inconsequente e birrento como uma criança. E, quando lhe indagava porque insistia em mantê-lo, o mais novo dava-me inúmeras desculpas, mas a assustadora verdade era que Jeongguk gostava de tê-lo por perto, mesmo que apenas para atazaná-lo.

Relutava em aceitar que Jeongguk ainda cultivasse sentimentos por Taehyung depois de tudo que havia acontecido entre eles, por isso não perdia a oportunidade de relembrá-lo que o Kim não era digno de sua confiança, era inconstante e egoísta; dizia-lhe para tomar cuidado, pois Taehyung poderia não pensar duas vezes antes de magoá-lo novamente.  

Em contrapartida, as mensagens de Jimin tornaram-se pouco frequentes, por vezes ele me contava que estava bem e procedendo com a psicoterapia. Mas era vago e pouco detalhista em suas palavras. Por isso surpreendi-me ao receber um texto provindo de si.

Baka Mochi:
Mentir para Taehyung é mais doloroso do que pensava, mas também necessário, pois sei que ele tentaria me ajudar e não focaria naquilo que é realmente importante.
Agora que não posso me abrir com o meu melhor amigo, sinto que preciso ainda mais de você e minhas conversas com a Dr. Lee tornaram-se mais longas. Ela me repreendeu por manter segredos de Taehyung, mas não insistiu para que eu contasse tudo para ele desde que me sinto desconfortável com a ideia.
A Dr. Lee acha que a volta de Taehyung foi positiva para mim, porque agora me desconcentro do meu trabalho e priorizo nossa amizade. Ela disse que isso é um grande sinal de melhora, o que me deixou bastante animado.
Eu queria ter buscado por ajuda antes, porque, quem sabe assim, eu tivesse te priorizado também.
Dói muito ter perdido você, mas espero que Hoseok te faça mais feliz do que eu.

Ao que tudo indicava, Taehyung ter retornado não era tão ruim assim, no final das contas. E talvez eu estivesse com um pouco de inveja por seu retorno significar tanto para Jimin, por ele ser tão importante ao ponto de tornar-se uma prioridade em meio a rotina corrida do outro, por ele poder estar ao lado do Park mesmo sem estar a par de sua situação e, principalmente, por Jimin nunca ter desistido de Taehyung independentemente da distância e falta de contato como ele estava fazendo conosco.

Foi doloroso vê-lo desejar que eu fosse feliz com outra pessoa por mais altruísta que isso tenha soado. Foi difícil vê-lo dar-se por vencido ainda que ele tenha insistido por mais tempo que o esperado. Foi devastador ter de admitir para mim mesmo que definitivamente Jimin estava me superando e que com certeza estava melhor sem mim. E, no fim, depois de muito devanear, dei-me conta de que não era Jimin quem havia estacionado sua vida depois de nosso término, ao contrário, ele estava seguindo em frente em muitos sentidos e aprendendo a viver de forma bem mais saudável e feliz que outrora, enquanto eu permanecia preso a ele, às minhas inseguranças e questões, ao medo de perde-lo e de dizer-lhe adeus, à espera de que ele enviasse mensagens ou batesse à minha porta declarando-se para mim e pressionando-me a voltar para seus braços.

Eu percebi que terminar nosso relacionamento, sair de casa e alugar um apartamento era bem mais fácil do que expulsar Jimin de meu coração. Pois eu continuava o abrigando em meu peito, acostumado ao calor e conforto que aqueles sentimentos me proporcionavam, habituado à sensação de pertencimento que ele me conferia sem me importar em de fato tentar deixar de amá-lo.

Decidi que se Jimin poderia seguir em frente, eu também deveria ser capaz de enxotá-lo de meu coração. Por isso, dediquei-me a novos projetos da empresa e dei suporte a Jeongguk enquanto ele tentava lidar com Taehyung e os sentimentos que afloraram à medida que ambos retomaram sua convivência.

Eu também tentei dar uma nova chance para mim mesmo, aceitando os convites de Hoseok para passeios e encontros duplos. Não era de meu feitio sair muito de casa, mas descobri ser uma boa distração buscar por diversão conforme fazia programas completamente fora de minha rotina na companhia do outro. O Jung ajudava-me a sorrir e encontrar alegria em pequenas coisas e consolava-me sempre que me via desanimado. Ele me incentivava a conhecer novas pessoas e me dar a chance de vivenciar uma aventura amorosa e, com sorte, um romance.

