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História Karuizawa - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Shouto


É em momentos como esse que Shouto se pergunta, que mal ele fez ao universo para merecer isso?

Ochako era mesmo uma caixinha de surpresas, mas nunca em sua vida ele imaginou que esse seria o tipo de surpresa que ela distribuiria, o que… bom, só fortalece o ponto de ser uma “surpresa”, mas esse não é o ponto. Na primeira noite foi ok, ele não tinha muito o que fazer e apenas fingiu estar dormindo e esperou acabar, mas agora? É a terceira noite em que Ochako se acha furtiva e discreta ao ficar acordada até tarde e ir tomar seu digno banho, até que termina seu showzinho particular e volta para a cama como se nada tivesse acontecido.

Desde o primeiro dia ele tentou dar a entender de que havia escutado tudo, mas não queria ser muito invasivo com uma abordagem mais direta, como que ela reagiria se ele simplesmente chegasse e dissesse “Eu te vi se masturbando ontem a noite”? Não é nem preciso responder, porque ele já sabe, ela sairia flutuando acidentalmente, levando os outros dois integrantes do grupo a perguntarem o que aconteceu, e isso só pioraria a situação. Então tomaram café da manhã uma hora depois que o previsto, pois a mulher acabou não acordando no horário determinado. Ela foi dormir tarde”, foi o que ele próprio falou depois de um comentário feito por Deku a respeito da sonolência atípica dela, achando que seria muito óbvia a mensagem que queria passar: “Eu vi que horas você foi dormir, eu estava acordado”. Mas, bom, não deve ter sido nada óbvia, considerando que ela repetiu a dose na noite seguinte, surtindo o mesmo efeito nele. E, oh, que efeito.

Já hoje, durante a visita a um museu no centro da cidade, ele aproveitou a oportunidade que achou ao estar sozinho com ela em uma sala de exposição para soltar um “Você devia ser mais discreta”. O que mais isso poderia significar? Ele honestamente gostaria de saber antes de ter o dito, porque a julgar pela cara que ela fez na hora, com certeza não foi na banheira que ela pensou, apenas soltando um curto “Desculpa!” e abaixando o celular que usava para tirar foto de um quadro particularmente abstrato bem na sua frente. Ele queria ter pensado nessa possibilidade antes, aquela talvez não fosse a melhor oportunidade. 

Já na cabana, ele quis uma comprovação de que era mesmo ele a quem ela chamava — ela poderia conhecer outro Shouto, não podia? E estar gemendo o nome dele, quem sabe — e  fez questão de mal se vestir direito. Para seu corpo, cuja temperatura pode ser regulada sem muita dificuldade, suéteres e lã nem sempre são necessários, mesmo no inverno. Desde que ele passou a morar sozinho, se tornou um hábito usar meias e shorts, nada mais, por puro conforto. E já irritado com aquela situação, ele não achou um jeito melhor de dizer “foda-se” sem efetivamente verbalizar essa palavra. Colocou, olha só, uma samba-canção e um par de meias para se deitar, fingindo não prestar atenção nela, usando o celular e bebendo chá do outro lado da sala. Seus olhares eram nada discretos, o que querendo ou não acabou alimentando um pouco o ego de Shouto. Não é sempre que ele faz essas coisas de propósito, estar nessa situação o faz se sentir patético, então é bom saber que o resultado era positivo. Enquanto Ochako era a mulher mais transparente que já conhecera, mesmo sem ser essa sua intenção, sempre comentavam para Todoroki sobre o quanto ele é “misterioso”, “inexpressivo” e “enigmático”, e essa situação é mais um exemplo que o faz entender o porquê de dizerem isso. Se ele fosse mais eloquente, quem sabe, essa viagem estaria sendo bem mais produtiva. Não que seja tarde demais, ainda há uma noite, o que o faz considerar a possibilidade de… Hm, esquece.

