História Kemet - Capítulo 7


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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Levi Ackerman "Rivaille", Mikasa Ackerman
Tags Rivamika
Visualizações 184
Palavras 2.062
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Felá: camponês egípcio ferradinho nas areias da vida
Setep-sa: palácio real
É gente, a casa ainda tá caindo
E vai cair por um bom tempo
Lembrem-se, hicso nem é gente asiático safados

Capítulo 7 - Setep-sa


 

 
 
 
  - Eu deveria te deixar aí. – Levi cruzou os braços, olhando-a com tédio.
  Mikasa grunhiu, agarrada aos tijolos do alto do muro com a bunda para cima e cheia de ódio.
  - Cala a boca, desgraçado. – Sibilou, sentindo os dedos escorregarem perigosamente no muro por conta do suor. O sol estava quase a pino, e era difícil ignorar a tontura no alto de um muro de três metros, com os raios de Áton incidindo diretamente na cabeça.
  O vizir sabia com exatidão a troca da guarda que vigiava os muros do palácio, e naquele momento a parte noroeste da muralha do pátio externo não possuía nenhum soldado cuidando da segurança. Eles não poderiam entrar pela entrada principal porque levantaria suspeitas, mesmo que a princesa preferisse, o vizir insistiu violentamente – as marcas roxas no braço que ele apertara eram prova – que deveriam agir secreta e sem alarde. Ele carregava as cartas e o cartucho que incriminavam Eren consigo, e não havia nada que Mikasa pudesse fazer.
  Levi suspirou, tendo pulado o muro com toda aquela habilidade maldita de sanguinário dele, debochando um pouco mais da imagem de uma princesa caida em desgraça. 
  Mikasa ostentava uma bochecha cortada, um vestido sujo, rasgado e manchado de sangue, marcas de machucado pelo corpo inteiro, uma peruca deplorável e para completar os pés sujos de terra. Completamente sujos. Ela não conseguiria descer do muro sem ajuda, mas ela jamais cogitaria pedir auxílio ao meio-irmão desalmado, então daria um jeito. Nem que quebrasse algum membro no processo.
  Ele suspirou de novo, e estendeu a mão em um movimento relutante e contido.
  - Não quero perder o dia inteiro vendo uma pirralha presa no alto do muro. – Sorriu com escárneo. – Por mais satisfatório que seja seu sofrimento.
  A princesa realmente não queria a ajuda dele, mas não tinha opção. Precisava chegar a Eren antes da lâmina de Levi.
  Encarando a mão masculina como se fosse uma naja venenosa, Mikasa estendeu a dela muito lentamente. Levi se apoiou em alguns tijolos no muro para alcançá-la – uma cena ridiculamente cômica, pois ele era de estatura baixa demais para não precisar de apoio – e puxou a mão dela com força. Mikasa oscilou e pensou que o maldito a deixaria cair para uma morte despencada do muro, quando Levi a segurou pela cintura e trouxe ao chão. Ela gemeu com o aperto nas costelas, o machucado de mais cedo ardendo como as piscinas de lava do Duat.
  - Que inferno... – Praguejou baixo, tentando se recompor e temerosa de algum servo flagrá-los naquela situação. Mas estranhamente o pátio externo estava vazio, muito vazio. O ar pesado e tenso.
  - Não vai agradecer? – Levi cruzou os braços, o olhar superior só porque conseguia descer de um muro, evidenciando as marcas vermelhas dos arranhões que as unhas dela deixaram nos músculos dele, da luta de mais cedo.
  - Não fez mais do que sua obrigação, vizir. – Ela deu as costas, chamando-o propositamente pelo cargo, mostrando o quão inferior ele era e sempre seria em relação a ela.
  Levi agarrou seu pulso quando ela começava a andar, puxando-a com um solavanco até que se virasse para ele. Os olhos cinzas ardiam de ódio, e novamente ela quase conseguia ver todas as sombras negras de Seth abraçarem-se ao corpo dele. Maldade pura.
  - Talvez agradeça quando seu irmãozinho perder a cabeça.
  Ele sempre despertava as trevas dentro dela, o ódio em comum que compartilhavam pelo outro de alguma forma inflamava toda forma de vida que se encontrava no mesmo ambiente que eles – sempre fora assim. Porém a princesa não o deixaria envolver seu Eren naquilo. Ela se recusava a acreditar que o doce e atrapalhado Eren poderia ter a capacidade de arquitetar uma traição daquela magnitude.
  - Ele é inocente. – Mikasa afirmou, para o vizir e para si mesma. – Eu vou provar.