Dessa forma, permiti-me conhecer alguns homens e flertar. Acabei por dar-me conta de que Jimin era toda a experiência que possuía, ele havia sido o meu primeiro e único em todos os sentidos e já estava passando da hora de buscar experimentar algo novo com pessoas novas. Assim, troquei alguns beijos e dei alguns amassos com aqueles que julguei mais agradáveis, descobrindo que não poderia levar aquilo muito longe sempre que a coisa esquentava. Era frustrante não sentir prazer em me entregar a outro que não Jimin, por isso tentei veementemente me convencer de que poderia fazer aquilo e ignorar o quão inapropriado parecia beijar outros lábios que não os dele.

Como bem dizia Antoine Saint-Exupéry, “o que nos salva é dar um passo e outro ainda”. E era exatamente isso que estava fazendo: dando pequenos e curtos passos em minha vida cotidiana para longe de Jimin e de nossa história juntos, não era nada muito ousado, apenas o suficiente para que tivesse a certeza de que estava progredindo sem tropeçar ou cair. E os meses arrastaram-se no mesmo ritmo que eu: lenta e gradativamente. Eu dava um passo de cada vez conforme vivia um dia atrás do outro, esforçando-me para me livrar do mar de incertezas em que me afogara nos últimos tempos.

Por algum tempo, eu pensei estar tendo resultado em meus esforços, visto que já não pensava em Jimin com tanta frequência e a saudade de si já não me afetava com a mesma intensidade. O Park havia cessado com suas mensagens desde então e não parecia interessado em manter um diálogo além dos cumprimentos educados e formais que éramos obrigados a trocar quando eventualmente nos encontrávamos. E enquanto eu remava contra a corrente, Jeongguk desfez-se dos remos, cansado de tentar resistir a Taehyung ao que se entregou aos seus sentimentos pela peste. Era irônico que enquanto tudo parecia convergir para que eles ficassem juntos, a distância entre eu e Jimin apenas crescia.

Era uma sexta-feira à noite e eu estava empoleirado no sofá da sala, com cup noodles e hashis em mãos enquanto assistia um programa de variedades qualquer, como havia se tornado meu costume, quando meu celular tilintou me notificando sobre a chegada de uma nova mensagem ao mesmo tempo que uma sensação de déjà vu me tomou ao verificar o nome de contato de Jimin brilhando no écran do aparelho. Mais rápido do que julgava ser possível, depositei o copo com miojo e os pauzinhos sobre a mesa de centro, clicando sobre a notificação e absorvendo o conteúdo da mensagem logo em seguida.

Baka Mochi:
Hey, faz bastante tempo, certo?
Eu pensei que parar de te enviar mensagens pudesse me ajudar a superar. Muita coisa aconteceu desde então, mas eu só queria dizer que: TAEKOOK É REAL PORRA!!! Eu sempre soube que eles se amavam e nunca vi Taehyung tão feliz como está agora. Então, por favor, não faça mais ameaças assustadoras ao meu bolinho de amor.

A forma como os dois fizeram as pazes me fez lembrar de você. Eu queria que fosse tão fácil para nós dois fazermos as pazes também. Eu queria que não houvesse todos os problemas e ressentimentos do passado. Eu queria que não houvesse Hoseok entre nós. Eu queria que você ainda me amasse como Jeongguk ainda ama Taehyung. Mas acho que querer não é poder, certo? E alguns amores também não duram para sempre, não é? Eu preciso aprender isso, internalizar que realmente acabou e não tem mais volta, mas antes de seguir em frente, eu quero que saiba que você será sempre o melhor e maior amor da minha vida, mesmo que encontre outros no caminho, eu ainda sentirei falta dessa coisa única que há entre nós.
Eu ainda te amo, Yoongi, mas espero que isso não dure por muito tempo, porque te amar passou a ter gosto de saudade e saudade tem um sabor amargo de nostalgia.

