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História Karma Konserta: Crepúsculo - Capítulo 8



Capítulo 8 - A revelação de Edward


- Alô, Billy?

- Sim, quem fala?

- É a Bella. Eu poderia falar com o Jacob, por favor?

- Desculpe, ele não está. Teve que sair com os primos para alguns assuntos pessoais.

- Ele já consertou meu carro?

- Bem, ele...

- Se ainda não está pronto, não importa. Eu preciso dele agora.

- Não poderia esperar até amanhã? Acho que ele ainda não colocou os pneus de volta.

- Então coloque você. Eu preciso do carro para ontem, é questão de vida ou morte.

Houve um silêncio na linha por alguns instantes.

- Tudo bem, desculpe. Vou pedir para alguém levar até aí.

Desliguei sem dizer mais nada.

Sei que foi crueldade eu falar assim com um cadeirante, mas aquele aleijado maldito estava tentando me enrolar. Os pneus eram quase novos, troquei depois do acidente, e fiz manutenção dos eixos há pouco tempo. Não entendo muito de mecânica, mas não acho que é preciso tirar as rodas para mexer na porcaria do motor.

Fiquei esperando mais de uma hora até um maldito índio chegar com minha abóbora. Outro veio em outro carro, e o primeiro me entregou a chave e entrou do lado do carro dele. Os dois foram embora sem dizer uma palavra, mas pude ver nos olhos deles um misto de insatisfação e desconfiança. Aqueles filhos da puta sabiam muito bem que havia um apotankim na cidade, e Jacob provavelmente tinha deduzido que eu o encontrei. Ele levou a merda do carro para eu não ir mais até ele, e a porcaria daquele vampiro arrombado me ameaçou porque achava que eu tinha amarelado e estava evitando ele.

Todos em Forks eram uns merdas, e eu já estava farta de tudo isso.

Dirigi veloz e determinada até o lugar onde eu geralmente encontrava o Edward. Cheguei gritando por ele, furiosa, e quando ele apareceu, caminhei até ficar cara a cara com ele e dei um tapa em seu rosto.

- Nunca mais fale comigo daquele jeito! – Berrei.

Ele sequer reagiu ou pareceu sentir dor.

- Desculpe – Comentou, mas soou tão casual que não pareceu sincero.

- É só isso? Ia me matar por um engano e só me manda um “malz, ae”?

- O que quer que eu diga? Eu deveria ter matado você na primeira vez que nos vimos.

- Oh, muito obrigado por ser tão gentil comigo, como posso lhe agradecer, Sr. Nosferatu?

Ele bufou, desinteressado, e deu as costas. Agarrei o braço ele e o puxei.

- Não dê as costas para mim!

Ele se virou e agarrou meu pescoço. Por um segundo, senti que morreria ali, mas ele não apertou. Rangi os dentes e o chutei entre as pernas, mas não teve a reação que eu esperava. Ele me soltou, olhou para baixo, depois para mim, e levantou as sobrancelhas.

- É sério isso? – Questionou.

- Você não tem...?

Ele revirou os olhos.

- Só vá embora.

Eu me enfureci mais ainda, enfiando o dedo no peito dele.

- Escuta aí, seu vampiro de merda. Eu estou farta disso. Primeiro quer me poupar, depois quer me matar, depois tenta encontrar uma desculpa para não me fazer mal, depois te tenta me matar, depois quer me poupar de novo e agora quer me afastar. Eu não vou aceitar isso!

- Você não entende o que eu sinto.

- Oh, então estou magoando os sentimentos do Sr. Presas?

Seus olhos se voltaram para mim em fúria. Ele me agarrou pelos ombros e me empurrou até uma árvore.

- Você não faz ideia do que é ser eu! Acha que os vampiros são felizes por serem imortais, lindos e assassinos sanguinários?

Agarrei seus pulsos.

- Me largue – Exclamei.

- Cada segundo nesta merda de vida é uma dor que você nunca imaginou sentir na vida. Você não faz ideia de como eu sou, não me conhece e não sabe nada sobre mim.

- Eu falei para me soltar.

- A culpa é sua. Eu estava bem aqui, escondido e isolado, e então você chega e estraga tudo!

- Vai acontecer uma coisa muito ruim se você não me soltar agora.

- O que vai fazer? Vai me bater? Vai cravar outra tesoura no meu peito? Você não pode fazer nada para me ferir.

- Não. É que você está muito perto e eu estou morrendo de vontade de beijar a sua boca.

Seus olhos esfriaram e sua expressão foi de surpresa. Toda a raiva dele se esvaiu como se deixasse de existir, e ele percebeu a situação. Ele estava gritando comigo com seu rosto a um palmo de distância, e sua boca estava tão perto que se ele não estivesse me segurando eu teria enfiado minha língua na garganta dele.

Ele me soltou e deu alguns passos para trás.

- Merda... – Praguejou, frustrado.

- A culpa é sua.

- Como minha culpa?

- Você é bonito, alto, tem uma voz linda, ombros largos, um tom misterioso. Não é culpa minha estar atraído por isso.