Ah, que frustrante, o que ele devia fazer? À medida que os dias passavam, ela parecia se soltar mais, como se o medo de ser pega no ato fosse sumindo. Normalmente ela demoraria mais para deixar escapar um murmúrio ou arfar, mas não deu nem cinco minutos que ela saiu da cama e ele já pode ouvir consecutivos “Ah! Ah…” bem baixinhos, talvez inaudíveis se ele não estivesse prestando atenção. Ele se recusava a olhar na direção dela, seria desrespeitoso e imoral, embora... ela parecesse fazer de propósito, e eles... estarem dividindo o quarto. Tecnicamente, ela que ultrapassou a faixa onde estava escrito “limites” primeiro, mas isso o dá o direito de tirar proveito da situação? Quer dizer, tirar proveito é ambíguo, e não é como se ele fosse interferir, olhar nenhum arranca pedaço… ou arranca? 

Ele realmente esperava que não, porque se virou bem lentamente para seu lado direito. A no máximo três metros de distância estava a banheira, o brilho vindo da janela e o azul do roteador de Wi-fi próximo o permitiam notar as nuvens de vapor bem próximas, assim como a silhueta do corpo dela.

Ochako estava de quatro, isso dava para notar. Seu cabelo estava preso em um coque alto, se sua visão não estiver o traindo, e ela fazia movimentos sutis com os quadris. Shouto se sentiu sujo, não sabe se mais por assistir àquilo ou deixar que seu corpo reagisse. Péssima ideia ir dormir só de samba canção e meias, o que ele estava pensando? Agora que entra o desespero, nem o lençol o cobrindo — já que a mulher monopolizou a manta —  esconde a protuberância plantada bem no meio do relevo que seu corpo cria sobre a cama. Alguns centímetros bem abaixo do umbigo, ele pôde ver, sua ereção chamava mais atenção do que ele gostaria, não importasse o escuro do quarto. Ele até podia virar de bruços pra fingir que isso nunca aconteceu, mas o movimento brusco provavelmente chamaria atenção de Ochako, o que ele não quer no momento.

Duro, fingindo estar dormindo e com a mulher mais atraente de que se lembra se masturbando bem do seu lado. O que mais ele poderia fazer senão fazer como ela e… aproveitar?

Evitando pensar demais, Todoroki levou sua mão, por debaixo do lençol, até o volume entre as pernas. O massageou aos poucos. Fechou os olhos involuntariamente, como se apurasse a sensação, e então abaixou o cós da cueca apenas o suficiente para que a glande e uma parcela do comprimento saísse. O pré-gozo facilitava os movimentos repetitivos e lentos. É destro, então é óbvio que tinha mais destreza com sua mão direita, mas a sensação de quentura sempre era mais confortável em climas frios e… isso se aplica ao caso. Então passou o trabalho para a canhota, bem mais quente que o usual — assim como toda a parte esquerda de seu corpo —, o que ocasionou em uma leve abertura de seus lábios. Aumentou a velocidade aos poucos, vez ou outra passando o polegar pela cabeça e acariciando com rigidez.

Os arfares femininos ao fundo também só colaboraram, sentiu uma pulsação assim que a ouviu gemer um pouquinho mais alto. Ah, como ele gostaria de ser o autor daqueles sons vindos dela, o causador. Se ela soubesse o quanto, não seria tão cruel ao deixá-lo nessa situação. A mínima oportunidade que ela o desse para satisfazê-la, ele poderia jurar que a faria gritar até secar a garganta, mesmo sem saber exatamente como. As mulheres com quem esteve foram muito extremas, ou pareciam bonecas, imóveis e apenas esperando que com elas fosse feito algo, ou bem empolgadas, ao nível de ficarem desastradas ou impossibilitarem que ele acompanhe o ritmo. Com aquela mulher em específico, por outro lado, ele sentia que as coisas poderiam dar mais certo, bastante certo, porque pelo menos ele estaria disposto a se empenhar. A beijaria, tocaria e apertaria. Faria o que ela pedisse e mais um pouco. Sempre fantasiou com Ochako sendo um pouco desinibida, apesar da aparência inocente, e a cena acontecendo logo ao seu lado só fortalecia sua teoria.