Provavelmente eu estava novamente sendo impulsivo demais ao colocar o cobertor de lado, procurar por meus sapatos, vestir um casaco e enfiar as chaves junto ao celular em meus bolsos, saindo apressadamente de meu apartamento e batendo o pé impaciente com o elevador que parecia demorar mais do que de costume para alcançar o meu andar. Eu devo ter xingado todos os motoristas que me ultrapassaram e buzinado impaciente para cada carro lerdo em minha frente ao que amaldiçoava todos os sinais vermelhos que atrasavam o meu percurso. Também não dei atenção ao porteiro do prédio que me cumprimentou amistosamente, dizendo que sentia saudades de me ver por ali. E eu com certeza só esperei para pegar o elevador outra vez, porque era sedentário e preguiçoso em demasia para arriscar me aventurar a subir as escadas até o décimo segundo andar.

Eu só parei para pensar corretamente depois de ter tocado repetidas vezes a campainha daquele apartamento tão familiar para mim, sendo bombardeado por vários devaneios sobre o que dizer e como agir, conforme questionava-me se Jimin realmente estava em casa e o que ele deveria estar fazendo para justificar os longos segundos que esperei na frente daquela porta.

E quando finalmente ouvi o barulho da porta sendo aberta, revelando um Jimin com pijama listrado azul com branco e os cabelos róseos úmidos à medida que os secava com a toalha e tecia uma explicação para a sua demora: — Me desculpe, eu estava no banho — dizia conforme abria a porta, arregalando os olhos surpreso ao me ver ali. — Yoongi? O que você está fazendo aqui? — questionou, confuso ao que me olhava com o cenho franzido.

— A sua cama tem espaço para mais um? — indaguei, olhando-o incerto e cheio de expectativa ao mesmo tempo que sentia meu coração bater fortemente em meu peito e meu estômago embrulhar-se em ansiedade.

— O quê? — Jimin questionou, parecendo ainda mais confuso enquanto suas írises escuras se fixaram nas minhas à medida que absorvia minhas palavras, encontrando o sentido escondido nelas depois do que julguei serem lentos minutos. — Espera... você acabou de fazer uma citação direta a algo que eu disse? — indagou incrédulo. 

— Exatamente. E, se você sabe disso, deve saber também qual resposta eu espero ouvir em seguida — ditei, sentindo-me apreensivo conforme aguardava que Jimin tomasse uma decisão.

O Park piscou duas vezes, parecendo fofo ao conferir-me um sorriso pequeno, ditando as palavras que tanto desejava ouvir em seguida. — A minha cama sempre tem espaço para você — falou, com um sorriso escondido no canto dos lábios.

Não tardei a precipitar-me em direção aos seus braços depois de ouvi-lo concluir sua frase, envolvendo seu pescoço com meus braços e afundando meus dedos em seus fios molhados ao passo que pressionava meus lábios contra os seus, dando início a um beijo apressado e necessitado, que fora prontamente correspondido pelo Park ao envolver minha cintura, dando passadas para trás e consequentemente adentrando o seu apartamento logo que minha língua pedia passagem para dentro de sua cavidade bucal.

Empurrei a porta com meu pé, ouvindo o barulho alto da madeira batendo contra os portais conforme fazia as costas de Jimin encontrarem com a parede gélida e ele apertava minha cintura com mais veemência.

— Mas e Yoonseok? — Jimin indagou, arfando por ar e franzindo o cenho.

— Yoonseok? — questionei, confuso, sem separar meus lábios dos seus ao que intrometia minha perna entre as suas. Demorando alguns segundos para entender do que se tratava, logo selava os seus lábios. — Isso só existiu na sua cabeça — respondi e Jimin sorriu contra minha boca, segurando-me com firmeza ao mesmo tempo em que me empurrava em direção à parede oposta.

— Então por que não respondeu minhas mensagens? — quis saber, alcançando as minhas coxas e segurando-as ao que impulsionei meu corpo para cima, envolvendo sua cintura com minhas pernas e sentindo-o pressionar seus quadris contra os meus.

— Você fala demais — reclamei, suspirando ao ter seus lábios em contato com a pele sensível do meu pescoço, levando-me a pender a cabeça para o lado, dando-lhe mais espaço. — Menos conversa, por ora só quero um pouco mais de você me fodendo — dizia conforme olhava intensamente para os seus olhos e deixava que meus dedos apressados retirasse os botões de dentro de suas casas.

— Eu estava com saudades disso — segredou ao que retornava a me beijar e suas mãos apertavam minha bunda com força.

