História Kemet - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Levi Ackerman "Rivaille", Mikasa Ackerman
Tags Rivamika
Visualizações 201
Palavras 2.142
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Seth é um vacilão, Osíris bobão, Ísis FODA RAINHA MARAVILHOSA, Neftis fez bem em trair o macho escroto do marido
Adoro esse mito haihauahaaiah
A oração de Maat é real, e o pão e cerveja eram os alimentos base no Egito
Lá que criaram a cerveja
Obrigada egípcios ♡
Djed: a coluna de Osíris = força e sustentação
Muito que bem, boa noite felás do meu coração ♡

Capítulo 4 - Djed


 

 
  - Nut e Geb, o céu e a terra, se uniram em matrimônio. Porém Rá, descontente por conta do céu estar abraçado a terra, e assim impossibilitando que sua barca solar fizesse o caminho pelo firmamento até o outro mundo, ordenou a Shu, o ar, que separasse seus filhos amantes. Shu então ergueu Nut, separando-a de Geb, e se interpôs entre eles. Nut estava grávida, e Rá, ainda dotado de ressentimento, ordenou que ela não poderia dar a luz em nenhum dia do ano, foi assim que Tot, a íbis da sabedoria, jogou com a lua e ganhou os cinco dias adicionais... Mas essa é outra história. Com a ajuda de Tot, Nut deu a luz cinco filhos: Osíris, Ísis, Néftis, Seth e Hórus, o Velho. Ísis e Osíris uniram-se em matrimônio, assim como Seth e Néftis. Enquanto que a deusa da magia e o senhor da natureza personificavam a luz e o princípio positivo, Seth e Néftis eram o casal oposto, concentrando a maldade e escuridão da balança cósmica. Seth nutriu muita raiva e inveja de seu irmão, por conta de sua esposa Néftis ter concebido um filho dele, Anúbis. Assim, o tenebroso obscuro tramou uma vingança contra Osíris...
  Mikasa se sentia nostálgica ao sentar-se entre almofadas no chão coberto de pele de leão. Lembrava-a da infância, em que, naquela mesma sala, aprendeu junto de primos e crianças nobres as histórias dos deuses. Mas não era a querida velha serva de outrora que contava às crianças os mistérios da religião, mas sim uma das almas mais doces que a princesa tivera contato durante toda sua vida. 
  - ...Tendo Ísis recolhido todas as partes do corpo de Osíris, menos uma, mumificou o corpo do deus e pairou sobre ele na forma de uma andorinha, pousando sobre ele e assim concebendo Hórus. Dessa forma Osíris tornou-se o deus da morte, por conta da raiva de seu irmão que o assassinou em uma emboscada. Amanhã, crianças, conto a história de como Hórus vingou seu pai e destronou Seth do trono egípcio.
  O escriba Armin terminou o monólogo explicativo, as crianças todas reunidas em volta arrulhando em uma baderna, pedindo mais histórias sobre os deuses. Enquanto esperava Armin se livrar das crianças, Mikasa não conseguiu deter os pensamentos. A sensação de náusea se arrastava por sua pele tal qual uma naja nas areias do deserto, carregando em um arrepio os sentimentos de medo, angústia e confusão. Não pôde deixar de comparar a história de Seth e Osíris, o fratricida, ao rumo que sua própria vida levava. 
  Mikasa não conseguiu conter sua mente de cogitar, novamente, a morte de Levi.
  Ela sabia que em seu julgamento final o coração seria mais pesado que a pena da justiça, Maat a condenaria a ser destruída pela Devoradora, mas ainda assim... Livrar-se de Levi, definitivamente, era uma grande tentação. 
  - Princesa. – O escriba se aproximou, fazendo uma mensura tímida. Por mais tempo que se conhecessem, Armin sempre seria contido com ela. 
  Perdida em pensamentos,  a princesa mal percebeu que as crianças saíram correndo, provavelmente para nadar nas piscinas do palácio.
  - Armin. – Ela cumprimentou.
  O vestido branco plissado e transparente reluziu aos raios de sol que escapavam das janelas, evidenciando as jóias e pedras preciosas que vestiam a princesa até mesmo por baixo do pano. Ela ergueu uma mão cravejada de anéis para a benção do sol, pousando-a no peito, e suspirou.
  - Preciso que me ajude.
  Eren nunca estaria seguro no exército se o espião que passava informações aos inimigos vivesse; o que ela faria agora, agindo pelas sombras e longe do olhar do faraó, era pelo irmão, e pelo Egito.
  Armin a olhou curioso, logo abaixando o olhar para as sandálias ao caminhar ao lado dela pelo palácio. Ele era discreto e não fazia alarde, sempre fora assim. Seu homem de confiança que tinha acesso a toda burocracia do império.
  Eles caminharam juntos até um dos jardins, sentando-se nos bancos de pedra cercados de lótus em flor.