E os movimentos continuavam, acelerados. Ora descia a mão até a base, ora dava mais atenção à cabeça. A outra mão usava como auxiliar para afrouxar o elástico da peça de roupa e tornar o acesso ao seu pau mais fácil. “Shouto…”, ele ouviu uma vez, “S-Shouto”, a segunda, e quando ele já estava quase lá…

— T-Todoroki?

Oh. Merda

Em um movimento rápido, ele tirou as mãos de onde estava, as suspendendo no ar e paralisado pelo choque. Criou coragem de olhar para o lado apenas para checar se a expressão de Ochako era de surpresa ou apenas desgosto, mas… Bom, ele não soube ter certeza, vale lembrar que ainda estava escuro. Seu tronco estava ereto, ela aparentava estar ajoelhada na banheira, e o olhava através do reflexo do espelho.

— V-Você viu…? Quer dizer, estava… assistindo?

— Mais ou menos.

— E-Eu juro que não queria invadir seu espaço, foi p-por acidente, achei que você estava dormindo e…

— Eu não estava dormindo. Em nenhum dos dias —  ele falou ao se sentar.

— A-Ah, que vergonha! Me desculpa! — ela colocou as mãos sobre o rosto, só os mamilos passando a ser cobertos pelo cotovelos. — F-Foi desrespeitoso de minha parte, me desculpa.

— Você chamou o meu nome.

— Haha, chamei? Engraçado, né? 

— Ochako? —  usar o nome dela parecia bem íntimo, de uma intimidade que eles ainda não desenvolveram, mas como em todas as noites ele a ouviu chamando-no de “Shouto”, ele se sentiu na liberdade de chamá-la assim. E já que a situação não conseguiria ficar mais constrangedora... — Quer transar?

O QUÊ? Que tipo de convite direto era esse? Ochako não quis nem saber se estava ou não preparada para aquela pergunta, sua resposta já estava na ponta da língua. 

— Quero.

— Oh. Tudo bem.

— Eu devo ir aí ou…? 

Shouto se levantou em seguida e acendeu o abajur logo ao lado da cama para poder se guiar até onde as toalhas estavam dobradas, pegou uma delas e a abriu diante de Ochako. Ela não precisou perguntar, apenas engoliu a vergonha que lhe restava e se levantou, mesmo já sabendo que o espelho revelaria tudo que tinha para ele.

Assim que pisou fora da banheira, sentiu ser envolvida pela toalha, por trás, acompanhada de um par de braços rígidos envolvendo sua cintura. Shouto beijou sua nuca exposta e depois seu ombro, enquanto ela sentia certa pressão bem pontual sendo aplicada contra sua bunda. Com tão pouco já se sentia vulnerável, porém não desperdiçaria a chance de fazê-lo entender que a tem deixado sedenta pelos últimos dias, e ficar de cueca na frente dela, tão confortável, traria consequências. Ela não teve tempo de processar a aproximação repentina que eles tiveram durante a estadia, agora entende que ele devia estar passando pelo mesmo. No teleférico, ele sentava ao seu lado, a mesma coisa quando estavam em algum café, ele melou um morango na calda do fondue e deu na boca dela. A tensão de quando seus cotovelos ou joelhos se encostam um no outro, os olhares furtivos que trocaram na noite em que estavam todos do lado de fora para ver o céu. A prontidão em que ele oferecia seu cachecol quando ela tentava enterrar o rosto na gola do casaco, o jeito inesperado como envolveu as mãos dela com sua esquerda logo depois dela passar um tempo as esfregando. Tudo devia ter segundas intenções escondidas e ela que foi cética demais para acreditar que estava rolando alguma coisa. E agora era o momento que ela tinha pra compensar as oportunidades que jogou fora.