Mal percebi quando Jimin desgrudou minhas costas da parede, passando a caminhar a passos lentos até o quarto conforme mantinha seus lábios colados aos meus e sua língua enroscava-se a minha. Nós só separamos as nossas bocas após o Park depositar o meu corpo sobre a cama e levar suas mãos até a barra de minha camisa, levantando-a ao que lhe auxiliava erguendo meus braços para logo retomar o beijo voraz que trocávamos à medida que o abrigava entre minhas pernas, sendo capaz de sentir o volume túrgido em suas calças entrando em contato com a minha bunda de modo que seu corpo ondulava sobre o meu e seus lábios úmidos passavam a explorar a pele de meu pescoço, avançando em direção ao meu peito e depois aventurando-se por meu abdome magro.

Minha voz entoou gemidos roucos e deleitosos, como há muito tempo não me permitia fazer, enquanto abrigava a cabeça de Jimin entre minhas pernas uma vez que o outro engolia meu membro, engolfando-o em sua garganta e produzindo estalos imorais e molhados ao sugar com veemência a glande. A forma como ele me tomava com os olhos brilhantes de desejo atentos às minhas reações ao mesmo tempo em que afundava seus dedos gordinhos untados por lubrificante em meu interior me fazia contorcer-me em prazer, jogando minha cabeça para trás e gemendo alto enquanto minha mente se nublou devido ao prazer conforme me derramava em sua boca.

— Eu amo chupar você — dizia, apoiando suas mãos aos lados de minha cabeça e inclinando-se para beijar meu pescoço. — A forma como você geme meu nome, a sua expressão quando você goza... — roçava a ponta de seu nariz através da curvatura do meu pescoço — são com certeza as melhores. — Mordiscou meu ombro.

— E eu amo ter o seu pau na minha bunda. — Rebolei, sentindo o pênis duro e molhado alheio ser friccionado entre as bandas de minhas nádegas e períneo, aproveitando-me da posição para provoca-lo a andar mais rápido com aquilo.

— Tão apressado. — Sorriu, soando debochado. — De quatro — ditou, dando um tapinha leve na minha coxa direita.

Rapidamente fiz o que ele havia me pedido, apoiando minhas mãos na cabeceira da cama e acentuando a curvatura de minha coluna conforme empinava minha bunda provocativamente para si. Ouvi o barulho do pacote de camisinha sendo aberto e espiei Jimin envolver seu pênis com o material de látex ao passo que ele sobrepôs meu corpo, demorando-se ao plantar selares e beijos molhados desde minha nuca, perpassando a linha de minha coluna até o meu cóccix logo que mordiscou minha nádega, arrancando um arfar surpreso dentre meus lábios. Ele não demorou a envolver minhas mãos, segurando-se na cabeceira da cama junto a mim à medida que empurrava seu corpo contra o meu, penetrando-me e arfando ao meu ouvido.

Logo tudo o que podia ser ouvido era o som de nossos gemidos misturados, o barulho da cabeceira da cama encontrando-se com a parede do quarto conforme a mesma rangia, o ressoar dos nossos corpos suados chocando-se um contra o outro e as imoralidades que dizíamos uma vez que perseguíamos nosso prazer.

Eu sentia saudades de senti-lo daquela forma, de ter seu corpo esquentando o meu e nossos corações batendo no mesmo ritmo alucinante. Por isso não pensei em qualquer coisa senão na sensação de ter sua pele úmida por suor sobrepondo a minha à medida que seus quadris ondulavam contra os meus que, por sua vez, empurravam de volta rebolando para si em um compasso frenético que rapidamente nos levou ao ápice.

Após nossos corpos cansados caírem sobre a cama procurando abrigo nos braços do outro, um silêncio confortável instalou-se entre nós conforme nossas respirações acalmavam-se e as pontas dos dígitos de Jimin passeavam por meu corpo em uma carícia sutil. Podia ouvir o som das batidas compassadas de seu coração enquanto acomodava minha cabeça em seu peito, plantando selares castos vez ou outra na região.

— O que isso tudo significa exatamente? — a voz fina e melodiosa indagou, quebrando o silêncio do ambiente, ao que levantei meus olhos para si, apoiando meu queixo em seu peito e remexendo-me em seus braços.

