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História Karma Konserta: Crepúsculo - Capítulo 6



Capítulo 6 - O encontro


Não dormi naquela noite, e nem na noite seguinte.

Meu pai ficou preocupado quando viu que eu não saía do quarto, mas no geral não era ruim para ele pensar que eu estava mais segura se ficasse trancada em casa. Aconteceu outro assassinato, desta vez de um pescador. Claro que meu pai conhecia o cara, costumava pescar com ele vez ou outra no passado – o que explicava os anzóis que ele guardava no meu quarto antes de eu chegar -, e ele foi pessoalmente investigar.

Eu pude sentir que ele estava se sentindo mal por me deixar sozinho, e eu confesso que também não me sentia confortável, principalmente depois da visita inesperada que recebi. No começo, senti medo, mas, depois que me acalmei, fiquei pensativa. O que quer que fosse aquela coisa, se realmente quisesse me fazer mal, já teria feito. Ele sabia onde eu morava, conseguiu entrar no meu quarto sem que eu percebesse, e o fato de que ele se relevou justamente quando eu descobri mais sobre o que ele era me disse que ele me observou por um tempo. Senti um calafrio quando imaginei que nos últimos meses tinha algum tipo de criatura na minha cola.

Fim de semana, tempo esse que passei abraçada no travesseiro em posição fetal. Claro que eu estava com medo, quem não estaria?

Quando finalmente a segunda-feira chegou, eu me vi na obrigação de ir para a universidade. Dirigi minha abóbora com as mãos trêmulas, e conforme passava pelo trecho do corredor de árvores, senti novamente que estava sendo observada.

Tive a primeira aula e alguém poderia gritar do meu lado que não me tiraria dos pensamentos. Meu foco estava totalmente naquela coisa. No refeitório, Eric me deu o pudim dele, afinal foi o nosso trato, e quebrando o cliché de estar nervosa demais para comer, eu estava tão nervosa que não parava de comer. Jessica tagarelou alguma coisa que não dei atenção, Angela finalmente tinha desfeito a trança por toda aquela coisa de “estou me libertando e sendo mais extrovertida” e Mike estava babando nos peitos de outras garotas enquanto Jessica se distraía. Mesmo assim, nada disso conseguiu me distrair.

No fim da aula, tomei uma decisão.

Esperei meia hora após todos irem embora e dirigi a abóbora até o trecho na estrada onde encontrei aquele cara pela primeira vez. Saí do carro e observei a vegetação por um instante enquanto eu tomava coragem. Respirei fundo, amaldiçoei a mim mesma e entrei na mata.

Caminhei a passos curtos, nervosos, mas firmes. Quanto mais eu andava, mais medo sentia. Eu sabia que havia alguma coisa ali, sabia que era antiga e que de alguma forma era maligna, mas não consegui parar de pensar no motivo pelo qual eu ainda estava viva, mesmo encontrando aquilo duas vezes. Nos livro que li sobre as lendas, um apomkin nunca era visto duas vezes pela mesma pessoa, pois ou você o matava, ou ele matava você, o que era bem mais provável.

Quando eu já estava bem distante da estrada, o bastante para ninguém me ouvir, respirei fundo e enchi os pulmões de ar e coragem.

- Eu sei que você está aí – Gritei.

Fiquei em silêncio por um segundo, mas não tive resposta.

– Apareça – Continuei, olhando em volta. - Está me vigiando desde aquele dia. Quero saber por quê.

Olhei mais atentamente para os lados, mas ainda sem sinal de nada. Dei alguns passos para uma direção aleatória, mas nada ainda. Não parecia ter ninguém por perto, e me senti boba por pensar que estava vivendo o clichê de que em algum momento ele ia aparecer atrás de mim assim que eu me virasse.

* * *

Meus “amigos” da universidade estavam muito ocupados com o planejamento para as festividades, então estavam me deixando em paz. Tive muito tempo sozinha para pensar, principalmente porque os últimos dias do semestre letivo eram dedicados a um monte de baboseiras e boa parte desse tempo era facultativo. Eu saía na hora do almoço e ia novamente para a mata, para onde eu esperava um dia encontrar pistas do apotamkin.

Basicamente fiz um piquenique nos três primeiros dias e levei um livro para ler enquanto esperava para algo acontecer. Sei que é idiotice, nada de bom surgiria dessa situação, mas me cansei de viver na tensão de que algo poder me matar na cama enquanto eu dormia. Comecei a apreciar um pouco mais um bom café e levei uma garrafa térmica para desfrutar.

Dei uma mordida no meu hambúrguer de carne, presunto e bacon e olhei ao redor enquanto mastigava.