Deixou que Shouto descesse seu toque até o meio das pernas dela. Aquela área já estava bem sensível e molhada, devido à diversão de alguns instantes, então os dedos compridos dele deslizaram com facilidade por ali. De cima a baixo e depois fazendo círculos, ela colocou sua mão sobre a dele apenas para guiá-lo e fazê-lo subir um pouquinho mais a investida, focando no ponto principal. A maior parte do trabalho já estava feita, então mesmo com pouco contato, ela sentia o orgasmo bem bem perto. Por isso mesmo quebrou o contato e se virou de frente para Shouto, prensando sua boca contra a dele.

O beijo não disfarçou nenhuma intenção que eles tivessem, era urgente e desajeitado. De passo em passo a mulher o empurrava para trás, até que ele caiu sentado na cama.

— Fica aí —  o pedido pareceu bem mais uma ordem, e ele não se importou nem um pouco em obedecê-la, ainda mais porque o que viu em seguida foi bem satisfatório: ela deixando a toalha cair depois de se secar bem brevemente. O corpo inteiro nu e o cabelo solto depois de um balanço. O jeito como ela caminhou até si vai ficar gravado na memória de Shouto, a iluminação torneando os seios dela de um jeito teatral.

Outra coisa que ele teve o privilégio de assistir foi a ela, também, se ajoelhando logo na sua frente. Ele arfou assim que ela levou sua mão à cueca, tendo o cuidado de deixar o mindinho levantado e evitar que ele saísse flutuando, muito embora a sensação seja bem parecida, a carícia aliviava toda tensão no corpo dele e o induzia a se sentir mais leve.

— Posso? —  Ochako perguntou e ele entendeu ao ver os dedos dela já envolvidos no elástico. Ele só fez que sim com a cabeça e levantou os quadris, para facilitar o processo. Rápido assim ele já estava tão à mostra quanto ela. Justo.

Ela só deixou a cueca dele de lado e ele não prestou atenção para ver onde ela foi parar. Focou no que interessava, que era o rosto dela bem próximo de sua ereção e os olhos grudados nos dele. Eles brilhavam, famintos, e prestaram atenção em toda reação que ele poderia esboçar assim que ela começou, lambendo todo o comprimento. A textura áspera da língua dela foi bem gostosa, principalmente quando ela chegou até a glande. A abocanhou, dando início às sucções, e aos poucos conseguia aprofundar e elevar o ritmo, até que a glande surrasse a garganta dela. Mesmo assim,  não conseguiu chegar até a base, era um pouco… grande demais pra boca dela, pequena. Mas isso não o afetou em nada, sem contar com o jeito como ela se inclinou para frente. Foi assim que acabou por fornecer uma ótima visão da bunda dela, sentada logo em cima dos calcanhares, então ele não pôde deixar de notar. 

Vez ou outra ela tirava da boca e acariciava com o polegar, além de lamber. Por si só ela já estava fazendo aquilo tão bem que Shouto nem quis interferir colocando a mão no cabelo dela, só não conseguia tirar os olhos dela, tão empenhada. Foi impossível não deixar escapar alguns sons de sua garganta, e ele honestamente nem se importou de ser um tantinho barulhento. Shouto também não conseguiu durar muito tempo, o que já era previsto, ele também tinha feito a maior parte do trabalho previamente, mas ainda assim conseguiu ser rápido para afastar o rosto dela dali e colocar a mão na frente. Ela parece confusa por um momento, mas só foi ver o jeito como ele jogou a cabeça para trás, evidenciando o pomo de adão, que ela entendeu bem rápido. Ele só foi obrigado a se recuperar rápido porque logo ela lhe roubou a mão que estava cobrindo o seu pau e lambeu todo o sêmen que estava ali, deixando a palma praticamente limpa. 

— Obrigada pela consideração, de qualquer forma —  ela falou em um risinho divertido e passou as costas da mão sobre o lábio. 