- Você não está atraída por isso, Bella.

- E pelo que então?

Ele suspirou e me olhou nos olhos. Vampiros não tinham sangue, então talvez não tivesse lágrimas também, mas pela sua expressão, talvez estivesse chorando.

- Eu sou mais rápido que você, mais forte que você, mais esperto que você, mas eu não preciso de nada disso. Todos nós somos sedutores e belos, e ninguém pode resistir à tentação. Um humano nos vê e não consegue ficar longe ou nos tirar da cabeça. Todos ficam obcecados por nós, desejando nos ter, e por isso fazem coisas estúpidas como nos procurar no meio da mata, onde se tornam presas fáceis.

- Então...

- Você está hipnotizada, e veio aqui para eu matar você.

- Você não me disse para voltar para conversamos, você queria que eu viesse para você ter mais chances de criar coragem para me matar. Quando não vim, você achou que eu tinha saído da hipnose...

- Não foi assim desde o começo. Na primeira vez que você veio me procurar, eu não tinha feito nada. Você ignorou os meus avisos, e por isso eu precisava matar você. Eu te hipnotizei para garantir que você não fugisse até eu conseguir juntar forças para isso.

- E por que caralhos você não me mata logo de uma vez e deixa de lado esse joguinho idiota?

- Porque eu não quero ser um assassino.

Edward abaixou a cabeça para esconder seus olhos, e mesmo ele não tendo lágrimas, eu pude ver claramente que ele estava chorando.

- Edward... – Falei, sem saber bem o que sentir.

Estendi a mão e toquei seu ombro, e quando vi que ele não afastou meu toque, o abracei e apoiei sua cabeça no meu ombro.

- Eu não quero matar você... – Confessou, choramingando.

- Eu sei.

- Eu não quero matar ninguém...

- Eu sei. Vai ficar tudo bem.

- Você diz isso porque não tem escolha...

- Acha que estou te consolando para que você decida não me matar?

- Não. Você está amaldiçoada. Um vampiro te hipnotiza e você não consegue mais pensar por si mesma.

- Então tira isso de mim.

- O quê?

- Quebre essa hipnose, e vai ver que eu vou continuar aqui. Mesmo se eu falasse isso só para tentar escapar, você vai conseguir me caçar de qualquer jeito.

Ele me olhou nos olhos e refletiu um pouco. Um segundo depois, ele me jogou nas costas e saiu correndo floresta adentro.

- Ei, para que isso? Aonde vamos?

- Para o topo da montanha, onde não tem nuvens. Precisa ver como sou na luz do sol.

- Por quê?

- Porque só assim você será livre da minha influência.

Ele correu comigo nas costas tão rápido que xinguei silenciosamente a minha abóbora. O vento bateu no meu rosto e tive a impressão que ia cair algumas vezes, então me agarrei a ele como se minha vida dependesse disso.

No fim, quando estávamos chegando ao topo do monte, vi casuais raios de luz forte atravessando a copa das árvores. Edward me colocou no chão e caminhou a passos lentos até uma clareira. Eu estava ofegante mesmo sendo carregada, mas ele não derramou uma gota de suor.

- Depois de ver isso, não vai ter mais volta. Terá repudia pela minha aparência e irá ter medo. Não vai mais conseguir se esquecer, e mesmo esse rosto que vê agora não vai poder apagar a visão da verdade. Uma vez que um vampiro se revela, não pode mais hipnotizar quem o viu, pois o humano nunca se esquece do rosto verdadeiro e deixa de ser sujeita a influência.

- Eu não me importo.

- Vai se importar depois de ver...

Ele deu alguns passos pesarosos até os feixes de luz, hesitando por alguns instantes, e quando se virou para mim, o sol revelou sua verdadeira face enquanto tirava a camisa para se expor.

Quando os raios de sol tocaram seu corpo, os olhos castanhos se tornaram vermelhos e a pele pálida e suave se tornou grossa, áspera e manchada, como se a corrupção estivesse tomando conta de si. O jovem que parecia ter uns 20 passou a demonstrar ter séculos. Sua postura ficou mais desajeitada, com um ombro mais largo que o outro, seu corpo era pouco menos magro que um esqueleto, e no fim de suas mãos esqueléticas cresceram garras como as de um animal. Seu rosto, antes vívido, agora se demonstrou cansado, triste, mas ameaçador e horripilante, com olheiras negras sob os olhos, traços escuros nas bochechas e lábios roxos como os de um defunto. Era como ver um cadáver que estava quase sem foças para ficar de pé.

Deus, ele era tão bonito, mas se tornou tão...

Deus, Deus... O que era aquilo? Um segundo depois, pareceu mais ainda como um espectro. Suas orelhas ficaram pontudas, suas presas saltaram para fora, seu nariz afinou, sua respiração pareceu a de um porco e seu olhar me fez querer furar meus olhos com um galho.