  Levi ainda a segurou por um tempo, os olhos em fúria devorando a figura descomposta da princesa, para depois reluzirem em deboche irônico.
  - Veremos, senhora.
  Sem paciência e ansiosa para encontrar o irmão e esclarecer tudo, Mikasa deu as costas a Levi e suas provocações. O caminho de terra batida até a entrada do palácio estava anormalmente vazio, sem qualquer sinal da entrada e saída incessante dos funcionários reais em um dia comum como aquele, os servos desaparecidos, os sussurros findados. Algo estranho estava ocorrendo, Mikasa teve um arrepio de mau pressentimento e apertou o passo.
  Precisava ver o faraó.
  Conforme apressava o caminhar, quase correndo até a sala do trono, conseguia sentir Levi acompanhá-la na mesma velocidade, com a mão tensa no cabo da espada como se pressentisse algum perigo. Pareciam competir quem chegaria ao trono primeiro.
  Os hieróglifos iluminados pelas tochas de fogo na parede pioravam a situação, pois a cada esquina que Mikasa virava tinha um vislumbre da Sala das Duas Verdades, de Anúbis embalsamendo um morto, de Amut, a devoradora. Mau agouro. Então finalmente estavam sobre as imensas portas duplas da sala do trono, folhadas a ouro e decorada de hierógliflos de Hórus. A princesa não conseguia respirar, embora arfasse e machucasse ainda mais as costelas com o movimento abrupto, o coração tão acelerado quanto na luta contra Levi. Ela não conseguiu se mover para abrir a porta.
  Levi tomou a frente, empurrando-a com o corpo e escancarando as portas douradas.
  Silêncio.
  O mais absoluto silêncio.
  Os raios do sol entravam difusos pela pequena janela atrás do trono, alta entre as colunas de lótus, alguns poucos braseiros brilhando em um fogo moribundo... E ninguém na sala do trono. Nenhum funcionário, servo, pebleu suplicante, príncipe nervoso. Nada.
  Antes que qualquer um dos dois se manifestasse, uma voz quebou o silêncio sacro.
  - Minha senhora! – Sasha, ofegante, fez uma mensura a frente da herdeira do Egito e do vizir. – Senhor vizir.
  - Sasha. – Mikasa arrumou a postura, mesmo esfarrapada impondo sua presença aristocrática. – Onde estão a todos?
  A criada vacilou, torcendo as mãos no cinto de ouro sobre o vestido simples. Ela abriu a boca e a fechou, tremendo levemente. Algo ruim, muito ruim.
  - Onde está o faraó? – Levi se pronunciou, e o terror da serva por ter de responder ao general de guerra era nítido. Se ela ficasse mais branca, seria um cadáver.
  - O... O fara... faraó... – Sasha gaguejou, olhando nervosa para o chão, Mikasa e Levi, depois de volta ao chão.
  - O faraó, Sasha! – A princesa vociferou, sem paciência.
  - Eu estava procurando por vossa alteza. – Ela fitou as roupas e o estado de Mikasa, confusa. – O senhor das Duas Terras requisita vossa presença, junto do vizir.
  A antecâmara que levava aos aposentos reais estava cheia quando os filhos prediletos do faraó se aproximaram do quarto da majestade, devidamente fechado. Príncipes, tantos irmãos quanto filhos do faraó, se aglomeravam em um canto, e nobres, escribas de cargo alto e a elite dos templos também estavam na sala. Mikasa localizou Armin, perto dos guardas da entrada, como se ansiasse sair dali, mas ele não sustentou seu olhar. Eren não estava ali.
  Mikasa apertou o manto bordado com fios de ouro que Sasha lhe dera as pressas, apenas para não se apresentar tão descomposta na frente do rei. A serva não fez perguntas desnecessárias, mas ela conseguia sentir o estranhamento e desconfiança que emanavam da moça a respeito de sua aparência de felápedinte. Não cumprimentou ninguém e passou direto, parando em frente da porta com a presença pesada do vizir atrás – viu Levi cochichar algo com a guarda de elite que protegia a família real, e um soldado saiu andando discretamente pelo corredor escuro.
  Ela abriu as portas duplas e entrou.
  O pai estava deitado na imensa cama no alto de três degraus de pedra lichada, todo o esplendor de mais de mil anos de história retratado nas pinturas naturalistas da parede, que mostravam paisagens aquáticas inspiradas no Nilo. O alto sacerdote Erwin estava ao lado dele, acendendo incensos em oferenda as estátuas de Ísis, Hórus e Osíris. A tríade Tebana. A cabeça raspada estava baixa, e ele sussurrava palavras inaudíveis, os ombros fortes reluzindo com a iluminação suave do fogo, a saia branca plissada carregada de cintos de ouro, bem como o colar e braceletes.