  - Mikasa – Armin sussurrou, pousando os doces olhos nela. – Eu adoraria ajudá-la, mas sabe que são tempos de cuidado.
  Ele sabia dos boatos, conspirações e atitudes tomadas por cada indivíduo relevante no reinado da dinastia Ackerman, e era bom e discreto o suficiente para não comprometer ninguém. Mikasa o tinha como a coisa mais próxima de um amigo, embora possuir amigos fosse perigoso para alguém como ela.
  - Eu sei, Armin. – Ela suspirou, observando aves aquáticas voarem e crocitarem próximas do bosque que fazia margem ao Nilo. – Acredite, eu sei.
  A lembrança dos dedos em seu pescoço era mais forte do que se ele houvesse deixado marcas.
  O escriba torceu os dedos manchados de tinta na saia branca, deixando mais algumas manchas no tecido de algodão, um hábito de nervosismo. A maquiagem negra em volta dos olhos deixava-os ainda maiores e inquisidores, fitando desconfortavelmente a princesa como se lesse sua alma. Teria dado um terrível sacerdote, ela pensou, divagando não pela primeira vez a respeito das escolhas do amigo. Armin era filho da mais alta nobreza, alguns de seus parentes traçavam uma linhagem materna até a família real, de alguma princesa esquecida. A ele sempre foi reservado os mais altos cargos na corte, mas insistia em se manter como um simples escriba palaciano do que almejar postos mais cobiçados. 
  Na opinião de Mikasa, a pouca ganância de Armin o fragilizava. Por que não ter poder, quando lhe era oferecido? 
  Ele imitou seu suspiro, os dedos nervosos provevelmente sentindo a falta do papiro nas mãos.
  - O que você precisa?
  Ela hesitou, erguendo os ombros e sentindo o sol tocar a pele.Os raios dourados lhe deram força, como se a magia do sol penetrasse a pele da princesa e reafirmasse seu poder ilimitado e linhagem sagrada.
  - Sabe que há um espião dentro do nosso exército... – Ela começou.
  - Há essa altura metade de Tebas sabe disso, Mikasa. – Armin cruzou os braços. – Não vejo nada que eu possa fazer a respeito...
  - Eu quero os documentos. – Cortou. – Os registros de cada soldado. Real, mercenário, egípcio, hebreu ou núbio... Eu quero os relatórios. Da infantaria.
  Armin piscou, a expressão vazia se contraindo quando ela terminou de falar.
  - Isso não é da minha alçada, Mikasa. – Ele sentia medo. – Sou apenas um escriba do palácio, sequer o chefe! – Armin vociferava entre dentes, para ninguém ouvir. – Você sabe quem é responsável por esses documentos!
  Sim, ela sabia. Do contrário não teria vindo até o amigo, o único que poderia ajudá-la com uma investigação particular. Já estavam buscando o tal espião, grupos de soldados capitaneados pelo próprio vizir. Acontece que Mikasa não confiava em Levi. Ela achava que ele não poderia ser o espião, ou mesmo facilitador de uma conspiração hicsa... Mas a noite passada a deixou ligeiramente em alerta. Ele poderia facilitar uma invasão ao palácio para matar a ela e o faraó de uma única vez, muito vantajoso para ele. Como possuía um ego do tamanho do Nilo, deveria achar que lidaria com os hicsos com um único golpe de espada dos braços fortes. E havia Eren. Sua maior motivação. Faria tudo pelo irmão.
  - Você pode tê-los. Com a sua influência, Armin.
  O pequeno escriba tremia, os pulsos finos retesados de tensão.
  - Não, Mikasa! – Ele se encolheu no banco, tão vulnerável feito uma criança. – O vizir mandaria me matar se descobrisse.
  - Ele não vai descobrir. E você é importante demais para morrer por qualquer coisinha.
  - Não é qualquer coisinha... É invadir os arquivos do vizir! O comandante sádico de guerra!
  Armin guinchou, e a princesa esperou a crise histérica passar. O escriba era sensato, sim, e muito importante como peça naquele jogo dourado da corte egípcia. Mas faria o que ela quisesse. Ela era a princesa, filha de Hórus, rainha de direito. Ele cumpriria suas ordens.
  - É uma ordem da herdeira do sol, Armin. – Ela se levantou, a sombra se alongando sobre ele e colocando o pobre escriba na escuridão enquanto ela permanecia banhada no ouro líquido dos raios solares. Uma deusa.
  O escriba ainda era seu amigo, no fim das contas, e Mikasa sentia pesar em arriscar a cabeça dele mandando-o em uma missão como aquela. Entretanto ele não iria falhar. Não poderia falhar. Além da vida dele, era a dela que estava em risco. E a de todos os habitantes do vale. De Eren.