Eu finalmente entendi o que ele quis dizer. Uma vez que um vampiro é visto sob a luz do sol, todos sabem o que ele realmente é. Sua aparência causa repudia, medo, terror. Não há como esquecer aquilo. Ele era lindo em seu disfarce, e isso fazia todas as vítimas caírem na armadilha de suas presas, mas assim que era descoberto, ninguém seria pego tão facilmente, e sem comida, suas forças se esvairiam. Eles deixariam de ser caçadores e seriam as presas.

Aparecer sob o sol significava a morte para um vampiro.

Edward deu alguns passos para frente, saindo do véu dos raios de sol. Conforme se aproximava, seu rosto voltava a ser como antes. Seus olhos ficaram castanhos, sua pele branca como a neve e suas presas e garras sumiram. Ele voltou a ser bonito e gostoso, mas cada passo que ele dava na minha direção me fazia sentir vontade de vomitar.

- E então? – Ele questionou, parando a uma distância que ainda era possível manter meu almoço no estômago. – Ainda quer vir me ver? Ainda acha que está tudo bem?

Levei as mãos até a boca e virei o rosto. Comecei a chorar, mesmo sem saber por quê. Deus... Algo estava morrendo dentro de mim.

- Vá embora, e nunca mais volte. Eu não consigo ferir você, então não posso te ameaçar mais.

Respirei fundo, tentando voltar a mim, mas não era fácil. Era muito difícil digerir aquela imagem.

- Adeus, Bella – Disse ele, e se virou para partir.

- Espera... – Falei respirando com dificuldades, mas ainda assim tentando ser firme nas palavras. – É só isso...? Nem é tão feio assim.

Ele me olhou nos olhos e se aproximou um passo.

- Algumas pessoas não aguentam ver. As mais fracas desmaiam, fogem e enlouquecem. Os mais fortes resistem, mas seus instintos acabam gritando para nos exterminar. Isso instiga vários a nos caçarem. Em que lugar entre esses dois extremos você se encontra?

Inspirei o mais profundamente que pude, jogando ar para meus pulmões. Levantei a cabeça e andei até ele. Olhei no fundo de seus olhos e fiquei firme.

Fiquei firme por cinco segundos, e um instante depois, caí de joelhos e vomitei. Não vi seu rosto, mas acho que ouvi uma breve risada. Edward abaixou ao meu lado, tocando minhas costas como se fosse a amiga que segura seu cabelo para você vomitar depois de uma noite de bebedeira.

- Você parece forte, vai ficar bem. Vai passar já, já.

* * *

- Quando foi que você se tornou um vampiro? – Perguntei.

Tinha se passado um tempo e eu pude me recompor. Chovia um pouco, mas não era mais que uma garoa, e ficamos sentados lado a lado sob as folhagens das árvores enquanto conversávamos. Acho que foi a primeira conversa que tivemos que não havia desconfiança, medo ou receio.

- Foi em 1918, foi quando o Carlisle me encontrou.

- Carlisle?

- Meu pai adotivo.

- Então ele atacou você e...

- Não, não. Ele nunca faria isso.

- Então o quê?

- Eu estava morrendo de gripe espanhola. Ele me transformou para me salvar. Primeiro eu, depois sua esposa Esme.

- Então você virou vampiro antes que a sua mãe adotiva?

- Ela era mais velha que eu, então tanto faz quem se transformou primeiro.

- Se você diz.

- E você?

- Eu o quê?

- Quantos anos tem?

- Indelicado. Tenho 18.

- Uma adulta já feita, só falta ser um pouco mais responsável.

- Certo, vou parar de me encontrar com demônios assassinos centenários. Tente não sentir minha falta.

Ele sorriu, deitando-se e olhando para cima, para o teto de folhas das árvores.

- Eu sentiria sua falta, não há como evitar.

- Ué, nós nos conhecemos tão pouco e já se sente assim?

- Você é a primeira pessoa que me aceitou como eu sou.

Sempre fui muito pálida e não me importava com isso, mas fiquei tão vermelha naquela hora que provavelmente parecia um camarão. Eu me deitei, também, mas virei o rosto, constrangida. Pensei em algo para dizer para mudar de assunto, mas pouca coisa me veio à mente.

- Então... Qual você prefere, vampiro ou apotankim?

- Para ser bem sincero, nenhum dos dois jeitos é agradável. Mas apotankim é como nossos antigos inimigos nos denominavam, então digamos que é pessoalmente pior ser chamado assim.

- Mas você também não gosta de vampiro?

- Você gostaria de ser chamada pelo que ilustra o que há de pior em você?

- Você tem um ponto. O que você acha que há de pior em mim?

- Sua teimosia, talvez.

- Se eu não fosse teimosa, não estaria aqui.

- Sim, não estaria do lado de uma aberração que tentou te matar mais de uma vez.

- E você não teria conseguido uma amiga.

Ele me olhou com interesse e com um rosto travesso.

- Então você é minha amiga?

- Acho que sim. Ainda não me vê dessa forma?

- Posso?

- Claro que pode.

- Então, Bella, saiba que você é a primeira e única amiga que eu fiz desde que deixei de ser humano.

Maldito. Desgraçado. Filho da puta.

Virei o rosto novamente, pois sabia que eu estava corando.

 



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