  Erwin se virou ao ouvi-los entrar, os olhos negros de pó de galena se estreitando com a interrupção, mas ganhando um brilho receoso ao ver os príncipes.
  - Sumo sacerdote, o faraó mandou me chamar.
  O homem assentiu e desviou o olhar para Levi, descendo do elevado para se prostar ao lado do vizir.
  Mikasa subiu as escadas sem sentir os membros se moverem, ajoelhando ao lado do rei do Egito tão frágil em seu leito.
  Kenny estava tão pequeno e magro que Mikasa achou ser obra de uma maldição o quanto ele se deteriorara em uma única noite; mas ela sabia que a doença, mesmo que não mostrasse, estava em estágios avançados. Seria questão de tempo, mas ainda sim foi um baque perceber que o tempo  se esgotara. O faraó estava com as feições fundas e exaustas, de olhos fechados, a careca salpicada por alguns fios grisalhos que insistiam em nascer – a princesa se perguntou porque ninguém raspava, e percebeu que provaelmente o pai não possuía força para suportar que tocassem nele. 
  O Egito, com sua morte, se tornaria ainda mais vulnerável.
  - Pai. – Ela sussurrou, estendendo os dedos até tocar a mão decrépita que jazia sobre os lençóis.
  Ele abriu os olhos cinzas e piscou, como se a visão estivesse desfocada. Mikasa sentiu a garganta fechar,
  - Uri? – Kenny perguntou com a voz falha e baixa, tão quebradiça quanto um caniço seco.
  A princesa desviou o olhar para o sacerdote, buscando explicações. O pai estava alucinando?
  - Ele está chamando pelo antigo comandante do exército. – Erwin explicou, abaixando o olhar respeitosamente e falando baixo. – Morreu em combate há mais de vinte anos.
  Ela voltou a fitar o pai, as sobrancelhas franzidas e os olhos ardendo para soltar as lágrimas. Reprimiu o choro.
  - Sou eu, pai, Mikasa. – Explicou, acariciando os dedos esqueléticos que ainda ostentavam anéis. Largos nos ossos proeminentes, mas ainda mantendo a imponência do rei, mesmo em seus momentos finais. Ele seria enterrado com aqueles anéis, e suas mais belas jóias.
  - Mikasa. – Ele passeou o olhar pelo rosto dela, como se a visse pela primeira vez. – Minha flor de lótus.
  - Sim, meu senhor. 
  - Você agora vai ser rainha. – Kenny respirou fundo e o peito chiou, debilitado. – O Egito tem que ser unificado... Expulse... Os hicsos... 
  - Eu juro, majestade, pelo Nilo, por Osíris, por Sobek, eu vou unificar nossa terra novamente. – Ela sentia o calor em brasa que aquela declaração causou em seu peito, uma fúria insana em recuperar seus territórios e destruir qualquer asiático usurpador que houvesse uma vez pousado os olhos nas bençãos de Hapi.
  - Levi. – Ele virou a cabeça e procurou pelo vizir. – Meu filho...
  - Estou aqui, meu senhor. – O príncipe se ajoelhou ao lado de Mikasa, tomando a mão do rei dela e esbarrando na da princesa no caminho, que se esquivou do contato como se fosse uma besta a tocando.
  - É o único... Você é o único... – Kenny tossiu sangue, e Mikasa usou um lenço de seda ao lado rei para limpar a boca do faraó.
  - Por favor, não se esforce... – Ela começou, mas o homem prestes a iniciar a viagem na barca de Rá pelo mundo dos mortos a ignorou.
  - Você é o único que pode dar um herdeiro legítimo.
  Kenny ergueu a mão que segurava a de Levi e pousou sobre a de Mikasa, apertando com a força de uma mariposa as mãos dos príncipes unidas, soltando-os e observando-os juntos.
  Mikasa estava chocada, mas não completamente surpresa. Ela sabia que para assegurar o trono deveria garantir logo um herdeiro, e planejava buscar o essencial sangue que o legitimaria em algum outro irmão ou primo. Mas claro que Kenny iria declarar o filho preferido e monstruoso como o progenitor do herdeiro da coroa.
  - Papai. – A príncesa sussurrou, soltando-se de Levi e pousando a mão no rosto acabado do faraó. – Papai.
  Kenny Ackerman não mais respondeu aos apelos da filha, que insistia em chamá-lo, e teria insistido por mais tempo se um Jean ofegante não houvesse arrombado a porta, fazendo-se ouvir os gritos e sons de espadas reverberando pelas pedras do palácio.
  - Senhores, estamos sob ataque!
  O rei estava morto e o território condenado.
 
 

Notas Finais


Estou doentinha, por isso não paro de postar. Não posso sair de casa (devia tá estudando mas vou fazer a Alice)


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