Expor o corpo daquele jeito agora que havia uma iluminação decente era uma experiência bem reveladora, mas a situação dava a ela uma confiança que Ochako normalmente não tinha. O olhar de Shouto era denso, ela se sentia desejada. Era tudo o que precisava para se soltar, fora o jeito como ele dava espaço e liberdade para ela tomar iniciativa. 

Colocou uma leve pressão com seu dedo indicador no ombro dele até que Shouto deixasse o próprio tronco cair para trás. Já Ochako subiu na cama e passou a coxa para o outro lado, subindo nele. Se sentou em um ponto bem específico, não propriamente deixando que o membro entrasse em si, mas de modo que pudesse se esfregar nele, criando um atrito gostoso com movimentos para frente e para trás. Voltou a beijar Shouto no meio do processo, se inclinando até estar com o tronco colado no dele, os mamilos rígidos contra o seu peitoral. Pegou uma das mãos dele e colocou contra seu quadril, e entendendo o convite, ele também dirigiu a outra mão para o outro lado. Apertou a gordura com gosto, auxiliando nos movimentos, e tirou a cabeça do caminho quando ela começou a distribuir beijos e chupões no seu pescoço, para dar mais espaço. A pele dele era tão alva que devia ficar marcada fácil, então ela teve cuidado para não acabar deixando roxos muito chamativos.

Só foi rebolar mais um pouquinho que Shouto já voltara a endurecer, e ela ficou até empolgada, porque seu orgasmo estava sendo adiado demais e isso estava começando a pesar. 

— Você tem camisinha aí? — ele perguntou.

— Uh… não — ela responde, desconcertada. —  Mas... a recepção tem — Ochako sorriu meio sem  jeito, principalmente por não ter nem lembrado desse detalhe importante. Ainda bem que estava com um homem com juízo.

— Algum de nós vai ter que ir buscar?

— T-Talvez dê para pedir no serviço de quarto —  ela pulou de cima dele e caminhou até o interfone na escrivaninha. — Alô? Boa noite! — ela fala de um jeito alegre e educado. — Eh… Preservativos estão inclusos no serviços de quarto, não é…? Ah, sim, legal. Então… Teria como alguém vir trazer alguns? Hm, quantos? —  Ochako olha para Shouto, querendo uma resposta, e ele só dá de ombros, também não soube dizer, e acabou sobrando para ela. — Uns dez, pode ser? Chalé número sete. Okay, muito obrigada! — e colocou o aparelho no lugar.

— ...Dez? —  ele tentou controlar a voz para não parecer intimidado.

— Melhor sobrar do que faltar —  ela ria durante o caminho de volta, mas dessa vez indo catar um vestido qualquer para cobrir o corpo. —  E eu me recuso a ligar de novo amanhã. 


xxx



Ele sabia que não, mas isso não o impedia de pensar, enquanto Ochako subia e descia em seu colo sem cessar os movimentos, o homem sentia como se estivesse no auge da sua vida. Primeiro, porque aquela era a realização de um desejo reprimido de muito tempo, de quando ele nem sabia admitir que tinha fantasias. Segundo, porque ele já tá com a garantia de aquela não seria a última vez — aquela quantidade toda de camisinha que o diga. E terceiro, porque ele se sente muito privilegiado de poder ver o rosto doce dela se contorcendo de prazer, somado ao jeito como as coxas dela o apertavam e os peitos balançavam. Olhando assim, de baixo, ela parecia mais com uma deusa, não que isso o surpreenda.

O mesmo valia para Ochako, ela só conseguia pensar no quão gostosa era a surpresa de ver as feições no rosto de Shouto. A testa franzida, lábios semiabertos. Na sua imaginação, ele era um sujeito bem inexpressivo, incluindo nesses momentos, e ela já até tinha aceitado essa verdade inventada, mas agora que ele prova o contrário, ela se sente igualmente presenteada. Ver o resultado de sua ousadia ao alternar o ritmo, indo de descidas lentas até a base à movimentos curtos e rápidos era bem divertido, para não dizer excitante, e ainda tinha que naquela posição ela tinha toda a liberdade para tocar e acariciar o abdômen dele. Ele era inteiramente lindo, tão lindo que era até injusto.