— Que eu ainda te amo e que nós não precisamos ter um gosto amargo de nostalgia — respondi, olhando profundamente em seus olhos. — Pelo menos não mais. — Sorri.

— Isso quer dizer que você irá me perdoar e voltar para casa? — quis saber, parecendo esperançoso.

— Não, quer dizer que podemos tentar novamente. Mas não quero ser precipitado e dar passos mais longos do que me sinto seguro. Nós caminhamos muito rápido no passado, mal havíamos nos declarado e já dividíamos um apartamento. Estivemos juntos desde então e eu sinto que agora precisamos ir com calma e dar um passo de cada vez. Começar tudo do zero — disse pacientemente, conforme olhava em seus olhos e brincava com seus cabelos.

— Então você vai ser tipo meu namorado? — quis saber, franzindo o cenho.

— Quem é o apressado agora? — Sorri. — Está pulando muitas fases do ritual de conquista e acasalamento, Sr. Park Jimin — brinquei, selando rapidamente seus lábios cheinhos.

— Você não parecia se importar com seguir fases quando me empurrou contra a parede e implorou para ser fodido — entrou na brincadeira, invertendo nossas posições na cama, colocando seu corpo acima do meu.

— Acho que devemos abrir uma exceção para sexo — falei com um sorriso sacana no canto dos lábios.

— Eu ainda tenho muitas perguntas e dúvidas para esclarecer — disse, selando meus lábios.

— E eu irei responder cada uma delas amanhã — assegurei, roçando meu nariz contra o seu em um beijinho de esquimó. — Por que agora tudo o que eu quero fazer é dormir.

Então nós dormimos abraçados como há muito tempo não fazíamos. E era como se eu tivesse voltado para casa depois de um longo tempo longe. Existia uma sensação genuína de aconchego, familiaridade e pertencimento no calor de seus braços. Eu sentia-me completo com Jimin. Eu pertencia a ele e ele me pertencia. Era algo simples. Havia amor entre nós apesar das adversidades e momentos difíceis que passamos e eu havia sido bobo pensando ser capaz de anular meus sentimentos e racionalizar nossa situação. Havia me magoado e sofrido mantendo-me longe dele devido ao irônico medo de igualmente me machucar ao estar perto de si. Entretanto, a sensação de iminente perda que me assolou ao ler sua mensagem foi o suficiente para que mandasse a razão e minhas ressalvas emocionais para o quinto dos infernos. Pois havia algo de muito correto em ouvir o coração às vezes. E o meu sempre clamou por Jimin.

E talvez fosse exatamente isso que Antoine Saint-Exupéry quis dizer com a celebre frase “só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”.


Notas Finais


Agora sim, esse é o último extra Yoonmin e eu me sinto feliz e ao mesmo tempo aliviada por concluir os extras com esse casal que tomaram enormes proporções. Obrigada a todos que acompanharam Karma e me deram apoio até aqui.
Em relação a SEGUNDA TEMPORADA de Karma é com muito pesar e depois de muita reflexão que digo que: não vai mais rolar. Eu estive empenhada em tentar produzir algum conteúdo para essa outra temporada, mas tudo o que consegui resultou em frustração. Tenho passado por um momento delicado referente a escrita, e talvez isso seja apenas a ponta do iceberg de uma grande crise criativa e literária. O ponto é que não obtive sucesso nisso e espero que vocês possam ser compreensíveis.
Eu estava realmente animada para escrever, as pessoas a minha volta são testemunhas disso, porém adiei tanto começar de fato esse projeto que a inspiração e as ideias se foram. Quem sabe, algum dia, elas retornem e eu consiga escrever algo envolvendo o futuro dos Taekook de Karma, talvez um extra, não sei. Mas, por enquanto, não estou apta a lhes prometer nada, desejo somente que possam me desculpar por criar expectativas que atualmente não sou capaz de suprir.
Essa fanfic foi realmente algo bonito na minha vida, passei momentos muito felizes e divertidos escrevendo ela e descobri coisas novas sobre mim enquanto a idealizava. O final que dei a Karma, seria esse, independente de haver uma continuação ou não, eu desejei concluí-la deixando em aberto possíveis futuros para os Taekook abrangendo aviões, lugares desconhecidos e muito amor apesar da distância e adversidades.
Obrigada por darem tanto amor e apoio a Karma e a mim.
Até a próxima ;)


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