História Kemet - Capítulo 5


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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Levi Ackerman "Rivaille", Mikasa Ackerman
Tags Rivamika
Visualizações 190
Palavras 1.829
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Per-aa: grande casa = faraó
Gente linda do meu coração, chegamos em um impasse
Bem, é o seguinte
A população egípcia era parda, mestiça, e dessa forma a aparência de muitos personagens que conhecemos seria alterada para se encaixar no contexto da história. Mas eu pensei bastante, e cheguei a conclusão de que acima de qualquer coisa é uma história rivamika, ao mesmo tempo que eu acho um absurdo deturbar fatos históricos para encaixar na história como alguns veículos de mídia fazem (COF COF REDE GLOBO E RECORD COF COF) então optei por não descrever exatamente alguns traços físicos que não seriam presentes no Egito Antigo, como loiros de olhos claros tipo o meu Erwin e o Armin, somente se for relevante para o plot tipo Eren com os olhos que puxou da mãe e tal. Vou dar liberdade para vocês imaginarem como se sentirem confortáveis, mas deixo claro com demais figurantes da história a etnia predominante no território africano
E se vocês se interessarem em saber a respeito dessa discussão sobre o tom da pele dos egípcios, que é muito legal e ampla, só me avisar que vou ter um prazer enorme de explicar (e frizar que a teoria do Malek e Forman é absurdamente ridícula, ELES NÃO ERAM BRANCOS INFERNO)
Enfim, a casa tá caindo aaaaa

Capítulo 5 - Per-aa


 