— Porra, Ochako... — ele soltou bem baixinho, sorte dela de estar com a bochecha grudada na dele para poder ouvir bem. Era quase como se ele se sentisse culpado de usar essas palavras sujas, apesar de dispensar formalidades ele não faz muito o perfil que xinga frequentemente. Saber disso até deu uma levantada no astral dela, uma proeza, ainda mais considerando que ela achava não ser possível.

A segunda vez que os dois gozaram foi bem perto uma da outra, o que é incrível, e mesmo com o auxílio dele na hora de quicar, deixando as mãos em seus quadris, Ochako já estava cansada e toda descabelada. Deixou o corpo sobre o dele assim que finalizou, e ele só teve que sair de dentro dela pra poder jogar fora a proteção antes que voltasse a amolecer.

O peito dela colado ao seu entregava os batimentos acelerados e a boca próxima ao seu ouvido direito deixavam bem claro que ela estava exausta, mas ao invés de pensar que aquele era justamente um motivo para parar, Todoroki só percebeu que ele ainda tem bastante energia. Mal suou, na verdade, ela que praticamente fez todo o trabalho, e isso o deixou reflexivo.

Não era bem assim que ele esperava que acabasse.

Em cenários mais comuns, Shouto não seria nem um pouco bruto, talvez só um pouquinho direto às vezes, mas de modo geral precisava que a maior parte da iniciativa fosse tomada pelo parceiro. Mas hoje Ochako estava sendo tão boa e prestativa que ele se sentia excepcionalmente motivado. Foi por isso mesmo que inverteu as posições, depois de se estimular um pouquinho com as mãos, roubando o controle da situação assim que a colocou de bruços. Foi um movimento forte, mas o colchão abafou o impacto e provocou um gemido vindo dela.

— Vou precisar te ouvir —  ele falou baixo, no pé do ouvido dela. Era verdade, agora que ele não tinha como ver o rosto dela, precisava de outro tipo de feedback senão as expressões deleitosas. Ele também não fazia ideia se ela gostava daquela posição, era um pouco comprometedora e submissa, mas ía arriscar a sorte. Se ela não gosta, ele pode fazê-la mudar de ideia.

Ela entendia aonde aquilo iria chegar, então já colaborou ao empinar, com ambos os joelhos devidamente separados e servindo de suporte. O que ela não esperava era ter o rosto dele enfiado logo entre suas pernas, a ponta gelada do nariz tocando acidentalmente em sua virilha e o hálito quente criando um arrepio vindo daquela parte do corpo. 

Depois de tanta movimentação, ela já estava bem massada, então a lubrificação proporcionada pela saliva dele foi um acréscimo bem significativo. Fora isso ainda tinha a sensação incrível, o músculo se movia com maestria, enrijecendo nos lugares certos e mexendo cruelmente contra os pontos mais sensíveis. Não achando suficiente, ele ainda acrescentou os dedos no processo, e daí em diante seria realmente muito difícil conter a voz. Nunca foi muito boa em controlar os gemidos que solta, e estava se controlando parcialmente até então para não criar uma impressão muito escandalosa, portanto o pedido dele não foi menos que um grande alívio para Ochako.  

— A-Ah! Aí! — ela indicou, assim que ele passou o dedo médio bem sobre seu clítoris. — Hm, hmn… — ela choramingava. 

E enquanto isso, não dava para dizer que Shouto não estava se dedicando. Ele não tinha lá tanta experiência com a língua, e deu para notar pela reação dela que a inclusão do médio e anelar foram bem vindas, mas arriscava dizer que ela estava gostando. Fazer isso ao mesmo tempo que masturbava a si mesmo era um trabalho um pouco complicado, mas assim que conseguiu sincronizar o ritmo, de algum jeito, foi bem prático. 