- Isto aqui está muito bom e tem bastante carne, do jeito que um bom carnívoro gosta – Comentei em voz bem alta. – Que bom que eu trouxe dois. Só não sei se consigo comer os dois sozinha.

Ri de mim mesma. Era uma piada, claro, não esperava que aquilo realmente chamasse a coisa, mas eu precisava me distrair um pouco, afinal estava no território de caça dele.

No dia seguinte, fiz o mesmo, e no dia depois desse, também. Faltava pouco tempo para as férias, e mais e mais as malditas festividades que eu tanto tentava me esquivar se aproximavam. Eu me acostumei tanto com a ideia de comer ao ar livre que deixei de ficar desconfortável com uma criatura que poderia estar rondando o lugar querendo me matar.

Por fim, chegou o dia do grande evento, e é claro que eu não fui. Acho que o sonho de toda garota adolescente é o clássico baile de formatura, mas não imaginei que depois do colégio isso ainda seria uma realidade. Jessica nem sequer estava se formando e estava amando a ideia de participar da formatura das outras classes e dos outros eventos de fim de semestre.

Compareci o mínimo que consegui.

Mike viajou com o time, Jessica ficou deprimida na cidade e eu não soube e não quis saber o que Eric e Angela foram fazer nas férias.

* * *

Segunda semana de férias, e lá estava eu, sentada no meio da mata enquanto comia os restos da lasanha da noite passada. Estava lendo Moby Dick, um clássico que enrolei muito para comprar. Por sorte, a livraria estava com uma boa promoção e consegui alguns exemplares de livros antigos por uma pechincha. Comecei a ler a Divina Comédia, mas, por Deus, não entendi bulhufas. Uma semana antes li Tubarão, de Peter Benchley, livro que originou o clássico filme do tio Spielberg, que confesso nem saber da existência até vê-lo na promoção. É um bom livro, mas, pela primeira vez na vida, eu achei o filme melhor. A parte da máfia é bem interessante, mas a vadia da esposa do protagonista trepar com outro cara só por estar na crise de meia idade era bastante besta. Moça, seu marido é o cara que entrou em um barco para caçar um tubarão branco, e você ainda diz que ele é um cara chato?

Além desse, li A Besta, também de Peter Benchley, um livro muito melhor sobre uma lula colossal que estava causando um pequeno caos em uma região costeira. Na época, não se sabia muito sobre as lulas colossais, e o escritor a descreveu com mais de 30 metros, sendo que hoje em dia sabemos que elas chegam “apenas” aos 14, mas a imaginação e a criatividade por trás da história me deixaram simplesmente fascinada. Depois de três livros sobre monstros marinhos que na verdade são apenas animais que as lendas tornaram infames – uma baleia, um tubarão e uma lula -, preciso me lembrar de pesquisar mais essa fauna literária marinha.

Meu devaneio se desfez quando ouvi o som de algo atrás de mim, e minha espinha congelou. A trilha sonora de Tubarão começou a tocar na minha cabeça, e eu teria rido se não estivesse apavorada. Nunca ter visto nada ali me deu uma sensação de segurança, e ter esse sentimento destruído foi aterrorizante.

Olhei para trás e encontrei os olhos daquele rapaz que vi tanto tempo atrás. Ele me encarou com um semblante de ódio e deu alguns passos na minha direção. Eu me levantei de sobressalto, recuperando a mobilidade das pernas aos poucos. Andei para trás até ficar acuada contra uma árvore, e um segundo depois o punho dele voou do lado no meu rosto e arrebentou um pedaço do tronco.

- Eu disse para se afastar! – Ele gritou, e me encolhi.

Meu corpo tremeu, mas consegui raciocinar o bastante para ver que eu estava certa. Ele poderia ter me matado, mas não o fez.

- Quem é você? – Perguntei, mas minha voz soou tão baixa que nem sei se realmente falei.

Ele me encarou, mas não respondeu. Se afastou um passo e deu as costas.

- Espere – Falei, segurando a manga da camisa dele.

Ele então se virou e agarrou meu pescoço, pressionando-me contra a árvore.

- Se eu ver você aqui de novo, juro por Deus que te mato - Ameaçou.

Ele me soltou, e caí no chão. Tossi, segurando meu próprio pescoço como se pudesse fazer a dor parar apenas massageando. Quando olhei para cima, vi que ele tinha sumido de novo.

Uma criatura de uma cultura indígena usando o nome do deus cristão?

* * *

- Não vai comer, querida? – Meu pai perguntou.

Olhei para a mesa, para o prato e para o rosto preocupado de Charlie.

- Comi muito no almoço. Estou sem fome.

- É uma pena desperdiçar um belo jantar como este.