 
  O sol estava se levantando, evaporando a neblina noturna sobre o rio Nilo e banhando as águas de um laranja tão forte que parecia ouro líquido. Além dos ocres muros de tijolo cozido, pálidos e desgastados do sol, os barulhos da cidade ao redor do palácio acompanhavam o movimento do astro que se levantava. Ruídos da feira, comércio, pescadores, soldados e afins inauguravam mais um novo dia no vale do Nilo.
  Crianças nuas, com uma única trança de um lado da cabeça, corriam em bandos pelas ruas empoeiradas, perseguindo um cachorro ou gato que fugiu do templo. Os mercadores extrangeiros armavam suas tendas com frutas exóticas e mercadorias estranhas, fascinando senhoras egípcias, das cheias de jóias às de poucos colares de âmbar. Nova remessa de alimentos frescos descia o Nilo nas barcas, os remadores gritando e arrumando confusão. Os templos há muito despertaram, dedicados à prece quase profana de tão insistente, garantindo o ressurgimento da barca solar do mundo inferior – o sol que despertava das colinas do Sinai e deserto Arábico ocidental. Nas casas funerárias, a mumificação, com a benção de Anúbis, retomava seus trabalhos de preservação dos corpos.
  O dia amanhecia no país do sol, mas a princesa Mikasa havia enfrentado a escurião da noite acordada e alerta, cercada da luz das velas em seus aposentos, os olhos cansados lendo os papéis que Armin se arriscou para lhe trazer.
  Ela viu as águas do Nilo, revoltas na época das correntezas que carregavam os detritos fertilizantes da cheia, reluzirem em púrpura profunda, depois em prata líquida com o clarão da lua, até a pálida aurora rosada. Os olhos negros e profundos estavam cansados da iluminação fraca das velas e braseiros, forçados a lerem durante a madrugada. 
  Mas havia valido a pena.
  Claro que havia, ela sabia que encontraria o que buscava.
  - Sasha – Ela sussurrou, a voz grossa por não usá-la durante a noite. – Vá a cozinha e me traga pão e frutas.
  - Sim, senhora.
  A serva se curvou, a peruca negra e lisa escorregando da cabeça e ficando torta, e saiu do quarto tropeçando nos pés. Sasha havia ficado acordada junto de sua senhora a noite inteira, se recusando a se recolher enquanto a princesa permanecesse acordada. Tola, e atrapalha, mas fiel e dedicada. Deveria estar morrendo de sono; a princesa gostava dela, e naquele mundo perigoso em que possuir qualquer afeto poderia se virar contra você, ela o mantinha para si mesma.
  Mikasa também estava cansada, mas obrigava seu corpo a permanecer alerta até o limite. Não poderia permitir que uma necessidade tão mortal como sono e cansaço atrapalhassem os planos da princesa herdeira do Egito. Ela era decendente dos deuses, o corpo deveria aprender a se adequar. Iria se adequar.
  Quando Sasha saiu, ela se espreguiçou lentamente, sentindo cada músculo se alongar em uma sensação prazerosa. Levantou-se do divã frio em que passara a noite, caminhando até a varanda e recebendo os raios do sol nascente na pele. O tecido fino, branco e transparente – como a maioria esmagadora que compunha seu guarda-roupa – deslizou através da pele quente, arrastando uma sensação fria e muito agradável. Mikasa gostaria de sentir o frescor melhor, o dia amanhecia mas o calor sufocante aumentava gradativamente, porém ela não teria tempo de se despir junto das servas e banhar-se nua nas piscinas naturais do Nilo. Não. Haviam coisas a serem feitas; atitudes a serem tomadas.
  - Senhora, o príncipe Eren a procura. – Sasha murmurou ao voltar, pousando a bandeja de madeira em uma mesa entalhada com motivos de leão.
  Pão escuro, cachos de uva, algumas tâmaras e um copo dourado de cerveja espessa equilibravam-se sobre a mesa, e Mikasa reparou que haviam poucas tâmaras e algumas uvas faltavam no cacho. Bem, pelo menos não veio faltando um pedaço do pão. Parecia que Sasha estava começando a disfarçar melhor o roubo de comida real. 
  A princesa voltou a sentar-se, dessa vez sobre a cama, estendendo o corpo sobre os lençóis igual vira os felinos sagrados fazerem ao sol. Comeu pouco, e lentamente, provando as uvas para não irritar o estômago há muito vazio.
  - Diga ao príncipe Eren que estou indisposta, e passarei o dia repousando. – Ordenou, passando os dedos pela cabeça raspada e sentindo os cabelos macios que começavam a nascer. Precisaria se livrar deles logo, incomodavam sob a peruca. – Está livre de me servir por hoje, Sasha.
  Ela quase podia sentir a animação da serva, que provavelmente passaria o dia na cozinha perturbando os cozinheiros.
  - A senhora quer que eu traga vosso almoço? – Sasha quase pulava de animação.
  - Não. Não sairei do quarto hoje. – Fez um gesto com a mão. – Isso é tudo.
  Sasha saiu de seus aposentos e Mikasa sabia que ninguém a importunaria hoje; a serva passaria o dia na cozinha, e os demais serventes provavelmente a subornariam com comida para a pobre garota falar que mal afligira a princesa para ela não sair do quarto. E como a menina era inocente, ela falaria. Mas não por mal. Ela diria que a princesa ficou a noite inteira lendo papiros chatos que ela não entendera nada, e agora estava cansada.
  Ela não precisava se preocupar que Sasha dissesse o conteúdo dos papiros. A aia não se dava ao trabalho de espionar as coisas de sua senhora por pura falta de interesse, para ela, só se meteria se envolvesse uma ordem direta ou comida. 
  Mikasa não ficaria no quarto.
  Porém era bom que achassem que sim.
  A princesa se ergueu e deixou o tecido deslizar pelo corpo, buscando em seu baú um vestido de algodão mais grosseiro e um lenço para enrolar no rosto. Não poderia ser reconhecida.