Não queria gozar na própria mão de novo, sendo assim, lambeu toda a extensão dos lábios maiores dela até que tirou a cabeça de onde estava, erguendo o corpo. Não podia desperdiçar a chance que tinha de apreciar o corpo dela, então só aproveitou a vista para prolongar um pouquinho mais sua punheta, até notar que ela ainda estava na expectativa. 

— Posso colocar? — ele perguntou. 

— Por favor.

Então ele deslizou o próprio pau entre as paredes dela, segurando a base. Logo antes de começar os movimentos, sentiu muita vontade de beijá-la, o que o levou a se abaixar para plantar um beijo na nuca dela e depois no pescoço. Afundou os dedos em seu couro cabeludo repleto de uma tonalidade amendoada e puxou seu cabelo, guiando a cabeça dela para o lado. O ósculo foi curto, bem babado e a posição não favorecia, mas ainda assim ele se sentiu satisfeito. Não poder ver o rosto dela era uma grande pena, mas ele estava longe de reclamar por ter a bunda dela tão acessível.

Os movimentos começaram lentos, mas fortes, e de um minuto para o outro já tomaram um ritmo completamente diferente e eufórico. Sorte a deles que a cabana era privativa, nenhuma de suas paredes dava para o recinto de pessoas desconhecidas, porque se fosse esse o caso, coitadas delas. Eles estavam sendo barulhentos, tanto pelo ranger da cama quanto pelo som da pele batendo com pele, sem contar com a garganta dos dois que estava em constante estado de vibração.

— Todoroki, ah…! 

— É Shouto — ele corrigiu arfante, soando até autoritário, o que ela achou muito sexy. Mais uma prova de que ele estava prestando atenção, e não era pouca, nas noites anteriores. Era só para si, então ela não privou a si mesma de chamá-lo assim, só não esperava que ele fosse gostar tanto quanto ela do jeito como usar o nome parecia íntimo e confidente. Ela não precisa nem dizer da satisfação que era ouvir “Ochako”, bem nítido e suave, vindo da boca rosada dele.

— S-Shouto, hm? — ela soltou um riso que não teve a maior das durações. — É… faz aquilo de novo? 

— O quê? 

— Com… o meu cabelo, sabe? — não se envergonha de ficar de quatro na cara dele, mas de fazer aquele pedido, nossa, suas bochechas até se aqueciam. Não faz o mínimo sentido, mas é a pura verdade, ela achou incrível quando ele fez da primeira vez, o que pegou até ela própria desprevenida.

— Assim? 

Ele subiu os dedos pela nuca dela, acompanhando o arrepio que seguiu por sua espinha, que rastejam até pegar todo o cabelo que ela tinha na parte inferior traseira de sua cabeça. Ele supôs que se puxasse uma mecha pequena, doeria, então tomou o cuidado de espalhar bem sua mão e então prender os fios entre os dedos. Assim que o fez, puxou a cabeça dela, a inclinando para o lado e abrindo espaço para que ele retribuísse os chupões e mordidinhas que ela fez questão de o proporcionar mais cedo.

— A-Ah! Sim! 