- Eu guardo na geladeira para amanhã.

Ele suspirou, sacudiu a cabeça em negação, mas não me importunou mais com isso.

- O velho Billy disse que o Jacob anda falando muito de você – Comentou.

- É, imagino.

- Deveríamos convidá-los para jantar qualquer dia desses, faria bem sair um pouco da rotina.

- Pai, eu realmente não sou mais uma criança. Eu sei que o Jacob gosta de mim e sei que está preocupado e quer que eu me aproxime dele porque isso talvez pudesse me animar ou pelo menos me distrair. Não vai rolar.

- Bom, talvez eu apenas esteja me lamentando por ter perdido sua adolescência e quero saber como é a sensação de ver você querendo sair com rapazes e eu brigando com você por isso e te proibindo de sair de casa.

Ri com humor.

- Não me diga que é hora daquela conversa. “Isabella, quando um homem e uma mulher se amam muito, eles trepam todas as noites até que ela engravide e ele vá comprar cigarros”.

- Acho que nenhum pai quer ter essa conversa com a filha – Ele comentou humorado, mas um pouco desconfortável com o assunto. – Nunca tive boas relações com mulheres, então não sou um bom exemplo para você seguir. E, cá entre nós, espero que também não siga os passos de sua mãe.

- Não se preocupe, papai, ainda sou sua menininha. Meu hímen ainda está intacto.

- Isso é ao mesmo tempo desconfortável e reconfortante de se ouvir.

- Só não posso dizer nada sobre a minha bunda.

Ele soltou a colher sobre o prato e fez uma careta.

- Por Deus, não pode fazer essas coisas com seu pai.

Gargalhei alto, sacudindo a cabeça em um gesto. Ele tentou rir, mas não parecia saber se a brincadeira tinha um fundo de verdade. A conversa abriu um pouco meu apetite e consegui comer um pouco. Depois do jantar, eu tirei a mesa e meu pai se encarregou da louça.

- Alguma pista do animal que matou aquelas pessoas? – Comentei casualmente.

- Ainda não. Seja o que for, não deixa rastros.

As palavras ecoarem na minha cabeça.

- Há marcas de dentes ou presas?

- Mordidas estranhas, como as de um animal pequeno, mas tenho minhas dúvidas se foi realmente um animal ou um assassino que usou isso como meio de nos despistar.

- Por quê?

- As vítimas morreram de hemorragia e não foram devoradas. Duvido muito que um animal faria algo do tipo. Parece que a coisa só queria matá-los.

- Algum animal foi encontrado morto de forma parecida? Talvez um alce ou um veado.

- Não. Por que a pergunta?

- Estou fazendo biologia, há vários livros que posso usar para comparar as marcas de mordida. Sabe, tenho um catálogo de arcadas dentárias dos mamíferos carnívoros da América-do-Norte.

- Eu te dei isso quando você era criança.

- Sim. Não me lembro bem da época, mas pelo que sei você estava assistindo muitos programas sobre natureza e tinha algumas revistas sobre isso.

- Você gostava das ilustrações.

Sorri para ele, e ele para mim. Eu realmente gostava de estar passando um tempo com meu pai e relembrar os velhos tempos, mas acabei enrolando e saí. Queria ficar um pouco sozinha.

Tomei um banho refrescante e voltei para o meu quarto. Era estranho o fato de que o apotamkin começou a matar de repente. Se ele era um ser que viveu ali por décadas, provavelmente estava tentando se esconder. Além do mais, ele estava montando armadilhas para veados. Por que matar humanos agora?

Eu me desenrolei da toalha, mas um segundo depois me cobri de novo. Olhei para os lados, espiei dentro do armário e embaixo da cama.

- Não olhe – Comentei, agora que tinha certeza que a vez que o vi no meu quarto não era alucinação.

* * *

No dia seguinte, eu voltei para o mesmo lugar de sempre. Não levei livro ou lanche, pois imaginei que depois daquele ultimato eu não teria tempo para isso. As árvores ao redor de mim me fitavam com indiferença e o vento já não sussurrava mais palavras em meus ouvidos. Ninguém saberia se eu morresse ali.

- Olá? – Falei. – Eu sei que você está aí.

Esperei uma resposta, mas ela não veio.

- Você sabe que eu vou voltar amanhã se você não vier hoje, então por que não aparece logo?

Troquei mais algumas palavras com o nada antes de ver a figura pálida surgir de dentro da vegetação. Ele parecia mais frustrado que raivoso, e me olhou com frieza.

- Você não sabe desistir? – Disse ele.

Tentei rir, mas estava nervosa demais para isso.

- Eu sou insistente.