  Dentre os hieóglifos complexos nos muitos registros que passou a noite lendo, Mikasa poderia dizer que tivera êxito em sua busca.
  O nome dele era Flegel, filho de Dimo. Hebreu, habitante de Tebas e apenas isso constava nos registros. Mais nada, nenhuma história familiar, carreira militar ou nota adicional. Apenas a falta de informações seria o suficiente para atrair sua desconfiança, porém ele ainda era hebreu. Provavelmente não fosse um escravo, não havia essa informação, mas ele ainda era do povo escravizado, e não faltavam motivos para se ressentir da coroa.
  Havia um espião e aquele Flegel era o suspeito mais coerente que ela encontrara.
  Pelo menos ela sabia como encontrá-lo.
  A areia quente entrava no vão de seus dedos e incomodava na sandália, roçando na pele e deixando os delicados dedos desacostumados à agressão das ruas em carne viva. Estava quente, o sol forte da manhã incidindo no lenço que ela levava sobre o rosto e criando trilhas de suor que grudavam os tecidos claros da roupa na pele. No meio do mercado, Mikasa andava de cabeça baixa e se esquivando dos pebleus estridentes.
  Ninguém reconheceria a herdeira real na figura cambaleante e aparentemente perdida em roupas simples e nenhum ouro, de peruca curta e sem adereços, inquieta cruzando as esquinas de casas de barro.
  A viela era escura e abafada, a sombra de dois muros de barro cozido, perfeita para ela se acomodar e esperar a casa simples de um cômodo só dar sinal de vida. A única janela permanecia vedada com madeira de acácia, de péssima qualidade, e a aparência da casa era tão deteriorada que não precisou de meia hora para Mikasa perceber que estava abandonada. E mais vinte minutos para o já pequeno trânsito de pebleus cessar e ela se esgueirar com a rapidez do vento até a porta.
  Ela forçou levemente, e com um rangido e chuva de pó e lascas a porta se abriu – assegurou-se que ninguém a vira.
  Contrariando o ambiente externo, lá dentro estava escuro, e frio. Algumas nesgas de luz passavam dos vãos das tábuas nas janelas, iluminando difusas as espirais de poeira que se agitaram no ar com a entrada abrupta de Mikasa. Não estava frio em si naquela casa – um único cômodo estranhamente vazio, com apenas uma cama e mesa abarrotada de entulhos – mas o vazio e falta de luz trazia a mente da princesa uma sensação de frio figurado, imaginário, mas muito efetivo. 
  A poeira era uma camada sólida sobre os dois móveis, o chão de terra seca e rachada marcado com as pegadas da princesa e também outras, algumas antigas e claras e outras nem tão antigas assim. Alguém estivera ali recentemente, e um aglomerado de pegadas sobrepostas em frente a bagunça da mesa levou Mikasa – pisando tão leve quanto conseguia, para não deixar marcas – até lá. Ela estava trêmula, temendo ser flagrada, a inseparável adaga bem presa à cintura, atenta a qualquer ruído da rua.
  Os dedos delicados, de pele macia e unhas bem cuidadas, tocaram com delicadeza as trilhas de marcas sobre a poeira dos objetos, especionando com a respiração presa cada possível pista. Mikasa estava tão concentrada em sua tarefa secreta que não percebeu uma das sombras do fundo da casa, próxima a cama, se mover em sua direção.
  Debaixo de uma pilha de papiros rabiscados, cujos hieróglifos mal escritos eram ineligíveis por conta de uma pesada camada de tinta deixada provavelmente para encobrir o conteúdo dos papéis – o que denotava que a pessoa que utilizava a casa era letrada, ou seja, não um simples pebleu, e sim alguém com dinheiro e influência para aprender com os escribas.
  Alguém importante, do ciclo de relações da coroa, uma vez que o Estado detinha o poder de qualquer forma de conhecimento.
  Ela se inclinou, franzindo as sombrancelhas e concentrada em tentar decifrar as palavras.
  “Vossa ordem...” Um rabisco impedia que ela lesse as próximas duas linhas. “...colina da Necrpóle, depois desceremos ao sul...” Foram apenas essas poucas palavras que Mikasa lera, mas foi o suficiente para uma dúvida e desconfiança imensas se apossarem de seus pensamentos.
  Necrópole. A única necrópole digna de reconhecimento assim era a de Mênfis, tomada pelos hicsos, ao norte do vale, no Baixo Egito. A princesa se arrepiou ao perceber que o “sul” provavelmente seria Tebas. Ela havia topado com uma conspiração contra a coroa! E “Vossa ordem”... Se referia a um nobre, no mínimo, e alguém da corte.
  Por Ísis!
  Ela levou uma mão a boca, a outra apoiada na mesa. Aquilo que ela descobrira deveria ser repassado imediatamente ao faraó. Era algo extremamente preocupante, o espião não se movimentava apenas no exército, e poderia muito bem não ser apenas um espião. Aquela casa e documentos, correspondências trocadas com o inimigo, provavam que a conspiração era obra de uma figura no mínimo relevante. 
  Porém ela não teve tempo de se recompor e pensar friamente no próximo passo que deveria tomar.
  Mikasa foi agarrada por trás, mãos fortes e rudes restringindo seus movimentos imediatamente ao cruzarem seu peito e virarem-na com violência, o grito paralisado na garganta pois uma mão tampou sua boca, apertando a pele macia com rancor.
  - Princesa Mikasa. – Levi, vestido em roupas simples como ela, e com um manto cobrindo o rosto, sorriu ironicamente. – Não deveria deixar sua aia solta para fofocar com os servos da cozinha.
 

Notas Finais


Beijos para Combat e Nat, as deusas protetoras do rivamika


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