— Do que mais você gosta? — a pergunta foi sincera, ele estava mesmo esperando uma resposta coesa. Coitado, foi deixado na mão, porque o jeito como a glande dele estava surrando o colo de seu útero a desfocava completamente de qualquer diálogo. O jeito foi se arriscar, da primeira vez deu certo, e se não tentar de novo, nunca vai saber. Foi assim que se sentiu encorajado a tirar o apoio que tinha com a destra e transferir para o cotovelo esquerdo, deixando-a livre para passear pelo corpo dela. Apertou sua bunda, sua cintura e todo músculo e gordura que achou pelo caminho, prestando atenção nas reações dela quando reduziu drasticamente a temperatura. O toque gélido foi muito bem recebido, ao menos era o que dava a entender pelos gemidos que passavam a ser manhosos e arrastados. — Você gosta quando eu faço assim? Hm? — tão grave e ao mesmo tempo tão macia, a voz dele era a própria perdição. Ela nem teve tempo de se recuperar do pensamento e já sentiu um calafrio vindo logo de seu clitóris, com o toque frio, como se uma pedra de gelo recém tirada de um refrigerador, ainda sem água, estivesse deixando um rastro de lá de baixo até o seu umbigo, e do umbigo até o vale de seus seios. — Me diz, Ochako.

Era exatamente como outrora ela imaginou. 

— Oh, Shouto! — ela engasgou na própria fala quando sentiu seu peito sendo apertado sem dó. O frio era anestesiante ao mesmo tempo que intensificava a sensação. O contraste perfeito de seu corpo fervendo com os dígitos dele. — Isso… é muito bom.

— Ah, é?

— Aham, muito! — ela nem estava mais discernindo direito o que falava, se ouvisse a si mesma ficaria em choque. — Tão bom… você é tão bom.

Aquilo era demais para um Todoroki só, então apesar da vontade ser de continuar daquele exato jeito para sempre, ele não conseguiu segurar mais. Soltou uma sequência bem curta de xingamentos quando atingiu o êxtase pela terceira vez na noite, até sem conseguir manter preso o cabelo que ainda segurava. Continuou dentro dela, incapaz de se mover durante segundos que deram a impressão de ser bastante tempo, ainda processando o que aconteceu. Só então pôde notar o suor pingando pela sua testa, e aquilo foi uma confirmação de que, talvez, agora as coisas pudessem terminar e ele estaria satisfeito. Só não poderia deixá-la de lado, e se esforçou pra dar mais uma porção de estocadas fortes e fundas até que ela também chegasse ao ápice. 

Depois disso, só deram mais um par de movimentos preguiçosos e arrastados pra se ajustar. Ele deu um nó na camisinha assim que a tirou e jogou pra trás, despreocupado, e ela fez um coque improvisado no cabelo, para que não ficasse tão oleoso pelo suor.

E assim acabaram os dois: jamais tão satisfeitos por estarem exaustos e ainda fedendo a suor. Ela ainda deitada de bruços e ele de barriga para cima, encarando o teto e registrando as memórias ainda tão frescas. 

— Você me deixou um caco — Ochako falou, mas não é como se ela estivesse reclamando, e ele sabia disso.

— E você é incrível — ele soltou na maior naturalidade, a pegando desprevenida. Ela estava sonolenta, mas até abriu os olhos depois dessa. Só não soube como revidar, não duvidava que acabariam enaltecendo um ao outro até pegarem no sono. Verdade seja dita: se ela soubesse traria esse resultado, não faria tanta questão de ficar quietinha desde a primeira vez.

Então ela só perguntou:

— Banho?

— Banho.



Notas Finais


Ufa!
Tem no mínimo uns dois períodos pré-cambrianos desde que eu consegui terminar de escrever uma cena de sexo, então está bom? Não sei. Eu estou satisfeita? Aham. Isso foi escrito na base do ódio para ver se resolvo essa falta de inspiração monstra que tá no meu pé desde dezembro. Se tiver saído bom, o benefício foi mútuo haushsujh
Eu tava determinada a deixar isso daqui bem vanilla e sem fetiches, mas no finzinho acabei botando uma puxada de cabelo e um praise kink de levs porque, ya’know faz parte. Fora o voyeur disfarçado no início, vou fingir que nem existe!
Ah, e também vou agradecer a @marryoin por dar pitaco nesse capítulo e até tirar print dos diálogos, suas reações são necessárias

Aproveita e passa no meu tt pra curtir a arte da capa, ó:

https://twitter.com/the_ophelier/status/1242205344509632512?s=21


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