- Estou avisando. Se continuar vindo aqui, vai acabar morta.

- Se está me avisando, não quer minha morte.

Seus olhos vibraram por um segundo, como se eu tivesse batido na tecla certa.

- Se presasse pela sua vida, escutaria meus avisos – Comentou.

- Quem é você?

- Vá embora.

Foi a minha vez de me frustrar. Respirei fundo e dei alguns passos até ele.

- Eu me chamo Isabella, mas pode me chamar de Bella. Qual seu nome?

- Meu nome é “dê o fora daqui”.

Olhei nos olhos castanhos com um pouco de desgosto.

- Você é muito chato quando deixa de ser assustador.

Vi ele suspirar antes de voltar os olhos para o chão.

- Edward – Falou a contragosto.

- Foi tão difícil assim? – Perguntei. – Prazer em conhecê-lo, Edward.

Estendi a mão trêmula para ele, tentando parecer o mais confiante possível, mas ele não a apertou.

- Por favor, vá embora. Eu estou pedindo.

- Por que quer tanto se livrar de mim?

- Porque preciso me livrar de você.

Meu corpo estremeceu mais uma vez.

- Eu não devia ter visto, e agora você tem que me matar, não é?

Falei em um tom um pouco brincalhão, mas aquele era meu jeito de disfarçar o nervosismo. Eu estava apavorada, e o pensamento de que eu provavelmente estava certa me deu alguns avisos mentais para sair correndo.

- Você não sabe nada sobre mim, não preciso te matar.

- Sei que você é um apotamkin.

- Então eu preciso te matar.

Eu quis muito, muito mesmo que ele risse e falasse que era uma brincadeira, mas ele permaneceu sério.

- Olha, eu não disse nada a ninguém. Nem do veado, nem da tesourada, nem dos seus olhos – Tentei justificar, pensando se isso faria ele parar de soar tão ameaçador.

- Só vá embora. De preferência, embora da cidade.

- Não posso.

- Por quê?

- Porque estou curiosa.

Ele me olhou com um misto de desprezo e pena.

- E o que quer de mim? O que preciso fazer para me livrar de você?

Pensei por um minuto e me amaldiçoei. Minha curiosidade e meu senso aventureiro - que eu nem sabia que tinha - estavam dizendo para fazer perguntas, mas meu bom senso me dizia para esquecer tudo e ir para casa tomar café.

- Podemos conversar?

- Sobre o quê?

- Sei lá. Qual sua cor favorita?

A boca dele se abriu por um segundo antes que eu percebesse que eu estava sendo para ele o mesmo que meus “amigos” da universidade eram para mim. Boa hipocrisia, Isabella.

Mesmo assim ele assentiu, rendendo-se.

- Volte amanhã. Não tenho tempo para você hoje.

- Posso mesmo?

- Não, não pode, mas não é dizer isso que vai te impedir.

Consegui oferecer um pequeno sorriso.

- Já me conhece tão bem e não sei nada sobre você.

- Sabe mais que deveria. Sabe que existo.

Ele deu as costas e começou a se afastar.

- Você estava olhando? – Questionei quando ele estava um pouco distante.

- O quê?

- Pensei ter notado alguém me olhando enquanto eu me trocava na noite passada.

- Tenho cara de que está interessado em ver seu corpo magricelo nu?

Tudo bem, de uma forma bizarra e esquisita, aquilo magoou um pouco. Achei que fosse ser uma boa piada, mas acho que me enganei. Eu o vi se afastando um pouco mais antes de parar.

- Preto combina com você – Disse ele, sem se virar.

Franzi a testa, sem entender direito. Então me toquei. Minhas mãos cobriram a virilha como se eu estivesse nua, mesmo estando vestida da cabeça aos pés com uma roupa de frio.

Minha calcinha era preta.

 


Notas Finais


Acho que de longe essa é a parte que vocês mais queriam ver como ficaria. Confesso que foi difícil encaixar esse encontro com a ideia geral da história, mas garanto que desse ponto em diante as coisa vão ficar bem mais "semelhantes" ao filme. Logo teremos a cena do Edward se revelando e da Bella conhecendo a família dele, as cenas dos dois juntos em um romance e eles se apaixonando.

Deixem suas opiniões nos comentários e se possível compartilhem com amigos que podem gostar da proposta. Pode não parecer, mas é um certo trabalho escrever isso. Além de ter que revisar o filme várias vezes para pegar os detalhes (desde a geografia, os locais, os personagens tão secundários que nem o filme da nome a eles) é extremamente difícil recriar uma história já feita de outra pessoa e mudar sem alterar muito. Agradeço a todo mundo que leu e aguardem os próximos capítulos.


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