  - Eu não te pediria se não fosse necessário, Armin. Sabe disso. – Precisava garantir que ele estivesse ciente da situação.
  Ele parou de tremer, e se curvou a frente dela. Os olhos vazios que não traziam expressão carregavam um brilho resignado, como se soubesse que não haveria argumento que pararia a princesa.
  Ela possuía a força da tempestade de areia do deserto, afinal.
  Enquanto Armin se esgueirava pelos corredores no labirinto do palácio, pensava que a princesa herdeira possuía em muito uma semelhança aterrorizante com o vizir. Embora ela achasse que as sombras de Seth governavam o príncipe, ignorava que as mesmas sombras habitavam dentro de si. Afinal, tudo em que o sol toca produz sombras. Ele se arrepiou, mas seguiu o caminho, executando a tarefa ordenada.
  A paisagem vista da sacada era calma e magnífica, as palmeiras de um verde profundo – lembravam-na dos olhos de Eren – reluziam ao sol da tarde e oscilavam muito levemente na brisa quase inexistente do mês em que a cheia atingia seu ápice. Flutuando nas curvas do rio, uma barco elegante de casco levemente mais curvo passeava pelas águas púrpuras, carregando um grupo nobre de caçadores que se dirigiam aos pântanos infestados de crocodilos.
  Mikasa gostaria de estar lá; apreciava o esporte da caça.
  Tudo isso era a vista que tinha da varanda, o rosto pousado em um travesseiro de penas de ganso, nos aposentos reais do harém.
  Estava deitada em um móvel longo de madeira de cedro, importada do Líbano, enquanto uma serva fenícia arrancava os últimos pelos de sua perna. A princesa exclamou de dor, mas não pôde mover as mãos – em que outra serva, dessa vez egípcia, com os traços fortes de beleza selvagem concentrados em pintar suas unhas no mais profundo tom de negro.
  Ela gostava da cor preta, sempre gostou. Significava o renascimento, o encontro com Osíris e a fusão com o deus. A cor sagrada agora habitava as unhas da princesa.
  - “Maat veio para que ela possa estar com vocês. Maat está presente em todas as moradas, de modo que vocês estão munidos de Maat. O manto para seus membros é Maat... – Mikasa suspirou com a última puxada dos pelos, retomando a oração sussurrada logo em seguida. – ...Maat é o sopro de vida em seus narizes. Maat é seu pão. Maat é sua cerveja.
  A princesa precisava de todo apoio celeste possível. Àquela altura Armin ou havia sido pêgo, ou estaria voltando de sua missão nos aposentos burocráticos do vizir. Em breve a barca de Rá entraria pela boca de Nut e iniciaria a viagem pelo mundo inferior, as horas passavam com rapidez e a agoniava.
  Uma batida na porta a sobressaltou, e Mikasa tinha certeza que a pessoa que batia só carregaria duas mensagens possíveis: ela teria sido desmascarada, Armin estava condenado e a princesa seriamente encrecada com o faraó, ou... Teria dado certo. Armin conseguira os documentos para ela.
  Maat, justiça, equilíbrio cósmico, ajude-nos, Mikasa estava tão nervosa que esqueceu até das palavras sagradas da oração.
  - Entre. – A voz de Mikasa foi firme e não tremeu. Independente de suas angústias e temores, ela ainda era quem era.
  Armin entrou, silente e rígido, curvou-se e ela pôde ver os papiros que trazia às costas, discretamente.
  Ela se sentou, o coração batendo forte entre as costelas, e nem ligou para as unhas borradas, a cabeça descoberta da peruca e o corpo nú coberto apenas por uma fina tira de tecido no quadril.
  - Saiam todas. – Ela ordenou, recostando as costas no apoio e alcançando uma taça de cerveja. Semicerrou os olhos pintados com o negro pó de galena, em um traço fino e comprido puxado do canto, e se dirigiu a Armin quando a última serva saiu fechando a porta com uma mensura. – O que diz?
  Por um momento ele ficou em silêncio, os olhos baixos como se a dourada beleza da princesa nua em um momento de intimidade lhe machucasse os olhos, mas ela sabia que era medo. Medo dela, medo das circunstâncias, e medo de Levi. O que mais a irritava nisso tudo, não era inspirar temor no amigo, isso ela até poderia apreciar sacralmente, mas sim o medo que o vizir inspirava.
  A sombra de Levi se estendia sobre seu esplendor real desde que abrira os olhos para o mundo de Ámon.
  Armin estendeu os papiros em sua mão, enrolados e atados com couro, e se aproximou até pousá-los aos pés de sua senhora.
  - Está feito.
  Ela bebeu da cerveja para esconder o sorriso.
 

Notas Finais


Mikasa é um sapão né nom


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...